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Em 2017, o deslocamento forçado bateu recorde no mundo: 68,5 milhões de pessoas terminaram o ano fora de suas casas por motivos como guerras, conflitos e perseguições. Esse número envolve refugiados, solicitantes de refúgio, deslocados internos (quando a pessoa foge para um lugar dentro do próprio país) e apátridas. O dado é do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur).
 
No Brasil, até o fim de 2017, foram reconhecidos 10.145 refugiados de diversas nacionalidades. Destes, 39% são sírios. E os estados com mais refugiados são São Paulo e Rio de Janeiro, segundo a 3ª edição do relatório Refúgio em Números, do Ministério da Justiça.
 
Vendo a situação dos refugiados nos últimos anos, a ONG Atados decidiu dar início a uma iniciativa que acabou virando uma organização independente: a Abraço Cultural. A organização capacita refugiados para atuarem como professores de idiomas e contrata esses mesmos profissionais para ensinarem sua língua e sua cultura.
 
A escola de idiomas teve início na cidade de São Paulo, em 2015, e chegou ao Rio de Janeiro em 2016. Mas a ideia surgiu ainda em 2014, durante a Copa dos Refugiados, organizada pela ONG Atados.
 
A Atados é uma plataforma social online que conecta pessoas interessadas em fazer voluntariado e organizações sem fins lucrativos que precisam de voluntários. A entidade apoia e divide espaço com o projeto Abraço Cultural nas unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.
 
Seleção dos refugiados
 
O processo de seleção é realizado anualmente e envolve análise de currículos, entrevista e capacitação. O processo dura de dois a três meses. “Na capacitação, é trabalhada a metodologia do Abraço Cultural, a atuação da política brasileira nas questões de refúgio, e assuntos relacionados a mercado de trabalho”, explica Mateus Lima Oliveira, assistente de projetos no Abraço Cultural.
 
Uma vez selecionado, o profissional pode permanecer por tempo indeterminado atuando como professor do projeto.
 
Os professores são cadastrados como Microempreendedores Individuais (MEI) e são contratados formalmente como pessoas jurídicas. Desta forma, eles pagam impostos. Cada professor consegue uma renda diferente com base no número de aulas que ministra por mês. “Já foi gerado mais de R$ 1,5 milhão em renda para os professores do projeto”, conta Mateus Oliveira.
 
Clique aqui e veja as histórias de refugiados que atualmente trabalham como professores de idiomas no Abraço Cultural.
 
Texto: Adriana Brandão / Observatório do Terceiro Setor
Foto: Reprodução

 
Pelo menos dois terços, ou 66,5%, dos deputados federais que são candidatos à reeleição neste ano votaram ou apresentaram projetos de lei que prejudicam o meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores rurais.
 
Os dados são resultado de levantamento que levou em conta 14 votações nominais e 131 projetos de lei nessa área. Para medir se os projetos e proposições teriam impacto negativo ou positivo, oito organizações do setor socioambiental foram chamadas para fazer uma avaliação de mérito. O cruzamento de dados faz parte do Ruralômetro, ferramenta jornalística para consulta sobre os deputados federais produzida pela Repórter Brasil.
 
Cada deputado foi pontuado dentro de uma escala equivalente ao que seria a temperatura corporal: de 36⁰C a 42⁰C. Quanto pior avaliado, mais alta a sua temperatura – podendo atingir níveis de febre. Assim, se o deputado tem mais do que  37,3°C, isso significa que ele votou ou que apresentou projetos de lei que prejudicam o meio ambiente e os povos do campo.
 
Se o deputado tem mais do que  37,3°C no Ruralômetro, isso significa que ele votou ou que apresentou projetos de lei que prejudicam o meio ambiente e os povos do campo.
 
Dos 248 deputados candidatos à reeleição que têm a ‘febre ruralista’, 138 deles (ou 55%) fazem parte da Frente Parlamentar Agropecuária, a chamada bancada ruralista. Entre os candidatos à reeleição que têm febre, há ex-ministros do governo do presidente Michel Temer, nomes envolvidos em escândalos de corrupção, lideranças da bancada ruralista e membros de tradicionais famílias da política brasileira.
 
Quem tem febre?
 
Candidato à reeleição por Santa Catarina, o deputado federal Valdir Colatto (MDB) é um dos que tem a febre mais alta: 41,5°C. Ele é autor de nove projetos de lei prejudiciais ao meio ambiente e aos povos do campo. Um deles regulamenta a caça de animais silvestres e outro pede a suspensão de norma do Ministério do Meio Ambiente que lista espécies da fauna e da flora que devem ser protegidas.
 
