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Criado Conselho Nacional de Igrejas Cristãs no Egito
Ter, 26 de Fevereiro de 2013 21:33
Representantes de confissões cristãs presentes no Egito reuniram-se na manhã do último dia 18, na Catedral Copta-ortodoxa de São Marcos, no bairro de al-Abbasiya, no Cairo, para assinar os estatutos do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do país.
 
Da reunião de fundação deste novo organismo participaram os chefes das principais igrejas presentes no Egito - Copta-ortodoxa, Católica Romana, Greco-ortodoxa, Anglicana e Evangélica -, acompanhados por cinco representantes de cada igreja. Entre outros, estiveram presentes o Patriarca Copto-ortodoxo Tawadros II, o Copto-católico Ibrahim Isaac Sidrak e o Patriarca Greco-ortodoxo de Alexandria, Theodoros II.
 
O Bispo Copto-católico de Assiut, Dom Kiryllos William, explicou que “o novo organismo servirá às diferentes Igrejas a trilhar juntas um caminho ecumênico e a exprimir uma posição comum no diálogo e na convivência com os não-cristãos, além de inciiativas comuns no plano social e cultural”. Dom Kyrillos acrescentou que “o novo conselho não terá um perfil estritamente político e não poderá exercer autoridade sobre questões internas de cada Igreja particular”.
 
A criação deste organismo ecumênico é um fato relevante para a comunidade cristã do Egito e confirma a sensibilidade ecumênica do novo Patriarca copto-ortodoxo, empossado em novembro passado. “Tawadros – observa Dom Kyrillos -, deu seu total apoio para que esta iniciativa ganhasse forma o mais rápido possível”.
 
Apesar da boa notícia no campo ecumênico, no domingo centenas de cristãos copto-ortodoxos manifestaram-se diante da sede da Suprema Corte em protesto pelo incêndio ocorrido na Igreja de Mar Girgis, em 15 de fevereiro, e provocado por um grupo de militantes islâmicos.
 
Com informações da Rádio Vaticano
Imagem: Cristãos egípcios - Divulgação
 
Igreja Católica no Japão age contra corrida armamentista e energia nuclear
Ter, 26 de Fevereiro de 2013 21:12
Os bispos do Japão destacaram a importância de proteger o artigo 9 da Constituição japonesa, que estabelece a renúncia explícita e absoluta da guerra da parte do Estado.  
 
Segundo os bispos nipônicos, deve ser reiterado um claro não contra a corrida armamentista e ao uso de energia nuclear para fins civis e militares. Este foi o apelo feito pelos bispos ao primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, na ocasião de seu encontro com o presidente dos EUA, Barack Obama.
 
Depois das eleições gerais de dezembro de 2012, o Partido Democrata de Shinzo Abe voltou ao poder, colocando no programa a revisão do art. 9 da Constituição que transformaria o Japão num estado que pode colaborar e apoiar uma guerra. Abe, encontrando-se na sexta-feira, em Washington, o presidente Barack Obama, reiterou a aliança estratégica e militar com os Estados Unidos, interessados em aumentar sua influência geopolítica no Leste da Ásia.
 
Diante da possibilidade concreta de conduzir a nação a uma atitude beligerante, os bispos católicos fizeram ouvir suas vozes. Num documento enviado à Agência Fides, assinado pelo Bispo de Saitama, Dom Marcellino Daiji Tani, presidente da Comissão Justiça e Paz da Conferência Episcopal, os bispos lançam um forte apelo ao Governo, dizendo: "Acreditamos que a paz não pode ser alcançada pela força militar. Acreditamos que somente através do diálogo paciente, aberto para as diversidades, seja possível obter a justiça, igualdade e respeito mútuo entre os povos e nações."
 
No documento enviado à Fides, observam que modificando o artigo 9 da Constituição, corre-se o risco de aumentar as tensões militares na Ásia, especialmente com a China e Coreia do Norte, com o resultado da corrida para a militarização. "Sem o artigo 9 - continua o texto – o Japão poderia se tornar outra potência nuclear, regredindo em seus esforços para a abolição de armas nucleares no mundo".
 
Os bispos japoneses lembram ao presidente Obama que "o governo dos Estados Unidos desempenhou um papel importante na elaboração da constituição atual do Japão, centrada na valorização da paz".
 
"Hoje, a maioria das pessoas no Japão apoia e partilha uma Constituição não violenta. Por isso convidamos o Governo a seguir o caminho da não violência e cooperação com todas as nações do Leste da Ásia", concluem os prelados. 
 
CN Notícias com Rádio Vaticano
Imagem: Bandeira do Japão - Divulgação
Obs.: o título foi adaptado
 
Oportunidade: FLD está recebendo projetos em três diferentes áreas
Ter, 26 de Fevereiro de 2013 06:55
A FLD está recebendo projetos na área de Economia Solidária, na área de Soberania e Segurança Alimentar aliadas à Conservação dos Biomas Mata Atlântica e Pampa e na área de Diaconia, conforme os editais em anexo, disponíveis para download.
 
O prazo final para o encaminhamento de projetos é dia 17 de março e a divulgação dos projetos selecionados será no dia 31 de maio, no site da FLD, após a reunião da Comissão de Avaliação de Projetos.
 
O repasse de recursos financeiros se dará a partir de junho deste ano, para o início da execução dos projetos.
 
Algumas informações:
 
Edital FLD 01/2013 - Seleção de projetos de Economia Solidária
 
1. Objetivo - Selecionar projetos de economia solidária e justiça econômica, na região Norte, que promovam o fortalecimento e a qualificação dos grupos e empreendimentos de economia solidária, principalmente nas áreas de qualificação da produção, autogestão e gestão democrática e preparação para e aperfeiçoamento da comercialização solidária. Serão priorizados projetos de redes compostas por grupos e empreendimentos de economia solidária.
 
