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CNBB lança Campanha de Diagnóstico Precoce do HIV
Qui, 27 de Novembro de 2014 20:45
 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com o apoio da Pastoral da Aids e do Ministério da Saúde (MS), lançou na tarde desta quinta-feira, dia 27, a Campanha “Cuide bem de você e de todos que você ama”. A iniciativa visa a ampliação da testagem do HIV, vírus da Aids. O evento de abertura aconteceu na sede da CNBB, em Brasília (DF), e teve a participação do bispo auxiliar de Brasília e secretário geral da instituição, dom Leonardo Steiner; do ministro da Saúde, Arthur Chioro; do secretário de Vigilância em Saúde, Jarbas Barbosa; do coordenador do Departamento de DST/Aids e Hepatites Virais, Fábio Mesquita; dos secretário executivo e assessor da Pastoral da Aids, respectivamente, frei José Bernardi e frei Luiz Carlos Lunardi.
 
Na ocasião, dom Leonardo Steiner afirmou que "uma ação que tem por objetivo dar vida melhor às pessoas, não pode deixar de ter o apoio da CNBB". Ele recordou a atuação da Igreja com as pessoas que vivem com o vírus da Aids. “Talvez tenha sido a Igreja a primeira a acolher e ir ao encontro das pessoas. Nós estamos dando apenas continuidade e estamos dando um grande passo para que as pessoas possam, o quanto antes fazer o teste e assim serem acompanhadas”, disse.
 
De acordo com o ministro da Saúde, Arthur Chioro, nos 30 anos de luta contra a Aids no Brasil aconteceram inovações tecnológicas e avanços no tratamento, fazendo com que atualmente haja uma naturalidade em relação às infecções. “É verdade que temos grupos na população que têm de 12 a 24 vezes mais chances de ter a infecção com o HIV, mas é importante que a sociedade brasileira, e particularmente os jovens, tenham a noção muito clara de que o HIV vai também expor à infecção pessoas que não fazem parte desses grupos”, ressaltou.
 
Segundo dados do Ministério da Saúde, são 720 mil pessoas que vivem com HIV/Aids no Brasil e 350 mil estão em tratamento. Além disso, cerca de 150 mil pessoas vivem com HIV e não sabem.  A Pastoral da Aids orienta que, apesar da Aids não ter cura, “o diagnóstico precoce do HIV e o tratamento possibilitam que a doença não se desenvolva e a pessoa continue saudável”.
 
O secretário de Vigilância em Saúde do MS explicou que há efeitos positivos quando o teste anti-HIV é feito antes de que alguns sintomas se manifestem, pois beneficia a pessoa com o novo protocolo adotado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para tratamento e reduz o risco de novas infecções.
 
Cuidado
 
O slogan da Campanha, “Cuide bem de você e de todos que você ama”, teve destaque na fala dos presentes à mesa. O secretário executivo da Pastoral da Aids afirmou, ao apresentar os materiais, que há o desejo de “sensibilizar para o cuidado”. “Fazer o teste HIV é uma forma de cuidar de si e das pessoas que você ama. As peças da Campanha exploram essa ideia e acrescentam informações úteis sobre a epidemia, o HIV e a Aids, que muitas vezes são confundidas pela sociedade”. 
 
Para Chioro, o slogan remete a valores “essenciais na produção de uma sociedade mais justa, fraterna, solidária e saudável”. “É o conceito do amor e do respeito a cada um e ao próximo, isso é fundamental para a gente combater ainda os estigmas, o preconceito, a desinformação, que são produtores de muita dor, de muito sofrimento e muita doença”, afirmou.
 
Ao final da cerimônia, dom Leonardo Steiner convidou os presentes a repetirem o gesto do cartaz da campanha, que mostra uma pessoa com as mãos próximas, simbolizando cuidado e o lema “Cuide bem de você e de todos que você ama”.
 
Também participaram da cerimônia agentes da Pastoral da Aids e representantes de entidades, como a secretária executiva do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC), pastora Romi Bencke.
 
Campanha
 
A iniciativa da Pastoral da Aids irá somar a organização da Igreja no Brasil, por meio da CNBB, às suas atividades de prevenção, informação e acompanhamento das pessoas que vivem com HIV/Aids. As dioceses, prelazias e paróquias irão incentivar a realização do teste pelas pessoas. O Ministério da Saúde informou que deixará disponível toda a Rede do SUS, com Centros de Saúde e de Aconselhamento, para atendimento dos interessados em diagnosticar o vírus e aqueles que precisam de tratamento.
 
Com informações da CNBB
Imagem: reprodução
 
Peregrinação de justiça e paz dá visão aos programas do CMI
Qui, 27 de Novembro de 2014 20:36
 
"A peregrinação é tanto uma maneira de continuar o trabalho do movimento ecumênico como uma forma de avançar em tempos que trazem novas dimensões, oportunidades e práticas", afirmou o secretário geral do CMI, Rev. Dr Olav Fykse Tveit, refletindo sobre o tema "peregrinação de justiça e paz", uma visão lançada pela X Assembleia do CMI em 2013, e sobre os programas do CMI.
 
