Iêmen, Síria, Iraque, Ucrânia: hoje, 90% das vítimas de guerra são civis. O número não passava de 40% durante a Primeira Guerra mundial segundo a ONG Handicap Internacional.
 
Aproveitando o Fórum sobre a paz que acontece simultaneamente com as comemorações do Centenário da I Guerra Mundial (1914-1918), a organização, apoiada por 90 deputados, chama a atenção do presidente francês Emmanuel Macron.
 
A França faz parte da coalizão internacional que bombardeia zonas povoadas controladas pelo grupo Estado Islâmico na Síria e no Iraque. Na quarta-feira (7), deputados se reuniram na frente da Assembleia Nacional em Paris para pedir que o governo emita uma posição concreta sobre o assunto.
 
“Hoje, queremos de fato, transmitir uma mensagem aos chefes de Estado e de governo que discursarão durante o Fórum sobre a paz para lhes dizer que atualmente, o barulho das armas não pode ser mais a única solução nos conflitos atuais”, afirmou Baptiste Chapuis, membro da ONG Handicap Internacional, encarregado da pasta sobre o assunto. “Como membro permanente do conselho de segurança da ONU, a França tem um papel crucial sobre o tema”, completou Chapuis.
 
Parlamentares franceses querem convencer Macron
 
“É importante que nós, parlamentares, sensibilizemos o governo francês para que nosso país se junte ao movimento conduzido hoje por uma dúzia de países no mundo, para que haja uma declaração política internacional contra esse tipo de bombardeio em áreas civis. Com 90% de civis alvejados, já não se pode mais falar em ‘danos colaterais’ neste caso”, disse o deputado Hubert Julien-Laferrière.
 
Sem conseguir atingir alvos de forma precisa, os bombardeios matam e mutilam sem distinguir combatentes e civis. Algumas bombas que não explodem acabam embaixo de escombros e se tornam mais um perigo para a população. “Será necessário décadas, provavelmente 30 a 50 anos para descontaminar o território sírio e iraquiano”, afirmou Chapuis.
 
Só no Iêmen, 5 mil crianças perderam a vida
 
Em Mossul, segunda maior cidade do Iraque, mais de 2 mil bombardeios aéreos aconteceram entre outubro de 2016 e setembro de 2017. Mais de 3 mil civis foram mortos nestas ações realizadas pelo exército iraquiano e a coalizão internacional, segundo uma investigação da Associated Press divulgada no fim de 2017.
 
No Iêmen, mais de 16 mil bombardeios alvejaram o país desde 2015, deixando outras milhares de vítimas inocentes nas zonas povoadas. Desde o começo do conflito, 5 mil crianças perderam a vida.
 
Segundo a Handicap Internacional, 500 mil franceses já assinaram uma petição lançada pela organização contra esse tipo de ação militar.
 
Com informações da RFI
Foto: Stringer/AFP

 
 
A ciência da religião e noções de direito constitucional poderiam ser ensinados desde o ensino médio, para promover o respeito à diversidade religiosa do país. A proposta foi feita por educadores e religiosos durante audiência da Comissão de Direitos Humanos sobre o Estado laico.
 
Na abertura da reunião, o presidente da Comissão, deputado Luiz Couto (PT-PB), que também é padre, lembrou que é papel do Estado garantir a liberdade de crença prevista no artigo quinto da Constituição Federal.
 
“A democracia não convive com religião oficial, essa prática ficou no passado, nas monarquias e nos despotismos da idade média, não tem lugar nas sociedades democráticas contemporâneas. Daí que um compromisso das instituições republicanas e de cada um de nós é respeitar e promover a liberdade para as diferentes confissões religiosas”, disse.
 
O antropólogo e líder da Igreja Céu do Planalto, Fernando de La Rocque, lembrou que o Estado brasileiro é laico há 128 anos, mas que estão sendo discutidos projetos de lei que ferem esse princípio.
 
“Constantemente temos que lembrar ao Estado que ele é laico e isso traz grande preocupação. Isso se reflete em inúmeros dispositivos e projetos de lei que buscam reinventar o que já está bem explícito na carta magna. Propostas que buscam restringir o direito de todos, com especificações desnecessárias que, ao contrário de apresentar um posicionamento democrático, no sentido de ampliação dos direitos, seguem um caminho de nomear uma visão específica como modelo de ideias tão diversas como família, religião e cultura”, disse.
 
