A Campanha da Fraternidade 2018 traz a discussão sobre a superação da violência, com o lema “Em Cristo somos todos Irmãos”  (Mt 23,8). Em sintonia com a CF 2018, os franciscanos do RS (Província Franciscana São Francisco de Assis), uniram integrantes de várias crenças para que, juntos, recitassem a Oração da Paz (Oração de São Francisco de Assis). O vídeo faz parte de uma campanha para as redes sociais sobre intolerância religiosa.
 
Para se ter uma ideia, de acordo com dados da Secretaria dos Direitos Humanos, ligada ao Ministério da Justiça, as denúncias de intolerância religiosa aumentam a cada ano. A maior parte das vítimas é praticante de crenças de matriz africana. No primeiro semestre de 2016, último dado disponível, o disque-denúncia do órgão computou 196 chamadas sobre casos de intolerância religiosa, mais que os 179 registrados no mesmo período em 2015.
 
A partir destes dados, a ação - realizada pela equipe de Comunicação, juntamente com as equipes de evangelização (CEFREM-RS) e de Animação Vocacional (S.A.V.), da Província, em parceria com a Mobilização Nacional - teve como objetivo unir integrantes de várias crenças, para que dessa forma, pudesse mostrar que juntos podemos superar qualquer forma de violência, principalmente aquela que tem como causa a intolerância religiosa. No vídeo, há a interpretação da língua de sinais, feita pelo Frei Luís Fernando, que trabalha na Pastoral dos Surdos, em Porto Alegre, para que, de forma inclusiva, todos pudessem receber a mensagem do vídeo. Para assistir, clique aqui ou na imagem abaixo.
 
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Não é de hoje que o atual Governo Federal demonstra descompromisso com a proteção dos direitos humanos. Em continuidade ao desmonte das garantias constitucionais especialmente da população mais pobre, anunciam-se agora medidas populistas que visariam a “combater a violência” no país e no Estado do Rio de Janeiro.
 
A intervenção federal anunciada no Rio de Janeiro é a primeira deste tipo desde a redemocratização do país. Ela pressupõe que durante determinado tempo a União seja a competente para gerir as instituições relacionadas à segurança pública no Estado, e não mais o governo fluminense. Os outros tipos de interação entre União e o Estado do Rio de Janeiro sobre o tema se tratavam de medidas de cooperação e alinhamento estratégico pontuais – e já eram problemáticas. A atual é, portanto, uma radical ruptura do pacto federativo, e em nada representa uma séria solução para problemas relacionados à segurança da população.
 
Essa intervenção parte da premissa de que a militarização das ruas e a deflagração de “guerra” é a solução para problemas crônicos e estruturais de um país com diferenças sociais abissais. Tais questões deveriam ser antes tratadas com investimento em direitos básicos da população, como saúde, educação, lazer e trabalho, e de reformas estruturais no próprio sistema de justiça, como descriminalização das drogas, controle de armas e reforma das polícias.
 
A criação às pressas de um Ministério da Segurança Pública, um ano após o anúncio amplo e midiático de um plano nacional de segurança que nem sequer saiu do papel, chama a atenção pelo fato de restarem poucos meses até as próximas eleições, quando novo Executivo e Legislativo serão eleitos e eventuais propostas como essa poderão passar por um debate mais amplo e democrático.
 
Aparentemente, é justamente o calendário eleitoral que contamina setores do governo na idealização açodada da proposta, sem levar em consideração uma análise criteriosa do impacto da separação de instituições e órgãos essenciais à gestão da segurança, como a Polícia Federal, o Depen (Departamento de Política Penitenciária) e o Senad (Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas), para citar alguns.
 
As agendas que se anunciam, representam a falência de um sistema de segurança e justiça que tem atuado historicamente de maneira caótica e violenta, priorizando o encarceramento e morte de jovens pobres e negros. Não é à toa que o Brasil galga posições cada vez mais elevadas no ranking mundial de pessoas presas e assassinadas. Uma profunda reforma desta política de exclusão e violência contra os mais pobres é urgente. O governo, entretanto, atua hoje para aprofundá-la.
 
Fonte: Conectas
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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O patriarca Moran Mor Ignatius Aphrem II, autoridade máxima na Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia - igreja-membro do CONIC - escreveu aos seus fiéis a Encíclica Patriarcal para a Quaresma de 2018. No documento, que no site da Igreja também pode ser conferido em idioma aramaico, inglês e árabe, o patriarca afirma que o período quaresmal é propício para que, entre outras coisas, meditemos sobre a fidelidade de Deus para com todos. "A maior manifestação da sua fidelidade é mostrada na Cruz onde a salvação e a remissão dos pecados foi dada", afirma.
 
Confira a íntegra do documento:
 
ENCÍCLICA PATRIARCAL PARA A QUARESMA DE 2018
 
Em nome do auto existente, sempiterno, de necessária existência...
O Todo poderoso,
Ignatius Afrem II, Patriarca da Santa Sé de Antioquia e de todo o Oriente, 
Sumo Pontífice da 
IGREJA SÍRIAN ORTODOXA
Em todo o mundo.
 
Estendemos nossas bênçãos apostólicas, orações benévolas e saudações aos nossos irmãos, Sua Beatitude Mor Baselios Thomaz I, Católico da Índia, Suas Eminências os Metropolitas, nossos filhos espirituais, os reverendíssimos Cura-epíscopos, reverendos padres, monges, freiras, diáconos e diaconisas e a todo o abençoado povo Siríaco Ortodoxo em todo o mundo. Que a Divina Providência os cinja através da intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus e São Pedro o chefe dos Apóstolos e todos os mártires e Santos, Amem.
 
