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Solidariedade para além das fogueiras: reconstruindo um terreiro
Dom, 25 de Janeiro de 2015 22:49
O Rio de Janeiro é o segundo estado mais violento quando se trata do tema intolerância religiosa. Em 2014, o disk 100 registrou 149 denúncias de discriminação religiosa em todo o Brasil. Nada menos que 26,17% vieram do estado do Rio.
 
No entanto, os relatos que não chegam a ser registrados no disk 100 são abundantes. Em sua maioria são atos perpetrados por grupos de cristãos neopentecostais, cujo discurso de demonização das religiões de matriz africana se prolifera. Baseado numa interpretação ideologicamente segregacionista da bíblia, a teologia que constrói o ódio às religiões de matriz africana é a mesma capaz de justificar a morte de indivíduos e grupos de indivíduos cujas diferenças são catalogadas como “inaceitáveis”.
 
Terreiro Destruído
 
Em setembro de 2013, o terreiro dirigido por Conceição d’Lissá, em Duque de Caxias, foi queimado. O autor? A intolerância religiosa.
 
Diante do fato, o regional do CONIC no Rio tomou a iniciativa de reconstruir este terreiro. Uma ação forte, como é a destruição por meio da fogueira, requer outra ação ainda mais forte: a reconstrução como um ato de solidariedade. Deste modo, o CONIC-Rio está em processo de identificar parcerias e de criar uma rede de solidariedade que viabilize a reedificação do espaço de culto.
 
A pastora Lusmarina Campos Garcia, presidente do CONIC-Rio, juntamente com o diácono Nelson Aguia, da arquidiocese do Rio de Janeiro, além do babalaô Ivanir dos Santos visitaram o terreiro no dia 28 de dezembro passado. Na estrutura remanescente da construção incendiada, veem-se as marcas da violência. No diálogo com Conceição d’Lissá, outras marcas foram vistas: de dor indisfarçável, por um lado, e de esperança emergida com força de ressurreição, por outro. “A solidariedade recompõe, recupera, cura. Abre caminhos onde caminhos não há”, declarou Lusmarina.
 
Junte-se!
 
Se você quiser participar da rede de solidariedade que tem por objetivo a reconstrução do terreiro de Duque de Caxias, faça contato com o CONIC-Rio pelo e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .
 
“Mais do que a reconstrução de um espaço físico, queremos que esta ação seja o símbolo de um caminho trilhado pelos corpos de gente que sabe se reconhecer como irmã e irmão de quem professa uma fé diferente da sua; gente cujas mãos estão dispostas ao encontro, cujos braços aprenderam a abraçar e cujo coração bate no ritmo das danças que fazem da vida o lugar de reconstruções e solidariedades”, concluiu a representante do CONIC-Rio.
 
A seguir, veja algumas fotos do local:
 
 
 
 
 
 
 
Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa no Rio
Sex, 23 de Janeiro de 2015 19:09
A Comissão de Combate à Intolerância Religiosa do Rio de Janeiro e a Associação Brasileira de Imprensa promoveram, nesta quarta-feira, 21 de janeiro, ato contra a intolerância religiosa sob o tema Liberdade Religiosa e Liberdade de Expressão.
 
Representantes de inúmeros grupos de fé se juntaram para declarar publicamente que atos de violência e promoção do ódio não fazem parte do discurso religioso que prima por uma cultura de paz. O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) se fez representar pelo Conselho de Igrejas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro (CONIC-Rio), nas pessoas da presidente Lusmarina Campos Garcia, pastora luterana, e do vice-presidente Daniel Cabral, reverendo anglicano.
 
Confira o discurso proferido pelos representantes do CONIC:
 
A liberdade religiosa e a liberdade de expressão – duas liberdades fundamentais erigidas sobre uma construção ocidentalizada dos direitos humanos.
 
O reformador protestante Martinho Lutero já perguntava no século XVI: liberdade para quê? E respondia: para amar e para servir.
 
Mas servir como? A liberdade não pode servir para promover a violência ou o ódio.
 
A liberdade religiosa não pode ser usada para construir discursos e desenvolver imaginários discriminatórios, que induzem ao ódio ou ao menosprezo contra grupos de pessoas que não se adequam aos modelos estabelecidos por suas tradições. A liberdade religiosa é liberdade para a inclusão e para o respeito às diferenças e à diversidade, características da vida humana e planetária.
 
A liberdade de expressão não é liberdade para dizer qualquer coisa, para provocar irresponsavelmente ou conduzir a população a opiniões baseadas em informações parciais ou especulativas. Não é liberdade para jogar com a boa fé do público que confia nos meios de comunicação nem para priorizar o constante revolver do lodo e das entranhas indigestas das instituições, dos indivíduos ou seja quem for o foco ou o alvo da notícia. A liberdade de expressão é liberdade para um agir ético, não leviano ou escarnecedor. É liberdade para construir a verdade ou para buscar identifica-la.
 
Nem a liberdade religiosa nem a liberdade de expressão podem ser instrumentalizadas para construções falsas. E neste sentido, é preciso ter cautela neste momento. Nós precisamos tomar muito cuidado para não reforçar a construção que associa terrorismo ao Islã; construção esta que tem caráter político e interesse econômico. 
 
Muçulmano e terrorista não são duas palavras correspondentes.
 
A construção de um Islã terrorista e consequentemente a construção do ódio contra o Islã serve aos interesses estratégicos dos países que querem ter acesso ao petróleo. Para criar condições de acesso, o ódio da população mundial contra o Islã é o mecanismo justificador de inevitáveis invasões e de imparáveis guerras.
 
A morte das 12 pessoas do Charlie Hebdo, em Paris, não é justificável tanto quanto não o é a morte das 2000 pessoas na Nigéria ou das 20 no Níger. Pronunciaram-se contra estes atos o Conselho Mundial de Igrejas, o Vaticano, os conselhos e líderes da maior parte das igrejas cristãs ao redor do mundo.
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Brasil e o Conselho de Igrejas Cristãs do Estado do Rio de Janeiro se solidarizam com os irmãos e irmãs muçulmanas e de outras religiões nas lutas contra a intolerância religiosa e em prol das liberdades responsáveis.
 
No âmbito do Rio de Janeiro, o Conselho de Igrejas Cristãs do Estado tomou a iniciativa de reconstruir o terreiro queimado em Duque de Caxias. Em parceria com outros segmentos religiosos queremos viver a solidariedade e dizer para o Brasil e para o mundo que a intolerância não tem lugar em nosso meio; queremos dizer não às fogueiras do passado que queimaram mulheres e alquimistas, às fogueiras do presente que queimam terreiros e igrejas, e às fogueiras que o futuro possa vir a produzir, resquícios da pretensão de homogeneização de um mundo que não pode ser homogêneo. Somos diversos, somos tolerantes, e queremos a paz!
 
CONIC-Rio
 
Confira algumas fotos do ato:
 
 
 
 
 
Peregrinação para Aparecida marca Ano do Fundador da Família Consolata
Sex, 23 de Janeiro de 2015 15:58
 
Os missionários e missionárias da Consolata celebram um ano especial dedicado à memória do Bem-aventurado José Allamano. A iniciativa tem como principal finalidade tornar mais conhecido o carisma e a espiritualidade das duas congregações por ele fundadas, hoje presentes em 26 países.
 
Como parte das celebrações do Ano do Allamano acontece neste domingo, 24 de janeiro, no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida (SP), uma programação especial com a participação de mais de mil peregrinos de várias partes do Brasil. Haverá missa no Santuário, às 9h00, presidida por dom Giovanni Crippa, IMC, bispo de Estância (SE), celebração transmitida pela TV Aparecida. Em seguida, acontecerá um grande encontro dos peregrinos no auditório do Santuário.
 
Allamano “é um ser humano que deu certo. Por isso sempre encanta pela sua simplicidade, pela sua humanidade e santidade. Os grupos de romeiros e romeiras que partem de vários estados deste imenso Brasil rumo a Aparecida é um sinal concreto desta adesão, admiração e compromisso missionário do jeito do Allamano”, afirma Irmã Melânia Lessa, MC, uma das coordenadoras da Romaria.
 
Além dos dois institutos - masculino e feminino - fundados em Turim, norte da Itália em 1901 e 1910, respectivamente, a Família religiosa congrega Leigos e Jovens Missionários. A Revista Missões, um veículo de informação e formação missionária da Igreja no Brasil, editada pelos institutos, publica um encarte mensal com ensinamentos e testemunhos sobre Allamano.
 
Entre as atividades já realizadas ao longo do Ano, o ícone do Bem-aventurado Allamano peregrinou pelas comunidades, grupos e famílias onde há presença da família religiosa com a distribuição de santinhos, folders e rosários. Também foram realizados encontros de formação sobre a pedagogia e metodologia Allamaniana, retiros e uma Missão Jovem em cinco paróquias de São Paulo, além de encontros de Amigos da Consolata.
 