Eduardo Bolsonaro (PSL), filho do candidato à presidência Jair Bolsonaro, tenta se reeleger à Câmara dos Deputados por São Paulo. Ele tem febre de 39°C e votou a favor da redução da área protegida em Jamanxim, no coração da Amazônia. Luiz Nishimori (PR), relator do projeto de lei que flexibiliza a liberação de agrotóxicos , também tenta se reeleger pelo Paraná. Ele tem febre de 40°C por ter votado majoritariamente com o governo Temer: foi favorável à ampliação da terceirização, que dificulta o combate ao trabalho escravo, e também à “MP da Grilagem”, que pode ampliar os conflitos por terra no país.
 
Entre os ex-ministros do governo Temer, Ricardo Barros (Saúde), Leonardo Picciani (Esportes) e Osmar Serraglio (Justiça e Segurança Pública) são candidatos à reeleição e apresentam febre alta: 39,9°C, 40,2°C e 39,5°C, respectivamente.
 
Lucio Vieira Lima (MDB), irmão de Geddel Vieira Lima, tenta reeleição pela Bahia mesmo sendo réu no caso do bunker de R$ 51 milhões – quando a polícia encontrou no apartamento de Geddel funcionários com notas de dinheiro. Sua temperatura no Ruralômetro é de 39,6°C.
 
Procurados pela Repórter Brasil, Nishimori e Colatto informaram que suas pautas estão “voltadas, entre outros temas, para o desenvolvimento sustentável da agropecuária brasileira”. A assessoria de imprensa do deputado Ricardo Barros informou que ele esteve “dois anos ausente da Câmara dos Deputados em razão de sua função à frente do Ministério da Saúde”. Os demais candidatos à reeleição citados nesta reportagem também foram procurados, mas não se pronunciaram.
 
‘Agronegócio predatório’
 
A atual composição da Câmara dos Deputados é uma das mais conservadoras desde a redemocratização, e esse grupo deve se fortalecer nesta eleição. É essa a avaliação da cientista política da Unicamp, Andrea Freitas.
 
Para a pesquisadora, há uma excessiva representação do grupo ligado ao que ela chama de “agronegócio predatório”, segmento que defende não apenas os interesses do empresário rural, mas que foca suas ações na defesa da propriedade de terra – sendo contrários à reforma agrária, por exemplo – e que defende o afrouxamento do processo de licenciamento ambiental.
 
A renovação desse grupo no Congresso está relacionada, na análise de Freitas, ao poder econômico do lobby do setor e do financiamento de campanhas. Nestas eleições, com a proibição do financiamento empresarial, a tendência é que candidatos ricos sejam privilegiados por conta do autofinanciamento irrestrito, já que candidatos não têm limitação financeira para bancar suas próprias campanhas. “E parte importante dos representantes do agronegócio predatório estão entre os mais ricos do Brasil”, avalia Freitas.
 
“Se tivéssemos um Congresso metade ruralista e metade ambientalista, teríamos uma representação intermediária que refletiria melhor a preferência média da sociedade”, analisa Andrea Freitas, cientista política da Unicamp.
 
A cientista política destaca que ter grupos “excessivamente” presentes  no Congresso prejudica uma representação equilibrada. “O que torna o Congresso o coração da democracia é que ali deveria estar a representação da sociedade como um todo. Se tivéssemos um Congresso metade ruralista e metade ambientalista, teríamos uma representação intermediária que refletiria melhor a preferência média da sociedade. Mas não é o que acontece”, conclui.
 
Para Caio Pompeia, doutor em antropologia pela Unicamp e pesquisador visitante em Harvard, o poder de influência do agronegócio no Congresso brasileiro não pode ser explicado somente em função da força do chamado ruralismo. “O agronegócio é uma composição de natureza intersetorial, envolvendo representantes da indústria e de serviços relacionados à agropecuária”, analisa. “Não estamos falando apenas de grandes fazendeiros, eles são minoritários nessa história, ainda que tenham certa força política”.
 
Além dos deputados que concorrem à reeleição, o Ruralômetro mostra todos os deputados eleitos em 2014 que disputam algum cargo, tanto no Legislativo como no Executivo. Dois presidenciáveis estão na ferramenta – Jair Bolsonaro (PSL-RJ) e Cabo Daciolo (Patriotas-RJ) –, assim como 9 candidatos a governador, 41 candidatos ao senado, 373 candidatos à deputado federal e 8 candidatos à deputado estadual.
 
