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Se alguém entrar na Igreja Bethel, em Haia, na Holanda, e perguntar há quanto tempo o culto começou, não vai nem acreditar na resposta. Foi há 29 dias. Pastores têm se revezado na condução de um mesmo culto, 24 horas por dia, desde o dia 26 de outubro. Isso porque essa comunidade está determinada a salvar uma família de imigrantes de ser deportada – e a lei holandesa proíbe oficiais de polícia de entrar em espaços de culto durante as liturgias.
 
A família é armena e está na Holanda há 9 anos. Sasun Tamrazyan fugiu do seu país de origem com a esposa Anousche e os três filhos, Hayarpi, Warduhi e Seyran (foto abaixo), depois que a sua atividade política lhe valeu ameaças de morte. Eles chegaram a conseguir asilo legal após alguns anos, mas o governo apelou da decisão do juiz e conseguiu revertê-la.
 
 
Eles decidiram então buscar asilo em uma igreja próxima, mas as dependências do local eram muito pequenas para a família. Entrando em contato com igrejas de Haia, conseguiram acolhida com a Igreja Bethel. Enquanto o culto decorre, os advogados da família tentam reivindicar uma autorização para que a família fique no país. A celebração já bateu o recorde mundial de culto mais longo.
 
“Dando hospitalidade a essa família, podemos dar tempo e espaço para demonstrar ao secretariado de Estado a importância da situação”, disse o presidente do Conselho Geral de Ministros Protestantes, Theo Hettema. Ele acredita que a prática de apelar de decisões de asilo é parte da estratégia do atual governo de restringir a imigração. Segundo Hettema, centenas de pessoas têm passado pela igreja para demonstrar apoio à família e mais de 300 pastores do país se voluntariaram para o revezamento na condução do culto.
 
Fonte: Sempre Família, com informações de Quartz

 
“Foi com o cabo da enxada embaixo de sol e de chuva que eu e meus filhos plantamos isso tudo aqui, aí vem um juiz e diz que não produzimos nada?” questionou Antônio Cândido Fernandes, morador do acampamento Girassol, um dos 11 que formam o Quilombo Campo Grande.
 
No município de Campo do Meio (Sul de Minas), o local reúne 450 famílias (cerca de duas mil pessoas) que ocuparam há cerca de 20 anos terras improdutivas de uma antiga usina de cana-de-açúcar, já declarada falida, em uma parte da antiga Fazenda Ariadinópolis, atualmente um complexo de ocupações e assentamentos coordenados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
 
Um mandado de reintegração de posse foi expedido pelo juiz substituto da Vara Agrária Walter Zwiches Esbaille Junior no dia 7 de novembro. Para verificar a situação dos moradores e dos acampamentos, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) esteve no local. Moradores e líderes do MST acompanharam os parlamentares e fizeram com eles o caminho que o juiz teria feito durante a vistoria realizada antes de assinar o mandado.
 
O dirigente nacional do MST em Minas Gerais, Sílvio Neto, contou que os membros do movimento ficaram felizes quando souberam da vistoria judicial, já que eles esperavam que o juiz verificasse o número de famílias, as estruturas de moradia e as amplas áreas produtivas do Quilombo Campo Grande.
 
Quando o magistrado publicou seu laudo, porém, ele teria reproduzido, segundo Sílvio Neto, os argumentos dos representantes da antiga usina, que dizem que no local estão poucas famílias que não produzem nada.
 
Parlamentares verificaram as amplas áreas produtivas dos acampamentos
 
Em um percurso que durou cerca de quatro horas, os parlamentares verificaram amplas plantações de café, milho, amendoim e árvores frutíferas. Os deputados Cristiano Silveira e Rogério Correia, ambos do PT, conversaram com muitos moradores.
 
Alguns, como Antônio Cândido Fernandes, relataram ter sido funcionários da antiga usina. Nos últimos meses antes da falência, ele e os colegas teriam trabalhado sem salário e, com a falência, eles ficaram sem emprego e não receberam nenhuma indenização.
 