"Assim como o mundo se move rumo a novas configurações, temos que nos mover de maneira que dê visibilidade à missão a partir das margens". Temos que nos mover rumo a novas relações com outras igrejas e parceiros, ao lado da nova geração", afirmou Tveit.
 
Ele declarou isto enquanto se dirigia aos membros do Comitê Executivo do CMI, que se reuniu em Paralimni, Chipre, de 20 a 26 de novembro. O encontro foi organizado pela Igreja do Chipre.
 
Composto por 25 membros, o Comitê Executivo do CMI é um dos mais importantes órgaos de tomada de decisão do CMI, com representantes de todas as regiões e moderado pela Dra. Agnes Abuom. O Comitê se reúne duas vezes ao ano para monitorar o trabalho realizado, supervisionar o orçamento e lidar com assuntos de política interna do Conselho.
 
"Somos convidados especialmente a encontrar novas expressões de unidade em solidariedade com os cristãos que sofrem em tantas partes do mundo", disse Tveit em sua apresentação. "Somos chamados à unidade para servir ao mundo juntos em sua sede de justiça e paz dada por Deus. O mundo, com suas crescentes crises atuais, precisa de pessoas de fé que estejam dispostas a deixar que sua fé seja mais importante do que as posições e identidades contrárias que as separaram no passado", acrescentou.
 
A escolha do Chipre como sede desta reunião foi chamada de significativa pelo secretário geral do CMI. "Esta nação está sofrendo com as consequências da crise finaceira e das crescentes tensões relacionadas aos recursos naturais no Mar Mediterrâneo. O Chipre é, claramente, uma estação importante em nossa peregrinação de justiça e paz", disse Tveit.
 
Enquanto refletia sobre os planos e prioridades dos programas do CMI, Tveit fez especial menção às iniciativas de paz na Síria e Iraque, Ucrânia, Coreias do Sul e do Norte, Israel e Palestina, Nigéria, Sudão do Sul e República Democrática do Congo.
 
Ele também mencionou a guerra em Gaza, referindo-se a como o CMI condenou os incidentes de violência. "A frustração em relação à falta de um processo de paz e das fracassadas soluções das causas deste conflito" precisam ser levadas em consideração. "A contínua ocupação ilegal e a ampliação dos assentamentos precisam parar", acrescentou.
 
Tveit disse que "o CMI vai continuar a monitorar de perto tais desenvolvimentos e acompanhar as igrejas e as pessoas em sua busca por paz justa" na Palestina e em Israel.
 
Entre outras inicitivas do CMI, Tveit mencionou a Cúpula Inter-religiosa sobre Mudanças Cimáticas, realizada em Nova Iorque, em Setembro. "A Cúpula conseguiu levar as preocupações das comunidades de fé ao secretário geral da ONU, Ban Ki-moon", lembrou Tveit.
 
Ele também falou sobre a importância de fortalecer as relações com os parceiros ecumênicos, mencionando a consulta para promover as relações entre igrejas e ministérios especializados, organizada pelo CMI em Malawi. Ministérios especializados são organismos parceiros do CMI que trabalham nas áreas de desenvolvimento, ajuda humanitária, defesa dos direitos humanos e justiça climática.
 
Tveit tambem ressaltou o trabalho do CMI na formulação de uma resposta ao HIV e à AIDS, e a expensâo de tal resposta em nível global. Ele acrescentou que o CMI também está audando a formular uma resposta adequada à crise do Ebola em parceria com suas igrejas-membro e parceiros.
 
Tveit disse que, pela primeira vez, o CMI está colaborando com a UNICEF na promoção dos direitos das crianças, como uma das organizações parceiras desta agência da ONU.
 
A continuidade do trabalho do CMI na "busca por unidade com a Igreja Católica Romana" e na recepção do documento "A Igreja: Rumo a uma Visão Comum", um texto de convergência da Comissão de Fé e Ordem, foram ressaltadas por Tveit. Ele também compartilhou notícias sobre futuras iniciativas relacionadas ao programa de diálogo e cooperação inter-religiosa do CMI, que busca incluir a visão da peregrinação de justiça e paz ao lado de outros programas do Conselho.
 
Fonte: CMI
Foto: CMI/Charis Vrahimis
 
Marie Krahn: mais dois passos em direção a um mundo mais seguro
Qua, 26 de Novembro de 2014 21:58
 
No dia 25 de setembro, o Tratado de Comércio de Armas (Arms Trade Treaty – ATT) recebeu a 53ª ratificação por um país das Nações Unidas, o que acionou a contagem regressiva de 90 dias para sua entrada em vigor, que deverá acontecer no próximo dia 24 de dezembro. Esse tratado é o primeiro acordo internacional criado com a finalidade de regular o comércio de armas e prevenir o desvio de armamentos, podendo assim reduzir o número de mortes por armas de fogo em todo o mundo. O Tratado pretende evitar que as exportações abasteçam grupos criminosos e governos que atentam contra sua própria população. Esse tratado deve diminuir consideravelmente a quantidade de armas transferidas para as mãos de ditadores, senhores da guerra e outros grupos criminosos. Já havia regulamentações rigorosas controlando o comércio de produtos agrícolas, mas, até este momento, armas e munição podiam atravessar as fronteiras sem muito questionamento. Isso deve mudar com esse tratado.
 
