Aos 56 anos, o pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa é uma das vozes na luta pelos direitos humanos no Rio de Janeiro. Em 2006, ele fundou a ONG Rio de Paz, a partir de uma manifestação feita na praia de Copacabana e que ficou conhecida em todo o mundo. Contra a chacina que vitimou 19 pessoas, os manifestantes colocaram 19 cruzes na areia da famosa praia. Era também o início de uma transformação no ministério do pastor da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. “Ali, tomei a decisão de ir para a rua. Eu deixei de ser um teólogo voltado para o ensino da Teologia e passei a ser um militante de direitos humanos”, conta o pastor.
 
Autor dos livros “Convulsão protestante: Quando a teologia foge do templo e abraça a rua” e “Teologia da trincheira: Reflexões e provocações sobre o indivíduo, a sociedade e o cristianismo”, ambos pela Editora Mundo Cristão, ele acompanha as famílias vítimas da violência e testemunha o descaso com estas pessoas, que sofrem com a perda e indiferença do Estado e da sociedade. “O contato com essas famílias faz com que a gente não saia das ruas”, assegura. Com relação à intervenção federal na segurança pública, ele conta que a sociedade do Rio de Janeiro ainda não sentiu a diferença. Sobre a violência no país, ele declara: “Estamos vivendo hoje um banho de sangue no Brasil”.
 
Sobre a resistência de diversos cristãos com o trabalho social, ele afirma: “Não há nenhuma justificativa para o fato de os cristãos brasileiros não verem a luta pela defesa dos direitos humanos como sinal característico da verdadeira santidade de vida”. Para ele, estar ao lado dos mais pobres é ser um sinal de Jesus Cristo.
 
Acompanhe a entrevista concedida a Érika Augusto no programa Sala Franciscana.
 
Franciscanos – Qual das suas vocações nasceu primeiro: jornalista, pastor ou escritor?
 
Antônio Carlos - No final da minha adolescência, meu desejo era ser jornalista. Naquele mesmo período, a minha mente começou a se envolver com as grandes questões da vida, passei a me preocupar com aquilo que até então não me preocupava, as grandes perguntas da Filosofia, quem somos, de onde viemos, para onde vamos. E essas perguntas me levaram para a fé cristã. Pela primeira vez me tornei um discípulo de Cristo. Passei, então, a viver com o propósito de me submeter, moral e intelectualmente, ao Evangelho. Só que as respostas que encontrei no cristianismo foram tão fascinantes, foi algo que me empolgou tanto, me comoveu em tal extensão que falei: vou me dedicar a isso a partir de agora. Vou consagrar minha existência a tornar esta mensagem conhecida pelo maior número possível de pessoas, porque é muito difícil viver sem esperança. Acredito que as respostas do Evangelho atendem às principais demandas do espírito humano.
 
Então, me envolvi com o trabalho pastoral, só que no contato com as Escrituras Sagradas, conheci não apenas o Deus cristão, mas também o ponto de vista do Evangelho sobre o ser humano. O cristianismo exalta muito o homem e a mulher, a ponto de dizer que ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus, portanto, devem ser objeto do nosso amor. Por conta dessa antropologia do Novo Testamento, passei a me sentir profundamente incomodado com a violência no Rio de Janeiro e administrei durante muitos anos uma crise, produto do contato com a violência através dos meios de comunicação, sem que me insurgisse contra aquele estado de coisas e procurasse, juntamente a outros cidadãos cariocas, cristãos e não cristãos, fazer oposição à barbárie. No dia 28 de dezembro de 2006, traficantes mataram 19 pessoas no Rio de Janeiro, sendo que destas, 8 pessoas foram queimadas vivas. Ali tomei a decisão de ir para a rua. Deixei de ser um teólogo voltado para o ensino da Teologia e passei a ser um militante de direitos humanos.
 
Atribuo à graça de Deus a ideia que tivemos, que abriu muitas portas, ao fazer uma manifestação que entrou para a história do país. Nós montamos um cemitério, com cruzes pintadas de preto na praia de Copacabana. E, desde aquele dia, os meios de comunicação cobrem as nossas manifestações. Nós usamos desse privilégio, dessa confiança, para dar voz aos sem voz, para dar visibilidade àqueles cuja agonia não é do conhecimento da sociedade, aos que são ignorados pelo Poder Público. Aí, então, nessa dinâmica, surge o desejo de escrever. Passei a escrever para jornais do país e também nas redes sociais. Veio, então, o interesse por apresentar os pressupostos intelectuais da minha militância no campo dos direitos humanos, através de dois livros: “A convulsão protestante”, que foi essa mudança súbita que me levou a protestar nas ruas e “Teologia da trincheira”, que foram os artigos que eu escrevi durante este período em que me senti na trincheira. São 11 anos nas ruas protestando contra a violência e defendendo os direitos humanos, entrando em favela, indo a cemitérios, chorando com os parentes de vítimas. Nesse período, escrevi muito, e esses artigos foram agrupados e se transformaram em livro. Eu tenho três paixões na vida: o amor pela produção de livros, e livros que possam trazer esperança e mobilizem as pessoas para a ação; a paixão pelo jornalismo, de contar histórias, de falar a respeito destas pessoas cuja dor ninguém conhece; e também a pregação do Evangelho, que é uma coisa radicada na minha vida e o encanto continua até hoje.
 
