3° oficina “Imigrantes e refugiados: desafios da Casa Comum”

Nos dias 29 e 30 de julho, foi realizado em São Paulo, no Centro de Formação Sagrada Família, a 3° edição da oficina “Imigrantes e refugiados: desafios da Casa Comum”. No evento, foi feito um resgate do que já tinha sido abordado nas duas etapas anteriores.

Entre os temas tratados, destaque para o atual contexto da migração, que perpassa questões de raça, gênero, classe social e geopolítica. Foi consenso entre os participantes que tanto a migração, quanto o refúgio, são consequências de um mundo cada vez mais regido pela lógica do mercado.

Os participantes também chegaram a alguns apontamentos interessantes:

1- As pessoas migrantes têm como sonho a mudança de vida;
2- O Brasil, apesar de ser signatário de muitas convenções internacionais relacionadas à migração e ao refúgio, não tem estrutura para receber e acolher pessoas migrantes e refugiadas. Para estas pessoas, o acesso às políticas públicas é muito difícil;
3- As situações de violação de direitos de migrantes e refugiados fazem com que Deus seja colocado cada vez mais distante de nós. Hoje, segue atual o poema de Castro Alves, quando pergunta: “Deus,
ó Deus, onde estás que não respondes?”

Como problemas a serem enfrentados, destacaram-se:

1- Racismo e intolerância religiosa contra migrantes e refugiados;
2- O trabalho com pessoas migrantes e refugiadas não pode fazer de nós colonizadores religiosos. É necessário reconhecer no outro a presença de Deus;
3- O foco de um trabalho ecumênico voltado para pessoas migrantes e refugiadas precisa intervir nas seguintes frentes:

1 - Sensibilização sobre o tema junto às igrejas

1.1 - Quem é imigrante em nossa comunidade?
1.2 - Criar uma cartilha que oriente as Igrejas a lidar com imigrantes e refugiados.

2 - Políticas Públicas

2.1 – Apropriação de materiais existentes que possam complementar e subsidiar as ações em cada Igreja;
2.2 – Monitorar e pressionar (cobrar) para avançar o Estatuto do imigrante;
2.3 – Monitorar a Lei da Liberdade religiosa em SP;
2.4 – Capacitação de lideranças para o trabalho com imigrantes e refugiados nas Igrejas;
2.5 – Sugerir uma ação nacional para o dia do imigrante que traga visibilidade;
2.6 – Buscar integração dos espaços de conivência com as Igrejas.

Nos aspectos teológicos, os presentes entenderam que é preciso trabalhar com os imigrantes sob perspectivas inter-religiosas, respeitando princípios como a unidade na diversidade, o respeito à liberdade e a valorização da igualdade. Também foi falado que será preciso uma espécie de profetismo/denuncia, que será responsável por desconstruir a associação do islamismo com o terrorismo; refutar a instrumentalização da religião para a legitimação de práticas de ódio, racismo, xenofobia, intolerância religiosa, etc., de modo a alcançar, enfim, um amor ao próximo que seja incondicional, em plenitude.

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