Londres: CONIC participa de reuniões com setores da Chrisitan Aid

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A visita na Chrisitan Aid, nos dias 25, 26 e 27 de maio, se caracterizou por um conjunto de reuniões entre CONIC, representado pela secretária-geral, Romi Bencke, e diferentes setores da instituição. A primeira foi com a diretoria do Departamento de Igrejas da Christian Aid. Dione Gravesande, chefe de Departamento de Igrejas da Christian Aid, explicou que a Christian Aid é uma organização de 40 Igrejas que busca mostrar a voz pública das Igrejas. Para tanto, a reflexão teológica é central.

Dione falou sobre os novos desafios que surgem com o aumento de igrejas pentecostais na Inglaterra. Essa particularidade desafia a organização a identificar novas formas de diálogo com estes movimentos. Há um esforço grande em produzir análises teológicas sobre temas em que as igrejas estão atuando, entre estes temas, podem ser destacados a reflexão teológica sobre mudança climática. Outro tema relevante é sobre teologia e gênero.

Há uma compreensão clara da Christian Aid que potencializar a atuação das Igrejas e sua voz pública, na defesa de direitos, da justiça e da paz é fundamental para promover mudanças em favor de um mundo com mais igualdade.

O outro encontro foi com a equipe do Programa Lado a Lado, que tem como um dos objetivos a promoção da justiça de gênero. “Reuni-me com Josh Levine, o coordenador do Programa, e as integrantes da equipe, Chiara e Helen Denis. Nessa reunião, foram recuperados os resultados do Encontro desse Programa ocorrido no Brasil, no final de 2015, com representações de diferentes países da América Latina e Caribe. Compartilhei as dificuldades existentes no Brasil em torno da temática justiça de gênero e as polêmicas ocorridas com os Planos Municipais de Educação de como parte das Igrejas militaram contra a perspectiva de gênero nesses planos. Também foi dado destaque para os trabalhos de fortalecimento da justiça de gênero realizado por algumas igrejas no Brasil”, explicou Romi Bencke.

A reunião com a equipe responsável pela Angola e Brasil foi realizada por Skype. Participaram Deolinda Teka, secretária do Conselho de Igrejas da Angola e Sarah Roure, responsável pelo Brasil. A reunião centrou-se na ação realizada pelos dois Conselhos de Igrejas em favor da diminuição das desigualdades e do fortalecimento dos espaços democráticos. Reverenda Deolinda relatou que alguns problemas da Angola são similares com os problemas enfrentados pelo Brasil. O Conselho de Igrejas da Angola trabalha fortemente na superação das desigualdades e do abuso de poder. Um dos desafios do país hoje é um maior equilíbrio nas relações de poder.

O Conselho de Igrejas da Angola é bastante ativo também na resolução de conflitos relacionados aos direitos humanos. Há clareza do papel relevante das igrejas para a educação na sociedade, em especial a educação para a paz e para a justiça de gênero. O Conselho de Igrejas da Angola tem 40 anos de existência. Seu esforço, no momento, tem sido o de promover espaços de formação sobre o tema justiça de gênero nas cinco províncias do país. Destaca-se que maioria das lideranças das igrejas da Angola são mulheres, mas elas geralmente não ocupam espaços de decisão. Em algumas igrejas elas são impedidas de pregar. Nesse sentido, o desafio é melhorar a relação de poder nas Igrejas.

Reunião com David Clarck sobre direitos LGBTTs: ele é responsável por promover a discussão interna na Christian Aid sobre direitos LGBTTs. A reunião foi um momento interessante para conversar sobre os principais limites existentes, em especial, no âmbito de organizações religiosas para que os direitos LGBTTs sejam respeitados em sua integralidade. Também foram compartilhadas experiências de Igrejas inclusivas e daquelas que estão abrindo espaço para que as pessoas LGBTTs possam falar livremente sobre fé e sexualidade. A violência contra pessoas LGBTTs também foi um dos aspectos abordados. Por fim, foi falado de como as interpretações bíblicas que não levam em consideração os aspectos sociais e históricos dos textos bíblicos contribuem para legitimar o preconceito e a discriminação por orientação sexual.