O Brasil foi um dos primeiros países a assinar o tratado em junho de 2013, mas ainda não o ratificou. Recém no dia 5 de novembro passado o tratado foi enviado ao Congresso Nacional, à Câmara dos Deputados, onde deverá tramitar por algumas comissões antes de seguir para o Senado.
 
 
Outro pequeno passo foi dado na direção do banimento de armas nucleares e armas de destruição em massa, no dia 20 de outubro deste ano, no encontro do Primeiro Comitê das Nações Unidas em Nova Iorque, quando 155 países, entre eles o Brasil, assinaram a “Declaração Conjunta sobre as Consequências Humanitárias de Armas Nucleares”. Essa declaração diz que a única maneira de garantir que as armas nucleares nunca mais sejam usadas é sua total eliminação. Todos os Estados compartilham a responsabilidade de evitar o uso de armas nucleares, de evitar sua proliferação vertical e horizontal e de alcançar o desarmamento nuclear inclusive através do cumprimento dos objetivos do TNP [Tratado de Não Proliferação] e conquistar a sua universalidade. Os 155 Estados concluem que “é do interesse da própria sobrevivência da humanidade que armas nucleares nunca mais sejam usadas, sob nenhuma condição”. Está acontecendo uma grande movimentação na sociedade civil e entre jovens para pressionar as Nações Unidas a negociarem um tratado de banimento total das armas nucleares sob a lei humanitária.
 
Trata-se de dois passos importantes em direção a um mundo mais seguro. A participação do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs – CONIC, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil – IECLB (que faz parte do CONIC e enviou a mesma carta reforçando as ações do CONIC) e da Faculdades EST da IECLB com a ONG SERPAZ nos processos de mobilização nas igrejas e entidades afins em todo o mundo, através do Conselho Mundial de Igrejas – CMI (uma associação mundial de 350 igrejas em 140 países) foi importante para que esses passos fossem dados. Por isso cabe aqui uma nota de profunda gratidão a essas entidades por seu apoio e suas ações. É oportuno reforçar também a importância da mais ampla divulgação dessa informação, pois é dever de todos nós, cidadãos e cidadãs do mundo, continuar pressionando e fiscalizando nossos governos para que ratifiquem e implementem o ATT e trabalhem para o banimento das armas nucleares e de todas as armas de destruição em massa. Só assim nossa vida neste mundo terá mais paz, mais segurança e mais dignidade.
 
Informações mais detalhadas sobre estes e outros assuntos relacionados com armas, tratados e processos nas Nações Unidas podem ser encontradas AQUI ou AQUI.
 
Artigo escrito por: Marie Ann Wangen Krahn, professora na Faculdades EST, membro do SERPAZ e representante da IECLB no Conselho Mundial de Igrejas na Campanha Ecumênica por um Tratado de Comércio de Armas Forte e Efetivo e também na Campanha Internacional para Abolir Armas Nucleares.
 
 
Não há desculpas para a violência contra as mulheres!
Qua, 26 de Novembro de 2014 21:29
 
Para dizer não a todos os tipos de desculpas que justifiquem a violência contra mulheres e meninas, o CMI, em parceria com aAssociação Mundial de Jovens Cristãs (YWCA) e a Federação Luterana Mundial (FLM), convida suas igrejas-membro e parceiros a aderirem à campanha:
 
"NoXcuses – Não Há Desculpas para a Volência contra as Mulheres"

Durante os 16 Dias de demonstrações de ativismo contra a violência de gênero, o CMI e seus parceiros irão publicar diariamente videos com mensagens e testemunhos feitos por líderes que, a partir de sua experiência pessoal e de sua convicção cristã, dizem: não podehaver desculpas para a violência de gênero!

Visite www.worldywca.org/noXcuses e veja como você pode fazer seu próprio vídeo ou apoiar a campanha de outras formas!
 
Acompanhe os videos partilhados pelo CMI através do link: 
 
Foto: WCC/Marcelo Schneider
 
Primaz da IEAB: 16 dias de ativismo contra violência às mulheres
Seg, 24 de Novembro de 2014 20:39
MENSAGEM DO BISPO PRIMAZ
E DA COMISSÃO DE INCIDÊNCIA PÚBLICA
 
CAMPANHA DOS 16 DIAS DE ATIVISMO
PELA SUPERAÇÃO DA VIOLÊNCIA CONTRA AS MULHERES
 
Estamos vivendo mais uma Campanha que tem tido alcance mundial. Trata-se da Campanha de ativismo contra a violência de Gênero que tem mobilizado Igrejas - nossa Igreja Anglicana tem assumido esta Campanha - ONGs, Movimentos Sociais e Organismos Ecumênicos.
 
Precisamos continuar erguendo nossas vozes contra a violência institucionalizada contra as mulheres no mundo inteiro. Aqui no Brasil, mesmo com avanços nas políticas afirmativas, ainda somos um país que ocupa vergonhoso posto de país onde a violência contra as mulheres alcança níveis insuportáveis.
 
