Grito dos Excluídos, por democracia e pela defesa de direitos trabalhistas

A 23ª edição do Grito dos Excluídos e a 30ª Romaria dos Trabalhadores para o Santuário de Aparecida ocorreu nesta quinta-feira, 7 de Setembro, dia em que se comemora a Independência do Brasil. "A ação teve o propósito de ajudar as pessoas a refletir sobre o que é essa independência, os seus direitos, sobre o sistema em que vivemos", disse o coordenador do Grito Ari Alberti. Este ano, o lema do Grito foi "por direitos e democracia a luta é todo dia" e teve o objetivo de discutir e manifestar oposição às reformas trabalhista e previdenciária e defender a democracia.

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"Somos governados por um Executivo que retrocede direitos historicamente conquistados, e cujas principais figuras estão convocadas a sentar no banco dos réus e responder pelos graves crimes de que são acusados. Somos governados por um Legislativo que majoritariamente atua de costas para os seus eleitores, já que 95% da população desaprovam o governo Temer e 81% consideram que o presidente deveria responder pelos crimes que lhe pesam aos ombros perante a Suprema Corte do país. Somos governados por um Judiciário que se agarra como carrapato às mais aberrantes mordomias, recebe vultosos salários engordados por penduricalhos, e pratica com frequência o nepotismo", dizia a convocatória do ato.

Raimundo Bonfim, coordenador da Central de Movimentos Populares (CMP), que organizou o ato na Avenida Paulista, em São Paulo, destacou que o Grito é construído ao longo do ano, com debates e reuniões em bairros, associações e ocupações, e que este é o momento da população pobre e periférica se levantar para denunciar as mazelas do capitalismo.

Dom Guilherme Antônio Werlang, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora, da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), lembrou que os direitos foram conquistados com luta e só a luta vai mantê-los. "Vivemos tempos difíceis. Os direitos e os avanços democráticos conquistados nas últimas décadas, frutos de mobilizações e lutas, estão ameaçados. O ajuste fiscal, as reformas trabalhista e da previdência estão retirando direitos dos trabalhadores para favorecer aos interesses do mercado. O próprio sistema democrático está em crise, distante da realidade vivida pela população", disse.

Além das manifestações de rua, o Santuário de Nossa Senhora Aparecida recebeu a Romaria de Trabalhadores, com o tema "30 anos de resistência e ação, anunciando a esperança, combatendo a exploração". "São 300 anos de presença da força da imagem de uma mulher negra, representando a força não só da mulher mais do povo. O objetivo é lembrar a importância de resgatar o povo, a mulher, de refletir sobre as questões do negro, do pobre, das pessoas que muitas vezes são excluídas," disse Antônia Carrara, da Pastoral Operária e coordenação da Romaria dos Trabalhadores.

Mobilização nacional

Atos do Grito dos Excluídos foram realizados em diversas cidades do Brasil, incluindo o Distrito Federal.

CONIC com informações da RBA
Foto: Paulo Pinto / AGPT