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Movimento religioso ecumênico emite nota sobre o PNE
Qui, 17 de Abril de 2014 06:19
 
O movimento religioso ecumênico nacional, do qual o CONIC faz parte – e diante das discussões acerca do Plano Nacional de Educação (PNE) – decidiu emitir uma nota sobre o tema, afinal, será o PNE a diretriz da educação brasileira para os próximos anos. Caso sua entidade queira assinar o documento, encaminhe um e-mail para Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. com o título “PNE – Eu assino – Nome da Entidade”. A mensagem deve ser encaminhada via e-mail institucional da entidade.
 
Veja a nota:
 
NOTA DO MOVIMENTO RELIGIOSO ECUMÊNICO
 SOBRE O PLANO NACIONAL DE EDUCAÇÃO
 
Abril de 2014
 
Nós, as organizações abaixo assinadas, vimos a público declarar que, de acordo com a luta histórica de movimentos protestantes e católicos que se empenharam pela implementação do Estado laico brasileiro, repudiamos qualquer tentativa de instrumentalização religiosa da política e da educação. A doutrina ou forma de compreender de uma Igreja ou grupo religioso não podem ser impostas a toda a população.
 
Como organizações nascidas do compromisso com uma educação crítico-transformadora do movimento de educação popular libertadora, compreendemos que o Plano Nacional de Educação elaborado com a participação da sociedade civil, por meio de um longo processo de consulta, responde às necessidades e anseios do conjunto da população brasileira.
           
Coerentes com nossa fé e firmados na liberdade de expressão que conquistamos, enfatizamos que somos contra todo tipo de discriminação. Reafirmamos nosso apoio e compromisso com os valores universais da liberdade, dignidade e diversidade.
 
Assinam:
 
Centro de Estudos Bíblicos - CEBI
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC
Núcleo de Pesquisa de Gênero - Faculdades EST
KOINONIA - Presença Ecumênica e Serviço
(entidade)
(entidade)
(entidade)
...
 
Nota Pública - MNDH
Qua, 16 de Abril de 2014 13:18
 
O Movimento Nacional de Direitos Humanos – MNDH tem como eixo central em sua missão a LUTA PELA VIDA CONTRA A VIOLÊNCIA, irradiando ações para promoção dos Direitos Humanos em sua universalidade, interdependência e indivisibilidade, cujo empenho se destaca em ações de defesa aos Direitos e contra práticas de tortura e violência contra mulheres, crianças e adolescentes; a intolerância religiosa e de diversidade sexual; a servidão, o tráfico e a exploração sexual de trabalhadores/as, profissionais do sexo e crianças e adolescentes; os crimes de ódio, racistas, homofóbicos, xenofóbicos.

Baseado nesse conceito e prática, o MNDH vem a público manifestar sua profunda preocupação e repudia os acontecimentos que assistimos cotidianamente na disseminação de mensagens midiáticas que banalizam a vida e estimulam o aumento da violência que se estende pelo território nacional, sob a ótica da “justiça pelas próprias mãos”, onde parcela da população inflamada por setores conservadores e retrógrados manifestam suas insatisfações, angústias e sentimentos de impunidade em atos de extrema barbárie e violência que culminam em assassinatos, como no caso do adolescente Alailton Ferreira de 17 anos morador de Serra no Espírito Santo que foi espancado e morto em decorrência dos ferimentos, sob a suspeita de cometer um crime até o momento não confirmado.

Essas ações criminosas comumente sobrecaem na parcela da sociedade mais pobre, preferencialmente negros que vivem na periferia, e se encontram em situação de extrema vulnerabilidade vítimas de políticas racistas, e agora, como no caso de Alailton portador de Transtorno Mental.

Durante séculos pessoas acometidas por doenças mentais foram trancadas em manicômios, verdadeiros campos de concentração, onde sofriam todos os tipos de maus tratos, abandonos, violências, segregações, rompimentos de laços afetivos e sociais, sendo desconsiderados como sujeitos.