Dia a dia, em nossa sociedade construída sobre padrões de comportamento machista, vemos a continuidade do feminicídio, da exclusão das mulheres ao acesso ao mercado de trabalho, da desigualdade salarial, da exclusão de políticas públicas de saúde, entre tantos outros desafios que parecem crescer a uma velocidade exponencial e cujas soluções e enfrentamento se dão ainda de forma lenta e com raríssimos sucessos.
 
A IEAB tem afirmado seu compromisso claro de enfrentar o problema da violência contra as mulheres. O SADD tem sido um uma importante âncora no processo de conscientização e educação da Igreja sobre este tema. No entanto, reconhecemos que sozinho(a)s não temos logrado os avanços concretos que desejamos. É necessário juntar forças com a sociedade civil e com outros atores políticos e sociais para que esta mancha que envergonha nossa sociedade possa ser eliminada.
 
É oportuno que em nossas comunidades se realize rodas de conversa sobre o problema da violência de gênero. É importante que nossas lideranças clericais e leigas se levantem para refletir sobre as violências que tem sido cometida contra nossas irmãs, muitas vezes bem próximas de nós e inclusive dentro de nossas comunidades eclesiais. Precisamos assumir o projeto de Jesus que nos deixou exemplos de acolhimento, respeito, escuta e afirmação da dignidade humana. E neste contexto, as mulheres receberam dele uma atenção muito especial. Diante de Jesus, as mulheres tiveram sua fala respeitada, seus direitos reconhecidos, sua dignidade assegurada.
 
Mesmo distante historicamente de nossos tempos, percebemos que as categorias opressoras da mulher - conforme se vê nos relatos do ministério de Jesus - apenas mudaram de aparência, mas na essência continuam as mesmas. Vergonha, dor, desesperança, silêncio continuam povoando a alma de muitas de nossas irmãs contemporâneas. Não importa a classe social nem o nível cultural e econômico das vítimas de violência física e emocional em nossos dias. A violência institucionalizada continua vitimando muitos milhões de mulheres no mundo. Este não é um problema para ser ignorado. Precisa ser enfrentado com coragem! Que nestes dias de ativismo e não apenas neles, possamos assumir dentro e fora da Igreja o compromisso com a superação da violência contra as mulheres.
 
 
Santa Maria, 24 de novembro de 2014
 
 
++ Francisco
Primaz da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB
 
Salvador (BA): terreiros vão ter os mesmos direitos que igrejas
Dom, 23 de Novembro de 2014 19:55
 
O Diário Oficial do Município (DOM) de Salvador (BA) publicou, no dia 21, decreto assinado pelo prefeito ACM Neto que reconhece os terreiros de candomblé para fins jurídicos e administrativos, a exemplo do que já ocorre com outros templos religiosos, como as igrejas.
 
Na prática, com esse decreto, as organizações ligadas aos povos e comunidades de terreiros passam a ter benefícios tributários, inclusive imunidade.
 
O decreto foi assinado pelo prefeito durante a inauguração do novo Observatório Permanente da Discriminação Racial e Violência contra LGBT, localizado no Clube de Engenharia, na Rua Carlos Gomes. Além de benefícios tributários, os terreiros terão mais facilidade para fazer regularização fundiária e se organizar juridicamente como instituições.
 
Além dos terreiros, serão beneficiados povos e comunidades como Unzon, Mansu, Centros de Caboclo, Centros de Umbanda, Kimbanda, Ilê, Ilê Axé, Kwé e Humpame.
 
Cabe à Secretaria Municipal de Reparação organizar, atualizar e disponibilizar aos entes públicos, através do seu sistema de informática, o banco de dados contendo o registro dessas comunidades existentes em Salvador. 
 
Estima-se que na capital baiana existam mais de 1,2 mil espaços como esse. "O objetivo é proteger o patrimônio religioso, material e imaterial do segmento religioso em questão", afirmou a secretária municipal de Reparação, Ivete Sacramento. Ela frisou que o decreto reconhece que cada templo religioso de matriz africana tem uma etnia que deve ser reconhecida como tal, sem necessidade de assumir outras denominações que não expressem sua natureza eminentemente religiosa. 
 
"Essas entidades possuem formas próprias de organização e são de extrema importância cultural, social e econômica, utilizando conhecimentos, inovações e práticas geradoras e transmitidos pela tradição", disse Ivete Sacramento, citando um dos trechos do decreto, que foi recebido com vibração na solenidade de inauguração do Observatório Permanente da Discriminação Racial e Violência contra LGBT, inclusive pelo presidente do Conselho Municipal das Comunidades Negras, Eurico Alcântara. "É um avanço histórico. Há muito tempo a gente lutava por isso", salientou. 
 
ACM Neto frisou que a Prefeitura vai continuar trabalhando pela reparação, no combate ao racismo, inclusive no âmbito do poder público municipal, e para valorizar a cultura de matriz africana. "A partir desse decreto, as instituições enquadradas nessas características passam a gozar de todas as prerrogativas dos templos de outras religiões, inclusive do ponto de vista tributário".
 
