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“Que variedade, ó Deus, nas tuas obras!
Todas com sabedoria as fizeste;
cheia está a terra das tuas riquezas”. (Sl 104.24)

Hoje, 1° de setembro, é o Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação. Instituído em 2015, o dia tem sido amplamente assumido por pessoas das mais diferentes confissões cristãs.

Orar pelo cuidado da criação representa comprometer-se com mudanças de atitude e de percepção que temos do meio ambiente.

O sistema econômico transformou o meio ambiente em um meio a ser explorado livremente, a fim de que grandes grupos corporativos acumulem riquezas e lucros. A criação, em toda a sua diversidade, tem sido cada vez mais financeirizada.

No entanto, na perspectiva cristã, a criação é graça de Deus. Nós, como beneficiários e beneficiárias dessa graça, somos responsáveis em zelar por essa obra.

Nada do que é dádiva, como a água, a terra, as florestas ou as sementes deveriam ser transformados em mercadoria.

No entanto, não é assim que temos vivido. A natureza tornou-se produto de venda e lucro. Grandes corporações se apropriam das águas, dos recursos naturais, das florestas, das sementes, da terra com o único objetivo de lucrar. Não existem fronteiras éticas quando os interesses dos grupos econômicos estão em questão.

No Brasil, temos exemplos recentes disso. Ainda vivemos os impactos de Mariana. Famílias inteiras perderam o lugar onde viviam, seus bens, suas histórias. O Rio Doce foi morto e ninguém responderá por isso. A terra foi contaminada e o silêncio é o que permanece. Ninguém foi responsabilizado pelo dano irreversível provocado pela ação da mineradora Samarco.

Nos últimos dias, fomos surpreendidos pelo decreto do presidente Michel Temer, que extinguiu a Reserva Nacional do Cobre e Associados (RENCA) e autorizou mineradoras privadas a explorar a região. Embora o decreto tenha sido suspenso, os riscos ainda permanecem.

Por isso, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil anima comunidades, grupos de oração e de estudos bíblicos a orar e refletir, ao longo desse final de semana, sobre a nossa responsabilidade e o nosso compromisso com o cuidado da criação.

Se, na perspectiva da fé, compreendermos que a criação é graça de Deus, ela não deve ser colocada à venda. Ninguém é dono da criação. Todos os seres vivos têm direito a desfrutarem desta dádiva, gratuitamente.

CONIC – Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil

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O papa Francisco e o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu, fizeram um apelo ao mundo a fim de encontrar uma solução para o aquecimento global e os problemas do planeta em mensagem conjunta divulgada nesta sexta-feira, 1° de setembro.

O apelo foi feito por ocasião do Dia Mundial de Oração pelo Cuidado da Criação, instituído há três anos, e tem caráter urgente ante as catástrofes naturais que provocaram muitas mortes recentemente, sobretudo entre os mais pobres da Ásia, África e América Latina.

“Fazemos um apelo urgente aos que ocupam cargos de responsabilidade social e econômica, assim como política e cultural, para que escutem o grito da Terra e atendam as necessidades dos marginalizados”, afirmam na mensagem.

Os dois líderes também apelam à responsabilidade individual de cada pessoa, em um convite a uma “conversa ecológica”, a qual o papa já havia solicitado em 2015 na encíclica ‘Laudato Si’.

“‘No princípio’, Deus quis que a humanidade cooperasse na preservação e proteção do meio ambiente”, recordam.

“Nossa dignidade e bem-estar humano estão profundamente conectados com o cuidado de toda a criação, mas a história do mundo revela um cenário moralmente decadente onde nossa atitude e comportamento em relação à criação obscurecem nossa vocação como colaboradores de Deus”, advertem.

“Nossa propensão a interromper os delicados e equilibrados ecossistemas do mundo, nosso desejo insaciável de manipular e controlar os recursos limitados do planeta, e nossa ganância ilimitada com os lucros nos mercados, todo isto nos afastou do sentido original da criação”, afirmam.

As consequências são “trágicas”. “O impacto da mudança climática afeta, em primeiro lugar, os que vivem na pobreza em todos os cantos do mundo”, reiteram, antes de pedir que todos trabalhem por um “desenvolvimento sustentável e integral”.

Francisco e Bartolomeu convidam “todas as pessoas de boa vontade” a dedicar neste 1 de setembro um tempo de oração pelo meio ambiente.