O Movimento da Reforma Psiquiátrica teve início no final da década de 70 com a mobilização de profissionais da saúde e familiares de usuários de saúde mental, cujo movimento se inscreveu no contexto do processo de redemocratização do país e na mobilização político-social contra a tortura e demais violações de direitos que se estabeleciam na época pelo regime militar. Essa luta perdura até os dias atuais pela desconstrução desses espaços segregadores, violentos e desumanos, para que esses cidadãos possam receber tratamento e cuidados comunitários, territoriais profundamente solidários, inclusivos e libertários.

O MNDH lastima e repudia qualquer ação e ou manifestação de violência e principalmente atos de barbárie a qualquer cidadão, grupo, movimento ou setor da sociedade, sendo que nenhum tipo de violência é justificável, e que todo tipo de violência é evitável, desde que sejam respeitados os direitos humanos.

Ressaltamos ainda, que em qualquer setor da sociedade, mas que principalmente na infância e adolescência associada ou não a acometimentos de transtornos mentais, é fundamental que haja oferta de Políticas Públicas que garantam acesso a educação, saúde, saúde mental, assistência social, profissionalização, esporte, habitação, cultura, lazer, que possibilitam alternativas de estruturação efetiva no campo social, afetivo e mental.
 
É preciso defender a vida, não de uma parcela, mas de toda a sociedade, com tolerância, diversidade, respeito, garantia e promoção aos Direitos Humanos.
 
Campinas (SP) recebe reunião de regionais do CONIC
Ter, 15 de Abril de 2014 13:34
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC reuniu, nos dias 10 e 11 de abril, em Campinas (SP), representantes Regionais do Conselho. Dos atuais 18 Regionais (CLIQUE AQUI e veja todos), 12 participaram da reunião.
 
Dentre os temas trabalhados, destacam-se a finalização do documento sobre Diálogo Inter-Religioso elaborado pela Comissão Teológica. Apresentou-se, ainda, o novo Plano Estratégico do CONC para o período 2014 a 2020. Após a apresentação ocorreu o debate sobre como ampliar a interação entre os Regionais e o CONIC. Também foram partilhadas informações sobre a inserção do CONIC no debate sobre a Reforma Política, momento em que os Regionais foram convidados para se envolverem nas campanhas de coletas em seus estados.
 
“A reunião, prevista para acontecer a cada dois anos, foi muito significativa. Nas avaliações, os presentes chamaram a atenção para a pertinência das temáticas abordadas. A discussão sobre o Plano Estratégico contribuiu para afirmar a importância de afirmação de uma fé no espaço público não conflitante com a agenda de direitos humanos”, explicou a secretária geral do CONIC, Romi Bencke.
 
Conselho Fiscal
 
Um dia antes, 9 de abril, os membros do Conselho Fiscal do CONIC estiveram reunidos. Entre os presentes estavam o Hélio Pacheco Filho (ICAR); Marcos Jair Ebeling (IECLB); Fabiano dos Santos Nunes (IEAB). Eles foram acompanhados pelo tesoureiro do CONIC, Altemir Labes, e pela secretária geral, Romi Bencke.
 
Veja as fotos:
 
 
 
 
 
 
Anglicanos promovem Encontro de Mulheres em Brasília (DF)
Sex, 11 de Abril de 2014 07:42
A Diocese Anglicana de Brasília, ligada à Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), recebeu, dias 5 e 6 de abril, o Encontro Diocesano de Mulheres, que teve por objetivo aprofundar a reflexão sobre a violência doméstica contra mulheres e meninas. A ação foi uma promoção da União de Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil (UMEAB), com o apoio do Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD).
 
A atividade foi assessorada pela teóloga feminista Bianca Daebs, pela diaconisa da IEAB e Coordenadora da Casa Noeli dos Santos, Elineide Ferreira, e pela Coordenadora do SADD Sandra Andrade. Apesar do nome, o Encontro teve a presença não só de mulheres, mas de homens, jovens e até crianças, somando 45 participantes.
 
O momento de partilha sobre o acolhimento às mulheres em situação de violência doméstica na Casa Noeli dos Santos, em Ariquemes (RO), foi um dos pontos destacados pelas participantes como uma ação concreta de serviço. Outro momento especial foi a partilha e os depoimentos inseridos no contexto da liturgia matinal do domingo.
 