“Porque poderosa foi para nós a Sua bondade, e eterna permanece a fidelidade do Senhor” (Sl. 116: 2)
 
Amados em Cristo,
 
No início desta Quaresma caminhemos nos passos do Senhor e afastemo-nos para nosso deserto espiritual buscando a solidão e pensemos no objetivo da missão de nossas vidas. Quando meditamos sobre a fidelidade de Deus para conosco e a salvação a nós oferecida, “vamos além das coisas e lutamos pelo Reino de Deus e sua Justiça” (Mt. 6:33, Lc 12:31), lembrando suas palavras vivificadoras: “nem só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. (Mt. 4:4)
 
Quão grande é a Quaresma! É “a arma contra o malvado, um escudo que recebe as flechas do adversário” (Afraates, Demonstração 3). Na Quaresma preparamo-nos para encontrar o Crucificado no Gólgota afim de reverenciá-Lo na Santa Cruz e ponderar sobre Sua Paixão Salvadora, “para que possamos morrer com Ele e com Ele viver” (II Tim 2: 11). Por isso podemos proclamar com o profeta Davi: “Seu amor firme, Senhor, aos céus eleva-se a vossa clemencia, às nuvens a vossa fidelidade, a vossa justiça é como as montanhas de Deus, os vossos juízos como o mar profundo” (Sl. 35: 6-7).
 
Amados, nesta Quaresma, meditemos a fidelidade do Senhor para conosco, “que guarda fidelidade para sempre” (Sl. 145: 6), e “uma fidelidade firmaste nos céus eternamente de geração a geração, porque Ele nunca será falso à sua fidelidade” (Sl. 88: 2, Sl. 118: 90) e “Ele permanece fiel, não pode negar a si mesmo”. (II Tim. 2: 13)
 
A fidelidade do “Deus fiel revela-se quando Ele mesmo guarda o seu pacto. E a sua misericórdia àqueles que o amam e guardam os seus preceitos até mil gerações”. (Dt. 7: 9, Sl. 110: 5) “Cumpre sua promessa firme que não há de retratar” (Sl. 131: 11). Certamente, a maior manifestação da sua fidelidade é mostrada na Cruz onde a salvação e a remissão dos pecados foi dada, porque Deus é “fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda iniquidade”. (I Jo. 1: 9)
 
Voltemo-nos para a longa história da humanidade com nossos sucessos e falhas, bondades e maldades, fidelidades e infidelidades, para aprendermos lições indispensáveis que nos ajudam nesta nossa jornada terrena; caminhando sem culpa nos paços do Senhor com cuidado e fidelidade.
 
O Senhor mesmo fala do cuidado e da fidelidade numa série de parábolas começando com a parábola do servo fiel, depois das virgens, dos talentos até chegar ao grande dia do julgamento, quando “os fiéis virtuosos entrarão para a vida eterna e os maus seguirão para a danação eterna” (Mt. 24 e 25).
 
Temos, portanto, de “levar uma vida que agrada a Deus e siga seus preceitos para que possamos crescer e aproximarmo-nos da santificação” (I Tes. 4: 1 – 2) e “não nos tornemos negligentes, mas diligentes da proclamação da palavra de Deus fielmente” (Jer. 23: 28) recusando ”conduzir com artificio nem com adulteração a palavra de Deus, mas recomendando-nos na manifestação da verdade” (II Cor 4: 2)
 
Contemplemos hoje o sofrimento da Igreja no Oriente Médio, a Igreja que indubitavelmente é a serva do Evangelho e a testemunha fiel na pregação da Boa Nova em todo o mundo, onde, nos deparamos, com o verdadeiro cristão, Santo Estevão, o chefe dos diáconos e protomártir, que “seguiu os ensinamentos do Senhor, perdoou as ofensas dos seus apedrejadores, permanecendo fiel até a morte alcançando a coroa da vida”. (At. 7, Apc. 2: 10)
 
Nós vos convidamos, amados e queridos membros da Igreja na Terra Natal a “preservar-vos até o fim” (Mt. 24: 12). “Sentimos convosco e dividimos a vossa dor e sofrimento na esperança de rejubilarmos logo convosco” (Rom. 12: 15). “Rogamos a Deus abreviar estes dias” (Mt. 24: 22) e “enxugar toda lágrima dos vossos olhos” (Apc. 21: 4) a fim de que a paz e a segurança possam retornar aos nossos países do Oriente Médio, especialmente no Iraque e na Síria, a Terra dos nossos ancestrais. Oramos, também, pelo retorno dos dois arcebispos sequestrados de Alepo, Suas Eminências Boulos Yazigi e Mor Gregorios Youhanon Ibrahim que pagaram um preço por sua fidelidade e cuidado dos seus rebanhos sacrificando sua própria liberdade.
 
Assim, também, olhamos para a nossa Igreja na diáspora, enquanto cresce e multiplica-se rapidamente devido à imigração dos seus filhos perseguidos, reconhecemos que a Igreja enfrenta perseguições de diferentes maneiras em diferentes países. São tremendos os desafios encarados pela Igreja no seu esforço em permanecer fiel ao seu Deus e aos seus ensinamentos. No entanto, temos heróis da fé que podem inspirar os fiéis na sua luta espiritual Temos José que permaneceu fiel ao seu Deus na terra do Egito, recusando-se em seguir adiante, mas permanecer no reto caminho testemunhando abertamente: “como logo poderei eu cometer um tão grande crime, e pecar contra o meu Deus” (Gen. 39: 9) e “o Senhor Deus fê-lo crescer na terra da sua pobreza” (Gen. 41: 52).
 