 
A demanda por ocupar a terra começou, segundo os moradores, por esses antigos trabalhadores que não receberam seus pagamentos. Belchior Serafim de Morais (foto acima) também viveu essa situação. “Meu pai morreu sem receber o que a usina devia a ele”, lamentou.
 
Hoje, Antônio e seus filhos são responsáveis por uma área onde estão quase 30 mil pés de café, enquanto Belchior cuida de um viveiro com cerca de 100 mil mudas de café. Ao longo da visita, os moradores mostravam que se tratam de plantações agroecológicas, com outras culturas, em especial de frutas, em meio aos pés de café.
 
Em outros locais, as frutas tomam conta da paisagem. Vera Macedo mostra com orgulho suas goiabas, acerolas, bananas, amoras e abacates. Ela faz parte do grupo que chegou quando a ocupação já tinha sido iniciada. Há nove anos, veio morar no local com a filha recém-nascida nos braços.
 
Sílvio de Souza também não chegou no início, mas já está há cinco anos no local. Cria porcos, galinhas e também tem plantações de café. Ele está receoso com a ameaça de despejo: “Se nos mandarem embora, vamos para cidade fazer o quê?”.
 
Ocupação também resguarda área de proteção ambiental
 
A área ocupada pelo Quilombo Campo Grande é de cerca de quatro mil hectares. De acordo com Tuíra Tule, coordenadora regional do MST, 900 hectares são área de preservação. O restante, 3.100 hectares, tem 95% da terra transformada em área produtiva.
 
Segundo ela, são ao todo 1,8 milhão de pés de café, além de milho, feijão, amendoim, abóbora e frutas. São 418 casas de alvenaria, muitas das quais foram visitadas pela Comissão de Direitos Humanos. Algumas já têm ligação de luz feita pela Cemig, outras usam baterias de carro para iluminação.
 
Tuíra também falou da felicidade dos moradores ao saberem que o juiz iria até o local para verificar essas condições, das quais todos se orgulham, e que os antigos donos da usina negam em seus pedidos judiciais de reintegração de posse.
 
Segundo ela, porém, apesar do magistrado ter passado seis horas no local e entrevistado cerca de 30 pessoas, ele emitiu um laudo que nega a existência de produção e que diz não haver moradores no local. O juiz fez a vistoria acompanhado, segundo Tuíra, de 13 viaturas policiais.
 
Um dos entrevistados pelo juiz foi o morador Givanildo Francisco Silva. “Ele chegou aqui, conversou com a gente e depois escreveu o contrário de tudo o que viu”, disse, decepcionado. “A Justiça tem aquele símbolo com os olhos tampados para simbolizar que não tem lado, mas tem sim, é o lado dos empresários”, afirmou.
 
Usina que funcionava no local já teve falência transitada em julgado
 
A região pertenceu à Companhia Irmãos Azevedo e Capia, que faliu em 1996. A ocupação começou em 1998 e, segundo Michele Neves, do Centro de Referência de Direitos Humanos, órgão ligado ao governo estadual, já houve 11 despejos na área, mas apenas parciais. É a primeira vez que um mandado determina o despejo de toda a área. Em 2015, a usina teve essa falência transitada em julgado e, no mesmo ano, o governo estadual publicou um decreto que transformava o local em área de interesse social.
 
Por isso, os moradores já se consideravam mais próximos de conseguirem a propriedade da terra e terem afastadas as ameaças de despejo. Mas o decreto foi declarado nulo pelo Tribunal de Justiça e, em seguida, o juiz da Vara Agrária determinou a reintegração de posse. Os líderes do MST questionam a legalidade do processo.
 
Tuíra Tule explicou que, com a empresa declarada falida pela Justiça, seus antigos donos não teriam legitimidade para pedir a reintegração, apenas o síndico da massa falida poderia fazer isso. Esse síndico, porém, já abriu mão oficialmente desse pedido de reintegração.
 