CONIC com Tribuna da Bahia
Foto: Wikipédia
 
1 em cada 3 mulheres no mundo sofre violência conjugal, diz OMS
Dom, 23 de Novembro de 2014 19:34
Uma em cada três mulheres no mundo é vítima de violência conjugal, informou na úktima sexta, 21, a Organização Mundial da Saúde (OMS), em uma série de estudos publicados na revista The Lancet. Mesmo com uma atenção maior ao tema nos últimos anos, a violência contra mulheres e meninas ainda continua em "níveis inaceitáveis". No documento, a organização considera que os esforços realizados são insuficientes.
 
No mundo, entre 100 e 140 milhões de jovens e mulheres sofreram mutilações genitais e cerca de 70 milhões de meninas se casaram antes dos 18 anos - frequentemente sem a sua vontade. Além disso, 7% das mulheres correm riscos de serem vítimas de casos de violência sexual ao longo da vida.
 
OMS afirma que esse tipo de violência, "exacerbada durante os conflitos e crises humanitárias", tem consequências dramáticas para a saúde mental e física das vítimas.
 
"Nenhuma varinha mágica vai poder suprimir a violência contra as mulheres. Mas temos provas de que são possíveis mudanças em termos de mentalidade e comportamento. Isso pode ser realizado em menos de uma geração", explicou Charlotte Watts, professora da Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres.
 
Entre as medidas que podem ser adotadas, a organização pede maior investimento por parte dos Estados e de doadores para diminuir a discriminação contra mulheres. O estudo destaca que o cenário não se trata apenas de um problema social e criminal, mas também de um assunto de saúde pública.
 
"A área de saúde precisa ser o primeiro contato com uma mulher vítima de violência física necessita", afirmou a doutora Claudia García Moreno, responsável pela investigação de violência contra mulheres na OMS.

Recomendações. O estudo sugere aos gestores públicos, médicos e órgãos internacionais traz cinco recomendações para acelerar os esforços contra a violência. Os Estados deveriam reservar mais recursos para o combate da agressão, tornando o assunto prioridade e reconhecendo que se trata de um problema para o desenvolvimento e acesso à saúde.
 
Ao mesmo tempo, todos os elementos que perpetuam a discriminação entre sexos, como leis e instituições, deveriam ser eliminados. A promoção da igualdade, os comportamentos não violentos e a não estigmatização das vítimas é uma necessidade, segundo os pesquisadores. Além disso, devem ser criadas leis preventivas em saúde, segurança, educação e justiça, que permitirão uma evolução das mentalidades e ações.
 
Por último, a OMS pede que os países priorizem os estudos de mapeamento da violência e ponham em prática com maior rapidez as medidas se revelem mais eficazes na luta contra a discriminação entre sexos.
 
Fonte: Estadão com Agências
Imagem: Divulgação
 
Participe do concurso para ilustrar o cartaz da Semana Nacional de Oração
Sex, 21 de Novembro de 2014 12:57
 
 
CONCURSO PARA ILUSTRAR O CARTAZ DA
SEMANA NACIONAL DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS E CRISTÃS
2015
 
O CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL lança concurso para escolher o cartaz que ilustrará as peças de divulgação (virtuais e impressas, do CONIC e parceiros) da Semana Nacional de Oração pela Unidade dos Cristãos e Cristãs.
 
Tema da Semana:
Dá-me um pouco da tua água (Jo 4.7)
 
1.  O QUE ENVIAR?
 
Para concorrer, o participante precisa encaminhar:
 
- Um cartaz, já finalizado, que reflita o tema da Semana.
 
Obs.: todo material encaminhado deve ter escrito, de forma inequívoca, seja no rodapé, topo ou mesmo centralizado, a seguinte frase: Dá-me um pouco da tua água (Jo 4.7)
 
2.  EM QUAL FORMATO ENVIAR?
 
O cartaz poderá conter desenhos, fotografias e artes (pintura, colagem, montagem) e deverá ser encaminhado em formato JPG (exclusivamente), com resolução de 300 DPI (exclusivamente), sendo 3000px de largura e 4000px de altura.
 
3.  REGRAS SOBRE A PREMIAÇÃO:
 
A premiação deste Concurso será a divulgação do cartaz nas peças de divulgação (virtuais e/ou impressas, do CONIC e parceiros), com os créditos do(s) autor(es).
 
Obs.: não haverá premiação em dinheiro.
 
4.  DA INSCRIÇÃO:
 
O título da mensagem de e-mail que encaminhará o material para o Concurso deverá ser preenchido com um pseudônimo.
 
O cartaz terá de vir acompanhado de:
a)  Nome e endereço do(s) auto(es);
b)  Texto explicando a inspiração para o material encaminhado;
c)  Declaração (vide Anexo 1) cedendo os direitos autorais em benefício do CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS - CONIC;
d)  Autorização para que a equipe técnica do CONIC possa realizar eventuais alterações / ajustes na peça;
 
5.  DA AUTORIA:
 
Poderá ser individual ou em grupo
 
Se a produção do cartaz envolver o uso de imagens ou criação de outra pessoa, será necessário que a utilização esteja devidamente autorizada pelos autores e/ou autoras (vide Anexo 2) e, no caso de imagens de pessoas (fotografia), que estas tenham autorizado a sua veiculação (vide Anexo 3).
 