Vemos também o profeta Daniel “se mantendo fiel ao seu Deus na terra do cativeiro e observando seu jejum” (Dan. 1: 8). “Ele superou os ministros do reino por ser virtuoso e fiel, recusando-se a abandonar a adoração do seu Deus e adorar o rei Dario. O Senhor recompensou sua fidelidade salvando-o da cova dos leões, fazendo-o prosperar abundantemente” (Dan. 6). Por isso vos apressamos amados membros da Igreja na diáspora a “andar honestamente na trilha do Senhor, lutando vigorosamente contra o pecado, mantendo vossos próprios corpos em santidade e honra” (I Tes. 4: 1 – 4), “assim não sereis escravos nem pelo dinheiro, nem poder ou materiais mundanos, ou hábitos estranhos, mas, permanecer firmes na fé da Igreja e na sua Santa Tradição, mantendo o amor incendiário nos teus corações para com Deus e o vosso próximo, para que possais vir a ser testemunhas aos olhos daqueles que estão fora da Igreja” (I Tes. 4 – 112). “Sede como a luz no mundo que prefere as trevas à claridade e o sal na terra onde o sal perdeu a sua força”. (Mt. 5: 13 -16, Jo. 3: 19)
 
Quão grande é a fidelidade e a lealdade da nossa Igreja na Índia onde por muitos séculos permaneceu fiel e firme na sua lealdade ao Santo Trono de São Pedro. Esta relação se fortificou pela fidelidade e incansável esforço dos grandes padres da Igreja como o Maferiono São Basílio Shukrallah que visitou a Índia no século dezoito e enfrentou perseguição e prisão. Mesmo assim, permaneceu fiel à sua missão e encorajou os membros da Igreja a permanecerem firmes na fé ortodoxa. Ordenou os padres e diáconos a edificar igrejas fortalecendo assim seus vínculos à Santa Sé de Antioquia.
 
Hoje, vós, filhos amados na Índia são perseguidos por sua lealdade e fidelidade à Santa Sé Petrina de Antioquia. Convocamos todos a confiar que: “a tribulação produz paciência, e, a paciência produz experiência, e, a experiência produz esperança, e, a esperança não nos frustra” (Rom. 5: 4 – 5). Esperamos que o Senhor nos ajudará a encontrar um fim para o problema da Igreja para a glória do Seu nome e a paz possa reinar novamente na nossa Igreja na Índia.
 
Neste caso, não podemos negligenciar a pequena, mas, significante igreja que está em cada família; contemplamos a Virgem Maria, Mãe de Deus e José a quem foi confiado por Deus seu Único Filho, e, “eles protegeram-no de todo mal” (Mt. 2: 13 – 21) e “criaram-no conforme as leis do Senhor” (Lc. 2: 21 – 51).
 
Apelamos a todos os casais fiéis, a respeitar fielmente seus votos matrimoniais e “se sujeitarem uns aos outros como ao Senhor” (Ef. 5: 21) capacitando-se a representar o ícone de Cristo e a Igreja no mundo, também, recomendamos aos pais e mães a criar fielmente seus filhos, ensinando-lhes os princípios da fé desde a tenra infância. Eles os protegerão das doutrinas estranhas, hábitos corrompidos, educando-os a permanecer fiéis na sua fé, e, ensinando-os a observar o jejum e o amor à oração e serem honestos e amorosos, “para que sejam santos em toda sua conduta, porque Deus que os chamou é Santo” (I Par. 1: 15).
 
Persuadimos também, as crianças a renunciar ao mundo e às coisas do mundo, “cumprindo a vontade de Deus e viver para sempre” (I Jo. 15 e 17). Assim a família proclama junta “porque eu e a minha casa havemos de servir ao Senhor”. (Jos. 24: 15)
 
Amados padres das várias ordens, monges, freiras, diáconos, que São Severo o Grande (Mor Sewerios) seja o modelo de fidelidade para todos nós, uma vez que estamos comemorando o jubileu de 1500 anos do seu exílio no Egito. Ele tenazmente agarrou-se à fé ortodoxa e cuidou da Igreja de Antioquia administrando-a por vinte anos desde o seu exílio no Egito. “Nós vos exortamos preservar este tesouro bom a vós confiado” (I Tim. 1: 14). “Possam os sacerdotes serem ministro de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus”. (I Cor. 4: 1 – 2)
 
Cuidar de suas paróquias preservando os mandamentos e as doutrinas da Igreja. Sejam os monges e freiras fiéis aos seus votos monásticos buscando continuamente a santidade e perfeição. Os diáconos “possam conservar o mistério da fé com uma consciência pura”. (I Tim. 3: 9)
 
Amados,
 
No início desta Quaresma [que na ISOA inicia em 19 de fevereiro] exortamos permanecerem fiéis à oração e o jejum, assim como na leitura das Escrituras especialmente escolhidas pela Igreja para este santo período. Recomendamos serem fiéis à caridade, lembrando “a viúva que depositou tudo que tinha no gazofilácio do templo” (Mt. 20: 28, Lc. 21: 1 – 4). Encorajamos-vos à caridade e a mostrar amor a todos os povos para que possam ser o reflexo da imagem do Bom Mestre “que veio servir e não ser servido” (Mt. 20: 28, Mc. 10:45). Eis como São Jacob de Serug (Mor Yacoub DaSrug) descreve o Deus Servidor em um de seus poemas:
 