Autoridades dizem que juiz mentiu em laudo
 
O deputado Cristiano Silveira, presidente da comissão, questionou a velocidade com que o processo de reintegração foi julgado e se mostrou impressionado com a organização e com a alta produtividade das terras ocupadas. “Nenhum pé de café fica daquele tamanho do dia para a noite, não é possível que o juiz não viu isso”, disse.
 
O deputado Rogério Correia (PT) completou dizendo que os moradores merecem agradecimentos por alimentarem toda a região com comida de qualidade sem nenhum subsídio ou ajuda governamental. Os comerciantes da região já entregaram à ALMG um abaixo-assinado no qual pedem que o MST permaneça na região, já que eles são importantes para abastecer escolas e residências com alimentação saudável.
 
O deputado federal Adelmo Carneiro Leão (PT- MG) elogiou a organização social e política do grupo. “O juiz está mentindo e isso é inaceitável”, disse. Também o procurador Afonso Henrique, do Ministério Público de Minas Gerais, esteve presente.
 
O reverendo Bernardino Ovelar, representando o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), também acompanhou a visita. “Há uma total incoerência entre a sentença do juiz e essa realidade que estamos vendo. Parece que há por trás alguma intenção de grandes cafeicultores que querem massacrar a vida, a esperança e o esforço dos pobres”, disse.
 
Reunião
 
Ao fim da visita, mais de 300 pessoas esperavam as autoridades em um antigo galpão da usina, utilizado anteriormente para armazenar açúcar. Os moradores se reuniram para ouvir o que os visitantes tinham a dizer e aplaudiram o reconhecimento das suas terras produtivas.
 
Uma das que se manifestaram na reunião foi a deputada estadual eleita Beatriz Cerqueira (PT), que também acompanhou a visita. Sem citar nomes, ela desafiou outros deputados, que têm se posicionado contra os acampamentos, a visitarem o local. “Que eles venham aqui, pisem nesse chão, conversem com todos vocês! Eles não têm coragem! Não vamos deixar que a luta e o trabalho de vocês sejam criminalizados”, disse.
 
Culto ecumênico
 
Ao fim da visita foi realizado um culto ecumênico com a presença de representantes de igrejas cristãs e fiéis de outras crenças religiosas. O momento foi marcado por muitos cantos, leitura de poesias e discursos em favor da reforma agrária, da alimentação saudável, da agricultura familiar e da justiça social.
 
Com informações do reverendo Bernardino e da ALMG
Fotos: Sarah Torres

 
 
Foi eleita no último sábado, 24 de novembro, a nova Diretoria do CONIC-MG para a gestão 2018-2020. A presidência ficou com o pastor presbiteriano (Igreja Presbiteriana Unida) Jorge Eduardo Diniz. "Minhas expectativas para o mandato desta nova diretoria contemplam o fortalecimento do testemunho ecumênico de cada irmã e irmão e um diálogo inter-religioso respeitoso, amoroso e tolerante, na capital mineira e em todo o interior do estado", declarou.
 
Veja como ficou o novo quadro:
 
Presidente: Reverendo Pastor Jorge Eduardo Diniz, da Igreja Presbiteriana Unida - IPU
Vice-Presidente: Pastor Nilton Giese, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil - IECLB
1º secretário: Diácono Amauri Dias de Moura, da Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR (diácono permanente, reeleito/reconduzido)
2º secretário: Reverendo Bernardino Ovelar Arzamendia, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB (anterior presidente)
1º tesoureiro: Luiz Ganabarino do Prado Filho, da Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR (reeleito/reconduzido - ligado aos Focolares)
2º tesoureiro: Janett Alves Teixeira, da Igreja Católica Apostólica Romana - ICAR (ligada aos Focolares)
 
No Conselho Fiscal foram eleitos:
 
Titulares:
Reverendo Robert Delano de Souza da IEAB (reeleito/reconduzido)
Pastora Aneli Schwarz da IECLB (anterior vice-presidente) 
Reverendo Antônio Marcos de Souza da IPU (reeleito/reconduzido)
 
Suplentes: 
Tércia Mendes de Souza da IECLB (reeleita/reconduzida)
Reverendo Daflas Alexandre da Cruz da IPU
Maria de Fátima Cerqueira da ICAR.
 
