As mortes provocadas por aids e câncer começaram a ser combatidas com maior eficácia por meio de campanhas informativas, que estimulam as pessoas a conhecer o assunto, reconhecer sintomas ou sinais e saber onde procurar ajuda. “Não é diferente com o suicídio – as pessoas precisam entender que pensar em se matar é mais comum do que se pensa, que quem está nessa situação precisa de apoio e que é possível pedir e receber ajuda”, salienta Robert Paris, presidente do Centro de Valorização da Vida - CVV, em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line. “Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde], com informação e ajuda é possível prevenir 90% dos casos.”
 
O “primeiro passo é quebrar o tabu sobre o assunto”, salienta Paris, porque “não se faz prevenção em silêncio”. Desta forma, ele defende que o tema seja debatido de maneira séria e aberta em ambientes tão distintos como escolas, empresas, templos religiosos, rodas de amigos e na mesa de jantar em família, ou seja, “onde existem pessoas que educam ou se importam com outras pessoas”.
 
Paris está à frente de um universo de 2 mil voluntários espalhados pelo Brasil, que anualmente realizam mais de 1 milhão de atendimentos de brasileiros residentes no país e no exterior. “Somos a maior iniciativa não governamental de prevenção do suicídio que atua em todo o território nacional”, explica.
 
A metodologia do CVV é “conversar de maneira que a pessoa se sinta ouvida, respeitada integralmente e, dessa forma, desabafe, reorganize suas emoções e pensamentos, o que geralmente produz alívio”. Com isso, esperam que a pessoa se sinta fortalecida e busque atendimento médico ou de outros profissionais da área da saúde para tratamento psicológico ou psiquiátrico.
 
Robert Gellert Paris Junior é empresário, formado em engenharia e trabalhou na área comercial por mais de 20 anos. É presidente do Centro de Valorização da Vida - CVV, vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio - ABEPS e membro do board do Befrienders Worldwide, organização internacional que congrega entidades de 40 países que oferecem serviços voluntários de prevenção do suicídio.
 
Confira a entrevista.
 
IHU On-Line – O Centro de Valorização da Vida - CVV realiza mais de 1 milhão de atendimentos anuais no Brasil. São expressivos os casos de pessoas que manifestam a intenção de se matar?
 
Robert Paris – As pessoas que procuram o CVV geralmente o fazem por estarem em momentos difíceis, de naturezas variadas. Muitos expressam claramente desespero e/ou desesperança e comentam que pensam ou estão planejando se matar; muitos deixam a ideação suicida nas entrelinhas, pois às vezes a pessoa tem dificuldades de expressar essa intenção até mesmo anonimamente para um voluntário do CVV.
 
IHU On-Line – O CVV é apontado por especialistas como a principal referência à prevenção de suicídio no Brasil. Como ele opera? Que metodologia é empregada?
 
Robert Paris – Somos a maior iniciativa não governamental de prevenção do suicídio que atua em todo o território nacional. Somos uma ONG independente, sem orientação religiosa e político-partidária, que se dedica a apoiar as pessoas que nos procuram, mantendo atendimento 24 horas, todos os dias. Nosso trabalho é como uma espécie de pronto-socorro emocional, com voluntários devidamente selecionados e preparados para acolher, sem julgamentos, qualquer pessoa que peça nossa ajuda. A proposta do CVV é conversar de maneira que a pessoa se sinta ouvida, respeitada integralmente e, dessa forma, desabafe, reorganize suas emoções e pensamentos, o que geralmente produz alívio. Buscamos que essa pessoa possa se sentir fortalecida, inclusive para buscar atendimento médico ou de outros profissionais da saúde para tratamento psicológico ou psiquiátrico. Pessoas em tratamento com profissionais da área de saúde mental também nos procuram pela disponibilidade constante e apoio que oferecemos.
 
IHU On-Line – A repercussão da série 13 Reasons Why, da Netflix, e a polêmica do jogo Baleia Azul, que estimulava crianças e adolescentes a cometerem suicídio, tiveram impacto nos atendimentos do CVV?
 