2. Público alvo - Grupos de economia solidária, urbanos e rurais, com ênfase no público de mulheres, jovens, catadores de materiais recicláveis, agricultores familiares e populações tradicionais.
 
3. Organizações elegíveis - Organizações e/ou grupos da sociedade civil. Não serão considerados projetos oriundos de pessoas físicas, de instituições que tenham finalidade lucrativa (seja como requerentes ou como executoras), de órgãos governamentais, de universidades ou de autarquias do poder público.
 
Edital FLD 02/2013 - Seleção de projetos de Soberania e Segurança Alimentar aliadas à Conservação dos Biomas Mata Atlântica e Pampa
 
1. Objetivo - Selecionar projetos de soberania e segurança alimentar e nutricional que promovam a valorização e uso de alimentos locais através da promoção ou fortalecimento de sistemas de cultivo, beneficiamento e abastecimento que sejam compatíveis com a conservação dos biomas Mata Atlântica e Pampa.
 
O bioma Mata Atlântica está presente em diferentes proporções nos territórios dos estados do Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso do Sul, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul. O bioma Pampa é restrito ao estado do Rio Grande do Sul.
 
Os projetos devem atender pelo menos um dos seguintes aspectos:
 
- Valorização dos ecossistemas Mata Atlântica e Pampa, com estímulo ao uso da biodiversidade local como fonte de alimento.
 
- Resgate e valorização da gastronomia e culinária regional, incluindo o processamento de novos produtos e alimentos.
 
- Manejo da sociobiodiversidade voltado para o abastecimento familiar e/ou para o abastecimento local ou regional.
 
- Valorização do conhecimento e de técnicas tradicionais no cultivo e/ou utilização de alimentos.
 
- Sistemas de cultivo, beneficiamento e/ou abastecimento que fortaleçam populações e organizações locais, associados à conservação da Mata Atlântica e Pampa.
 
2. Público alvo - Agricultores familiares, populações tradicionais e grupos urbanos.
 
3. Organizações elegíveis - Os projetos devem ser elaborados por organizações da sociedade civil. Não serão considerados projetos oriundos de pessoas físicas, de instituições que tenham finalidade lucrativa (seja como requerentes ou como executoras), de órgãos governamentais, de universidades ou de autarquias do poder público.
 
Edital FLD 03/2013 - Seleção de projetos diaconais
 
1. Objetivo - Selecionar projetos diaconais de promoção e defesa dos direitos humanos em contextos de violação de direitos e de violência.
 
2. Público alvo - Público amplo.
 
3. Organizações elegíveis - Instituições, associações, comunidades, grupos com vínculo confessional com a IECLB – Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
 
Informações detalhadas encontram-se nos editais, disponíveis abaixo para download, junto com o formulário de encaminhamento de projetos.
 
Para mais informações, acesse: fld.com.br.
 
Com informações da FLD
 
Dia Mundial de Oração 2013
Seg, 25 de Fevereiro de 2013 21:01
 
Com o tema “Era forasteiro e me hospedastes”, mulheres cristãs de diversos países se unirão para celebrar o Dia Mundial de Oração (DMO) 2013 que, este ano, cairá no dia 1° de março. Vale lembrar que o DMO é um movimento que reúne cristãos de muitas tradições, em todo o mundo, para observar um dia comum de oração. Em alguns países, esse dia tem continuidade em reuniões de oração e trabalho.
 
Na capital federal, Brasília (DF), o DMO será celebrado na Catedral da Ressurreição (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB), a partir das 19h30. Para saber mais, clique aqui e baixe o convite. Participe deste momento de comunhão e oração!
 
Saiba mais sobre o DMO:
  
É um movimento iniciado por mulheres e realizado em mais de 170 países e regiões.
 
É um movimento simbolizado por uma celebração anual – primeira sexta-feira de março – à qual todos são bem-vindos.
 
É um movimento que aproxima mulheres de várias raças, culturas e tradições, estreitando, relacionamento, compreensão e trabalho.
 
Através do DMO, mulheres de todo o mundo:
 
- afirmam sua fé em Jesus Cristo;
 
- compartilham suas esperanças e temores, alegrias e tristezas, oportunidades e necessidades.
 
Através do DMO, mulheres são encorajadas:
 
- a se conscientizarem do que acontece no mundo e a não viverem isoladamente;
 
- a se enriquecerem com experiências de fé vividas por cristãos de outros países;
 
- a levarem as cargas de outras pessoas, orando com e por elas;
 
- a reconhecerem seus dons e talentos e usá-los em benefício da comunidade.
 
Através do DMO, as mulheres reconhecem que a Oração e a Ação são inseparáveis e que ambas têm incontestável influência no mundo, unindo todos em torno da Oração com Informação
 
Como surgiu o Dia Mundial de Oração
 
As origens do Dia Mundial de Oração remontam ao século XIX, quando mulheres cristãs dos Estados Unidos e Canadá iniciaram através da oração, uma variedade de atividades de cooperação e apoio à participação de mulheres em obra missionária nacional e estrangeira. 
 
Depois da devastação da Primeira Guerra Mundial, as mulheres tomaram consciência de que a paz mundial estava intimamente ligada a obra missionária no mundo. Assim as mulheres renovaram seus esforços pela unidade.
 
No Canadá, em 1918, as mulheres presbiterianas convocaram representantes das associações missionárias femininas de cinco denominações, com o propósito de oração e ação conjunta. Este comitê organizou o primeiro Dia de Oração do Canadá, no dia 09 de Janeiro de 1920. No mesmo ano, em 20 de Fevereiro, estabeleceu-se a comemoração do Dia de Oração na primeira Sexta-feira da quaresma, como o dia conjunto de oração pelas missões. 
 
