Igreja Ortodoxa comemora o Natal no dia 7 de janeiro, e esta é uma das suas festas mais importantes do ano.
 
Esta data vem do antigo calendário Juliano, estabelecido no ano 46 a.C. por Júlio César e baseado no movimento do sol para medir o tempo. Este calendário tem um atraso de 13 dias com relação ao gregoriano e, portanto, também com relação aos ritos religiosos católicos.
 
Durante todo o dia 6 de janeiro, os fiéis ortodoxos permanecem sem comer: é o ponto final do jejum de 40 dias que precede o Natal. Nesse mesmo dia, tanto de manhã quanto à tarde, assistem a Missas solenes.
 
O jejum termina ao anoitecer, com o aparecimento da primeira estrela no céu, que simboliza a estrela sobre Belém na hora do nascimento de Jesus.
 
Durante o Ângelus da Epifania do Senhor, o Papa cumprimentou os irmãos ortodoxos por ocasião do seu Natal, um dia depois de anunciar sua peregrinação à Terra Santa (que coincidiu com a comemoração dos 50 anos do abraço entre Paulo VI e o patriarca ortodoxo Atenágoras).
 
“Irmãos e irmãs, dirijo minha cordial saudação aos irmãos e irmãs das Igrejas Orientais, que celebrarão o Natal amanhã.Que a paz que Deus deu à humanidade com o nascimento de Jesus, Verbo encarnado, reforce em todos a fé, a esperança e a caridade, e dê conforto às comunidades cristãs que sofrem provações”, disse o Papa Francisco.
 
Fonte: Aleteia
Foto: Pixabay
 
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A catedral copta ortodoxa, situada na periferia do Cairo, capital do Egito, deve ser inaugurada na noite do dia 6 para o dia 7 de janeiro, durante a Missa de Natal do calendário copta.
 
A construção foi anunciada há um ano pelo presidente egípcio, o general Al Sisi. Hoje, quase tudo está pronto. Equipes extras foram contratadas para que tudo esteja concluído para a Missa de Natal, que também marcará a inauguração do templo.
 
O governo egípcio contribuiu com o financiamento da obra. Quando concluída, esta será a maior igreja do país e também a maior do Oriente Médio.
 
No fim do mês de maio de 2017, quando concluiu sua viagem ao Egito, o papa Francisco agradeceu às autoridades civis, religiosas e ao povo egípcio pela “calorosa acolhida”. Falando da “beleza da Igreja no Egito”, o papa declarou aos milhares de peregrinos e fiéis na basílica de São Pedro: “Narrar esta viagem é como falar da esperança”.
 
Fonte: Aleteia
Foto: Blogcopte
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O astrônomo Mark Thompson, membro da Royal Astronomical Societyde Londres e apresentador de astronomia no The One Show, da BBC, realizou um estudo científico que explicaria a natureza da estrela que conduziu os Reis Magos até Belém, confirmando a narração do Evangelho de São Mateus.
 
Usando registros históricos e simulações de computador que permitem mapear a posição das estrelas e dos planetas em torno da data em que Jesus nasceu, Thompson defende que nessa época houve um evento astronômico incomum.
 
Segundo ele, entre setembro do ano 3 a.C. e maio do ano 2 d.C. houve três “conjunções” onde o planeta Júpiter e a estrela Regulus passaram perto um do outro no céu da noite estrelada.
 
A estrela Regulus ‒ literalmente “pequeno rei” ‒ está no plano dos planetas e não raro ela aparece próximo a um dos planetas.
 
1ª) Júpiter cruzou com Regulus por vez primeira seguindo seu movimento habitual rumo ao leste.
 
2ª) Depois apareceu revertendo o caminho e cruzou a estrela novamente, desta vez em direção oeste.
 
3ª) Por fim, mudando de direção mais uma vez, retomou sua direção normal rumo ao leste e cruzou com a estrela pela terceira vez.
 
Thompson, que apresentou na BBC o programa de astronomia Stargazing Livejunto com o Professor Brian Cox, disse:
 
“Curiosamente no mundo da astrologia antiga, Júpiter é considerado o rei dos planetas e Regulus, que é a estrela mais brilhante da constelação de Leão, é considerada a rainha das estrelas.”
 
“Os três Reis Magos, acrescentou, eram considerados por alguns como sacerdotes zoroastristas, que eram astrônomos de renome na época, e quando o rei dos planetas passou tão perto da rainha das estrelas e em três ocasiões, devem ter julgado que era um fato muito significativo interpretável como o nascimento de um novo rei”.
 
Numerosas teorias de astrônomos do passado tentaram apresentar como explicação científica da estrela de Belém um cometa, uma supernova ‒ quando uma estrela explode e produz enormes quantidades de luz ‒ ou até um planeta.
 
Thompson disse que ele considerou “todas essas possibilidades” antes de chegar à sua conclusão.
 
As três conjunções de Júpiter e Regulus, tiveram lugar em 14 de setembro do ano 3 a.C., em 17 de Fevereiro e em 8 de maio do ano 2 d.C. Elas foram causadas pelo fenômeno astronômico chamado de movimento retrógrado aparente, em que um planeta parece que para na noite sua marcha normal rumo ao leste e ruma para o oeste, por um período de várias semanas.
 
