João Dias de Araújo, presente!

 
No dia 9 de fevereiro, completaram-se quatro anos desde a morte do Reverendo João Dias Araújo, um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Unida no Brasil e membro da Comissão Teológica do CONIC durante anos.
 
Quando a ditadura se implantou no Brasil, João foi um dos perseguidos por defender os direitos do povo oprimido e censurado. João foi escritor e publicou “Inquisição sem Fogueiras”, além de ser o autor do hino oficial da Igreja Presbiteriana Unida, “Que estou fazendo se sou Cristão?”. Também era entusiasta junto aos órgãos ecumênicos nacionais e internacionais.
 
Durante os mais de 35 anos de ministério pastoral e ensino teológico, assessorou grupos junto a IPU e ao CONIC. Trabalhou de forma ecumênica entre as igrejas cristãs e tinha muito interesse no diálogo com religiões afro-brasileiras.
 
Seu compromisso com a democracia era pleno. Trabalhou com temas como:
 
  • economia
  • raças
  • pobreza
  • políticas públicas
  • ênfase na participação solidária com os despoderados e marginalizados
  • cidadãos sem vez e sem voz
  • combatente do neoliberalismo e do capitalismo
  • colaboração eclesiástica diaconal e ecumênica
  • interesse ético de combate ao racismo
  • à homofobia
  • à exclusão social
  • defesa dos direitos humanos e cidadania insurgente
  • luta em defesa de sem-terras
  • povos indígenas
  • esforço por manter o culto não-pentecostalizado e liturgia contemporânea ecumênica
 
Memória
 
João Dias Araújo faleceu no dia 09 de fevereiro de 2014, em Feira de Santana na Bahia, aos 83 anos de idade.
 
João foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) e colaborador de organismos ecumênicos mundiais, tais como Conselho Mundial de Igrejas, Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas (CMI), Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL) e Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
 
De acordo com o Pastor Cláudio Rebouças (IPU, Salvador/BA, atual coordenador da CEDITER – Comissão Ecumênica dos Direitos pela Terra), “a figura do Rev. João Dias tem a capacidade de remontar um modo de produção teológica que passa necessariamente pelo ecumenismo, pela justiça social, pela luta por terra”. Pastor Cláudio lembra que “a voz de João Dias é muito atual neste cenário cheio de conservadorismo político e de crescimento da ‘população evangélica’ em solo brasileiro. Diante de mecanismos onde ocorre um processo de mercantilização da fé, e de espetacularização de líderes religiosos que tentam transformar o Brasil em uma espécie de teocracia, é fundamental testemunhos como o de João Dias”.
 
Para o teólogo e pastor da IPU, Derval Dasilio, “João Dias registrou um momento dos mais importantes do protestantismo e da opção calvinista e ecumênica, realçando o papel do grande mestre da Reforma Protestante, matriz do ecumenismo que conhecemos e aplaudimos, hoje. Significativamente, seu livro [“Inquisição sem fogueiras”] rebela-se contra a religiosidade ‘equidistante’, no protestantismo, sem engajamento aparente, político e social – porém, aliado da ditadura militar, a quem evangélicos, na grande maioria, aplaudiram e abençoaram”.
 
Dentre os livros publicados encontram-se “A Inquisição Sem Fogueiras” e “Sê Cristão Hoje”. É de sua autoria também, o hino “Que estou fazendo?” (nº 297), que foi muito criticado por conservadores durante o Regime Militar.
 
Fonte: CEBI
Imagem: Reprodução