Presídios
 
O sacerdote de matriz africana Pai Francisco Ngunzentala deu o exemplo do sistema prisional como uma área onde, na prática, existe diferenciação, pelo Estado, entre as religiões. Apesar da maioria da população carcerária ser de pessoas negras, as religiões de matriz africana não conseguem autorização para participar do serviço de capelania, que oferece cultos religiosos nos presídios.
 
A secretária-executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, pastora Romi Márcia Bencke, lembrou de diversos episódios de intolerância religiosa nos últimos anos e da influência religiosa nas eleições.
 
“Novamente Deus tem sido um ator importante no cenário político. Seu nome foi disputado por todas as correntes políticas; nas igrejas foi possível observar as mesmas tensões e polarizações presentes na sociedade, irmãos brigando com irmãos. Fé e violência são incompatíveis. Não há como professar, no caso de cristãos e cristãs, a fé em Jesus Cristo e, ao mesmo tempo, destruir o sagrado do outro”, observou.
 
Ensino médio
 
Ao final, o professor Fernando de La Rocque sugeriu que sejam ensinadas noções de direito constitucional no ensino médio. Já a pastora Waldicéia de Moraes Teixeira da Silva, presidente da Aliança de Negras e Negros Evangélicos do Brasil, que também é professora aposentada, propôs que as escolas não tenham aula de uma religião, mas de ciência da religião, de forma ampla, para combater a intolerância religiosa.
 
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, deputado Luiz Couto, informou que esse debate sobre a laicidade do Estado deve continuar até o final do ano.
 
Com informações da Agência Câmara Notícias
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

 
 
A partir do dia 18 de novembro, cariocas que passarem pelo Centro da cidade vão poder ver uma representação artística de Jesus Cristo diferente da imagem tradicional do filho de Deus para os cristãos. A escultura, doada por um artista canadense, representa o "Jesus sem-teto" deitado em um banco de praça com um cobertor fino sobre o corpo.
 
Em alusão aos mais de 4,6 mil pessoas em situação de rua da capital fluminense, a imagem em tamanho real lembrará o Dia Mundial dos Pobres.
 
A escultura, obra do artista canadense Timothy Schmalz, foi um presente à Arquidiocese do Rio de Janeiro. A vinda da imagem foi intermediada pela Embaixada do Brasil junto à Santa Sé e a Ordem do Santo Sepulcro.
 
Aos visitantes, a estátua vai ficar exposta na praça em frente à Catedral de São Sebastião do Rio de Janeiro, do lado esquerdo, para quem olha da Catedral para a Avenida Chile.
 
A imagem carrega forte simbolismo, na visão do pároco da Catedral, Padre Cláudio Santos, que defende que a obra exemplifica a necessidade de uma sociedade que compartilhe mais gestos de solidariedade.
 
"Sem duvida, a escultura nos faz olhar quem vive nas ruas de nossa cidade como irmãos e irmãs, como pede o Papa Francisco que nós vejamos Cristo na figura do pobre que vive nas ruas, que tanto sofre no mundo. Devemos perceber que nossa felicidade só será plena se o outro também for feliz. A imagem de Jesus sem-teto revela aquele que se fez pobre, sofreu e deu sua vida para salvação de todos", frisou o pároco.
 
Fonte: G1
Foto: Divulgação/ Carlos Moioli

 
 
A partir desta segunda-feira, 12, o Brasil passa a integrar oficialmente o grupo de 99 países comprometidos com o TCA (Tratado sobre Comércio de Armas). O instrumento estabelece padrões mínimos para transferências internacionais de armas convencionais e munições. O objetivo é coibir a utilização desses armamentos para prática de crimes transnacionais e de graves violações de direitos humanos.
 
Apesar de ter sido um dos primeiros países a assinar o Tratado em 2013, o processo de ratificação e adesão do Brasil foi concluído apenas hoje, 12/11. O país é o terceiro maior exportador de armas leves do mundo – categoria que inclui pistolas, revólveres, fuzis e metralhadoras – mas ainda não possui uma legislação transparente que regule o comércio internacional desses itens.
 
Um dos princípios norteadores do TCA é que os membros do acordo não podem exportar armas para Estados violadores de direitos humanos e que devem implementar medidas de transparência na regulamentação e venda internacional de armas, como a apresentação anual de um relatório sobre transferência de armamentos.
 
