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A formação para o pensamento crítico é uma estratégia para escolas e professores blindarem discursos que desrespeitem os direitos humanos
 
Durante uma de suas aulas de Sociologia para uma turma do Ensino Médio, o professor Ricardo* ouviu de uma estudante: “Pra mim, todo gay e lésbica tinha que morrer”. Minutos antes, o docente falava sobre heteronormatividade e pedia para que os alunos refletissem sobre os direitos dos homossexuais.
 
A reação do professor foi imediata. “Falei que aquilo era um desrespeito. Não quis deixar margem para que os demais alunos achassem que aquela postura era aceitável. Adolescentes têm uma forte tendência de comportamento em grupo, entendi que o momento era crucial para marcar na memória deles o porquê da conduta não ser aceita”.
 
O professor conta que recorreu a conceitos sociológicos e referências históricas para “minimizar” o pensamento. “Tem que existir uma correlação de forças na sala de aula construída a partir de uma ciência, de estudo e conhecimento. Temos uma responsabilidade intelectual com o que dizemos”, explica.
 
O episódio aconteceu ainda no clima das eleições... clique aqui e leia a íntegra do artigo.
 
Texto: Ana Luiza Basilio via Carta Educação
Foto: Pixabay

 
Nos dias 10 e 11 de janeiro, foi realizada a reunião anual entre o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso e o Escritório para o Diálogo Inter-religioso e a Cooperação (IRDC), do Conselho Mundial de Igrejas (CMI).
 
O encontro foi uma oportunidade para a troca de informações sobre as diversas atividades realizadas pelas duas instituições no decorrer do ano de 2018. Os participantes também examinaram os próximos projetos para 2019 e atualizaram o documento “Educação para a paz em um mundo multi-religioso”, o último feito em conjunto pelos dois órgãos.
 
Ambos organismos, que trabalham juntos desde 1977, já elaboraram os seguintes documentos: Oração Inter-religiosa (1994), Reflexões sobre o casamento inter-religioso (1997), Testemunho cristão em um mundo multi-religioso. Recomendações para o comportamento (2011).
 
Expressando alegria pela crescente colaboração, os representantes dos dois organismos reiteraram o desejo de dar prosseguimento ao caminho do compromisso comum.
 
Fonte: Vatican News
Foto: Reprodução

 

 
O Instituto Sou da Paz, organização não governamental que atua na formulação de políticas públicas de segurança e prevenção da violência, lançou nesta terça-feira (15), pelas redes sociais, uma campanha contra o decreto que facilita a posse de armas.
 
 
A primeira peça foi publicada na noite desta segunda-feira (14) no Facebook da ONG e indaga: “Quem lucra com o sucateamento das polícias e com a liberação das armas?”, com a hashtag #NãoTáTudoBem.
 
“Em vez de investir em políticas públicas eficientes para prevenir os crimes e a violência, querem transferir para você a responsabilidade de combater o crime – mesmo sabendo dos riscos a todos que envolvem a posse de uma arma (inclusive a de ser roubada, já que custa tão caro). Precisamos valorizar o salário e o trabalho de policiais, e também adotar medidas para que não morram dentro e fora de serviço, pois mesmo treinados muitos morrem”.
 
Uma segunda peça reforça a ideia de que só ricos poderão ter armas em casa. “Com o preço de uma pistola”, diz o Sou da Paz, é possível comprar uma geladeira, um fogão, uma máquina de lavar roupas, uma TV de 32 polegadas e um micro-ondas.
 
A campanha afirma que, ao facilitar o acesso a armas, o Planalto está repassando ao cidadão uma responsabilidade que, na verdade, é dele. “Se você está doente, o governo não te pede para comprar um bisturi e se operar. Então por que se você sofre com o crime tem que se proteger sozinho?”, diz uma das peças.
 
O Sou da Paz quer levar a ofensiva publicitária anti-armas para a televisão e para o rádio ainda em janeiro. O instituto acredita que a política adotada fará “o número alarmante de 43 mil homicídios anuais cometidos com armas de fogo crescer ainda mais”.
 
Decreto
 
O decreto que facilita a posse de armasfoi assinado nesta terça-feira (15). O decreto está em discussão desde os primeiros dias do governo, por ser tratado como uma promessa de campanha. O atual presidente da República é um antigo crítico do Estatuto de Desarmamento e, durante a campanha eleitoral, defendeu a reformulação da legislação.
 