O DMO no Brasil
 
Em 1938, Cecília Siqueira, Secretária Geral do Trabalho Feminino da Igreja Presbiteriana do Brasil, recebe incentivos para implantar o Dia Mundial da Oração no Brasil. As metodistas aderem, traduzindo a ordem de culto e as presbiterianas o imprimem.
 
Em 1954, as mulheres da Igreja Evangélica de Confissão Luterana passam a celebrar o DMO. Outras igrejas também o fazem, sem expressão ecumênica.
 
Em 1961, Ottília de O. Chaves e Dina Rizzi, metodistas, Júnia Machado, presbiterianas e Olga R. T. Nogueira, episcopal, participam do “Jubileu de Diamante” do Dia Mundial da Oração.
 
Em 1973, em Vitória, formou-se o Grupo Ecumênico Feminino de Oração GEFOR. No mesmo ano, Olga R. T. Nogueira enviou às lideres, que recebiam o programa diretamente de Nova York, uma carta-convite para um Encontro em São Paulo, visando a organização de um Conselho Nacional. Realizou-se em 1º de Dezembro, com 15 mulheres de diferentes igrejas e áreas do Brasil. Na ocasião foi fundado o Conselho Nacional do Dia Mundial de Oração. A 1º Diretoria eleita: Presidente Olga R. T. Nogueira, Vice-Presidente Nympha Protásio de Almeida, Secretária Deoly Galvão de França, Tesoureira Dina Rizzi.
 
Em 1974, foram criadas Diretorias Regionais do DMO em São Paulo, Porto Alegre, Vitória, Rio de Janeiro e Ribeirão Preto e Campinas.
 
Em 1976, aconteceu o 2º Encontro Nacional, em São Paulo. O cargo de Presidente foi desdobrado, sendo Nympha Protásio de Almeida eleita Presidente e Olga R. T. Nogueira, Elemento de Ligação com Diretoria Internacional.
 
Em 1978, realizou-se o 3º Encontro Nacional, em São Paulo. Ilza da Silva Arduini, do Rio de Janeiro, assumiu a Presidência.
 
Em 1980, o 4º Encontro aconteceu no Rio de Janeiro. Foram aprovados os Estatutos do Dia Mundial de Oração no Brasil e Irmã Ruthild Brakemeier, de Porto Alegre, foi eleita Presidente do Conselho Nacional do Dia Mundial de Oração.
 
Em 1982, no Rio de Janeiro, realizou-se a 1º Assembléia Bienal do Conselho Nacional do DMOB, formado pelas Diretorias Nacional e Regionais. Assumiu a Presidência Ada Maria Della Giustina, de Curitiba.
 
Em 1984, Nympla P. de Almeida volta a presidência do Conselho e em 1986 é eleita Alice G. Labaki que teve a oportunidade de celebrar o Centenário do Dia Mundial de Oração em 1987 com uma liturgia especial vinda do Comitê Internacional. E celebrar o Jubileu de Ouro do Dia Mundial de Oração no Brasil realizando o culto em março de 1988 sob o tema, “Portas Abertas”, escrito por mulheres brasileiras.
  
De 1988 a 1992 Maria Luiza Fagundes, de Brasília, assume a presidência e passa para Maria Elisa L. C. D’Affonseca, de Campinas, em 1992.
 
Em 1996 é eleita presidente do Conselho Dagmar S. Triska, de Florianópolis. É reeleita e, segundo o novo estatuto, permaneceu até 2001. Nesta data, na X Assembléia, assume a presidência, Maria Elisa L. C. D’Affonseca.
 
O culto anual é celebrado no Brasil, em português, espanhol, inglês, alemão, japonês, chinês, ucraniano, árabe e polonês, e em cerca de 1.150 pontos do nosso país. A cada ano o DMO tende a abranger maior número de igrejas cristãs e algumas delas já têm essa celebração oficializada em seu calendário litúrgico anual.
 
Várias entidades assistenciais, anualmente, têm sido beneficiadas com as ofertas de gratidão levantadas nas celebrações. Nesses encontros são usados programas elaborados, a cada ano, por mulheres de países diferentes.
 
Para mais informações, acesse: www.dmoracao.com
 
 
União por Moradia Popular realiza atos exigindo reforma urbana
Sáb, 23 de Fevereiro de 2013 11:11
Nesta sexta-feira (22), representantes e entidades filiadas da União Nacional por Moradia Popular (UNMP) se manifestaram em diversas cidades de 22 estados brasileiros para pedir por reforma urbana. As manifestações ocorreram em órgãos estaduais, municipais ou federal, ligados ao processo de habitação como Secretarias de Patrimônio da União (SPU), Receita Federal, Superintendências regionais da Caixa Econômica Federal, prefeituras, ministérios, entre outros.
 
O objetivo foi pressionar o governo federal, através destas entidades, para dar melhor tratamento ao problema da moradia no país, agilizando processos de destinação de imóveis para projetos de moradia popular, por exemplo. "Estamos nas ruas e nas ocupações, para fazer cumprir a função social da propriedade pública e privada e garantir o direito à moradia a todos e todas”, enfatiza o movimento por meio de comunicado.
 
Na pauta nacional de reivindicações, um dos pedidos prioritários é pela convocação imediata da Mesa Permanente de Negociações com movimentos populares urbanos para dar continuidade à discussão sobre a construção do Sistema Nacional de Habitação e Sistema Nacional de Desenvolvimento Urbano. Direcionada à Secretaria Geral da Presidência da República, as entidades alegam que um sistema de moradia nacional não pode se resumir ao Programa Minha Casa Minha Vida.
 