Robert Paris – Tivemos um aumento na procura pelo serviço do CVV e pelo curso de voluntariado em consequência do seriado 13 Reasons Why, especialmente no primeiro mês após seu lançamento. Acreditamos que, apesar das ressalvas que devem ser feitas à produção do seriado (tendo como base as recomendações da Organização Mundial de Saúde sobre a forma de abordagem do tema), as pessoas passaram a dar mais importância aos sinais de pensamentos suicidas, falar mais abertamente sobre suicídio e passaram a buscar mais ajuda. Em relação ao Baleia Azul (que não podemos considerar de maneira nenhuma um jogo, mas sim uma atitude criminosa), não percebemos expressiva repercussão dentro do CVV.
 
IHU On-Line – O suicídio é um problema de saúde pública. Os governos, em suas diversas instâncias, estão preparados para o enfrentamento desta questão?
 
Robert Paris – De uma maneira geral, os governos estão se preparando. Há poucos anos o tema “prevenção do suicídio” era raramente endereçado pela maioria das secretarias de Saúde e mesmo no ministério. Hoje temos um movimento iniciado no Ministério da Saúde com a organização e análise dos dados sobre suicídio, o que permite a melhor elaboração de estratégias de ação de prevenção. Em decorrência disso, houve a criação pelo Ministério da Saúde da linha telefônica de emergência para prevenção do suicídio, outorgada ao CVV, de número 188, para ligações sem tarifação, em implantação gradual em todo o país.
 
IHU On-Line – Conforme a Associação Brasileira de Psiquiatria, 17% dos brasileiros já pensaram em suicídio. O que fazer para prevenir que pessoas eliminem a própria vida?
 
Robert Paris – O primeiro passo é quebrar o tabu sobre o assunto. Não se faz prevenção em silêncio. Só foi possível mudar os números de mortes por aids e câncer com campanhas informativas, estimulando as pessoas a conhecer o assunto, reconhecer sintomas ou sinais e saber onde procurar ajuda. Não é diferente com o suicídio – as pessoas precisam entender que pensar em se matar é mais comum do que se pensa, que quem está nessa situação precisa de apoio e que é possível pedir e receber ajuda. Segundo a OMS [Organização Mundial da Saúde], com informação e ajuda é possível prevenir 90% dos casos.
 
IHU On-Line – Há muito tabu e preconceito em relação ao suicídio. Isso atrapalha que o tema seja abordado de maneira mais clara e objetiva? Onde se deve discutir o assunto?
 
Robert Paris – O CVV entende que esse assunto pode e deveria ser debatido de forma séria e aberta em escolas, RH das empresas, templos religiosos, rodas de amigos e na mesa de jantar em família – ou seja, onde existem pessoas que educam ou se importam com outras pessoas. É o mesmo caminho trilhado pela prevenção de DSTs [doenças sexualmente transmissíveis], por exemplo, que hoje já é abordado por muitos lares na educação de filhos. Há não muitos anos existia o tabu de que falar sobre suicídio poderia incentivá-lo; hoje esse tabu está sendo quebrado e, principalmente neste ano, em especial na campanha do Setembro Amarelo, foram muitas as iniciativas de esclarecimento. Esperamos que passe a ser discutido amplamente, em breve.
 
IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?
 
Robert Paris – O CVV é uma ONG com 55 anos de trabalho voluntário, oferecido gratuitamente. Fomos nos adaptando à evolução dos meios de comunicação, agregando ao telefone outras formas de atendimento, como chat, e-mail e Skype. Nossos voluntários já estão atendendo remotamente, sem necessariamente se deslocarem para um dos 80 postos de atendimento. Porém, o que não muda é a necessidade de termos sempre novos voluntários. São pessoas sem uma formação técnica específica, com pelo menos 18 anos de idade e disponibilidade de quatro horas por semana para o trabalho. A inscrição é feita pela internet. Elas participam de um programa de formação e, uma vez que se identificarem com a causa e os valores do CVV e aprenderem a forma de atuação, começam seus plantões de atendimento. Hoje somos cerca de 2 mil voluntários em todo o Brasil recebendo contatos de brasileiros, inclusive residentes em outros países.
 
Fonte: IHU On-Line
Foto: Reprodução
Add a comment

 
 
 
Que o Brasil é um país cheio de detalhes burocráticos para empresas funcionarem não é novidade para ninguém. Agora, o que muita gente pode não saber é que igrejas e outras organizações religiosas também precisam se preocupar com esses pormenores. Com a finalidade de auxiliar essas instituições, o consultor Jonatas Nascimento publicou a Cartilha da Igreja Legal. Um livro detalhando diversos aspectos financeiros, administrativos e trabalhistas aos quais as igrejas devem dar atenção para funcionar corretamente.
 
