Em 2017, o deslocamento forçado bateu recorde no mundo: 68,5 milhões de pessoas terminaram o ano fora de suas casas por motivos como guerras, conflitos e perseguições. Esse número envolve refugiados, solicitantes de refúgio, deslocados internos (quando a pessoa foge para um lugar dentro do próprio país) e apátridas. O dado é do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
 
No Brasil, até o fim de 2017, foram reconhecidos 10.145 refugiados de diversas nacionalidades. Destes, 39% são sírios. E os estados com mais refugiados são São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a 3ª edição do relatório Refúgio em Números, do Ministério da Justiça.
 
Vendo a situação dos refugiados nos últimos anos, a ONG Atados decidiu dar início a uma iniciativa que acabou virando uma organização independente: a Abraço Cultural. A organização capacita refugiados para atuarem como professores de idiomas e contrata esses mesmos profissionais para ensinarem sua língua e sua cultura.
 
A escola de idiomas teve início na cidade de São Paulo, em 2015, e chegou ao Rio de Janeiro em 2016. Mas a ideia surgiu ainda em 2014, durante a Copa dos Refugiados, organizada pela ONG Atados.
 
A Atados é uma plataforma social online que conecta pessoas interessadas em fazer voluntariado e organizações sem fins lucrativos que precisam de voluntários. A entidade apoia e divide espaço com o projeto Abraço Cultural nas unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.
 
Seleção dos refugiados
 
O processo de seleção é realizado anualmente e envolve análise de currículos, entrevista e capacitação. O processo dura de dois a três meses. “Na capacitação, é trabalhada a metodologia do Abraço Cultural, a atuação da política brasileira nas questões de refúgio, e assuntos relacionados a mercado de trabalho”, explica Mateus Lima Oliveira, assistente de projetos no Abraço Cultural.
 
Uma vez selecionado, o profissional pode permanecer por tempo indeterminado atuando como professor do projeto.
 
Os professores são cadastrados como Microempreendedores Individuais (MEI) e são contratados formalmente como pessoas jurídicas. Desta forma, eles pagam impostos. Cada professor consegue uma renda diferente com base no número de aulas que ministra por mês. “Já foi gerado mais de R$ 1,5 milhão em renda para os professores do projeto”, conta Mateus Oliveira.
 
Clique aqui e veja as histórias de refugiados que atualmente trabalham como professores de idiomas no Abraço Cultural.
 
Texto: Adriana Brandão / Observatório do Terceiro Setor
Foto: Reprodução

 
Pelo menos dois terços, ou 66,5%, dos deputados federais que são candidatos à reeleição neste ano votaram ou apresentaram projetos de lei que prejudicam o meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores rurais.
 
Os dados são resultado de levantamento que levou em conta 14 votações nominais e 131 projetos de lei nessa área. Para medir se os projetos e proposições teriam impacto negativo ou positivo, oito organizações do setor socioambiental foram chamadas para fazer uma avaliação de mérito. O cruzamento de dados faz parte do Ruralômetro, ferramenta jornalística para consulta sobre os deputados federais produzida pela Repórter Brasil.
 
Cada deputado foi pontuado dentro de uma escala equivalente ao que seria a temperatura corporal: de 36⁰C a 42⁰C. Quanto pior avaliado, mais alta a sua temperatura – podendo atingir níveis de febre. Assim, se o deputado tem mais do que  37,3°C, isso significa que ele votou ou que apresentou projetos de lei que prejudicam o meio ambiente e os povos do campo.
 
Se o deputado tem mais do que  37,3°C no Ruralômetro, isso significa que ele votou ou que apresentou projetos de lei que prejudicam o meio ambiente e os povos do campo.
 
Dos 248 deputados candidatos à reeleição que têm a ‘febre ruralista’, 138 deles (ou 55%) fazem parte da Frente Parlamentar Agropecuária, a chamada bancada ruralista. Entre os candidatos à reeleição que têm febre, há ex-ministros do governo do presidente Michel Temer, nomes envolvidos em escândalos de corrupção, lideranças da bancada ruralista e membros de tradicionais famílias da política brasileira.
 
Quem tem febre?
 
Candidato à reeleição por Santa Catarina, o deputado federal Valdir Colatto (MDB) é um dos que tem a febre mais alta: 41,5°C. Ele é autor de nove projetos de lei prejudiciais ao meio ambiente e aos povos do campo. Um deles regulamenta a caça de animais silvestres e outro pede a suspensão de norma do Ministério do Meio Ambiente que lista espécies da fauna e da flora que devem ser protegidas.
 
Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do candidato à presidência Jair Bolsonaro, tenta se reeleger à Câmara dos Deputados por São Paulo. Ele tem febre de 39°C e votou a favor da redução da área protegida em Jamanxim, no coração da Amazônia. Luiz Nishimori (PR), relator do projeto de lei que flexibiliza a liberação de agrotóxicos , também tenta se reeleger pelo Paraná. Ele tem febre de 40°C por ter votado majoritariamente com o governo Temer: foi favorável à ampliação da terceirização, que dificulta o combate ao trabalho escravo, e também à “MP da Grilagem”, que pode ampliar os conflitos por terra no país.
 
Entre os ex-ministros do governo Temer, Ricardo Barros (Saúde), Leonardo Picciani (Esportes) e Osmar Serraglio (Justiça e Segurança Pública) são candidatos à reeleição e apresentam febre alta: 39,9°C, 40,2°C e 39,5°C, respectivamente.
 
Lucio Vieira Lima (MDB), irmão de Geddel Vieira Lima, tenta reeleição pela Bahia mesmo sendo réu no caso do bunker de R$ 51 milhões – quando a polícia encontrou no apartamento de Geddel funcionários com notas de dinheiro. Sua temperatura no Ruralômetro é de 39,6°C.
 
Procurados pela Repórter Brasil, Nishimori e Colatto informaram que suas pautas estão “voltadas, entre outros temas, para o desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira”. A assessoria de imprensa do deputado Ricardo Barros informou que ele esteve “dois anos ausente da Câmara dos Deputados em razão de sua função à frente do Ministério da Saúde”. Os demais candidatos à reeleição citados nesta reportagem também foram procurados, mas não se pronunciaram.
 
‘Agronegócio predatório’
 
A atual composição da Câmara dos Deputados é uma das mais conservadoras desde a redemocratização, e esse grupo deve se fortalecer nesta eleição. É essa a avaliação da cientista política da Unicamp, Andrea Freitas.
 
Para a pesquisadora, há uma excessiva representação do grupo ligado ao que ela chama de “agronegócio predatório”, segmento que defende não apenas os interesses do empresário rural, mas que foca suas ações na defesa da propriedade de terra – sendo contrários à reforma agrária, por exemplo – e que defende o afrouxamento do processo de licenciamento ambiental.
 
A renovação desse grupo no Congresso está relacionada, na análise de Freitas, ao poder econômico do lobby do setor e do financiamento de campanhas. Nestas eleições, com a proibição do financiamento empresarial, a tendência é que candidatos ricos sejam privilegiados por conta do autofinanciamento irrestrito, já que candidatos não têm limitação financeira para bancar suas próprias campanhas. “E parte importante dos representantes do agronegócio predatório estão entre os mais ricos do Brasil”, avalia Freitas.
 
“Se tivéssemos um Congresso metade ruralista e metade ambientalista, teríamos uma representação intermediária que refletiria melhor a preferência média da sociedade”, analisa Andrea Freitas, cientista política da Unicamp.
 
A cientista política destaca que ter grupos “excessivamente” presentes  no Congresso prejudica uma representação equilibrada. “O que torna o Congresso o coração da democracia é que ali deveria estar a representação da sociedade como um todo. Se tivéssemos um Congresso metade ruralista e metade ambientalista, teríamos uma representação intermediária que refletiria melhor a preferência média da sociedade. Mas não é o que acontece”, conclui.
 
Para Caio Pompeia, doutor em antropologia pela Unicamp e pesquisador visitante em Harvard, o poder de influência do agronegócio no Congresso brasileiro não pode ser explicado somente em função da força do chamado ruralismo. “O agronegócio é uma composição de natureza intersetorial, envolvendo representantes da indústria e de serviços relacionados à agropecuária”, analisa. “Não estamos falando apenas de grandes fazendeiros, eles são minoritários nessa história, ainda que tenham certa força política”.
 
Além dos deputados que concorrem à reeleição, o Ruralômetro mostra todos os deputados eleitos em 2014 que disputam algum cargo, tanto no Legislativo como no Executivo. Dois presidenciáveis estão na ferramenta – Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e Cabo Daciolo (Patriotas-RJ) –, assim como 9 candidatos a governador, 41 candidatos ao senado, 373 candidatos à deputado federal e 8 candidatos à deputado estadual.
 
Consulte o Ruralômetro, ferramenta que monitora como a ação dos deputados federais e candidatos impacta o meio ambiente e povos do campo.
 