O médico desceu e andou na terra, curou os enfermos e afastou as doenças,
Curou as feridas e expulsou os maus espíritos, expulsou os demônios,
Curou os transtornados; limpou o leproso; abriu os olhos do cego e deu saúde boa aos doentes.
Transformou água em vinho bom que o povo bebeu,
Multiplicou os pães para as multidões no local ermo satisfazendo milhares.
Com sua vestimenta curou a hemoroíssa; deu vida à samaritana que encontrou.
Expulsou o demônio da filha da mulher canaanita e perdoou os pecados da mulher pecadora que veio até Ele.
Ele quis, e o leproso ficou limpo da sua impureza,
Com lama abriu os olhos do cego que viu a luz; curou o mudo e cego da possessão,
Ressuscitou a menina jovem da morte retornando-a para seu pai,
Chamou Lázaro depois de estar putrefato e ele saiu do túmulo.
 
(Canto 29, Ed. 2017)
 
O Senhor aceite o vosso jejum, arrependimento, orações e caridade. Que Ele vos torne dignos de celebrar a alegre Festa da Ressurreição e tenha misericórdia das almas dos fiéis falecidos pela intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus, São Pedro o chefe dos apóstolos, São Severo de Antioquia e os demais mártires e santos.
 
Deus vos abençoe.
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Bispo do povo, poeta e defensor intransigente daqueles que o Estado esqueceu. Assim é dom Pedro Casaldáliga, que nesta sexta-feira, 16 de fevereiro, completou 90 anos. Para não deixar a data passar em branco, a diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) encaminhou carta felicitando dom Pedro por todo seu trabalho e grande testemunho de fé.
 
Confira:
 
Querido irmão dom Pedro,
 
Neste ano em que você completa 90 anos bem vividos, nós, do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) te saudamos com o versículo bíblico inspirado em Ex 15.1-21, que motiva a Semana de Oração pela Unidade Cristã deste ano: “A mão de Deus nos une e liberta”.
 
Essa mão graciosa de Deus é a que nos ampara, desacomoda e nos empurra em direção das pessoas pobres e excluídas por um sistema que nega a igualdade, a compaixão e a solidariedade.
 
No dia de hoje, como Igrejas de diferentes tradições, agradecemos a Deus pela sua vida. Agradecemos por seu testemunho profético e coerente com o Evangelho. Sua missão é a de encarar com serenidade, fé e coragem os desafios a serem enfrentados, tudo isso para que indígenas, trabalhadores e trabalhadoras sem terra, posseiros e posseiras, pescadores e pescadoras artesanais, quilombolas, trabalhadores e trabalhadoras urbanos possam se organizar para lutar por mais dignidade e pelo direito a existir.
 
Saiba que o seu testemunho ainda incomoda. Ele provoca desconfortos porque, poucas vezes, conseguimos assumir com a mesma coragem e tenacidade tamanho testemunho de fé. 
 
Celebramos teus 90 anos de existência, mas celebramos também tua opção por um Brasil que não conseguiu superar a anti-evangélica história da escravidão, do racismo e da desigualdade econômica.
 
Que a mão de Deus siga te amparando e protegendo. Que a mão de Deus nos una a fim de que, como Igrejas, possamos realmente optar por caminhos que transformem sistemas de opressão e morte em sistemas de libertação, para que a igualdade deixe de ser uma utopia e se torne uma realidade.
 
Feliz aniversário.
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
 
Foto: El País / JOAN GUERRERO
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Estamos no tempo da Quaresma, segundo o calendário cristão. Estou no grupo dos poucos evangélicos que tiveram chance de aprender e valorizar este período como uma oportunidade de revisão da vida. Digo isto por causa da teologia e do jeito de cultuar e de ser que as igrejas protestantes (evangélicas) construíram no Brasil. Esta cultura evangélica brasileira faz com que grande maioria dos fiéis deste segmento desconsidere o calendário cristão e seus ensinamentos, compreendendo-o como propriedade do Catolicismo Romano.
 
Os quarenta dias, quaresma, que antecedem a Páscoa, procuram recuperar o sentido do número 40 registrado nos textos sagrados. Da conhecida história do dilúvio (os 40 dias em que a terra ficou submersa), passando pelo tempo do êxodo do povo hebreu no deserto, do Egito à Terra Prometida (40 anos), ao número de dias que Jesus passou no deserto antes de iniciar sua intensa vida pública (40 dias), são muitas as referências ao número nas narrativas da Bíblia cristã.
 
Em todas elas, este número indica não um tempo cronológico exato, mas, de acordo com a cultura e visão do mundo dos povos do Oriente Médio, um momento vivido na sua completude, que, frequentemente, marca a realização de um tempo significativo de decisões e mudanças.
 
É por isso que, no contexto cristão, um dos textos mais importantes para reflexão durante a Quaresma é a narrativa sobre Jesus de Nazaré no deserto, conhecida como "As três tentações de Cristo".
 
O texto conta que, antes de começar sua vida pública, tendo se retirado para o deserto, para um momento de preparação, de mudança (40 dias), Jesus foi tentado três vezes pelo diabo. As três tentações representavam desafios e, se respondidos como sugerido pelo diabo (do grego diabolos, caluniador, opositor, criador de confusão e divisão), dariam novo rumo às ações do Nazareno. Tornaram-se então importante momento de decisão. Eram elas: transformar pedras em pães, receber autoridade e poder sobre todos os reinos do mundo (no caso, sobre o Império Romano que os dominava), subir ao ponto mais alto do Templo de Jerusalém e se jogar para que anjos o amparassem.
 