A seguir, confira o primeiro artigo pelo Pr. Jorge Eduardo Diniz (foto abaixo) após a posse.
 
 
 
“Que Deus, que é quem dá paciência e coragem, ajude vocês a viverem bem uns com os outros,
seguindo o exemplo de Cristo Jesus! E isso para que vocês, todos juntos, como se fossem uma só pessoa,
louvem ao Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo.” Romanos 15.5-6 NTLH
 
Em um tempo opressor de polarizações, egoísmo, intolerância, injustiças e violência, recebo das minhas irmãs e irmãos, no último sábado (24/NOV/2018), um grato desafio, presidir o Conselho Nacional de Igrejas Cristã, regional Minas Gerais – CONIC-MG. 
 
Refletindo sobre o que registrar em uma primeira mensagem, fui tomado pelo óbvio: mais do que nunca necessitamos da paciente e corajosa promoção da unidade e tolerância. Só assim o Cristo, que escolheu habitar em seu povo, se fará presente em meio à nossa sociedade.
 
Quando há unidade todos e todas são beneficiados. Pessoas unidas conseguem fazer muito mais que cada pessoa sozinha. Nosso Deus, que é comunidade unida perfeitamente na trindade, nos criou para vivermos unidos com ele e uns com os outros. Em Cristo somos membros do mesmo corpo. Qualquer membro do corpo, sem a sua completude, morre! Assim somos Igreja Mística, uma só igreja, um só corpo, um só Cabeça. Mais do que nunca necessário se faz gerar verdadeira comunhão fraterna entre as tradições cristãs e um relacionamento inter-religioso tolerante, amoroso e doador. Em Cristo, em unidade, valorizando o que temos em comum, superaremos nossas diferenças, as respeitaremos e seremos um só povo na promoção da justiça e da paz.
 
Minhas expectativas para o mandato desta nova diretoria contemplam o fortalecimento do testemunho ecumênico de cada irmã e irmão e um diálogo inter-religioso respeitoso, amoroso e tolerante, na capital mineira e em todo o interior do estado, que possam iluminar mentes e corações daqueles e daquelas que ainda estão sob à influência da névoa turva do preconceito e do individualismo, do caminho cômodo de se fechar em sua própria tradição, fazendo-se limitado e aprisionado, não se permitindo movimentar na direção de seus próprios irmãos e irmãs, negligenciando o Divino que habita na humanidade.  
 
Penso que assim poderemos ousar em sonhar com um número maior de igrejas-membros, com um comprometimento delas nos movimentos sociais, na promoção e defesa dos direitos humanos, na promoção de uma cultura de paz, de bem estar e de mesmas oportunidades para todos e todas.
 
Que Deus, Senhor nosso e do universo, seja conosco, nos abençoe e nos surpreenda com os cuidados d’Ele nesta jornada! 
 
Belo Horizonte, 26 de novembro de 2018.
Rev. Jorge Diniz
Presidente do CONIC-MG

 
 
O CEBI Rio Grande do Norte realizou, no dia 17 de novembro, o Seminário sobre “Superação de fundamentalismos, intolerância e fundamentalismo Religioso”.
 
Definição e movimento
 
A reflexão comunitária abordou aspectos importantes como as formas de manifestações de práticas ultra-conservadoras, como também o surgimento do neo-fundamentalismo e sua proposta de retrocesso com viés neoliberal. Debatemos e interagimos sobre formas de enfrentá-lo.
 
