Semana do Meio Ambiente: O desafio cristão para cuidar da natureza

 
 
A crise global do meio ambiente é uma dura realidade que nos obriga a tomar uma atitude.  Somos ameaçados por mudanças climáticas, depleção da terra e de recursos marinhos, redução das reservas hídricas, crise energética, extinção de biodiversidade e destruição de ecossistemas. Com o constante aumento populacional e consequente uso excessivo de recursos naturais e de combustível fóssil, nossos padrões insustentáveis de consumo elevam a ameaça a níves ainda mais alarmantes. A crescente pobreza resultou em evidente desigualdade no mundo, colocando a humanidade sob risco, provavelmente, irreparável.
 
Alterações climáticas soam, já há algum tempo, como um alerta para o bem estar dos humanos e não-humanos, com impactos na vida dos homens, na biodiversidade e no funcionamento de ecossistemas. É interessante notar que os recentes apelos para que se reconheçam as alterações climáticas como grave perigo encontraram várias respostas. Por um lado, temos os céticos que ignoram a relevância da questão, e por outro lado, temos os profetas da desgraça com declarações exageradas para cumprir suas próprias agendas.
 
Embora a ameça seja global, infelizmente, o impacto da crise é percebido por algumas das comunidades mais pobres do mundo. E estes impactos (enchentes, seca, safras improdutivas, doenças e aumento do nível do mar) têm-se elevado a níveis alarmantes. É importante observar que estes efeitos serão sentidos em mais de 40 Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico; no grupo reconhecido pelas Nações Unidos como os 50 países menos desenvolvidos (conhecido pela sigla LDC – Least Developed Contries), principalmente na África, mas também na Ásia, e em vários outras nações africanas muito vulneráveis. Diferentes do resto do mundo, estes 100 países menos desenvolvidos juntos somam uma população de quase um bilhão de pessoas, mas produzem apenas 3,2% da emissão global de gases de efeito estufa.
 
Ricos e pobres, devemos todos juntos agir para trazer mudanças. Existe um preço a pagar. Mas surge a questão: E os países pobres? Os megapoluidores como a Europa e os Estados Unidos esperam que países menores como Bangladesh, Guatemala ou Zaire paguem este custo na mesma proporção? A pergunta surgiu em vários debates, e as Nações Unidas tiveram um papel crucial para que a questão da mudança climática fosse tratada por todos os países.
 
Quando a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática foi formulada, e depois assinada, e ratificada na Cúpula da Terra (Rio Earth Summit), em 1992, pela maioria dos países do mundo, inclusive os Estados Unidos, o princípio de “responsabilidades comuns mas diferenciadas” foi reconhecido. O Protocolo de Kyoto reivindicou equidade para as nações em desenvolvimento. Foi contestado que nos últimos 150 anos, aproximadamente, as nações em desenvolvimento não causaram esta poluição e, portanto, seria injusto pedir-lhes a mesma taxa de redução por causa dos erros das nações hoje industrializadas. [...]
 
Diante dos desafios da crise ambiental e da incapacidade dos líderes globais de chegarem a um acordo, o papel da comunidade cristã se torna ainda mais urgente. Cremos em um Deus  “Criador” e “Redentor” e, portanto, temos a grande responsabiliade de agir em nome de Deus em nosso mundo. Jesus, o nosso Redentor, é “o primogênito de toda a criação, pois nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis…todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele… e nEle tudo subsiste” (Cl 1.15-17). Se, portanto, Deus é o Criador, e Jesus tem este papel crucial na Criação, como Sua comunidade no mundo de hoje, nós temos a responsabilidade de agir com urgência em nome dEle.
 
Fazemos, então, a pergunta imprescindível: o que devemos fazer?
 
1. Todos nós devemos nos comprometer em reler a Bíblia a partir de uma perspectiva ambientalista. Veremos como os profetas do Velho Testamento falaram sobre a necessidade de renovar a terra e como isso deve ser feito. Leremos como Jesus e os apóstolos abordaram as questões do meio ambiente no Novo Testamento. Deixemos que a Bíblia fale conosco.
2. Devemos nos tornar Mordomos do Meio Ambiente. Começando com nossas famílias, devemos começar a agir em nossas comunidades. Podemos nos associar a grupos ambientalistas e lutar por mudanças. Proteja o meio ambiente, e ele o protegerá.
3. Devemos fazer da nossa igreja, escola bíblica, seminário, universidade ou qualquer outra instituição um veículo de ensino sobre o meio ambiente e sobre como abordar a crise ambientalista. Estudos especiais podem ser introduzidos em todos os níveis.
4. Devemos mobilizar a conscientização comunitária, educação e ação em nossas comunidades mais próximas. Campanhas podem ser iniciadas para educar e capacitar.
5. Devemos defender fontes de energia alternativas, encorajar padrões de consumo mais inteligentes, garantir políticas apropriadas de transporte público, responsabilidade na indústria da saúde e do turismo e tomar todos os passos para fazer da nossa vila, bairro ou cidade uma eco-habitação saudável.
6. Devemos estabelecer ou apoiar projetos de redução da pobreza de todos os tipos para ajudar a diminuir a distância entre ricos e pobres.
7. Na tarefa de evangelização mundial, devemos deixar a mensagem de Jesus sobre como Deus se importa que Sua criação fale para todos do amor d’Ele pelo mundo. Deixemos que a luz de Jesus brilhe em meio à crise do meio ambiente que enfrentamos hoje.
 
Por Las Newman e Ken Gnanakan / The Lausanne Movement
Obs.: o título foi adaptado. O original era: "O Desafio Da Mordomia Do Meio Ambiente"
Foto: Pixabay