Isso acontece porque os planetas exteriores do nosso sistema solar orbitam em volta do Sol a uma velocidade mais lenta que a Terra, e por isso nosso planeta, ocasionalmente os ultrapassa.
 
“O movimento retrógrado [no caso estudado] deu a impressão que Júpiter estava se movendo em direção oeste do céu e por isso os [Três Reis Magos] puderam segui-lo a partir da Pérsia”, explicou Thompson.
 
“Uma viagem de camelo até Israel teria levado cerca de três meses. Curiosamente, este é aproximadamente o mesmo tempo em que Júpiter parecia estar viajando na direção oeste”, disse
 
E concluiu: “Não cabe a mim dizer se realmente a Bíblia está certa ou errada, eu estou apresentando o mapa dos fatos que estão diante de mim”.
 
De fato, é esse o papel da ciência dentro de seus limites. E é natural concluir que confirma de modo sugestivo o relato evangélico.
 
O astrônomo inglês chegou a essas conclusões utilizando tecnologias computacionais avançadas e o saber acumulado pela ciência ao longo dos séculos.
 
Sua teoria, entretanto, não é inteiramente nova. Ela concorda com as apresentadas por outras autoridades da astronomia em épocas diversas.
 
Esta concordância reforça a teoria de Thompson.
 
De fato, a estrela de Belém sempre intrigou filósofos, teólogos e cientistas. E a ideia que a famosa estrela tinha sido resultante de uma conjunção de astros de primeira magnitude já foi defendida por respeitadas autoridades da astronomia.
 
Fonte: Aleteia
Imagem: Pixabay
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Membros da diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) se reuniram, no dia 19 de dezembro, para o último encontro deles de 2017. A reunião foi na sede da entidade, em Brasília, e começou às 8h30 com um momento de espiritualidade.
 
Entre os pontos abordados ao longo do dia estavam: participação ecumênica no Fórum Alternativo Mundial da Água, Semana de Oração pela Unidade Cristã, Fundo de Solidariedade para o enfrentamento das violências religiosas, acirramento da repressão aos movimentos sociais, despejos de quilombolas e pequenos agricultores, em especial no Paraná e, finalmente, o planejamento de atividades para o ano de 2018.
 
Embaixador da Holanda
 
No período da tarde, o CONIC recebeu a visita do embaixador holandês Han Peters. O objetivo da visita foi o de conhecer o trabalho realizado pelo Conselho e conversar sobre o cenário religioso brasileiro. A complexa relação entre religião e política representativa também pautou a conversa, assim como a diversidade presente nas igrejas evangélicas, católica, anglicana, ortodoxa, entre outras.
 
“Explicamos para ele que dentro das igrejas – muitas das quais se envolvem ativamente na política – há um amplo espectro de pensamentos, de modo que em uma mesma denominação pode haver pessoas mais progressistas, alinhadas aos movimentos sociais, defensoras das minorias, enquanto que outras podem ser mais conservadoras ou até mesmo fundamentalistas, negando a existência de tudo aquilo que é diferente do que ela acredita”, frisou a secretária-geral do CONIC, Romi Bencke.
 
A intolerância religiosa, em especial contra tradições afro e indígenas, bem como os desafios colocados para as igrejas na contribuição de uma cultura de paz, foram os outros temas de destaque.
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No Paquistão, em abril passado, um universitário acusado de blasfêmia contra o Islã teria sido espancado até a morte, segundo relatos, por uma multidão de colegas no campus.
 
Algumas semanas antes, nas Maldivas, um blogueiro conhecido por apoiar o secularismo e fazer graça com a religião foi encontrado morto, com sinais de apunhalamento, em seu apartamento.
 
E no Sudão, o ativista pelos direitos humanos Mohamed al-Dosogy foi preso depois de solicitar oficialmente que, na sua carteira de identidade, o registro de sua religião constasse como "ateu".
 
Estes são apenas três exemplos daquilo que a União Internacional Humanista e Ética (IHEU, na sigla em inglês) diz ser uma crescente tendência global de discriminação, pressão e ataques contra ateus e céticos quanto à religião em todo o mundo.
 
No seu relatório "Freedom of Thought" ("Liberdade de Pensamento") de 2017, a organização registrou casos de "discriminação grave ou severa" contra pessoas não religiosas em 85 países ao redor do mundo.
 
E em sete destes lugares - Índia, Malásia, Maldivas, Mauritânia, Paquistão, Sudão e Arábia Saudita - os não religiosos foram "ativamente perseguidos", segundo a organização.
 
A IHEU - um guarda-chuva para mais de 120 grupos humanistas, ateus e seculares de mais de 40 países - apresentou suas constatações ao Parlamento Europeu.
 
"[Esta] tendência preocupante vai contra um direito humano básico, que simplesmente não está sendo garantido pelos governos", afirmou à BBC o diretor-geral da IHEU, Gary McLelland.
 
