Líderes cristãos do Reino Unido pedem que país não dê as costas à Europa

Os principais líderes cristãos do Reino Unido manifestaram-se sobre as implicações do histórico voto pela opção de abandonar a União Europeia. O cardeal arcebispo de Westminster e presidente da Conferência Episcopal da Inglaterra e Gales, Vincent Nichols, publicou um comunicado realista que detalha os principais desafios que, na sua opinião, o país enfrenta agora.

A reportagem é de Cameron Doody e publicada por Religión Digital, 24-06-2016. A tradução é de André Langer.

“Uma grande tradição do Reino Unido é a de respeitar a vontade do povo, expressada nas urnas. Hoje, tomamos um rumo que será exigente para todos”, escreve o cardeal Nichols.

O cardeal quis dirigir-se, em sua nota, aos políticos que seduziram a população do Reino Unido com promessas de melhorias nos sistemas de pensões e saúde públicos a custo do dinheiro que o país supostamente irá economizar, uma vez que não terá de contribuir para as arcas da União Europeia. Nichols pediu que as negociações, a partir de agora, se desenvolvam “com respeito e civilidade”, mas reclamou ao mesmo tempo “que os mais vulneráveis sejam apoiados e protegidos, especialmente aqueles que são alvos fáceis de empregadores inescrupulosos e traficantes de pessoas”.

Seja como for agora o “divórcio” do Reino Unido da União Europeia, o cardeal Nichols fez um apelo aos seus concidadãos para que não esqueçam “as nossas tradições de generosidade, de acolhida dos estrangeiros e de alojamento para os mais necessitados”. “Agora temos que trabalhar duramente para nos mostrarmos bons vizinhos e colaboradores resolutos nos esforços internacionais para resolver os problemas críticos do nosso mundo atual”, acrescentou na sua nota o arcebispo de Westminster.

A mensagem dos líderes anglicanos

Os dois prelados mais importantes da Igreja anglicana – o arcebispo de Canterbury, Justin Welby (foto), e o arcebispo de York, John Sentamu – divulgaram uma declaração conjunta em que exigem que o governo respeite o resultado do referendo e defina o mais rápido possível os próximos passos a seguir.

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“O voto para deixar a União Europeia”, escrevem os bispos da Igreja nacional, “significa que todos temos que re-imaginar agora o que implica ser o Reino Unido em um mundo interdependente e quais valores e virtudes deverão determinar e guiar as nossas relações com os outros”.

Assim como também fez o cardeal Nichols, os arcebispos Welby e Sentamu insistiram na necessidade de que desapareçam as diferenças de opinião que havia durante a campanha. “Todos temos que nos unir agora na tarefa comum de construir um país generoso e orientado para o futuro, que contribua para o bem-estar humano em todo o mundo”.

Da mesma forma, Welby e Sentamu preocupam-se com os cidadãos não britânicos que se encontram no país, mas que se sentem inseguros com o que possa lhes acontecer, e convidam os britânicos para que mostrem aos seus vizinhos, amigos ou companheiros de trabalho estrangeiros o quanto são apreciados.

Os dois arcebispos anglicanos também não se esqueceram dos líderes europeus nesta difícil situação, pelos quais rezam “enquanto enfrentam esta mudança dramática”. “Rezemos especialmente”, terminam sua mensagem, “para que avancemos na construção de um bom Reino Unido que, ao relacionar-se com o resto da Europa de uma nova maneira, desempenhe seu papel entre as nações pelo bem comum”.

Fonte: IHU
Foto: Ben Curtis/AP