O seminário contou com a participação de líderes religiosos da igreja Anglicana, Batista e cebianos/as das cidades de Natal, Parnamirim, João Câmara, Serra do Mel, Pureza e Brejinho.
 
A assessoria ficou por conta do biblista e bispo emérito da igreja Anglicana, dom Sebastião Gameleira.
 
Os próximos seminários abordarão as seguintes temáticas:
 
17/08/2019: “Fundamentalismo e Patriarcado”
15/08/2020: “Fundamentalismo Político-econômico”
14/08/2021: “Culminância”
 
Este relato é uma partilha de Marcos Aurélio, do CEBI-RN
Foto: Reprodução

 
 
A Igreja Oura, em Nagasaki, se tornou Patrimônio da Humanidade em 2018 e é o símbolo do renascimento do cristianismo no Japão. O local é parada obrigatória para quem quer conhecer a história dos "cristãos ocultos", que declararam a sua fé nesse lugar e colocaram fim mais de 250 anos de clandestinidade.
 
Considerada uma das mais antigas do Japão, a Oura faz parte dos 12 locais dos cristãos escondidos reconhecidos pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em Nagasaki e na região de Amakusa.
 
A igreja foi construída em 1864 pelo missionário francês Bernard-Thadée Petitjean, pouco depois de o porto de Nagasaki ser reaberto junto com as fronteiras do Japão, depois de mais de dois séculos de isolamento.
 
Com o veto que tinha sido imposto ao cristianismo no país em 1614 e a presunção de que a comunidade cristã japonesa tinha desaparecido após a perseguição sofrida no século 17, o templo se voltou aos fiéis estrangeiros que moravam na cidade.
 
Menos de um mês depois da inauguração, algo surpreendente aconteceu. Em 17 de Março de 1865, um grupo de camponeses de Urakami foi à igreja e disse que sempre fingiu professar a fé local mas que, na verdade, eles eram católicos.
 
Esse acontecimento, batizado de “A descoberta dos cristãos escondidos”, foi imortalizado em um mural que hoje decora o jardim da igreja.
 
A revelação fez com que as autoridades japonesas retomassem a repressão contra os católicos até que críticas internacionais conseguiram a suspensão da perseguição em 1873.
 
Com a reintrodução do cristianismo no Japão, alguns Kakure Kirishitan - descendentes dos católicos que se esconderam durante a Rebelião de Shimabara, em 1637 e 1638 - voltaram a se reunir na igreja. Hoje, os cristãos ainda representam menos que 1% da população japonesa.
 
Séculos de ocultação e isolamento, no entanto, transformaram a religião em um culto totalmente diferente. Prova disso são algumas das relíquias expostas no Museu e Monumento dos Vinte e Seis Mártires, que fica ao lado da igreja.
 
Quando os japoneses ficaram sem padre, torturados e até assassinados por se negarem a renunciar a própria fé, os que resistiram criaram as próprias autoridades e esconderam as suas imagens de devoção.
 
O museu reúne, por exemplo, várias imagens de Nossa Senhora retratada como Kannon (Maria Kannon), a representação budista da misericórdia, com as quais os fiéis tentavam disfarçar e evitar serem descobertos. Lá também é possível ver os cajados que os líderes religiosos usavam nas cerimônias.
 
Além disso, vários crucifixos, cujo significado era muitas vezes desconhecido para estes devotos, estão sendo encontrados em antigos vilarejos e acredita-se que possam existir mais de 200 deles espalhados pela região.
 
"As pessoas que mantiveram a fé comemoraram quando a proibição ao cristianismo foi retirada. Agora, os cristãos atuais estão novamente felizes com a designação desses espaços como patrimônio. Isso significa dar valor ao que eles guardaram", disse à Agência EFE Minako Uchijima, pesquisadora do museu.
 
As salas também comprovam a perseguição dos católicos feita pelos xogums, militares do Japão feudal que dominaram o país entre 1603 e 1868.
 