O direito à liberdade de pensamento, religião ou crença está protegido pela Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 - que inclui a liberdade de mudar de religião e expressar a fé, ou a falta dela.
 
"Muitos países estão fechando os olhos para esta norma internacional", acrescentou McLelland.
 
Violações 'graves'
 
Dos 85 países listados como perigosos para aqueles que não se identificam com as religiões, 30 estão na pior situação no ranking, com "violações graves" relatadas nos últimos 12 meses.
 
Esses incidentes variam de execuções extrajudiciais à pressão apoiada pelo governo, incluindo também o desaparecimento de supostos blasfemos.
 
Em 12 desses países, a apostasia - termo que denomina a troca ou o abandono de religião - é punível com a morte, afirma o relatório.
 
No nível seguinte, há 55 países onde a discriminação é considerada "severa".
 
Isto pode ocorrer com o controle religioso por meio de leis e tribunais, doutrinação fundamentalista em escolas públicas ou da prisão por críticas a certas crenças - embora vários países, como a Alemanha ou a Nova Zelândia, pertençam a essa categoria por manter ativas leis arcaicas para a blasfêmia e delitos afins, ainda que raramente as apliquem.
 
"Muitos dos países com as manifestações mais graves de discriminação têm maioria muçulmana (ou regiões de maioria islâmicas dentro de nações multirreligiosas, como o norte da Nigéria)", diz McLelland.
 
"A discriminação tem maior probabilidade de acontecer onde as regras têm motivação religiosa e a liberdade de expressão é muito restrita. Isto é um reflexo da situação, e não um julgamento por parte do relatório".
 
A situação do Brasil
 
O relatório recém-divulgado especifica a situação em apenas alguns países - não é o caso do Brasil. Mas, em 2016, o Brasil foi descrito no levantamento como um país "soberano e secular".
 
"Além de ter a maior população católica do mundo (130 milhões de pessoas, ou 64,6% da população), o Brasil também aparece como um dos dez países mais religiosos do mundo (...) O protestantismo é a segunda maior crença religiosa, cujos adeptos representam aproximadamente 22% da população. Há também uma comunidade não religiosa relativamente grande que compõe cerca de 8% da população, com o pequeno restante dividido entre o espiritismo, o islamismo e o judaísmo", diz o site do relatório.
 
Entre as quatro grandes áreas avaliadas (Justiça e governo, educação, interações sociais, e liberdade de expressão), o Brasil aparece com a melhor classificação ("Livre e igualitário") no item "interações sociais".
 
O relatório destaca que, ainda que a Constituição garanta que o ensino religioso nas escolas seja opcional, quase metade das escolas fazem deste ensino obrigatório.
 
Na categoria de "discriminação sistêmica", recaem duas áreas avaliadas: Justiça e governo e liberdade de expressão. No primeiro caso, o relatório aponta que, embora a lei brasileira garanta a liberdade religiosa e o Estado laico, há registros de repressão policial desproporcional a ativistas dos direitos humanos e uma forte influência de setores religiosos na política.
 
Já no que diz respeito à liberdade de expressão, o relatório aponta que o Código Penal brasileiro criminaliza a blasfêmia, mas, diz o documento, "embora esta lei esteja nos livros, na prática, ela não parece ter sido usada para proibir ou obstruir críticas às religiões".
 
Em 2012, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) concedeu uma liminar determinando que o YouTube retirasse do ar o vídeo que promoveria islamofobia.
 
Um problema ocidental também
 
No entanto, casos de discriminação contra pessoas não religiosas também foram registrados em países europeus e nos Estados Unidos.
 
Este é o caso em lugares onde o nacionalismo conservador e o populismo estão em ascensão.
 
"Nos Estados Unidos, a discriminação e a aversão às pessoas não religiosas se tornaram comuns", diz Lois Lee, pesquisador em estudos religiosos da Universidade de Kent.
 
"Em pesquisas recentes, os ateus aparecem entre os grupos que geram mais desconfiança".
 
Em áreas com forte presença religiosa e caráter social conservador no sudeste dos Estados Unidos - o chamado "Cinturão da Bíblia" - a hostilidade contra indivíduos não religiosos aumentou, de acordo com relatos locais.
 
Em um exemplo recente, uma escola no Kentucky foi investigada após queixas de que alguns professores estariam perseguindo estudantes não-cristãos.
 
Lee diz que o que está acontecendo pode ser explicado pelo fato de que um número crescente de pessoas agora define sua identidade por meio de suas crenças religiosas - e isso inclui o ateísmo.
 
"A política de identidades mudou parcialmente de nações e etnias para a religião", disse à BBC.
 
"Esta é agora uma questão mais sensível e, portanto, um alvo mais frequente para a discriminação".
 
Ateísmo em expansão
 
É claro que a perseguição a ateus ao redor do mundo não é um fenômeno novo.
 
Em 2014, o blogueiro Mohamed Cheikh Ould M'khaitir recebou uma sentença de morte na Mauritânia por supostamente cometer apostasia. Sua sentença foi recentemente reduzida para dois anos de prisão.
 