“A expectativa é que a incorporação do Brasil no TCA provoque uma mudança de política interna. Hoje, estamos sob uma legislação que trata o comércio internacional de armas como um tópico que mistura segurança nacional e caráter estritamente comercial, no qual a transparência fica em segundo plano”, explica Jefferson Nascimento, assessor do programa de Desenvolvimento e Direitos Socioambientais da Conectas. “Com os compromissos do TCA, o Brasil terá de rever essa legislação e também deve interromper práticas como a venda de armas e munições para a Arábia Saudita, que notadamente viola direitos humanos na guerra do Iêmen, utilizando munição brasileira”, conclui.
 
Fonte: Conectas
Foto: Reprodução

 
 
Após uma semana de visita in loco no Brasil para averiguar a situação dos direitos humanos no país, a comitiva da CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) divulgou, nesta segunda-feira, 12, um relatório com observações preliminares. A avaliação da Comissão levou em conta diversas temáticas, da violência no campo à perpetuação do trabalho escravo, da migração aos defensores de direitos humanos, das pessoas privadas de liberdade ao combate ao discurso de ódio.
 
A Comissão realizou uma série de reuniões com movimentos sociais, poder público e sociedade civil para obter um diagnóstico de violações de direitos em oito Estados brasileiros (BA, SP, RJ, MG, PA, MA, RR e MS), além do Distrito Federal. A percepção inicial é de que houve uma retração na garantia de direitos nas mais diversas áreas. A partir dessa análise, a CIDH elaborou 71 recomendações ao Brasil, que também serão incluídas no relatório final, ainda sem previsão de lançamento.
 
 
Há 25 anos a CIDH não realizava uma visita ao Brasil com tamanho grau de complexidade. Para a inspeção deste ano, foram destacadas seis delegações com a participação de diversos comissionados, sob a liderança da Presidenta Margarette May Macaulay. “A visita da CIDH acontece em um momento importante para a garantia dos direitos humanos no Brasil. A análise sobre as violações e as recomendações que serão enviadas pela Comissão em seu relatório final, a partir de informações coletadas no terreno, servirão como instrumentos norteadores para o fortalecimento de políticas públicas de defesa de direitos”, comenta Jefferson Nascimento, assessor do programa de Desenvolvimento e Direitos Socioambientais da Conectas.
 
“Além disso, como órgão principal na promoção e defesa de direitos humanos nas Américas, a CIDH tem o importante papel de monitorar a efetivação dos compromissos internacionais assumidos pelos países da região nessa temática, acompanhando casos de violações graves e sistemáticas dessas garantias, que afetam de forma mais intensa grupos vulneráveis da sociedade”, complementa Jefferson.
 
Confira abaixo algumas das recomendações apresentadas pela CIDH:
 
  • Fortalecimento estrutural e orçamentário do Programa de Proteção aos Defensores dos Direitos Humanos, garantindo a implementação de medidas efetivas e eficazes de proteção;
  • Garantir que os povos afrodescendentes tradicionais quilombolas, povos indígenas, camponesas e camponeses; possam usar e desfrutar de seus territórios historicamente ocupados, implicando o seu reconhecimento, titulação, delimitação e demarcação por meio de procedimentos especiais e com a participação de tais grupos;
  • Assegurar a reparação adequada, rápida e abrangente para todas as vítimas de violência policial e seus familiares, incluindo apoio financeiro, assistência médica e psicológica, bem como medidas que evitem a sua revitimização;
  • Fortalecer a política pública de erradicação de trabalho escravo, oferecendo condições materiais para as operações do Grupo Móvel de Fiscalização e proporcionando a publicação periódica do cadastro de empregadores flagrados por exploração de mão de obra escrava (“lista suja”);
  • Adotar as medidas judiciais, legislativas, administrativas e outras necessárias para reduzir a superlotação e aplicar a prisão preventiva de acordo com os princípios de excepcionalidade, legalidade, proporcionalidade e necessidade;
  • Promover a aplicação de medidas alternativas à privação de liberdade, incorporando uma perspectiva de gênero e abordagens diferenciadas;
  • Criar uma política sobre drogas com uma abordagem integral e de reinserção social, para que o tratamento de pessoas que tenham sido presas por uso ou posse de drogas, ou que tenham cometido crimes menores devido ao seu uso problemático ou dependente, não seja feita a partir de uma perspectiva repressiva e criminalizadora, mas por uma abordagem de saúde pública;
  • Garantir o reconhecimento do status de refugiado às pessoas venezuelanas com um temor fundado de perseguição em caso de retorno à Venezuela, ou que considerem que sua vida, integridade ou liberdade pessoal seria ameaçada devido ao fundado temor de perseguição baseada em raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, bem como à situação de violência, a grave e generalizada violação dos direitos humanos e graves perturbações da ordem pública;
  • Desenvolver um sistema de segurança pública eficiente, avançando de forma prioritária a redução das altas taxas de homicídios e crimes violentos no país, e programas de prevenção da violência;
  • Fortalecer os mecanismos de controle formal (Corregedorias, Ouvidorias e Inspeções), com capacidade para conduzir processos de correção transparentes, de forma autônoma e para combater abusos ou desvios de poder;
  • Abster-se de adotar políticas, medidas e sancionar normas jurídicas que resultem em regressividade dos DESCA.
 