O Ano do Allamano teve início no dia 16 de fevereiro de 2014 e encerra no mesmo dia e mês em 2015, quando é lembrada a morte do Bem-aventurado. O ato conclusivo será em São Manuel (SP), cidade que em 1937 recebeu os primeiros missionários da Consolata no Brasil. Foi o início de uma história que continua nas obras, seminários e paróquias.
 
José Allamano nasceu no dia 21 de janeiro de 1851, em Castelnuovo D'Asti, ao norte da Itália, foi ordenado padre em 1873 e dedicou a maior parte de sua vida, 46 anos, ao Santuário de Nossa Senhora da Consolata, em Turim, também na Itália. De sua profunda devoção e amor à Consolata, Allamano nomeou os institutos que fundou para a Missão ad gentes, em sua homenagem.
 
CONIC com informações das POM
Imagem: Reprodução
 
PJ inicia encontro nacional
Qua, 21 de Janeiro de 2015 17:47
A praia da Ponta Negra foi o cenário da celebração que deu início ao 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, no último domingo (18) e reuniu mais de 4 mil pessoas. O evento é realizado em Manaus/AM com jovens do Brasil todo, numa mistura de cores, cheiros e sotaques.
 
Presidida por dom Sérgio Castrianni, arcebispo da arquidiocese de Manaus, e co-celebrada por dom Eduardo Pinheiro, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude, da CNBB, e mais dois bispos da região norte, a celebração contou, ainda, com 38 padres, entre eles, Pe. Sebastião Correa e Joel Nalepa, membros da Comissão Nacional de Assessores da PJ.
 
Com as bênçãos da Imaculada Conceição teve início a celebração, que seguiu numa apresentação que trouxe toda a cultura amazônica numa explosão de arte, música e dança. “Me emocionei muito com o que vi. A valorização da cultura nos fez perceber a riqueza e espiritualidade presente nessa terra”, afirmou uma jovem vinda do Maranhão, regional Nordeste 5.
 
Gestos, símbolos e bandeiras de todos os estados da federação trouxeram a riqueza da diversidade brasileira que se une em Manaus durante essa semana. Na homilia, dom Eduardo Pinheiro ressaltou a missão e vocação da juventude na defesa e anúncio da vida. “O apelo de Jesus aos discípulos de seguimento é o mesmo que se faz à PJ hoje”, lembrou dom Eduardo.
 
Ao final da missa, a secretária nacional da PJ, Aline Ogliari, abriu oficialmente o 11º Encontro. Ela começou destacando a ousadia da juventude e convocando a juventude a seguir na teimosia do Reino, partilhando a vida, o pão e a utopia. “Declaramos aberto o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude”, concluiu Aline.
 
Representatividade
 
Lideranças da Pastoral da Juventude/PJ, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil/CNBB e convidados participaram da mesa oficial de abertura do 11º Encontro Nacional da PJ/ENPJ na manhã de segunda-feira, 19.
 
Estiveram presentes dom Vilson Basso, bispo de Caxias e membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude/CEPJ da CNBB, dom Mário Antonio, bispo auxiliar da arquidiocese de Manaus, Ir. Elsie Vignotti, da Conferência dos Religiosos do Brasil, Aline Ogliari, secretária nacional da PJ, Lidiane Cristo, coordenadora nacional da PJ pelo regional Norte 1 da CNBB, Fernanda Sousa, coordenadora arquidiocese da PJ e Loide Almada, da comissão nacional de assessores da PJ.
 
A importância da PJ
 
Dom Vilson Basso acolheu os presentes e trouxe à memória os ENPJs anteriores. Segundo ele, os encontros nacionais são espaços de formação, celebração e mística, e repercutem de forma muito positiva nos regionais e dioceses. “A PJ é a maior escola de formação de lideranças da Igreja do Brasil”, enfatizou o bispo. Ainda, de acordo com o dom Vilson, ele só aceitou o convite para participar da Comissão da CNBB por ser pjoteiro. “A Igreja do Brasil acredita na PJ, na Pastoral da Juventude”, afirmou Basso.
 
Em seguida, dom Mário Antônio, bispo auxiliar de Manaus recordou a iluminação bíblica do ENPJ, “Mestre, onde moras? Vinde e Vede!”. Para ele, os jovens, enquanto Igreja, têm que promover uma verdadeira cultura do encontro. E parafraseando o bispo de Roma, o papa Francisco, disse que a PJ deve ser uma pastoral em saída, em busca do outro.
 
O vice-presidente do Conselho Nacional de Juventude/CONJUVE, Daniel Souza, que atua na Rede Ecumênica de Juventude/REJU lembrou da importância que a Pastoral da Juventude tem no debate e construção de políticas públicas de juventude no país. “A PJ é a maior escola de formação e debate de política pública de juventude no Brasil”, afirmou Daniel.
 
Manaus, casa do Mestre
 
Lidiane Cristo recordou o processo de construção do 11º ENPJ e trouxe um apelo para que a espiritualidade amazonense, cabocla seja fonte para a PJ de todo o Brasil. “Sem dúvida a inculturação, o beber da fonte de nosso povo, é algo essencial e caro à PJ”, disse Lidiane. Logo depois a Fernanda Souza, da equipe da Arquidiocese de Manaus, falou da colaboração e empenho de toda a Igreja local para que acontecesse o ENPJ, desde os bispos, as comunidades, famílias e os pjoteiros das lindas terras manauaras.
 
Representando a Comissão Nacional de Assessores, Loide de Souza e Silva disse que um dos objetivos do ENPJ é que se possa elaborar no serviço pastoral posturas proféticas diante de tantos sinais de morte. “O pão só faz sentido quando é partilhado”, afirmou Loide ao lembrar o tema do encontro.
 
O 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude segue até do dia 25 de janeiro.
 
Confira algumas fotos:
 
 
 
 
 
 
 
21 de janeiro – Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa
Qua, 21 de Janeiro de 2015 10:32
 
Em outubro de 1999, o jornal Folha Universal estampou em sua capa uma foto da iyalorixá Gildásia dos Santos e Santos, a Mãe Gilda, em publicação com o título "Macumbeiros charlatões lesam o bolso e a vida dos clientes". A casa da Mãe Gilda foi invadida, seu marido foi agredido verbal e fisicamente e seu terreiro, depredado por integrantes de outro segmento religioso. Mãe Gilda morreu em 21 de janeiro de 2000, vítima de um infarto. Para combater atitudes descriminatórias e prestar homenagem a Mãe Gilda, foi instituído, em 27 de dezembro de 2007, pela Lei 11.635, o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado hoje (21).
 
Casos como o de Mãe Gilda não são isolados. Em 2014, o Disque 100 registrou 149 denúncias de discriminação religiosa no país. Mais de um quarto (26,17%) ocorreu no estado do Rio de Janeiro e 19,46%, em São Paulo. O número total caiu em relação a 2013, quando foram registradas 228 denúncias, mas, mesmo assim, mostra que a questão não foi superada no país. As principais vítimas são as religiões de matriz africana, como o candomblé e a umbanda.
 
"No ano passado, tivemos diferentes ações contra a intolerância religiosa, como manifestações, publicação de vídeos. Não acho que diminuiu imediatamente, mas os grupos têm reagido. Não quer dizer que tivemos menos invasões de casas e agressão pela não permissão do uso de idumentárias em espaços públicos", analisa a coordenadora da organização não governamental (ONG) Criola, Lúcia Xavier. 
 
Para ela, a discriminação das religiões de matriz africana está ligada ao racismo. De acordo com os dados do Disque 100, no ano passado, 35,39% das vítimas eram negros. Os brancos correspoderam a 21,35% e os indígenas, a 0,56%. Os demais não informaram. "Tem a ver também com a ideia de que as religiões de matriz africana são primitivas, usam sacrifícios de animais, têm ritos diferenciados", diz Lúcia.
 
"Acho que, embora tenham ocorrido alguns avanços nos último anos, um desafio muito grande é o de esclarecimento. A religião é demonizada, acham que cometemos barbáries. Não é nada disso. As pessoas precisam de mais informação, de saber mais a respeito", diz a ialorixá Dora Barreto, do terreiro Ilê Axé T'Ojú Labá, no Distrito Federal.
 
Segundo o professor de filosofia da religião da Universidade de Brasília Agnaldo Cuoco Portugal, muitas vezes, a intolerância extrapola a religião e relaciona-se com questões socioeconômicas e políticas. "O Brasil é um país relativamente pacífico em termos de violência religiosa", compara. Entre casos extremos de intolerância, ele cita o recente ataque à redação do semanário francês Charlie Hebdo e os ataques consequentes a mesquitas.
 
No Brasil, ele defende que para combater a intolerância é necessária uma imprensa ativa, canais de participação e acesso a denúncias pela sociedade e a própria educação religiosa. "A ideia de educação religiosa na escola pública no Brasil é interessante. Só acho uma pena que ela seja entregue às igrejas. A minha visão é de que seja assunto de estudo científico, como qualquer outro, deveria ser o estudo das religiões para saber o que pensam os grupos, de forma científica e não catequética", defende Portugal.
 
