UFLA é Azul: 2ª universidade do mundo com o certificado Blue University

blue entrega certificado
 
“É com grande prazer que conferimos à Universidade Federal de Lavras o certificado Blue University – a segunda universidade do mundo a receber o reconhecimento”. Essa foi a declaração de Maude Barlow, cofundadora e líder do movimento global Blue Community (Projeto Comunidades Azuis) – do Council of Canadians, durante  conferência internacional realizada no dia 13 de maio, na Universidade de Berna, Suíça. O certificado foi recebido pelo reitor da UFLA, professor José Roberto Scolforo, idealizador e gestor do Plano Ambiental e Estruturante que conduziu a Instituição ao status de universidade mais sustentável do País e exemplo internacional de gestão ambiental.
 
O reconhecimento internacional é fruto das ações implementadas na Universidade, atendendo a seis critérios fundamentais: reconhece a água como um direito humano; promove o consumo de água por meio de infraestrutura pública e gratuita; a gestão da água é de forma responsável; mantém serviços de tratamento da água para consumo e residuais; cultiva parcerias para defender o direito à água em nível internacional e desenvolve pesquisas sobre a gestão sustentável da água.
 
A UFLA é a segunda universidade do mundo a receber o reconhecimento, a primeira foi a Universidade de Berna. O certificado atesta que a Universidade é uma instituição que pratica e defende os recursos hídricos compartilhados. Um reconhecimento de que a Universidade prima pela produção, tratamento, uso e reaproveitamento da água.
 
Para Scolforo, um momento de realização e alegria. “Gostaria de dividir com toda a comunidade da UFLA e a cidade de Lavras e região um dos mais expressivos certificados que a Universidade já ganhou durante toda a sua história. A certificação ‘Universidade Azul’ é decorrente da gestão democrática das águas e da responsabilidade ambiental confirmada pelas ações praticadas em nosso câmpus”, considerou o reitor.
 
Resgatando brevemente as linhas prioritárias do Plano Ambiental e Estruturante, Scolforo destaca as ações de revegetação e proteção das nascentes, o tratamento adequado da água e com qualidade, sua distribuição democrática e o tratamento de esgoto que além de tratar a água residuárias de todo os processos, fornece água para reuso em atividades de irrigação dentro do câmpus. “As práticas sustentáveis influenciaram de forma positiva o envolvimento de toda a comunidade acadêmica, ampliando o orgulho de pertencer à Instituição”, enfatizou.
 
“Naturalmente, esse certificado aumenta a responsabilidade da Universidade, sobretudo, na gestão dos recursos hídricos. Vamos continuar contando com a colaboração de todos para aprimorar nossos processos e tornar nossa Instituição cada vez mais reconhecida internacionalmente como exemplo de gestão ambiental. Ficamos encantados com a receptividade e ainda mais felizes por sermos a segunda Universidade a receber a certificação no mundo”, destacou, reconhecendo a missão de levar essa experiência para além dos muros da Universidade, impactando positivamente as cidades do nosso entorno, do Estado e do País.
 
De forma simbólica, o certificado reforça os ideais da UFLA no que tangem à conservação do meio ambiente, em três vertentes fundamentais: formação de profissionais mais conscientes e com vivência de práticas de sustentabilidade tornando-se embaixadores dessa causa no mercado de trabalho; incentivar que a extensão universitária compartilhe soluções e práticas reais para a transformação da sociedade; e, por fim, ampliar a rede de colaboradores e parceiros, para a definição de políticas que sejam de convergência com o desenvolvimento sustentável.
 
Representação institucional
 
A cerimônia da entrega do certificado contou com a presença do diretor de Relações Internacionais da UFLA, professor Antônio Chalfun Junior; do pró-reitor de Pesquisa, professor José Maria de Lima; do pró-reitor de Extensão e Cultura, professor José Roberto Pereira.
 
A cerimônia teve a participação de Franklin Frederick , defensor das causas que envolvem a água como bem público e um dos articuladores da iniciativa junto a Council of Canadians.
 
O evento ainda teve a presença do promotor de Justiça Bergson Cardoso Guimarães, convidado pelos organizadores do evento para explanar sobre o papel da promotoria pública brasileira em defesa da ordem jurídica, do Regime Democrático e dos interesses sociais e individuais indisponíveis. A cerimônia também contou com a presença do conselheiro Rubem Mendes de Oliveira, representando o  embaixador do Brasil na Suíça, José Borges dos Santos Júnior.
 
