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Por que participar do encontro "Mulheres: Direitos e justiça"?

O CONIC promoverá, em parceria com o Dia Mundial de Oração e o Movimento Lado a Lado, entre os dias 17 e 20 de novembro, em São Paulo (SP), o encontro Mulheres: Direitos e Justiça - Compromisso Ecumênico. O evento será realizado no Centro de Formação Sagrada família (www.centrosagradafamilia.com.br). A ideia é trabalhar a questão da violência contra mulheres, recuperar a história do protagonismo feminino no movimento ecumênico e desafiar as igrejas e a sociedade, nos dias de hoje, para o compromisso com a efetivação dos direitos e da justiça para as mulheres.

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Confira, a seguir, uma breve entrevista com a secretária-geral do CONIC sobre o encontro.

CONIC: Discutir mulheres, direitos e justiça, em pleno século XXI, ainda é necessário. Por qual motivo que, com o passar dos séculos, senão milênios, a mulher ainda é oprimida em praticamente todas as esferas sociais?

Romi Bencke: Em primeiro lugar, é importante destacar que um encontro ecumênico de mulheres é pedido há bastante tempo por mulheres das Igrejas ao CONIC. No Seminário Ecumênico sobre Missão, realizado em 2013, as mulheres participantes se reuniram para conversar sobre necessidade de um encontro específico para refletir sobre a participação das mulheres na vida das igrejas, o seu papel na missão da Igreja e para falar sobre o protagonismo das mulheres nas Igrejas. Finalmente, estamos conseguindo realizar o Encontro, depois de muito esforço. Realmente, discutir e refletir sobre mulheres, direitos e justiça no século XXI, lamentavelmente, ainda é necessário. Os casos de discriminação às mulheres e de violência contra as mulheres são numerosos. As mulheres são culpabilizadas pela violência que sofrem. Valores orientados por uma cultura patriarcal contribuem para a não superação da violência contra as mulheres. Sabemos que muitas Igrejas têm trabalhado o tema da superação da violência contra as mulheres. Outras Igrejas têm refletido criticamente sobre a relação entre valores religiosos patriarcais e a legitimação da violência contra mulheres. Estas iniciativas são muito louváveis, pois contribuem para gerar novas relações entre as pessoas. No entanto, a cultura leva muito tempo para ser transformada.

Com tristeza, vemos que o século XXI não apresenta mais direitos e justiça para as mulheres. Os casos de violência contra as mulheres são muitos. No Brasil, por exemplo, a cada 11 minutos uma mulher é estuprada. A pergunta de como as igrejas podem contribuir para mudar essa cultura de violência contra mulheres é fundamental. E isso  é o que queremos possibilitar neste encontro. Queremos que ele seja um espaço seguro para falar sobre as dores e as esperanças das mulheres.

CONIC: A igreja cristã é um ambiente menos hostil à mulher?

Romi Bencke: Creio que as Igrejas conseguem ter espaços menos hostis para as mulheres. As mulheres são maioria nas Igrejas. São elas que movimentam o dia-a-dia das Igrejas. No entanto, quando se olha para as estruturas das Igrejas, para as direções, para os espaços de representação, as mulheres são minoria ou não estão presentes. Isso precisa mudar. Outra questão é que ainda não estão totalmente superados os discursos patriarcais em relação às mulheres. Ainda há discursos religiosos que justificam porque é que mulheres devem ser submissas. É necessário fortalecer os vários ensaios e as diferentes experiências que ocorrem nas Igrejas e que mostram que é possível ampliar e fortalecer espaços em que mulheres são protagonistas e vistas como iguais. Fortalecer o discipulado de iguais é um desafio permanente para as igrejas. Mulheres e homens trabalhando em igualdade na missão. Eis o desafio.

CONIC: Em muitos países, as mulheres conseguem avançar muito pouco na questão dos direitos. Há nações em que uma mulher simplesmente não pode dirigir um automóvel ou sair de casa sem a presença de um homem. O que está faltando para que o mundo supere, de uma vez, esse apartheid de gênero?

Romi Bencke: Reconhecer-se como iguais. A partir da fé, acreditamos que Deus criou o ser humano com diferenças e caraterísticas. Logo, qualquer discriminação, preconceito, desigualdade é incoerente com um Deus de amor e justiça. Não é Deus quem cria a desigualdade entre homens e mulheres. São os seres humanos que criam estas desigualdades. A opressão das mulheres e a violência contra elas é pecado, porque rompe com a aliança com Deus. Mulheres e homens são imagem e semelhança de Deus.

Finalmente, gostaria de chamar a atenção que o encontro é aberto. Queremos motivar as mulheres a participar deste espaço de diálogo, celebração e partilha. Acessem o site do CONIC (http://bit.ly/2elYQgr), leiam sobre o encontro e inscrevam-se. A presença de vocês será muito importante. Vamos nos fortalecer, unir e dialogar. Um mundo sem violência contra as mulheres é possível. E é isso que Deus espera e exige de nós.

Foto: Mulheres reunidas por ocasião do Simpósio Ecumenismo e Missão – Testemunho Cristão em um Mundo Plural, 2014