A parte final do encontro foi marcada pela oportunidade de cada comunidade presente apresentar ações concretas a serem realizadas nas Paróquias e Missões da Diocese, com o intuito de aprofundar a conscientização sobre o enfrentamento da violência doméstica.
 
Confira as fotos:
 
 
 
Com informações da Diocese Anglicana de Brasília
 
Reunião discute Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016
Qui, 10 de Abril de 2014 07:28
Foi realizada, nos dias 8 e 9 de abril, em Campinas (SP), a primeira reunião da Comissão Organizadora da Campanha da Fraternidade de 2016, que será coordenada pelo CONIC.
 
Entre os vários assuntos tratados estavam: o resgate documental das três Campanhas da Fraternidade Ecumênicas anteriores (CLIQUE AQUI e saiba mais); a avaliação de impacto (positivo ou não) das experiências passadas, observando as fraquezas e potencialidades das CFEs e a apreciação dos temas sugeridos para a Campanha de 2016. Foi realizada também uma análise sobre o atual contexto político, econômico e religioso brasileiro e o significado de uma nova CFE na atual conjuntura nacional.
 
Compõem essa comissão, além das cinco igrejas-membro do CONIC (Católica Romana, Episcopal Anglicana, Evangélica de Confissão Luterana, Presbiteriana Unida e Sirian Ortodoxa), o CESEEP – Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular, a Aliança de Batistas do Brasil e a Visão Mundial – ONG de atuação internacional que, entre outras coisas, trabalha no combate à pobreza.
 
Estiveram presentes o padre Luís Carlos Dias (CNBB – Igreja Católica); o pastor Teobaldo Witter (IECLB – Igreja Luterana); o reverendo Isaque de Góes Costa (IPU – Igreja Presbiteriana); a reverenda Carmen Kawano (IEAB – Igreja Anglicana); o padre Milton Justus (ISOA – Igreja Sirian Ortodoxa); os representantes do CESEEP, padre José Oscar Beozzo e Cecília Franco; o representante da Visão Mundial, pastor Wellington Pereira, além do pastor Joel Zeferino, da Aliança de Batistas, e do diretor do CONIC, pastor Altemir Labes, acompanhado pela secretária geral Romi Bencke.
 
Veja as fotos:
 
 
 
 
Cadernos da Semana de Oração já estão disponíveis!
Qua, 09 de Abril de 2014 07:49
 
Os Cadernos da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos já estão disponíveis para venda. No site do CONIC (www.conic.org.br, precisamente neste LINK) todos poderão ter acesso a mais informações e baixar gratuitamente o cartaz da SOUC.
 
Como adquirir os materiais?
 
Este ano o Cartaz será enviado gratuitamente a todos que adquirirem os Cadernos de Oração. Isso se dará por uma questão prática: como o Cartaz não será vendido, aproveitaremos o envio dos Cadernos para, com eles, encaminhar o Cartaz. Contudo, a arte do Cartaz também pode ser baixada neste LINK. Para adquirir os Cadernos, efetue o depósito identificado no valor correspondente à quantidade desejada e mande um e-mail com o comprovante para  Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .
 
Banco Bradesco
Agência: 0606-8 Brasília/DF
Conta Poupança: 112888-4
 
Obs.: não esqueça de indicar o endereço para o envio dos materiais!
 
Estado Laico: o que as mulheres têm a ver com isso?
Ter, 08 de Abril de 2014 07:21
Estado laico é o estado que tem uma postura
de neutralidade religiosa, não afirma
tampouco discrimina nenhuma
profissão de fé ou religião”,
 
Valdecir Nascimento.
 
No último dia 31, a CESE reuniu parceiras/os e pessoas convidadas numa roda de diálogo que debateu a relação das mulheres com a temática do Estado laico. O encontro fez parte dos eventos do mês de março, em que celebra-se a luta pelo direito das mulheres e pela igualdade de gênero, e teve como expositoras Romi Bencke (CONIC), Valdecir Nascimento (Odara – Instituto da Mulher Negra) e Marta Leiro (Coletivo de Mulheres do Calafate). Além disso, o evento contou com participação especial de Clara e Junior Amorim, animando o debate com músicas relacionadas à temática da mulher.
 
