Crianças abrem seus cofres e ofertam presentes aos indígenas

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Diz o evangelho de Mateus que os magos, “ao entrarem na casa onde o menino estava, “abriram seus cofres e ofereceram ouro, incenso e mirra” (Mt 2,11). Crianças da comunidade católica São Vicente de Paulo, bairro Solo Sagrado, periferia de São José do Rio Preto/SP, repetiram o gesto neste último domingo, Festa da Epifania, popularmente conhecida como Festa dos Reis Magos.

Motivadas pela Campanha “Neste Natal, livre uma criança indígena da fome”, promovida pelo CEBI com apoio da CESE, as crianças do “Solo Sagrado” partilharam suas economias de uma maneira muito especial com outras crianças que sonham com seu “Solo Sagrado”, a terra de deixada por seus antepassados. Padre Calazans, que trabalha no bairro, lembrou: “Nossas crianças e adolescentes abriram os cofrinhos e ficaram muito felizes em participar da campanha. Quando precisar elas disseram que pode contar”.

Durante a celebração, na comunidade no Bairro Solo Sagrado (o nome é significativo), as próprias crianças e adolescentes deram seu depoimento. Nas palavras de Yara, "o dinheiro que gastamos com bobagem salva vidas quando doado com o coração". "Sinto-me, orgulhoso e feliz de realizar esta ação solidária", afirmou Alexandre. Nas palavras de Pollyana Federice, “foi uma experiência muito boa, ajudarei novamente se for preciso. Pois ao mesmo tempo aprendi a ajudar o próximo mesmo distante".

Isadora, por sua vez, destacou: “Fiquei feliz em participar desse projeto, ajudando essas crianças indígenas, é como uma simples semente, mas para que ela possa continuar precisamos regar e continuar com esse projeto para podermos levar um pouco de alegria para essas crianças".

Para a Ir. Hosana, que dedica sua vida às pessoas do Bairro Solo Sagrado, “é desde de pequenos, que crianças e adolescentes fazem a experiência do encontro com Jesus na pessoa do irmão”.

Ao todo, o grupo doou R$ 690,00. O valor foi destinado às crianças da comunidade Tey’i Juçú, em Caarapó, próximo a Dourados, no sul do Estado de Mato Grosso do Sul.

Em gurarani, Tey’i Juçu significa “onde já foi um grande lugar”. Na pequena área, hoje vivem mais de 25 famílias, com um elevado número de crianças de todas as idades. A área é legalmente reconhecida como território indígena, mas o governo federal não conclui o procedimento administrativo de demarcação.

Em 2015, por diversas vezes, pistoleiros cometeram ataques violentos contra as famílias. Um deles culminou com o assassinato da jovem Juliana. Seu corpo foi levado pelos pistoleiros. Além disso, latifundiários da região, interessados no lucro e na terra, lançam veneno (agrotóxicos) sobre as famílias, o que vem acarretando problemas de saúde para várias crianças e pessoas idosas. Os mesmos latifundiários dizem ter conseguido na justiça uma ordem de reintegração de posse. Além da fome, as crianças convivem com o temor do despejo e da perda de sua terra tradicional.

Você ainda pode colaborar

O CEBI continuará visitando comunidades indígenas em 2016. Se você ainda deseja colaborar, clique aqui e saiba mais.

Fonte: CEBI
Foto: Reprodução