Envolver, informar e empoderar: sinais da misericórdia

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A “International AIDS Candligth Memorial” ou Vigília Pelos Mortos de Aids, como é conhecida no Brasil, é uma mobilização mundial que visa fazer memória das pessoas que faleceram em decorrência da aids, assim como chamar a atenção da sociedade acerca da epidemia. Em 2016, tempo em que celebramos o Ano da Misericórdia, os verbos “envolver, informar e empoderar” que formam o tema deste memorial, nos provocam a assumir a compaixão como ação permanente.

Todos os dias, milhares de pessoas são infectadas e morrem no mundo inteiro por conta da aids e não dá pra ficar de braços cruzados ou tratar um problema de saúde pública e direitos humanos pelo viés moralista ou banal. É preciso chegar antes do vírus ou de outras intercorrências, abraçando esta causa individual ou coletivamente nos grupos sociais que pertencemos. Afinal, falar de aids não é responsabilidade apenas de gestores públicos, ativistas, agentes de pastorais (da aids/saúde) ou pessoas vivendo com HIV, mas da sociedade como um todo.

Além dos fatores biológicos, médicos ou farmacológicos, há um conjunto de questões políticas, sociais, econômicas, culturais e ambientais que precisam ser consideradas no campo educativo. Eles interferem na qualidade de vida das pessoas, sobretudo com sorologia positiva para o HIV. Quando não nos apropriamos de conhecimentos que visam o bem comum, o retrocesso tende a ameaçar a cidadania de uma população.

É fato que a saúde não é a ausência de doença, mas o bem-estar integral (inclusive espiritual) que precisa ser garantido em todos os âmbitos, independente da condição sorológica. A misericórdia (misereor = compaixão; cordis = coração) é exigência fundamental que cabe a cada um/a de nós ativar, desenvolver e dinamizar essa potencialidade em pessoas e grupos para uma consciência e atitude, não pelo viver bem (individualista), mas do bem viver (coletivo).

A Semana de Oração pela Unidade Cristã, a Vigília Pelos Mortos de Aids e a Celebração de Pentecostes, coincidência ou providência numa perspectiva teológica, parecem apontar para uma comunhão com o tema. Pelo Espírito somos “chamad@s [envolver] a proclamar [informar] os altos feitos do Senhor [empoderar]” (1 Pd 2,9). A experiência dos apóstolos de Jesus e de Maria, sua mãe, tornar-se-ão nossa quando rompermos os muros da ignorância e do preconceito para vivenciar o sabor da misericórdia de Deus que re-nasce.

Eduardo da Amazônia é agente de pastoral e educomunicador popular, integrante da Pastoral da Aids
CNBB/Norte 2 (www.EduardoDaAmazonia.blogspot.com)

Imagem: Sham Hardy / CC