Dia Internacional da Mulher: mais que comemorar, refletir!

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Apesar de haver cada vez mais avanço no que toca ao papel das mulheres na sociedade, a desigualdade de gênero ainda existe e, ainda hoje, o sexo feminino luta para conseguir direitos iguais. Acontece aqui, no Brasil, e no resto do mundo
 
Celebra-se, hoje, o Dia Internacional da Mulher. A data celebra muitas conquistas femininas ao longo de vários anos e serve como alerta sobre os graves problemas na desigualdade de género no mundo inteiro. Estamos em 2016 e várias mulheres, por todo o mundo, ainda lutam pelos seus direitos. Fazem-no hoje e faziam-no em 1857.
 
Nesse mesmo ano, um grupo de 130 mulheres fez uma greve na fábrica têxtil onde trabalhava, em Nova Iorque, para exigir melhores condições de trabalho. Estas mesmas mulheres trabalhavam em condições miseráveis: 16 horas de trabalho diário a receber o terço do que recebia um homem. Reivindicavam, então, o aumento salarial, a redução do horário de trabalho e um melhor tratamento no local de trabalho.
 
Contudo, a greve não foi bem vista e não correu bem. Essas mulheres foram trancadas dentro da fábrica onde trabalhavam, que depois foi incendiada. Morreram carbonizadas.
 
Apesar deste grave acontecimento, só no ano de 1911, durante uma conferência na Dinamarca, ficou decidido que o dia 8 de março passaria a ser o Dia Internacional da Mulher, em homenagem às mulheres que morreram no incêndio. A data só foi oficializada em 1975 pela Organização das Nações Unidas (ONU), através de um decreto.
 
Muito antes de a ONU institucionalizar a data, foram várias as manifestações femininas para obter melhores condições de trabalho.
 
Um dos protestos que mais se destaca foi a marcha que, em 1908, reuniu cerca de 15 mil mulheres em Nova Iorque que exigiam a redução horária no trabalho, bem como o aumento do salário e o direito de voto.
 
PELO MUNDO
 
A história difícil da libertação das mulheres na região do Oriente Médio remonta à reforma otomana do Direito da Família, em 1917. A partir de então, em muitos países da região e do norte africano, as mulheres alcançaram conquistas no campo dos direitos civis.
 
Mesmo assim, a igualdade de gênero no Oriente Médio ainda está longe de ser alcançada. Ao longo dos anos, são várias as gerações de mulheres lutam pela liberdade.
 
E o mundo ainda tem suas tristes ironias. Há 30 anos, as mulheres sírias e iraquianas tinham muito mais liberdade e direitos. Depois de muitos anos de guerras e conflitos, tais mulheres viram o seu estatuto social, civil e político erodir.
 
Em outros países a ironia é ainda maior: o dia é tão importante que se tornou feriado público. Nem o comércio funciona. A parte estranha é que fazem parte da lista Cazaquistão e Burkina Faso, locais onde as mulheres são totalmente discriminadas. No Burkina Faso, por exemplo, a mulher não pode, de modo algum, receber o título de “chefe de família”.
 
Países como a Arábia Saudita - onde as mulheres puderam votar pela primeira vez no ano passado - o sexo feminino está impedido de praticamente tudo, seja tomar decisões importantes ou mesmo fazer coisas simples, como conduzir um carro.
 
É verdade que na Europa as mulheres são cada vez mais iguais aos homens no que diz respeito aos direitos. Mas também é verdade que este é um continente com uma variedade cultural enorme.
 
No continente europeu, as mais prejudicadas continuam sendo as muçulmanas. Em muitos casos, uma grande discrepância em relação aos direitos das mulheres residentes em solo europeu tem na religião a principal causa de desigualdade.
 
BRASIL
 
Uma mulher é assassinada a cada duas horas no Brasil. Esse dado chocante não deve fazer com que outra questão seja obscurecida: a da constância com que atos violentos são praticados, em especial, no ambiente doméstico. Das mulheres que afirmam ter sofrido violência - contingente que equivale a 19% da população do país -, 31% ainda precisam conviver com o agressor, dessas, 14% seguem como vítimas de repetidas agressões. Estes números são produto de um círculo alimentado pela ideologia machista que trivializa condutas abusivas, dificultando o próprio reconhecimento da violência enquanto tal.
 
Num país composto mais de 86% por cristãos, onde apenas 8% da população declara não possuir religião, as justificativas religiosas para as desigualdades de gênero e a violência contra a mulher não devem ser desprezadas no entendimento desse fenômeno talvez ainda mais cruel do que apontam
 
Com informações do Jornal i e Koinonia
Foto: Andrew McConnell/UNHCR