Também exigem a agilidade no processo de decisão política do governo federal para destinar imóveis do Patrimônio da União, assim como imóveis abandonados ou vazios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), para os projetos do programa Minha Casa Minha Vida e demais programas e movimentos de moradia popular. Sobre imóveis (áreas e edifícios) da extinta Rede Ferroviária Federal, as entidades pedem a "desburocratização nos processos de incorporação e destinação dos imóveis” para projetos de moradia popular a fim de acabar com a "influência maléfica do DNIT nas suas declarações de ‘reservas técnicas’, que nada mais são do que uma nova forma de especulação futura dos imóveis”, segundo a UNMP.
 
Para um melhor andamento do programa Minha Casa Minha Vida, a UNMP recomenda que os órgãos responsáveis como Caixa Econômica, entidades e governo capacitem seus funcionários sobre o programa e novas modalidades, e agilizem o processo de análise, seleção e contratação dos projetos em todo o país, para atender a demanda popular por moradia, ‘com menos burocracia’.
 
De acordo com Edilza Felipini, coordenadora geral da Associação Habitacional da União por Moradia Popular do Espírito Santo, a principal reivindicação do estado é que terrenos e imóveis da SPU e do INSS sejam destinados para projetos do programa Minha Casa Minha Vida. Na próxima segunda-feira (25) haverá um ato para assinatura de um convênio na Caixa Econômica Federal para dar andamento a um projeto de habitação e seguirá a agenda de debate sobre o problema da moradia no estado.
 
Com informações da Adital
Imagem: Divulgação
 
CONIC sedia reunião de preparação para a SOUC 2015
Sex, 22 de Fevereiro de 2013 08:04
Convidado pela Comissão de Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) para preparar os subsídios da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) de 2015, o CONIC sediou, nos dias 1 e 2 de fevereiro, uma reunião com parceiros ecumênicos para dar início aos trabalhos de preparação. O principal objetivo deste primeiro encontro foi iniciar a reflexão do tema a ser proposto.
 
Estiveram presentes na atividade a secretária geral do CONIC, Romi Márcia Bencke; o secretário regional do Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI Brasil), Darli Alves de Souza; o biblista e assessor do Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Edmilson Schinelo, além do assessor do Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria (CECA), Claudio Giovani Becker.
 
Foi enviada ao CMI uma proposta de tema para SOUC 2015, qual seja: Deus nos sonhou plurais: pela afirmação das diversidades e superação das intolerâncias. “Entende-se que o tema da superação dos diversos tipos de intolerância deve ser tratado de forma positiva, insistindo-se na pluralidade como algo sonhado por Deus e no diálogo como caminho permanente, como opção de vida”, afirmou Schinelo.
 
Para a realidade brasileira, o tema é bem importante, uma vez que crescem manifestações de fundamentalismo e intolerância, realidades que ajudam a aumentar índices de violência, especialmente contra as minorias. Em nível mundial o tema também é pertinente, pois interesses comerciais que muitas vezes provocam guerras acabam sendo justificados a partir de intolerâncias religiosas. Nesse sentido, igrejas cristãs daqui e de todo o mundo precisam assumir esse tipo de reflexão.
 
De acordo com Becker, o mote da SOUC 2015 “não deve ser o da intolerância, mas de maneira propositiva, buscar o caminho do diálogo. Neste sentido, nossa proposta metodológica estará centrada no tripé: anúncio, denúncia e testemunho”, explicou.
 
“Para o CONIC é uma honra poder coordenar este processo. A partir de agora, nosso desejo é que esta oportunidade reforce ainda mais o testemunho ecumênico não só das igrejas brasileiras, mas de todos aqueles que, assim como nós, acreditam num mundo mais justo, fraterno e plural”, concluiu Romi.
 
Confira as fotos:
 
 
 
 
Em busca de uma economia fraterna
Qui, 21 de Fevereiro de 2013 08:10
Em 1991, a italiana Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares visitou o Brasil. Espantada com os bolsões de desigualdade social, começou a refletir sobre os motivos pelos quais a cidade de São Paulo abrigava, lado a lado, a extrema riqueza e a extrema pobreza. Como uma cidade com imensos e luxuosos arranha-céus, convivia com favelas vizinhas e com os indigentes habitando as calçadas dos prédios?
 
Impelida pela urgência de viabilizar alimentação, moradia, tratamento médico e, se possível trabalho para os pobres e inspirada pela recém-publicada Encíclica Centesimus Annus, de João Paulo II, que lançava luz sobre a questão operária e mercadológica, Chiara Lubich pensou na “Economia de Comunhão” (EdC).
 
Esse projeto, voltado para o meio empresarial, tem três esferas: ajudar os que se encontram em necessidade, oferecendo-lhes condições de melhoria de vida e possibilidade de emprego; incrementar os ganhos das empresas; e, por fim, desenvolver as estruturas, visando a formação interpessoal das pessoas, construindo o que Chiara denomina “homens novos”, porque sem eles não se faz uma sociedade nova.
 
Os sujeitos produtivos da Economia de Comunhão (empresários, trabalhadores, até mesmo clientes e fornecedores, e demais agentes empresariais) buscam inspiração em princípios fundamentados numa cultura diferente da prática e da teoria econômica vigente. Essa cultura pode ser definida como “cultura do dar”, em antítese à “cultura do ter”.
 
Empresas, empresários e funcionários
 
Os empresários que aderem à Economia de Comunhão formulam estratégias, objetivos e planos empresariais, tendo como critério a gestão ética e buscando envolver no trabalho os membros da empresa. Realizam investimentos com prudência, mas dão particular atenção à criação de novas atividades e postos de trabalho.
 
O ser humano, e não o capital, está no centro da empresa. As capacidades e habilidades de cada funcionário são valorizadas da melhor forma possível pelos gestores da empresa, que procuram ainda estimular a criatividade, a responsabilidade e a participação na definição e na realização dos objetivos empresariais. Os funcionários que passam por dificuldades financeiras ou mesmo problemas pessoais recebem atenção especial.
 