Na Arábia Saudita, outro blogueiro, Raif Badawi, está preso desde 2012 por "insultar o Islã por meio de canais eletrônicos", apesar de existir uma mobilização internacional por sua libertação.
 
Um estudante de direito de Bangladesh que expressou seu ponto de vista secular na internet morreu após um ataque perpetrado por extremistas religiosos em 2013.
 
A lista continua.
 
No entanto, para muitos analistas, a razão para o aumento no registro destes casos é que, embora a religiosidade esteja aumentando no mundo, também é crescente o número de pessoas que não se identificam com crença alguma.
 
O centro de pesquisas Pew Research Center estima que o número absoluto de pessoas sem filiação religiosa (ateus, agnósticos e aqueles que não se identificam com nenhuma religião em particular) aumentará em todo o mundo para 1,2 bilhão em 2060, ante 1,17 bilhão hoje - embora o crescimento previsto não seja tão rápido como o de fiéis de algumas religiões.
 
"Os não religiosos são hoje a terceira maior população por categoria de crença no mundo", diz Lee. "E nem sequer temos um vocabulário específico para nomeá-los, apenas uma identidade negativa".
 
"Em alguns países, os governos frequentemente vêem os ateístas como pequenos grupos, mas é precisamente por conta das ameaças que eles podem sofrer que eles não se revelam como ateus. Então, há também um problema de invisibilidade", acrescenta McLelland.
 
Críticos ao relatório argumentam que a metodologia pode deixar a desejar ao tentar retratar uma realidade precisa.
 
Por exemplo, um país secular com uma divisão clara entre Igreja e Estado, e com leis que proíbem explicitamente a discriminação baseada na religião, pode ter um desempenho ruim por conta de apenas uma subcategoria (se o Estado patrocina escolas religiosas ou dá isenções fiscais às igrejas).
 
"As realidades em todo o mundo e o grau de infração variam enormemente, é difícil fazer uma comparação", diz Lee.
 
Em todo caso, os não religiosos tendem a não estar sozinhos nos países onde as violações graves são gritantes - os crimes contra ateus não são "eventos desconectados, mas parte de um padrão".
 
"Como podemos ver no relatório deste ano, os direitos humanos tendem a ficar em pé ou a cair juntos", escreveu o presidente da IHEU, Andrew Corpson.
 
"Quando os não religiosos estão sendo perseguidos, geralmente isto é um indicativo de que as minorias religiosas (ou outras minorias, como as de gênero) também são. Não é uma coincidência".
 
Fonte: BBC
Imagem: Pixabay
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Em meio aos esforços para reerguer a infraestrutura de Mossul após o fim de três anos de controle do Estado Islâmico, pinheiros de plástico adornados, bonecos de neve e outras decorações natalinas tomaram conta das ruas neste fim de ano. Para registrar o retorno do Natal, dos cristãos e da diversidade cultural da cidade iraquiana, Ali Al-Baroodi, um professor de 36 anos, decidiu fotografar o fenômeno, que não acontecia desde 2014.
 
"Costumávamos comemorar o Natal em Mossul antes de 2014. Mas agora as pessoas sentem uma obrigação moral de expressar sua solidariedade com os cristãos." - Ali Al-Baroodi
 
Em entrevista por telefone ao G1, ele explicou que, no último sábado (16), reparou de repente no clima natalino na parte leste de Mossul, onde ele nasceu e onde vive.
 
"Estava em um táxi e de repente vi árvores de Natal. Pisquei algumas vezes. Achei meio estranho ver aquilo de novo depois de tanto tempo. Então fui para casa, peguei a câmera e andei de bicicleta por 25 quilômetros", lembra ele. "Fui até a beira do rio, entrei em cassinos e lojas, pedi educadamente para tirar fotos, e todos deixaram."
 
Depois de tirar as fotos, ele decidiu publicá-las em seu perfil no Twitter, uma maneira de mostrar ao mundo o retorno da diversidade de credo após três anos de intolerância religiosa implacável.
 
A fotografia como registro histórico
 
Formado em inglês, Al-Baroodi é professor de estudos da tradução na Universidade de Mossul e tinha a fotografia como hobby, e a natureza como seu tema preferido. Mas, depois que os jihadistas do Estado Islâmico tomaram o controle de Mossul em junho de 2014, ele virou um fotógrafo freelancer e passou a apontar sua câmera para a destruição provocada pelos radicais islâmicos, que impuseram a Sharia, a lei islâmica, e passaram a perseguir quem a desrespeitasse.
 
"Não saí de Mossul, desde junho de 2014", afirmou Al-Baroodi. "Tomei a decisão de que, se sobrevivesse ao EI, iria contar a história de Mossul através da fotografia."
 
Inicialmente, diz ele, o Estado Islâmico não exigiu que os cristãos deixassem a cidade, mas anunciou que cobraria um imposto extra deles. "Isso é absurdo. Sempre pagamos a mesma quantidade de impostos para o governo", disse ele.
 
Por causa dessa imposição, os cristãos, que não eram maioria, mas conviviam em harmonia em Mossul e chegavam a ser maioria em diversos bairros próximos de igrejas, decidiram deixar Mossul e se abrigar em algumas cidades vizinhas na mesma província de Nineveh, onde cristãos representam a maioria.
 