Veja o que dizem algumas lideranças religiosas sobre a tolerância:
 
Judaísmo
 
O judaísmo nasce como uma tradição em direção ao diálogo. Isso não significa, no entanto, que ao longo de tantos anos a postura sempre tenha sido tolerante. Mas, de maneira geral, temos vários exemplos de tolerância e de diálogo. A tolerância gera mais riqueza, riqueza cultural. É um tema do nosso cotidiano. A promoção do diálogo é saudável, interessante e desejável.
 
Sergio Napchan, diretor de Relações Institucionais da Confederação Israelita do Brasil
 
Catolicismo
 
Desde 1965, com o Concílio Vaticano II, a Igreja Católica iniciou uma forma mais clara de busca de comunhão e diálogo com as igrejas cristãs e grandes tradições religiosas. Para os católicos, vivenciar o Evangelho é reconhecer que todas as religiões procuram responder a questões humanas, que são comuns. Cada um responde de acordo com suas doutrinas, ritos e caminhos, mas todos procuram responder às mesmas questões. Reconhecendo isso, vamos nos encontrar com o propósito de paz, harmonia e felicidade.
 
Padre Marcus Barbosa, integrante da Comissão para o Ecumenismo e o Diálogo Interreligioso, da Comissão da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
 
Islamismo
 
Nossa religião é clara: Quem mata uma alma, mata a humanidade inteira. Nossa educação é que vivamos em paz com outras religiões. Quem vai julgar as pessoas é Deus. É preciso tratar o próximo com amor e carinho. No Brasil, estamos abrindo diálogo com outras religiões, visitando outras igrejas. Estamos convivendo em paz, é um excelente exemplo. A religião islâmica não é esse fantasma e o terrorismo não representa os muçulmanos.
 
Sheikh Khaled Taky El Din, presidente do Conselho de Teólogos Islâmicos no Brasil
 
Candomblé
 
O candomblé tem por princípio o acolhimento, receber bem, dar um rumo para as pessoas, esclarecer. Tenho grandes amigos de outras religiões. Com a tolerância, ganhamos a união. Todos ficam mais fortes. O ideal seria que se tivesse um problema na minha casa, fosse conversar com um pastor ou um padre para saber a opinião deles. Ouvindo a opinião de outras religiões, consegue-se fazer melhor juízo.
 
Ialorixá Dora Barreto, do terreiro Ilê Axé T'Ojú Labá
 
Espiritismo
 
Entendemos que todas as religiões devem ser tratadas com respeito e reconhecimento às condições e à liberdade de culto e pensamento. Nossa posição é a de estímulo ao diálogo e à somatória de esforços, quando houver necessidade de colaboração com a sociedade. O mundo em que vivemos não admite o isolamento em grupos ou clãs. A única forma de pensar a convivência e o respeito é estabelecer o diálogo.
 
Antonio Cesar Perri, presidente da Federação Espírita Brasileira
 
 
A seguir, confira a entrevista do CONIC com o professor Faustino Teixeira * :
 
Dialogar para não deixar morrer
 
1) Na era da informação e das liberdades individuais, como é possível que grupos ainda adotem posturas de intolerância religiosa?
 
O avanço da informação, da globalização e da pluralização não traduzem, necessariamente, uma perspectiva de diálogo e abertura para o outro. Essa é uma visão ingênua da realidade. Na verdade, como bem mostrou o sociólogo Peter Berger, o pluralismo moderno desestabiliza as auto-evidências das ordens de sentido que orientam a vida das pessoas e isso provoca insegurança e temor. Como reação, os vários projetos restauradores em favor da “cura” do mundo, entre os quais os fundamentalismos com suas diversas feições. O pluralismo provoca temor nos grupos fundamentalistas por colocar alternativas diante dos olhos, por favorecer caminhos distintos e críticos. Na base da intolerância está a dificuldade radical em reconhecer o valor da diversidade das culturas, de entender essa diversidade como um “fenômeno natural”. O que em geral ocorre é uma reação negativa a essa diversidade, como se fosse algo escandaloso ou mesmo nefasto. Por isso a tolerância é um fenômeno “custoso”, como mostrou Paul Ricoeur, pois encontra grandes resistências numa atitude que é prévia: “o impulso de impor ao outro nossas próprias convicções”. Há, portanto, algo de “potencialmente intolerante” nas convicções. E junto com o toque das convicções a afirmação de uma certa arrogância identitária. As pessoas ou grupos começam a se achar “especiais em relação aos outros seres humanos” e com isso começam a excluir os outros que não participam da mesma convicção. Tudo contribuindo para um processo de monopolização do valor que acaba reforçando uma falsa “excepcionalidade”. Os conflitos étnicos e religiosos que estamos assistindo em nosso tempo são expressões vivas de um etnocentrismo problemático e perigoso. 
 
2) Em sua opinião, o Brasil tem avançado neste quesito? O que poderia ser feito?
 
Um dos traços que sempre caracterizou o Brasil foi a sincretização e a pluralização, sobretudo no campo religioso. Conhecida é aquela expressão do jagunço Riobaldo Tartarana no Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa: “Muita religião, seu moço! Eu cá, não perco ocasião de religião. Aproveito de todas.” Esse foi sempre um traço peculiar do brasileiro, que sempre encontrou formas criativas e plurais de ampliar o campo de sua proteção, com espíritos, anjos, entidades, santos e energias. As experiências religiosas no Brasil são bem marcadas por essa riqueza da complementaridade. Mesmo no âmbito do catolicismo hegemônico, mecanismos peculiares de fagocitoso são observados, indicando o traço plural com que este catolicismo se veste no território brasileiro. Essa perspectiva, infelizmente, vem sofrendo mudanças nas últimas décadas, com o avanço preocupante de práticas excludentes e mesmo violentas nesse campo das convicções religiosas. Crescem os exclusivismos religiosos com práticas de intolerância que são ameaçadoras. Em livro publicado em 2007, sobre o tema da intolerância religiosa (Edusp, 2007), Vagner Gonçalves da Silva advertia no prefácio para essa ameaça no campo religioso brasileiro: “Verifica-se no Brasil nas últimas duas décadas um acirramento dos ataques das igrejas neopentecostais contra as religiões afro-brasileiras, processo extensivo aos países latino-americanos, como Argentina e Uruguai, para onde tanto essas igrejas como os terreiros de umbanda e candomblé têm se expandido”. Em pesquisa de mapeamento das casas de religiões de matrizes africanas no Rio de Janeiro, realizada entre maio de 2009 e março de 2011, constatou-se relatos de discriminação bem precisos. A pesquisa veio publicada em livro em 2013 (PUC-Rio/Pallas), sob a direção de Denise da Fonseca e Sonia Giacomini. Mais da metade das 840 casas religiosas que responderam à questão específica sobre discriminação foram alvo de alguma ação qualificada como agressão ou discriminação. Como focos privilegiados da agressão, as casas religiosas (29%) ou os adeptos das religiões de matrizes africanas (60%). Dentre os tipos de agressão, um destaque especial para os ataques verbais, mas também as pichações nos muros e também agressões físicas. O que melhor se pode fazer diante de situações que envolvem o crescimento de intolerância, xenofobia, etnocentrismo, é buscar os caminhos serenos do diálogo. Nunca fraquejar na defesa fundamental dos valores da liberdade de consciência, do respeito à alteridade e da incomensurabilidade que traduz o mundo do outro. Situações como as de 11 de setembro de 2011 ou também como a de 7 de janeiro de 2011 em Paris podem acabar provocando o acirramento dos ódios e a aceleração de novos canais de intolerância, nesse caso contra os muçulmanos, identificados como inimigos da civilização. Concordo com a posição adotada pelo Secretário Geral da Onu, Ban Ki-Moon, em depoimento publicado depois do atentado ao jornal satírico “Charlie Hebdo”. Ele afirmou: “O horrível ataque contra Charlie Hebdo foi feito para dividir. Não devemos cair nessa armadilha. Temos que nos manter firmes, no mundo inteiro, na defesa da liberdade de expressão e da tolerância, contra as forças da divisão e do ódio.” Essa é também a posição que partilho. No caso brasileiro, com o crescimento de práticas de intolerância e desrespeito à alteridade, acho que a melhor posição a ser defendida é aquela da defesa fundamental dos direitos humanos, da liberdade de consciência e da liberdade religiosa.
 
3) Logo no primeiro mandato, quando assumiu em 2011, Dilma havia mandado retirar a bíblia e o crucifixo do gabinete. Foi a primeira vez que um presidente tomou tal atitude. Isso representou alguma mudança no sentido de um Estado Laico?
 