Franciscanos – Quais são as principais atividades realizadas hoje pela ONG Rio de Paz?
 
Antônio Carlos – O Rio de Paz atua em duas áreas: primeiro, a filantropia. Prestamos ajuda aos necessitados, aos pobres, moradores de favelas no Rio de Janeiro. Distribuímos alimentos, cestas básicas, oferecemos ajuda para reconstruir residências, damos cursos profissionalizantes, entre outras atividades. É lamentável ter que dizer isso, mas é um trabalho prejudicado pela violência das favelas, porque as operações policiais ocorrem subitamente e, muitas vezes, chegamos em meio ao tiroteio. Por conta disso, tememos enviar voluntários por receio deles serem vítimas de bala perdida. Já vivemos situações muito aflitivas. Poderíamos estar fazendo muito mais na área da filantropia, porque tem muita gente que nos procura querendo trabalhar em comunidade, mas em razão dos confrontos, não temos feito o que poderíamos e gostaríamos de fazer.
 
O trabalho da ONG que é mais conhecido são as manifestações de rua, que têm como objetivo denunciar a violação de direitos, o abuso de poder, a desigualdade social. Já fizemos várias, em São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, sendo que a maioria está concentrada no Rio. Essas manifestações são o carro-chefe porque são as que dão mais visibilidade para tudo o que fazemos e os efeitos são extraordinários, porque, com a filantropia, a gente oferece uma ajuda pontual aqui e ali. Quando conseguimos, através de uma manifestação, fazer o Estado agir, é diferente. A ação do Estado produz resultados muito mais amplos do que aqueles que nós alcançamos, mas que estão muito aquém do que esse ‘mar de gente’ pobre carece.
 
Franciscanos – Você ministra numa igreja na favela do Jacarezinho e o púlpito que você usa tem marcas de balas. Qual é o sentimento de pregar a Palavra de Deus num símbolo como este?
 
Antônio Carlos - É muito triste. São pessoas que tentamos ajudar e que são ignoradas pelo Poder Público. A sociedade civil toma a decisão de fazer alguma coisa, nós, como nós cristãos, paralelo à defesa dos direitos humanos, através das manifestações e da filantropia, levamos o Evangelho. Estando ali, decidimos ter reuniões regulares para falar de Jesus Cristo àquelas pessoas. No decurso de um 1 ano e 10 meses, em 8 operações policiais, a nossa igrejinha levou 300 tiros de fuzil e pistola e o púlpito onde prego foi atingido por 3 disparos de arma de fogo. Isso também é algo que nos limita profundamente e que gera muita incerteza, porque nunca se sabe quando vai começar o tiroteio e tememos muito pela vida dos moradores, especialmente das crianças. São muitas crianças frequentando esses cultos nas tardes de domingo.
 
Franciscanos – Vocês estiveram no enterro do adolescente Guilherme Henrique, morto no dia 20 de junho na Vila Vintém e também acompanham diversas famílias das vítimas da violência. Como estas famílias ficam diante de uma situação como esta?
 
Antônio Carlos - É uma devastação. Vemos famílias destroçadas, desconjuntadas. É difícil encontrar um adjetivo que traduza, que nos ajude a ter uma ideia do que estas pessoas experimentam. Já vivi situações onde a mãe de uma criança de 1 ano, morta com um tiro de pistola no peito, trouxe o corpo da filha no peito para amamentar, no seu desespero. Já vi gente se jogar dentro da sepultura para arrancar o caixão, recusando-se a enterrar o filho. As pessoas não conseguem voltar a trabalhar, passam a conviver com uma depressão latente. Elas se sentem ignoradas pela sociedade, abandonadas pelo Estado. A autoria do homicídio, em geral, não é elucidada. É um descaso completo. Como se não bastasse o absurdo da perda de um parente querido, essas pessoas têm que lidar com a indiferença de todos. Dependendo do caso, se tiver muita repercussão, as famílias vivem intensamente este tempo, com entrevistas, presença da imprensa, do noticiário e aí passa-se uma ou duas semana e pronto, acabou! Ninguém se lembra mais, vem outro caso, que faz com que esqueçamos do anterior e pronto. Você tem essas vidas marcadas para sempre. Algumas destas pessoas vivem o drama da ideia fixa de ver os criminosos punidos. Então acabam sofrendo muito com isso, e mais ainda com a impunidade. Algumas não conseguem se livrar desse sentimento, que é uma coisa difícil de compreender para quem não passou por essa experiência. A gente observa um forte desejo de ver quem praticou o crime punido pelo que fez.
 
