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O aumento é distribuído em praticamente todas as paróquias, exceto em Jyväskylä, onde o número permaneceu quase estável. A maior paróquia continua a ser a da Catedral de Santo Henrique, em Helsinque, com 4.779 membros, 227 recém-chegados em 2018.
 
Confirma-se a tendência de crescimento do número de católicos na Finlândia, a uma taxa de 3-4% ao ano. No final de 2018 eram 15.483 as pessoas registradas como membros da Igreja Católica, ou seja,  534 a mais em relação ao ano precedente (com uma taxa de crescimento de + 3,5% em relação a 2017). As estatísticas foram publicadas no site www.katolinen.fi.
 
O aumento é distribuído em praticamente todas as paróquias, exceto em Jyväskylä, onde o número permaneceu quase estável. A maior paróquia continua a ser a da Catedral de Santo Henrique, em Helsinque, com 4.779 membros, 227 recém-chegados em 2018.
 
A proporção relativa às línguas faladas pelos católicos permaneceu quase inalterada: 41,5% dos católicos falam finlandês, 4,7% sueco e 53,8% outras línguas.
 
Os novos registrados são pessoas que foram batizadas (203), provêm de outras igrejas (48) ou de outros países (321), enquanto que em 2018 faleceram 43 católicos, 45 deixaram o país e 92 deixaram a Igreja.
 
Quanto aos Sacramentos, somando os dados dos registros paroquiais do país, foram 219 as Primeiras Comunhões, 188 Confirmações e 49 casamentos. Em 19 casos. ambos os cônjuges eram católicos.
 
A Igreja Católica na Finlândia
 
A Finlândia tem a menor proporção de católicos de toda a Europa, cerca de 9.000. A esmagadora maioria são estrangeiros, particularmente poloneses. Cerca de metade dos padres são poloneses. Desde 2007 há apenas dois sacerdotes nascidos na Finlândia, e apenas um deles trabalha na Finlândia. O Bispo de Helsinque é o Mons. Teemu Sippo, nomeado em 16 de junho de 2009. Ele é o primeiro finlandês no cargo de bispo católico em mais de 500 anos.
 
O catolicismo foi uma das primeiras formas de cristandade que entrou na Finlândia. Os achados mais antigos remontam aos séculos XI e XII. No século XVI, a Finlândia, como parte da Suécia, participou da Reforma Protestante, que fez com que o catolicismo perdesse quase todas as suas terras e fiéis no país
 
O primeiro serviço religioso católico, após a morte de João III da Suécia foi realizado em 1796 pelo vigário apostólico de Estocolmo, o padre de origem italiana, Paolo Moretti.
 
A paróquia de Vyborg foi criada em 1799, na parte russa da Velha Finlândia. Depois o resto da Finlândia tornou-se parte do Império Russo em 1812, e a paróquia passou a abranger todo o Grão-Ducado da Finlândia.
 
Havia cerca de 3.000 católicos em 1830. Todos os sacerdotes, até os anos 1860 eram lituanos da ordem dos dominicanos. A paróquia de Helsinque foi fundada em 1856, possivelmente devido a influência da esposa do governador-geral Frederico Guilherme von Berg, Leopoldina Cicogna Mozzoni. A Catedral de Santo Henrique, em Helsinque, foi concluída em 1860.
 
Em 1882, todos os padres e freiras alemãs foram expulsos. Já em 1912 foram expulsos todos os padres estrangeiros. Após a independência da Finlândia e da partida das forças militares russas, que tinha incluído muitos poloneses e lituanos, a Igreja Católica perdeu a maioria de seus membros.
 
Em 1920, um Vicariato Apostólico foi criado na Finlândia. A paróquia de Turku foi criada em 1926, e, em 1927, a Paróquia de Terijoki. O Governo concedeu à Igreja Católica na Finlândia o status de comunidade religiosa em 1929.
 
A Finlândia estabeleceu relações diplomáticas com a Santa Sé em 1942, e Pio XII doou uma soma significativa de dinheiro para órfãos da guerra finlandesa contra a Rússia. Depois da guerra, as paróquias de Vyborg e Terijoki, que se localizavam em territórios cedidos à Rússia, foram transferidos para Lahti, e uma nova paróquia foi fundada em 1949, em Jyväskylä.
 