O debate foi aberto com perguntas provocativas como: O que diz a nossa constituição sobre Estado laico? Um estado deve ser guiado por pressões religiosas? É correto que senadores, deputados, juízes, pautem decisões que vão afetar uma sociedade plural baseados na sua crença religiosa? 
 
Logo de início, Valdeci Nascimento lembrou que “as mulheres são as principais multiplicadoras da fé – em qualquer religião –, e isso faz com que elas realmente tenham muito a ver com isso”. Traçando um caminho sobre a influência da religião em relação às mulheres, Romi Bencke trouxe os dois princípios norteadores do Plano Nacional de Políticas Públicas para Mulheres (2013-2015) são eles: Autonomia e Estado Laico. “A autonomia das mulheres tem a ver com a autodeterminação das mesmas, pois cabe às mulheres decidir se querem ou não ter filhos, é direito delas receber informação sobre sexualidade, ser sujeito para organizar e planejar a sua própria vida, e é necessário separar sexualidade da reprodução”.
 
Embora a Constituição de 1988 afirme a laicidade do Estado Brasileiro, Valdecir lembrou a grande influência da bancada evangélica no Congresso, interferindo e, muitas vezes, negando conquistas de direitos. Sobre esse processo, Marta Leiro alerta que “essa influência das Igrejas no processo eleitoral, onde muitas vezes a fé é utilizada como moeda de troca por votos, pode trazer bastante retrocesso na luta das mulheres”.
 
Concordando que o Estado deve zelar pela livre manifestação de todas as religiões, Romi lembrou o processo de apoio de setores mais progressistas das Igrejas, principalmente as igrejas históricas, na luta por democracia e direitos no país, e afirmou que “nosso caráter laico de estado compreende a possibilidade da cooperação entre Estado e Religião com vistas ao bem comum”.
 
Para Valdecir, a Igreja no Brasil teve certamente um papel importante na luta por democracia, “embora não podemos esquecer que há setores conservadores, que compactuaram com a ordem de perseguição. Que digam as mulheres que sofreram perseguição, queimadas na fogueira em nome de Deus”. Ao afirmar que as mulheres vêm perdendo os direitos conquistados em nome de algumas religiões, ela continua “Cada vez que o Estado se articula com a religião e fica mais conservador, esse conservadorismo recai sobre nós, mulheres, pois somos nós, de uma forma de outra, a maioria responsável pela dinâmica social nesse país”.
 
Segundo afirmou Romi, isso tem a ver com a apropriação do setor conservador religioso em relação ao conceito de família, que contradiz com o principio da autonomia feminina. “A religião, historicamente, desempenhou um papel de normatizar, regular e legitimar o modelo de família que é patriarcal e heteronormativo. Ou seja, uma sociedade organizada de forma que a base de dominação é do homem sobre a mulher, que se sujeita a vontade deste”.
 
Para Marta, isso acontece, em parte, pelo distanciamento dessas discussões nas comunidades de base, apesar de que são questões presentes diariamente na vida das pessoas. “No movimento feminista, sempre falamos muitos mais sobre a questão da legalização do aborto do que do estado Laico, mas são questões que têm muito a ver, e que estão presentes no dia-a-dia das comunidades”, afirma.
 
Após a participação e fala de das pessoas presentes, a conclusão do debate é que há ainda muito a ser discutido nessa temática, especialmente pela sociedade civil que “precisa aprofundar o debate porque nós ainda estamos na superfície, para saber qual é a dinâmica do Estado laico e o que significa o crescimento da intervenção das religiões na política, principalmente as religiões neopentecostais”, concluiu Valdecir.
 
Veja as fotos:
 
 
 
Texto e fotos: CESE
 
Extremismo: padre jesuíta é assassinado na Síria
Seg, 07 de Abril de 2014 08:14
Foi assassinado nesta segunda-feira, 7, em Homs, na Síria, o sacerdote jesuíta Frans Van der Lugt. O religioso de 75 anos foi atingido por vários tiros de um grupo extremista que invadiu a casa dos jesuítas na periferia da cidade.
 