Revista Fórum com informações da Folha de S.Paulo

 
O patriarca maronita, cardeal Béchara Boutros Raï, inaugurou, há pouco mais de uma semana, a Igreja de Saint-Jean-le-Bien-Aimé, no convento de Santo Salvador da Ordem Missionária Libanesa (OML - Ghosta-Kesrouan), Líbano.
 
Presentes, entre outros, o embaixador do Catar, Mohammad Hassan Jaber al-Jaber, representando o emir do Catar Tamim bin Hamad al-Thani, que financiou a construção da igreja, e o superior da OML, Pe. Malek Bou Tannous.
 
O local de culto é o primeiro componente de um projeto com uma superfície de 1.700 metros quadrados, que compreende outros dois  blocos. Além da igreja, estão previstos um convento, uma biblioteca, um centro esportivo, um estacionamento subterrâneo, 9 pavilhões, 48 quartos individuais, um anfiteatro com uma capacidade para 270 pessoas, dois salões, uma cafeteria e uma cozinha.
 
Tomando a palavra durante a cerimônia de inauguração, o embaixador do Catar enalteceu o diálogo muçulmano-cristão existente em seu emirado, recordando que seu país foi o pioneiro na abertura aos cristãos e na construção de igrejas no Golfo (desde 2005), precisando que existem em Doha mais de 200.000 cristãos de todas as confissões, que gozam de liberdade de culto.
 
O embaixador recordou ainda que, em 20 de abril de 2018, o patriarca Raï lançou a pedra fundamental de uma igreja maronita em Doha, dedicada a São Charbel, em um terreno doado pelo Emir do Catar.
 
“O emirado – afirmou - permanecerá fiel aos seus compromissos, apesar das circunstâncias conhecidas e do embargo iníquo a ele imposto”.
 
O embargo ao Catar data de 5 de junho de 2017. A decisão da Arábia Saudita, dos Emirados Árabes Unidos e do Barein colocou o seu vizinho do Catar sob um embargo diplomático e econômico, com o argumento de que ele financiaria o terrorismo islâmico e conspiraria com o Irã – acusações rejeitadas pelo país.  Com a medida, o emirado do Catar viu-se privado de contatos políticos e comerciais com seus vizinhos sauditas, emirenses e barenita.
 
Foto: L’Orient Le Jour

 
O Brasil tem a terceira maior população carcerária do mundo, só perdendo para os Estados Unidos e a China. Segundo o Levantamento Nacional de Informações Penitenciárias (Infopen), o total de pessoas encarceradas no Brasil chegou a 726.712 em junho de 2016.
 
Isso significa que a lotação dos presídios atingiu 197%, ou seja, uma superlotação de praticamente dois reclusos por vaga. Outro dado que chama a atenção é que 64% da população prisional no país é composta por pessoas negras. O levantamento aponta, ainda, que mais da metade das pessoas presas têm entre 18 e 29 anos.
 
Sérgio Salomão Shecaira, professor da Faculdade de Direito da USP e coordenador do Grupo de Diálogo Universidade, Comunidade e Cárcere (GDUCC), explica alguns dos motivos para que grande parte da população carcerária seja negra, jovem e periférica.
 
“A desigualdade social é perversa e entre os motivos para a criminalidade ser tão grande no Brasil estão fatores como a falta de oportunidade de educação, cultura, saneamento básico e moradia. Tal processo de exclusão se coroa posteriormente com o cárcere”, relata.
 
Ainda, a situação da maioria dos presídios é marcada pela falta de infraestrutura e higiene, os maus-tratos, a atuação do crime organizado, motins e assassinatos. Para o especialista, essa realidade só faz com que o egresso volte para a sociedade pior do que entrou no sistema carcerário.
 
“O cárcere apresenta péssimas condições e faz de tudo para não reeducar as pessoas. Para se recuperar dele, é necessário muito suporte como o apoio familiar e uma nova oportunidade. Sem emprego, sem formação e sem fazer com que essa pessoa se sinta capaz, ela pode voltar a cometer os mesmos erros”, conclui.
 
