Frente parlamentar pela redução da violência e dos homicídios

 
 
Um grupo de deputados lançou nesta quarta-feira (6) na Câmara a Frente Parlamentar pela Prevenção da Violência e Redução de Homicídios. Ao todo, 198 deputados de 25 partidos estavam presentes. Também marcaram presença representantes da sociedade civil e entidades, entre os quais, o CONIC, que se fez representar pela secretária-geral Romi Bencke.
 
O objetivo do grupo é desenvolver projetos voltados a prevenir a violência e reduzir o número de homicídios no país.
 
A frente será integrada pelos 198 parlamentares de 25 partidos. Segundo o coordenador do grupo, deputado Alessandro Molon (Rede-RJ), além de defender projetos no Congresso, os deputados vão trabalhar nos estados para procurar boas experiências e replicá-las pelo país.
 
"São mais de 60 mil pessoas assassinadas por ano no Brasil. A gente precisa enfrentar esse problema. Vamos defender boas iniciativas que ajudem a superar essa gravíssima violação ao direito mais básico que é a vida", afirmou.
 
A iniciativa conta com o apoio do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, da Organização das Nações Unidas (ONU), e de institutos como Sou da Paz e Igarapé.
 
O Monitor da Violência, parceria entre o G1, o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP) e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, foi ressaltado no evento como iniciativa relevante para a divulgação do alto índice de homicídios no país.
 
Na primeira etapa, o projeto registrou todos os casos de homicídio, latrocínio, feminicídio, morte por intervenção policial e suicídios ocorridos no país entre 21 e 27 de agosto. Nesse período, 230 jornalistas do G1 espalhados pelo país apuraram e escreveram as histórias dos 1.195 mortos em 553 cidades – quase 10% do total de municípios brasileiros. O levantamento apurou média de uma morte a cada oito minutos no país.
 
Durante o evento, outros projetos apontados como contribuição para a redução da violência foram apresentados aos membros da frente.
 
No do Instituto Igarapé, por exemplo, 55 organizações trabalham em sete países da América Latina com altos índices criminais. O objetivo é reduzir a taxa de homicídios em 50% em 10 anos. A entidade deverá prestar apoio no desenvolvimento de propostas no Congresso.
 
"Uma das estratégias é oferecer apoio técnico para o poder público, no sentido de construir e aprovar propostas positivas e também conter projetos que possam provocar retrocessos", explicou Dandara Tinoco, representante do Igarapé.
 
O projeto Jovem Negro Vivo também apresentou aos deputados informações sobre o elevado índice de assassinatos de jovens negros no Brasil.
 
Morador do Rio de Janeiro e membro do projeto, Joel Costa lembrou no lançamento da frente que a educação é o principal caminho para a redução dos homicídios de crianças e adolescentes negros.
 
"Sou filho de ex-traficante e só estou aqui porque tive acesso à educação. A educação é o norte para mudar a situação violenta do nosso país", disse aos deputados, alertando para o número de jovens que morrem em ações policiais nas ruas e escolas do Rio.
 
Romi falou do papel do CONIC para a construção de uma cultura de paz. Ela destacou as inúmeras ações do Conselho pelo fim da intolerância religiosa e, como exemplo, citou a reconstrução de um terreiro em Duque de Caxias (RJ), trabalho que contou com a liderança do regional do CONIC no Rio. Também destacou a criação, no último mês, do Fundo de Solidariedade para o Enfrentamento das Violências Religiosas, iniciativa que visa destinar recursos aos templos de fé destruídos em função de atos de violência religiosa.
 
Com informações do G1
Foto: Alessandra Modzeleski / G1