Abertura do 29º Curso de Verão reflete sobre a destruição da natureza

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As luzes se apagaram e os cursistas colocaram nos olhos as vendas que receberam ao adentrarem o TUCA (Teatro da Universidade Católica) na PUC-SP. Uma voz contou a todos uma história que se parecia com a criação do mundo segundo o Gênesis, mas que falava sobre a destruição da natureza pelo homem. “E se ergueram prédios e as pradarias desapareceram. E ele (o ser humano) viu que era bom”. Foi com esta reflexão que se iniciou nesta quarta-feira, dia 6 de janeiro, a celebração de abertura do 29º Curso de Verão (CV), promovido pelo CESEEP (Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular), na PUC-SP.

Os mais de 200 cursistas começaram a entrar no TUCA por volta das 14h e a dançar músicas como “Asa Branca”, do Gonzaguinha, e “Iluminação”, de Renato Teixiera, após já terem sido credenciados e recebido o material do curso na parte da manhã. A coordenadora do CV, Cecilia Franco, convidou todos a relembrar seus caminhos de vinda para São Paulo, de todas as regiões do Brasil e também de fora do país: “O que nos convocou? Sintam-se em casa, nós estamos no Curso de Verão!”

O palco do TUCA foi ambientado com tecidos e frutas e seguiu-se o momento de luzes apagadas enquanto a ambientação era desfeita. Os cursistas retiraram as vendas e assistiram, ao som de gritos de pessoas, imagens que mostravam a destruição do meio ambiente – como manchas de petróleo nos mares, o uso de agrotóxicos e o desmatamento – além de problemas relacionados como a fome e desastres naturais como o tsunami que devastou a costa da Indonésia e da Tailândia em 2004.

“Gostei da dinâmica de vendarem os nossos olhos e no vídeo tinha imagens que marcaram e me tocaram muito”, disse ao final da abertura a estudante Laura de Melo, 16, pertencente a um grupo da Pastoral da Juventude da Diocese de Araçatuba (SP) da Igreja Católica Apostólica Romana. Ela ficou na memória com a imagem do sofrimento de um homossexual caído no chão com uma bíblia nas mãos sob as cores do arco-íris. “A abertura chamou para uma reflexão, está muito na cara que caminho o curso vai ter”, disse Rodrigo Cosenza, 36, sobre o tema da “Economia promotora dos direitos humanos e ambientais”. O professor de história, que não possui nenhuma fé religiosa, é crítico à “relação que a gente tem de transformação do planeta em mercadoria”, que faz com que não entremos em “uma lógica de cuidar ao invés do que o planeta pode nos dar nesse instante”.

Temática

O tema da preservação do meio ambiente aproxima este ano o Curso de Verão da 4ª Campanha da Fraternidade Ecumênica, como observou na abertura aos cursistas o bispo da IEAB (Igreja Episcopal Anglicana do Brasil) e presidente do CONIC (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil) Dom Flávio Irala. “Nossos temas estão caminhando juntos, espero que sejam bem tratados, o amor, a justiça e a nossa mãe natureza”, disse ele antes de cantar e tocar uma música para os cursistas.

Também falou na abertura o professor da PUC-SP Wagner Sanchez em nome da diretoria do CESEEP. “O Curso de Verão é como uma grande mesa onde todos se sentam juntos para comer e compartilhar. Mais de 100 pessoas ajudaram na organização e vocês serão tocados pela mística do curso.”

O pró-reitor de cultura e relações comunitárias da PUC-SP, Jarbas Nascimento, ainda ressaltou a importância da união entre todos os participantes, sejam assessores, monitores e cursistas. “O mais importante é que todos nós estamos juntos e que possamos no dia a dia transformar o que aprendemos em realidade”.

O curso continua nesta quinta-feira (7), às 8h00 com um momento de espiritualidade e a palestra do economista Ladislau Dowbor, com o tema “Sistema Financeiro trava o desenvolvimento econômico do país”. Após a assessoria, os cursistas seguem para as “tendas” (oficinas) em que se dividiram para discutir a palestra sob espaços criativos como “Liderança de grupos populares” e “Retalhos da história do povo negro”.

Fonte: CESEEP
Foto: Reprodução