A educação como ferramenta de transformação social
 
Nascido em São Paulo, Itamar Xavier de Camargo, 39 anos, não teve uma infância fácil. O menino foi criado pelos pais biológicos até os seis anos de idade. Depois disso, os pais se tornaram pessoas em situação de rua e ele foi morar com um casal de tios.
 
A partir de então, o menino passou a viver em um ambiente marcado pela violência. O tio agredia a esposa com frequência, e ela reproduzia no sobrinho essa violência.
 
Itamar morou no Jardim Rubilene, na zona sul da capital paulista, até os 13 anos de idade e depois se mudou para Parelheiros, também na zona sul. Foi nessa fase da vida que começou a se envolver com as drogas e a criminalidade.
 
“Eu acredito que a nossa identidade humana é construída através das nossas relações e acredito que a forma que fui tratado pelos meus responsáveis foi um dos fatores que podem ter me levado ao envolvimento com a criminalidade. Não estou justificando o que fiz, mas esse foi um dos fatores que me levaram a fazer a escolha errada”, diz.
 
Itamar foi preso aos 16, 18 e 22 anos. Em todas as ocasiões, o crime foi assalto à mão armada. Por conta da vida no crime, ele parou os estudos cedo, no 6° ano do Ensino Fundamental, e só voltou a estudar aos 28 anos de idade, dois anos depois que saiu da prisão pela terceira vez.
 
“A transformação na vida de um indivíduo é um processo e esse processo é constante. A partir do momento que eu passei a me dedicar aos estudos, eu percebi que as leituras que eu fiz ajudaram na construção de um novo pensamento, um novo olhar. Eu posso dizer que enxerguei uma nova forma de viver, além daquela que eu estava inserido”.
 
Em 2011, enquanto cursava pedagogia na universidade, uma professora o incentivou a criar um projeto para ajudar crianças e jovens em situação de vulnerabilidade em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, região em que mora atualmente.
 
Itamar percebeu que não teve acesso a livros quando mais jovem e que esse tipo de acesso poderia ter mudado sua vida. Reconhecendo o poder da educação, achou necessário fazer algo que permitisse que pessoas em contextos semelhantes ao dele tivessem um destino diferente.
 
A princípio, ele arrecadou cinco livros em uma campanha na universidade e as obras foram para a biblioteca da Associação Betesda. Depois disso, ele passou a montar pontos de leitura em Unidades Básicas de Saúde (UBS).
 
Atualmente, além de atuar como professor, Itamar realiza projetos de arte dentro das escolas. Fora delas, promove palestras motivacionais dentro do sistema carcerário. Através da sua fala, os prisioneiros conseguem compreender que a mudança é possível e que, para que isso ocorra, é preciso paciência e alguém que lhes estenda a mão.
 
“A importância de se preocupar com as questões do sistema carcerário se dá pelo fato de que logo que o cara cumpre a pena, vai estar de volta no convívio com a sociedade, e vai ser muito bom para toda a sociedade que ele seja reinserido como uma pessoa melhor. É importante que a gente se preocupe para que esse sistema tenha um caráter educativo e não apenas punitivo, que de fato esse tempo de prisão possa causar uma transformação na vida dessa pessoa”, conclui.
 
A importância dos direitos humanos
 
Péricles Gomes Ribeiro, 39 anos, atualmente é empresário. Em sua vida, ele já trabalhou como motorista e vendedor. Acabou se envolvendo com o contrabando de cigarros e o tráfico de drogas pelo período de oito meses e foi preso entre julho de 2016 e outubro do mesmo ano.
 
Depois disso, passou dois anos desempregado e sentiu o preconceito na pele, já que ninguém lhe ofereceu uma oportunidade na época da sua ressocialização. Um dia, em uma conversa com a sua cunhada, teve a ideia de criar ‘A Loja do Preso’.
 
A cunhada reclamava que não conseguia encontrar os itens para seu filho que estava preso e, segundo ela, “bem que podia ter um local para resolver tudo isso”. O estabelecimento, localizado no bairro de Barro Preto, Belo Horizonte (MG), contém diversos utensílios como cobertor, agasalhos, produtos de higiene, peças íntimas e até alimentos.
 