"Mas em agosto, o Estado Islâmico tomou o controle de toda a província, das cidades dos azidis e cruzando a fronteira até a Síria", afirmou Al-Baroodi. Os cristãos, então, precisaram se refugiar no Curdistão, em acampamentos improvisados ou viajar a pé até outros países seguros.
 
"Foi bom os cristãos terem fugido. Se tivessem ficado em Mossul, coisas horríveis poderiam ter acontecido com eles."
 
Intolerância religiosa
 
O professor explica que Mossul sempre foi uma cidade diversa cultural, étnica e religiosamente. "É uma cidade singular", diz ele, citando uma variedade de correntes do islã que sempre conviveram em paz, como os sunitas, os xiitas e os sufistas. "Entre as etnias temos árabes, curdos, turcomenos, sírios. E até a década de 1950 tínhamos milhares de judeus. Na Cidade Antiga temos uma rua que se chama Travessa dos Judeus. Em 1914, os judeus representavam um terço da população de Bagdá", lembra Al-Baroodi. Segundo ele, os judeus iraquianos foram evacuados depois da criação do Estado de Israel.
 
"Na faculdade, meu orientador era cristão. Eu tinha um vizinho cristão e outro vizinho xiita. Eu tinha um amigo de Bagdá e passei anos sem saber que ele era xiita. Não tínhamos problemas até 2003", diz Al-Baroodi.
 
Em Mossul, a maioria da população é sunita, mas em Bagdá e no resto do Iraque, os xiitas são maioria. Até 2003, quem governava o país era o ditador Saddam Hussein, um sunita. Em 2003, após o 11 de Setembro, os Estados Unidos depuseram Hussein e os xiitas tomaram o poder, e submeteram os sunitas a condições inferiores de acesso a emprego e renda. A animosidade entre as duas correntes chegou ao seu ápice com o surgimento do Estado Islâmico, que aproveitou a divisão para ganhar terreno entre sunitas.
 
Porém, a perseguição promovida pelos jihadistas não se resumiu a alguns grupos. Os cristãos e xiitas precisaram fugir, os homens yazidis, uma minoria de curdos que segue uma religião específica, foram mortos e as mulheres, escravizadas. Mas, depois, o EI se voltou contra os próprios sunitas, que eram presos, torturados e mortos por "desvios" como se atrasar para as rezas, fumar ou ouvir música.
 
"Queremos mostrar que o Estado Islâmico não representa Mossul. Eles são uma proporção muito pequena de muçulmanos." - Ali Al-Baroodi.
 
Cidade dividida em duas
 
Conhecida como "Mossul do Leste", essa parte da cidade foi construída há menos de 80 anos, como um resultado da expansão populacional para fora da fortaleza ao redor de Mossul. Ela sofreu danos consideravelmente menores do que a Mossul do lado oeste do Rio Tigre, onde fica a Cidade Antiga e onde os carros-bomba do EI e os bombardeios da coalização na guerra pela retomada da cidade deixaram um enorme rastro de destruição.
 
"Você não pode dizer que existe apenas uma Mossul", diz Al-Baroodi.
 
"A parte leste está florescendo de novo, quase de volta ao normal. Mas a Mossul do Oeste é uma história diferente. As pessoas ainda estão tirando os corpos de seus familiares mortos dos escombros de suas casas."
 
Retorno à normalidade
 
Embora a perda de vidas e a destruição de edifícios históricos, como a Grande Mesquita de al-Nuri, construída há 830 anos, seja irreparável, Al-Baroodi diz que os iraquianos de Mossul tentam retomar a vida da cidade. "Essa é a cidade da sobrevivência, da coexistência e da diversidade", defendeu o fotógrafo.
 
"Meus alunos cristãos vêm em bandos para Mossul todas as manhãs para a universidade. Mas nem todos os habitantes estão de volta. Eles ainda estão um pouco cautelosos sobre o que vai acontecer."
 
Aos poucos, porém, as tradições proibidas por tanto tempo dão sinais de que a harmonia entre as diferentes religiões volta a se concretizar. Ele afirmou que, na última quarta-feira (20), se emocionou ao chegar à sala de aula e se deparar com uma surpresa de um grupo de alunos: eles montaram e decoraram uma árvore de Natal, com luzes coloridas e uma estrela na ponta, que virou o adorno da classe.
 
 
Fonte: G1
Fotos: Arquivo pessoal/Ali Al-Baroodi
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Uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (21) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta que, em 2016, a taxa de analfabetismo no país caiu para 7,2%. Em 2015, 8% dos brasileiros com 15 anos ou mais não sabiam ler ou escrever no país.
 
O levantamento foi feito ao longo de 2016 por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD). Naquele ano, o total de analfabetos foi estimado em 11,8 milhões de pessoas e "apresentou relação direta com a idade, aumentando à medida que a idade avançava até atingir 20,4% entre as pessoas de 60 anos ou mais".
 
O total de analfabetos mostra que o país ainda está distante de cumprir a Meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE), instituído pela Lei n. 13.005. O PNE estipulava a redução da taxa de analfabetismo para 6,5%, em 2015.
 