A questão da laicidade do estado é uma questão séria, delicada, que merece ser trabalhada com muito discernimento e critério. Talvez um dos aspectos mais essenciais é o que envolve o respeito ao direito de consciência de todos. Defendo hoje com clareza cada vez maior o pluralismo de princípio, de respeito profundo ao “destino espiritual de cada ser humano”, bem como o rechaço à inaceitável ingerência espiritual na vida das pessoas. Já o Concílio Vaticano II, no documento que aborda a liberdade religiosa, dizia que cada pessoa tem o dever e o direito de buscar a verdade religiosa em acordo profundo com sua consciência (DH 3). Não pode haver em hipótese alguma coerção nesse campo das opções religiosas. Esse é um debate muito rico que ocorre, por exemplo, na França. Há que superar a idéia problemática de uma “laicidade de incompetência” (laicidade em combate), que simplesmente exclui o religioso, em favor de uma “laicidade de inteligência” (laicidade amistosa), que reconhece a importância da presença do religioso no campo social e que encontra o caminho mais sereno e competente para lidar com essa realidade, no diálogo com outras espiritualidades e forças sociais que não se definem com o referencial religioso. O caminho a ser seguido é aquele que envolve uma “virada cooperativa na relação entre as diferentes famílias de pensamento”. Lidar com essa diversidade, no respeito aos vários encaminhamentos – religiosos e seculares – é o o desafio que se apresenta hoje, também no Brasil. Uma posição que acho plausível é a defendida por Danièle Hervieu-Léger, em favor de uma “laicidade mediadora”. Ela busca abordar de forma pertinente as relações entre uma República laica e as forças religiosas e espirituais. O caminho a ser seguido não é o da exclusão da diferença, mas da “cooperação razoável em matéria de produção das referências éticas, de preservação da memória e da construção do vínculo social”. Uma sociedade marcada por complexidade e em processo de permanente mudança exige o exercício de relações dialogais com esse campo plural: tudo isso é louvável e espaço de aprendizado e enriquecimento. O que deve ser sempre evitado é o caminho da intolerância e da exclusão. O exercício de uma laicidade autêntica deve envolver com sabedoria o traço de contribuição democrática oferecido pelas diferentes famílias espirituais, que acontecem enriquecendo e não ofuscando a dinâmica da afirmação cultural e humana.
 
4) As religiões de matriz africana ainda são os "bodes expiatórios" neste universo de fundamentalismo. Por quê?
 
No caso brasileiro, as religiões de matriz africana vêm sofrendo perseguição desde a segunda metade do século XIX, com a afirmação de um racismo científico acentuado. Em seguida, com o final da escravidão, o assim chamado “baixo espiritismo” foi alvo de forte repressão institucional, até cerca de 1940. Na documentação existente, sobretudo nos registros da imprensa, da justiça ou da polícia, assinala-se uma forte resistência contra as práticas religiosas dessas tradições, identificadas como curandeirismo, magia negra ou prática ilegal da medicina. Em tempos mais recentes, sobretudo após a irradiação pentecostal – em meados da década de 1980 -, uma nova onda de resistência e repressão aos cultos afro-brasileiros firma-se no país. E as críticas ganham respaldo nos programas pentecostais divulgados na extensa rede de rádios e TVs, bem como nos projetos legislativos defendidos pela bancada evangélica. Os resultados do último Censo demográfico, de 2010, apontam um significativo crescimento pentecostal, envolvendo cerca de 13,3% da população brasileira. Em termos absolutos, os pentecostais quase triplicaram de tamanho entre 1991 a 2010, saltando para 25 milhões de fiéis. Só a Assembléia de Deus responde por 1.067 adesões diárias. Enquanto isso, as religiões de matriz africana decaem a cada década, sobretudo após 1991, mantendo-se hoje num reduzido patamar de 0,3% de declaração de crença. Atualmente, segundo o último Censo, a soma dos declarantes da umbanda e do candomblé não ultrapassam a cifra de 600 mil fiéis. Como se pode observar, a tensão inter-religiosa envolvendo pentecostais e afro-brasileiros é bem desigual. Como vem mostrando o pesquisador Ricardo Mariano, essa desigualdade “constitui um dos maiores obstáculos dos cultos afro-brasileiros para se defender dos ataques de seus rivais e reagir, eficazmente, à altura deles. O imenso contraste entre os poderes religioso, demográfico, empresarial, midiático e politico desses grupos religiosos impossibilita falar em ´igualitarismo`”. Somos hoje, infelizmente, testemunhas de um triste espetáculo de intolerância contra as religiões de matriz africana: com os ataques rotineiros contra os adeptos de tais tradições e seus espaços de culto. Pichações críticas se espalham por todo canto, bem como a virulência verbal, colocando os fiéis e mesmo as lideranças religiosas em posição defensiva dentro do campo religioso, em razão do constante e pesado bombardeio recebido. Em recente artigo no jornal O Globo (Olodum e Lalibela), Marco Lucchesi falava do preço simbólico elevado da ausência dessas tradições nas praias cariocas na passagem para 2015: “O quase eclipse das religiões africanas, que coloriam nossas praias, no dia 31 de dezembro, com uma carga poética inesquecível, para quem as alcançou. Todo um arquipélago de velas brilhantes, que pontilhavam a areia de luz e sombra, com os perfumados barcos de Iemanjá, boa parte dos quais azulada, e os tambores cadenciados, ao mesmo tempo suaves e vigorosos, que se confundiam com as batidas do coração”. 
 
5) E como dialogar com grupos que simplesmente recusam sentar-se à mesa com quem pensa diferente?
 
Um conhecido teólogo protestante, Jürgen Moltmann, reconhecia num de seus textos sobre diálogo e missão sobre essa dificuldade de intercâmbio com quem não consegue corresponder. No seu caso, falava de impasses no diálogo com interlocutores muçulmanos: interlocutores que exigiam tolerância para com o islã, mas que ao mesmo tempo, na “casa do islã” negavam esse direito a cristãos, judeus e hindus. Questão delicada, não há dúvida. Um dos importantes buscadores cristãos do diálogo com o islã, o prior trapista de Tibhirine – Christian de Chergé -, que morreu mártir desta causa, respondeu a tal questão de forma primorosa. Dizia que a verdadeira hospitalidade dialogal não pode ocorrer na dependêcia de reciprocidade ou outros condicionantes. O que deve mover a abertura ao outro é o dom gratuito do amor, daí a inutilidade de qualquer exigência de reciprocidade. Como explicar, porém, essa tremenda dificuldade de lidar com o “outro” no universo religioso brasileiro? Essa é uma difícil e complexa questão que nos provoca nesse momento atual, pontilhado pela sedução fundamentalista. As pessoas resistem a essa “autoexposição ao outro” em razão de tudo que isso significa em termos de questionamento de certezas reificadas e abertura de possibilidades que se revelam ameaçadoras para aqueles que se encontram bem instalados no reino da identidade. O diálogo é provocador, como diz Marco Lucchesi, é uma “zona de passagem, um espaço potencial, uma cartografia inacabada, a que aderem as partes, ciosas de sua identidade , convidadas a pensarem sob uma nova luz”. O diálogo rompe com os proselitismos e nos lança num caminho novo, de atenção e acolhida. Somos assim tocados pelo olhar do outro, que nos indaga e nos convida a “mover os lábios”. Talvez na raiz mais remota do diálogo está o contato com alguém que vem animado pela mais profunda incomensurabilidade, e a relação com esse universo não pode ocorrer de forma profunda a não ser com a presença de um ethos fluido e poroso, delicado e disponível. O teólogo indiano, Felix Wilfred, sinaliza que uma das dificuldades maiores nesse campo da aceitação do outro é a pretensão de absolutez que invade o campo identitário, impedindo a percepção do traço limitado e parcial que marca qualquer experiência religiosa. A seu ver, “o absolutismo impede a responsabilidade de ouvir o ´outro` em tudo aquilo que constitui sua identidade”. 
 
6) Por fim, como você vê o Brasil daqui 20 anos?
 
Como inveterado otimista, acredito na possibilidade de um horizonte diferente para o nosso país num futuro próximo. Todos os esforços deverão ser acionados para que o mundo da diferença seja acolhido e reconhecido na sua dignidade: seja os povos originários, indígenas, os povos de matriz afro-brasileira e os demais povos de Deus com suas crenças e/ou espiritualidades. Bonito será o dia em que pudermos reconhecer com alegria a beleza daquela simples baiana, igual a milhares de outras, que se transforma em rainha na profundidade de se ser, adornada com as cores de Xangô ou Iemanjá. Aquele dia que, como diz Pierre Fatumbi Verger, soubermos acolher e celebrar esse “espetáculo único, o maior espetáculo da Terra, que é a manifestação plena da verdade que habita o ser humano”. Nesse dia, da festa da fraternidade e da reconciliação, teremos, enfim, a vitória da hospitalidade, com a saudação dos tambores e a comunhão da África com o Brasil, abolindo-se o oceano e apagando-se o tempo da escravidão (R.Bastide).
 
 
*Faustino Teixeira é
Professor do Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG)
 
CONIC com informações do JB
Imagem: Divulgação
 
Jovens católicos de todo o Brasil se reúnem em Manaus
Seg, 19 de Janeiro de 2015 15:36
 
Mais de 500 jovens de todo o Brasil estão em Manaus (AM) para o 11º Encontro Nacional da Pastoral da Juventude, iniciado neste domingo, 18, com previsão de término no próximo dia 25. O evento é no Colégio La Salle. O objetivo é celebrar a caminhada da Pastoral da Juventude/PJ, re-visitando o Mestre, a partir do olhar dos jovens e da Igreja Amazônica, tendo como lema “No encontro das águas partilhamos a vida, o pão e a utopia”.
 