“É uma hipocrisia falar que o preso custa um gasto alto para o Estado, porque a família que tem que levar os itens para o preso. Além disso, os itens são específicos em cada cadeia. Existe uma grande burocracia e exigências que não precisavam ter, que acabam gerando um conflito entre o sistema carcerário e a família que está do lado de fora”, conta.
 
Péricles descreve a experiência do sistema carcerário como desumana. Ele acordava entre 30 homens e os mesmos só falavam de crime a maior parte do tempo. Além disso, seus direitos humanos foram violados, já que teve que comer comida azeda, tomar banhos frios e acordar, por muitas vezes, com ratos e escorpiões dentro da cela.
 
Apesar dessa situação degradante, de acordo com uma pesquisa realizada pelo Pulso Brasil para a BBC, dois em cada três brasileiros acham que ‘direitos humanos defendem mais os bandidos’, quando na realidade, os direitos humanos são voltados para todos. Além disso, quando se fala em direitos humanos para a população acusada por crimes, tudo que se defende é que essas pessoas sejam tratadas de forma digna e justa, para que paguem por seus crimes e retornem à sociedade melhores.
 
“Se não fosse pelos direitos humanos, quem daria voz para as pessoas do sistema prisional? O Estado não tem perspectiva para ajudar. Não estou pedindo um hotel cinco estrelas. Estou falando sobre dignidade”.
 
Para Péricles, a sociedade tem uma parcela de culpa sobre a situação do sistema carcerário, já que dificilmente oferece uma nova chance de reintegração.
 
Por conta disso, ele tem o sonho de abrir uma ONG chamada ‘Segunda Chance’, com o objetivo de oferecer oportunidades de emprego para ajudar os egressos do sistema penal. No momento, o empresário está procurando apoio de grandes empresas para tirar a ideia do papel.
 
“A partir do momento que uma pessoa sabe que vai estudar, trabalhar, e quando chegar em casa vai ter uma janta para comer, vai ter uma vida melhor e a desigualdade vai diminuir, tudo muda. E a sociedade como um todo melhora”, conclui.
 
Fonte: Observatório 3º Setor / Texto: Isabela Alves
Fotos: Reprodução

 
Sai ano, entra ano e os casos de ataques a patrimônios religiosos só aumentaram na Bahia. De acordo com a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi), entre 2017 e 2018 houve um aumento de 124% nos crimes de intolerância religiosa cometidos no estado. Já na série histórica dos últimos seis anos, esse crescimento chegou a 2.250%.
 
Desde que foi criado, em 2013, o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela já registrou 153 casos de intolerância, 272 de racismo e 57 ocorrências relacionadas ao tema. Do total dos registros de intolerância religiosa, 16 correspondem a ataques a terreiros.
 
Segundo a coordenadora do órgão, Nairobi Aguiar, o crescimento dos casos se deve ao aumento da intolerância na sociedade e à maior procura pelo órgão. No entanto, para ela, há indícios claros de que muitos casos não são registrados:
 
“Muita gente não registra as ocorrências porque não acredita nos órgãos da Justiça ou porque tem medo, e aqueles que procuram a delegacia, muitas vezes, registram o caso como invasão de patrimônio. Não entendem que foram vítimas de intolerância religiosa”, explica.
 
As violações a patrimônios e monumentos religiosos são consideradas casos de discriminação ou preconceito religioso, tipificados na lei 9.459, de 1997, que trata justamente dos crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. 
 
O defensor público César Ulisses da Costa, da Defensoria Especializada de Direitos Humanos, explicou que o crime viola, inclusive, a Constituição Federal, que prevê a liberdade de culto e a existência de múltiplas religiões. 
 
Ainda de acordo com o defensor, praticar o crime de intolerância religiosa gera punições penais e cíveis. A responsabilização penal fica a cargo do Ministério Público, sendo necessária a intervenção do ofendido, por meio de representação criminal. Já no caso cível, cabem ações indenizatórias.
 
Pedra de Xangô
 
Foi exatamente isso o que fez o Grupo de Trabalho Externo de Implantação do Parque em Rede da Pedra de Xangô e da Apa Municipal Vale dos Assis Valente, além de representantes das comunidades de terreiros de Salvador, após o ataque ao monumento religioso na última semana de dezembro.
 
