Intolerância religiosa: terreiros são atacados na Baixada Fluminense

 
Nos últimos dias, uma série de vídeos com cenas de intolerância religiosa têm circulado nas redes sociais. Neles, criminosos obrigam lideranças de religiões de matriz africana a destruírem, com as próprias mãos, seus templos e objetos de culto. 
 
A boa notícia é que a Polícia Civil do Rio já identificou parte dos autores desses ataques contra terreiros de umbanda e candomblé, em pontos diferentes de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Todos os identificados, que não tiveram nomes divulgados, são ligados ao tráfico de drogas. As investigações correm em sigilo e estão sendo feitas pela 58ª DP (Posse).
 
O secretário estadual de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), Átila Alexandre Nunes, confirmou a ocorrência de um oitavo ataque na mesma região.
 
Um dos vídeos divulgados pelos criminosos mostra uma mãe de santo sendo ameaçada com um taco de beisebol e, ainda, sendo obrigada a quebrar imagens religiosas (clique aqui e veja). Enquanto isso, um dos envolvidos diz sarcasticamente “quebra tudo, apaga vela, rebenta as guias toda”.
 
O delegado Geraldo Assed, da 37ª DP (Ilha do Governador) investiga imagens exibidas em um outro vídeo que está circulando nas redes sociais (clique aqui e veja). Elas mostram traficantes obrigando um homem a depredar um centro espírita. A polícia investiga se o fato ocorreu no Morro do Dendê, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio.
 
Para o diretor executivo da organização Koinonia, que atua na defesa da liberdade religiosa, Rafael Soares, os casos mostram a gravidade da situação de intolerância religiosa no Brasil.
 
Lavagem de dinheiro
 
Em 2013, os traficantes do Morro do Dendê, na Ilha do Governador, também proibiram os moradores de usarem roubas brancas. A secretaria estadual de Direitos Humanos diz que outros interesses estão por trás destes ataques. As denúncias que chegam revelam que criminosos estão lavando dinheiro do tráfico em falsas igrejas.
 
Apoio impensável
 
Por mais absurdo que pareça, ações como essas encontram apoio por parte da sociedade. Em alguns sites, por exemplo, pessoas chegaram a deixar comentários como “Deus usa quem Ele quer, como Ele quer e quando quer”, deixando transparecer que o traficante poderia estar sendo “usado” por Deus para fazer esse expurgo. Outras reverberaram preconceitos como “Macumba se fosse boa se chamava ‘boa-cumba”.
 
CONIC com agências
Foto: WhatsApp