“Estamos convencidos de que não pode existir uma solução sincera e duradoura ao desafio da crise ecológica e da mudança climática caso não aconteça uma reposta coordenada e coletiva, se a responsabilidade não for compartilhada, se não dermos prioridade à solidariedade e ao serviço”, admitiram.

Em várias ocasiões o papa já denunciou o modelo econômico vigente e o capitalismo selvagem que arrasa a natureza e aumenta a brecha entre ricos e pobres.

Fonte: AFP
Foto: ANSA

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Levantamento recente do instituto Paraná Pesquisas revelou que 73,7% da população brasileira é contra “que a mulher tenha o direito de interromper a gravidez por livre escolha”. Entre as mulheres, a rejeição ao aborto é ainda maior: 78,2% são contrárias. A taxa de rejeição também é elevada entre o público masculino: 68,7%.

Entre os mais jovens, considerando a faixa etária que vai de 16 a 24 anos, a maioria (69%) se opõe à legalização. A rejeição permanece alta quando se consideram apenas os entrevistados com ensino superior completo. Nessa categoria, 62% declaram-se contra a legalização do aborto, enquanto 33% dizem apoiá-la.

Para este levantamento, o Instituto Paraná Pesquisas ouviu 2 mil eleitores de 24 estados do país, mais o Distrito Federal, em cerca de 150 municípios.

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Vejam a reflexão de Pedro Ribeiro de Oliveira*, sociólogo, um dos fundadores do movimento Fé e Política e assessor da CNBB, sobre o II Encontro de Juventudes e Espiritualidade Libertadora!!!

ENJEL: Como podemos chegar a um modelo alternativo de convivência? Seria o Bem Viver um caminho?

Pedro: Desde a juventude apostei no socialismo como caminho para convivência humana de forma justa e igualitária, mesmo sabendo que a experiência histórica revelava suas limitações e erros. A previsão de catástrofe ambiental, porém, me fez ver que o socialismo – produto da modernidade ocidental – não impediria essa catástrofe, devido ao seu culto ao progresso e ao desenvolvimento das forças produtivas materiais. Foi então que descobri o caminho do Bem-Viver dos povos andinos e guarani. Ao postular o modelo de harmonia plena (consigo mesmo, com o próprio grupo, com outros povos, com outras espécies, com a Mãe-Terra e com o espiritual) ele implode o paradigma cartesiano moderno e abre o caminho para a reconciliação da espécie humana consigo mesma e com a comunidade de vida da Terra. Essa sabedoria – pois não se trata de uma utopia – só podia vir da periferia do sistema mundial moderno: os povos que há cinco séculos sofrem a exploração colonialista.

ENJEL: Onde está a juventude nesse momento do país? Como podemos unir forças para nos alimentarmos e seguirmos na esperança?

Pedro: Simplificadamente, porque tenho contato com jovens, eu diria que a juventude está sozinha porque minha geração não lhe deu a necessária atenção; ela busca encontrar um caminho para viver num mundo mais humano e nessa busca ela parece rejeitar quase tudo o que encontrou já feito. É pena, porque quebra a cabeça mais do que seria necessário, mas é normal: o mundo que ela encontrou pela frente pouco tem de favorável à promessa bíblica de vida longa e feliz sobre a Terra.

ENJEL: De que forma a espiritualidade se integra com as lutas por justiça, fraternidade, dignidade, paz, vida plena?

Pedro: Acho que a pergunta está mal formulada porque separa espiritualidade e lutas, como se espiritualidade se referisse a realidades imateriais, celestiais, coisas dos deuses... Para mim, espiritualidade é o cultivo do espírito e esse espírito pode ser voltado para realidades alheias ao mundo (e portanto alienado do) mas pode – e deve! – ser energia que move o mundo material, humano, natural, em que vivemos. Trata-se então de cultivar o espírito de luta, o espírito de cuidado, o espírito de justiça, o espírito de solidariedade, enfim esse santo espírito que fez de Jesus de Nazaré um grande profeta e que o ressuscitou quando foi executado pelo império de seu tempo. Respondo, então, à pergunta: trata-se de cultivar uma espiritualidade político-libertadora, que nos anime a lutar por justiça, fraternidade, dignidade, paz e vida plena em comunhão com as outras espécies que compõem a comunidade de vida da Terra.