 
A Pedra de Xangô, localizada no bairro de Cajazeiras, foi alvo de ato de vandalismo, quando foram despejados mais de 100 quilos de sal sobre o patrimônio, no dia 29. O ataque foi notqado no sábado e, após uma limpeza com auxílio da Limpurb, outro ataque, com uma quantidade bem menor de sal, voltou a acontecer no primeiro dia de 2019.
 
No dia 2 foi protocolada uma petição junto ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), com pedido de providências acerca do crime.
 
De acordo com a promotora de Justiça do MP-BA, Lívia Vaz, o órgão estadual “já tomou conhecimento do ato e irá instaurar procedimento para a apuração" e tem como propósito "ações concretas por parte do poder público municipal para a proteção de tão importante patrimônio cultural e sagrado”.
 
Ainda segundo ela, trata-se de “crime contra o sentimento religioso, tipificado no artigo 208 do Código Penal Brasileiro, por ter havido vilipêndio público a ato ou objeto de culto religioso, tendo pena de detenção de um mês a um ano ou multa”. 
 
A promotora Lívia Vaz relembrou a luta do povo de santo para tornar a Pedra de Xangô um monumento tombado, o que ocorreu em 2015, e reconhecido como patrimônio cultural pelo município de Salvador, o que ocorreu no ano passado.
 
“É por isso mesmo que o monumento merece ainda mais salvaguarda por meio de políticas públicas que garantam a proteção do patrimônio”, declarou.
 
Nesta quarta-feira (2) foi protocolada uma petição junto ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), com pedido de providências acerca do crime.
 
De acordo com a promotora de Justiça do MP-BA, Lívia Vaz, o órgão estadual “já tomou conhecimento do ato e irá instaurar procedimento para a apuração" e tem como propósito "ações concretas por parte do poder público municipal para a proteção de tão importante patrimônio cultural e sagrado”.
 
Ainda segundo ela, trata-se de “crime contra o sentimento religioso, tipificado no artigo 208 do Código Penal Brasileiro, por ter havido vilipêndio público a ato ou objeto de culto religioso, tendo pena de detenção de um mês a um ano ou multa”. 
 
A promotora Lívia Vaz relembrou a luta do povo de santo para tornar a Pedra de Xangô um monumento tombado, o que ocorreu em 2015, e reconhecido como patrimônio cultural pelo município de Salvador, o que ocorreu no ano passado.
 
“É por isso mesmo que o monumento merece ainda mais salvaguarda por meio de políticas públicas que garantam a proteção do patrimônio”, declarou.
 
Crimes
 
Na petição protocolada nno Ministério Público foi pedido que, além de crime de intolerância religiosa, o ataque com sal à Pedra de Xangô seja considerado, também, um crime ambiental.
 
“Além do ato de vandalismo, considerado um crime de agressão a um patrimônio público, houve também um crime ambiental, já que o sal agride o solo e o lençol freático, impedindo que as espécies nasçam (...) A extensão da APA Municipal Vale do Assis Valente e o entorno do patrimônio cultural Pedra de Xangô continuam a sofrer intervenções antrópicas que ameaçam a integridade física”, diz trecho do documento.
 
A promotora Lívia Vaz afirmou que ainda vai ser levada em consideração na análise da representação o fato de “a Pedra de Xangô ficar situada na área do antigo Quilombo Buraco do Tatu”, tendo, por isso, se tornado “uma grande referência para as religiões de matrizes africanas ao longo do tempo”. 
 
De acordo com a Sepromi, não são apenas os crimes de intolerância religiosa que preocupam a população baiana. Os registros da secretaria mostram que, entre 2013 e 2018, foram registrados 480 crimes contra liberdades - o que inclui racismo, intolerância religiosa e outros correlatos. 
 
Na série histórica dos últimos seis anos, os números cresceram 907%, com 14 denúncias em 2013 contra 141 em 2018. Segundo a pasta, sobre o ataque à Pedra de Xangô, “o Centro de Referência de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa Nelson Mandela não foi acionado diretamente sobre o caso”.
 
No entanto, por meio de nota, o equipamento afirmou que “oferece, inclusive, serviço de orientação jurídica e acompanhamento, assim como ocorreu em episódios anteriores”. A Sepromi também repudiou “a prática de intolerância contra o monumento, que é considerado sagrado pelas religiões de matriz africana”.
 
