CFE 2016: entrevista com Alexandre Magno, integrante da REJU

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Esse ano, o tema escolhido para a Campanha é “Casa comum, nossa responsabilidade”, e o lema, “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca” (Am 5.24). Pensando em ampliar o entendimento de Casa Comum, a equipe CONIC foi falar com Alexandre Magno da Glória, estudante de Engenharia Ambiental, candomblescista e integrante da Rede Ecumênica da Juventude (REJU). Confira.
 
O tema da CFE 2016 conversa, de algum modo, com o Candomblé?
 
Sim, afinal, todas as religiões devem ter como princípio o bem estar comum, uma vez que ninguém se encontra excluído do planeta. Todas e todos possuímos deveres e uma corresponsabilidade com a casa comum. E nessa diversidade de posturas, aprendidas em meio a cada cultura e conhecimentos de fontes diversas transmitidas ao longo das gerações podemos reconhecer e aprender posturas distintas de cuidado.
 
Como o Cuidado da Casa Comum é abordado nessa tradição?
 
Sendo o candomblé uma religião que cultua os Òrìsàs, que são divindades primordiais da natureza, tudo que fazemos tem de ser com respeito a estes locais compreendidos como sagrados. Seja nas matas, cachoeiras ou no mar, o cuidado com a casa comum tem que ser constante. Há um ditado que diz que Kó si ewé, kó sí Òrìsà, ou seja, “sem folhas não há Orixá”.
 
Quais os impactos da falta de saneamento básico para a sua religião?
 
Sabemos que a falta de saneamento básico atinge a sociedade como um todo. Nas tradições das religiões de matrizes africanas a impossibilidade de acesso à água devido ao racionamento/crise hídrica, a falta de flora preservada, a poluição e a ausência de rios vivos ou que ainda não foram canalizados, impossibilita a manutenção da tradição e a vivência de nossa religiosidade de forma plena, uma vez que a natureza é para nós a melhor expressão do Sagrado.
 
A nível de Brasil, o que as casas de santo tem feito para contribuir com essa temática?
 
Reforçam-se os fundamentos e princípios que vem com a nossa tradição. As casas de Àṣẹ (Axé) transmitem o ensinamento do cuidado como expressão de sua espiritualidade, uma vez que os fundamentos e princípios que vem da tradição religiosa é compreendida em uma relação mais profunda entre ser humano e natureza como espaço sagrado, em seus variados aspectos.
 
Vem se adotando práticas religiosas que visam diminuir os impactos apenas com a utilização de elementos biodegradáveis nas oferendas. Como exemplos há o Ilé Àṣẹ Òpó Àfònjá (Casa de Axé Sustentada por Afonjá) e o Ilé Òsùmàrè Aràká Àse Ògòdó (Casa de Oxumarê), que são terreiros de candomblé tradicionais da nação de Kétu em Salvador, que estimulam a consciência da responsabilidade com o meio ambiente.