A empresa é administrada de modo a destinar os lucros em três partes: para o desenvolvimento da empresa; para as pessoas em dificuldades financeiras, iniciando por quem compartilha a opção pela “cultura do dar”; e para a difusão dessa cultura.
 
Marcelino Vaz participou ativamente durante dois anos dessa realidade. Ele foi funcionário de uma marcenaria em São Paulo e ressalta que o tratamento dispensado aos trabalhadores é diferente, com respeito e, por conta desse aspecto, a produtividade é elevada.
 
Dentro dessa expectativa está a Campo Fertile Delicatessen, uma empresa dos paranaenses Marcos e Inês Gugel, que nasceu em Recife, e que já faturou dois prêmios para Micro e Pequenas Empresas do Sebrae, pela inovação e pela responsabilidade social.
 
Inês Gugel conta que a empresa auxilia muitos jovens em situação de vulnerabilidade social. “Não nos vangloriamos por ter iniciado nossa empresa em uma favela. Somos empresários como quaisquer outros, procuramos ser gestores competentes e formar cidadãos comprometidos e multifuncionais para um mercado cada vez mais exigente”, explica.
 
Segundo a proprietária, o trabalho social é fruto basicamente do compromisso como cristãos e cidadãos, não um meio de se fazer negócio. “Deus não se deixa vencer em generosidade, a Campo Fertile ano passado cresceu cerca de 25%, bem acima da média nacional referente ao setor de panificação. Os lucros ou a queda destes, não têm correlação com o trabalho social, os lucros aumentam ou diminuem apenas por uma razão: competência nos controles, rigidez na redução dos desperdícios, consciência dos colaboradores”, completa.
 
Na Fazenda da Esperança, uma economia que restaura vidas
 
Em 1983 um jovem sem pretender nada, a não ser colocar em prática o Evangelho, aproximou-se de uma boca de fumo. Depois de um tempo de relacionamento, um dos jovens ligados àquele ambiente pediu-lhe ajuda para mudar de vida.
 
Esses dois jovens foram a origem e a inspiração do grupo que deu início à Fazenda da Esperança. Este primeiro grupo de jovens voluntários e recuperandos tomaram a decisão de colocar todos os seus bens em comum e fizeram um pacto de sustentarem aquela primeira casa com os resultados obtidos do suor do trabalho de cada um.
 
Depois de 30 anos, a missão continua a mesma: colocar em prática o Evangelho e refazer o conceito de existência por meio do suor no trabalho dos mais de três mil homens e mulheres (sobretudo jovens), em 88 Fazendas da Esperança espalhadas por mais de dez países.
 
Atualmente os jovens que se recuperam são responsáveis pelo cultivo, distribuição e venda de produtos orgânicos, ou seja, livres de agrotóxicos. Tudo o que é utilizado para a produção, desde a muda, é feito com métodos que não agridem o meio ambiente, sem intervenção química, o que torna o produto saudável e mais rico em nutrientes.
 
De acordo com o assessor de imprensa da Fazenda, Maurício Araújo, em cada unidade da instituição o trabalho acontece de forma diferente. Em Coroatá (MA), a unidade produz acerola. Os jovens em recuperação são responsáveis pelo cuidado da planta desde o plantio, adubação e outros cuidados como poda; já a venda é feita por um jovem membro da Família da Esperança que conseguiu uma parceria na Europa, para onde as frutas são enviadas ainda verdes para a produção de vitamina C.
 
Em outras regiões, ocorre o plantio da Aloe Vera, conhecida popularmente por babosa. Os jovens fazem a seleção da muda, o preparo do campo, o plantio, a conservação (capina do mato), a extração da folhas e o preparo do bem manufaturado para o próprio consumo. A Fazenda da Esperança utiliza a planta como aliada no processo de desintoxicação dos jovens dependentes químicos.
 
Além de auxiliar nas despesas de manutenção da instituição, essas atividades ajudam a maioria dos jovens a descobrirem um potencial até então obscurecido pelo uso de entorpecentes. “A maioria dos jovens nunca desenvolveram uma atividade e os que trabalhavam anteriormente já haviam perdido o trabalho em consequência da drogadicção. Ter os horários bem definidos e a responsabilidade diária do trabalho possibilita ao jovens uma boa auto-estima, porque descobrem que podem se auto-sustentar”, destaca Maurício Araújo.
 
Jeferson Alves Rosa Junior (17), que há nove meses está na Fazenda da Esperança em Nanuque (MG), tem experimentado a palavra do Evangelho por meio do trabalho. “Estava trabalhando na plantação da babosa e o coordenador me pediu para capinar a plantação, muito rápido e bem feito. Porém, a minha vontade era de largar tudo e ir embora para casa, mas por causa da Palavra eu fiquei, fiz bem feita minha parte, dessa forma o dia foi mais produtivo e me deu uma alegria muito grande que nunca senti antes”, se alegra.
 
Segundo o assessor, essa atividade também beneficia a comunidade local, que encontra nos alimentos orgânicos uma fonte de renda. Esse é o caso de Maria Luiza de Sousa Santos (66), que vive em Croatá (CE).
 
Há 22 anos, ela foi convidada pela Fazenda das Esperança a ajudar no “projeto das acerolas” e foi com esse trabalho que conseguiu sustentar os filhos e educar seus netos. “Sou feliz e grata a Deus pelo que faço. Tenho o costume de dizer que nasci para catar acerola e pescar, pois pesco muito bem também”, brinca.
 
A coordenadora do projeto de orgânicos, Priscila Uchoas, conta que o consumidor além de adquirir um produto de qualidade, ajuda na construção de uma sociedade melhor, tanto na preservação do meio ambiente, como na restauração dos jovens. “O consumidor tem a certeza que esta consumindo um alimento que não agredirá sua saúde; ao contrário, estará fazendo um bem para ela, além de estar contribuindo com a preservação ambiental”, frisa.
 