A agressão à Pedra de Xangô foi recebida com tristeza e indignação por parte do povo de santo.
 
"Nós fazemos um apelo para que a população respeite esse que é um patrimônio sagrado. Não vamos descansar enquanto houver essa intolerância e desumanidade. Esta é uma área deixada por nossos ancestrais para o culto aos orixás", disse Baroci, do Ilê Axé Odé Ati Ya Rê.
 
Maria Alice Pereira da Silva, advogada responsável pela petição entregue ao Ministério Público da Bahia e uma das idealizadoras do portal oficial do monumento religioso, afirmou que, além do risco da repetição de atos de vandalismo como esse, há também o risco de invasões, como já acontece no entorno do monumento.
 
"Infelizmente, esta não é a primeira vez que esse tipo de crime é cometido contra a Pedra de Xangô. Em 8 de novembro de 2014, eles utilizaram a mesma prática. Na época, a Pedra ficou imersa em cerca de 200 kg de sal de cozinha e vários sacos plásticos em sua volta, da mesma forma que agora", lamentou Maria Alice.
 
Segurança
 
Um dos pedidos feitos ao MP-BA e que vai ser alvo do procedimento é a instalação de câmeras de segurança no entorno da Pedra de Xangô, bem como a intensificação de policiamento no local.
 
Procurada pelo CORREIO, a Polícia Militar da Bahia afirmou em nota que as rondas serão intensificadas na região. “O policiamento ostensivo é realizado diuturnamente pela 3ª CIPM, através de rondas com viaturas. As equipes realizam blitz e abordagens preventivas. As ações policiais contam com o reforço de guarnições da Companhia Independente Tático (CIPT) Rondesp Central e do Pelotão de Emprego Tático Operacional (Peto) da unidade”, declarou.
 
Existe, ainda, um projeto da Prefeitura de Salvador para transformar a área da Pedra de Xangô no primeiro parque em rede da América Latina. Desta forma, o prefeito ACM Neto afirmou que o projeto leva “ocupação, leva as pessoas para dentro, leva alternativa inclusive de lazer da região e é (dessa forma), óbvio, que nós estimamos que os problemas de violência venham a reduzir”.
 
O documento protocolado nesta quarta-feira junto ao MP-BA deve ser analisado a partir do dia 8 de janeiro, primeiro dia útil após o recesso forense do órgão. A petição será remetida ao Núcleo de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Nudephac).
 
Fotos: Reprodução / Marina Silva e Mauro Akin Nassor

 
O número de denúncias de violência contra mulheres aumentou quase 30% no ano passado. E a primeira semana de 2019 mostra um quadro assustador.
 
Solange Gomes, de 36 anos, morreu na madrugada desta terça-feira (8). Ela estava internada em Tangará da Serra, Mato Grosso, ferida no pescoço pelo marido com um canivete, na noite de Natal.
 
No Distrito Federal, a primeira vítima de feminicídio do ano foi Vanilma Martins dos Santos, de 30 anos, esfaqueada pelo homem com quem viveu por uma década. No fim de semana, Thiago de Souza Joaquim, de 33 anos, chegou em casa bêbado, discutiu e agrediu a mulher. A deixou ferida no hospital, fugiu, mas acabou sendo preso.
 
Perto de Indaiatuba, interior de São Paulo, depois de uma denúncia, a polícia encontrou, na beira de uma rodovia, Edivaldo da Silva, o homem que matou com 20 facadas a ex-mulher com quem teve quatro filhos. Ele disse à polícia que estava bêbado e agiu por ciúme.
 
São apenas algumas histórias de uma rotina de violência pelo Brasil.
 
As denúncias de agressão dispararam. Em 2018, foram mais de 92 mil ligações para a Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência - o Disque 180.
 
O balanço publicado pelo jornal “Correio Braziliense” mostrou também que só, em dezembro, 391 mulheres foram agredidas por dia e foram registradas 974 tentativas de feminicídio - um aumento de 78% em relação ao mesmo período do ano passado.
 
