Questão Palestina é tema de seminário em Brasília

O CONIC organizou, em parceria com o Centro Cultural de Brasília e o Kairós Palestina Brasil (facebook.com/kairospalestinabrasil), o seminário “50 anos de Ocupação na Palestina: Desafios para a Paz e a Justiça”. O evento foi realizado na noite da última terça-feira, 26, e reuniu representantes do povo palestino e da comunidade judaica, além de interessados no tema.
 
A atividade aconteceu no contexto da Semana Internacional de Oração pela Paz na Palestina e Israel, promovida pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), que tem desempenhado um papel importante na intermediação para o diálogo naquela região.
 
 
Entre os presentes estava o embaixador palestino Ibrahim Alzeben; o fundador do Movimento Judeus Progressistas (JUPROG) Sérgio Storch; a deputada Jô Moraes; a secretária-geral do CONIC, Romi Bencke; o representante do Kairós Palestina, Flávio Conrado e o facilitador regional para América Latina da Aliança Anglicana, Paulo Ueti.
 
Iniciando por volta das 19h, horário de Brasília, resgatou as origens históricas desse conflito e o papel desempenhado pelas potências imperiais.
 
Segundo Ibrahim, há pelo menos 100 anos o povo palestino tem sido expulso de seus territórios. E por conta do controle realizado pelo Estado de Israel atualmente, alguns deles encontram dificuldades em situações básicas do cotidiano, como visitar seus mortos ou acessar boas fontes de água. Ele destacou, ainda, a dificuldade atual para buscar estratégias para a paz quando há um muro de 8 metros que impede que um lado olhe para o outro. Finalmente, o embaixador destacou que a Palestina é a região de judeus, cristãos e muçulmanos, e não apenas de uma única confissão de fé, e é assim que ela deve continuar sendo.
 
 
Romi Bencke compartilhou da opinião do embaixador e afirmou que “reconhecer a Palestina como o berço de três grandes tradições de fé é fundamental para que possamos ver a Palestina como um território que tem muito a nos ensinar no que diz respeito à pluralidade religiosa”.
 
A deputada Jô Moraes chamou a atenção para a importância do evento, em especial no contexto em que dramas humanos têm se aprofundado naquela região.
 
Sérgio Storch também recuperou o histórico do conflito na região e o papel das intervenções estrangeiras, muitas vezes indevidas. Chamou a atenção que há, por parte da comunidade judaica, uma mudança em relação à compreensão que têm dos conflitos. Para Sérgio, muitos judeus estão se mobilizando de forma solidária com os palestinos e pressionando o governo israelense para que adote uma postura mais conciliadora e dialogal. Como exemplo, citou uma ONG composta por 1.800 rabinos e rabinas nos EUA que tem atuado fortemente em favor dos direitos humanos do povo palestino e os grupos que integram famílias palestinas e judaicas que perderam seus filhos nos conflitos.
 
 
A percepção dos participantes do encontro foi de que ainda não se sabe, com clareza, qual será a solução desses conflitos. Entretanto, todos concordaram que a paz só será possível com justiça. A reconciliação na região precisa ocorrer com bases bem definidas. Não se pode camuflar a história. Será necessário olhar para ela, criticamente, e assumir excessos cometidos.
  
Sobre o papel da religião nos conflitos, houve a compreensão de que as mensagens religiosas deixadas por líderes como Moisés, Jesus e Maomé não têm nada a ver com essa história. Infelizmente, a religião acaba sendo instrumentalizada para fomentar o conflito que, na análise dos presentes, na verdade tem base econômica.
 
Clique aqui e veja o vídeo o Seminário. 
 
Fotos: Paulo Ueti