Consulte o Ruralômetro, ferramenta que monitora como a ação dos deputados federais e candidatos impacta o meio ambiente e povos do campo.
 
Foto: Christian Braga / Greenpeace

 
A Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito repudia o voto de cajado: pastores não devem usar o púlpito para orientar o voto dos seus membros. Pastores não devem, de forma alguma, fazer campanha eleitoral durante a celebração dos cultos - corrompendo a mensagem central do Evangelho, de anunciar o Cristo que se fez justiça para a redenção da humanidade. Pastores não devem estimular o fascismo, a intolerância, o ódio e nenhuma forma de opressão. Como seguidores de Cristo, estamos comprometidos com o restabelecimento da democracia brasileira, e que o processo eleitoral nos garanta parlamentares e governantes empenhados na construção de um país mais justo e igual, com oportunidades.
 
Ao escolher seus candidatos considere se ele ou ela está comprometido coma recuperação dos direitos dos trabalhadores, com a educação pública e gratuita, com a manutenção e recuperação do Sistema Único de Saúde, com a distribuição de terra e moradia, com a defesa da soberania nacional, com a defesa do Estatuto da Criança e do Adolescente, com investimento em saúde, educação e infraestrutura, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, com a igualdade de gênero, com o combate à desigualdade, com a reforma tributária, com a democratização dos meios de comunicação, com a manutenção do sistema previdenciário, com o combate às violências, com a desmilitarização da polícia.
 
Fonte: Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito
Foto: Reprodução

 
Setembro é o mês mundial de prevenção do suicídio, chamado também de Setembro Amarelo. O assunto que já foi um tabu muito maior, ainda enfrenta grandes dificuldades na identificação de sinais, oferta e busca por ajuda, justamente pelos preconceitos e falta de informação.
 
O ano de 2017 foi um marco nacional nesse quesito com a ocorrência de alguns fatores que colaboraram a população como um todo a dar mais atenção ao tema e procurar informações. Em 2018, o CVV (www.cvv.org.br), uma das entidades mobilizadoras do Setembro Amarelo no Brasil, programou diversas atividades em todas as cidades nas quais possui um de seus mais de 90 postos de atendimento.
 
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Alguns exemplos são caminhadas, palestras, balões amarelos, pontos turísticos e edifícios públicos iluminados, distribuição de folhetos e atendimentos em locais públicos.
 
Carlos Correia, voluntário e porta-voz do CVV comenta que é o período mais intenso para todos os voluntários da instituição. “Nos preparamos desde o início do ano para aproveitar esse importante momento de falar sobre prevenção do suicídio e, aos poucos, quebrar alguns tabus”, comenta.
 
Correia comenta que os 32 suicídios que ocorrem diariamente no país, média de 1 morte a cada 45 minutos, é algo que pode ser reduzido. “Perceber que a pressão interna está muito elevada, que o copo está para transbordar e, nesse momento ou antes disso, pedir e aceitar ajuda é muito eficiente. Conversar com alguém, seja conhecido ou desconhecido, de forma acolhedora e sem críticas já ajudaria essa pessoa a superar aquele momento.” O voluntário do CVV complementa que muitas vezes as pessoas precisam de acompanhamento médico e/ou psicológico, mas que o serviço do CVV atua em situações de crises como complemento a esse tratamento.
 
Não é preciso estar ligado ao CVV ou a outra instituição para se mobilizar. Empresas podem fazer ações internas, distribuir materiais informativos disponíveis no site www.setembroamarelo.org.br e promover palestras. Órgãos públicos podem iluminar de amarelo fachadas de prédios, promover atividades, falar sobre prevenção nas unidades de saúde e escolas. E cada pessoa pode se mobilizar usando uma fita amarela ou vestindo amarelo, levantando o tema em seus grupos e buscando informações confiáveis sobre o assunto.
 
O movimento Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, iniciado em 2015, visa sensibilizar e conscientizar a população sobre a questão.
 
