São Paulo: oficina debateu questão dos imigrantes e refugiados

Foi realizada, nos dias 15 e 16 de abril, em São Paulo, a segunda edição da oficina “Imigrantes e refugiados: desafios da Casa Comum”. O evento, que contou com a organização do CONIC e a promoção do Fórum Ecumênico ACT-Brasil, objetivou sensibilizar igrejas e organizações de diferentes tradições religiosas para a situação dos imigrantes e refugiados. Além disso, buscou fortalecer a rede de acolhida, criando espaços de escuta e diálogo com os imigrantes e, ainda, fortalecer a ação de incidência pública com o objetivo de denunciar a violação de direitos.

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O evento teve início com a saudação do presidente do CONIC, Flávio Irala, que, no contexto da Semana de Oração pela Unidade Cristã, falou sobre a importância da unidade entre os cristãos. Em seguida, ele fez uma reflexão sobre “Quais os feitos que Deus está fazendo em nossas vidas?” “Um dos feitos é caminhada ecumênica, que desafia para o diálogo e para a ação conjunta entre as igrejas”, declarou.

“A caminhada conjunta das igrejas e religiões é um antídoto às intolerâncias. Quando somos chamados e chamadas a proclamar os grandes feitos de Deus, somos desafiados a assumir a nossa responsabilidade com a Casa Comum. Deus nos provoca, vocês são aquele povo que foi chamando para mostrar os meus grandes feitos. Os feitos de Deus acontecem através da ação do seu povo”, ponderou Irala.

OLHAR BÍBLICO SOBRE A MIGRAÇÃO

A partir dos livros de Êxodo e Deuteronômio, o parceiro do CONIC, Daniel Souza, provocou uma reflexão sobre os motivos que expulsam as pessoas de suas casas e de seus países.

“É necessário ler a bíblia com os olhos de quem foi obrigado a deixar suas casas. Temos o desafio de desconstruir as interpretações coloniais dos textos bíblicos. Uma pergunta relevante é a de quem sofre os impactos das colonizações? Quem pode denunciar esses impactos?”, afirmou.

MULHER

Em seguida, Oriana Jara, que trabalha com mulheres migrantes, falou sobre a situação específica sofrida por elas. Oriana chamou a atenção que toda mulher migrante sente medo e solidão. Elas sacrificaram parte de suas vidas em benefício de seus filhos e filhas. Parte da migração que não é dita, mas vivida. Ela também lembrou outro ponto: a migração em São Paulo preocupa, porque há muitas comunidades de mulheres migrantes que são pobres. Assim, percebe-se a feminização da pobreza e a feminização da migração.

Mais adiante, Oriana afirmou que é muito importante encontrar espaço para mulheres migrantes nos locais de organização popular das mulheres brasileiras.

TERCEIRA PARTE

A terceira parte da oficina foi dedicada aos desafios pastorais e diaconais da migração e do refúgio. A assessoria foi do padre Paolo Parise, da Missão Paz.

“Muitos refugiados Refugiadas tem uma preparação incrível. Muitos deles são líderes nas comunidades eclesiais de origem. São pessoas engajadas em suas comunidades de origem. Além do lado profissional, eles têm um lado espiritual desenvolvido. Nossa resposta como igreja precisa ser rápida”, afirmou Parise.

REJU

Por fim, a partir da assessoria da REJU, foi refletido sobre a criação de uma Rede Ecumênica de apoio ao Migrante.

PRÓXIMA EDIÇÃO

A próxima oficina será realizada nos dias 29 e 30 de julho, com cidade-sede a definir.