Taxa entre pretos ou pardos
 
Além de notar que a taxa é maior entre os mais idosos, a pesquisa também aponta que o número é superior entre as pessoas pretas ou pardas. Se considerados apenas os autodeclarados brancos, a taxa total de analfabetismo é de 4,2%, enquanto entre as que se declaravam pretas ou pardas o índice foi de 9,9%. Em um recorte que considera as pessoas com 60 anos ou mais, o percentual entre os dois grupos é de, respectivamente, 11,7% e e 30,7%.
 
Clique aqui para ler a matéria completa.
 
Fonte: G1
Foto: Pei Fon/Folhapress
Obs.: o título foi reduzido
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Entre os dias 14 e 16 de dezembro, o Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT), integrado por Igrejas e Organismos Ecumênicos, promoveu a Missão Ecumênica em Solidariedade aos Povos Indígenas Kaingang e Guarani do estado do Rio Grande do Sul.
 
Além de uma audiência pública e um ato ecumênico, realizados na cidade de Passo Fundo, 35 pessoas de diferentes igrejas e entidades visitaram a comunidade Kaingang da Terra Indígena Carazinho, a área de retomada dos Guarani Mbyá, em Maquiné, e a comunidade Guarani Mbyá de Capivarí, acampada às margens da rodovia há mais de 40 anos. Foram momentos de intensa convivência e de profunda espiritualidade, em que as pessoas participantes puderam sentir o Espírito de Deus agindo em cada coração e em cada rosto de suas filhas e filhos indígenas.
 
Como já observado em missões anteriores, realizadas no Pará e no Mato Grosso do Sul, também no Rio Grande do Sul constatou-se os impactos provocados pelo modelo agrícola agroexportador, que financeiriza a terra e as sementes. Este modelo econômico e político relativiza e é indiferente às necessidades dos diferentes povos indígenas. Para estes povos, não é negado apenas o acesso à terra, mas também aos direitos mínimos elementares, como água potável e alimentação mínima. Também são impedidas e impedidos de praticar sua espiritualidade e realizar seus ritos ancestrais, uma vez que a biodiversidade, elemento central da espiritualidade indígena, está inacessível.
 
Aprendemos muito nestes dias de Missão Ecumênica. No entanto, queremos destacar um momento especial do diálogo com o povo Kaingang, que pode ser compreendido como um kyrie Eleison. Do cacique Luís Salvador, liderança do Povo Kaingang, ouvimos: “As igrejas são devedoras de solidariedade aos povos indígenas, porque mataram seus caciques”. Que estas palavras possam continuar ecoando em nossos corações e em nossas mentes. Precisamos admitir que as Igrejas fizeram parte do projeto colonialista desenvolvido em nosso país. Pecamos por conivência, por silêncio e omissão. Ainda hoje, pessoas cristãs e grupos de nossas Igrejas são corresponsáveis pelo sofrimento dos povos indígenas.
 
Não queremos deixar de reconhecer que também podemos provocar dores, por isso imploramos que Deus tenha piedade de nós. Neste Natal, conclamamos cada pessoa cristã, cada comunidade e cada liderança de nossas Igrejas a serem solidárias à causa dos povos indígenas: que nos esforcemos na superação de intolerâncias e preconceitos, que juntemos nossas forças na cobrança da demarcação das terras indígenas, exigindo que políticas públicas sejam retomadas e efetivadas, como forma de garantia mínima de dignidade.
 
Em tempo de Advento e Natal, somos convidadas e convidados à solidariedade e à profecia. Se assim não o fizermos, nossa omissão contribuirá para que com os povos indígenas ocorra o mesmo que se disse sobre Jesus: “não havia lugar para ele” (Lucas 2.7).
 
Que Deus-criança, nascida entre os grupos empobrecidos, nos ajude e nos fortaleça na caminhada!
 
Em nome de FE ACT:
CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil)
FLD (Fundação Luterana de Diaconia)
CEBI (Centro de Estudos Bíblicos)
CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço)
COMIN (Conselho de Missão entre Povos Indígenas)
KOINONIA
DIACONIA
Aliança ACT
Além do CIMI (Conselho Indigenista Missionário)
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O Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN), a Fundação Luterana de Diaconia (FLD), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI/Sul) realizaram, de 14 a 16 de dezembro, a Missão Ecumênica em Solidariedade aos Povos Indígenas Kaingang e Guarani Mbya do Rio Grande do Sul.
 
O objetivo foi denunciar o contexto de desmonte, de retirada de direitos, de intolerância e violências, especialmente no que se refere aos povos indígenas, historicamente discriminados, violentados e invisibilizados pelas políticas públicas. A missão também se manifestou contra a criminalização das defensoras e defensores de direitos humanos no estado, em especial na região norte. A iniciativa foi do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil).
 
A programação teve início no dia 14 de dezembro, em Porto Alegre (RS), com a apresentação do Informe da Sociedade Civil sobre a situação dos DHESCAs e o lançamento das publicações Tecendo Vidas, do COMIN, e Fé, Justiça de Gênero e Incidência Pública – 500 anos da Reforma e Diaconia Transformadora, da FLD.
 