Fonte: CVV
Imagem: Reprodução

 
Na batalha da humanidade contra a fome, os seres humanos estão perdendo. Em 2017, 821 milhões de pessoas iam dormir todos os dias sem ingerir as calorias mínimas para suas atividades diárias, 15 milhões a mais do que no ano anterior, o que significa um retrocesso a níveis de 2010. Os dados reunidos no relatório A Segurança Alimentar e a Nutrição no Mundo da ONU, publicado nesta terça-feira, confirmam que não é um aumento isolado; ainda que os especialistas resistam em falar de uma mudança de tendência, já são três anos seguidos de aumento.
 
Os conflitos, os eventos climáticos extremos e as crises econômicas são os principais responsáveis por essa regressão, de acordo com o estudo elaborado pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) junto com outras quatro agências da ONU. As graves secas ligadas ao forte fenômeno El Niño de 2015 e 2016 são especialmente culpadas. Sem água, as plantações e o pasto aos animais não crescem. Isso significa que, nos países altamente dependentes da agricultura, milhares de pessoas ficam sem alimentos suficientes para comer e sem fonte de renda para comprar comida no mercado. A falta de chuvas, de fato, causa mais de 80% dos danos e perdas totais na produção agrícola e de gado.
 
“Se não fizermos mais, os três anos de aumento serão quatro. Reduzir a fome não é uma questão de fé, depende de nossas ações”, diz Kostas Stamoulis, diretor adjunto da FAO. Se no ano passado o órgão pedia o fim da violência para uma melhora na situação alimentar mundial, a nova edição foca na necessidade de se melhorar a resiliência das pessoas diante dos eventos climáticos extremos, ou seja, fortalecer sua capacidade de se adaptar, resistir e enfrentar uma adversidade.
 
“Pense em um terremoto. Dependendo de sua intensidade uma casa resistirá ou desabará. Não podemos mudar a intensidade do tremor, mas podemos mudar a resistência da casa”. Stamoulis afirma que o mesmo deve ser feito com as pessoas: prepará-las para o pior. “Temos os conhecimentos e as ferramentas para isso, devemos colocá-los em andamento”. E é preciso fazê-lo “em larga escala e de maneira acelerada”, diz Marco Sánchez-Cantillo, diretor de economia e desenvolvimento agrícola da FAO. “Por exemplo, os sistemas de alerta precoce que permitem antecipar soluções no caso de uma eventualidade se mostraram eficientes. Existem países que implantaram esse sistema, mas não é generalizado”, afirma.
 
A maioria dos países que enfrentam crises alimentares relacionadas ao clima (20 de 34) atravessa contextos de paz. Mas quando os choques climáticos ocorrem em áreas de conflito, é desencadeada a tempestade humanitária perfeita. Isso aconteceu nos 14 países restantes, entre eles, os que estão nas margens do lago Chade (Níger, Nigéria, Camarões e Chade), onde 10,7 milhões de pessoas precisam de ajuda para sobreviver todos os dias pela espiral de violência do terrorismo do Boko Haram e as secas. “O exemplo mais claro é que no ano passado foi declarada fome no Sudão do Sul. E o Iêmen, Somália e o norte da Nigéria chegaram bem perto. Nos quatro existe uma situação de conflito grave e condições climáticas extremas e desfavoráveis”, diz Blanca Carazo, responsável de programas e emergências do comitê espanhol da Unicef.
 
A África foi a região onde a fome assolou em maior proporção. Quase 21% de sua população estava subalimentada no ano passado: 256 milhões de pessoas, das quais 236 milhões eram da região subsaariana, 30,4% a mais em relação aos 181 milhões de famintos contabilizados nessa região do mundo em 2010. Em termos absolutos, a Ásia lidera com 515 milhões, 11,4% de seus habitantes. O clima e os conflitos sozinhos não explicam esses dados, diz Stamoulis. “Não foi exclusivamente o El Niño, ainda que tenha muito a ver. Não podemos nos esquecer que existem países que não estão em conflito, não atravessam uma crise econômica e não enfrentam eventos climáticos extremos, e têm taxas elevadas de fome”. Também “a marginalização, a desigualdade e a pobreza fazem com que as pessoas não tenham acesso a uma alimentação suficiente e nutritiva”, afirma.
 
As estatísticas e a realidade que refletem vão em direção contrária ao objetivo marcado na Agenda 2030 da ONU: conseguir erradicar a fome até essa data. “Ainda é arriscado falar de uma tendência de alta. Os dados desse ano mostram um aumento menor do que o do ano passado. Quero pensar que se trata de uma anomalia na diminuição que vinha ocorrendo na última década”, diz Jennifer Nyberg, diretora do Escritório na Espanha do Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU, entidade coautora do relatório. “Precisamos ser positivos e acreditar que conseguiremos alcançar os objetivos, porque se nos dermos por vencidos agora, não seremos bem-sucedidos”, dá um pouco de esperança o diretor adjunto da FAO.
 
