Camponeses fazem greve de fome contra a Reforma da Previdência

 
 
Há mais de uma semana camponeses do Movimento de Pequenos Agricultores (MPA) estão em greve de fome contra a Reforma da Previdência na capital federal e os primeiros sinais de debilidade começam a ser diagnosticado, como dor de cabeça e estomago, fraqueza e dificuldade de locomoção.
 
Ronald Wolff, médico que acompanha os sete grevistas em Brasília, diz estar muito preocupado com o estado de saúde de alguns grevistas que já se encontram no 8ª dia de greve. “Começam a apresentar alguns sintomas já preocupantes”, afirma o doutor. Que ainda questiona, “será que vai ser preciso agravar a saúde de um Frei, de uma mulher lutadora para que os representantes do povo brasileiro se sensibilizem e comecem a compreender o que é que está em jogo?”.
 
Ao mesmo tempo em que outros locais do país iniciam greves de fome como é o caso do Sergipe que tem 4 militantes do MPA em greve de fome na Câmara Legislativa, Samuel Carlos, Elielma Barros, José Valter Vitor e Eliana Sales todos MPA. E, no município de Canguçu - RS, mais 4 companheiros iniciaram greve de fome nesta segunda-feira, 11, Lucas Pinheiro, Rosane do Amaral e Marlei Sell do MPA e Celis Madri do Sindicato dos Municipários de Canguçu (SIMCA).
 
Além de Brasília, Rio Grande do Sul, Sergipe e Rondônia, já se confirmam greves de fome, Dia de Fome, vigílias, atos e ações de denúncia da Reforma da Previdência nos estados de Santa Catarina, Espírito Santo, Bahia, Piauí, Pernambuco, e Alagoas. Todos contra a Reforma da Previdência que, se for aprovada, irá forçar milhões de brasileiros a passarem fome.
 
Início
 
A greve de fome teve início no dia 5 de dezembro. Ela foi anunciada durante audiência pública que debatia sobre o quanto a Reforma da Previdência irá afetar os trabalhadores do campo. Na ocasião, foi confirmada a informação que os trabalhadores rurais estariam inclusos na Reforma da Previdência, ao contrário do que o relator da Reforma, Arthur Maia (PPS-BA), havia veiculado na semana anterior. Segundo projeções dos movimentos populares, mais de 70% do segmento pode ficar de fora da cobertura previdenciária caso o texto seja aprovado.
 
Visita do presidente da CNBB
 
O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Sergio da Rocha, esteve na Câmara nesta terça, 12, para prestar solidariedade aos militantes.
 
"Manifestações pacíficas na busca da justiça e da paz são muito importantes. A própria CNBB tem valorizado os gestos e mobilizações da população brasileira. É claro que nós queremos a vida desses irmãos que estão em greve de fome, mas eles estão oferecendo esse sacrifício para que o nosso povo — sobretudo os mais pobres, os mais fragilizados — tenha vida, tenha os seus direitos", disse o religioso.
 
Também nesta terça, os grevistas receberam o apoio de atores do Grupo de Teatro Político e Vídeo Popular de Brasília, que fizeram uma intervenção artística na Câmara contra a Reforma.
 
Quatro dos grevistas são do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e duas são do Movimento de Mulheres Camponesas (MMC). O sétimo componente é o frei Sérgio Görgen, religioso católico.
 
A deputada Luiza Erundina (Psol-SP) foi uma das pessoas que também esteve junto ao grupo para demonstrar apoio. Filha de camponeses sem terra, ela destacou que o protesto dos grevistas é uma atitude de solidariedade ao conjunto da população. 
 
"Esse gesto de coragem, sem dúvida nenhuma, representa uma contribuição inestimável pra formar a consciência de quem não está aqui. Isso exerce pressão sobre os parlamentares, sobretudo aqueles que ainda não se definiram", completou.
 
CONIC com informações do Brasil de Fato e assessoria MPA
Foto: Comunicação MPA