Além dos delegados dos 18 regionais da CNBB, aproximadamente 600 voluntários jovens, assessores e amigos da PJ da Arquidiocese de Manaus e do Regional Norte I estão trabalhando nas equipes locais de acolhida, ambientação, alimentação, bem-estar/saúde, comunicação, cultura, finanças, hospedagem, infraestrutura, lojinha, limpeza, liturgia/mística, missão, passeio, secretaria e transporte.
 
A abertura do Encontro contou com uma Missa Campal no Anfiteatro da Ponta Negra. Os jovens delegados dos regionais ficarão durante toda a semana hospedados nas casas de famílias dos paroquianos de Manaus. São 270 famílias em 34 paróquias e áreas missionárias que abriram suas casas para hospedar os participantes do 11º ENPJ. Na Paróquia Menino Jesus de Praga, na Chapada, estão hospedados 54 delegados.
 
O Arcebispo de Manaus, dom Sérgio Castrianni, está presente em todo o processo de construção, contribuindo para que o Encontro seja acolhido não apenas pela juventude, mas por toda a Igreja da Amazônia. Segundo ele, a arquidiocese de Manaus tem uma responsabilidade bastante específica: “Precisamos priorizar três equipes; acolhida, hospedagem e alimentação; as demais tarefas, a PJ consegue dar conta com toda sua experiência”, destaca o arcebispo.
 
O Encontro está estruturado a partir de quatro eixos que perpassam todos os momentos. São eles: teológico, missionário/social, espiritualidade e arte/cultura. A partir da provocação do lema, “No encontro das águas partilhamos a vida, o pão e a utopia”, e da iluminação bíblica “Mestre, onde moras? Vinde e vede!”, está estruturada a metodologia e a programação.
 
Outras edições dos Encontros Nacionais
 
O Encontro Nacional da Pastoral da Juventude é um espaço para troca de experiências, reflexão da caminhada e apontamentos de pistas para a ação. É realizado a cada três anos com representação de jovens de todas as dioceses em que houver trabalho articulado de PJ. A preparação e animação são de responsabilidade da coordenação nacional de jovens e da comissão nacional de assessores, articulados com a equipe local e coordenação regional. Os três primeiros Encontros Nacionais foram espaços fundamentais de pertença a esta Pastoral, pois eles ajudaram a refletir e a materializar o rosto (identidade), percebendo a missão de evangelizadores de jovens protagonistas de sua história.
 
As outras edições aconteceram:
 
1º Encontro Nacional –Pontalina, GO. Janeiro de 1994
2º Encontro Nacional –Goiânia, GO. Julho de 1994
3º Encontro Nacional –Campo Grande, MS. Março de 1995
4º Encontro Nacional –Divinópolis, MG. Julho de 1996
5º Encontro Nacional –Salvador, BA. Janeiro de 1998
6º Encontro Nacional –Cuiabá, MT. Janeiro de 2000
7º Encontro Nacional –Ananindeua, PA. Janeiro de 2003
8º Encontro Nacional –Campinas, SP. Janeiro de 2006
9º Encontro Nacional –Natal, RN. Janeiro de 2009
10º Encontro Nacional –Maringá, PR. Janeiro de 2012
 
CFE 2016: Música e Cartaz serão escolhidos em concurso
Sáb, 17 de Janeiro de 2015 16:15
A Campanha da Fraternidade de 2016 será ecumênica, ou seja, reunirá outras igrejas cristãs além da católica. Tal como nas três versões anteriores, a ação será coordenada pelo CONIC. Uma das maiores novidades para esta IV edição é que ela deverá transpor fronteiras nacionais, já que contará com a participação da Misereor - entidade episcopal da Igreja Católica da Alemanha que trabalha na cooperação para o desenvolvimento na Ásia, África e América Latina.
 
O objetivo principal da iniciativa será chamar atenção para a questão do saneamento básico que, no Brasil, caminha a passos lentos – apesar da importância do mesmo para garantir desenvolvimento, saúde integral e qualidade de vida para tod@s.
  
“Casa comum, nossa responsabilidade” será o tema da Campanha. O lema bíblico para apoiar esta escolha a baseia-se em Amós 5:24, que diz: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”. Ambos, tema e lema, foram definidos em uma reunião realizada em São Paulo, entre os dias 4 e 6 de novembro, reunindo membros da Comissão da Campanha e representantes da Misereor.
 
Música e Cartaz da Campanha: você pode participar
 
A música tema e o cartaz da Campanha serão escolhidos por meio de um concurso. Todos poderão participar, desde que obedeçam aos critérios dos Regulamentos.
 
 
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REGULAMENTO MÚSICA
 
CONCURSO PARA A MÚSICA DA 
CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2016
 
O CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL lança concurso para escolher a música temada Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.
 
Tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica: Casa comum, nossa responsabilidade.
 
Lema Bíblico: Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca (Am 5.24)
 
Objetivo geral: assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenhar-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade de nossa casa comum.
 
1. O que enviar?
 
Para concorrer, o participante precisa encaminhar:
 
Proposta de letra e música considerando as seguintes orientações:
 
a) A música-tema da CFE 2016 precisa considerar os aspectos litúrgicos e celebrativos que envolvem a CFE, em especial as perspectivas de denúncia e anúncio;
b) Que esteja, preferencialmente, de acordo com o período litúrgico da CFE, período de quaresma;
c) É importante que o compositor ou compositora realcem bem o sentido da letra. É importante que antes de pensar na composição o autor ou a autora estude bem a letra da canção e observe os acentos tônicos (fortes) das palavras para que haja uma correspondência natural com os tempos fortes da melodia. Quando as sílabas não acentuadas (átonas) coincidiram com os tempos fortes de cada compasso, a palavra fica deformada (por exemplo: terrá, horá, vamós, etc);
d) Que a letra e a melodia sejam fluentes, simples, mas belas. A tessitura média das notas musicais preferencialmente sejam acomodadas entre “dó3" (dó central do piano ou órgão) e o do " dó 4" (uma oitava acima;
e) Que a música seja construída a partir da escala diatônica, evitando, assim, cromatismos exagerados (semitons sucessivos) e intervalos de difícil entoação;
f) Que busque a originalidade, fugindo da estética da música de mercado, e seus chavões e clichês por demais conhecidos e gastos;
g) Que a canção possa refletir e se inspirar na diversidade musical brasileira.
 
2. Sobre o formato
 
As músicas precisam ser escritas em pauta, com a dimensão dos acordes (cifras) para o acompanhamento instrumental. As melodias que não vierem anotadas na pauta automaticamente serão desclassificadas.
Estejam, exclusivamente, em formato MP3.
 
4. Da inscrição:
 
O título da mensagem de e-mail que encaminhará o material para o Concurso deverá ser preenchido com um pseudônimo.
 
A composição e melodias deverão estar acompanhadas de:
 
a) Nome e endereço do(s) autore(as), compositore(as);
b) Declaração (vide Anexo 1) cedendo os direitos autorais em benefício do CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS - CONIC;
c) Autorização para que a equipe técnica do CONIC possa realizar eventuais alterações / ajustes na peça. 
 
5. Da autoria:
 
Poderá ser individual ou em grupo
 
6. Do prazo:
 
O prazo para o envio de propostas é 13 de fevereiro de 2015.
 
7. Da seleção:
 
A seleção será em reunião específica, no período de 2325 de fevereiro de 2015, durante reunião específica para a escolha. 
 
8. Endereço de envio:
 
Todo material deverá ser enviado para o endereço eletrônico  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , com cópia para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Materiais encaminhados apenas para um dos e-mails acima citados poderão, eventualmente, ficar de fora do Concurso.
 
REGRAS SOBRE A PREMIAÇÃO:
 
A premiação deste Concurso será sua reprodução no CD oficial da Campanha Ecumênica da Fraternidade 2016 e nas demais peças da Campanha os créditos do(s) compositores ou das compositoras. Obs.: não haverá premiação em dinheiro.
 
 
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REGULAMENTO CARTAZ
 
CONCURSO PARA ILUSTRAR O CARTAZ DA 
CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2016
 
O CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL lança concurso para escolher o cartaz que ilustrará as peças de divulgação (virtuais e impressas, do CONIC e parceiros) da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016.
 
Tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica: Casa comum, nossa responsabilidade.
 
Lema Bíblico: Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca (Am 5.24)
 
Objetivo geral: assegurar o direito ao saneamento básico para todas as pessoas e empenhar-nos, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade de nossa casa comum.
 
1. O que enviar?
 
Para concorrer, o participante precisa encaminhar:
 
- Um cartaz, já finalizado, que reflita o tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica. Obs.: todo material encaminhado deve ter escrito, de forma inequívoca, seja no rodapé, topo ou mesmo centralizado, a seguinte frase: Casa comum, nossa responsabilidade e o lema bíblico: Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca (Am 5.24)
 
2. Em qual formato enviar?
O cartaz poderá conter desenhos, fotografias e artes (pintura, colagem, montagem) e deverá ser encaminhado em formato JPG (exclusivamente), com resolução de 300 DPI (exclusivamente), sendo 3000px de largura e 4000px de altura.
 