Padre Frans já havia sido ameaçado pelo grupo por não ter deixado a região após a expulsão de diversos civis. O sacerdote afirmou que ficaria na localidade por causa da população que recebia sua assistência.
 
Segundo Padre Ziad Hillal, que presenciou a morte do sacerdote, foi um ato premeditado e covarde. “Assassinaram um homem de paz, que nunca atacou a ninguém, nem mesmo com as palavras. Era um homem que sempre falava de paz e reconciliação, desejando um futuro melhor para a Síria”, destacou.
 
O diretor da Sala Imprensa do Vaticano, padre Federico Lombardi, lamentou a morte do sacerdote. “Morreu como um homem de paz, que com grande coragem queria permanecer fiel em uma situação extremamente difícil e arriscando a vida pelo povo sírio, a quem tinha consagrado a vida e seu serviço espiritual”, ressaltou.
 
Padre Frans Van der Lugt estava em Homs há dois anos. Segundo os irmãos de congregação, era um homem dedicado ao serviço pastoral, sempre sorridente e jamais pensou em deixar a Síria, mesmo com as ameaças.
 
CONIC-ES participa de ato “50 anos de Resistência ao Golpe”
Sex, 04 de Abril de 2014 08:09
O regional do CONIC no Espírito Santo participou (CONIC-ES), na tarde do dia 1º de abril de 2014, do Ato Unificado “50 anos de Resistência ao Golpe de 1964”.
 
O evento também contou com representações do Fórum Memória e Verdade, CEDH, CDDH, OAB, Levante Popular da Juventude, anglicanos, católicos, metodistas, luteranos e presbiterianos, Sindicatos, alguns partidos políticos e movimentos sociais. 
 
Ao final do ato, houve uma atividade ecumênica, no qual o CONIC-ES foi representado pela moderadora da Igreja Presbiteriana Unida, presbítera Anita Sue Wright Torres.
 
 
Na íntegra, o seu pronunciamento:
 
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança”

É com tristeza que trazemos à memória os 50 anos do golpe militar, ocorrido em 31 de março de 1964, quando o presidente João Goulart foi deposto e os militares assumiram o poder, com apoio de uma boa parcela da população brasileira.
 
Os militares trouxeram consigo a intolerância àqueles que não apoiavam sua ideologia rasa e nacionalista (“Ame-o ou deixe-o”), desrespeitando sistematicamente os direitos humanos com seus métodos truculentos e violentos, arrastando aos porões da ditadura tantas pessoas, que, por não pensarem como eles, eram tachadas de subversivas e comunistas.
 
E nestes porões de chumbo vidas foram brutalmente ceifadas, não sem antes passarem por sessões intermináveis de tortura. Os que sobreviveram carregam consigo as marcas no corpo, na mente, na alma.

Quero relatar minha experiência familiar, pois ano passado lembramos os 40 anos da prisão, tortura, morte e desaparecimento do meu tio Paulo, deputado estadual por Santa Catarina, que foi cassado em 1964, não só pelo poder público, mas também por sua Igreja:

São Paulo, setembro de 1973; o telefone toca, e quando é atendido pelo Rev Jaime Wright, ele ouve duas palavras que iriam marcar definitivamente a sua vida, bem como de toda sua família: “Paulo caiu”.

Paulo caiu nos porões da ditadura militar; caiu e permanece até hoje nestes porões, não sabemos onde e nem em que condições “enterraram” o corpo dele.

O que sabemos com certeza é que não nos foi dado o direito de nos despedirmos dele, com velório e enterro no cemitério onde sua mãe está enterrada, em São Paulo. A família Wright atravessa há 40 anos o vale da sombra da morte de Paulo Stuart Wright.

Lembramos de Moisés, que foi chamado por Deus a libertar e conduzir seu povo em direção à Terra Prometida, numa caminhada de 40 anos pelo deserto, sendo guiados de dia por uma coluna de nuvens, que lhes dava sombra do sol causticante, e de noite por uma coluna de fogo, que iluminava e aquecia o povo.