Foto: Christian Braga / Greenpeace

 
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito repudia o voto de cajado: pastores não devem usar o púlpito para orientar o voto dos seus membros. Pastores não devem, de forma alguma, fazer campanha eleitoral durante a celebração dos cultos - corrompendo a mensagem central do Evangelho, de anunciar o Cristo que se fez justiça para a redenção da humanidade. Pastores não devem estimular o fascismo, a intolerância, o ódio e nenhuma forma de opressão. Como seguidores de Cristo, estamos comprometidos com o restabelecimento da democracia brasileira, e que o processo eleitoral nos garanta parlamentares e governantes empenhados na construção de um país mais justo e igual, com oportunidades.
 
Ao escolher seus candidatos considere se ele ou ela está comprometido coma recuperação dos direitos dos trabalhadores, com a educação pública e gratuita, com a manutenção e recuperação do Sistema Único de Saúde, com a distribuição de terra e moradia, com a defesa da soberania nacional, com a defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente, com investimento em saúde, educação e infraestrutura, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com a igualdade de gênero, com o combate à desigualdade, com a reforma tributária, com a democratização dos meios de comunicação, com a manutenção do sistema previdenciário, com o combate às violências, com a desmilitarização da polícia.
 
Fonte: Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Foto: Reprodução

 
Uma delegação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) esteve na Nicarágua, nos dias 28 e 29 de agosto, com o objetivo de fornecer cuidado pastoral às igrejas no contexto atual daquele país. A visita, se deu no âmbito das Peregrinações de Justiça e Paz do CMI, incluiu reuniões com representantes de diversas igrejas, incluindo católicas e evangélicas, além de lideranças locais e representantes da sociedade civil. 
 
"Temos procurado apoiar o diálogo como um meio de resolver as diferenças, reafirmando e fortalecendo os apelos por justiça, paz e respeito pelas diferentes formas de pensar nas sociedades contemporâneas", diz um trecho da mensagem.
 
Em outra parte, o CMI pontua a vocação cristã para lidar com situações complexas. "Algo que testificamos nestes dois dias foi a reafirmação da vocação cristã para construir a paz em meio a tensões e conflitos", afirma.
 
Clique aqui e leia a íntegra do texto (em espanhol).
 
Fonte: CMI
Foto: Sean Hawkey/Consejo Mundial de Iglesias

 
A gente sempre acha que não dá mais para se surpreender, mas se surpreende. E até se assusta. Estou assustado com a maneira avassaladora como a “igreja brasileira” – usando um termo bastante impreciso para me referir a esse grande fenômeno de massa que ocupa enormes espaços na mídia, arrebanha multidões, e que tem um projeto claro de aparelhamento dos espaços de decisão, inclusive com representações nas câmaras, parlamentos e outros espaços da política nacional, como o Judiciário – vem dando mostras escancaradas de engajamento não apenas político, mas partidário. 
 
Pois essa “igreja brasileira” – formada por uma salada infinita, que vai do fundamentalismo protestante e seus derivados, até as novíssimas igrejas pentecostais-neo-pós-tudo, e que se somam a um grande contingente de católicos (no plural mesmo, pois longe da uniformidade pensada, o Catolicismo se constitui de numerosíssimos movimentos que guardam entre si uma relação muito mais simbólica, posto que no campo das ideias e práticas são absurdamente diferentes, divergentes e contraditórios) – está se superando a cada dia que passa em seus malabarismos bíblico-teológicos para escancarar o seu apoio a um candidato que apoia abertamente a tortura e a eliminação de grupos divergentes. 
 
Qual o sentido de um cristão apoiar um candidato que se dizendo cristão, faz apologia à TORTURA??? 
 
Não há sentido bíblico, ao menos não à luz da pessoa e das obras do Jesus de Nazaré. Como combinar “Bandido bom é bandido morto” com o “Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt. 5:43-44)? Simplesmente não dá para “esticar” o texto para desdizer o óbvio ululante. Ou você apoia o candidato-torturador e abre mão de ser discípulo do nazareno, ou vice-versa. 
 
Não há, certamente, um sentido lógico. Minimamente uma reflexão lógica há de nos fazer refletir que, por exemplo, dois erros não fazem um acerto. Não é possível achar que por termos uma situação de violência vamos aumentar a violência para diminuir a violência. Não faz sentido.
 
Não há sentido ético. Se pensamos ética como uma busca pela realização humana, como é possível combiná-la com ideais de eliminação da diferença, imposição de uma moral estrita, e falta de respeito às diferenças? 
 