Fonte: Conectas
Foto: Reprodução

 
 
No dia 12 de novembro de 2018, a Cáritas Brasileira completa 62 anos de sua fundação. Na ocasião, atendendo ao apelo do papa Francisco, estará em curso a Jornada Mundial dos Pobres – Semana da Solidariedade. Com essas motivações a entidade entrega o V Prêmio Odair Firmino de Solidariedade, que traz como tema: A cultura da paz para a superação da violência, em consonância com a Campanha da Fraternidade 2018, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). 
 
O Prêmio visa estimular as ações de pastorais, organizações sociais, associações, cooperativas, grupos e comunidades que atuam no fortalecimento da solidariedade e da esperança na construção da cultura da paz.
 
SERVIÇO
 
O quê: Entrega do V Prêmio Odair Firmino de Solidariedade
Quando: Dia 12 de novembro de 2018
Horário: 15h
Onde: Auditório da CNBB - SGAN 905 Bloco C - Asa Norte, Brasília – DF 
Quem: Representantes dos três Projetos premiados, Secretário-Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, Diretora de Incidência Política da Cáritas Internacional, Martina Liebsch, Diretor-Executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Cláudio Lopes da Silva e a Militante do Movimento Negro, Pedagoga e Educadora Popular, que integra Movimento Nossa Brasília, Dyarley Viana.
 
Fonte: Cáritas
Imagem: Reprodução (com adaptação na cor de fundo)

 
 
O Papa Francisco recebeu, nesta sexta-feira (09/11), no Vaticano, o Patriarca Catholicos da Igreja Assíria do Oriente, Gewargis III, acompanhado por membros da Comissão mista para o diálogo teológico entre Igreja Católica e Igreja Assíria do Oriente.
 
Após o encontro, o Papa e o Patriarca rezaram juntos na Capela Redemptoris Mater da Residência Apostólica e depois assinaram uma declaração conjunta.
 
“Em nosso caminho rumo à unidade visível, vivemos o sofrimento comum, proveniente da situação dramática de nossos irmãos e irmãs no Oriente Médio, especialmente no Iraque e na Síria”, lê-se no texto.
 
Oriente Médio
 
“O Oriente Médio tornou-se, há décadas, um centro de violência”, um lugar em que “milhares de homens, mulheres e crianças inocentes sofrem imensamente por causa de conflitos violentos sem justificação. Guerras e perseguições aumentaram o êxodo de cristãos de suas terras, onde viverem lado a lado com outras comunidades religiosas desde os tempos dos apóstolos. Sem distinção de rito ou confissão, eles sofrem por causa de sua profissão de fé em Cristo”.
 
“Somos gratos a esses nossos irmãos e irmãs”, lê-se ainda na declaração, cujos cristãos perseguidos no Oriente Médio são considerados “mártires do nosso tempo”.
 
“Diante dessa situação, estamos juntos com os nossos irmãos e irmãs perseguidos para ser voz de quem não tem voz. Juntos, faremos de tudo para aliviar os seus sofrimentos e ajudá-los a encontrar maneiras para iniciar uma nova vida”, afirmam os signatários.
 