Com informações da CNBB
 
Jaime Wright, o pastor dos torturados
Qua, 20 de Fevereiro de 2013 20:19
Eis um livro que vale a pena ser lido, compreendido e divulgado. A obra enfoca a trajetória de Jaime Wright, pastor presbiteriano brasileiro, a partir da sua busca pelo irmão, Paulo Stuart Wright, deputado cassado, sequestrado e morto durante o período do regime militar.
 
Aproximando-se de familiares de presos políticos, Jaime Wright participou do projeto Clamor, que defendeu perseguidos políticos no Brasil e em outros países da América Latina, com financiamento intermediado pelo Conselho Mundial de Igrejas. Ajudou a reunir os documentos que deram origem ao relatório Brasil - Nunca Mais, que revelou a extensão da repressão política no Brasil, cobrindo um período que vai de 1961 a 1979, identificando e denunciando os torturadores do regime militar, bem como desvelando as perseguições, os assassinatos, os desaparecimentos e as torturas; atos praticados nas delegacias, unidades militares e locais clandestinos mantidos pelo aparelho repressivo no Brasil.
 
Por isso, o CONIC foi conversar com o autor Derval Dasilio que, por sinal, é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU). Confira:
 
1) Derval, o que te motivou a escrever esse livro?
 
A história social do protestantismo brasileiro é contada por ótimos especialistas, antropólogos e sociólogos da religião. Porém, dada à histórica abordagem individualista, particular, própria das nossas denominações, sempre se conta a história do protestantismo a partir de um ponto de vista defensivo, ou ufanista, como nas denominações não ecumênicas. No princípio, minha pesquisa, contaminado por esse bacilo sufocante, destaquei o papel de Jaime Wright como  divisor de águas no presbiterianismo... Muito pouco para um vulto de tal grandeza nos movimentos sociais e políticos nos últimos 40 anos da história nacional do protestantismo.
 
A história recente tem tributado e honrado personagens democráticos libertários, como Tancredo Neves, Ulisses Guimarães, Teotônio Vilela, Sobral Pinto, Oscar Niemeier, com biografias, documentários, canções, exposições, reportagens, referências literárias, bem merecidas. A história recente do Brasil foi construída a partir de vultos com tal grandeza. Por que o protestantismo, e o ecumenismo, ora iconoclasta, ora parcimonioso, hesita em destacar vultos importantes da sua história? Por que esse silêncio sobre seus heróis e expoentes  culturais? A infeliz história do protestantismo recente, no entanto, segundo conceito da sociedade contemporânea, tem dado importância aos pastores milionários do pentecostalismo mercadológico, das igrejas de negócios, dos comerciantes da fé. Prestidigitadores e charlatães interessam mais à mídia televisiva e à imprensa escrita que os religiosos mártires que lutam pela democracia e a liberdade, sob risco de morte. É assim no Brasil. 
 
2) Na sua opinião, qual a importância do livro para ampliar o debate do tema na sociedade brasileira?
 
Foi a pergunta que este autor fez a si mesmo. E decidi que o Brasil de hoje, os pesquisadores de sua história, os jovens estudantes em formação para servir à educação do país deveriam tomar conhecimento desse personagem, seus amigos, seus contatos, seus protetores e companheiros. Como D. Paulo Evaristo Arns, que o denominou – vejam!, um pastor presbiteriano –, "meu bispo para assuntos ecumênicos". O compromisso político e social do grande cristão que foi Jaime Wright precisaria ser destacado à altura dos grandes vultos construtores da história recente do Brasil. 
 
Acompanhei o empenho de Jacques Derrida na reconstrução nacional da África do Sul, diante dos cenários mundiais, onde as palavras "anistia e reconciliação" despontam inevitavelmente. Vejamos o Chile, depois de Pinochet, os traumas das tragédias em necessidade de reparação, pela reconciliação. Ali, a Comissão da Verdade e Reconciliação foi criada para esse fim, atuando dentro do governo. Porém, Desmond Tutu, bispo anglicano – segundo Derrida – buscando outro rumo, "cristianizou" todos os debates, na África do Sul. As questões "filosóficas" (ou teológicas) suscitaram reações. Mas o que é essa "cristianização"?, perguntava Derridá. E construiu uma esplêndida reflexão sobre o sentido do "perdão e reconciliação" à luz da teologia bíblica do perdão. Sem obscurecer a verdade. O perdão, para ser concedido, envolve ofendido e ofensor; credor e devedor.
 
A Comissão Nacional da Verdade ainda esboça ações para desenvolver seu trabalho, já encaminhando para setores eclesiásticos, por exemplo, as subcomissões estaduais. Ao que parece. Não vejo como desvincular o problema da discussão eclesiástica (Desmond Tutu?) sem reflexão teológica. O projeto "Brasil: Nunca Mais" é, em primeiro lugar, iniciativa ecumênica. Jaime Wright, guardião dos documentos recolhidos, microfilmados, levados clandestinamente para o exterior, é um religioso, um pastor do presbiterianismo ecumênico brasileiro e mundial. Outros pastores denominacionais, cristãos de diversas procedências, como D. Helder Câmara, D. Paulo Evaristo Arns, Pr. Phillip Potter (Secretário Geral do CMI no período do projeto BNM), Rev. Charles Roy Harper (chave das informações sobre o assunto, como mediador do CMI no Brasil, Chile, Nicarágua, Paraguai, Uruguai, Argentina, e nações da América Central), compõem o núcleo duro do grupo em torno do rev. Jaime Wright. 
 