“Isso é uma chamada de atenção para que coloquemos mais inovações e recursos para combater a fome. É preciso se perguntar o que não funciona”, diz Nyberg. É missão impossível, entretanto, calcular o financiamento total destinado a essa luta e, consequentemente, saber se ocorreram cortes nos últimos exercícios. O que se sabe é que os pedidos de fundos para emergências alimentares quase nunca arrecadam o necessário. Um exemplo: o PMA solicitou 9,10 bilhões de dólares (37 bilhões de reais) para realizar seu trabalho de distribuição de alimentos em áreas em crise em 2017; recebeu 6,8 bilhões (27 bilhões de reais). “Basicamente, quando não temos dinheiro, precisamos decidir quem não receberá comida”, afirma Peter Smerdon, porta-voz da agência na África oriental, em uma entrevista ao PNR em janeiro.
 
É urgente encontrar soluções, novas ou conhecidas, para atingir as metas que a comunidade internacional colocou em matéria alimentar para 2030. Em somente três anos, o avanço conseguido na luta contra a fome desde 2003 foi revertido, de tal maneira que em 2017 existia exatamente a mesma quantidade de famintos que em 2010. Outros indicadores do estado alimentar e nutricional no mundo também não estão melhores. As prevalências de anemia em mulheres em idade reprodutiva e a obesidade em adultos também aumentam.
 
Em relação às primeiras, passaram de 30,3% em 2012 a 32,8% em 20106. “É vergonhoso”, escrevem os redatores do relatório, “que uma em cada três mulheres em idade reprodutiva ainda sofra anemia, com importantes consequências tanto para sua saúde como para a de seus filhos”. Por outro lado, o número de adultos obesos não para de crescer desde 1975. Em 2016 existiam 672,3 milhões, 13,2% da população do planeta, o que representa um ponto e meio a mais em relação a 2012 (11,7%).
 
Em resumo: há mais famintos e mais obesos. Ainda que os primeiros se concentrem praticamente nas nações pobres, os segundos não vivem exclusivamente nas ricas; de fato, é um problema de saúde pública crescente em países em desenvolvimento. “Como essas duas tendências aparentemente contraditórias da segurança alimentar e da nutrição podem ocorrer?”, colocam os autores do estudo. Vários fatores explicam esse paradoxo. Um deles é, de acordo com os pesquisadores, que as mudanças demográficas, sociais e econômicas rápidas em muitos países de rendas baixas e médias levaram a uma maior urbanização e uma alteração dos estilos de vida e dos hábitos, que se inclinaram a um maior consumo de comida processada e hipercalórica, com um alto conteúdo de gorduras saturadas, açúcares e sal, e um baixo conteúdo de fibras.
 
O encarecimento de determinados alimentos também está relacionado com esse fenômeno. “Os mais nutritivos e frescos são os mais caros e os que têm menos recursos tendem a comprar outros mais calóricos e de pior qualidade nutricional”, diz Sánchez-Cantillo, da FAO. “O sobrepeso também tem a ver com a pobreza. Cresce em países em que para as famílias mais pobres é mais fácil conseguir comida de baixo valor nutritivo do que alimentos saudáveis”, afirma Carazo, da Unicef.
 
As crianças, a única esperança
 
Somente dois dados relativos ao estado nutricional das crianças lançam um pouco de luz em um panorama obscuro. Existem menos crianças que sofrem desnutrição crônica, também chamada stunting (atraso no crescimento, em inglês) por ser esse o resultado do déficit de nutrientes essenciais como a proteína, o ferro, o ácido fólico, a vitamina A e o iodo durante a primeira infância. “Mas não estamos contentes com as taxas atuais”, diminui o entusiasmo Stamoulis, da FAO. De acordo com suas estimativas, 22% dos menores de cinco anos sofrem esse tipo de desnutrição (150,8 milhões). Muitos na opinião do diretor adjunto da FAO, mas menos do que em 2012, quando a porcentagem de afetados chegava a 25% (165,2 milhões).
 