3. Regras sobre a premiação:
 
A premiação deste Concurso será a divulgação do cartaz nas peças de divulgação da Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016 (virtuais e/ou impressas, do CONIC e parceiros), com os créditos do(s)autor(es). Obs.: não haverá premiação em dinheiro.
 
4. Da inscrição:
 
O título da mensagem de e-mail que encaminhará o material para o Concurso deverá ser preenchido com um pseudônimo.
 
O cartaz terá de vir acompanhado de:
 
a) Nome e endereço do(as) autor(es/as);
b) Texto explicando a inspiração para o material encaminhado;
c) Declaração (vide Anexo 1) cedendo os direitos autorais em benefício do CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS - CONIC;
d) Autorização para que a equipe técnica do CONIC possa realizar eventuais alterações / ajustes na peça.
 
5. Da autoria:
 
Poderá ser individual ou em grupo
 
Se a produção do cartaz envolver o uso de imagens ou criação de outra pessoa, será necessário que a utilização esteja devidamente autorizada pelos autores e/ou autoras (vide Anexo 2) e, no caso de imagens de pessoas (fotografia), que estas tenham autorizado a sua veiculação (vide Anexo 3).
 
6. Do prazo:
O prazo para o envio de propostas é 13 de fevereiro de 2015.
 
7. Da seleção:
A seleção será em reunião específica, no período de 23 a 25 de fevereiro de 2015.
 
8. Endereço de envio:
 
Todo material deverá ser enviado para o endereço eletrônico Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. , com cópia para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. . Materiais encaminhados apenas para um dos e-mails acima citados poderão, eventualmente, ficar de fora do Concurso.
 
2016: luteranos y católicos planean celebración ecuménica
Sex, 16 de Janeiro de 2015 16:20
 
La Federación Luterana Mundial (FLM) y el Pontificio Consejo para la Promoción de la Unidad Cristiana (PCPUC) llevarán a cabo conjuntamente un evento ecuménico en el otoño de 2016 dando continuidad  al proceso "Del conflicto a la Comunión" y para expresar los dones recibidos conjuntamente a través del diálogo, particularmente en anticipación del 500 aniversario de la Reforma el 2017. El 2017 marca también los 50 años de diálogo ecuménico entre la FLM y la Iglesia Católica Romana.
 
En el marco de la próxima Semana de Oración por la Unidad de los/as Cristianos/as, es importante para la FLM y PCPUC comunicar a la comunidad ecuménica más amplia que han comenzado las deliberaciones sobre los detalles del evento que se produce un año antes del aniversario de la Reforma global.
 
El evento conjunto el 2016 pondrá de relieve los acontecimientos ecuménicos sólidos entre Católicos y Luteranos los que están capturados en su informe conjunto Del conflicto a la Comunión - Conmemoración Común Luterano-Católica de la Reforma en 2017.
 
Publicado en 2013 por la Comisión sobre la Unidad Luterano – Católica, Del Conflicto a la Comunión es el primer intento por ambas partes en diálogo de describir a nivel internacional la historia de la Reforma. El informe identifica los temas teológicos presentes durante la Reforma en el siglo 16 y traza su progreso ecuménico. El documento también incluye cinco imperativos ecuménicos para el diálogo y el testimonio común. También provee base para la elaboración conjunta de material litúrgico a ser ofrecido por ambas iglesias Católica y Luteranas de todo el mundo.
 
Del conflicto a la Comunión se desarrolla de las décadas de trabajo teológico entre Católicos y Luteranos, incluyendo la Declaración Conjunta sobre la Doctrina de la Justificación, la cual fue firmada por la FLM y la PCPUC el 31 de octubre de 1999 afirmando consenso respecto a postulados básicos de la doctrina de la justificación.
 
El lugar, los principales oradores/as y participantes en el evento se darán a conocer oportunamente.
 
"Uno de los principios de la FLM al conmemorar la Reforma es hacerlo en un espíritu de responsabilidad ecuménica. Por consiguiente, celebramos la oportunidad de explorar formas de construir el diálogo de largo tiempo con la Iglesia Católica Romana para comenzar a planificar un evento conjunto en el período previo a 2017. Del conflicto a la Comunión nos está ofreciendo una buena base para esas exploraciones " dijo el Secretario General de la FLM Rev. Martin Junge.
 
El Cardenal Koch, Presidente del Pontificio Consejo para la Promoción de la Unidad Cristiana dijo: "Al concentrarse juntos en la centralidad de la cuestión de Dios y en un enfoque Cristocéntrico, los Luteranos y Católicos tendrán la posibilidad de una conmemoración ecuménica de la Reforma, no simplemente de manera pragmática, pero en el sentido profundo de la fe en el Cristo crucificado y resucitado a quien Lutero ha sacado a la luz de nuevo. 'En esta ocasión', como el Papa Francisco declaró, ‘por primera vez, los Luteranos y los Católicos tendrán la oportunidad de compartir una conmemoración ecuménica en todo el mundo, no en la forma de una celebración triunfalista, pero como profesión de nuestra fe común en el Dios Trino.' Esta es la tarea que tenemos delante de nosotros hoy y solamente juntos la podremos llevar a cabo”.
 
Instrumentalização entre religião e política: opressores x oprimidos
Qui, 15 de Janeiro de 2015 17:53
 
O ano de 2015 inicia com traços marcantes do fortalecimento dos fundamentalismos políticos e religiosos em diferentes países. Os recentes acontecimentos da França trazem à tona outros massacres que ocorrem há bastante tempo, mas que têm pouco destaque na imprensa.
 
São altos os números de refugiados em consequência dos conflitos que ocorrem da Nigéria, Síria, Palestina e outros países. A insensatez humana e uma geopolítica que tem como objetivo central atender aos interesses capitalistas têm desalojado grupos minoritários como os yazidis. Neste sentido, a religião tem sido um instrumento eficaz para legitimar o poder de uns sobre outros.
 
A história dos yazidis
 
Os yazidis formam uma minoria religiosa de cerca de 800 mil pessoas. Seguidores de uma religião sincretista, muitos foram obrigados a abandonar suas casas, em agosto de 2014, quando houve um massacre na cadeia de montanhas do Sinjar, região que fica entre a fronteira do Iraque com a Síria.
 
Eles tiveram que fugir quando ficaram encurralados após ataques do grupo extremista Estado Islâmico (EI). Quem sobreviveu, e conseguiu escapar da região tomada pelos jihadistas sem deixar o país, está hoje no Nordeste do Iraque ou na periferia de Irbil.
 
O EI admitiu, na revista “Dabiq” — publicada pelo grupo para propagar suas ideias — que mulheres e crianças yazidis capturadas no Norte do Iraque são entregues como escravas para os seus combatentes como “prêmios de guerra”. Segundo os extremistas, o princípio da escravidão está baseado em preceitos religiosos.
 
Segundo a ONU, é preciso fazer mais para ajudar a minoria. Marzio Babille, representante do Unicef no Iraque, afirmou que os yazidis estão em uma situação extremamente precária devido aos militantes do Estado Islâmico, que são “muito agressivos e brutais”.
 
Babille disse também que há muitas “dificuldades logísticas e estratégicas” e acrescentou que é necessário estabelecer um corredor para a entrega de ajuda humanitária para este grupo.
 
Por que são perseguidos?
 
Os yazidis são difamados e perseguidos por serem considerados “adoradores do diabo”. Isso porque os extremistas sunitas entendem que o nome Yazidi vem de Yazid ibn Muawiya (647-683), o segundo califa da dinastia Umayyad, que era profundamente impopular.
 
Entretanto, pesquisas mostram que, na verdade, o nome Yazidi tem origem diferente. Este nome é originário da palavra persa modernaized que significa “anjo ou divindade”. O nome Izidis significa, portanto “Adoradores de Deus”, que é como os yazidis se descrevem.
 
Muitas das crenças dos Yazidis são originárias do cristianismo. Eles reverenciam tanto a Bíblia quanto o Alcorão. No entanto, grande parte da sua tradição é oral.
 
Por causa das perseguições, esta minoria diminuiu consideravelmente, assim como outras minorias religiosas da região, entre elas, os druzos e alauítas.
 
Perseguição também aos cristãos
 
Assim como os Yazidis, cristãos também são perseguidos. De acordo com o arcebispo da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil, Mor Tito Paulo George, as comunidades cristãs na Síria vêm sofrendo grandes perseguições e dificuldades, que em alguns casos particulares, são menos graves, porém sempre na iminência de um agravamento da situação. “Especialmente na Síria e no Iraque, os radicais muçulmanos, por conta de seu fanatismo religioso, pretendem dizimar a herança e o legado cristão dessas regiões, acabando com suas comunidades e expulsando os cristãos de seus locais de origem, onde os cristãos já estavam mesmo antes do islamismo existir”, afirmou.
 