ENJEL: Qual a importância deste encontro neste momento para o Continente latino-americano?

Pedro: O Encontro deve ser um momento forte de animação da juventude que busca abrir caminhos para um mundo onde reinem a Paz, a Justiça e o Cuidado com a Terra, ajudando os e as jovens a descobrirem a força do Espírito que nos move nessa “nobre luta pela Justiça”. A juventude movida por esse Espírito realizará grandes feitos em nosso País e nosso Continente.

ENJEL: O que, na sua opinião, não pode faltar neste encontro?

Pedro: Alegria. Estamos vivendo tempos tenebrosos no Brasil, em Nossa América e no Mundo, mas não podemos nos deixar abater pela tristeza e pelo medo da morte que provavelmente virá aos montes. Nos tempos mais duros da repressão, os bispos do Brasil escreveram uma carta ao Povo de Deus dizendo “ao cristão é proibido ficar triste, é proibido ter medo”. Isso vale para os nossos dias: nada de tristeza, nada de medo! Encarar a realidade de frente, sem fakes, porque nossas mães e pais na Fé, discípulas e discípulos de Jesus, testemunharam que ele venceu a morte, está vivo e prometeu se fazer presente sempre que “dois ou três se reunem em seu nome”.

*Pedro A. Ribeiro de Oliveira é doutor em Sociologia, professor aposentado dos PPG em Ciência/s da Religião da UFJF e da PUC Minas. Membro de ISER-Assessoria, da Equipe de Formação da Prelazia de São Felix do Araguaia e da Coordenação Nacional do Movimento Fé e Política.

Fonte: espiritualidadelibertadora.org.br

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O estado de saúde de Maurício Alves Feitosa Pitaguary, mais conhecido como Mazin, é estável e sem risco de morte. Na madrugada de domingo, 27, o indígena dormia quando sofreu uma emboscada na vacaria onde trabalha, situada na aldeia Santo Antônio, Terra Indígena Pitaguary, município de Maracanaú (CE). Dois homens incendiaram com gasolina a casa onde Mazin estava. Ao tentar fugir, o indígena foi seguro, espancado e colocado de volta no local, que já ardia em chamas.

Mazin tem 42 anos e está internado no Instituto José Frota (IJF), em Fortaleza, com queimaduras de segundo e terceiro graus em 14% do corpo - concentradas nas costas e no abdômen. O hospital não divulgou um boletim médico, mas conforme os Pitaguary que o visitaram na tarde desta segunda-feira, 28, Mazin está consciente e conversando. "Está tomando banho anestésico, estão colocando curativos, ele está andando bem e se alimentando. Respirando normal. O pior já passou", relata uma indígena que prefere não se identificar. Este ano, em abril, se deu a memória dos 20 anos do martírio de Galdino Pataxó Hã-hã-hãe, que teve o corpo incendiado, em Brasília, por um bando criminoso.

A insegurança resume o momento para as lideranças Pitaguary. Os indígenas estão convictos de que o atentado teve como intuito atingir os Pitaguary, sobretudo os oriundos da família de Mazin, que se opõem a especulações imobiliárias e empresariais no território tradicional - localizado a cerca de 24 km de Fortaleza. "Temos a terra retalhada por esses interesses. Infelizmente alguns indígenas apoiam esses empresários e políticos, a elite local, mas não representam o povo Pitaguary", explica outra indígena que também não será identificada por razões de segurança. A Terra Indígena Pitaguary foi declarada com 1735 hectares, onde vivem 3765 indígenas (IBGE, 2010).

"Retalhada" significa dizer que várias porções do território estão degradadas e invadidas, gerando resistência da parte dos Pitaguary e os mais variados ardis de quem tange os interesses privados nas terras. "Maurício é irmão de uma importante liderança indígena estadual e nacional, a Ceiça Pitaguary, que, em março de 2016, também sofreu um grave ataque (...) Foram desferidos contra ela, vários golpes de facão, que lhe causou muitas lesões nos braços e na cabeça e que por muito pouco não teria sido fatal", pontuou em nota o Observatório Socioambiental, que acompanha a situação dos povos indígenas do Ceará. A indígena Ceiça Pitaguary, que integrou a direção da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) entre 2012 e 2014, realizou inúmeras denúncias em Brasília sobre o assédio de políticos e empresários no território tradicional de seu povo.