Esse progresso não está relacionado somente com o sucesso de programas alimentares focados na infância. O ponto fundamental está, diz a especialista da Unicef, em realizar “um trabalho integral de prevenção que inclui garantir o acesso a uma alimentação adequada, mas também à água potável e serviços de saneamento”. Significa, definitivamente, cobrir a ingestão mínima de nutrientes e evitar a perda dos mesmos por doenças como as diarreias, que contribuem para gerar uma situação de desnutrição crônica. É preciso prevenir porque, quando o atraso no crescimento ocorre, diz Carazo, já não há tratamento e as sequelas (físicas e cognitivas) durarão a vida toda.
 
“Outro aspecto que contribui à redução do atraso do crescimento é o fortalecimento dos sistemas de saúde”, diz Carazo. “Primeiro, para que as mães grávidas tenham uma alimentação adequada e acesso aos suplementos que precisam, como o ferro”, afirma. O acesso a centros de saúde por parte da população também facilita que os bebês recebam o atendimento adequado para seu desenvolvimento normal durante os cruciais primeiros mil dias.
 
Por fim, as campanhas para promover a lactância materna exclusiva recomendada pela Organização Mundial da Saúde e a Unicef surtem efeitos limitados. No mundo, 40,7% dos menores de seis meses se alimentavam somente dessa forma, contra 37% em 2012. “É importante para salvar vidas e fortalecer o sistema imunológico das crianças”, frisa Carazo.
 
No capítulo do sobrepeso e da obesidade infantil não existem notícias excelentes, mas também não são péssimas. “Há uma manutenção”, diz Stamoulis entre as notas positivas dos resultados do relatório desse ano. Desde 2012, a proporção mundial de crianças menores de cinco anos com sobrepeso “parece ter estancado”, afirma o documento. Naquele ano a taxa era de 5,4%, e em 2017 subiu somente a 5,6% (38,3 milhões).
 
As alegrias chegam até aqui. Não existem perspectivas de que a quantidade e a intensidade dos conflitos diminuam e que o clima dará uma trégua a curto e médio prazo. A perda de tudo o que foi conseguido em décadas de luta contra a fome, entretanto, é rápida. “Por isso, decidimos que é preciso agir com antecipação, criar resiliência”, diz Carazo. Se não é possível evitá-los, é necessário encaixar os golpes.
 
Fonte: El País
Foto: MICHAEL TEWE (FAO)

 
Uma delegação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) esteve na Nicarágua, nos dias 28 e 29 de agosto, com o objetivo de fornecer cuidado pastoral às igrejas no contexto atual daquele país. A visita, se deu no âmbito das Peregrinações de Justiça e Paz do CMI, incluiu reuniões com representantes de diversas igrejas, incluindo católicas e evangélicas, além de lideranças locais e representantes da sociedade civil. 
 
"Temos procurado apoiar o diálogo como um meio de resolver as diferenças, reafirmando e fortalecendo os apelos por justiça, paz e respeito pelas diferentes formas de pensar nas sociedades contemporâneas", diz um trecho da mensagem.
 
Em outra parte, o CMI pontua a vocação cristã para lidar com situações complexas. "Algo que testificamos nestes dois dias foi a reafirmação da vocação cristã para construir a paz em meio a tensões e conflitos", afirma.
 
Clique aqui e leia a íntegra do texto (em espanhol).
 
Fonte: CMI
Foto: Sean Hawkey/Consejo Mundial de Iglesias

 
A gente sempre acha que não dá mais para se surpreender, mas se surpreende. E até se assusta. Estou assustado com a maneira avassaladora como a “igreja brasileira” – usando um termo bastante impreciso para me referir a esse grande fenômeno de massa que ocupa enormes espaços na mídia, arrebanha multidões, e que tem um projeto claro de aparelhamento dos espaços de decisão, inclusive com representações nas câmaras, parlamentos e outros espaços da política nacional, como o Judiciário – vem dando mostras escancaradas de engajamento não apenas político, mas partidário. 
 
Pois essa “igreja brasileira” – formada por uma salada infinita, que vai do fundamentalismo protestante e seus derivados, até as novíssimas igrejas pentecostais-neo-pós-tudo, e que se somam a um grande contingente de católicos (no plural mesmo, pois longe da uniformidade pensada, o Catolicismo se constitui de numerosíssimos movimentos que guardam entre si uma relação muito mais simbólica, posto que no campo das ideias e práticas são absurdamente diferentes, divergentes e contraditórios) – está se superando a cada dia que passa em seus malabarismos bíblico-teológicos para escancarar o seu apoio a um candidato que apoia abertamente a tortura e a eliminação de grupos divergentes. 
 
