Fórum Alternativo Mundial da Água terá Tenda Inter-Religiosa


A compreensão de que a diversidade das tradições de fé é muito enriquecedora para o debate da água como bem comum, fez nascer a Tenda Inter-Religiosa do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) 2018. Um espaço aberto, democrático e plural onde cada grupo ou participante é protagonista para contribuir com seu entendimento sobre problemas e soluções em torno do tema.

Preparado por um coletivo de organizações religiosas ou com vínculo religioso, o local vai reforçar a afirmação da água como um bem comum, que não pode ser privatizado e precisa estar disponível a todos os seres vivos. Para isso, serão fortalecidas articulações nacionais e internacionais e ampliados processos de incidência em defesa da água no Brasil e no mundo; tudo isso relacionado à democracia, participação social e ao debate sobre mudanças climáticas.

Até o momento, a programação deve incluir uma atividade autogestionada, com visitas a experiências do Distrito Federal e o seminário “Água como elemento sagrado: a crise hídrica e a vocação profética das tradições de fé.”

Se você acredita na força da espiritualidade e da fé como valores sociais transformadores, junte-se a nós! Participe, traga uma boa ideia, traga sua fé para somar com a nossa!

ÁGUA, MEIO AMBIENTE E VISÕES DE FÉ

As diferentes correntes religiosas sempre se atentaram às questões relacionadas ao meio ambiente, à água, ao trato dos animais, entre outros assuntos correlatos. Veja, a seguir, como as religiões lidam, do ponto de vista de seus livros sagrados e de suas tradições, com a temática. E surpreenda-se!

Cristianismo

Do ponto de vista do cristianismo, o trato com a natureza deve ser levado a sério. A Bíblia é clara quanto ao dever de respeitar todas as criaturas. “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel.” (Provérbios 12:10). O assunto é tão importante que Deus faz um alerta de castigo aos que não cumprirem o dever de cuidar da natureza, e isso inclui a água e todos os seus mananciais: “Chegou o tempo de (…) destruir os que destroem a terra.” (Apocalipse 11:18) .

Islamismo

No Islamismo, a água é sagrada. Ela tem importância prática (na vida comum) e ritual (nas atividades religiosas). O Alcorão diz: “Enviamos do céu água pura, para com ela reviver uma terra árida” (Alcorão 25:48-49). Para o muçulmano, a água é um bem coletivo, algo que não pode ficar nas mãos de uma só pessoa. É por isso que no mesmo livro sagrado do Islam é dito: “E anuncia-lhes [aos humanos] que a água deverá ser compartilhada entre eles...” (Alcorão 54:28).

Judaísmo

O judaísmo ensina o respeito à natureza como criação de Deus. “A terra é do Senhor e tudo o que há nela; o mundo e todos os que nela habitam.” (Salmos 24:1). O princípio da sustentabilidade estava presente na cultura dos antigos hebreus, eles vivenciavam uma ética ecológica, viviam numa sociedade agrária e se dedicavam à preservação da natureza. Como a pertence a Deus, os povos deviam usar com sabedoria os recursos naturais. A terra podia ser cultivada durante seis anos seguidos, tendo o sétimo ano para descansar. Isso ajudava a recuperar a terra e tinha, certamente, um impacto positivo nos mananciais de água.

Budismo

Como várias outras religiões, o budismo tem grande admiração e respeito pelo meio ambiente e pelos seres vivos que habitam nele. O budismo evidencia em seus ensinamentos o respeito com a natureza e todas as formas de vida. Algumas vertentes acreditam que são nos lugares repletos pela natureza que o coração do homem se acalma e que a mente fica tranquila, uma vez que ambiente e ser humano são interdependentes. Além disso, de acordo com os ensinamentos desta doutrina, coisas sem sentimento, como a rocha, a árvore, a flor, a montanha, a água, possui natureza búdica.

Candomblé

As religiões afro-brasileiras são ecológicas por natureza. Seus fiéis aprenderam com os antepassados uma grande lição africana: o equilíbrio surge da convivência harmoniosa entre todos os seres vivos, dos quais o homem é apenas uma pequena semente. Conforme explica Mãe Beata de Yemanjá, “só alcançamos o sagrado quando nos aproximamos da natureza, o que inclui pedra, água, folha, raiz, caule, frutos e o nosso próprio corpo.”. Vendo as coisas por este prisma, o respeito à água e às suas nascentes passa a ser parte da prática de fé dessa religião.
 
CONIC com Assessoria de Imprensa FAMA