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18/07/2010 - Teólogo aborda modernidade e diálogo das religiões
 
A conferência Diálogo das Religiões e Desafio para a Renovação Teológica, proferida pelo teólogo galego Andrés Torres Queiruga, encerrou o 23º Congresso Internacional da Sociedade de Teologia e Ciências da Religião (Soter), reunido na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG) desde sábado, 12. O tema do evento tratou das Religiões e Paz Mundial.
 
Queiruga partiu do fato de que o cristianismo é uma religião grande e antiga. Ele admitiu que a modernidade provocou uma enorme mudança, à qual o cristianismo não se adaptou plenamente. Isso implica na retomada da Teologia da Revelação, sobretudo no impacto provocado pelo diálogo das religiões.
 
O teólogo galego partiu da perspectiva católica, observando que mesmo o Concílio Vaticano II, que se propôs a colocar a Igreja Romana em diálogo com o mundo moderno, não fala de revelação divina nas outras religiões. Quando muito admite apenas “lampejos da verdade”.
 
Por isso, a indagação pela revelação de Deus empaca em imbroglios hermenêuticos como o enunciado por um teólogo que afirmou: “o profeta Isaías me diz que Deus disse a ele, mas a mim Ele não disse nada”, mostrando como a exigência de clareza da modernidade ainda dificulta a interpretação bíblica.
 
A busca da resposta através da mistagogia (iniciação nos mistérios duma religião), faz as pessoas buscarem respostas, processo que ele chama de revelação como maiêutica. Trata-se, na modernidade, da possibilidade de verificação através da reunião de elementos e análise interpretativa que se aproxima do que Sócrates utilizava em seu método, haurido do trabalho que sua mãe, parteira, fazia, (em grego maía, daí a maiêutica), trazer à luz. Ele comparou esse processo com sua atividade filosófica de busca do saber que possibilita a compreensão.
 
Didático, o filósofo observou que se a revelação fosse um milagre a ser feito, todos deveriam ser conscientes dela. Mas sua compreensão resulta da atitude humana de busca de respostas. Ele supõe ainda que Deus é ato puro e sua existência consiste em permanecer amando. “Ele não faz outra coisa do que amar, por isso Deus está em todo homem e mulher. E se manifesta, a busca se intensifica”, disse.
 
Lembrou ainda que a maiêutica é uma leitura de um conjunto de evidências para encontrar aquilo que o coração está dizendo. Ele considera, inclusive, que o coração também se equivoca. Por isso a compreensão reúne elementos, os ilumina com dados do saber humano e busca respostas. “O mistério está em sentir-nos e experimentar-nos como criaturas que vivem esse amor”, afirmou.
 
Ele considera o fato de que Deus se manifesta na sua criação. Exemplificou dizendo que, ao ler a criação de Dostoievski, “estou descobrindo o seu autor. Com os sentidos na criação divina já estamos nos lançando à busca. Ademais, Deus nos ama e perdoa nossas fraquezas incondicionalmente, exatamente porque Ele é grande. Assim, temos por base um relacionamento que nos possibilita buscar”, enunciou.
 
Essa reflexão se aplica ao diálogo das religiões quando se percebe que pelo caminho do ateísmo não se descobre que Deus está no mundo. Quaisquer que sejam as razões que movam as pessoas que se dizem ateias, elas estão impedidas de perceber e adentrar o mistério.
 
Queiruga observou, com convicção, que o ateísmo não é um capricho, mas uma atitude que percebe algo da realidade. E admitiu: “todos podemos ter uma teologia melhor por causa das críticas dos ateus.”
 
Se, por um lado, o mistério se abre àquele que crê, por outro o aprofundamento é um processo. E existem ainda os limites de cada humano nesta busca. Ninguém no mundo tem condições de captar todo o mistério. Os cristãos devem tomar consciência de que se querem acolher o mistério de Deus, têm que escutar o que lhes dizem as diversas religiões. “Se cremos que toda religião é manifestação dessa vivência, como podemos rejeitar uma religião de forma apriorística?” – indagou.
 
Segundo o teólogo galego, exata atitude permite a inreligionação, que é a capacidade de aprender de cada religião, pela sensibilidade, e de dar algo de sua vivência religiosa também. Ele denunciou a arrogância, quando se diz que não há conhecimento das religiões fora de Cristo, atitude que ofende todas as religiões, inclusive o Antigo Testamento.
 
Queiruga concluiu a conferência enfatizando o mistério que descentra a todos. “Abrir-nos ao mistério nos abre os sentidos para que melhor percebamos suas diversas manifestações. Devemos nos lançar, a partir de nossa caminhada cristã, nesse processo”, recomendou.
 
Ele evocou Henri de Lubac, que nos anos 40 do século passado deixou o ensino de que há muito mais ecumenismo do que se pensa. Para ele, um pluralismo vivo tem significado e até está ajudando a todos.
 
fonte da notícia: ALC inserido por: Noticias CONIC envie para um amigo
 
 

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