Fundamentalismo religioso ameaça o desenvolvimento sustentável

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“A colaboração inter-religiosa entre a Federação Luterana Mundial (FLM) e a agência Islamic Relief Worldwide (IRW, sigla em inglês) é um exemplo concreto de articulação que vai muito além de plataformas de incidência. Tem um papel central na resposta aos desafios da justiça de gênero”, afirmou a secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), organização diaconal ligada à Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), pastora Cibele Kuss. A fala foi proferida em um dos painéis organizados pela FLM, por meio da Secretaria Mulheres na Igreja e na Sociedade (WICAS, sigla em inglês), durante a 60ª Sessão da Comissão do Status da Mulher, realizado na sede da ONU, em Nova Iorque, EUA, de 14 a 24 de março.

Cibele e as demais delegadas da FLM defendem uma maior colaboração entre a ONU e organizações da sociedade civil baseadas na fé, para tratar de temas que afetam o empoderamento das mulheres e o desenvolvimento sustentável, que orientou a sessão da Comissão do Status da Mulher este ano.

Representantes do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA, sigla em inglês), da Associação Mundial de Jovens Mulheres Cristãs e da Federação dos EUA para a Paz no Oriente Médio participaram do painel.

A assessora de gênero da IRW, Sharifa Abdulaziz, disse que “a fé é um componente integral do tecido social e é considerada por muitas pessoas como a principal força para provocar mudanças em comunidades”. Uma parceria firmada em 2014 entre a FLM e a IRW no Nepal ajudou no trabalho de apoio às pessoas que perderam suas casas e seu sustento, no terremoto de abril de 2015, e também junto a refugiadas e refugiados sírios que vivem na Jordânia.

Por sua vez, a secretária executiva da FLD citou que o UNFPA apoiou, em 2015, uma ação inter-religiosa de incidência, relacionada com a Campanha dos 16 dias de Ativismos pelo fim da Violência contra a Mulher, que enfocou o casamento infantil, seu impacto na educação das meninas e o papel da fé nessas realidades tão desafiadoras.

Cibele, que é membro do Conselho da FLM, lembrou que racismo, intolerância religiosa e outras formas de discriminação acentuam e reproduzem desigualdades no Brasil. Os grupos que têm sofrido injustiças incluem, na sua maioria, afrodescendentes, povos indígenas e comunidades de diferentes orientações sexuais. De acordo com ela, a escalada da violência contra esses grupos é alimentada por membros da Câmara e do Senado federais, que apoiam fundamentalistas cristãos, em um cenário religioso que está em mutação no país.

Dra. Azza Karam, assessora sênior para a Cultura do UNFPA, disse que a situação no Brasil reafirma sua convicção da necessidade de troca de experiências sobre intolerâncias religiosas, especialmente na perspectiva Sul-Sul.

Concluindo, Cibele disse que a Política de Justiça de Gênero da FLM, de 2013, ajudou a Fundação Luterana de Diaconia a desenvolver um documento similar em 2014. “Tem sido uma ferramenta poderosa para assegurar que nossas outras políticas, como uma organização baseada na fé, sejam construídas a partir da justiça de gênero”.

A secretária executiva da Fundação Luterana de Diaconia (FLD), pastora Cibele Kuss, participou da 60ª Sessão da Comissão do Status da Mulher como uma das seis delegadas da Federação Luterana Mundial (FLM), através da Secretaria Mulheres na Igreja e na Sociedade (WICAS), que tem presença histórica nas sessões da comissão, assim como outras organizações baseadas na fé.

Fonte: www.lutheranworld.org / Fotografia: LWF/C. Rendón
Tradução: Susanne Buchweitz