Especializado em contabilidade eclesiástica, direcionada a organizações religiosas, Jonatas Nascimento explica que as igrejas devem cumprir uma série de exigências, tanto no âmbito jurídico quanto trabalhista, de modo a exercer suas funções dentro da lei. Também é necessário que essas instituições providenciem os certificados referentes ao edifício, como licenças da Prefeitura e do Corpo de Bombeiros. De acordo com o consultor, é preciso ainda respeitar as obrigações financeiras.
 
-Eu diria que toda igreja precisa observar as leis brasileiras para então se estabelecer. Não é porque igreja goza de imunidade tributária, que deve achar que está fora do alcance dos obrigações acessórias inerentes a elas. A igreja que deixar de cumprir suas obrigações acessórias, sofrerá múltiplas multas; especialmente por parte da Receita Federal – afirma.
 
Porém, mesmo seguindo essas obrigações, nem todas conseguem ser bem-sucedidas. O principal aspecto no qual muitas igrejas falham, segundo Jonatas, é não dar a devida atenção à área contábil, seja com a falta de profissionais em seus quadros, ou na prestação dos documentos necessários para manter a organização legalizada.
 
– É necessário que a igreja contrate os serviços de um profissional da área contábil. E para que esse profissional consiga trabalhar para a igreja, é necessário que a igreja forneça a ele os documentos comprobatórios de suas receitas e despesas – destaca.
 
Para o consultor, o problema que muitas instituições enfrentam ao se descuidarem das questões administrativas e financeiras é cultural. Principalmente porque os pastores não são preparados, em seus estudos, para lidar com esses aspectos legais. Ele explica que o problema atinge igrejas de todos os tamanhos, grandes ou pequenas, já que nem todas estão bem aparelhadas, nessa questão, ou olham para sua administração de maneira profissional.
 
– As próprias escolas de teologia e seminários não se preocuparam em preparar os pastores para assuntos administrativos e eclesiásticos senão há pouquíssimo tempo. As nossas igrejas ficam muito preocupadas com a propagação do Evangelho e demais projetos de cunho espiritual ou social e se esquecem de outros fatores que são importantes e até mesmo determinantes para a sua continuidade – ressalta.
 
Jonatas Nascimento destaca a necessidade de as organizações religiosas estabelecerem um padrão de gestão eficaz para cumprirem suas obrigações fiscais. O consultor também apresenta algumas dicas para itens importantes que precisam ser respeitados para que as igrejas mantenham sua imunidade tributária:
 
- Não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados;
 
- Aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos sociais;
 
- Manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão;
 
- Conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contando da data da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas e a efetivação de suas despesas, bem como a realização de quaisquer outros atos ou operações que venham a modificar sua situação patrimonial;
 
- Apresentar, anualmente, Declarações de Rendimentos, em conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal;
 
- Recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou creditados e a contribuição para a seguridade social relativa aos empregados, bem como cumprir as obrigações acessórias daí decorrentes;
 
- Assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão público.
 
Fonte: Pleno.News
Imagem: Reprodução
Add a comment

 
 
A leitura da Bíblia a serviço da liberdade e na defesa dos direitos das mulheres nos impõe a não aceitar que a decisão sobre a vida das mulheres violentadas seja conduzida por homens com seus poderes muitas vezes pagos e por interesses moralistas e religiosos.
 
A pergunta que fazemos: quem está a defender a PEC 181 (que tende a proibir a interrupção da gravidez nos casos em que já é legal, sendo: estupro, anencefalia e risco de morte para a mãe) em algum momento escutou o choro de quem sofreu a violência em seus corpos?
 
A aprovação de tal PEC cai na armadilha moral de livrar quem pratica violência e culpabilizar as mulheres com seus corpos machucados, violentados, abusados (ab-usados).
 
Tal situação nos remete à condição de muitas mulheres na Bíblia, prisioneiras de uma sociedade e de sua religião androcêntrica, patriarcal, sacrificial, violenta e culpabilizadora, através da teologia de pecado. Sacerdotes, juízes, reis, pais, maridos e irmãos decidiam sobre a vida e o corpo das mulheres.
 