No dia 15 de dezembro, a Missão Ecumênica esteve na Terra Indígena Carazinho, onde vivem 35 famílias. Até o final de 2016, a comunidade estava acampada às margens da BR 386. Mesmo que as condições de vida fossem complicadas, o local era de fácil acesso, o que favorecia o comércio de artesanato, principal fonte de renda e subsistência das famílias.
 
Devido a uma série de ameaças e de ações judiciais, pedindo a reintegração de posse, que foi atendida pela justiça federal, os Kaingang se viram forçados a buscar outro local. O novo espaço está localizado no Parque da Cidade, com 217 hectares; porém os Kaingang ocupam uma pequena fração, apenas sete hectares. A comunidade está mobilizada e pressionando o órgão indigenista para concluir os estudos preliminares. Além de toda a morosidade no que tange a demarcação de seu território, os Kaingang revelam muita preocupação, pois não têm acesso à água potável e à terra para o plantio.
 
Em meio a esta luta, estão jovens como Fabiele da Rosa Claudino, 16 anos, que mora em Carazinho. “A gente sofre discriminação, sofre racismo, sofre bullying. Eu fico triste, mas meu ânimo volta de novo”, disse. “Gosto de ser indígena. A gente é o que é. As pessoas brancas são diferentes, assim como nós somos diferentes”.
 
Fabiele faz artesanato com a mãe, para comercializar, e planeja voltar para a escola. “Meu desejo é mostrar para os brancos como somos, nossa cultura, nossa comida, nossas danças. Se eles nos conhecerem melhor, vão nos entender. Gostaria de mostrar minha origem para as pessoas e dizer para todos que podemos estar em mundos diferentes, mas somos todos iguais”.
 
“Nossa luta vem desde a chegada dos europeus, que tiraram nossa terra, nossa cultura, nossas marcas tribais”, afirmou o cacique da Terra Indígena Rio dos Índios, Luiz Salvador, liderança dos Kaingang no estado, que participou do encontro. Hoje, o maior inimigo é outro: “estamos sendo engolidos por um governo, por um capitalismo que não enxerga como a situação está hoje, não enxerga os indígenas”.
 
Ivo Galles assumiu como cacique em Carazinho em 2012. “Queremos nossa terra”, disse. “Não somos nós os invasores, quem invade são os fazendeiros. A gente ainda está aqui como resultado da luta dos antigos, que agora é nossa luta. Se não tivermos terra, para onde vão nossos filhos, nossos jovens, nossos velhinhos?”.
 
No dia 16 de dezembro, a Missão Ecumênica visitou a área retomada em Maquiné pelos Guarani Mbya, que viviam acampados nas margens de rodovias no litoral do Rio Grande do Sul.
 
O local, que fica no do território tradicional do Povo Guarani, estava sob o domínio do Governo do Rio Grande do Sul e servia à Fundação Estadual de Pesquisa e Agropecuária/Fepagro, recentemente extinta pelo governo do RS.
 
Os Guarani reivindicam a demarcação da terra; no entanto, a Funai vem se omitindo, no sentido de constituir o grupo de trabalho para proceder os estudos circunstanciados da terra. Na área vivem atualmente 18 famílias, que estão mobilizadas e articuladas com importantes setores da sociedade, para manter a posse da área e enfrentar uma ação de reintegração de posse que tramita na Justiça Federal.
 
“É a primeira vez que o povo Guarani retoma uma área aqui no estado”, disse o cacique Cirilo Pires, da Lomba do Pinheiro, representante dos Guarani do RS. “Foi uma retomada autônoma: ninguém disse para nós fazermos, nenhuma organização, nenhum político, as famílias decidiram e viemos.”
 
De Maquiné, a Missão Ecumênica seguiu até a comunidade de Terra Capivari, acampamento que existe há 45 anos nas margens da RS 040, município de Capivari do Sul. Dez famílias vivem ali, sem água potável, saneamento básico e sem habitação. O cenário é de absoluta miserabilidade. Toda a região é de ocupação tradicional; no entanto, há muito tempo está invadida por fazendeiros. A comunidade se mantém com trabalhos eventuais e com a venda de artesanato. Alunas e alunos estudam em um espaço precário.
 
Em 2012, a Funai constituiu o Grupo de Trabalho para proceder aos estudos de identificação e delimitação da terra, mas este encontra-se paralisado. Existe a oposição de fazendeiros e do Estado contra a demarcação. Em anos passados, o Estado do Rio Grande do Sul, para impedir a demarcação de Capivari, articulou com a Funai a transferência das famílias para uma pequena reserva dentro de uma área devoluta, chamada de Granja Vargas. Uma região de solo improdutivo, arenoso e onde não há condições para a manutenção da cultura do povo.
 
Por que uma missão Ecumênica?
 