A Igreja da Assunção de Maria foi concluída em Helsinque, em 1954. No ano seguinte, o Vicariato Apostólico foi elevado a Diocese. A Paróquia de Tampere foi criada em 1957, a Paróquia de Kouvola em 1985, e a Paróquia de Oulu em 1992.
 
Movimentos da Igreja Católica e grupos também são ativos na Finlândia. Um deles, o Caminho Neocatecumenal estabeleceu dois seminários Redentoris Mater e mantém uma presença tanto em Helsinque como em outras cidades, principalmente Oulu.
 
Fonte: Vatican News
Foto: AFP or licensors

 
A mortalidade infantil no Brasil assusta nos números. Segundo o Index Mundi, um portal que reúne estatísticas de diferentes fontes ao redor do mundo e as apresenta de forma simplificada, em gráficos e tabelas, a taxa de mortalidade de crianças menores de um ano no Brasil é maior que a de países como Venezuela e Síria. O portal usa como fontes para esses dados o CIA World Factbook.
 
Segundo o Index Mundi, a taxa de mortalidade de crianças menores de um ano no Brasil, em 2017, era de 17,5 para cada 1.000 nascidas vivas. Na Venezuela, que tem enfrentado uma grave crise nos últimos anos, era de 12,2 mortes para cada 1.000 nascidos vivos. E na Síria, que está em guerra há anos, era de 14,7 mortes para cada 1.000 nascidos vivos.
 
Vale citar que os dados oficiais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam uma taxa de mortalidade menor no Brasil, em 2017: 12,8 mortes de crianças menores de um ano para mil nascidas vivas. Mas usamos neste texto os dados do índice mundial, para fins de comparação entre diferentes países.
 
Segundo um estudo divulgado na revista científica Plos Medicine, cortes orçamentários em saúde básica e assistência social podem levar a até 20 mil mortes e 124 mil hospitalizações de crianças com menos de 5 anos até 2030, no Brasil. Mortes que poderiam ser evitadas com investimentos no programa Estratégia Saúde da Família e no Bolsa Família.
 
Imagem: Pixabay

 
“É muito importante participar das aulas para entender as leis do país, trabalhar e poder comunicar melhor no dia a dia”, explica a aluna, natural da Venezuela Gladys Cedeño, que participa do projeto “Português para acolhimento”, em Boa Vista-RR, uma iniciativa do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), da Diocese de Roraima em parceria com a Universidade Federal (UFFR).
 
Conforme a coordenadora do Serviço Pastoral dos Migrantes, a scalabriniana Irmã Valdiza Carvalho, 18 turmas concluíram o curso no ano passado e desde janeiro deste ano até o presente momento quatro turmas seguem dando continuidade ao plano. “A meta é ampliar o curso aos municípios do interior do Estado, com turmas manhã, tarde e noite”, afirmou.
 
Irmã Valdiza ressaltou, ainda, que o projeto conta com a ajuda solidária das comunidades católicas que possam oferecer possibilidades para a abertura de novas turmas.  “O SPM está aberto a novas sementes plantadas. Precisamos também que novos professores voluntários possam aderir ao projeto, uma vez que são dois professores por turma”, enfatizou.
 
O curso
 
Com uma carga horária de 60 horas/aulas, as turmas são formadas com 30 alunos e os professores atuam de forma voluntária. Os certificados recebidos no final do curso são emitidos pela Universidade Federal de Roraima.
 
O programa conta, também, com a parceria da comunidade São João Batista no bairro Caranã e do auditório da Cáritas, espaços disponibilizados para a realização das aulas.
 
Para o secretário de Pastoral dos Migrantes, Eduardo Freitas, projetos como este favorecem às pessoas de outros países, no caso, da Venezuela, o conhecimento da realidade, da cultura, do idioma e da história do país no qual estão se inserindo. “Os conhecimentos serão úteis para que possam se adequar e entender melhor as leis do país e ajudar na busca por uma colocação no mercado de trabalho. ”
 
Foto: Reprodução

 
Jovens que se recusarem a servir o exército na Coreia do Sul não serão mais presos. Essa decisão da Suprema Corte sul-coreana, tomada em 1° de novembro de 2018, foi provocada, sobretudo, em função das Testemunhas de Jeová naquele país que, desde a década de 50, vinham sofrendo represálias por recusarem o serviço militar obrigatório.
 