A mulher do levita, em Jz 19, é uma das memórias das mulheres numa sociedade que não escuta as vozes da margem. Ela foi violentada, estuprada, morta. As marcas da violência em seu corpo são a prova de quem, com as forças que teve, lutou e ousou se rebelar. Sua morte na porta da casa é memória dessa luta. E sinal de que não deram a ela o simples direito de decidir.
 
É imprescindível que as mulheres possam participar das decisões sobre seus corpos, seus passos e seu futuro. Em nome da fé em Jesus Cristo, o CEBI e o dinamismo da leitura da Bíblia a partir dos pobres e marginalizados/as da sociedade vêm a interpelar que a luta das mulheres por dignidade e a liberdade prevaleça sobre moralismos e aprisionamentos.
 
A Direção Nacional do CEBI.
 
Add a comment

 
 
O dinheiro nem sempre é tudo. O grande projeto tributário do presidente Donald Trump encontrou um adversário inesperado: 400 milionários e bilionários assinaram uma carta pedindo ao Congresso para não reduzir seus impostos. A missiva, firmada por nomes como George Soros e Steven Rockefeller, considera que a redução de impostos só favorecerá a desigualdade e aumentará a dívida. “Acreditamos firmemente que a forma de criar mais empregos de qualidade e fortalecer a economia não é reduzindo os impostos de quem tem mais, mas investindo no povo norte-americano”, diz o texto.
 
“Esse corte é absurdo. Segundo os republicanos, não podemos nos permitir gastar mais dinheiro público, mas podemos reduzir os impostos dos mais ricos. Isso não faz sentido”, afirmou Bob Crandall, ex-presidente da American Airlines e um dos signatários da carta. Promovida pela Responsible Wealth (Riqueza Responsável), organização próxima aos democratas e à qual também pertencem os fundadores da marca de sorvetes Ben & Jerry's, a designer Eileen Fischer e outros milionários, a carta está em sintonia com a grande tradição da filantropia norte-americana. “Somos ricos profundamente preocupados com nossa nação e nossa gente, e escrevemos com um único pedido: não reduzam nossos impostos”, começa o texto.
 
Já com outros presidentes, potentados como Bill Gates e Warren Buffet, considerados os dois homens mais ricos do planeta, declararam-se a favor de pagar mais. “Enquanto as classes médias e baixas combatem por nós no Afeganistão, enquanto os norte-americanos lutam para ganhar vida, nós os megarricos, continuamos tendo isenções fiscais extraordinárias”, escreveu Buffet a Barack Obama em 2011. Naquele momento, o principal acionista da Berkshire Hathaway recolhia 17%, quando seus funcionários pagavam acima de 33%.
 
Agora a batalha se repete, mas com um golpe adicional à credibilidade de Trump. Diferentemente de outras épocas, a Casa Branca declarou que seu projeto mantém intacta a pressão tributária sobre os mais ricos. Mas uma leitura atenta dos documentos enviados ao Senado e à Câmara dos Representantes mostra que os cortes são múltiplos. A iniciativa enviada à Câmara Baixa não só reduz de 39,6% para 38,5% o teto tributário dos casais que ganham mais de um milhão de dólares (3,3 milhões de reais) por ano como também elimina o imposto sobre as sucessões, pago por 5.000 famílias todo ano e que se circunscreve a heranças acima dos 5,49 milhões de dólares.
 
“Cortar esse imposto acarretaria perdas de 269 bilhões de dólares em uma década, mais do que se gasta em conjunto na Agência do Medicamento, no Centro de Controle de Doenças e na Agência de Proteção Ambiental”, indica a carta. “Não é justo nem inteligente proporcionar uma redução tributária aos ricos à custa das famílias trabalhadoras, especialmente se se financia desmantelando programas que permitem cobrir necessidades fundamentais como a saúde e a alimentação”, acrescenta.
 
A Casa Branca ainda não respondeu. Mas ninguém ignora que o assunto é altamente inflamável. A redução de impostos é um dos grandes trunfos eleitorais de Trump. Um presidente multimilionário que fez de sua pretensa habilidade de administrar a economia uma marca de identidade. Ele mesmo apresentou sua proposta como “a maior redução tributária da história dos Estados Unidos”. Mas, por trás das grandes palavras, as fissuras são evidentes.
 