6.  DO PRAZO:
 
O prazo para o envio de propostas é 15/12/2014.
 
7.  DA SELEÇÃO:
 
A seleção será na sede do CONIC, em Brasília (DF), no dia 12/01/2015, durante reunião específica para a escolha.
 
8.  ENDEREÇO DE ENVIO:
 
Todo material deverá ser enviado para o endereço eletrônico Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , com cópia para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Materiais encaminhados apenas para um dos e-mails acima citados poderão, eventualmente, ficar de fora do Concurso.
 
9.  MOTIVAÇÃO PARA O TEMA
 
A Semana Nacional de Oração pela Unidade dos Cristãos e Cristãs é uma das ações mais antigas do CONIC. O tema da Semana de 2015 foi preparado pelo movimento ecumênico brasileiro sob a coordenação do CONIC.
 
Este será o testemunho do movimento ecumênico brasileiro para o mundo. Compreendemos que a Semana Nacional de Oração é momento privilegiado de encontro e de diálogo. É oportunidade de reconhecimento das riquezas e dos valores que estão presentes no outro, no diferente. O versículo bíblico escolhido para 2015 quer reforçar o convite para que possamos experimentar de outra água e oferecer um pouco também da nossa. Na diversidade, nos enriquecemos.
 
O Brasil é um país muito grande, diverso e plural. Mas o gesto bíblico de oferecer água a quem chega (Mt 10:42), como forma de acolhida e partilha, é algo que se repete em todas as regiões. Uma água refrescante, o chimarrão, o cafezinho, o tereré, e até mesmo um bom gole de cachaça são marcas de acolhida, diálogo e convivência. “Quem bebe dessa água sempre volta”, diz um provérbio brasileiro, sempre utilizado quando uma pessoa visitante vai embora.
 
Entende-se que o tema da superação das diversas formas de intolerância deve ser tratado de forma positiva, insistindo-se na pluralidade como algo sonhado por Deus e no diálogo como caminho permanente, como opção de vida, como testemunho.
 
Inspirada no encontro entre Jesus e a Samaritana, a frase Dá-me um pouco da tua água! leva em consideração o diálogo entre duas pessoas (Jesus e a mulher), entre culturas e religiões diferentes (um judeu e uma samaritana). Trata-se de um encontro no qual uma pessoa necessita da outra, em relação de complementaridade.
 
A proposta de estudo e meditação do texto durante a Semana de Oração não quer “desconstruir” a divindade de Jesus ou relativizar seu poder salvífico, mas ajudar as pessoas e comunidades a perceber a dimensão dialógica do projeto de Jesus, chamado por nós cristãos e cristãs de Reino de Deus.
 
Reafirma-se a importância de que a pessoa conheça e compreenda em primeiro lugar sua identidade para que a identidade do outro não seja vista como uma ameaça. Se não se sente ameaçada, terá condições de experimentar a complementaridade: sozinha, uma pessoa ou uma cultura não se basta! Por isso, a imagem “um pouco da tua água”: beber um pouco da água do outro (a) é o primeiro passo para o mergulho em outra forma de ser. Tal mergulho leva ao reconhecimento da pluralidade, no esforço de superação de concepções monoculturais, que tanto mal têm feito à sociedade e às igrejas. A monocultura precisa dar lugar às diversidades.
 
No texto de Jo 4, o estrangeiro é Jesus, chega cansado e com sede. Ele precisa de ajuda e pede água. A mulher está em sua terra, o poço é de seu povo, de sua tradição. Ela tem o balde e o primeiro acesso à água. Mas a mulher também tem sede. E Jesus não deixa de ser judeu ao beber da água da Samaritana. A Samaritana adere ao projeto de Jesus, mas não deixa de ser quem ela é. Quando se reconhece que existem necessidades recíprocas, a complementaridade pode se dar de forma mais enriquecedora. A frase Dá-me um pouco da tua água! pressupõe, portanto, tanto o pedido de Jesus como o pedido da Samaritana. E nos impulsiona a reconhecer que enquanto pessoas, comunidades, culturas, religiões e etnias, necessitamos uns dos outros, umas das outras. Também temos necessidades recíprocas na relação do ser humano e a natureza. A pluralidade deve ser reconhecida e apresentada como um patrimônio da humanidade e de toda a criação.
 
O pedido Dá-me um pouco da tua água! também pressupõe uma ação política em busca da vivência de formas de missão. E deve desafiar a mudanças de postura em nossas vidas e assim engajarmos na busca de caminhos de aceitação do diferente na vivência das diversas formas de espiritualidade e expressões religiosas.
 
Para a realidade brasileira, o tema é importante visto que vivemos um momento de crescimento de fundamentalismos e intolerâncias que ajudam a aumentar os índices de violência, especialmente contra as minorias (jovens negros, homossexuais, pessoas praticantes de cultos de matriz africana, mulheres, grupos indígenas etc.). O Brasil é um país majoritariamente cristão, mas com elevados índices de violência contra a mulher. Cresce no país o número de igrejas e, ao mesmo tempo, cresce a violência de gênero. O tema da água também é importante em função dos megaprojetos (sempre baseados em visões monoculturais) que não levam em conta a diversidade ambiental e promovem a privatização da água.
 