Conhecidas pela obra mundial de pregação que fazem de casa em casa, fieis dessa religião condenam o uso de armas de fogo. Assim, em todos os países onde estão fixados, recusam qualquer tipo de emprego onde o uso das armas é requisitado. Em algumas nações, incluindo o Brasil, a saída encontrada para o impasse foi o “serviço alternativo”, que prevê trabalhos de cunho social variados. Na Coreia do Sul, contudo, essa opção não era considerada pelas autoridades. 
 
Com a decisão da Corte, que declarou que a objeção de consciência ao serviço militar não é um crime, a última Testemunha de Jeová que estava presa por causa de sua neutralidade foi liberta no dia 28 de fevereiro de 2019. Desde novembro de 2018, 65 membros da religião foram soltos.
 
A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Coreia declarou: “A decisão da inteira Suprema Corte trouxe um fim à dolorosa história de punir criminalmente objetores de consciência. Essa prática começou nos anos 50 e afetou quase 20 mil objetores de consciência. Expressamos nosso profundo respeito pelos sacrifícios feitos por esses objetores e suas famílias”.
 
Agora, os objetores de consciência precisam provar que se recusam a prestar serviço militar por causa de uma crença “profunda, firme e genuína”. Os juízes foram instruídos a procurar evidências de que o objetor de consciência está sendo sincero. Como a Suprema Corte declarou, “todos os aspectos da vida dele devem ser influenciados por essa crença profunda”.
 
Vitória da liberdade e dos Direitos Humanos.
 
CONIC com informações da JW
Foto: Reprodução / JW
 

 
Investindo em fabricantes de armas para mudar suas práticas: esta é a aposta de muitas Igrejas estadunidenses após o massacre de Parkland, cuja comemoração do primeiro aniversário será nesta quinta-feira, 14 de fevereiro.
 
A reportagem é de Alexis Buisson, publicada por La Croix, 12-02-2019. A tradução é de André Langer.
 
A irmã Judy Byron não estudou finanças, mas ela sabe de cor as engrenagens do mercado de ações. Esta freira católica é a figura de proa de um movimento que está se desenvolvendo dentro das Igrejas americanas: o ativismo dos acionistas. Morando em Seattle, ela lidera a Coalizão Noroeste para o Investimento Responsável (NWCRI, sigla pelas suas iniciais em inglês), uma aliança que reúne uma dúzia de grupos cristãos em torno de um objetivo: entrar no capital de empresas para levá-las a agir sobre os males da sociedade, como as injustiças sociais e a degradação ambiental. “Nós nos damos conta de que poderíamos fazer muito mais estando presente na mesa das empresas”, disse Judy Byron.
 
Um ano após o massacre na Marjory Stoneman Douglas High School, em Parkland, Flórida, onde 17 pessoas morreram, esses investidores cristãos estão se concentrando na luta contra a violência ligada às armas. No final de dezembro, uma diocese da Igreja Episcopal de Massachusetts votou pela aquisição de ações da American Outdoor Brands, uma revendedora de armas que possui uma subsidiária na diocese.
 
Ela pretende comprar 200 ações, o que lhe dá o direito de fazer uma pergunta à administração na próxima assembleia geral. “Há um sentimento de frustração porque o governo não está fazendo nada quando 97 pessoas morrem todos os dias por causa de armas de fogo”, disse o bispo Douglas Fisher, líder da diocese. “Os fabricantes de armas precisam tomar como exemplo o que as montadoras fizeram para proteger seus produtos”.
 
Uma nova perspectiva
 
Outras dioceses devem seguir o exemplo: as autoridades nacionais da Igreja Episcopal decidiram, em sua convenção em julho de 2018, fazer da luta contra a violência armada uma prioridade de sua política de investimento. A Igreja dispõe de mais de US$ 400 milhões em ativos.
 
Essa perspectiva é nova nas Igrejas americanas. Até agora, os grupos religiosos engajados em ações corporativas privilegiavam estratégias de desinvestimento. A tradição remonta a 1971, quando a Igreja Episcopal dos Estados Unidos pediu à General Motors, da qual era acionista, a suspensão das suas atividades na África do Sul como forma de protesto contra o apartheid.
 