Basta uma simples observação para se perceber que, no universo religioso cristão, quando se prega e ensina sobre "tentação", os desafios a serem superados são fundamentalmente relacionados ao controle do corpo e do prazer. Nesse caso, tentações passam pelo sexo fora do casamento legalizado (antes dele ou em adultério), pelo consumo de bebida alcoólica e de fumo, pelo lazer fora dos espaços considerados sagrados.
 
Neste último, está a participação em festas populares, principalmente o Carnaval, e em espaços relacionados à música popular e à dança, em alguns casos, até mesmo ao cinema, ao teatro e ao futebol. Isto tem relação estreita com o puritanismo evangélico trazido ao Brasil a partir de 1850 por missionários do sul dos EUA. 
 
Tive, porém, a oportunidade de aprender, neste mesmo contexto evangélico, com gente que conseguiu dar um passo adiante, a ler a Bíblia com outros olhos. Este outro olhar me fez enxergar que a narrativa das tentações não tem relação com este moralismo e apresenta o que de fato interessa para quem decide seguir o caminho cristão com coerência.
 
A narrativa das tentações chama atenção mesmo é para as propostas da parte da oposição (diabo) aos projetos de vida e de ação de Jesus de Nazaré. Primeiramente, a proposta de ele transformar pedras em pães, em um mundo de famintos, a fim de atrair consumidores de religião sem conteúdo, interessados em uma imediata satisfação material, tornando oculta a necessidade de justiça social na busca pelo "pão".
 
Também autoridade e poder sobre os reinos do mundo, mantendo-se na lógica da dominação, da violência e da exploração, própria dos Impérios. E por fim, se jogar do ponto mais alto do templo para ser aparado por anjos, oferecendo um grande show da fé, e atrair e distrair multidões, mais uma vez, com uma religião sem conteúdo e vínculo com a vida plena para todos.  
 
Segundo os Evangelhos, Jesus de Nazaré disse "não" a tudo isto, em nome de sua fé, que implicava compartilhamento e vida comunitária, compromisso radical com a paz e a justiça, simplicidade, despojamento e solidariedade.
 
Não é preciso muito esforço para se avaliar que há muitas lideranças religiosas de hoje dizendo "sim" às propostas-tentações de religião de sucesso, assistencialismo que enfatiza apenas o material como elemento atraente de público, espetáculo e sede de poder eclesiástico e político partidário.
 
Neste sentido, a Quaresma torna-se uma oportunidade de revisão da vida para os religiosos, mas também uma inspiração para quem não é. A partir da atitude de Jesus, assumir este período para ser vivido na sua completude. Um momento para decisões e para mudanças. Tempo de reafirmar projetos de vida ou de revê-los, mas com um sentido profundo: se opor às tentações, rejeitando aquilo que represente uma vida superficial e sem conteúdo, que compromete a paz com justiça, nossa autenticidade e dignidade.
 
Magali Cunha é jornalista e doutora em Ciências da Comunicação.
É colaboradora do Conselho Mundial de Igrejas e escreve às quintas-feiras para a Carta Capital,
onde esse artigo foi publicado originalmente.
Foto: Reprodução/Prefeitura de Olinda
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A Igreja Católica no Brasil iniciou ontem, quarta-feira de cinzas, a Campanha da Fraternidade 2018, com o tema “Fraternidade e Superação da Violência”. Hoje a Arquidiocese de Curitiba lançou sua primeira ação concreta relacionada à Campanha: um edital de apoio a projetos sociais que tenham a proposta de combater os diversos tipos de violência presentes na sociedade.
 
Os projetos sociais podem ser de grupos formais ou informais, de natureza pastoral, vinculados a paróquias ou de organizações não governamentais. O valor máximo de apoio de cada projeto será de R$ 12.000,00 e o prazo para inscrição será até 20 de abril deste ano.
 
Para o coordenador da Campanha da Fraternidade de Curitiba, João Santiago, o edital é um gesto concreto da Campanha da Fraternidade e a cada ano tem possibilitado a realização de importantes ações sociais: “A gente acompanha anualmente e vê que as instituições fazem verdadeiros ‘milagres’ às vezes com 5 ou 6 mil reais”, afirmou, confirmando a relevância em apoiar os pequenos projetos.
 
O edital é fruto do Fundo Diocesano de Solidariedade (FDS), que é mantido com as doações realizadas pelos fiéis católicos durante a coleta nas missas do Domingo de Ramos, que neste ano será no dia 25 de março. É lançado anualmente para apoiar financeiramente projetos que tenham relação com a Campanha da Fraternidade. No ano de 2017, 22 projetos sociais foram contemplados pelo FDS na Arquidiocese de Curitiba e o recurso total chegou a aproximadamente R$ 170 mil.
 
O edital pode ser acessado no site www.arquidiocesedecuritiba.org.br.
 
Fonte: Arquidiocese de Curitiba
Imagem: Reprodução
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O Conselho Indigenista Missionário vem a público manifestar seu repúdio à ação violenta da Polícia Militar em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, praticada contra 12 famílias do Povo Kaingang, no dia 15 de fevereiro. Segundo depoimento de lideranças indígenas prestados ao Ministério Público Federal de Passo Fundo (RS), as famílias decidiram – como forma de chamar a atenção das autoridades federais para a necessidade de demarcação de suas terras – ocupar uma área de domínio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), portanto área federal, próximo ao trevo do município de Marau, na BR-285.
 