Povos Indígenas: criminalização e resistência
Qui, 20 de Novembro de 2014 20:55
 
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) teme pioras na questão indígena. A criminalização das lideranças, divisão das comunidades e aldeias, pressão sobre os recursos naturais, violação dos territórios com a implantação de grandes projetos são alguns dos indicativos de que o cerco está se fechando.
 
Esta foi uma das constatações do Conselho nacional do Cimi, reunido no Centro de Formação Vicente Canhas, em Luziânia, de 5 a 8 de novembro.
 
Na análise de conjuntura ficou evidenciado uma atuação nefasta da Sesai que está promovendo a divisão em muitas comunidades provocando tensionamentos e fracionamento das aldeias, buscando afastar aliados, como o Cimi. A Sesai está exercendo o papel que fazia a Funai no período da ditadura. A crescente judicialização dos processos de regularização das terras indígenas dificulta ainda mais os processos de demarcação configurando um quadro paralisante com relação a esse direito sagrado dos povos indígenas.
 
Foi visto com muita preocupação o crescente número de índios presos e criminalizados, bem como a atuação da polícia federal, na repressão a índios.
 
A fome mata
 
Mais uma vez a situação dos povos indígenas no Mato Grosso do Sul, em especial dos Kaiowá Guarani, ficou evidenciada pela gravidade da realidade encontrada na maioria das aldeias e acampamentos. Na visita de membros do Cimi a um acampamento, estranhando o continuado choro de uma criança, foi perguntado sobre a razão de tão persistente choro. A resposta foi imediata e contumaz –"desde ontem ela não come pois não temos alimentos”; A isso foi acrescentado o fato de ter havido morte de crianças por fome. Essa realidade, que não é isolada, exige uma campanha imediata e emergencial para que não sejamos surpreendidos com mais óbitos por esta razão.
 
Indígenas deste povo já estiveram dezenas de vezes em Brasília exigindo providencia com relação à demarcação das terras. Em nada se avança neste direito fundamental, sem o qual as situações de fome, morte e violências tendem a se agravar.
 
Resistência e desafios
 
No encontro foi destacado a importância da articulação dos povos indígenas e aliados em nível do continente e em instâncias mundiais, levando a realidade dos povos indígenas do Brasil para instâncias como a ONU (Organização das Nações Unidas), OEA(Organização dos Estados americanos)e OIT (Organização Internacional do Trabalho), pois infelizmente se percebe que a efetiva realidade e desafios dos povos indignas do Brasil não chegam a essas instâncias.
 
A resistência histórica e atual dos povos originários é surpreendente. Nos últimos anos vem fazendo um enfrentamento permanente contra seus inimigos históricos, articulados no latifúndio e no agronegócio. Além disso, tem se mobilizado para evitar retrocessos com relação a seus direitos constitucionais. Para o próximo ano, com o avanço das forças conservadoras e reacionárias, os desafios e embates prometem ser ainda mais duros.
 
O possível cenário mais adverso exigirá, além de maior união dos povos, um maior número de aliados e apoiadores desta causa.
 
O Cimi continuará seu compromisso e apoio incondicional aos povos indígenas e seus direitos, na certeza de que juntamente com os povos tradicionais e oprimidos desse país poderemos avançar na conquista dos direitos e aprofundamento da democracia, na perspectiva do Bem Viver.
 
Fonte: Cimi
Por: Egon Dionísio Heck
 
Dia da Consciência Negra: entrevista com Marcelo Barros
Qui, 20 de Novembro de 2014 01:27
O Brasil celebra hoje, 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra. A data faz referência à morte de Zumbi, o então líder do Quilombo dos Palmares – situado entre os estados de Alagoas e Pernambuco, na região Nordeste do Brasil. Zumbi foi morto em 1695, na referida data, por bandeirantes liderados por Domingos Jorge Velho.
 
O dia de sua morte, descoberta por historiadores no início da década de 1970, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em 1978, a elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que seus descendentes reivindicam ainda nos dias de hoje.
 
Desde Zumbi, a realidade do negro no Brasil mudou bastante, mas as disparidades continuam. Por exemplo: entre os jovens assassinados, 77% são negros (saiba mais aqui). No mundo do trabalho, dados mostram que um trabalhador negro no Brasil ganha, em média, pouco mais da metade (57,4%) do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca (confira aqui). E por aí vai...
 
É por estas e outras que a luta por mais igualdade não pode parar.
 
Aproveitando o ensejo, o CONIC fez uma entrevista com o monge Marcelo Barros. O bate-papo abordou, entre outros temas, a perseguição que religiões com raízes africanas (como o Candomblé e a Umbanda) ainda sofrem no Brasil; o papel do poder público, cotas, além de seu mais novo livro, “Na Casa de meu Pai há muitas moradas - Conversas com um pastor pentecostal sobre a Bíblia e outras religiões” *.
 
