Jornada da Juventude Asiática: exemplo de "unidade na diversidade"

 
O sultão Hamengku Buwono tocou l'othok-othok (instrumento da tradição de Java) na abertura oficial da Jornada da Juventude Asiática, revelando bem o espírito do evento, que por uma semana reuniu, na cidade de Yogyakarta, na Indonésia, milhares de jovens de 22 nações do continente asiático.
 
O sultão, que é chefe civil e líder religioso da Província Yogyakarta, deu apoio ao encontro católico, cedendo gratuitamente um grande centro de convenções para receber os diversos eventos programados para a semana, como encontros, seminários, catequeses, performances teatrais e musicais, experiências de oração e reflexão, tudo girando em torno da multiculturalidade e da harmonia entre culturas e religiões diversas.
 
O foco da “JMJ asiática” – como é conhecida – é “Viver juntos o Evangelho na Ásia multicultural”. O evento foi realizado entre 30 de julho e 6 de agosto.
 
Exemplo de convivência em uma realidade multicultural
 
O arcebispo de Jacarta e presidente dos bispos indonésios, dom Ignazio Suharyo, falou ao Vatican Insider sobre a realidade multicultural do país.
 
“A Indonésia é um país por natureza pluralista e multicultural, com mais de 3 mil grupos étnicos e 11 mil línguas locais. O país, por meio de seus jovens, pode ensinar aos outros países asiáticos o pluralismo e a serena convivência entre homens e religiões. Os nossos jovens aqui oferecem um exemplo de unidade, encarnando a ‘unidade na diversidade’, que é o lema da Nação. Mas é uma abordagem que pode e deve ser exportada para todas as realidades asiáticas”.
 
Yogyakarta, em particular, é considerada como uma “micro-Indonésia”, pelo seu inato pluralismo cultural religioso. Tem mais de 60 universidades estatais e privadas, colégios e academias, recebendo jovens de todas as nações.
 
A cidade também é peculiar por ser a única província indonésia ainda governada por um sultão pré-colonial, que está à frente de uma espécie de mini-teocracia, desde quando seu pai, há cinquenta anos, contribuiu com a luta para a independência dos holandeses e mais tarde aceitou a fazer parte da República da Indonésia.
 
Jornada com profundo significado inter-religioso
 
Assim, esta cidade plural, fecunda em ideias e iniciativas multiculturais, recebeu a Jornada, com seus dois mil jovens, 52 bispos e três cardeais e 158 sacerdotes.
 
Neste interim, a JMJ asiática foi caracterizada por um profundo significado inter-religioso. No país com maior número de muçulmanos no mundo, de fato, os jovens muçulmanos também tomaram parte na programação e foram até mesmo envolvidos nos eventos pelo comitê organizador.
 
Apoio governamental
 
O governo não apenas cedeu o local que recebe os eventos, mas através do Ministério para os Assuntos Religiosos, o Ministério do Turismo e o Ministério para os Jovens e o Esporte, deu apoio financeiro e político.
 
Com informações da Rádio Vaticano
Foto: Reprodução