As lideranças informaram que as famílias montaram acampamento na manhã do dia 15 e por volta das 11 horas do mesmo dia foram surpreendidas com a chegada de mais de 30 policiais da Brigada Militar e do Batalhão de Operações Especiais (BOE) e que estes, de imediato, deram ordem para que saíssem da área.
 
De acordo com depoimento dos indígenas, houve tentativa de diálogo com os policiais. No entanto, a iniciativa não surtiu nenhum efeito. De imediato, os policiais passaram a agredi-los. Foram lançadas bombas de gás lacrimogênio e disparados tiros de balas de borracha. Várias pessoas acabaram sendo alvejadas e feridas, dentre as quais crianças, mulheres e idosos. Ainda segundo os indígenas, o ancião Querino Carvalho foi espancado até desmaiar e outro senhor recebeu mais de dez tiros de bala de borracha na perna e no joelho.
 
Os Kaingang denunciaram também que um rapaz acabou sendo ferido na perna por disparo de bala letal. De acordo com depoimento prestado ao MPF, além das agressões físicas, os indígenas sofreram uma série de constrangimentos e insultos com frases preconceituosas como: “tropa de bugres sujos”.
 
Segundo o relato, eles também foram ameaçados de morte, uma vez que lhes foi dito que caso retornem ao local, os Kaingang sairão de lá em caixões.
 
Para chamar a atenção das autoridades apresentamos, a seguir, imagens com os resultados da ação da Brigada Militar. As imagens retratam, mais do que palavras, as consequências, para as famílias Kaingang, da operação da polícia em Passo Fundo, no dia 15 de fevereiro de 2018.
 
Os relatos e as imagens, especialmente a que monstra ao menos treze marcas de bala no joelho de um dos anciões, atestam a possibilidade de ter havido a ocorrência do crime de tortura contra os Kaingang por parte da Polícia Militar do Rio Grande do Sul.
 
O Conselho Indigenista Missionário solidariza-secom as famílias do povo Kaingang e pede providências no sentido de que se investigue, através do MPF e da Polícia Federal, os fatos relatados pelos indígenas, os atos de violência praticados, bem como se a Polícia Militar possuía algum tipo de mandado judicial para agir contra as famílias acampadas na faixa de domínio do DNIT, portanto área de domínio federal.
 
Por fim, o Cimi lembra mais uma vez que o governo brasileiro paralisou todos os procedimentos de demarcações de terras no país, submetendo centenas de famílias a condições de miserabilidade, vulnerabilidade e a variadas formas de violência nas margens de rodovias. O Cimi exige a imediata retomada dos procedimentos de demarcação e regularização de terras indígenas, especialmente as pertencentes às comunidades obrigadas a habitar áreas insalubres, degradadas ou as margens de estradas.
 
É necessário e urgente pôr um fim à violência, que o Estado promova a responsabilização por estas práticas e implemente, em definitivo, os direitos constitucionais dos povos indígenas no Brasil.
 
Conselho Indigenista Missionário
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Pelo menos 313 deputados federais, ou 61% da Câmara, têm atuação parlamentar desfavorável à agenda socioambiental. Eles votam e elaboram projetos que têm impacto negativo para o meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores do campo.
 
Os dados são resultado de levantamento que levou em conta 14 votações nominais e 131 projetos de lei nessa área. Para medir se os projetos e proposições teriam impacto negativo ou positivo, oito organizações do setor socioambiental foram chamadas para fazer uma avaliação de mérito desses projetos. O cruzamento de dados faz parte do Ruralômetro, ferramenta jornalística para consulta sobre os deputados federais produzida pela Repórter Brasil.
 
Cada deputado foi pontuado dentro de uma escala equivalente ao que seria a temperatura corporal: de 36⁰C a 42⁰C. Quanto pior avaliado, mais alta a sua temperatura – podendo atingir níveis de febre.
 
Entre os febris, há ministros, ex-ministros, além de pré-candidatos. Dos 313 deputados que tiveram comportamento legislativo desfavorável à agenda socioambiental, quase a metade (49%) é da Frente Parlamentar Agropecuária, a bancada ruralista. Mas nem todos os ruralistas estão mal avaliados.
 
Há 35 membros da bancada com atuaçõesparlamentares avaliadas como favoráveis à agenda socioambiental. Entre eles, está o deputado Augusto Carvalho (SD-DF), com 36,2°C. Ele é autor do Projeto de Lei 324/2007 que proíbe a administração pública de comprar móveis de madeira rara ou extraída ilegalmente, projeto considerado como favorável pelas organizações avaliadoras.
 
O deputado pior avaliado é o presidente da bancada ruralista, Nilson Leitão (PSDB-MT), com febre de 42⁰C. Leitão é autor de oito projetos de lei desfavoráveis ao meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores rurais. Entre eles, está o polêmico projeto de lei 6442/2016, que permite o pagamento de trabalhadores rurais com comida e moradia.
 
Ainda entre os febris, estão o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), com 40°C e o ministro dos Esportes, Leonardo Picciani (MDB-RJ), com 40,2°C. O pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tem 38,7⁰C e o aspirante ao governo de São Paulo, Celso Russomanno (PRB-SP), 39,8⁰C.
 
As entidades consultadas foram o Instituto Socioambiental, a Comissão Pastoral da Terra, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura e dos Trabalhadores Assalariados Rurais, o Conselho Indigenista Missionário, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, o Greenpeace e a Fundação Abrinq.
 