Em geral, esse sentimento de justiça não encontra satisfação no Brasil porque nossas polícias revelam uma grande falta de recursos, de estrutura, para fazer um trabalho investigativo à altura. Por isso, o Brasil é um país que pune muito, e pune mal. Esses que praticam crimes contra a vida, que são os crimes mais graves, como latrocínio, execução extrajudicial, esses não vão para trás das grades porque não se descobre o crime que praticaram. O contato com essas famílias faz com que a gente não saia das ruas. Se hoje você me perguntasse qual é o meu sonho, entre outros é de não ver mais famílias passando pelo que essas famílias, que conheci muito bem, passaram. É uma dor incalculável.
 
Franciscanos – O que você percebe que mudou no Rio de Janeiro depois da intervenção federal na segurança pública?
 
Antônio Carlos - Até agora a sociedade não percebeu mudança. Não estou falando tão somente de um sentimento de insegurança. Esse é generalizado. Mas, muitas vezes, pode ser um sentimento produzido artificialmente, porque as pessoas estão preocupadas com aquilo que não deveria preocupá-las. Quando se vê as estatísticas do Instituto de Segurança Pública, percebe que os números são assustadores.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece 10 homicídios por 100 mil pessoas por ano como limite. Mais de 10 mortes por 100 mil pessoas por ano é considerado um quadro endêmico pela OMS. O Rio de Janeiro hoje tem 30 pessoas mortas a cada 100 mil, ou seja, estamos atravessando uma endemia. No Brasil, a estatística é a mesma. Tem cidades nordestinas com 90 homicídios a cada 100 mil pessoas. Estamos vivendo hoje um banho de sangue no Brasil. O Rio de Janeiro não é um caso isolado e nem é o Estado mais violento da União. O Nordeste hoje é a região que está atravessando o quadro mais dramático.
 
No Rio, percebe-se que não houve mudança, as pessoas estão ainda sem entender qual é o sentido da intervenção. Não se conhece metas, cronogramas, não há prestação de contas. Sentimos que a interlocução com a sociedade civil também está muito aquém das exigências da democracia e também não estamos vendo mudanças nas estruturas da Polícia Civil e Militar. E o principal, não temos investimento nas favelas, implementação de políticas públicas que tenham como objetivo diminuir a desigualdade social que é a grande causadora dessa desgraça toda.
 
Pode ser que tenha alguma coisa em curso, que esteja oculta aos nossos olhos, até espero que seja isso, porque acredito que as Forças Armadas não estejam brincando com a população. Inclusive há pessoas que passam para as pessoas seriedade. Olhando de longe, parece que há nas Forças Armadas quadros excelentes, de pessoas honestas, gente que passou pelo Haiti, com uma experiência exitosa. Por isso alguns setores da sociedade receberam de bom grado a intervenção federal, acreditando que o êxito no Haiti seria também implementado no Rio de Janeiro. Mas até agora não houve mudança e os números estão aí para provar.
 
Franciscanos – O Papa Francisco, muitas vezes, é taxado como comunista por causa de sua postura, quando se coloca ao lado das pessoas mais necessitadas e cobra esta postura da Igreja. Você também enfrenta essa questão. Na sua opinião, por que alguns setores das Igrejas cristãs e da sociedade veem com maus olhos os cristãos que defendem as causas sociais e os direitos humanos?
 
Antônio Carlos - As respostas são as mais variadas. Não há uma única causa para essa oposição ao movimento de direitos humanos. Não há nenhuma justificativa para o fato de os cristãos brasileiros não verem a luta pela defesa dos direitos humanos como sinal característico da verdadeira santidade de vida. São vários os motivos. Poderia enumerá-los e vou fazer sem seguir uma ordem de importância.
 
Do ponto de vista do protestantismo, percebo uma influência muito grande da Teologia norte-americana. Os pastores, em geral, leem livros produzidos nos Estados Unidos e há setores do protestantismo americano muito contrários ao combate à desigualdade social, à luta pelos direitos humanos, porque trata-se de uma Igreja que não está vivendo o drama da América Latina. São pessoas que não conhecem os problemas sociais que enfrentamos. Muitas vezes, os pastores importam problemas dos Estados Unidos, da cultura americana, e deixam de tratar os problemas do nosso país.
 
Um pastor de uma igreja de classe média americana não tem, no caminho da sua casa pra igreja, que cruzar cinco favelas. Ele não vê corpos estendidos no chão, cravados de balas. Ele não sabe o que é o telefone tocar às 10 horas da noite ter que sair correndo para uma favela, a fim de fazer mediação entre policial e morador. Não têm 62 mil homicídios dolosos nos Estados Unidos. As igrejas sofrem uma grande influência desse tipo de mentalidade.
 