Qual o sentido de um cristão apoiar um candidato que se dizendo cristão, faz apologia à TORTURA??? 
 
Não há sentido bíblico, ao menos não à luz da pessoa e das obras do Jesus de Nazaré. Como combinar “Bandido bom é bandido morto” com o “Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt. 5:43-44)? Simplesmente não dá para “esticar” o texto para desdizer o óbvio ululante. Ou você apoia o candidato-torturador e abre mão de ser discípulo do nazareno, ou vice-versa. 
 
Não há, certamente, um sentido lógico. Minimamente uma reflexão lógica há de nos fazer refletir que, por exemplo, dois erros não fazem um acerto. Não é possível achar que por termos uma situação de violência vamos aumentar a violência para diminuir a violência. Não faz sentido.
 
Não há sentido ético. Se pensamos ética como uma busca pela realização humana, como é possível combiná-la com ideais de eliminação da diferença, imposição de uma moral estrita, e falta de respeito às diferenças? 
 
Resta o sentido histórico... Sim, talvez seja isso. Pois se lembrarmos que grandes porções dos “cristãos” ao longo da história apoiaram as Cruzadas, apoiaram a Inquisição, participaram das Guerras de Religião, da Caça às Bruxas, estiveram do lado de Hitler e de Mussolini, participaram e participam da “guerra contra o mal” empreendida pelo “gigante protestante” que são os EUA, matando com bombas e disfarçando com bíblias...
 
Sim, sim... Há um sentido histórico naqueles que cantam louvores ao Jesus, preso, torturado e morto como um bandido entre bandidos, mas que apoiam os torturadores e seus apoiadores de plantão. Talvez retorne aqui a frase de Nietzsche, que dizia lavar as mãos depois de apertar as mãos de um cristão. No caso atual, talvez seja por que essas mãos estão cobertas de sangue.
 
Joel Zeferino é pastor na Igreja Batista Nazareth

 
 
Desde que Michel Temer assumiu ilegitimamente a Presidência da República, uma avalanche de medidas vem sendo tomadas pelo governo federal a toque de caixa. Sem qualquer debate com a sociedade e usando de instrumentos como decretos e Medidas Provisórias enviadas ao Congresso, Temer tem promovido alterações significativas em áreas estruturantes do país, com sérios impactos para a população – sobretudo a mais pobre –, para a soberania nacional e o futuro do Brasil.
 
Em todas as regiões, movimentos populares, trabalhadores, organizações da sociedade civil, cidadãos e cidadãs lutaram e lutam contra tamanhos retrocessos. A resistência da população, entretanto, tem sido sistematicamente reprimida pelas forças de segurança. As vítimas da violência do Estado contra quem tem erguido sua voz são crescentes. Ao mesmo tempo, o mesmo Congresso Nacional que aprovou o golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff tem dado aval às imposições feitas pelo Palácio do Planalto.
 
Por isso, a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, em parceria com o projeto “Sociedade Civil construindo a Resistência Democrática”, decidiu construir a campanha “Vote e Revogue”. Queremos chamar a atenção daqueles que agora disputam uma vaga para o Parlamento brasileiro e para a Presidência da República para a urgência de ouvir a população sobre as mudanças realizadas na nossa Constituição e no ordenamento jurídico brasileiro.
 
Por isso, pedimos que você cobre de seu candidato ou candidata à Presidência, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal o compromisso de que, se eleitos, apoiem a convocação de referendos revogatórios em torno de 10 medidas extremamente prejudiciais para o nosso povo. Nossa Constituição democrática prevê que a população seja ouvida não apenas de quatro em quatro anos, na hora do voto. Mas também por meio de mecanismos de participação direta, como plebiscitos e referendos. Como não nos consultaram sobre nenhuma dessas medidas, queremos ser ouvidos!
 
E é com o nosso voto que podemos pressionar as mais diferentes candidaturas a assumirem essa bandeira. Venha com a gente! Vote e Revogue!
 
AS 10 MEDIDAS
 
1. Reforma Trabalhista
2. Lei das Terceirizações
3. Teto de Gastos
4. Reforma do Ensino Médio
5. Fim dos Ministérios e políticas para mulheres e de igualdade racial
6. Desmonte da Funai e das políticas indígenas
9. Mudanças na regularização de terras urbanas e rurais
10. Venda do pré-sal e entrega dos setores de gás e mineração
 
A revogação dessas medidas é fundamental para a proteção do meio ambiente, dos direitos das mulheres, para a defesa do direito ao trabalho, para o respeito aos direitos dos povos tradicionais e de matriz africana, dos povos indígenas, das juventudes, dos idosos e das pessoas com deficiência, para o descongelamentos dos recursos públicos para a educação, saúde, assistência social, cultura, comunicação, mobilidade, moradia e saneamento básico.
 