Resta o sentido histórico... Sim, talvez seja isso. Pois se lembrarmos que grandes porções dos “cristãos” ao longo da história apoiaram as Cruzadas, apoiaram a Inquisição, participaram das Guerras de Religião, da Caça às Bruxas, estiveram do lado de Hitler e de Mussolini, participaram e participam da “guerra contra o mal” empreendida pelo “gigante protestante” que são os EUA, matando com bombas e disfarçando com bíblias...
 
Sim, sim... Há um sentido histórico naqueles que cantam louvores ao Jesus, preso, torturado e morto como um bandido entre bandidos, mas que apoiam os torturadores e seus apoiadores de plantão. Talvez retorne aqui a frase de Nietzsche, que dizia lavar as mãos depois de apertar as mãos de um cristão. No caso atual, talvez seja por que essas mãos estão cobertas de sangue.
 
Joel Zeferino é pastor na Igreja Batista Nazareth

 
Este material busca apoiar a reflexão neste momento eleitoral, ajudando as pessoas a discernir os discursos e atitudes das pessoas que se apresentam como candidatas aos diversos níveis de governo. Mas também quer ser uma contribuição da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil para melhor capacitar as pessoas cristãs na participação política que constrói uma sociedade autenticamente democrática, na qual a participação de todos seja instrumento do serviço/poder que promove libertação.
 
Para fazer o download do material, clique aqui.
 
Membros da Comissão de Incidência Pública, Direitos Humanos e Combate ao Racismo:
Sr. Daniel Souza, Diocese Anglicana de São Paulo/SP
Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional, Porto Alegre/RS
Revda. Lilian Conceição da Silva, Diocese Anglicana do Recife/PE
Revdo. Luiz Carlos Gabas, Diocese Anglicana do Paraná
Sr. Pedro Montenegro, Diocese Anglicana de Brasília/DF
 
Com informações da IEAB / ALC Notícias

 
"Estamos trabalhando pela unidade e estabilidade da ortodoxia e pelo testemunho eclesiástico comum". O Patriarcado Ecumênico, enquanto responsável em preservar a unidade, coordenar as relações interortodoxas e as iniciativas pan-ortodoxas, “exerce seu ministério na Ekumen ortodoxa, fiel aos princípios eclesiológicos e canônicos da ininterrupta da tradição dos padres."
 
Esta é uma das passagens mais significativas da homilia proferida na última segunda-feira (3/09) pelo patriarca Ecumênico Bartolomeu I, arcebispo de Constantinopla, na conclusão da oração comum dos metropolitas e arcebispos do patriarcado, realizada na Igreja da Santíssima Trindade de Stavrodromi, em Istambul. Entre os participantes, os metropolitas de Pérgamo, Iohannes, da Ilha dos Príncipes, Demétrio, e da França, Emanuel.
 
"A identidade de serviço e escatologia da Igreja - disse Bartolomeu - não é ameaçada somente pela secularização, mas também pelo fechamento e introversão de uma espiritualidade que entrou abundantemente na Igreja. Somos guardiões da sagrada herança dos padres, da fé reta, da adoração e glorificação e da ortopraxis em Cristo e segundo Cristo, da verdade que torna livres, da filocalia e da filantropia, do espírito de comunidade e da cultura de solidariedade, conscientes de uma continuidade histórica ininterrupta de uma tradição testemunhada por meio da confissão e do sacrifício dos santos, por meio da fidelidade ortodoxa e a espiritualidade, por meio do milagre da teologia dos padres, por meio do ethos da cruz e da ressurreição da ascese, pela forma eucarística da vivência, pela esperança da eternidade".
 
Um dever enfatizado também pelo metropolita de Pérgamo: "No mundo que virá, a ortodoxia não pode dar o próprio testemunho todo fragmentado, mas com uma só voz e um coração".
 
O patriarcado ecumênico tem o dever de recordar a todos a catolicidade e a universalidade da Igreja, destacando "o espírito de reconciliação e superação das diferenças, a serviço da unidade”.
 
Mas o presente é também representado pelo encontro com o mundo atual no qual a Igreja vive e dá seu testemunho: "Os grandes desafios dos tempos atuais, o predomínio da tecnologia e de seus resultados, a secularização e a globalização,  o avanço da redução e esquecimento da dimensão social e comunitária da liberdade, a injustiça social, o hedonismo, a destruição ambiental, mas também o filetismo étnico, o fundamentalismo religioso, o conflito das culturas e outras ameaças à sacralidade da pessoa humana, exigem respostas comuns, um testemunho comum e um comum avançar em direção ao futuro ", concluiu Bartolomeu.
 
Fonte: L’Osservatore Romano
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