Também faz parte dessa cultura que a função da igreja é somente pregar o Evangelho e que, portanto, essas atividades, que são tidas como seculares, devem ser exercidas por pessoas que não têm as preocupações espirituais que temos. Não tenho a menor dúvida que a missão número um da igreja é pregar o Evangelho. Tanto os nossos amigos católicos e os amigos protestantes, todos nós sabemos que Cristo morreu e esta mensagem tem que ser anunciada, e só nós fazemos isso. Se deixarmos de fazê-lo, ninguém mais o fará.
 
A pergunta que precisa ser respondida é a seguinte: o que esperamos que saia do resultado da catequese, da pregação do Evangelho, do que é ensinado na missa, no culto? Nós esperamos que saiam ‘pequenos Cristos’, pessoas com a identidade de Cristo, parecidas com Jesus, que revelem a beleza de Jesus. Revelar o caráter de Cristo é amar o necessitado, compadecer-se do pobre, do oprimido. Nós vemos Jesus Cristo fazendo isso o tempo inteiro. Sua atividade pública é praticamente dedicada aos oprimidos. Do ponto de vista da cultura protestante do nosso país, esse é o nosso grande pecado, não vemos a luta pela justiça, o combate à violação de direitos, o enfrentamento da desigualdade social como sinais característicos de uma vida autenticamente cristã.
 
Some-se a isso também o desejo de ver a Igreja crescer. Isso é triste. Há uma preocupação profícua de aumentar o número de fiéis. Então, muitos temem que ao se dedicarem a essas tarefas, vão estar impedindo a Igreja de crescer, o que é um contrassenso. Que Igreja vai ter o respeito da opinião pública, da sociedade, se ela se mantiver alheia a estas questões que, muitas vezes, despertam a compaixão até de ateus? Ocorre também muito medo, porque lidar com estas questões é diferente de lidar com o tema do aborto. Estou entre aqueles que creem na santidade do embrião, na santidade do feto. Contudo, ir para as redes sociais e condenar o aborto, fazer manifestação de rua, não põe sua vida em risco. É diferente de condenar aquele que, com arma na mão, está executando pessoas. É uma esquizofrenia muito grande. Quando essa vida nasce, cresce, se transforma num menino negro, morador de favela com 16 anos, você ignora, você não se preocupa com a educação dessa criança, você não se preocupa se essa criança está sofrendo maus tratos ou se ela é vítima de bala perdida. Por que não lutar pelo respeito à santidade da vida humana em todas as fases em que essa vida transcorre?
 
Outra causa que percebemos dessa alienação na sociedade brasileira é uma onda de conservadorismo. Isso é um fenômeno não somente no nosso país, mas em parte da Europa e muito mais nos Estados Unidos. Trata-se de uma febre de conservadorismo de direita muito forte. O discurso dos direitos humanos, do combate à desigualdade, da luta pelos direitos da classe trabalhadora, essas pautas ficaram muito identificadas com a esquerda, elas sempre foram vistas como bandeiras da esquerda. Quando você, portanto, sai em favor dessas demandas do direito e da justiça, você acaba sendo rotulado como marxista, comunista. As pessoas acham que o comunismo e o marxismo são compatíveis com o cristianismo, o que eu discordo. Eu não sou marxista e muito menos comunista. Contudo, as críticas que foram feitas ao capitalismo são críticas que, em parte, qualquer profeta do Antigo Testamento faria. Não vejo por que, com a mente aberta, com o Evangelho em uma das mãos e o jornal na outra, como diz a Carta de Paulo aos Tessalonicenses, não se pode reter o que é bom destas ideologias. Até mesmo no capitalismo, creio que há aquilo que se pode ser aproveitado, aquilo que promova a riqueza, sem dilapidar os recursos naturais e legitimar a exploração do homem pelo homem.
 
Estamos enfrentando hoje uma onda conservadora de direita, que faz com que tudo aquilo que pareça como ideologia de esquerda seja visto com maus olhos. Fazendo isso, estamos deixando de incorporar à práxis cristã algo que está tão presente no discurso dos profetas maiores, dos profetas menores e, acima de tudo, no Sermão da Montanha.
 
Fonte: Franciscanos
Foto: Reprodução

 
No santuário-museu dos mártires coptas decapitados em uma praia na Líbia por terroristas afiliados ao Daesh, em janeiro de 2015, ao lado dos caixões usados para transportar os corpos da Líbia para o Egito são custodiadas como relíquias também as algemas que prendiam as mãos dos mártires enquanto eram mortos, assim como o que restou dos uniformes de cor laranja, que os executores do Daesh colocavam em suas vítimas antes das macabras execuções, sempre filmadas e divulgadas na Internet. 
 
O museu-santuário foi inaugurado recentemente por Anba Befnosios, bispo copta-ortodoxo de Samalut, na Catedral construída para custodiar os restos mortais dos mártires, no povoado egípcio de Al-Our, Província de Mina.
 
