Em nota, IEAB repudia violência policial dirigida às Universidades

 
 
Nota de Repúdio da Câmara Episcopal da
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
contra a violência policial dirigida às Universidades
 
E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre. Isaías 32:17
 
Uma das instituições que tem sido alvo de um perigoso processo de intimidação na conjuntura brasileira deste governo ilegítimo é a Universidade.
 
Por um lado se percebe a sistemática construção de um desmonte orçamentário que compromete indubitavelmente a execução orçamentária de programas de pesquisa e, inclusive, a manutenção de serviços básicos nas instituições de ensino superior.
 
Além disso, tem sido visível a remoção por critérios políticos de quadros dirigentes que se opõem a este desmonte, em um processo que só encontra similaridade com idênticos processos utilizados no período da ditadura militar.
 
Por último, o próprio poder judiciário e a Polícia Federal, sob a justificativa de combate à corrupção, promove espetáculos cinematográficos de condução coercitiva de dirigentes de Universidade sem nenhuma justificativa plausível, em meio a processos investigatórios correndo dentro de uma absoluta normalidade processual.
 
Este último episódio ocorrido com dirigentes da UFMG nos preocupa porque há pouco tempo tivemos o cometimento de suicídio de reitor de uma universidade no estado de Santa Catarina devido ao abuso de autoridade cometido pela Polícia Federal em situação de investigação e sem a devida formação de culpa comprovada contra o acusado.
 
Nos preocupa a sistemática adoção de práticas que ferem o Estado democrático de Direito que redundam em coerção e quebra do princípio da autonomia das Universidades, que se aplicadas indiscriminadamente criam o precedente para que outras instituições venham ser alvo de de perseguição dos aparelhos investigativos do Estado.
 
Pautamos nosso protesto pela defesa dos princípios da racionalidade, impessoalidade, ampla defesa e estrita obediência à garantia da integridade física e psicológica de todas as pessoas, inclusive aquelas que sejam alvos de investigação sem que a formação da culpa esteja materialmente e legalmente concluída.
 
O Estado de Direito pressupõe instituições sólidas, livres e onde a justiça seja praticada e aplicada com o predomínio da objetividade, clareza e materialidade. Quando a justiça depender mais de performance midiática de seus agentes estamos toda a sociedade em sério risco.
 
Dom Francisco de Assis da Silva, Diocese Sul Ocidental – Primaz da IEAB
Dom Naudal Alves Gomes, Diocese de Curitiba
Dom Mauricio Andrade, Diocese de Brasília
Dom João Câncio Peixoto, Diocese do Recife
Dom Eduardo Grillo, Diocese do Rio de Janeiro
Dom Clovis Erly Rodrigues, Emérito
Dom Almir dos Santos, Emérito
Dom Celso Franco, Emérito
Dom Jubal Pereira Neves, Emérito
Dom Orlando Santos, Emérito
Dom Filadelfo Oliveira Neto, Emérito
Dom Saulo Barros, Emérito