“Há alguns meses, dois bispos ortodoxos foram sequestrados e, infelizmente, até hoje não há notícias de seus paradeiros ou se ainda estão vivos. Um grande número de famílias cristãs precisaram fugir para outros países, como o Líbano, devido à perseguição religiosa e aos assassinatos constantes promovidos por esses terroristas. Em muitas localidades, nossas Igrejas, santuários e mosteiros foram atacados ou totalmente destruídos, como é o caso de cidades como Der-alur, Sadad, Maaloula, Alepo e Homs, além do fato da pobreza e da miséria ter se espalhado por essas cidades devido à destruição causada, o que consequentemente gera crise financeira e de abastecimento para as pessoas”, completou Mor Tito.
 
E o Conselho Mundial de Igrejas, o que diz?
 
Para o CMI, é imprescindível que o respeito à liberdade religiosa seja tratado como um direito humano inerente e um pré-requisito fundamental para o progresso democrático e pacífico da sociedade. Na avaliação do Conselho, “quando a religião é usada para ganho político, as relações entre as diferentes comunidades religiosas tornam-se cada vez mais afetadas pelas mudanças na política local e nacional. Esta tendência também acrescenta razões para as pessoas de diferentes religiões pensarem em termos limitados acerca dos sentimentos religiosos e considerarem que a sua religião é mais importante do que a dos outros”.
 
“A liberdade religiosa não existe sem igualdade e justiça. Não pode haver verdadeira liberdade sem igualdade e não pode haver igualdade sem a inclusão potencial e participação de todos os cidadãos em qualquer sociedade”, afirmou o coordenador do escritório do CMI junto à Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, Rudelmar Bueno de Faria.
 
Impactos deste conflito para o Brasil
 
Pode-se pensar que o Brasil seria pouco ou nada afetado por conflitos tão distantes, já que nosso país é distante da Síria, da Palestina da Nigéria ou do Iraque. Entretanto, esta compreensão é equivocada. Os conflitos geram um alto índice de refugiados para cá, são pessoas que fogem da guerra em busca de paz.
 
Segundo o relatório Refugiados– análise estatística, existem aqui 7.289 refugiados de 81 nacionalidade, sendo que 1.524 são sírios, que vêm para cá por causa de suas raízes familiares e por identificarem no Brasil uma terra de oportunidades que tem um povo que recebe bem os estrangeiros.
 
Na opinião da secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, “aprofundar os mecanismos que garantam o compromisso de liberdade e o respeito aos direitos humanos – de modo a garantir marcos estratégicos capazes de fortalecer a proteção aos refugiados – será um desafio cada vez maior”.
 
Entrevista com o embaixador da Síria no Brasil
 
Para tentar aprofundar um pouco mais a temática o CONIC conversou com o embaixador da Síria no Brasil, Ghassan Nseir. Terra em que vive boa parte dos yazidis, o país vive uma guerra civil desde 2011, fato que tem acarretado inúmeros desrespeitos aos Direitos Humanos, bem como a perseguição de minorias.
 
1. Quem são os Yazidis?
 
Os Yazidis são um grupo religioso, que vivem no Iraque e na Síria e que possuem alguns grupos espalhados pela Turquia, Alemanha, Geórgia e Armênia. Alguns acreditam que a religião originou-se das antigas religiões da babilônia, prevalecentes na Mesopotâmia, e foram influenciados pelo ambiente da diversificação cultural dos árabes, assírios e siríacos, além, de terem seus rituais próprios. Os Yazidis que vivem na Síria são tratados como qualquer cidadão sírio, protegidos pelo Estado secular da Síria, sem sofrer discriminação que se baseie em raça ou religião.
 
2. Por que o EI ou Estado Islâmico está perseguindo esta etnia de forma tão brutal?
 
A resposta para esta pergunta está condicionada ao próprio EI, que tem derramado o sangue de todos os que não seguem o seu pensamento, ora sob a acusação de divergências religiosas, ora sob a acusação de lealdade ao regime. A lista de crimes do EI é muita extensa e não há como se salvar.
 
Como afirmou o relatório de Paulo Sérgio Pinheiro, presidente da Comissão de Inquérito sobre a Síria, apresentado ao Conselho de Segurança, o EI não poupa mulheres, nem crianças e nem ninguém. Ou ele os pune, ou os vende, assim como vende qualquer coisa que possa garantir o financiamento de seus atos terroristas, desde o roubo do petróleo, a apreensão de propriedades públicas e privadas, a destruição do patrimônio cultural, até a venda de mulheres, já que esta organização não possui quaisquer tabus e conta com a conivência de alguns países que a patrocinaram, em especial a Turquia, a Arábia Saudita e outros países da região, além do patrocinador principal, os Estados Unidos, que a criou assim como criou o seu predecessor, a Al Qaeda.
 
3. O que o governo sírio está fazendo para conter o avanço do EI?
 
O governo sírio está lutando para defender sua pátria, a Síria, o seu Estado e seus cidadãos, onde quer que estejam, de todas estas frentes que se abriram, seja qual for o seu slogan, sendo o mais enganoso dos slogans a chamada ‘primavera árabe’, que sob o pretexto de buscar por justiça, destruiu o país e o povo, atingindo a sua segurança, a segurança de suas mulheres e crianças e de todos os seus componentes.
 
O Exército Árabe Sírio está defendendo o seu país e conta com o apoio do povo sírio, assim como conta com o apoio dos verdadeiros países amigos da Síria e não aqueles que falsamente alegam ser amigos da Síria.
 
A resistência da Síria, pelo quarto ano consecutivo, contra esta agressão, da qual o EI constitui uma parte, é a maior prova da coesão do povo da Síria, juntamente com o exército e com o Presidente Bashar al-Assad, o qual foi eleito pela maioria dos sírios ao concorrer com outros três candidatos. A luta da Síria não é só contra o EI, mas contra todos aqueles que tiveram participação na criação do EI e contra as forças que quiseram o mal, a divisão e a troca do sistema de governo na Síria, utilizando-se dos mais diferentes argumentos e slogans enganosos. É uma guerra contra todos aqueles que querem se apossar das capacidades e da vontade do povo.
 
4. Seria a comunidade internacional uma parceira da Síria nesta luta contra o EI, apesar desta mesma comunidade internacional ter tentado derrubar o presidente Bashar al-Assad, armando grupos terroristas?
 
Devemos examinar o termo "comunidade internacional”. Se o pretendido com esta expressão é dizer que a maioria dos países representa a legitimidade e o direito internacional, com suas ações, não com suas palavras, então a resposta é sim. Mas se o pretendido é dizer que as grandes potências, que tentam vender a imagem de que são a comunidade internacional, à exemplo dos Estados Unidos e da União Europeia, então a resposta é outra, porque estas grandes potências, especialmente os Estados Unidos da América, criaram as condições para a presença do EI na Síria. O EI é uma versão atualizada da Al Qaeda criada no Afeganistão. A distribuição de papéis foi a mesma em ambos os casos e os Estados Unidos supervisionaram de forma direta e usaram, principalmente, a Arábia Saudita para financiar e executar o processo de atração do maior número de mercenários para formar o EI e outras forças e grupos terroristas armados, com a participação do Qatar e da Turquia. Todos eles se uniram contra a Síria, em uma ofensiva contra os territórios, a segurança, o povo e contra um Estado membro das Nações Unidas, o que contraria o Direito Internacional baseado nos princípios da Carta das Nações Unidas.
 
5. Como será o futuro da região, caso cresça a força do EI?
 
Assim como os Estados Unidos destruíram o Afeganistão, ao longo de décadas e sob os nomes da Al-Qaeda e da luta contra o ateísmo, a Arábia Saudita está patrocinando esta guerra através do recrutamento de mercenários que ficaram conhecidos como os afegãos árabes.
 
Agora estes dois países – os Estados Unidos como potência e a Arábia Saudita como financiador e patrocinador destes grupos terroristas takfiristas armados com a ajuda direta de países como o Qatar e a Turquia – estão tentando formar, financiar e trazer mercenários terroristas armados para se juntarem aos grupos terroristas takfiristas, tais como o EI, a Frente Al Nusra e outros. 
 
 Seja qual for o nome dado a estes grupos, eles os usam para destruir a região, para minar a sua segurança e alterar a composição do mosaico da área, formado de diferentes religiões, raças e credos, que sempre coexistiram em virtude desta ser uma das áreas mais antigas regiões habitadas e construídas pelo homem, por onde passaram as civilizações, deixaram sua marca e lá permaneceram os seguidores de cada religião ou doutrina, os povos e as pessoas das mais diferentes raças. Podemos dizer que os povos da região não tentaram aniquilar um ao outro desta forma tão brutal a que são expostos atualmente, em virtude desta ofensiva liderada pelos Estados Unidos e patrocinada pela Arábia Saudita, controlado pela família real saudita, e com a participação do Qatar e da Turquia, esta última governada pelo Partido da Justiça e Desenvolvimento, que apoia os fanáticos da Irmandade Muçulmana, rejeitados pelo restante da região desde o final do século passado.
 