Entre os objetos expostos, há também as moedas encontradas nos bolsos dos egípcios martirizados, seus sapatos, alguns documentos de identidade e os registros de trabalho feitos por dois deles, onde eram descritas as atividades realizadas no dia a dia.
 
Não renegaram a própria fé
 
As famílias dos mártires - refere Wataninet - expressaram sua alegria com a inauguração do museu, que servirá para prestar homenagem "pela glória de Deus manifestada nos mártires, que nunca renegaram a própria fé."
 
Os 20 coptas egípcios e o seu companheiro de trabalho ganês, haviam sido sequestrados na Líbia no início de janeiro de 2015. O vídeo de sua decapitação foi disponibilizado online por sites jihadistas em 15 de fevereiro.
 
Inscritos no livro dos mártires coptas
 
Apenas uma semana após a notícia do massacre, o Patriarca copta-ortodoxo Tawadros II decidiu inscrever os nomes dos 21 mártires no Synaxarium, o livro dos mártires da Igreja Copta, determinando que a sua memória fosse celebrada em 15 de fevereiro.
 
Repatriação dos restos mortais
 
Os restos mortais dos coptas foram identificados no final de setembro passado em uma vala comum na costa da Líbia, perto da cidade de Sirte. Seus corpos foram encontrados com as mãos amarradas atrás das costas, vestidos com os mesmos macacões laranja que usavam no vídeo macabro feito pelos autores no momento da decapitação. Também as cabeças dos decapitados foram encontradas ao lado dos corpos.
 
A repatriação dos restos mortais dos mártires do Egito, repetidamente anunciadas pela mídia egípcia, levou mais tempo do que o esperado e acabou ocorrendo somente em meados de maio deste ano. Neste meio tempo, a análise de DNA permitiu identificar cada um dos 21 mártires.
 
Repetem "Senhor Jesus Cristo" antes de morrer
 
"O vídeo que retrata a sua execução – declarou na época à Ag. Fides Anba Antonios Aziz Mina, bispo emérito da Igreja Católica Copta de Guizé - foi construído como uma encenação cinematográfica , com a intenção de espalhar o terror. No entanto, naquele produto diabólico de ficção e horror sangrento, vemos que alguns dos mártires, no momento de sua execução bárbara, repetem "Senhor Jesus Cristo". O nome de Jesus foi a última palavra que surgiu em seus lábios. Como na paixão dos primeiros mártires, eles se entregaram àquele que logo os receberia. E assim eles celebraram sua vitória, a vitória que nenhum carrasco poderá tirar deles. Esse nome sussurrado no último instante era como o selo do seu martírio." 
 
Fonte: Agência Fides
Foto: ANSA

 
As Igrejas Católica e Ortodoxa Russa prosseguem com o plano de reconstrução de igrejas cristãs e mosteiros destruídos durante a guerra na Síria, confirmou no sábado à Ag. Tass o Metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do Departamento de Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa Russa.
 
A criação de um grupo de trabalho entre as duas Igrejas havia sido anunciado em outubro de 2017. A Ação não se limita à reconstrução de igrejas, mas também de moradias, “questão para a qual são necessário tanto os esforços do Estado como da Igreja”, disse o Metropolita na ocasião.
 
"Nós assumimos a reconstrução, e algumas igrejas e mosteiros estão sendo reconstruídos agora. Em particular, o trabalho de restauração está chegando ao fim em Maaloula. É um dos principais locais sagrados da Igreja Ortodoxa de Antioquia, um convento construído no local onde a língua aramaica era falada até há pouco", disse Hilarion. "As monjas foram forçadas a deixar o local, mas agora esperamos que elas possam regressar."
 
O Metropolita admitiu que as condições continuam tensas na Síria.
 
"Por outro lado, temos que começar com algo e já começamos sem esperar pelo momento em que as condições sejam as ideais. Talvez, este momento não chegará logo", disse ele.
 
O conflito que martiriza a Síria teve início em março de 2011, com protestos que pediam a renuncia de Bashar Al-Assad, sendo duramente reprimidos. De revolta civil, o conflito assumiu proporções inimagináveis na época, envolvendo potências regionais e internacionais..
 
Antes do conflito, a população síria era de 20 milhões de habitantes. Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, cerca de cinco milhões de sírios abandonaram o país devido ao conflito. Cerca de 500 mil vivem em campos de refugiados e 470 mil perderam a vida.
 
Fonte: Vatican News
Foto: AFP or licensors

 
Após dois estudantes terem sido mortos dentro de uma igreja, bispos nicaraguenses convocaram um protesto pacífico contra a escalada da violência no país. Os alunos foram para a igreja tentar se proteger dos ataques de grupos paramilitares ligados ao governo.
 