Nesse mesmo ano, nasceu o Centro Interconfessional de Responsabilidade Corporativa (ICCR, sigla pelas iniciais em inglês), um grupo de investidores religiosos que procura incentivar empresas a se envolverem em causas sociais. Os membros desse grupo, que inclui católicos, presbiterianos, ou ainda menonitas, investiram em vários setores, desde o tabaco até as grandes redes de supermercados, para influenciar várias questões, como a proteção do meio ambiente, o acesso a medicamentos e o respeito aos direitos humanos.
 
Assentar as bases para um diálogo construtivo
 
“Isso pode ser visto como uma compra de acesso”, admite o bispo Ian Douglas, presidente do grupo pró-controle de armas dos Bispos Unidos Contra a Violência de Armas e membro da Igreja Episcopal Americana. Ele vê nisso uma oportunidade para “assentar as bases para um diálogo construtivo”. “Para garantir que armas mais seguras sejam fabricadas, é preciso fazer parte da discussão”.
 
Os defensores dessa estratégia ganharam fôlego com algumas vitórias. Em maio de 2018, uma resolução apresentada pelos membros do ICCR, solicitando que a companhia fabricante de armas Sturm Ruger publicasse um relatório sobre suas ações para tornar seus produtos mais seguros, foi adotada por 69% dos acionistas, entre os quais está o principal investidor, a BlackRock, uma empresa líder em gerenciamento de ativos. “Eu vejo um crescente número de jovens se envolvendo nessa luta”, diz a irmã Judy Byron, “o que é animador em um momento em que as comunidades religiosas estão em declínio”.
 
Fonte: IHU Unisinos
Foto: Pixabay

 
A realidade e a atualidade dos direitos humanos no Brasil foi tema de reunião no Palácio das Nações Unidas, em Genebra. O evento aconteceu no Palácio das Nações Unidas e contou com participação de pelo menos 50 representantes de organizações brasileiras e internacionais.
 
A atividade foi organizada a partir de uma mesa de debates coordenada pela Conectas Direitos Humanas com participação: da Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil, Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, Associação dos Indígenas Tupinambás/ BA; Terra de Direitos; ABGLT, Artigo 19.
 
A agenda tratou de vários temas sobre a realidade e a atualidade dos direitos humanos no Brasil, com especial atenção para ações que vêm sendo realizadas pelo atual governo, tais como: a MP 870, que ataca frontalmente o direito e a liberdade de organização e associação, tema este visto como uma grande ameaça no país neste momento.
 
Junto com este tema também está posto o processo de paralisação e extinção de espaços de participação social que são fundamentais para a consecução de políticas e o monitoramento destas políticas, como é o caso, por exemplo da extinção do CONSEA.
 
Temas como o avanço da violência contra os defensores/as de DH, contra as mulheres, contra a população LGBT, contra os povos e comunidades tradicionais e indígenas, o avanço das milícias nas periferias e também no campo.
 
A representante da comunidade indígena Tupinambá da Serra do Padeiro/Ba, fez um relato muito forte sobre a situação de ameaça que vive toda sua comunidade e as lideranças do seu povo.
 
Além de outros temas tratados pelos parceiros brasileiros a Articulação chamou a atenção para a proposta de Reforma da Previdência apresentada ao congresso pelo governo Bolsonaro, manifestando que os pontos centrais e críticos da proposta vão na linha da destruição da proposta de seguridade social prevista pela Constituição Federal de 1988. Para a Articulação, “a proposta de reforma do governo inaugura uma nova forma de previdência que não é de seguridade, mas de seguro social, numa perspectiva de capitalização e não de direitos. Esta proposta ataca profundamente os mais pobres pois se soma à reforma trabalhista já aprovada que flexibiliza e precariza de modo profundo as relações de trabalho”.
 
A agenda foi muito positiva porque marca o primeiro evento internacional no âmbito da ONU, onde a sociedade civil brasileira pode levar informações de forma conjunta e ampla sobre como está vendo a atuação em matéria de direitos humanos do atual governo.
 
A proposta é que possamos intensificar este tipo de eventos, ao menos semestralmente entre parceiros brasileiros, para que possamos também manter a comunidade internacional informada sobre o andamento da agenda de direitos humanos no Brasil, dando visibilidade sobretudo aos retrocessos em matéria de políticas, de legislação e de situações de violações pelas quais as povos, comunidades, grupos e defensores/as de direitos humanos sofrem cotidianamente.
 