Os cálculos mais conservadores estabelecem que a redução tributária aumentará a dívida pública em 1,5 trilhão de dólares em 10 anos. Uma alta difícil de assimilar para cofres que já devem 20 trilhões e que no próximo decênio aumentarão a carga em outros 10 trilhões.
 
A resposta oficial a esse desequilíbrio é o otimismo reaganiano. Os republicanos, com Trump à frente, sustentam que a redução desencadeará uma onda de investimentos de tal magnitude que destravará o crescimento e permitirá rapidamente compensar a perda tributária. “Nosso plano foi pensado para favorecer o investimento”, resumiu o conselheiro econômico da Casa Branca, Gary Cohn.
 
Os democratas desconfiam dessa previsão. E os milionários que assinam a carta também. Para eles, as empresas já alcançaram benefícios recordes e vivem dias de enorme bonança. Consideram mais importante direcionar os recursos públicos para a educação, a saúde e a pesquisa. Áreas em que Trump acionou a guilhotina. “Eu ganho muito dinheiro. Se minha renda cresce, não penso investir mais, simplesmente pouparei mais”, sentenciou Crandall. E não é o único.
 
Fonte: El País
Foto: Jonathan Larsen/Getty Images/iStockphoto
Add a comment

 
 
Vinte e cinco anos depois que cientistas do mundo todo lançaram um "alerta para a humanidade" sobre os perigos para o meio ambiente, uma nova atualização divulgada nesta segunda-feira (13) diz que a maioria das ameaças ao planeta está ficando "muito pior".
 
A carta foi assinada por 15.364 cientistas de 184 países, denominada "Alerta dos cientistas do mundo para a humanidade: um segundo aviso" e publicada pela revista científica "BioScience".
 
A versão inicial, lançada em 1992 pela Union of Concerned Scientists, foi assinada por 1,7 mil especialistas.
 
Desde então, quase todas as principais ameaças ao meio ambiente se tornaram mais graves, em particular a crescente população mundial, que adicionou dois bilhões de pessoas ao planeta desde 1992, um aumento de 35%, de acordo com a atualização.
 
Outras grandes ameaças são o aquecimento global e as constantes emissões de carbono geradas pelo uso de combustíveis fósseis, bem como as práticas agrícolas não sustentáveis, o desmatamento, a falta de água doce, a perda de vida marinha e as crescentes zonas mortas dos oceanos.
 
Os animais estão sofrendo como resultado das atividades humanas e estão desaparecendo a um ritmo sem precedentes.
 
"Desencadeamos um evento de extinção em massa, o sexto em cerca de 540 milhões de anos, em que muitas formas de vida atuais podem ser aniquiladas ou, ao menos, estar fadadas à extinção até o final deste século", lembrou o documento.
 
A carta destaca 13 passos que devem ser tomados, incluindo ampliar o acesso aos métodos contraceptivos, "estimar um tamanho de população humana sustentável e respaldado cientificamente a longo prazo" e mobilizar "nações e líderes para apoiar esse objetivo fundamental".
 
Outras medidas incluem promover dietas à base de plantas e energias renováveis, e ao mesmo tempo eliminar os subsídios para combustíveis fósseis.
 
A desigualdade de renda deve ser corrigida e "os preços, a tributação e os sistemas de incentivo (devem) levar em conta os custos reais que os padrões de consumo impõem ao nosso meio ambiente".
 
Na natureza, as reservas protegidas devem ser estabelecidas "em uma proporção significativa do planeta", e o tráfico de animais silvestres e a caça furtiva ilegal devem parar.
 
"Para evitar a miséria generalizada e a perda catastrófica de biodiversidade, a humanidade deve praticar uma alternativa mais sustentável aos negócios", afirmou a carta, acrescentando que "em breve, será tarde demais para mudar o curso da nossa trajetória fracassada, e o tempo está acabando".
 
Fonte: G1
Add a comment

 
 
O Papa Francisco nomeou duas italianas como subsecretárias do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, departamento presidido pelo Cardeal Kevin Farrell.
 
O Vaticano fez o anúncio no dia 7 de novembro, e deu os nomes e perfis profissionais delas: a professora Gabriella Gambino e a doutora Linda Ghisoni. Elas agora se tornam autoridades de terceiro escalão no referido dicastério e são mais uma prova da determinação do papa em designar cargos importantes para mulheres na Cúria Romana.
 