“Hoje, como nunca, os direitos humanos estão sendo violados na Nicarágua”, diz o comunicado, pedindo aos fiéis que fiquem jejum na próxima sexta-feira (20) . Os bispos fazem ainda um apelo a todos “especialmente aos policiais, militares e demais funcionários públicos” que não apoiem “direta ou indiretamente” as ações do presidente Daniel Ortega e seu partido político.
 
Em menos de três meses, mais de 260 pessoas foram mortas na Nicarágua – muitas delas universitários. O estopim dos protestos foi uma reforma da previdência, no dia 18 de abril, que acabou sendo revogada. Mas as manifestações continuaram e se transformaram em um movimento nacional contra a violenta repressão, que sofreu uma nova escalada nos últimos dias, com ataques contra igrejas e o clero.
 
A pedido do governo, a Igreja Católica aceitou mediar um diálogo com setores da sociedade civil (estudantes, agricultores, empresários e organizações de defesa dos direitos humanos) para superar a crise. Um dos requisitos era a participação de organismos internacionais – como a Comissão Interamericana da Direitos Humanos (CIDH) – na investigação das mortes, das prisões arbitrárias e dos ataques, ocorridos durante as manifestações.
 
 A CIDH, entidade da Organização dos Estados Americanos (OEA), já apresentou dois relatórios. Ambos responsabilizam as forças de segurança, franco-atiradores e grupos paramilitares, simpatizantes do governo, pelas mortes. Um grupo de investigadores analisou provas balísticas, depoimentos das vítimas e imagens e concluiu que o governo nicaraguense está “atirando para matar”.
 
O governo rejeitou a conclusão dos dois relatórios da CIDH, alegando que foram parciais, mas permitiu que a comissão continue investigando as denúncias.
 
Ortega fez história na Nicarágua, liderando a Revolução Sandinista de 1979, que acabou com a ditadura de Anastasio Somoza. Porém a guerra civil continuou até 1990. Em 2016, Ortega conquistou o terceiro mandato presidencial consecutivo e elegeu a mulher vice-presidente. A votação - sem a presença de observadores internacionais – foi questionada pela oposição e também por antigos aliados do ex-guerrilheiro.
 
Áudios
 
A situação na Nicarágua tem sido acompanhada diariamente pelo secretario-executivo da CIDH, o brasileiro Paulo Abrão, que tem recebido áudios e vídeos dos últimos acontecimentos no pequeno país centro-americano. 
 
Várias gravações, transmitidas em tempo real, registram o som de tiroteios. Ao mesmo tempo, o governo nicaraguense mostrava imagens de festejo dos 39 anos da Revolução Sandinista. Antigos guerrilheiros acusam Ortega e a mulher e vice-presidente, Rosario Murillo, de querer instalar uma dinastia política e corrupta – igual a de Somoza. 
 
Em entrevista à Agência Brasil, Abrão disse que as forças de segurança e os paramilitares ligados ao governo “atiraram para matar”. Segundo ele, ocorreram duas etapas. Na primeira, Ortega reconheceu que havia problemas e pediu ajuda apara solucionar-lós. “Nesta segunda fase, Ortega está negando os fatos e responsabiliza a violência ao confronto entre grupos a favor e contra do governo”, disse.
 
Com informações da Agência Brasil
Cristobal Venegas/Associated Press

 
Em uma análise entre mais de 125 países, incluindo o Brasil, um estudo descobriu que a corrupção é menor onde mais mulheres participam do governo.
 
Publicado no "Journal of Economic Behavior & Organization" pelos pesquisadores Chandan Jha e Sudipta Sarangi, o estudo revela ainda que a representação das mulheres na política local também é importante. Na política local da Europa, por exemplo, a probabilidade de suborno é menor nas regiões com maior representação de mulheres.
 
"Esta pesquisa ressalta a importância do empoderamento das mulheres, sua presença em cargos de liderança e sua representação no governo", disse Sarangi, professor de economia e chefe de departamento da Virginia Tech, nos EUA.
 
"Isso é especialmente importante porque as mulheres continuam sub-representadas na política. Na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos".
 
No Brasil, a lei em vigor atualmente prevê que pelo menos 30% dos candidatos devem ser do sexo feminino. Em 2016, contudo, as mulheres representaram 86% dos 18,5 mil candidatos que não receberam voto - segundo especialistas, a lei incentivaria "candidaturas laranjas", de candidatas registradas apenas para cumprir a cota.
 
A pesquisa de Jha e Sarangi é o estudo mais abrangente sobre esse tópico e examina as implicações da presença de mulheres em outras ocupações, incluindo a participação de mulheres na força de trabalho, cargos administrativos e cargos de tomada de decisão, como os CEOs.
 
O estudo concluiu que é na formulação de novas políticas que as mulheres podem ter um impacto sobre a corrupção.
 
"Isso pode dever-se ao fato de que mulheres formuladoras de políticas tendem a favorecer políticas que melhoram coisas como a provisão de bens públicos, saúde, educação e bem-estar infantil".
 