A Reunião com as Igrejas aconteceu no Centro Ecumênico em Genebra, contou com a presença da Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil, a Sociedade Maranhense de Direitos Humanos, o Conselho Indigenista Missionário e com a Associação Indígena Tupinambá da Serra do Padeiro/BA.
 
 
A comitiva foi recebido pelo Odair Pedroso Mateus, representante do Conselho Mundial de Igrejas — CMI, que acolheu as demandas levadas pela comitiva e assumiu o compromisso de levar as questões aos membros do Conselho Mundial de Igrejas, da Federação Luterana Internacional e a Aliance ACT.
 
A pauta central de temas que foram apresentados foram:
 
1. Pauta indígena no Brasil: realidade dos povos indígenas, num cenário de permanente violência e violações e do processo de desmonte de estruturas e políticas voltadas aos indígenas no país, e o papel das igrejas frente a esta situação. Sugeriu-se a possibilidade de que seria muito positivo no atual cenário ter algum tipo de ação direta das Igrejas junto ao governo Brasileiro para tratar da questão indígena.
 
Também sugeriu-se que as Igrejas em nível internacional façam algum tipo de ação junto as Igrejas no Brasil, no sentido da sensibilização e chamamento para envolvimento com a questão indígena de forma mais contundente.
 
2. Agenda construção da cultura de paz  —  com destaque para o papel das Igrejas neste tema.
 
- Foi pautada a questão do Decreto 9.685/19, de 15 de janeiro de 2019, que flexibiliza e facilita o porte de armas no Brasil.
 
Aliado a debate sobre a questão do armamento no país, destacou-se o desafio da construção da paz, num cenário de forte avanço dos crimes por conta do ódio e da intolerância no Brasil; do avanço da violência contra as mulheres (feminicídio); da violência contra população LGBT; da violência por parte das milícias (tanto no cenário urbano — atingindo sobretudo as periferias, a população jovem e negra, os defensores/as de DH e, também no cenário rural — atingindo fortemente os povos indígenas, as comunidades tradicionais e defensores/as de direitos humanos).
 
3. Por fim, tratamos do avanço da extrema direita cristã no Brasil  —  que manifesta-se em várias frentes:
 
- Na sociedade a agenda conservadora, de retrocessos no que se refere aos costumes está em alta, com sérias consequências as liberdades de expressão e opção — tendo a questão religiosa inclusive como uma questão central — muito fortemente marcado pela violência e perseguição aos povos e comunidades tradicionais e suas manifestações culturais e religiosas; violência de gênero; família tradicional etc.
 
- Foi enfatizado que esta agenda conservadora fortemente presente na sociedade ajudou a colocar o governo Bolsonaro no poder e encontra respaldo no atual governo para atacar as liberdades. Neste contexto urge ainda mais a necessidade de fazer o debate sobre a Laicidade do Estado no Brasil, um tema complexo mas que exige ser tratado de forma concreta e direta no diálogo entre as igrejas.
 
Frisamos de que há o entendimento de que tais temas difíceis e complexos de serem tratados, mas não se pode debruçar-se sobre o argumento de que a sociedade brasileira está polarizada, como motivação para não se posicionar… Neste sentido, entendemos inclusive, que justamente pelo fato das Igrejas terem autonomia no campo político partidário e também pelo seu compromisso teológico, é que elas devem se posicionai de forma mais efetiva. Há um silenciamento bastante forte, inclusive das Igrejas tradicionais cristãs no Brasil com relação a temas de direitos e interesses sociais no país.
 
A agenda foi muito importante para manter e fortalecer o diálogo com as igrejas em nível internacional e ficou a proposta de que temos que criar as condições para manter uma relação mais permanente e estratégica no campo internacional entre parceiros brasileiros e Igrejas.
 
AGENDAS DE INTERLOCUÇÃO COM PARCEIROS INTERNACIONAIS.
 
Na tarde do dia 13, a Comitiva das Organizações das Organizações da sociedade civil Brasileira, realizaram pelo menos dois momentos de interlocução política com parceiros internacionais.
 
Num primeiro momento reunimo-nos com representantes do Comitê Mundial Contra a Tortura e também com representante dos Franciscans International. A agenda deu-se centralmente acerca do desafio de construirmos um diálogo mais fluído e conectado entre as organizações e defensores/as de direitos humanos na América Latina. Temas como meio ambiente, migrações, dignidade humana, combate a tortura são temas comuns e que dialogam com agendas comuns entre outras.
 