CONIC: Qual é a importância de se comemorar esta data no Brasil, um país forjado por mãos de escravos, mas que, em pleno século XXI, custa aceitar o papel do negro na construção da nação?
 
Marcelo Barros: A importância da comemoração do 20 de novembro como dia da união e consciência negra é a de estimular a memória histórica da luta pela libertação dos negros nos quilombos para que esse mesmo espírito continue e se fortaleça hoje. 20 de novembro já é feriado municipal em mais de mil cidades brasileiras e mesmo onde ainda não é, essa data já ajuda para revelar a importância das culturas afrodescendentes na identidade e na unidade do povo brasileiro. 
 
CONIC: Ainda hoje vemos atitudes onde o negro é desrespeitado de todas as formas. Exemplo claro é a cruzada empreendida por algumas igrejas pentecostais e neopentecostais contra terreiros e líderes religiosos de religiões de matriz africana. Como combater isso?
         
Marcelo Barros: De acordo com a lei brasileira, desrespeito e discriminação são crimes e podem ser castigados. É preciso que os ataques e atos de perseguição aos cultos afro sejam punidos. Infelizmente, a lei pode punir os desrespeitos, mas não pode ensinar a amar. Isso só a cultura pode fazer. É preciso substituir a cultura fundamentalista e preconceituosa por uma visão espiritual aberta a inclusiva. 
 
CONIC: E onde entra o poder público neste combate?
                  
Marcelo Barros: Embora o Brasil seja um país leigo e aberto a todas as expressões religiosas, ainda convive com muitas discriminações. O governo tem feito um grande esforço para mudar isso.
 
A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República tem uma comissão nacional que trabalha pela diversidade religiosa e contra as discriminações. A Secretaria de Igualdade Racial tem feito um trabalho excelente e, em cada estado, o governo tem tentado implementar uma educação que ajude a combater a discriminação e possibilitar o diálogo. 
 
CONIC: No Brasil, a exemplo de vários outros países mundo afora, o sistema de cotas tem tido excelentes resultados. Na sua opinião, porque ainda vemos casos como o daquele professor da Universidade Federal do Espírito Santo, Manoel Luiz Malaguti, que afirmou: “se tivesse que escolher entre um médico branco e um negro, escolheria o médico branco”?
           
Marcelo Barros: O imaginário proposto pelos meios de comunicação ainda é o colonialista e ocidental. Quando os médicos cubanos chegaram no Brasil, através do programa Mais Médicos, houve quem dissesse que não confiaria em uma médica que tinha cara de empregada doméstica, isto é, era negra ou mulata. Isso é lamentável, mas vamos precisar de tempo para mudar essa tragédia.
 
Atualmente, pela primeira vez na história, a TV Brasil está veiculando uma novela angolana onde todos os personagens (galã e mocinha) são negros... Vamos ver como serão aceitos. Não sei quantos gerentes de banco são negros, quantos administradores/as de empresa, quantos bispos, quantos senadores, etc. Temos de mudar isso.        
                    
CONIC: Recentemente, você lançou o livro “Na Casa de meu Pai há muitas moradas - Conversas com um pastor pentecostal sobre a Bíblia e outras religiões”. De que modo a leitura e o aprofundamento nas questões trazidas nesta publicação podem ajudar na construção de um Brasil mais tolerante?
 
Marcelo Barros: Como os pastores e líderes de grupos pentecostais que atacam os cultos afrobrasileiros usam a Bíblia como pretexto, é importante mostrar que se pode fazer uma outra leitura da Bíblia. Para isso, eu escrevi dez conversas com um pastor pentecostal sobre a Bíblia e outras religiões para mostrar que ninguém tem o direito de usar a Bíblia como motivo para ser preconceituoso e racista.
 
Existem pessoas e grupos que têm essa visão fundamentalista e fanática porque nunca tiveram ocasião de pensar diferente. Esse livro possibilita isso: ler a Bíblia de modo ecumênico e amoroso...
 
CONIC: Que recado você gostaria de deixar para nossos leitores por ocasião deste 20 de novembro?
 
Marcelo Barros: No Brasil, as Igrejas, tanto a Católica como as evangélicas, têm uma dívida moral e histórica com as comunidades afrodescendentes e suas religiões. Durante séculos, a escravidão e a discriminação contra os negros e índios usaram a Deus e o Cristianismo como desculpa. Padres e pastores pregavam contra as religiões negras. Por isso, penso que, atualmente, esta luta contra a discriminação e pela valorização das religiões afrodescendentes que foram tão importantes para a resistência do povo negro não pode ficar só com as organizações negras e com o Estado. As Igrejas deveriam se comprometer nessa luta. Fico muito contente em ver que o CONIC está nesse caminho. Sonho em ver o dia em que padres e pastores passarão a ser ativos defensores das religiões negras, atuando contra a discriminação que essas sofrem até hoje em nome de Deus. Só então, bispos, padres e pastores estarão realmente testemunhando aos negros que Deus é amor.
 
O livro foi lançado pelo CONIC, com o com o apoio da CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço), através da editora do CEBI (Centro de Estudos Bíblicos).
 
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