Ou seja, esses resultados não significam necessariamente que as mulheres sejam inerentemente menos corruptas que os homens.
 
"Nosso estudo sugere que a política é uma área onde a igualdade é importante na medida em que pode ajudar a reduzir a corrupção", explica Sarangi, em entrevista ao G1.
 
Metodologia
 
O estudo usa uma técnica estatística, conhecida como análise de variáveis instrumentais, para estabelecer a causalidade na relação entre mulheres e corrupção, já que não se pode afirmar que geneticamente as mulheres são menos ou igualmente corruptas que os homens.
 
Pode-se acreditar que a relação entre gênero e corrupção tende a desaparecer à medida que as mulheres ganham igualdade no status social. Isto aconteceria porque, conforme o status das mulheres melhora, elas poderiam obter acesso às redes de corrupção e, ao mesmo tempo, aprenderiam a se engajar em atividades corruptas. Mas o estudo indica justamente o contrário.
 
Quanto maior a igualdade de status dos países em que há mais mulheres no governo, menor é o nível de corrupção.
 
O estudo sugere que são as políticas formuladas por mulheres que geram impacto na corrupção: "Descobrimos que os países onde as mulheres têm status social semelhante ao dos homens - por exemplo, em países mais desenvolvidos, eles ainda reduzem a corrupção e não a aumentam. Portanto, fazemos essa afirmação. É porque buscam políticas diferentes", diz Sarandi.
 
"Isso porque, mesmo nesses países, mais mulheres na força de trabalho, ou em cargo administrativo ou gerencial, não reduzem a corrupção. Só tem impacto quando estão presentes no parlamento".
As implicações políticas do estudo apontam para a necessidade de promover a igualdade de gênero em geral e, em especial, promover a presença de mulheres na política . Pesquisas anteriores estabeleceram que uma maior presença de mulheres no governo também está associada a melhores resultados de educação e saúde.
 
O estudo analisou dados de 150 países, dentre eles o Brasil, e escolheu os países que tinham os dados necessários para o estudo para que não houvesse parcialidade na escolha.
 
Fonte: G1
Foto: AAP/Mick Tsikas/via REUTERS

 
Juvencídio (jovemcídio) é uma categoria criado por José Manuel Valenzuela e que representa o assassinato amplo e impune de jovens portadores de identidades desacreditadas. O conceito busca ir além de uma simples comprovação do maior índice de mortes violentas neste segmento da sociedade, explorando a fundo as dinâmicas de estigmatização, criminalização e aniquilação construídas em torno do sujeito jovem.
 
Na Constituição brasileira (Art. 227) está expresso que “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
 
No Estatuto da Juventude, Lei nº 12.852/2013, no capítulo “Dos Direitos dos Jovens” estão assegurados os direitos à Cidadania, à Participação Social e Política e à Representação Juvenil; à Educação; à Profissionalização, ao Trabalho e à Renda; à Diversidade e à Igualdade; à Saúde; à Cultura; Direito à Comunicação e à Liberdade de Expressão; ao Desporto e ao Lazer; ao Território e à Mobilidade; à Sustentabilidade e ao Meio Ambiente e direito à Segurança Pública e ao Acesso à Justiça.
 
No momento em que o Brasil passa pela oportunidade da “Onda Jovem” – 50 milhões de jovens entre 2003 e 2022 –, com estabilidade da população jovem ao longo de 20 anos, mais que demonstrar, queremos denunciar a negação de direitos elencados acima e negados à juventude brasileira, especialmente os direitos à educação, à segurança pública e ao acesso à justiça e à vida.
 
No ensino médio (EM), com 7.930.384 matrículas, apenas 68% da população jovem frequentam a escola e 82% dos jovens que concluem o ensino médio não acessam a universidade (Censo Inep 2017). O abandono e a evasão escolar, especialmente no primeiro ano, são muito elevados. O Brasil tem 1,7 milhão de pessoas entre 15 a 17 anos fora do ensino médio e, somente 64% dos jovens entre 25 a 29 anos completaram esta etapa. Na média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), esta proporção chega a 85% e em Portugal são 97%.
 
Considerando apenas estes dados oficiais fica evidenciado que o art. 205 da Constituição Federal, bem como art. 2º da Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBen), que definem que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, estão sendo negligenciados e negados aos jovens brasileiros. O congelamento de investimentos em educação pelos próximos 20 anos (PEC 95), a redução dos investimentos em programas de financiamento estudantil e a estagnação do PNE 2014-2024 condenam a maioria da “onda jovem” brasileira à ignorância, a alienação e a manipulação fácil.
 
