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Famílias produtoras do café Guaií sofrem ameaça de despejo

 
São 450 famílias, que vivem há mais de 20 anos na usina falida Ariadnópolis, em Campo do Meio, Minas Gerais. Atualmente a área é chamada de Quilombo Campo Grande, possui vasta produção de alimentos e colhe 510 toneladas de café por ano. As famílias moram em casas de alvenaria, construídas sem qualquer apoio de políticas públicas. A usina encerrou suas atividades em 1996, porém ainda possui várias dívidas trabalhistas.
 
No lugar onde se produzia somente cana de açúcar e álcool e gerava renda para um único proprietário, hoje gera trabalho e renda para cerca de 2000 pessoas. As famílias produzem sem o uso de agrotóxico, como orienta o MST. São hortaliças, cereais, frutas, fitoterápicos, leite e derivados, produtos processados como doces e geleias. Tudo isso produzido de forma agroecológica ou em transição.
 
Amancio de Oliveira nasceu em Campo do Meio, trabalhou a vida toda na usina Ariadnópolis e foi demitido durante o processo de falência da empresa. Conseguiu receber seus direitos após 24 anos de disputa judicial. “Campo do meio faliu por causa dessa Usina. Hoje a Campo do Meio está reerguendo graças aos assentados que compram na cidade. Toda hortaliça vende na cidade, colhemos café, torra e vendemos na cidade. Antes eu vivia trabalhando para fazendeiro, trabalhava cedo para comer de tarde, só tinha uma calça e uma camisa”, conta o agricultor.
 
O decreto 356 de 2015 desapropriava 3.195 hectares das terras da Companhia Agropecuária Irmãos Azevedo (CAPIA). No entanto, a pressão da bancada ruralista e latifundiários da região, junto ao judiciário fez com que esse documento fosse anulado, mesmo tendo passado por dois julgamentos que validaram a importante ação do governo de Minas Gerais.
 
“O avanço da ultra direita nessas eleições contra a classe trabalhadora, junto com a sanha do agronegócio, que apoiou a eleição do Bolsonaro, mostra o projeto que eles têm para o campo no Brasil. Essas ações de despejos que estão acontecendo em toda Minas Gerais vêm no sentido de criminalizar os lutadores populares e movimentos sociais. Querem acabar definitivamente com a pauta a Reforma Agrária, mas nossa história é resistir”, afirma Michele, da direção estadual do MST.
 
Fazendo da produção seu meio de contrapor as injustiças sociais e de denunciar os grandes latifúndios improdutivos, o Quilombo Campo Grande foi responsável pela produção de 55 mil sacas de milho, mais de 8 mil sacas de feijão e 8.500 sacas de café, na safra de 2017-2018. “O nosso grande proposito é produzir a partir da agroecologia, um alimento saudável e de qualidade, gerando segurança alimentar não só pra quem produz, mas para toda a população”, afirma Tuíra Tule, uma das responsáveis pela produção.
 
Uma das maiores riquezas do acampamento é justamente a sua produção de forma agroecológica, em especial do Guaií, café tipo arábica. Ele vem sendo comercializado para escolas, entidades públicas e através de feiras, lojas da reforma agrária, tudo com um preço justo para que o consumidor possa ter acesso a produtos de qualidade e sem veneno. Só em 2017 foram vendidos mais de 120 mil pacotes do café pela Cooperativa Camponesa.
 
Tendo em vista o risco iminente que as famílias correm de perder sua moradia e tudo o que foi conquistado até agora, os mesmos pedem quem aqueles que sabem a importância e reconhecem o valor da luta por dignidade assinem a moção de apoio e enviem um e-mail para vara agrária de MG pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo., com cópia para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. (entidade que está acompanhando o caso).
 
Fonte: MST
Foto: Reprodução / Julia Gimenez