Entre os partidos, quatro têm 100% do quadro febril: MDB, PEN, PHS, PSL. Eles são seguidos por PSD e DEM, com 94% e 89% dos seus políticos com febre, respectivamente. O PSDB tem 75% dos seus deputados federais com mais do que 37,4⁰C.Em alguns casos, a pontuação do partido pode ser explicada pelo seu posicionamento como oposição ou situação ao governo. O PT, por exemplo, teve todos os seus deputados avaliados com temperatura saudável nessa legislatura.
 
Entre os Estados, o maior percentual de deputados febris está em Goiás, com 88% dos seus representantes com mais de 37,4⁰C. Seguido por Mato Grosso, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins, todos com 87% dos deputados febris.
 
O ministro Carlos Marun informou, por meio de nota, que como deputado pautou seus “votos pela garantia do Estado de Direito” e que sempre defendeu o bioma Pantanal. O Ministério dos Esportes afirmou que “parece que o levantamento comete um equívoco ao colocar no mesmo patamar de análise deputados que estão no exercício do mandato, enquanto o ministro [Picciani] licenciou-se em maio de 2016 para assumir o Ministério do Esporte.”
 
Russomanno disse que “procura sempre representar o interesse público, o que inclui defesa do meio ambiente, direitos indígenas, quilombolas”. A assessoria de deputado Bolsonaro informou que ele não responderia por estar em recesso.
 
A Repórter Brasil entrou em contato com os 13 deputados que têm febre acima de 41°. Nilson Leitão, assim como outros nove deputados pior pontuados pelo Ruralômetro, não respondeu aos nossos pedidos de entrevista e nem às perguntas enviadas. Leia aqui íntegra das respostas.
 
Relação com financiadores
 
Além da pontuação dos deputados, o Ruralômetro mostra quem recebeu financiamento de campanha, em 2014, de empresas autuadas pelo Ibama ou que foram flagrados com trabalho escravo. Segundo o levantamento, 57% dos eleitos receberam, ao todo, R$ 58,9 milhões em doações de empresas autuadas pelo Ibama por cometerem infrações ambientais. Outros 10% foram financiados com R$ 3,5 milhões doados por empresas autuadas por trabalho escravo.
 
Para o professor de Ética e Filosofia da Unicamp, Roberto Romano, o estudo revela uma estreita relação entre empresas financiadoras de campanhas e a atuação parlamentar dos deputados. “Trata-se do sucesso de setores interessados, tanto em termos econômicos quanto sociais, em conseguir no Congresso avanços para o seu grupo”, analisa.
 
Um exemplo que ilustra a análise do pesquisador é o caso do deputado Antônio Balhmann (PDT-CE), eleito em 2014 mas que se licenciou no ano seguinte para assumir um cargo no governo do Ceará. O político recebeu doação eleitoral oficial de R$ 20 mil da produtora de frutas Agrícola Famosa, alvo de uma ação civil pública do Ministério Público Federal que proíbe a empresa de pulverizar agrotóxicos na Chapada do Apodi. Poucos meses após eleito, o deputado elaborou um projeto de lei que regulamenta o uso de agrotóxicos em plantações não tradicionais, o que inclui produtoras de frutas.
 
“Trata-se do sucesso de setores interessados, tanto em termos econômicos quanto sociais, em conseguir no Congresso avanços para o seu grupo”, analisa Roberto Romano.
 
O ex-deputado afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o projeto não estimula o uso de agrotóxicos, mas cria legislação e regulamenta o setor. O político, no entanto, reconheceu que, ao elaborar o PL, tinha interesse de “ajudar os produtores de fruticultura com seus problemas e regulamentar e controlar suas atividades.”
 
“Quando analisamos os projetos de lei no Congresso, vemos que não são projetos que pensam o Brasil, mas pelo menos 40% deles são dedicados a defender interesses de setores específicos”, avalia Andréa Freitas, cientista política e professora da Unicamp. “Não é ruim que tenhamos dentro do Congresso alguém defendendo os ruralistas ou os comerciantes, mas seria importante que tivéssemos representantes defendendo com igual força os pequenos produtores ou os consumidores”.
 
Votações desde 2015
 
Nesta legislatura, 2017 foi o ano campeão em votações desfavoráveis ao meio ambiente. Em meados do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou três polêmicas medidas provisórias que geraram reação de ambientalistas e até de celebridades. Duas delas reduzem a área protegida de Jamanxim, um parque nacional na Amazônia paraense, e a outra amplia o programa de regularização fundiária, que ficou conhecida como ‘MP da Grilagem’. As medidas, segundo organizações de defesa do meio ambiente, devem aumentar o desmatamento e os conflitos no campo.
 
Um detalhe: as três medidas provisórias foram editadas pelo presidente Michel Temer às vésperas do Natal de 2016 e aprovadas pela Câmara dentro do prazo previsto para que não perdessem validade. No caso Jamanxim, a modelo Gisele Bündchen pediu no Twitter que Temer vetasse as medidas. O presidente seguiu parcialmente os conselhos da modelo: vetou artigos das MPs, mas enviou ao Congresso projeto de lei com conteúdo similar.
 
“A agenda ruralista ganhou mais poder nos últimos anos, o que coincide com a representação dela no Executivo. Antes, tínhamos o Executivo exercendo uma contra-força”, analisa Adriana Ramos, coordenadora do programa de política e direito socioambiental do ISA (Instituto Socioambiental).
 
Na questão trabalhista, sob o mandato de Temer, houve duas votações consideradas por organizações de defesa de trabalhadores rurais como desfavoráveis:  terceirização e reforma trabalhista. Porém, no governo Dilma, o Executivo também editou medidas provisórias, depois aprovadas pela Câmara, que retiram direito dos trabalhadores. Caso, por exemplo, da restrição ao seguro-desemprego e da redução do acesso à pensão por morte do INSS.
 