Gambino e Ghisoni já colaboraram profissionalmente com o Pontifício Conselho para os Leigos, de 2013 a 2016, então poderão assumir os respectivos postos a todo vapor, por assim dizer.
 
A reportagem é de Gerard O’Connell, publicada por America, 07-11-2017. A tradução é de Isaque Gomes Correa.
 
No anúncio, o Vaticano informa que o papa nomeou a professora Gambino, de 49 anos, para ser a subsecretária do departamento para a vida deste dicastério. Natural de Milão, ela se formou em ciência política pela Universidade de Milão em 1995 e, em seguida, cursou doutorado em bioética pelo Instituto de Bioética da Universidade Católica do Sagrado Coração, em Roma.
 
De 2001 a 2007, lecionou e coordenou pesquisas em bioética na Libera Università Internazionale degli Studi Sociali, em Roma. Em 2002, foi nomeada especialista científica do Comitê Nacional de Bioética, órgão anexado ao gabinete do primeiro-ministro italiano. Colaborou com o Pontifício Conselho para os Leigos e com a Pontifícia Academia para a Vida entre os anos de 2013 a 2016, e em 2017 foi professora visitante do instituto de bioética da Universidade Católica de Salvador.
 
Na época de sua nomeação, Gambino era professora de bioética na faculdade de filosofia da Universidade de Roma Tor Vergata e professora pesquisadora associada da faculdade de jurisprudência da mesma instituição, bem como professora do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família e da Pontifícia Universidade Lateranense, em Roma. É casada e mãe de cinco.
 
Francisco também nomeou a Dra. Linda Ghisoni, de 52 anos, como subsecretária para o mesmo dicastério voltado aos leigos, à família e à vida.
 
Nascida em Piacenza, no norte da Itália, Ghisoni formou-se em filosofia e teologia pela Universidade de Tübingen, na Alemanha, em 1991, e doutorou-se em direito canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, em 1999. Após isso, recebeu o diploma em Práxis Administrativa pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, em 1994, e um segundo diploma de advogada no Tribunal da Rota Romana, em 2002. É casada e mãe de duas filhas.
 
Com suas qualificações, Ghisoni atuou numa ampla gama de papéis, tanto no Vicariato de Roma quanto no Tribunal da Rota Romana, onde lidou com os casos de anulação matrimonial. Ela colaborou com o Pontifício Conselho para os Leigos de 2013 a 2016 em estudos especializados relativos aos leigos na Igreja.
 
Na época da nomeação, atuava como juíza do tribunal matrimonial do Vicariato de Roma, professora de direito canônico da Gregoriana e professora no departamento de direito da Universidade Roma Tre.
 
Quando conservei com o Cardeal Farrell alguns meses atrás, ele enfatizou que “os leigos têm uma vocação a ser desempenhada na Igreja”. Como Francisco, disse ele, “estou firmemente convencido de que o futuro da Igreja depende deles”, acrescentou o Cardeal, para completar: “Sempre senti a necessidade de promover os leigos dentro da Igreja e dentro de sua organização”.
 
Na entrevista, o cardeal enfatizou o fato de que os novos estatutos do dicastério propõem que leigos qualificados assumam postos-chaves. O prefeito deve ser um cardeal, mas o secretário – posto número dois – poderia ser dado a um leigo, disse, porém “A pessoa que dirige o departamento dos leigos tem que entender tudo sobre movimentos dentro da lei da igreja e de direito canônico”. A nomeação de Ghisoni, hoje, preenche estes critérios.
 
Estas duas nomeações são as mais recentes desde que o Papa Francisco estabeleceu o novo dicastério vaticano para os leigos, a família e a vida, incorporando, num único departamento, três conselhos que eram, antes, independentes entre si. Ele em seguida começou a reforma deste novo dicastério. Deu a si um tempo para nomear leigos a postos centrais e para internacionalizar o departamento. Porém, como o cardeal havia me dito, “tem sido uma briga encontrar leigos competentes para preencher estes cargos”.
 
Em maio passado, Francisco nomeou o padre brasileiro, de 46 anos, Alexandre Awi Mello, diretor nacional do movimento Schoenstatt no Brasil, a quem veio a conhecer na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, para ser o secretário desse departamento.
 