Como no deserto dos hebreus, duas colunas se ergueram na denúncia de violação dos Direitos humanos e na defesa pela Vida. Reverendo Jaime Wright e Dom Paulo Evaristo Arns, um pastor presbiteriano e um cardeal católico foram estas colunas de fé e coragem que incansavelmente guiaram o povo pelo deserto da ditadura brasileira e latino-americana, especialmente os países do chamado Cone Sul.
 
O cajado que abriu o caminho foi o projeto “Brasil Nunca Mais”, um compilação dos documentos oficiais do Supremo Tribunal Militar, processos de presos políticos que relatavam as circunstâncias de suas prisões, torturas que sofreram, torturadores, etc.

O lançamento do livro “Brasil Nunca Mais” pegou a repressão de surpresa, e não puderam recolher o livro das livrarias, que ficou em primeiro lugar na lista dos livros mais vendidos por 90 semanas consecutivas.

E assim, estes dois gigantes do movimento ecumênico ajudaram o povo brasileiro a atravessar o deserto da instabilidade político-social. Sabemos que Paulo Stuart Wright não é a única pessoa morta e desaparecida dessa época. Muitos companheiros e companheiras de ideais e sonhos de um país melhor tiveram suas vidas ceifadas, sua famílias desmanteladas e sem direito a enterrar seus queridos.

E agora, cinquenta anos depois, apontamos em nosso meio sinais de esperança, a certeza de que a luta não foi em vão, de que as vidas ceifadas caíram como sementes num chão bruto e manchado de sangue, mas que no seu devido tempo brotam como exemplo para novas gerações, de que, como diz o poeta “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

É de conhecimento de todos que um povo sem memória corre o risco de repetir sua história. Trazer este período à memória só tem sentido se for para nos dar esperança. A esperança de que não aconteça nunca mais a ditadura.

A Comissão Nacional da Verdade se apresenta neste momento para passar a limpo este período desértico e sombrio de nossa história. O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs, da qual a Igreja Presbiteriana Unida é membro, tem enfrentado e denunciado situações de abuso de poder, tem estimulado plena participação das Igrejas nos movimentos civis que almejam uma sociedade onde a cidadania é um direito universal, que será almejada quando acontecer, como diz o salmo 85:10: “O amor e a fidelidade se encontrarão; a justiça e a paz se abraçarão”.

Anita Sue Wright Torres
– Moderadora da Igreja Presbiteriana Unida (IPU)
 
Aliança de Batistas - 50 anos depois do golpe: um pedido de perdão
Sex, 04 de Abril de 2014 07:51
 
A Aliança de Batistas do Brasil, instituição batista de caráter ecumênico, vem a público 50 anos depois do golpe civil-militar no Brasil, para pedir perdão pela conivência, omissão e participação que muitas igrejas e lideranças batistas tiveram durante o período da ditadura militar e civil do Brasil. A omissão, conivência e delação assumida pela maioria destas igrejas no período da ditadura foi um erro lamentável, porém o silencio e a ocultação histórica desse erro torna-lhe ainda mais pecaminoso e vergonhoso.
 
Mas, quero trazer à memória
aquilo que me traz esperança.
(Lamentações de Jeremias 3: 21)
 
No compromisso de fé e esperança queremos também trazer a memória aqueles e aquelas que não se dobraram no período da ditadura no Brasil, a exemplo da Igreja Batista Nazareth (Salvador – BA) que manteve uma postura de resistência, erguendo sua voz de denúncia profética durante o período da ditadura. No testemunho desta comunidade incluímos todas as comunidades de fé que se mantiveram resistentes, dando testemunho do Evangelho nesse período tenebroso da história recente do nosso país. E no testemunho histórico e profético dos pastores batistas Djalma Torres (Salvador - BA) e David Malta (Rio de Janeiro – RJ), honramos todas as demais lideranças batistas que não se calaram e enfrentaram corajosamente o regime que atentou contra as liberdades fundamentais do ser humano e do povo brasileiro. 
 
Por ação e omissão pecamos contra os princípios de amor, liberdade e justiça que são as marcas do Evangelho de Jesus Cristo, e por isso pedimos perdão.
 
Aliança de Batistas do Brasil
 
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