Essas são algumas das 14 votações que constam na base de dados do Ruralômetro. O estudo considerou apenas votações desta legislatura que têm algum tipo de impacto socioambiental onde houve votação nominal, em que os deputados registram seu voto.
 
Projetos de lei
 
Dos 131 projetos de lei cujos autores são deputados eleitos em 2014 que constam na base de dados do Ruralômetro, 87 foram classificados como desfavoráveis e 44 como favoráveis. 26 deles alteram o processo de demarcação de terras indígenas ou pedem a suspensão da homologação de comunidades regularizadas. Outros seis considerados desfavoráveis tratam de mudança nas regras de licenciamento ambiental e três facilitam a liberação de agrotóxicos.
 
Há ainda um projeto defendido pela bancada ruralista que libera o porte de arma para trabalhadores ou proprietários de áreas rurais e uma Proposta de Emenda à Constituição que permite e regula compra de terras por estrangeiros.
 
Segundo os analistas ouvidos, para entender o fenômeno em questão é preciso diferenciar a agenda do agronegócio e do ruralismo – entendido como um setor que se preocupa menos com a produtividade, e mais com a propriedade sobre a terra.
 
“Não é ruim que tenhamos dentro do Congresso alguém defendendo ruralistas ou comerciantes, mas seria importante que tivéssemos representantes defendendo com igual força pequenos produtores ou consumidores”, afirma a cientista política Andréa Freitas
 
“É uma forma antiga de se pensar o ambiente rural, mais ligada à questão fundiária, à apropriação da terra”, afirma a cientista política Andréa Freitas. Para ela, há uma relação direta entre ser ruralista e atuar favoravelmente a projetos que flexibilizam a questão ambiental. “Há pouca preocupação com a preservação da água, do solo”.
 
O coordenador de Direito de Propriedade da Frente Parlamentar Agropecuária, Jerônimo Goergen, afirma que a principal bandeira da bancada é “defender quem produz no Brasil”, mas reconhece que a questão da propriedade sobre a terra é uma prioridade. “Das defesas da FPA, a questão fundiária é sem dúvida uma prioridade. Mas como um direito, como uma segurança jurídica”, comentou.
 
Fonte: Repórter Brasil
Imagem: Reprodução
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“Em sinal de tristeza, eu vesti saco de pano grosseiro, sentei-me sobre cinzas, deixei de comer e orei com fervor ao Senhor Deus, fazendo pedidos e súplicas” (Daniel 9.3)
 
Na quarta-feira de Cinzas começa o tempo da Quaresma. Por que fala-se em quarta-feira de Cinzas? A cinza simboliza, tanto em Daniel quanto em outras passagens bíblicas, transitoriedade, súplica, grito de socorro, arrependimento e contrição (Et 4.1; Jó 42.6; Mt 11.21).
 
A Igreja Católica adotou este símbolo ao longo de sua história. Na Quarta-feira de Cinzas os fiéis recebem o sinal da cruz na testa com cinza. É um sinal visível de contrição, súplia e arrependimento, de preparo para o tempo da Quaresma.
 
Entre os luteranos a Quarta-feira de Cinzas não têm a mesma relevância. Porém, este tempo da Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas, também é um tempo de extrema importância na vida de fé dos Luteranos. Tempo que chama a reflexão e ao arrependimento. Tempo que nos lembra o início de um grande gesto de amor de Deus por nós: A caminhada de sofrimento, dor, crucificação e morte de Jesus Cristo na cruz para nos libertar da escravidão do pecado e da morte. Começa o período que nos permite refletir sobre atitudes que incendeiam, violentam e deixam a vida em cinzas.
 
A crise que está abalando o nosso país, deixa, por exemplo, muitas vidas em meio às cinzas. Deixa pessoas nas cinzas do desemprego. Deixa pessoas nas cinzas da angústia, do desespero, da miséria. Também o conflito na Síria deixa tantas pessoas em meio à escombros e cinzas, tantas pessoas em fuga sem lar e amparo. Também o ódio crescente no mundo contra imigrantes transforma a vida em cinzas. Também a crescente ambição humano por poder, status, transforma nossos rios e nossa natureza em cinzas. A concentração de riqueza nas mãos de poucos também faz com que a vida de milhares de pessoas seja reduzida a cinzas e pó. 
 
Por todas essas situações que afligem a vida, “em sinal de tristeza”, a quaresma nos chama a orar. Nos chama a contrição, a súplica, pedidos e, sobretudo arrependimento. Nos chama e convida a buscar uma nova relação com o próximo e a criação. Se não nos voltarmos de coração a Deus, assim como Daniel se voltou, estaremos cada vez mais transformando a vida em cinzas.
 
Quaresma nos lembra que a cruz que mata e deixa a vida em cinzas não tem a última palavra. Em João 14.19 Jesus Cristo diz: “E, porque eu vivo, vocês também viverão”. Para aquele que crê em Jesus Cristo a vida não é e não será cinza. Para o que crê quaresma é tempo para cuidar da vida como Cristo cuidou. Quaresma é tempo para lembrar que Cristo caminha conosco em nossos sofrimentos e angústias e nos quer, com a força do seu Espírito Santo, na sua seara para praticar a sua justiça, o seu amor, o seu perdão, a sua reconciliação e a sua compaixão. Quaresma lembra que o que começa em cinzas termina, graças a Deus em Cristo, em ressurreição.
 
Texto: Pr. Ernani Röpke (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil)
 
Fonte: IECLB
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