Há o entendimento de que é preciso fazer um esforço no sentido de construir alguns espaços e referências acerca de temas estratégicos para fortalecer os laços de parceria e solidariedade entre as organizações no continente, no sentido de fazer o enfrentamento das violações de direitos humanos num perspectiva mais macro e regional.
 
Ficou como compromisso deste momento levar adiante os processos de diálogo com estes parceiros e incluir também outros parceiros que não puderam participar deste momento.
 
Relato de Enéias da Rosa, secretário executivo da Articulação para o Monitoramento dos DHs no Brasil
Fonte: Comunicação PAD
Fotos: Reprodução
 

 
Se estivesse viva, Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras e mais importantes escritoras brasileiras, completaria 105 anos nesta quinta-feira, 14 de março. Seu livro de estreia, Quarto de Despejo, quando lançado em 1960, vendeu 10 mil cópias em uma semana. Moradora da favela do Canindé, na zona norte de São Paulo, por boa parte de sua vida, Carolina teve fama, foi traduzida em mais de duas dezenas de línguas, chegou a Europa, Ásia e América Latina, mas morreu em relativo esquecimento em 1977. Ainda hoje, a vida dela inspira escritores, jornalistas e até ilustradores à altura de grandes prêmios.
 
A história mais conhecida sobre a escritora é de que no final da década de 1950, o jornalista Audálio Dantas topou com ela na favela do Canindé e ficou sabendo que aquela mulher negra, que trabalhava na maior parte do tempo como catadora de papel, e que criava sozinha três filhos pequenos, era autora de dezenas de cadernos. Entre eles, um diário extensíssimo, que, editado por Dantas, virou o livro Quarto de Despejo, o primeiro documento que mostrou em primeira pessoa a desagradável realidade de ser mulher, negra e pobre neste país, e, ao mesmo tempo, com quanta dignidade era possível suportar tanta discriminação.
 
O cotidiano da vida no Canindé – o verdadeiro quarto de despejo do título do livro – narrado por Carolina de Jesus é esquálido, violento, permeado por doenças, alcoolismo e fome, a fome que, logo de início, é definida como a escravidão dos tempos modernos. Mas também é cheio de suas reflexões sobre o Brasil e a vida da mulher negra. O relato literário recebeu críticas e comentários de escritores e intelectuais como Sérgio Milliet, Rachel de Queiroz e Manuel Bandeira. No exterior, Carolina foi recebida com entusiasmo por Pablo Neruda e Octavio Paz
 
No ano passado, o jornalista Tom Farias lançou o livro Carolina: uma biografia, editado pela Malê, com o objetivo de humanizar a figura de Carolina de Jesus, tentando desvinculá-la do mito. Para ele, a escritora, ao contrário do que se pensa, não nasceu intelectualmente em 1960, com a publicação de seu livro. A biografia revela textos e matérias de jornais em que Carolina de Jesus já aparecia em 1940. “Ela fazia uma ronda pelas redações e rádios, apresentava-se como 'Carolina Maria, a poetisa negra', e ia oferecendo seus textos para publicação. Muitas vezes, era olhada de forma enviesada, tratada com desdém, mas teve alguns sucessos", conta.
 
Quadrinhos
 
 
Também em 2018, a vida da autora virou uma biografia em quadrinhos produzida por João Pinheiro e Sirlene Barbosa e publicado pela editora Veneta. O livro, que narra a infância pobre de Carolina de Jesus em Minas Gerais, sua vida sofrida em São Paulo, a fama, as ilusões, as decepções e o esquecimento, venceu o prêmio especial do Festival de Quadrinhos de Angoulême, o mais importante do mundo do gênero, uma espécie de Cannes do HQ.
 
Para o ilustrador e roteirista João Pinheiro, a palavra que define bem a obra é superação. “A história dela é muito triste, muito pesada muito para baixo. Mas ao mesmo tempo ela tem muita força. Então, apesar de ter essa miséria, fome, a situação degradante que ela vivia, por outro lado ela tem muita força e persistência. E supera tudo, mesmo diante daquelas dificuldades, ela consegue seguir em frente, levantar todos os dias e não desistir. Isso é o principal”, disse.
 
Fonte: El País
Imagens: Reprodução / El País

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