Para uma outra importante liderança Pitaguary, não identificada por razões de segurança, o atentado contra Mazin se trata de uma represália. "Na última Assembleia Estadual (dos Povos Indígenas do Ceará, ocorrida no final de julho), uma nota foi feita afirmando essa luta contra os invasores da terra e dizendo que os indígenas que os defendem e estão com esses invasores não representam o povo Pitaguary. Agora esse grupo está perseguindo a Ceiça e a sua família por conta disso. Uma covardia", diz.

Em nota pública divulgada na tarde desta segunda, o movimento indígena do Ceará ressalta que "nos últimos anos, ações criminosas patrocinadas por grupos políticos da região de Maracanaú e Pacatuba, envolvendo inclusive indígenas, têm provocado terror e medo em grande parte das Comunidades Indígenas locais. Episódios de ameaças, cárcere privado, golpes de facão e agora essa brutal ação de incendiar uma casa com um parente dentro só reforça a nossa indignação pela total omissão das instituições". Na nota, o movimento enfatiza que "várias ocorrências" foram registradas em delegacias locais e levadas às autoridades competentes.

A Fundação Nacional do Índio (Funai) acompanha o caso e ontem esteve com a Polícia Federal na aldeia, onde agentes tomaram depoimentos de indígenas e iniciaram as investigações. Os autores do crime ainda não foram identificados e na manhã desta segunda, lideranças Pitaguary estiveram na Superintendência da Polícia Federal, na capital cearense.

Fonte: Cimi
Foto: Reprodução

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Uma viagem para construir pontes, marcada por um clima de escuta e diálogo. Após retornar da Rússia, o Cardeal Secretário de Estado, Pietro Parolin, concedeu uma entrevista exclusiva à Secretaria para a Comunicação, na pessoa do colega do Programa italiano, Alessandro Gisotti.

RV: Eminência, havia uma grande expectativa por esta sua viagem à Rússia. Com que sentimentos o senhor retorna ao Vaticano?

“Acredito que o balanço desta viagem seja um balanço substancialmente positivo e portanto, obviamente, os meus sentimentos são sentimentos de gratidão ao Senhor por me ter acompanhado durante estes dias. Pudemos cumprir o programa que estava fixado, ter os encontros previstos, e devo dizer que estes encontros – quer a nível das autoridades, quer com o Presidente Putin como com o Ministro do Exterior Lavrov, e depois com os expoentes da hierarquia da Igreja Ortodoxa russa, isto é, o Patriarca Kirill e o Metropolita Hilarion – foram caracterizados justamente por um clima de cordialidade, um clima de escuta, um clima de respeito. Eu os definiria como encontros significativos, foram encontros também construtivos e me sinto no dever de acentuar um pouco esta palavra: “encontros construtivos”. Obviamente, depois, houve também a parte do encontro com a comunidade católica. Sobretudo graças à conversação e ao diálogo que tivemos com os bispos na Nunciatura, foi possível conhecer um pouco mais de perto a realidade, a vida da comunidade católica na Rússia, as suas alegrias, as suas esperanças, mas também os desafios e as dificuldades que deve enfrentar. Em relação a estas últimas, em parte, foi possível também apresentá-las, expô-las às autoridades. Cito uma delas: o tema da restituição de algumas igrejas que foram confiscadas nos tempos do regime comunista e pelas quais não foi ainda providenciada a restituição diante das necessidades da comunidade católica de ter locais de culto adequados. Portanto, eu diria que no final – para dizer numa palavra – foi uma viagem útil, foi uma viagem interessante, foi uma viagem construtiva”.

RV: O senhor já teve a oportunidade de falar com o Santo Padre sobre a viagem? O que poderia ser compartilhado daquilo que falaram?

“Sim, naturalmente, assim que eu retornei encontrei o Santo Padre para fazer a ele um brevíssimo, sintético relatório, quer sobre conteúdos como dos resultados da viagem, e naturalmente, transmiti a ele também as saudações que me foram confiadas por todas as partes que encontrei, do afeto e da proximidade da comunidade católica, das diferentes saudações das autoridades. Recordo que o Presidente Putin – acredito que tenha sido gravada a parte pública do encontro – sublinhou precisamente a recordação viva que mantém de seus encontros com o Papa Francisco, em 2013 e em 2015. E a fraterna saudação depois do Patriarca Kirill. Obviamente o Papa ficou tocado por estas impressões, destes resultados positivos que transmiti a ele; o Papa, como sabemos – o repetiu também nesta circunstância – está muito, muito atento a todas as ocasiões de diálogo que existem e está muito contente quando se dá passos em frente nesta direção”.