Escuta recíproca e diálogo
 
“Queremos afirmar mais uma vez que é impossível imaginar o Oriente Médio sem cristãos. Esta convicção se fundamenta não apenas em motivações religiosas, mas também na realidade social e cultural, visto que os cristãos e outros fiéis dão uma contribuição para a identidade específica da região: um lugar de tolerância, respeito mútuo e aceitação.  O Oriente Médio sem os cristãos não seria mais Oriente Médio”, afirma ainda o texto.
 
“Muros e jogos de poder não levarão à paz, pois a paz verdadeira pode ser alcançada e preservada somente através da escuta recíproca e do diálogo.”
 
A seguir, o Papa e o Patriarca Gewargis III fazem um apelo à Comunidade internacional a fim de “promover soluções políticas que reconheçam os direitos e deveres de todas as partes envolvidas”, partindo da “necessidade de garantir os direitos de cada pessoa”.
 
Diálogo inter-religioso é necessário
 
“A primazia da lei, que inclui o respeito pela liberdade religiosa e pela igualdade, baseada no princípio da ‘cidadania’, independentemente da origem étnica ou religiosa, é um princípio fundamental para a instauração e preservação de uma convivência estável e produtiva entre povos e comunidades do Oriente Médio”.
 
“Os cristãos não querem ser considerados uma ‘minoria protegida’ ou um grupo tolerado, mas cidadãos plenos cujos direitos devem ser garantidos e defendidos, junto com os dos outros cidadãos”. Nesse contexto, torna-se necessário o diálogo inter-religioso, “melhor antídoto contra o extremismo”, conclui a declaração.
 
Fonte: Vatican News
Foto: Reprodução

 
 
O Brasil enfrenta uma grave crise política, social, econômica e ambiental, caracterizada pela ameaça real ao Estado Democrático de Direito, que se revela na ameaça às liberdades civis, no ataque aos direitos humanos e a demais garantias fundamentais presentes na Constituição Federal. 
 
O processo eleitoral ocorreu em cenários de violência política, comparado às ondas fascistas, de tempos passados. Símbolos da suástica apareceram em diferentes lugares públicos, em especial universidades, espaços onde circulam LGBTI+, igrejas. 
 
A instrumentalização entre religião e política foi outra característica deste processo eleitoral. Bispos, pastores, padres têm colocado sua influência religiosa para apoiar projetos políticos claramente contrários aos direitos humanos, uma vez que reforçam a liberação do porte de armas para a população civil, defendem a o patriarcado, negam os direitos às mulheres e LGBTI+. Além da crise de instituições como Supremo Tribunal Federal, Minsitério Público Federal, experimentamos uma crise das instituições eclesiásticas.  Como ocorreu em outros países, em especial Inglaterra e EUA, no Brasil as fake news inundaram o processo eleitoral. 
 
O resultado eleitoral autoriza o crescimento de posições fascistas. A democracia está em risco.
 
O atual contexto se caracteriza pelo aumento da intolerância, do racismo e da violência. Há um crescimento da violência de gênero e um retrocesso na justiça de gênero (são 12 mulheres assassinadas por dia). As violações de direitos humanos contra a população negra é uma prática sistemática, os dados do homicídio da juventude negra revelam o poder de extermínio do racismo brasileiro: 63 mortes de jovens negros por dia. Quanto aos indígenas, são assassinados mais de 100 por ano e cerca de 800 morrem por desnutrição e doenças (10% crianças menores de 5 anos) por ano e já são mais de 100 suicídios de indígenas por ano.
 
Em um país que não reconhece o valor da diversidade religiosa, não surpreende a atual perseguição às espiritualidades afro-brasileira e indígena. Ambas sofrendo vários tipos de ameaça e pressão. Tais pressões revelam o vínculo entre interesses financeiros de grupos ligados à mineração, agronegócio e mercado imobiliário, uma vez que, uma forma de desterritorialização de tradições indígenas, por exemplo, é justamente atacar ou eliminar sua religião, que oferece a cosmovisão e o sentido de vida a estes povos.  
 
Destaca-se o aumento dos crimes contra defensores de direitos humanos, com prisões arbitrárias, criminalização e assassinatos: segundo a Comissão Interamericana, ligada à Organização dos Estados Americanos (OEA), três a cada quatro assassinatos de defensores de direitos humanos no mundo aconteceram na América Latina, concentrados no Brasil e na Colômbia, sendo em média, um assassinato a cada cinco dias no Brasil. 
 