Leonardo Boff, depondo para a realização do livro em questão (Jaime Wright - O Pastor dos Torturados), resume seu entendimento: "O objeto da Comissão da Verdade deve sim, tratar dos crimes e dos desaparecimentos. É sua tarefa precípua e estatutária. Mas não pode reduzir-se a estes fatos. Há o risco de os juízos serem pontuais e os casos derivarem numa casuística indesejada. É preciso analisar o contexto maior, que permite entender a lógica da violência estatal, e explicar a sistemática produção de vítimas. Mais ainda, deixa claro a perversidade que foi a banalização da suspeita, das denúncias, das espionagens e da criação de um ambiente de medo generalizado e desencorajador (de reações).
 
Cabe, a meu ver, à Comissão da Verdade, proceder a um trabalho complementar: depois de ter levantado os dados da violência do Estado e de suas vítimas, cumpre fazer um juízo ético-político sobre todo o período ditatorial que se prolongou por 21 anos (1964-1985). Por que tal tarefa é imprescindível e de grande relevância moral? Porque vítimas não são apenas os que sentiram em seus corpos a truculência dos agentes do Estado. Vítimas foram todos os cidadãos. Foi toda a nação.  Disse mais, Leonardo: – "Jaime Wright era movido por uma profunda fé. O caminho dele não era unicamente  a dimensão cívico-política. Era a partir da fé cristã, juntamente com D. Paulo Evaristo Arns, que eles iam aos ditadores, dizendo que eles eram opressores, e que estavam tratando mal a imagem de Deus, e o único caminho que temos de acesso a Deus é o ser humano. Quando violentamos e desfiguramos esse ser humano, perdemos a noção de Deus". Que mais poderia eu dizer, em pleno acordo com esse colega?
 
3) Quais foram suas maiores dificuldades ao escrever a obra?
 
Não tive dificuldades. Por que não dependi da rede virtual (extremamente ilusória, superficial, porque o pesquisador tem que ter habilidades de um hacker – que eu não tenho... nem quero ter – para conseguir alguma coisa substancial). Amigos, como Nilton Emmerick, Josué de Mello e Claude Labrunie, colocaram-me nas mãos documentos mínimos, em páginas, mas de importância grandiosa, permitiram-me interpretar a ação de Jaime Wright. Josué de Mello entregara-me, em 1999, poucos meses depois da morte de Jaime Wright, a responsabilidade de esboçar uma história da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. Atas pesquisadas, centenas de páginas lidas e resumidas na sede da igreja nacional, deram-me o esquema da obra a ser realizada. Sobre Jaime Wright. 
 
Nos últimos cinco anos passei a depurar o texto específico, cortando centenas de páginas e parágrafos, assuntos próprios da vida eclesiástica e particular do biografado. Jamais abordei assuntos familiares, assuntos da intimidade do biografado, de forma que as pesquisas sobre as ações ecumênicas, pastorais ou eclesiásticas, junto à sociedade brasileira, passaram a ocupar-me em primeiro lugar. E Jaime estava lá, sempre.
 
E então, em 2011, encontrei-me pessoalmente com o brasileiro Charles Roy Harper, no Rio de Janeiro. Viera da França, onde mora numa vila de poucos habitantes, próxima da Suíça, depois de ter trabalhado no CMI por cerca de 22 anos até à aposentadoria tranquila no Sul da França. Dali, retirou-se para nos atender no Brasil. Em duas horas de entrevista, e depois um almoço num agradável restaurante em Santa Tereza – lá estávamos Harper, eu e  Maria Lucia, minha esposa, o Rev. Takasi Simizo e o Rev. Luis Caetano Grecco, anglicanos ecumênicos – finalizei o texto principal dessa participação. Harper não dissera uma palavra sobre a repatriação do “Brasil: Nunca Mais” (viera de São Paulo depois de muito conversar sobre a repatriação do BNM com Marcelo Zelic, do Grupo Tortura Nunca Mais).
 
Mas foi a comunicação eficiente do CLAI, nos boletins diários da ALC Notícias, que me animou à definição. O projeto apoiaria a Comissão da Verdade, e, dentro das possibilidades, buscaria acentuar a participação do ecumenismo de resistência do qual Jaime Wright é ícone e referência. A Metanoia, uma editora independente, assumiu imediatamente a publicação da obra. Lea Carvalho, responsável pela mesma editora, não duvidou um instante sequer do valor histórico da obra, e assumiu os custos na totalidade. E aí estamos.
 
4) Por fim, por que você recomendaria esse livro ao leitor do nosso site?
 
O debate ecumênico sobre os fatos que cercam Jaime Wright, como temos colocado nas chamadas publicitárias, precisa ser estendido à juventude ecumênica católica e evangélica protestante. Com prioridade, uma vez que os jovens são intérpretes e protagonistas preferenciais desse século e suas ênfases. É preciso reconhecer a necessidade de participação concreta da juventude, nas cidades, nos municípios, nos estados, no país, nas  igrejas, nas escolas e nas universidades. Pastores, padres, líderes da Igreja, professores, educadores, necessitam de elementos para identificar as realidades e educar no sentido de novas definições de políticas públicas e nos sentidos para a comunhão fraterna, neste século.
 
Demandas relacionadas com o aproveitamento das vocações jovens, ao trabalho, à cultura, ao esporte, ao lazer, ao meio-ambiente sustentável, à segurança pública, à saúde. Demandas consequentes derivadas desses indicadores poderiam ser levadas à discussão objetiva. Para que haja a elaboração e efetivação de projetos que acompanham a expansão da economia; das redes virtuais predominantes, sem adotar os eufemismos que atenuam a dureza da exclusão e do abandono dos mais fracos, também chamados injustamente de improdutivos. A visibilidade da corrupção é facilitada e verificada nas redes sociais virtuais. Sim. Mas estas são em sua maioria denuncistas, catárticas, inoperantes. Não têm o efeito desejado de transformar a sociedade. Mas o nó a ser desatado é a transformação dessa sociedade.
 