RV: Quais foram os temas principais tratados no encontro com o Patriarca Kirill?

“Eu diria que fundamentalmente se concentraram um pouco sobre este novo clima, esta nova atmosfera que reina nas relações entre a Igreja Ortodoxa Russa e a Igreja Católica; este novo clima, esta nova atmosfera que se instaurou nos últimos anos e que naturalmente teve um momento particularmente significativo e de forte aceleração também graças ao encontro de Havana entre os Patriarca e o Papa, depois do qual se seguiu este acontecimento. Realmente, percebi nos interlocutores ortodoxos, como ficaram tocados por esta experiência da visita das relíquias de São Nicolau de Bari a Moscou e São Petersburgo, mas no sentido de terem sido tocados pela fé e pela religiosidade do povo. Foi sublinhado também como muitos russos que pertencem à tradição ortodoxa mas que não frequentam, os não-praticantes, nesta ocasião se aproximaram da Igreja. Foi realmente um evento grandioso, quer no que se refere às dimensões – fala-se de dois milhões e meio de fiéis que visitaram as relíquias – quer no que diz respeito ao impacto de fé e de espiritualidade que este acontecimento produziu. Passamos depois em resenha os passos dados e aqueles que serão, que deverão ser os passos a serem dados no futuro. Me parece que da parte deles – como naturalmente também da nossa parte – não se deseja exaurir os potenciais que esta nova fase abriu e naturalmente a colaboração pode ocorrer em vários âmbitos, em vários níveis: da colaboração cultural – aquela acadêmica – àquela humanitária. Se insistiu muito sobre este ponto, que as duas Igrejas, diante das tantas situações de conflito que existem no mundo, podem realmente realizar uma obra humanitária incisiva e eficaz. Tratou-se também – com respeito e ao mesmo tempo com franqueza – temas um pouco espinhosos, nas relações entre as duas Igrejas; porém, se procurou dar – ao menos a meu ver, foi o que eu percebi – um sentido antes positivo, isto é, explorar caminhos compartilhados para enfrentar e para tentar buscar soluções para estes problemas. E naturalmente, também estas vias compartilhadas, estas propostas concretas que emergiram deverão ser verificadas e possivelmente implementadas depois de um adequado discernimento e aprofundamento”.

RV: Eminência, a propósito dos temas sensíveis: a questão da Ucrânia é um dos temas mais delicados nas relações entre Santa Sé e Rússia. O senhor mesmo visitou a Ucrânia, há um ano. Existe alguma novidade após a sua viagem?

“Novidades, ao menos até agora, não existem. Talvez seja prematuro pensar em alguma novidade. O Senhor – esperamos – fará germinar e frutificar as sementes que tiverem sido semeadas. Porém, como é sabido, a questão ucraniana é uma das questões de grande preocupação para a Santa Sé: o Papa se pronunciou várias vezes sobre o tema. É óbvio que não podia não ser tratado este tema; não podia ser esquecido nesta circunstância. Eu diria, sobretudo, no sentido de procurar ver, de avaliar se havia alguns passos concretos que poderiam ser dados em direção a uma solução duradoura e justa do conflito, no contexto dos instrumentos atualmente disponíveis, que são praticamente os Acordos alcançados entre as duas partes. E é sabido também que a Santa Sé insistiu sobretudo nos aspectos humanitários a partir da grande iniciativa do Papa pela Ucrânia. Neste sentido, por exemplo, um dos temas é o da libertação dos prisioneiros: este é um dos temas do “humanitário” que poderiam realmente ser importantes para dar um novo impulso a todo o processo, também político, para sair desta situação de paralisia e fazer avançar – por exemplo – também o tema da trégua, o tema do cessar-fogo, o tema das condições de segurança sobre o território, o tema, também, das condições políticas para poder fazer progressos na solução global. Esperamos que algo possa ajudar para caminhar na justa direção, levando em consideração – quando falamos de situações, destas questão humanitárias – que estamos falando de pessoas e estamos falando do sofrimento. E acredito que é isto que todos deveriam ter em mente justamente para tentar realizar um esforço suplementar para ir na justa direção”.