Naquele mesmo mês, o pontífice nomeou a espanhola Marta Rodriguez, leiga consagrada do Regnum Christi (grupo de leigos da Legião de Cristo), então diretora do Instituto de Altos Estudos das Mulheres, do Ateneu Pontifício Regina Apostolorum (dos legionários de Cristo) em Roma, para ser a primeira diretora do departamento para assuntos da mulher no novo dicastério.
 
O Papa Francisco deverá fazer outras nomeações também, provavelmente antes do Natal.
 
Fonte: IHU Unisinos / America
Foto: Reuters / Tony Gentile
Add a comment

 
 
A Igreja realiza, de 12 a 19 de novembro, a Jornada Mundial dos Pobres, com o tema: “Não amemos com palavras, mas com obras”. Trata-se, segundo mensagem do papa Francisco, publicada dia 17 de junho deste ano, de um convite dirigido a todos, independente de sua crença religiosa, para que se abram à partilha com os pobres em todas as formas de solidariedade, como sinal concreto de fraternidade.
 
Segundo o santo padre, o amor não admite álibes. “Quem pretende amar como Jesus amou, deve assumir o seu exemplo, sobretudo quando somos chamados a amar os pobres”, diz trecho do texto. Instituído pelo chefe da Igreja Católica na conclusão do Ano Santo Extraordinário da Misericórdia, o primeiro Dia Mundial dos Pobres será celebrado pela Igreja em todo mundo no próximo dia 19 de novembro, 33º domingo do Tempo Comum.
 
No Brasil, a animação e coordenação das atividades foi delegada à Cáritas Brasileira, um dos organismos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por sua experiência na realização Semana da Solidariedade. Para o bispo de Aracaju (SE), presidente da Cáritas Brasileira, dom João José Costa, as respostas sobre que fazer só virão se a Igreja e os cristãos se colocarem de forma próxima aos empobrecidos e sentir a sua dor. “A proximidade faz com que o Espírito Santo desperte em cada um de nós a criatividade para que possamos ter iniciativas concretas para transformar a realidade”, disse.
 
De acordo com estudo divulgado em fevereiro pelo Banco Mundial, o número de pessoas vivendo na pobreza no Brasil deverá aumentar entre 2,5 milhões e 3,6 milhões até o fim de 2017. Segundo o documento, a atual crise econômica representa uma séria ameaça aos avanços na redução da pobreza e da desigualdade. O Banco Mundial também atribuiu a ações sociais protetivas como o Bolsa Família, um papel fundamental para evitar que mais brasileiros entrem na linha da miséria. A pesquisa aponta ainda que o aumento da pobreza vai se dar principalmente em áreas urbanas, e menos em áreas rurais, isso porque nas áreas rurais essas taxas já são mais elevadas.
 
Objetivo e material da Jornada – O diretor-executivo da Cáritas Brasileira, Luiz Claudio Mandela, lembra que a Jornada Mundial dos Pobres, em comunhão com a Semana da Solidariedade, quer acima de tudo chamar atenção de forma organizada, reflexiva e também em oração para a grande condição de vulnerabilidade e desigualdade por que passa grande parte da população do mundo e do Brasil.
 
A Cáritas Brasileira preparou o cartaz e o subsídio com sugestões de ações para esta semana. A proposta, segundo o diretor-executivo da Cáritas, é que as comunidades, igrejas, escolas e toda sociedade realizem, por meio do que propõem a cartilha, as “Ruas Solidárias” e “Rodas de Conversa” cujo objetivo é proporcionar espaços, momentos e dinâmicas para que as pessoas, em suas mais várias localidades, possam refletir e olhar, em forma de oração, sobre esta realidade.
 
O presidente da Cáritas Brasileira convida cada um a dar a sua contribuição. “Se vamos mudar o mundo não sei, mas o importante é cada um fazer a sua parte”, disse. O bispo lembrou de madre Tereza de Calcutá que não desanimava quando se tratava de realizar obras em favor dos pobres. A religiosa, declarada santa pelo papa Francisco em 04/09/2016, dizia que somos uma gota d’água no oceano, mas que este seria menor sem aquela. “Que durante esta semana possamos fixar o nosso olhar nesta realidade que desafia todo nosso mundo para que se transforme na casa do Bem Viver, onde todas as pessoas sejam reconhecidas e acolhidas em sua dignidade”, concluiu dom João José.
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução
Add a comment

Página 1 de 61