Por falta de segurança e justiça o Brasil mata seu futuro a bala. Desde 2014 ultrapassamos os 60 mil homicídios por ano, sendo a grande maioria crianças, adolescentes e jovens. A cada 24 horas, 29 crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos de idade são assassinadas no Brasil, uma sala de aula inteira morta por dia. A grande maioria das vítimas é negra. E o mais assustador é que no período de 1980 a 2013 este número cresceu 475%, e segue em tendência de alta. Comparado com outros 85 países, o Brasil fica em 3º lugar no ranking de homicídios de crianças e adolescentes, atrás apenas de México e El Salvador, nações que enfrentam sérios problemas de disputa de gangues e cartéis de drogas (El País, 30/06/2016).
 
O Atlas da Violência de 2018 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) evidencia que o direito à vida e a segurança pública no Brasil estão, como a educação, negligenciados e negados, causando um verdadeiro genocídio da juventude brasileira. Em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios. Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil.
 
Segundo o próprio Ipea, quando analisamos a violência letal contra jovens, verificamos, sem surpresa, uma situação ainda mais grave e que se acentuou no último ano: os homicídios respondem por 56,5% da causa de óbito de homens entre 15 a 19 anos. Entre os jovens, há uma desigualdade das mortes violentas por raça/cor, que veio se acentuando nos últimos dez anos, quando a taxa de homicídios de indivíduos não negros diminuiu 6,8%, a taxa de vitimização da população negra aumentou 23,1%. Assim, em 2016, enquanto se observou uma taxa de homicídio para a população negra de 40,2, o mesmo indicador para o resto da população foi de 16, o que implica dizer que 71,5% das pessoas que são assassinadas a cada ano no país são pretas ou pardas.
 
O Brasil mata e mata muito. Entre 2001 e 2015 houve 786.870 homicídios, sendo a enorme maioria (70%) causados por arma de fogo contra jovens negros. Estes dados comparados com conflitos internacionais são mais graves. No conflito sírio, morreram 330.000 pessoas desde 2011. Na guerra do Iraque, desde 2003, foram 268.000 mortes. Portanto, o Brasil, com 210 milhões de habitantes, é o país que mais mata no século XXI.
 
Se agregarmos as mortes por suicídio – quarta causa de mortes de jovens no Brasil -, e os acidentes de trânsito, que representam a principal causa de morte entre os jovens de 15 e 29 anos no mundo, o juvenicídio está evidenciado.
 
Para Valenzuela (2015), estudioso mexicano do tema, o juvenicídio se constitui de diversos fatores que incluem a precarização, pobreza, desigualdade, estigmatização, tendo como eixo central a estratificação social baseada em relações de subalternização. Nesse sentido, o juvenicídio inicia com a precarização da vida dos jovens, a ampliação da sua vulnerabilidade e a diminuição das opções disponíveis para que possam desenvolver seus projetos de vida. O Brasil pratica o juvenicídio porque, além de estar matando os jovens, assassina seus projetos de vida e seus sonhos, reduzindo, por opção política, os investimentos em cultura, educação, ciência, esporte e geração trabalho e renda. A triste consequência, mais de 62% dos jovens desejam deixar o país que se fecha para eles!
 
Fonte: Extra Classe
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 
A Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) e a Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae) divulgaram nota de repúdio à Medida Provisória assinada por Michel Temer na última sexta-feira (6).
 
De acordo com a Aesbe, a medida que Temer considera "mais uma reforma do seu governo" é na verdade uma "proposta equivocada e autoritária, que não busca o bem comum da nação brasileira, mas abrir o mercado para as empresas privadas apenas nos municípios rentáveis". Segundo a Assemae, o "documento representa o abuso de poder da União frente aos 5.570 municípios brasileiros, com prejuízos imediatos para a universalização do acesso aos serviços públicos de água e esgoto no país, sobretudo, em regiões mais pobres".
 
Enquanto o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, considera a MP o novo marco regulatório, que dá segurança jurídica para que empresas privadas também invistam no setor – já que atualmente mais de 90% dos investimentos de saneamento básico no Brasil são realizados por companhias estatais – a Aesbe afirma tratar-se de uma medida que "chega ao absurdo de obrigar os municípios a perguntarem previamente ao setor privado se tem interesse na concessão. Se tiver, haverá licitação. Se não tiver, será operada pelos estados". O Senado já abriu uma consulta pública sobre o tema. Clique aqui e dê sua opinião.
 
ONU é contra
 
A privatização do saneamento básico é vista com ressalvas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o relator especial das Nações Unidas sobre o tema, o brasileiro Léo Heller já afirmou diversas vezes, "as empresas privadas não investem o suficiente e adota política de exclusão de populações mais pobres, impondo tarifas mais altas. Além disso, não atingem as metas dos contratos”. Segundo ele, o próprio Banco Mundial, antes defensor das privatizações no saneamento, já reconheceu que as privatizações não são uma “panaceia para todos os problemas”.
 
CONIC com informações do Brasil de Fato e da Assemae
Foto: MARCELLO CASAL JR (AG. BRASIL)

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