RV: A imprensa deu naturalmente muita atenção ao seu encontro em Sochi com Vladimir Putin. Como foi o colóquio com o Presidente russo?

“Eu diria que também o colóquio com o Presidente Putin entra um pouco na avaliação que fiz no início: foi um encontro cordial, foi um encontro respeitoso, em que se pode tratar sobre todos os temas que ao menos para nós, estavam a peito que fossem tratados, como aquele, por exemplo, do Oriente Médio, da situação na Síria em particular, e neste contexto também o tema da presença dos cristãos: sabemos que uma das convergências que existem entre a Rússia e a Santa Sé é justamente esta da atenção à situação dos cristãos, o tema das perseguições aos cristãos, que tendem a sem ampliar a todos os grupos religiosos – naturalmente – e a todas as minorias, buscando envolver também os muçulmanos, como foi feito por exemplo naquele seminário realizado em Genebra, no ano passado. Bem sobre o tema da Ucrânia já falamos; o tema da Venezuela: vi que também a imprensa divulgou algumas declarações que haviam sido dadas neste sentido. Portanto, além dos temas bilaterais, eu falava no início, apresentamos algumas situações um pouco de dificuldades da comunidade católica. Eu procurei sobretudo dizer isto, esta era a mensagem que queria transmitir: isto é, que a Rússia, pela sua posição geográfica, pela sua história, pela sua cultura, pelo seu passado, pelo seu presente, tem um grande papel a desempenhar na comunidade internacional, no mundo. Um grande papel a desempenhar! E portanto, tem uma particular responsabilidade em relação a paz: quer o país, quer os seus líderes, têm uma grande responsabilidade em relação à construção da paz e devem realmente esforçar-se para colocar os interesses superiores da paz acima de todos os outros interesses”.

RV: Por fim eminência: além dos encontros mais significativos, existe algum outro assunto ou aspecto particular que o senhor gostaria de sublinhar?

“Sim, houve o bonito momento da Missa, junto com a comunidade católica. A Catedral estava repleta de fiéis e foi um pouco uma surpresa, porque era um dia normal e portanto não se esperava que houvesse tanta gente; depois, naturalmente, me toca sempre a fé e a devoção destas pessoas: como participam da Missa, com qual atenção, com qual reverência, com qual silencio estão presentes. E acredito que tenham ido sobretudo para expressar o seu apego ao Papa e o fato de serem membros da Igreja universal. Portanto, aquele foi um belo momento. Um outro momento bonito foi a breve visita às Irmãs de Madre Teresa que trabalham em Moscou. Pudemos encontrar e saudar todas as pessoas que elas assistem, também ali foi manifestado um grande afeto pelo Papa. E depois, a última coisa que gostaria de recordar: me impressionou muito a visita que fizemos à Catedral de Cristo Salvador, a Catedral ortodoxa de Moscou; Catedral que havia sido explodida durante o regime comunista. E portanto foi também um momento para recordar esta história muito dolorosa da época em que se pretendia erradicar completamente a fé do coração dos fiéis e eliminar todo sinal da presença de Deus e da Igreja naquela terra. Coisa que não se conseguiu, porque Deus é maior dos que os projetos dos homens”.

P.S.: a viagem foi na terça-feira passada, 22 de agosto.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: Reprodução
Obs.: o título foi adaptado

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A recente decisão do Congresso Nacional de rejeitar a denúncia contra o presidente Michel Temer, além de não levar a sério as denúncias e as provas factíveis que apontam para práticas de corrupção, reforçam os caminhos para as várias reformas colocadas no horizonte político brasileiro.

Uma dessas reformas é a reforma política, amplamente debatida, pelo menos a dez anos, pela sociedade civil organizada. Igrejas, organizações não governamentais, movimentos sociais têm discutido e proposto mecanismos para a superação de velhas práticas patrimonialistas e clientelistas tão características da nossa política. Um dos resultados concretos desse trabalho foi o fim do financiamento empresarial para campanhas eleitorais.

Agora muitos parlamentares têm pressa em agilizar esta Reforma. Para eles, ela tem sido tão prioritária quanto a Reforma da Previdência. É claro que quando existe pressa há sempre uma intenção nem sempre transparente. No caso da Reforma Política são as eleições de 2018, caso ocorram.

