Diferentes líderes religiosos de El Salvador pronunciaram-se contra a obrigatoriedade da leitura da Bíblia nas escolas, como estabelece lei recentemente aprovada lei no Parlamento, sob o argumento de que tal medida poderia levar a uma luta religiosa e divisão das igrejas. O Parlamento aprovou a medida porque entende que a leitura da Bíblia contribuirá para a prevenção à violência e formação de gangues no país. Quem vai ler a Bíblia? Que versículos da Bíblia vão ler? Qual Bíblia se lerá, se existem diferentes traduções? - são as perguntas que o pastor evangélico Carlos Rivas, do Tabernáculo do Avivamiento Internacional (TAI), lançou. O mesmo se perguntam alguns líderes de igrejas históricas. “Este decreto já raia a ignorância e hipocrisia”, criticou Rivas, queixando-se que os religiosos não foram consultados a respeito. “Para mim, o mais importante é ter um encontro com os valores”, afirmou o bispo luterano Medardo Gómez. A lei que "institui a leitura de passagens da Bíblia de forma diária e sistemática em todos os centros educativos do país", foi aprovada pelo Parlamento na semana passada. A leitura tem até tempo previsto: sete minutos antes de cada início de dia de aula, sem comentários adicionais. O decreto, que deverá ser sancionado pelo presidente Mauricio Funes, foi aprovado 18 dias depois da morte de 15 pessoas, abatidas por disparos e incendiadas no interior de microônibus que as transportavam. A autoria do crime foi debitado a uma gangue. Para Funes, a leitura da Bíblia poderia ser uma iniciativa que aliviará a situação de violência do país. “A visão com que se aborda a violência me preocupa, não estamos vendo o que há por detrás dela”, disse o pastor Miguel Tomas Castro, da Igreja Batista, ao argumentar que não estão sendo atacadas as verdadeiras causas desse fenômeno. A América Central é considerada pelas Nações Unidas (ONU) a região mais violenta do mundo que não está em guerra. Em El Salvador, nação de 5,7 milhões de habitantes, ocorrem 13 homicídios por dia, segundo dados oficiais. Para o bispo Martín Barahona, da Igreja Anglicana, o decreto é inconstitucional e, assim como se posicionou o máximo prelado da Igreja Católica, José Luis Escobar Asas, considera que ele conduzirá à discrepância religiosa. Todos os líderes eclesiais ouvidos sugeriram o fomento de valores morais, ético e espirituais em todos os espaços para fazer frente à violência no país. O pastor Carlos Rivas propôs, inclusive, a introdução de uma chefatura de formação de valores no Ministério da Educação.  |