No dia 15 de outubro de 2018 foi publicado o Decreto 9.527 que cria a Força-tarefa de Inteligência para o enfrentamento do crime organizado. Sem esclarecer o que se compreende como crime organizado, organizações de Direitos Humanos e movimentos sociais identificam este Decreto como um meio de criminalização e perseguição contra organizações sociais que atuam em favor da justiça socioambiental, direitos humanos e organização popular. 
 
Nós, Organizações Baseadas na Fé, nos vemos diante de um imperativo ético e profético.
 
Nossa fé é política na medida em que assume a responsabilidade cristã que vem do Batismo. É esta fé que nos compromete incondicionalmente com a dignidade humana, com o cuidado dos bens comuns, com a cultura da paz e da não violência, com a promoção dos direitos humanos e da justiça, expressos claramente no Evangelho, em especial, nas Bem-aventuranças (Mt 5.1-12), e nas práticas de misericórdia (Mt 25.35-45). 
 
Portanto, denunciamos:
 
O fascismo e as suas ameaças à democracia;
 
As perseguições à espiritualidade afro-brasileira e indígena, e afirmamos a importância do enfrentamento às intolerâncias religiosas;
 
A violência de gênero;
 
A criminalização e assassinatos das Defensoras e Defensores dos Direitos Humanos, Civis, Políticos, Econômicos, Sociais, Culturais e Ambientais (DHESC-A) em movimentos sociais, em redes e em organizações de ativismo e solidariedade social.
 
E chamamos à ação:
 
Os governos e organizações internacionais, para denunciarem essa situação e atuarem para a proteção e a garantia da segurança daqueles e daquelas que lutam pela causa da justiça e da paz, defensores e defensoras dos DHESC-A;
 
A solidariedade internacional em seus diversos organismos de diaconia, de ajuda e de financiamentos multilaterais e dos Estados, de modo a garantir um processo econômico com modelos inclusivos, de respeito à autogestão, autorregulação e participação dos povos tradicionais, das minorias e de todas as pessoas e comunidades excluídas do mercado de trabalho e de produtos, e a garantir o uso das riquezas do país para a redução das desigualdades socioeconômicas, para não deixar ninguém para trás, conforme os compromissos da Aliança ACT em seu documento sobre Desenvolvimento Transformador;
 
As instâncias de advocacy multilaterais à defesa do Estado Democrático de Direitos, que proteja, garanta e promova a realização permanente dos DHESC-A, e que invista em todos os mecanismos possíveis de redução das desigualdades e garantia da justiça de gênero, em colaboração com todos os membros da nossa Aliança e outros fóruns de ACT, bem como outros fóruns e redes de defesa dos direitos humanos, bem como com a comunidade ecumênica global; 
 
Todas as iniciativas inter-religiosas que valorizam a importância da democracia direta, participativa e ampla, para difundirem a importância do Estado Laico, que deve zelar pela livre manifestação de todas as religiões e que deve pautar as políticas públicas a partir dos direitos civis e constitucionais, sem estar baseado em uma religião específica.
 
* A Aliança ACT reúne 145 igrejas e organizações vinculadas a igrejas, atuando em mais de 140 países com atividades diversas, incluindo ajuda humanitária, desenvolvimento e incidência. 

 
 
Um projeto social mantido pela Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA) no Sol Nascente, em Ceilândia, área carente do Distrito Federal, atende cerca de 400 crianças todo final de semana e pretende tirá-las das ruas. No local, elas podem jogar futebol e aproveitar a natureza. 
 
O principal atrativo são os minianimais. Há vacas, bois, cavalos, pôneis e até lhama em miniatura. A fila para aprender a tirar leite das vacas "Rainha" e "Mimisa" é grande. Há também aves, que chamam a atenção dos pequenos.
 
Para a Hellen de Lima, de 10 anos, o lugar nem parece ser perto de uma capital. "Aqui é como se fosse um interior, como se a gente tivesse um pedacinho do interior aqui." Isac Dias, de 6 anos, gosta de andar a cavalo. "Eu ando de cavalo todo dia e também tiro leite da vaca."
 
O contato com os bichos ajuda no desenvolvimento das crianças, principalmente das com alguma deficiência, como o Erivelto Freire. Antes de ir ao projeto, ele quase não interagia, porém agora conversa bastante.
 