Toda Nagasaki foi obrigada a se submeter ao "Fumi-e", uma prática criada para identificar quem era e quem não era cristão com o ato de pisar em uma imagem de Jesus ou de Maria. Muitos fiéis aceitaram fazer isso para não serem mortos, mas acredita-se que cerca de 5.500 cristãos tenham morrido naquela época.
 
Um dos episódios mais marcantes foi a crucificação, em fevereiro de 1597, de 26 mártires numa colina de Nagasaki. No altar da Igreja Oura está um lenço que lembra esse caso.
 
A intenção do padre Petitjean era construir o templo nesse lugar, mas as autoridades não permitiram. Ele então escolheu a localização atual e orientou a igreja virada para a colina.
 
Com informações da EFE

 
Neste domingo, 25 de novembro, inicia a Campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”.
 
O dia 25 de novembro é, oficialmente, o Dia Internacional da Eliminação da Violência contra as Mulheres, entretanto, considerando a situação de violência vivida por mulheres nas diferentes regiões do planeta, até 10 de dezembro, diversos países realizam esta Campanha. O objetivo é dizer um BASTA para toda e qualquer situação que coloca em risco a vida das mulheres. 
 
O Brasil registra cerca de 600 casos de violência doméstica e 160 estupros por dia. Dos 55.900 homicídios que acontecem por ano no território nacional, 4.539 são de mulheres. Muitos destes homicídios são realizados por namorados ou maridos. Em um ano, 193 mil mulheres registraram queixa por violência doméstica, de um total de 221 mil casos. Por dia, 530 mulheres acionam a Lei Maria da Penha. Esses dados estão disponíveis no 12° Anuário Brasileiro da Segurança Pública.
 
Mas o que nós, cristãos e cristãs, temos com isso? A fé em Jesus Cristo não aceita nenhum tipo de violência. Ferir a integridade física, moral ou religiosa das mulheres é contrário ao que Jesus nos ensina. Jesus é o príncipe da paz (Is 9:6), por isso, como pessoas batizadas, temos de ser “seus imitadores” (1 Cor 11:1). Enquanto imitadores e imitadoras Daquele que veio trazer a Boa Nova, não podemos tolerar a violência. Somos filhos e filhas de um Deus de amor (1 Jo 4:8). A bíblia diz que o amor “...não maltrata e não se alegra com a injustiça” (1 Cor 13:4-6).
 
Não podemos esquecer que muitos casos de violência doméstica contra a mulher ocorrem em lares cristãos. Diante disso, precisamos nos perguntar: até que ponto o ensinamento de Jesus transforma nossas práticas e condutas? De que forma compatibilizar o testemunho cristão com a violência doméstica? É importante lembrar do conselho bíblico que orienta: “Sede praticantes, e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos” (Tg 1:22).
 
Num país onde a maior parte da população se reconhece cristã, é inaceitável que as estatísticas e histórias de violência contra a mulheres sejam tão altas. 
 
Conclamamos todas as comunidades de fé a organizarem ações pelos “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres”. 
 
Não sabe o que fazer? Comece tentando uma simples e descontraída roda de conversa. Pode até ser em pequenos grupos. Dependendo da dinâmica da igreja, o tema pode ser abordado na Escola Dominical, na Catequese, no círculo bíblico. Reflita também sobre a violência doméstica nas homilias das celebrações de domingo e nos grupos de casais. Fique atento para identificar casos de violência doméstica em sua comunidade de fé. Se uma mulher que sofre violência te procurar para conversar, não peça para ela suportar a violência pelo bem da família, ao contrário, fortaleça-a para que consiga denunciar a situação de violência. A ausência da denúncia pode significar uma morte futura. Nosso silêncio e omissão nos torna cúmplices.
 