Desde 2015, organizações realizam missões ecumênicas para estarem junto a comunidades e territórios ameaçados e criminalizados. Duas estiveram no Mato Grosso do Sul, com os Guarani Kaiowá, e, em novembro deste ano, em Pau D´Arco (PA). A participação é de representações de igrejas, organismos ecumênicos e inter-religiosos, organizações da sociedade civil e defensoras e defensores de direitos humanos. A iniciativa é do Fórum Ecumênico ACT Brasil (FE ACT Brasil). 
 
 
 
A Missão Ecumênica emitirá um documento denunciando as violações dos direitos indígenas que será encaminhado a órgãos públicos no Brasil e a organismos internacionais. Para o secretário geral da Aliança ACT, Rudelmar Bueno de Faria, que veio de Genebra e participou da iniciativa, visitar a comunidades indígenas permitiu entender no detalhe a amplitude do atual projeto político que está liquidando direitos já conquistados. “Vamos atuar a partir da influência de nossos membros e do seu engajamento, em uma estratégia conjunta, pela justiça e dignidade de indígenas brasileiros, quilombolas e outras comunidades excluídas”. ACT, uma organização internacional, com sede na Suíça, reúne 146 organizações de 125 países (no Brasil, as organizações membro são a FLD, Diaconia, Koinonia e CESE), tem assento consultivo na ONU e incluirá as situações debatidas no Rio Grande do Sul em fóruns internacionais e no Fórum Permanente das Nações Unidas para Questões Indígenas.
 
“É fundamental que o movimento ecumênico conheça a realidade indígena e fortaleça a denúncia de como o governo brasileiro e o sistema agropecuário vêm desrespeitando cada vez mais o direito dos povos originários à terra, para sua própria vantagem”, disse a secretária geral do CONIC, Romi Bencke. “Por isso, a iniciativa: ser ecumênico, na sua essência, é fazer a defesa dos direitos". Para ela, outro elemento importante é combater a ideia de que “fazer missão” significa converter as pessoas ao cristianismo: “pelo contrário, queremos afirmar a liberdade religiosa e garantir o direito de todas e todos ao exercício da sua espiritualidade”.
 
Questões vivenciadas nestas visitas também deverão ser refletidas no relatório de análise de risco por crimes internacionais contra os indígenas brasileiros a também ser apresentado à ONU e que está sendo elaborado com a participação da professora de direito Fernanda Frizzo Bragato, que participou das visitas as aldeias. Ela é coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), que tem campus em São Leopoldo e Porto Alegre. A professora Fernanda informou que o documento dará ênfase as violências contra os Guarani Kaiowá a partir dos dados do Relatório de Violência contra os Povos Indígenas, lançado neste ano pelo CIMI.
 
Fonte: FLD
Fotos: Reprodução
Obs.: o título foi adaptado
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“Se saio para o campo, eis os feridos pela espada;
se entro na cidade, eis as vítimas da fome;
até os profetas e sacerdotes atravessam a terra e não compreendem!” (Is 14:18)
 
Foi com indignação e assombro que assistimos, durante a reunião de diretoria, realizada no dia 19 de dezembro, ao vídeo da ação de despejo realizada contra camponeses e camponesas do município de Pinhão, estado do Paraná.
 
O despejo das famílias é consequência do cumprimento de uma reintegração de posse em favor da empresa pertencente à família Zattar.
 
As imagens das pessoas tendo suas casas derrubadas por máquinas, sem ao menos conseguirem retirar seus pertences, são chocantes. Assim como chocam as imagens da destruição do Posto de Saúde e da Igreja da comunidade.
 
Estas ações têm sido recorrentes, assim como o assassinato de lideranças camponesas em diferentes regiões de nosso país. A chacina de Pau D’Arco é o símbolo maior, neste ano, dos impactos de um modelo agrícola baseado na concentração de terra. 
 
Tal como o despejo de Pinhão, há despejos ocorrendo em Marabá, no Pará, e também Palma Sola, em Santa Catarina.
 
Estas ações não são fatos isolados. Elas são consequência do império do mercado que financeiriza a terra e não leva em consideração a vida, a história, a espiritualidade e a cultura dos povos. Diante dos interesses do mercado, a vida das pessoas é secundária e descartável. 
 
Como Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, repudiamos a ação realizada em Pinhão. Oremos pelas famílias que foram despejadas!
 
Das autoridades competentes, exigimos medidas cabíveis para reverter a decisão que impede estas famílias de permanecerem em seu território. 
 
Às igrejas locais, pedimos que mobilizem a solidariedade e que sejam voz profética. 
 
Expressamos nosso apoio e compromisso com as demais comunidades que sofrem a pressão dos grandes grupos agrários para deixarem suas terras. 
 
Que nesse tempo de Natal, cristãos e cristãs possam colocar-se no lugar das famílias despejadas e das que ainda podem perder suas terras. Sentir a dor do outro e solidarizar-se com a pessoa próxima, a exemplo do Bom Samaritano (Lc 10:30-37), é o que de mais próximo podemos experimentar do sentido do Natal.
 
Que o Deus da paz, revelado na manjedoura em Belém, rompa o gelo de nossos corações. A paz apenas será concreta se os direitos humanos forem respeitados em sua plenitude. 
 
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

Foto: Reprodução / Central Cultura de Comunicação
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