[Neste sentido], quando uma organização terrorista se torna fortalecida e dominadora, seja esta ou qualquer outra, independentemente da nomenclatura, não poupará ninguém da região que cair sob o domínio dos grupos terroristas. Isto será como um terremoto devastador para a região como um todo, que minará a sua estabilidade e não poupará nenhum destes que acreditam que controlam o destino dos povos [...]. Nenhum destes que contribuíram para inflamar ainda mais a região sobreviverá.
 
7. Quais são as suas perspectivas para esta guerra?
 
A Síria está marchando, ombro a ombro, com o seu povo, o seu exército e com o representante de seu povo, que é o seu governo, liderado pelo Presidente Bashar al-Assad, democraticamente eleito, para enfrentar e resistir a esta guerra, para proteger a nossa pátria Síria e tudo o que o nosso povo se habituou a ter em termos de convivência e amor e para restaurar a paz e a segurança, um dia consideradas exemplares na Síria.
 
8. Finalmente, qual é a mensagem ou apelo que o senhor deixa para as igrejas brasileiras diante deste cenário? 
 
Antes desta guerra que tem sido travada contra a Síria, sob slogans enganosos, viviam na Síria os seguidores das mais diferentes religiões e raças, cidadãos sírios iguais em direitos e deveres no âmbito de um Estado laico. Seu povo surgiu e cresceu sem olhar para as diferenças religiosas e étnicas. O cidadão sírio, que vive dentro das áreas controladas pelo governo da Síria e do Exército árabe da Síria, foi e continua sendo tratado como cidadão, sem levar em conta a sua etnia, a sua religião ou a sua seita.
 
Uma rápida olhada nos Relatórios sobre o Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, na comparação anual, mostram como era a situação na Síria antes e depois da guerra, como a saúde e a educação eram e são gratuitas para sírios e como os serviços de infraestrutura estão disponíveis para um amplo espectro da sociedade, como o nível de pobreza é baixo na Síria, apesar do modesto PIB, e como os seguidores das mais diferentes religiões não eram tratados como minorias no âmbito da República Árabe da Síria.
 
As igrejas cristãs devem estar cientes de que o cristianismo veio de Damasco e que O Senhor Jesus caminhou sobre seu solo, um filho da Síria natural, e que as sedes de várias igrejas estão em Damasco.
 
O documentário "O massacre negro"
fala sobre a realidade dos yazidis, confira:
 
 
Francisco e os povos da Terra: por Faustino Teixeira
Qui, 15 de Janeiro de 2015 14:23
 
O início do pontificado do papa Francisco, em março de 2013, significou um passo de grande importância na vida da Igreja Católica. Com um toque profético que encantou a muitos, deu sequência viva ao projeto do Concílio Vaticano II (1962-1965), expresso na passagem da Constituição que abordou a presença da Igreja no mundo de hoje, Gaudium et Spes: “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo” (GS 1). Francisco assumiu sua nova responsabilidade com essa disposição de acolhida e serviço, empenhado em buscar novos caminhos para a instituição, que agora é desafiada a “sair de si mesma e ir ao encontro” dos outros, assumindo sua vocação evangélica pontuada pelo ágape (amor).
 
Em vários momentos de seu pontificado, Francisco testemunhou esse exercício pastoral alternativo, já vislumbrado em sua visita a Lampedusa, na Itália, ou na jornada brasileira, com uma atuação corajosa e aberta. Uma sintonia fina une o papa Francisco aos movimentos sociais e à causa dos pobres e excluídos. O que se viu em Roma, em outubro de 2014, no encontro histórico de Francisco com representantes de quase cem entidades dos movimentos populares de todos os continentes foi algo inaugural. Um momento histórico que jamais tinha ocorrido na vida da Igreja Católica nessa proporção. Como sublinhou com acerto Ignacio Ramonet, foi uma “assembleia mundial dos povos da Terra”; um momento solene de acolhida e hospitalidade eclesial, quando então se pôde ouvir a voz e o clamor dos pobres em favor de um mundo melhor.
 
O discurso do papa Francisco, ocorrido em 28 de outubro de 2014, conseguiu recolher com fidelidade as demandas suscitadas no evento, como os próprios participantes reconheceram na declaração emitida ao final: “Carta dos excluídos aos excluídos”. Disseram: “A claridade e contundência de suas palavras não admitiram duas interpretações e reafirmam que a preocupação pelos pobres está no centro do Evangelho”. Foi mesmo o que afirmou Francisco naquele momento, vislumbrando no acontecimento um grande sinal: “Vocês vieram colocar na presença de Deus, da Igreja, dos povos, uma realidade muitas vezes silenciada. Os pobres não só padecem a injustiça, mas também lutam contra ela”. Trata-se de uma luta sagrada, em favor de direitos sagrados, que realçam o amor pelos pobres, que está no cerne do evangelho. Essa atenção para com os pobres guarda uma motivação teológica, como lembrou o Documento de Puebla, em janeiro de 1979: “Criados à imagem e semelhança de Deus para serem seus filhos, esta imagem jaz obscurecida e também escarnecida. Por isso Deus toma sua defesa e os ama” (n. 1142).
 
Três grandes anseios estavam presentes nesse evento histórico: a luta em favor da terra, do teto e do trabalho, um anseio essencial por “direitos sagrados”, que tocam o cerne do projeto evangélico. Em seu discurso, Francisco dá voz aos segmentos que expressaram no evento seu descontentamento com as arbitrariedades e desmandos que ocorrem nesses três campos. Questões relacionadas à apropriação de terras e de águas, à violência dos agrotóxicos e à chaga do desmatamento. Ele sublinhou o drama do desenraizamento de tantos irmãos camponeses, o que coloca em risco a relação vital e espiritual com a terra; e também a dor dos que sofrem com a falta de moradia: “Hoje, vivemos em imensas cidades que se mostram modernas, orgulhosas e até vaidosas. Cidades que oferecem inúmeros prazeres e bem-estar para uma minoria feliz... mas que negam o teto a milhares de vizinhos e irmãos nossos”. E, para complicar o quadro, a grave questão da falta de trabalho, o desemprego dos jovens, a exclusão dos direitos trabalhistas e a irradiação da informalidade. Há também o fenômeno do trabalho escravo, da exploração e da opressão. E aqueles que não conseguem alguma “integração” na lógica do mercado acabam sendo descartados, como tantos idosos que deixam de ser “produtivos”. Firma-se então uma “cultura do descarte”, com a presença dolorosa de excluídos “sobrantes”, ou então de desempregados, que na Europa chegam à faixa de 40% entre os jovens.
 
Não faltou coragem ao papa Francisco para identificar nessa situação a presença de um mecanismo nefasto, em cujo centro aparece o novo deus dinheiro, com exclusão violenta do ser humano. É o que ele já tinha reconhecido em sua exortação apostólica de novembro de 2013, Evangelii Gaudium (A alegria do evangelho). Foram contundentes as críticas dos participantes do evento, retomadas por Francisco, à grande ofensiva do capital nacional e internacional, e a seus efeitos nocivos sobre os recursos naturais em todo o planeta. Falou-se igualmente das crises climática, energética e alimentar.
 
Em momento forte de seu discurso, Francisco sublinhou a questão ecológica: “Não pode haver terra, não pode haver teto, não pode haver trabalho se não temos paz e destruímos o planeta”. Convoca, assim, todos os povos da terra para lutar em favor dessa causa fundamental, de preservação desses dois dons preciosos: a paz e a natureza. Rechaça, de um lado, os passos da guerra, que hoje vem sendo travada em cotas; e, de outro, as garras de um sistema econômico que sobrevive no projeto nefasto de saquear a natureza a todo custo. E os povos, com prejuízo dos mais pobres e excluídos, acabam sendo envolvidos nessa globalização da indiferença. Sua crítica é contundente: “As mudanças climáticas, a perda da biodiversidade e o desmatamento já estão mostrando seus efeitos devastadores nos grandes cataclismos que vemos, e os que mais sofrem são vocês, os humildes, os que vivem perto das costas em moradias precárias, ou que são tão vulneráveis economicamente que, diante de um desastre natural, perdem tudo”.
 
Um dos grandes cientistas brasileiros, Antonio Donato Nobre (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais – Inpe), adverte para a violência ecológica que vem ocorrendo hoje na Amazônia com o desmatamento. Só nos últimos quarenta anos, assinala, foram destruídos 42 bilhões de árvores, 3 milhões por dia, o equivalente a três estados de São Paulo ou duas Alemanhas.
 
Esses são grandes desafios que foram colocados aos movimentos sociais e estiveram no centro das discussões do encontro de Roma em outubro de 2014. Apesar do reconhecimento de certa fragilidade das organizações populares, percebeu-se, com clareza, que o verdadeiro movimento transformador parte sempre de baixo e nem sempre pelos caminhos lógicos da democracia formal. As crises, conflitos e perseguições por que passam os movimentos sociais não se revertem necessariamente em desânimo ou capitulação. Há um traço de resiliência nos movimentos de base que impressiona: o poder de uma solidariedade e de uma “artesanalidade” nas formas de resistência que surpreendem e encantam.
 
Faustino Teixeira é
Professor do Programa de Pós-Graduação em
Ciência da Religião da Universidade Federal de Juiz de Fora (MG)
 
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