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A edição de fevereiro da revista The Lancet, uma das principais publicações científicas internacionais, trouxe uma conclusão que deve ser levada em consideração tanto por profissionais da área da saúde, quanto da gestão pública. O que já se desconfiava agora está comprovado: a pobreza e a desigualdade social prejudicam seriamente a saúde, diminuindo o tempo de vida. E são ainda mais prejudiciais que outros fatores de risco convencionais, como obesidade, hipertensão e consumo excessivo de álcool.
 
De acordo com o artigo divulgado, o baixo nível socioeconômico reduz a expectativa de vida em 2,1 anos em adultos entre 40 e 85 anos. A hipertensão, por sua vez, reduz em 1,6 ano. A obesidade em 0,7 ano e o alto consumo de álcool em meio ano.
 
O estudo, liderado por Silvia Stringhini, do Hospital Universitário de Lausanne (Suíça), envolveu cerca de 30 especialistas de instituições renomadas (como a Escola de Saúde Pública de Harvard, a Universidade de Columbia, o King's College de Londres e o Imperial College de Londres) e dados sobre 1,7 milhão de pessoas – analisando as relações entre o nível socioeconômico e a mortalidade.
 
A pesquisa traz, ainda, uma crítica às políticas da Organização Mundial de Saúde (OMS), que ainda não menciona este aspecto da pobreza entre os seus objetivos e recomendações. A repercussão do estudo também apontou falhas nas estratégias dos governos, na medida em que pouco investem em soluções estruturais, concentrando as ações de prevenção em escolhas individuais, como praticar esportes e não fumar. “O baixo nível socioeconômico é um dos mais fortes indicadores de morbidade e mortalidade prematura em todo o mundo. No entanto, as estratégias de saúde global não consideram as circunstâncias socioeconômicas pobres como fatores de risco modificáveis”, expõe o artigo, de acordo com tradução do Portal da Rede de Alimentação e Nutrição do Sistema Único de Saúde.
 
 
Com informações da Pastoral da Criança
Foto: Acervo da Pastoral da Criança