Até o final da campanha eleitoral, mostraremos como cada uma dessas mudanças afetou a vida concreta da população e pode impactar no desenvolvimento justo e soberano do nosso país. Fique de olho e ajude a compartilhar essa mensagem! Vote e revogue!
 

 
Este material busca apoiar a reflexão neste momento eleitoral, ajudando as pessoas a discernir os discursos e atitudes das pessoas que se apresentam como candidatas aos diversos níveis de governo. Mas também quer ser uma contribuição da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil para melhor capacitar as pessoas cristãs na participação política que constrói uma sociedade autenticamente democrática, na qual a participação de todos seja instrumento do serviço/poder que promove libertação.
 
Para fazer o download do material, clique aqui.
 
Membros da Comissão de Incidência Pública, Direitos Humanos e Combate ao Racismo:
Sr. Daniel Souza, Diocese Anglicana de São Paulo/SP
Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional, Porto Alegre/RS
Revda. Lilian Conceição da Silva, Diocese Anglicana do Recife/PE
Revdo. Luiz Carlos Gabas, Diocese Anglicana do Paraná
Sr. Pedro Montenegro, Diocese Anglicana de Brasília/DF
 
Com informações da IEAB / ALC Notícias

 
"Estamos trabalhando pela unidade e estabilidade da ortodoxia e pelo testemunho eclesiástico comum". O Patriarcado Ecumênico, enquanto responsável em preservar a unidade, coordenar as relações interortodoxas e as iniciativas pan-ortodoxas, “exerce seu ministério na Ekumen ortodoxa, fiel aos princípios eclesiológicos e canônicos da ininterrupta da tradição dos padres."
 
Esta é uma das passagens mais significativas da homilia proferida na última segunda-feira (3/09) pelo patriarca Ecumênico Bartolomeu I, arcebispo de Constantinopla, na conclusão da oração comum dos metropolitas e arcebispos do patriarcado, realizada na Igreja da Santíssima Trindade de Stavrodromi, em Istambul. Entre os participantes, os metropolitas de Pérgamo, Iohannes, da Ilha dos Príncipes, Demétrio, e da França, Emanuel.
 
"A identidade de serviço e escatologia da Igreja - disse Bartolomeu - não é ameaçada somente pela secularização, mas também pelo fechamento e introversão de uma espiritualidade que entrou abundantemente na Igreja. Somos guardiões da sagrada herança dos padres, da fé reta, da adoração e glorificação e da ortopraxis em Cristo e segundo Cristo, da verdade que torna livres, da filocalia e da filantropia, do espírito de comunidade e da cultura de solidariedade, conscientes de uma continuidade histórica ininterrupta de uma tradição testemunhada por meio da confissão e do sacrifício dos santos, por meio da fidelidade ortodoxa e a espiritualidade, por meio do milagre da teologia dos padres, por meio do ethos da cruz e da ressurreição da ascese, pela forma eucarística da vivência, pela esperança da eternidade".
 
Um dever enfatizado também pelo metropolita de Pérgamo: "No mundo que virá, a ortodoxia não pode dar o próprio testemunho todo fragmentado, mas com uma só voz e um coração".
 
O patriarcado ecumênico tem o dever de recordar a todos a catolicidade e a universalidade da Igreja, destacando "o espírito de reconciliação e superação das diferenças, a serviço da unidade”.
 
Mas o presente é também representado pelo encontro com o mundo atual no qual a Igreja vive e dá seu testemunho: "Os grandes desafios dos tempos atuais, o predomínio da tecnologia e de seus resultados, a secularização e a globalização,  o avanço da redução e esquecimento da dimensão social e comunitária da liberdade, a injustiça social, o hedonismo, a destruição ambiental, mas também o filetismo étnico, o fundamentalismo religioso, o conflito das culturas e outras ameaças à sacralidade da pessoa humana, exigem respostas comuns, um testemunho comum e um comum avançar em direção ao futuro ", concluiu Bartolomeu.
 
Fonte: L’Osservatore Romano
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