CFE 2016 - Saneamento básico e o cuidado com nossa casa comum

clovis bofleur

A Campanha da Fraternidade não é só um discurso, mas uma oportunidade para realizar ações concretas para melhorar a vida na nossa comunidade. Neste ano, tem como tema algo que permeia a vida de cada cidadão: “Casa comum, nossa responsabilidade”. E o lema: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5,24). A campanha destaca a relação que há entre saneamento básico, saúde integral e qualidade de vida para todos, buscando fortalecer o empenho, à luz da fé, por políticas públicas e atitudes responsáveis que garantam a integridade e o futuro desta “casa comum”, ou seja, do planeta Terra.

O saneamento básico constitui um dos mais importantes meios de prevenção de doenças, por isso é muito importante lutar para que todas as famílias tenham acesso ao saneamento. Para dar mais informações sobre a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2016, a Pastoral da Criança entrevistou seu gestor de relações institucionais, Clóvis Boufleur - que apoiou a escolha do tema desde as discussões iniciais da campanha.

“Casa comum, nossa responsabilidade”. Por que foi escolhido este tema?

O saneamento básico refere-se à água, esgoto, lixo, drenagem e limpeza de bueiro nas cidades. Esta temática, hoje, faz parte das necessidades de todo o país e o tratamento de esgoto, a coleta de lixo, e o acesso à água de qualidade produzem saúde. O contrário produz doenças, problemas e sofrimento para as pessoas.

O que tem de diferente na Campanha da Fraternidade deste ano?

Ela tem esta diferença de ser ecumênica, porque reúne igrejas do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e também outros organismos, como a Misereor, que é um organismo da Alemanha que apoia projetos sociais, ela também acontece numa situação muito propícia, muito favorável para discutir problemas relacionados com meio ambiente, como a saúde. O Papa Francisco recentemente lançou uma encíclica chamada “Laudato Si”, que significa “Louvado Seja”, e tem vários itens que destacam que a água de qualidade precisa estar disponível para todas as pessoas.

Como a falta de saneamento básico afeta a vidas das pessoas e, principalmente, das crianças?

Além das doenças, a falta de saneamento básico causa outros prejuízos às famílias. O doente adulto vai faltar mais ao trabalho, as crianças perdem mais dias de aula quando ficam doentes. Elas deixam de brincar e a origem está no saneamento.

O que as famílias e as comunidades podem fazer para ter acesso ao saneamento básico?

Nós encontramos as mais variadas experiências relacionadas com saneamento. No interior de Pernambuco, os moradores de um conjunto habitacional, cansados de esperar, fizeram a canalização do esgoto por conta própria, mas aí no final eles se perguntaram onde iam jogar este esgoto coletado. Enquanto eles decidem, o esgoto está correndo em um rio que passa próximo. Em uma outra situação, no Ceará, o repórter local resolveu mostrar imagens na internet do esgoto que corre a céu aberto pelas ruas. O sistema de coleta foi instalado, mas o sistema de tratamento que estava previsto não foi concluído. Os canos entupiram, o esgoto veio para cima e corre tranquilamente pelas ruas do local. Este vídeo foi colocado na internet. Será que o fato de colocar na internet resolve? Algo a se pensar. E eu gostaria de finalizar dizendo uma experiência que aconteceu no Rio de Janeiro. Como a prefeitura lá não ofereceu serviço de saneamento, algumas pessoas entraram na justiça e ganharam a causa. O juiz determinou que a prefeitura fosse lá e fizesse o serviço de saneamento. O resumo destes três exemplos serve para dizer o seguinte: nós precismos nos mobilizar para fazer correto, ter água, tratar o esgoto, coletar o lixo e limpar os bueiros.

Com informações da Pastoral da Criança
Foto: Reprodução