 
O menino e outras 11 crianças com algum tipo de necessidade recebem também aulas de reforço escolar e participam de oficinas especiais. A irmã de Erivelto, Janaína Freire, de 14 anos, melhorou o rendimento no colégio. "Eu faço o dever, eu pinto e lancho."
 
Enquanto as crianças se divertem, as mães têm a opção de fazer crochê e tricô. A dona de casa Maria Francisca da Silva quer ganhar uma renda a mais com os produtos. "Nós pensamos em vender e ganhar nosso dinheirinho a mais."
 
O projeto, que começou há seis anos, é realizado com base em trabalho voluntário e sustentado por doações. Para o padre Emanuel Dias, ele se tornou um refúgio entre os problemas da região. "O maior sinal que a gente vê aqui nas crianças é a alegria, é o sorriso no rosto. A gente dá a base para a criança, a gente dá a assistência social. Fazemos o projeto social voltado para as crianças, para priorizar o futuro delas. Através da base na infância, se livram das drogas e da criminalidade."
 
E aí, ficou interessado no projeto? Então acesse: www.facebook.com/chacaradagruta
Se preferir, clique aqui e veja a reportagem feita pela Globo local.
 
Com informações do G1
Foto: ISOA

 
Nos dias chuvosos, os impactos do maior desastre ambiental do Brasil voltam à tona em Mariana. A água do rio Gualaxo do Norte ganha um tom marrom escuro, um indício de que toneladas de rejeito da mineração que, há exatos três anos, vazaram depois do colapso da barragem de Fundão, da Samarco, continuam no ambiente.
 
A onda de lama que matou 19 pessoas e aniquilou o distrito de Bento Rodrigues, em 5 de novembro de 2015, correu por esse rio até encontrar o Doce. No caminho, destruiu casas e sítios em outros povoados, acabou com vegetação, áreas de pasto e plantações, deixou um rastro de poluição até chegar ao Atlântico, no Espírito Santo.
 
Maria Benigna, de 74 anos, vê do seu quintal as ruínas da comunidade que cercava a igreja de Paracatu. "Não me esqueço da sujeira e do mal cheiro", diz sobre o ruído da avalanche naquela noite, quando foi socorrida pelo filho e passou horas no mato com outros vizinhos.
 
Pela estrada ao lado da casa de Benigna, que não estava no caminho dos rejeitos, o tráfego de caminhões se intensificou recentemente. Eles fazem a terraplanagem do assentamento Novo Paracatu, que vai receber as 140 famílias que ficaram desabrigadas no distrito. Ainda não se sabe quando deve ocorrer a entrega das casas.
 
Geraldo, de 61 anos, encara as águas do Gualaxo do Norte diariamente. No sítio onde mora, em Gesteira, município de Barra Longa, a lama cobriu a área produtiva. Faz poucos dias que técnicos trabalham no local para recuperar a área. De Mariana à hidrelétrica Risoleta Neves, que barrou grande parte dos rejeitos que escorreram pelo Doce, 237 propriedades rurais precisam do mesmo restauro.
 
"Eu recebo ração para minhas vacas, mas não é suficiente. Eu tenho que complementar", diz o pequeno produtor sobre o auxílio que recebe da Fundação Renova até que a área seja recuperada.
 
Três anos depois do desastre em Mariana, que espalhou 40 milhões de metros cúbicos de rejeito da mineração, persistem as críticas sobre a reparação dos danos. 
 
O trabalho ficou a cargo da Fundação Renova, criada em 2016 especialmente para cumprir esse papel, mantida com dinheiro da Samarco, Vale e BHP Billiton.
 
"Eu não estou muito satisfeita com o ritmo de implementação dos acordos, tanto sob o ponto de vista socioeconômico quanto ambiental", analisa Andressa de Oliveira Lanchotti, promotora do Ministério Público de Minas Gerais e coordenadora do Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente. 
 
"Houve uma grande demora de planejamento de recuperação. Faltou organização", adiciona. "Mas, agora, parece que está entrando nos eixos", pontua Lanchotti.
 
