Papa contra as armas nucleares: a paz não se constrói sobre o medo

O Papa Francisco enviou uma mensagem à Conferência da ONU sobre armas nucleares, realizada em Nova Iorque de 27 a 31 de março. A finalidade da Conferência foi negociar um instrumento juridicamente vinculante sobre a proibição das armas nucleares, que conduza à sua total eliminação.

No texto, o Pontífice cita os efeitos devastadores das armas nucleares e suas catastróficas consequências humanitárias e ambientais para questionar a sustentabilidade de um equilíbrio baseado no medo.

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“A paz e a estabilidade internacionais não podem ser fundadas sobre um falso sentido de segurança, sobre a ameaça de uma destruição recíproca ou de total aniquilamento, sobre a simples manutenção de um equilíbrio de poder”, afirma o Papa. Pelo contrário, a paz deve ser construída sobre a justiça, sobre o desenvolvimento humano integral, sobre o respeito dos direitos humanos fundamentais e da natureza.

Portanto, nesta perspectiva, para Francisco é preciso ir além da proibição das armas nucleares, adotando estratégias de longo alcance para promover a paz e a estabilidade e evitar políticas míopes aos problemas de segurança nacional e internacional, que ultrapassem o medo e o isolacionismo.

Neste contexto, prossegue o Papa, “o objetivo final da eliminação das armas nucleares se torna seja um desafio, seja um imperativo moral e humanitário”. Ainda na mensagem, o Pontífice insiste na necessidade do diálogo, da confiança recíproca e do envolvimento de todos os Estados, que possuam ou não armas nucleares. “A humanidade tem a capacidade de trabalhar junta para construir a nossa casa comum; temos a liberdade, a inteligência e a capacidade de guiar e dirigir a tecnologia, assim como a de limitar o nosso poder e de colocá-lo a serviço de outro tipo de progresso: mais humano, mais social e mais integral.”

Por fim, Francisco faz votos de que a Conferência seja profícua e dê uma contribuição eficaz no avanço da ética da paz e da segurança cooperativa multicultural, “de que a humanidade tanto necessita”.

Membros vetaram

De todo modo, os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França e China) não participaram do encontro, apesar de terem arsenais atômicos, junto com outros países como a Índia, o Paquistão, Israel e a Coreia do Norte.

O encontro, do qual participam mais de 100 países, teve apoio da Áustria, do Brasil, da África do Sul, da Irlanda, do México e da Suécia e terá nova rodada em junho.

A negociação intergovernamental se realiza em virtude de uma resolução aprovada pela Assembleia Geral da ONU em dezembro do ano passado, que lhe deu a responsabilidade de considerar todos os procedimentos e assuntos organizativos para elaborar um protocolo vinculante declarando "ilegais" as armas nucleares.

CONIC com informações da Agência Brasil e Rádio Vaticano
Imagem: ANSA