Ato de fundação oficializa Movimento Ecumênico de Curitiba

A Comunidade Luterana Martin Luther da Paróquia Cristo Salvador acolheu na noite da última quarta-feira, dia 3 de agosto, o ato de fundação do Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC). Embora existente desde a década de 1950, o MOVEC ainda não possuía uma referência documental que referendasse institucionalmente sua existência e atuação.

Na cerimônia de fundação, quatro igrejas efetivaram seu compromisso com o projeto ecumênico através da aprovação de Estatuto próprio e a aclamação da ata de fundação: a Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) e a Igreja Ortodoxa Ucraniana. As lideranças eclesiásticas pertencentes à região que circunscreve a atuação do MOVEC – dom José Antônio Peruzzo, da Arquidiocese Católica de Curitiba; pastor Odair Airton Braun, pastor sinodal da IECLB do Sínodo Paranapanema; dom Naudal Alves, bispo da Diocese Anglicana do Paraná; e dom Jeremias Ferens, arcebispo da Eparquia Ortodoxa Ucraniana na América do Sul – Patriarcado Ecumênico de Constantinopla – estiveram presentes, ratificando seu compromisso com o ecumenismo.

Juntamente com os líderes das igrejas e os participantes do MOVEC, colaboradores(as) e amigos(as) sintonizados(as) com a caminhada ecumênica compartilharam da fundação oficial do Movimento em espírito de celebração e confraternização. Na liturgia festiva, conduzida pelos ministros e ministras presentes, o pastor Agemir de Carvalho Dias, da Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), estudioso do ecumenismo no Brasil e de longa data envolvido com o empenho ecumênico, conduziu sua pregação retomando a história do MOVEC e a importância de sua ação na realidade atual. “Enquanto houver muros sendo construídos, o Movimento Ecumênico é necessário”, expressou o pastor da IPB. Em mensagem enviada por carta, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) saudou o MOVEC exortando-o a, pelo ato de fundação, “reafirmar e confirmar o testemunho ecumênico”.

O encontro foi marcado por um sentimento comum de júbilo e gratidão, fazendo memória das pessoas, igrejas, organizações, acontecimentos que marcaram a trajetória histórica do Movimento e lançando novo ardor para os passos a serem dados. Como refletido ao longo da celebração: “É tempo de colher! É tempo de semear! É tempo de celebrar!” Pela diversidade reconciliada como reconhecimento da pluralidade de dons do Espírito, o ato firmado se apresenta como expressão legítima de compromisso efetivo pelo reestabelecimento visível da unidade da única Igreja de Cristo.

Memória histórica do MOVEC

Os primeiros passos do Movimento Ecumênico em Curitiba remontam ao início da década de 1950 com o diálogo estabelecido entre presbiterianos, luteranos e católicos. Na década seguinte, na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) de 1965, surge a Comissão Ecumênica de Curitiba (CEC), posteriormente denominado Centro Ecumênico de Curitiba. Este organismo tinha por objetivo suscitar estudos e pesquisas que ajudassem as igrejas a aprofundar e fundamentar o sentido de suas presenças na sociedade.

Agregando presbiterianos, católicos, luteranos, metodistas, suscitando impulsos, mas também resistências, o CEC se fortaleceu e se tornou um espaço de luta contra o regime militar. Frente à situação sociopolítica do país, sob a inspiração dos ventos renovadores do Concílio Vaticano II e o envolvimento ativo da Igreja católica no ecumenismo, a sensibilidade ecumênica de muitos cristãos e cristãs os motivou a impulsionar a presença ativa de suas confissões de fé no testemunho e ação comuns.

Das inspirações do CEC nasce em 1973 a Associação Interconfessional de Educação em Curitiba (ASSINTEC) que, até os dias atuais, desenvolve um profícuo trabalho junto ao ensino religioso nas escolas públicas. Em perspectiva mais institucional, a partir de 1996, o Movimento Ecumênico de Curitiba passa a representar regionalmente o CONIC, com quem mantém diálogo e cooperação próximos. Cabe destaque, também, à presença sempre atuante e dinâmica do Movimento dos Focolares, cuja espiritualidade é essencialmente ecumênica.

A partir de 2005, o MOVEC propôs-se à elaboração de um referencial legal e formal por meio de um estatuto que lhe oferecesse legitimidade institucional e potencializasse sua presença e ação ecumênicas. Desde 2014, os atuais membros têm se dedicado de modo mais imediato a este intuito que foi efetivado no ato de fundação na última quarta.

O MOVEC é formado hoje por mais de 25 pessoas pertencentes não somente às quatro igrejas fundadoras, mas também a outras confissões de fé, e atua em parceria com outros organismos ecumênicos, entre eles o Núcleo Ecumênico e Inter-religioso, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR). Buscando promover o diálogo desde suas estruturas internas, optou-se pela formação de uma diretoria colegiada, formada por representantes das igrejas fundadoras, em estreita escuta e relação com os demais membros. Sabe-se que, em primeiro lugar, o diálogo ecumênico é um diálogo entre pessoas e, nesse sentido, o Movimento tem testemunhado uma fecunda experiência de irmandade e cooperação mútua. Sustenta isso uma autêntica partilha de vida e de dons, uma unidade na diversidade que se expressa desde o diversificado perfil de seus membros – leigos e leigas, ministros(as) ordenados(as), teólogos (as e acadêmicos(as) de diferentes confissões – perpassando as diferentes frentes de atuação junto às igrejas e à sociedade.

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Equipe de Comunicação
Movimento Ecumênico de Curitiba (MOVEC)