Guilherme Meneguin, promotor que cuida exclusivamente dos atingidos em Mariana, é enfático: "Há muita má vontade da empresa e soluções unilaterais". Segundo Meneguin, não há busca ativa das vítimas para inclusão no cadastro de atingidos. "Cerca de 60 famílias não estão recebendo auxílio da Samarco. Já formamos as provas e encaminhamos à defensoria pública", afirma o promotor sobre a situação em Mariana.
 
André Vasconcelos, da Fundação Renova, sabe da insatisfação. "Receber críticas é natural. Reconhecemos que pessoas estão passando dificuldades", diz. "Tentamos fazer os processos de forma mais rápida, mas com responsabilidade, tomando cuidado para não cair no descrédito".
 
Até o momento, foram realizados 27.500 cadastros familiares ao longo de toda a bacia do rio Doce. Desses, um acordo para pagamento de indenização por danos foi fechado com 8 mil famílias, totalizando cerca de 270 milhões de reais.
 
Não há prazo para que as indenizações sejam pagas por completo. "É um processo muito heterogêneo em toda a bacia. Os danos são diferentes: perda de casas, objetos, de fonte de renda… Então o ritmo depende de cada situação", justifica Vasconcelos.
 
Próximo à foz do rio Doce, no Espírito Santo, Arlei, de 45 anos, ainda espera. Proibido de pescar camarão na região onde costumava trabalhar desde que os rejeitos atingiram o mar, ele não ganha o suficiente para pagar aluguel e vive de favor num barco. A esposa e filhos de Arlei se mudaram para a casa de um parente, no Rio de Janeiro.
 
"A gente pegava até três toneladas de camarão. Agora, quando a gente consegue pescar, os antigos compradores não querem mais comprar. Eles têm medo de contaminação", conta Arlei. Há mais de um ano ele se inscreveu para receber algum tipo de auxílio, mas não teve retorno.
 
Casos como o do pescador informal são um desafio para a Fundação Renova. "Nunca aconteceu no Brasil indenização de quem pratica a pesca que não fosse pescador profissional devidamente regularizado. Nós estamos fazendo um processo de reconhecimento de pescadores não regularizados, informais, para que eles também sejam atendidos", explica Vasconcelos. Até o momento, cerca de 7 mil famílias ligadas à pesca foram reconhecidas como atingidas.
 
Em toda a bacia do rio Doce, que ocupa os estados de Minas Gerais e Espírito Santo, os trabalhos de recuperação da vegetação se concentram em 5% da área. O plano da Renova é fazer o plantio de espécies nativas em 40 mil hectares.
 
Todas as ações são acompanhadas de perto por um Comitê Interfederativo, comandado por Suely Guimarães de Araújo, presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
 
"Nossa expectativa de recuperação ambiental propriamente dita é de 15 anos", avalia Araújo. "Houve atrasos, aplicação de sanção. Estamos aprendendo a gerenciar um desastre sem precedente até no plano internacional", complementa.
 
Três anos depois, a dimensão do impacto segue desconhecida. 
 
O programa que monitora a biodiversidade marinha depois do desastre, por exemplo, começou há menos de um mês. "O impacto todo ainda não se sabe. Tanto o social como o ambiental", diz Araújo.
 
Até agora, Samarco, Vale e BHP Billiton destinaram 4,4 bilhões de reais para Renova. As 25 multas aplicadas pelo Ibama, que somam 350 milhões de reais, ainda não foram pagas pela Samarco. "As primeiras multas já foram julgadas em última instância. A Samarco já deve para a União", complementa a presidente do Ibama.
 
Enquanto isso, a empresa se prepara para voltar a extrair minério de ferro. As obras na cava Alegria Sul, que terá capacidade para receber 16 milhões de metros cúbicos de rejeitos, estão em andamento há um mês. 
 
Ainda falta uma licença para a Samarco reiniciar a produção.
 
Ainda assim, dinheiro para os trabalhos de restauro após o desastre provocado pelo rompimento de Fundão não deve faltar, assegura o MP. Para implementar os 42 programas ambientais e sociais, a Fundação Renova conta com 527 profissionais especializados e cerca de 5 mil colaboradores indiretos.
 
"Na nossa avaliação, não existe risco de o dinheiro acabar. A recuperação, pela nossa legislação, é ilimitada, não tem valor. As empresas têm que fazer aporte sempre que necessário", diz a promotora Andressa de Oliveira Lanchotti.
 
Fonte: Deutsche Welle 
Foto: Nádia Pontes / Deutsche Welle 

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