A covardia contra a mulher pode ser ainda maior porque muitas nem chegam a denunciar os companheiros ou ex-companheiros. Em muitos casos, o femincídio não pode sequer ser considerado uma surpresa: a cada dez mulheres mortas, três já tinham sido agredidas antes. A informação foi publicada nesta terça-feira (9) no jornal “O Estado de S.Paulo”.
 
O estudo do Ministério da Saúde cruzou os registros de mortes com os de atendimentos na rede pública entre 2011 e 2016 e revelou que, em seis anos, 6.393 mulheres morreram, apesar de já terem procurado ajuda em outras ocasiões.
 
"A Lei do Feminicídio, que é de 2015, é um grande avanço, grande conquista do movimento de mulheres e é instrumento muito importante para enfrentar a questão da violência contra a mulher. Agora, a lei por si só não muda condutas. A educação é o instrumento mais transformador que a gente tem pra mudar essa realidade. Um adolescente de 17 anos não pode achar que ele pode matar a namorada de 14 porque ela o contrariou", afirma Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
 
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, menos de 10% das cidades do país têm delegacias especializadas no atendimento a mulheres.
 
Como no Recanto das Emas, cidade a 30 quilômetros de Brasília, onde uma mulher se escondeu numa mata com o filho para fugir do marido. Ao ser encontrada pela polícia, disse que estava com medo de ser morta pelo companheiro. O agressor, de 51 anos vai responder por ameaça e lesão corporal.
 
Imagem: Reprodução

 
Entre as muitas ferramentas que a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio da Edições CNBB, disponibiliza para que cristãos melhor se preparem para a Campanha da Fraternidade 2019 está o curso “Campanha da Fraternidade 2019”. O roteiro pedagógico é organizado em três aulas que seguem os três momentos contemplados pelo método utilizado pela Igreja no Brasil: ver, julgar e agir.
 
O primeiro vídeo dedica-se ao “ver”. Nesta parte, padre Paulo Renato, assessor político da CNBB, retoma o conceito de políticas públicas, expresso no texto base. “São ações e programas que são desenvolvidas pelo Estado para garantir e colocar em prática direitos que são previstos na Constituição Federal e em outras leis”.
 
Além de explicar o que são políticas públicas, padre Paulo Renato faz uma distinção entre “Estado”, composto pelos poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, e “governo”, autoridade que faz a gestão do Estado em determinado período. Da diferenciação acima, padre Paulo Renato também pontuou que existem “políticas públicas” de Estado e políticas de governo.
 
O assessor político da CNBB, nesta primeira aula, explica também o ciclo das políticas públicas, que vai da identificação do problema, passa por sua entrada na agenda pública e formulação da política pública propriamente dita com sua implementação e avaliação. O padre também fez distinções entre a democracia representativa e participativa, previstas na Constituição Federal. O religioso chama a atenção para a importância da participação em conselhos e outros espaços de gestão democrática previstas no processo das políticas públicas.
 
Direito e Justiça
 
Na segunda aula do curso, que corresponde ao momento do “julgar”, padre Paulo Renato começa falando da inspiração bíblica da CF 2019 extraída do livro de Isaías capítulo 1, versículo 27: “Será libertado pelo direito e pela Justiça”. “Ao olhar para a realidade é difícil acreditar na justiça e no direito, mas o cristão se inspira em Jesus e em seus sinais de vida para superar as dificuldades”, disse.
 
O padre Paulo Renato explica também como a Doutrina Social da Igreja Católica, fruto de séculos de reflexão e sistematização do magistério da Igreja, pode ajudar a iluminar o papel dos cristãos no campo das políticas públicas.
 
Ações concretas
 
Na última aula, o padre Paulo Renato fala das pistas de ação incentivadas pelo texto base. A primeira delas é a indissociável separação entre fé e vida. “A fé precisa se manifestar em ações concretas”, disse. O texto base, explica o religioso, incentiva a participação na vida da Igreja e na sociedade. Um ponto que destacou do texto base é o “humanismo solidário”. Tudo isto, reflete o padre, busca levar à construção do “bem comum”.
 
O curso é gratuito. Para ter acesso, basta acessar o blog da Edições CNBB (https://edicoescnbb.blog) e abrir a aba “Materiais” onde será possível preencher um pequeno cadastro e acessar o material.
 
Se precisar de mais informações, clique aqui.
 
Com informações da CNBB
Imagem: Reprodução

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