Não se cale.
Ligue 180 e denuncie!
Violência contra a mulher é crime.
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

 
Concluiu-se em Taiwan, no mosteiro de Fao Guang Shan em Kaohsiung, o primeiro Diálogo Internacional Budista-Cristão para irmãs, promovido pelo Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso em colaboração com o mosteiro budista Fo Guang Shan, a Associação das Superioras maiores das religiosas de Taiwan e o Diálogo Inter-religioso monástico com o tema: “Ação contemplativa e contemplação ativa: irmãs budistas e cristãs em diálogo”. O evento, realizado de 14 a 18 de outubro, contou com a participação de 70 irmãs provenientes de Taiwan, Coreia, Japão, Índia, Sri Lanka, Myanmar, Tailândia, Singapura, Hong Kong, Camboja, Filipinas, Brasil, Itália, Alemanha, Noruega e Estados Unidos.
 
Os temas principais
 
No encontro foram discutidos os principais temas do diálogo: origem, evolução e situação atual da vida religiosa monástica para mulheres no budismo e no cristianismo, a meditação budista e a contemplação cristã; o serviço à humildade e “o gênio feminino” das religiosas.
 
Houve muita participação nos debates em assembleia e nos grupos assim como a participação nos cantos budistas e os ligados à liturgia católica. As irmãs participaram das visitas ao Fo Guang Shan Tsung College, ao Museu Budista e à Basílica da Imaculada Conceição de Wanchin.
 
Construir pontes para conectar percursos espirituais
 
No final da Conferência, os participantes redigiram uma Declaração na qual reconhecem que este Primeiro Diálogo Internacional para as irmãs budistas e cristãs foi um ponto de referência para promover a compreensão recíproca e a amizade entre as religiosas e para construir pontes que conectem seus vários percursos espirituais. As irmãs reconhecem que, mesmo permanecendo firmes em suas respectivas convicções mais profundas, pode-se aprender uns dos outros, para o enriquecimento espiritual, cultural e social, tornando-se assim humildes e acreditáveis para seus irmãos e irmãs.
 
Diálogo Inter-religioso, um caminho a ser feito juntos
 
Na Declaração as irmãs escrevem: “Acreditamos que o nosso testemunho de um estilo de vida pode ser significativo e alegre através de um afastamento do consumismo, do materialismo e do individualismo, e que pode encorajar outros a seguirem para o caminho do bem". Além disso, as contemplativas evidenciam a importância da ternura e da esperança a ser levada para os que necessitam. As irmãs reafirmam que "acreditam no diálogo inter-religioso pois é um caminho que todos devem tomar juntos. Portanto encorajamos as religiosas para contribuírem com seu 'gênio feminino' para realização de novos e criativos modos de diálogo entre as religiões e à abertura das próprias comunidades para que possa chegar esta contribuição".
 
Caminhar juntos para o enriquecimento recíproco e o bem do mundo
 
As irmãs sentem a necessidade de apoiar estudantes, professores, pais e serem portadoras de paz e harmonia para convidar a humanidade a seguir para o caminho do respeito pelo meio-ambiente e da não-violência. “Reconhecemos que o amor é a nossa língua comum” e que "nos convida a ir além de nós mesmos e a abraçar o outro, apesar das diferenças que existem entre nós”. No final da Declaração as religiosas escrevem: “Quando unimos os corações e mentes, enquanto percorremos os nossos respectivos caminhos espirituais, nos sentimos mais próximos uns dos outros e vemos a necessidade de continuar este enriquecimento comum para melhoramento do mundo”.
 
Os agradecimentos para o sucesso da Conferência
 
Os participantes exprimem sua gratidão aos organizadores por terem criado um ambiente agradável, pela hospitalidade e a amizade que caracterizaram este diálogo. Agradecem também as autoridades civis, o mosteiro budista Fo Guang Shan, a Igreja católica local e a Universidade das ursulinas de Wenzao pelo seu generoso apoio para que o Primeiro Diálogo Internacional Budista-Cristão de religiosas fosse um sucesso.
 
Com informações da Vatican News
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