Jaime Wright, homem cristão extraordinário, passou por um século agitado, “Era dos Extremos”, como o chamou o historiador Hobsbawn, e não pode ser esquecido em sua ética pessoal também rigorosa, movida pela indignação contra tempos violentos, e os absurdos cometidos contra a população sem poder de sobrevivência digna. Absurdos sempre retornando na história do mundo. Sempre presentes no intento comum dos autoritarismos políticos, onde o Mal é o parâmetro controlador da vida, tido equivocada ou intencionalmente como inevitável e irreversível. A fé cristã afirma o contrário. 
 
Jaime foi um pastor cujo alicerce espiritual era a esperança. É importante relacionar sua vida com a fé ecumênica - na busca da unidade da Igreja de Cristo –, que tanto amava. Principalmente, nas suas preferências bíblicas, o salmo que relata a história dos “marcados para morrer” (Salmo 23), inocentes condenados, oprimidos, vítimas da sociedade violenta, vingativa, excludente, acalentou todos os seus dias. Imaginemos pessoas fugindo da miséria e da violência brutal de nossos dias. Despertaríamos para o fato de que estamos num momento de extrema gravidade para a humanidade, o mundo dos pobres, dos desempregados, dos doentes, dos sem-lar, dos sem-hospitalidade, dos “exilados clandestinos”, dos sem assistência médica e previdenciária. A realidade fere as nossas vistas. Além das vítimas dos desequilíbrios ecológicos, acrescentados aos problemas das desigualdades, nos extremos, no alto e na base da sociedade brasileira. São agressões à consciência libertária. Recomendo esta leitura para quem vive a oração de todos os dias, buscando a justiça de Deus e a verdade: “Seja feita a Tua vontade...”.
 
Capa do livro: Divulgação
Foto do autor: Arquivo pessoal
 
Organizações se articulam com a proximidade da conferência TCA
Qua, 20 de Fevereiro de 2013 06:54
Faltando pouco mais de 20 dias para as próximas reuniões sobre o Tratado de Comércio de Armas (TCA), os integrantes da Coalizão Armas Sob Controle (Armas Bajo Control, em espanhol) intensificam a campanha para que os governos colaborem para diminuir o número de morte em todo o mundo decorrentes das armas de fogo.
 
A reunião com os Chefes de Estado, marcada pela Organização das Nações Unidas, será no próximo dia 18 de março. Enquanto isso, a Coalizão prepara uma série de atividades dentro da Semana Mundial de Ação, prevista para acontecer de 11 a 17 de março em todo o mundo, na tentativa de pressionar os governos para que aprovem um texto coerente.
 
"O tema da semana serão as ‘peças que faltam’, que ainda são necessárias para completar e fortalecer o projeto do TCA, e haverá formas nas quais os simpatizantes poderão participar das atividades presente ou virtualmente”, diz a convocatória. Até lá, será disponibilizado um "kit” para que os apoiadores possam participar.
 
A Oxfam, que também integra a Coalizão, avalia que 2013 deve ser um ano promissor para tratar do assunto e que a conferência de março é fruto de muito esforço de organismos da sociedade civil que vêm se manifestando contra a política bélica no mundo.
 
Segundo dados da Oxfam, o comércio de munições gira em torno de 4 bilhões de dólares. Este é o ponto principal para que não haja um consenso entre as partes, já que claramente a corrida armamentista além de lucro envolve questões políticas e de interesses particulares envolvendo os países. Estados Unidos, Rússia, Coreia do Norte, Cuba e Venezuela são algumas das nações que bloqueiam as negociações.
 
Para acompanhar as mobilizações, siga a Oxfam em soyactivista.org, no twitter (twitter.com/SoyActivista) o na página do Facebook (facebook.com/SoyActivista). Para a página de Armas Sob Controle, basta ir em controlarms.org.
 
Dados:
 
Mais de 8 bilhões de armas ligeiras são produzidas por ano. Estima-se ainda que mais de 2 mil pessoas sejam assassinadas por dia, vítimas de bala, em todo o mundo.
 
Com informações da Adital
Foto: Divulgação
 
Comissão vai reconhecer exploração sexual como trabalho escravo
Ter, 19 de Fevereiro de 2013 21:22
A exploração sexual será reconhecida como forma de trabalho escravo contemporâneo pela Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo (Conatrae), informou hoje (19) a ministra da Secretaria de Direitos Humanos (SDH), Maria do Rosário. Atualmente, a legislação que pune o trabalho em condições análogas a de escravo, trabalho forçado, jornada exaustiva ou trabalho em condições degradantes – prevista no Artigo 49 do Código Penal –, não menciona a exploração sexual, o que dificulta a ação da polícia e de outros órgãos responsáveis e a punição dos culpados, segundo a comissão.
 
O Código Penal prevê penalidades para restrição da locomoção do trabalhador em razão de dívida, o cerceamento do uso de meio de transporte, a vigilância ostensiva ou a retenção de documentos com o objetivo de reter o empregado no local. No reconhecimento da exploração sexual pela Secretaria de Direitos Humanos, será citada a jurisprudência brasileira sobre o tema e normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O texto deverá ser elaborado ainda hoje e encaminhado aos membros da comissão até o final do dia.
 
"O reconhecimento por parte da Conatrae é um precedente importante para a mudança de olhar neste tipo de situação. A exploração sexual tem de ser considerada forma de trabalho escravo contemporâneo”, disse Maria do Rosário.
 
A iniciativa da ministra foi apoiada pelo demais integrantes da comissão, composta por representantes do Ministério do Trabalho e Emprego, da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait), do Ministério Público do Trabalho (MPT), da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), entre outros.
 
Com informações da Agência Brasil
Imagem: Divulgação
 
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