Maude Barlow foi convidada e aceitou publicamente o convite do reitor para visitar a UFLA e palestrar no próximo Dia Mundial da Água, em 22 de março de 2017.
 
Plano Ambiental premiado
 
Associado à necessidade de se organizar para acomodar novos públicos, a Universidade tinha, em 2008, o desafio de resolver problemas ambientais que marcavam a rotina no câmpus. Diante do cenário, o professor Scolforo, na época pró-reitor de Planejamento e Gestão idealizou o Plano Ambiental e Estruturante, com ações que previam a resolução dos problemas existentes e a garantia de um crescimento sustentável. Para tal, buscou a colaboração de professores, técnicos administrativos e estudantes e, juntos, possibilitaram o desenvolvimento do Plano. Com medidas que envolveram toda a comunidade acadêmica, a experiência resultou em reconhecimento externo, com a conquista de prêmios nacionais e a primeira colocação na América Latina no principal ranking internacional de sustentabilidade. Em apenas oito anos, tornaram-se visíveis os reflexos que essas práticas projetaram sobre a reputação, a identidade e a imagem organizacional. Atualmente reconhecida como “Eco Universidade”, a instituição teve um percurso de sucesso no trato com as questões ambientais.
 
O desafio da gestão hídrica
 
Todos os dias, são gastos na UFLA 800 mil litros de água tratada, 120 mil litros de água não tratada nas estufas e casas de vegetação, 80 mil litros no atendimento aos animais dos departamentos de Medicina Veterinária (DMV) e Zootecnia (DZO), além de 50 mil litros com as obras em andamento. Esse volume vem de reservas da própria Universidade, alimentadas por 15 nascentes presentes na instituição.
 
Reservas próprias: benefícios para o ensino e a pesquisa na Instituição
 
Já é uma realidade a nova estrutura da Estação de Tratamento de Água, que permite o processamento de 1,6 milhão de litros de água por dia, atendendo com folga à demanda crescente da Universidade, com a abertura dos novos cursos. Além disso, em todas as novas estruturas físicas que estão sendo construídas na UFLA, as torneiras são automáticas e os vasos sanitários têm caixas acopladas, o que contribuirá para diminuir o consumo. De forma adicional, está em curso processo para a reforma de 50 banheiros presentes nas estruturas antigas da Instituição.
 
A utilização, pela UFLA, da água de reservas próprias e o tratamento de esgoto possibilitam uma economia financeira de R$ 6 milhões ao ano, recursos que são aplicados na melhoria da qualidade do ensino. O tratamento da água e do esgoto pela instituição contribui para o desempenho positivo na área ambiental, é fonte de pesquisa para iniciação científica e pós-graduação, além de constituir espaço de ensino em que os estudantes podem ter acesso a laboratórios reais de tratamento de água e de esgoto.
 
Proteção da nascente principal da UFLA
 
A nascente principal está localizada fora da área da Universidade. Ao longo do tempo, ações vêm sendo desenvolvidas, envolvendo diferentes atores sociais, para que ela possa ser preservada e revitalizada. Entre as ações já em execução estão a contenção de encostas, com terraceamento e construção de bacias de contenção.
 
Ativação de três poços artesianos
 
Três poços, com vazão total de 400 mil litros de água, foram abertos em 2014. Já existiam também dois outros poços em atividade, que servem ao alojamento estudantil e à parte da experimentação implantada na UFLA.
 
Revegetação de nascentes
 
A revegetação de nascentes é outra medida em andamento, que deve resultar em retorno mais efetivo em médio e longo prazo. Há seis anos, o procedimento foi iniciado, já tendo sido plantadas na UFLA 90 mil mudas de 49 espécies diferentes. Em 2016, os plantios continuam e devem envolver 50 mil mudas.
 
Substituição dos destiladores dos laboratórios
 
Os destiladores que havia em todos os laboratórios da UFLA foram substituídos em 2012 por purificadores que operam por osmose reversa. O sistema possibilita a economia de 90% no consumo de água. Esses destiladores consumiam 100 mil litros de água em  8 horas de funcionamento; os purificadores reduziram o gasto para 10 mil litros de água.

Fonte: UFLA (Ascom)
Foto: Reprodução