Se poderia dizer que está tudo bem que o parlamento discuta a reforma política. No entanto, o problema é a quase ausente vontade de ouvir a sociedade civil e de desconsiderar o que tem sido elaborado pelo conjunto das organizações sociais sobre esta agenda.

Um dos pontos problemáticos da reforma política é um sistema eleitoral que tem sido chamado de “distritão”.

Nesse modelo, serão eleitas as pessoas mais votadas para os parlamentos, independente da votação que o partido teve. Este sistema reforça o personalismo na política e retira todo o caráter coletivo que a política deve ter. É fácil de entender que esta proposta não irá superar o clientelismo.

Aparentemente poderíamos pensar que isso não tem muito a ver com a vida do dia-a-dia. No entanto, se analisarmos com atenção a proposta, é possível perceber que esse modelo irá garantir a continuidade da cultura baseada no abuso de poder político e econômico. Isso significa que esse modelo irá garantir que as velhas oligarquias políticas e econômicas reinem soberanas.

Há muito se critica no Brasil a compra de votos. Um modelo como o “distritão” garantirá que essa prática continue valendo. Este é um modelo, portanto, que fragiliza a cidadania e faz da política única e exclusivamente um caminho para manter as velhas elites no poder.

Novamente pode se fazer a pergunta, de como este sistema pode impactar diretamente nas nossas vidas. Talvez o argumento da permanência das velhas elites no poder seja frágil, afinal, já nos acostumamos com as elites no poder. Com isso, não nos apropriamos desse tema. Estamos errados em pensar assim, porque a Reforma Política, impacta diretamente em nossas vidas.

Desde o impedimento da Presidenta Dilma Rousseff, uma das questões sobre as quais mais se tem debatido é a democracia. As manifestações contra o golpe, as vigílias inter-religiosas pela democracia tinham como elemento comum o reconhecimento da diversidade cultural, religiosa e de gênero.

E por que reivindicar o direito à diversidade? Por que nosso país é um país plural e a democracia brasileira precisa expressar essa pluralidade. Ora, se olharmos para o Congresso Nacional, veremos que ele não representa a pluralidade do nosso país.

A grande maioria dos parlamentares são homens, alinhados com os interesses de grandes corporações do agronegócio e do mercado financeiro. Eles também são brancos e a grande maioria é contrária às políticas públicas que poderiam responder à divida histórica que o país tem com os descendentes de escravos. Não temos parlamentares representando os povos indígenas, por isso, não surpreende os ataques sistemáticos do Congresso Nacional contra os direitos dessas populações. Temos somente uma pessoa que representa a população LGBTT. E as mulheres são representadas por um número pequeno de deputadas e senadoras engajadas com as pautas dos movimentos de mulheres. O Congresso, portanto, não representa a população brasileira.

Além disso tudo, há outra questão muito séria, que diz respeito à religião. A constituição brasileira estabelece a separação entre religião e estado. Essa separação não inibe a cooperação entre estado e religião, sempre que a cooperação seja voltada para o interesse público. Porém, essa cláusula de nossa Constituição tem sido gradativamente desconsiderada. Cada vez mais temos representações religiosas cristãs no Congresso Nacional. Poderíamos perguntar: qual é o problema disso? Um parlamentar não pode ter religião? Sim, é claro que pode. No entanto, o que tem acontecido no Brasil é diferente. Aqui, os parlamentares religiosos atuam a partir das doutrinas, dogmas e valores da sua tradição de fé. Essa prática é incoerente com a Constituição. Quando uma pessoa assume uma função pública ela precisa atuar em favor do conjunto da sociedade. O que rege os espaços de política representativa é a Constituição Federal e não preceitos dessa ou daquela religião.

A presença religiosa no Congresso Nacional tem reforçado agendas que são contrárias ao meio-ambiente, contrárias às demarcações de terras indígenas e quilombolas, desconsideram a melhoria das políticas públicas para as mulheres e têm se posicionado contrários à diversidade religiosa brasileira.

As posturas quase nada abertas para o diálogo do parlamento também tem se refletindo na sociedade. Basta ver a perseguição sofrida pelas pessoas de tradições africanas, indígenas, muçulmanas, judaicas. Em muitos municípios tramitam, por exemplo, leis que querem proibir o abate de animais nas celebrações de matriz africana. Em outros, impedem que crianças indígenas frequentem as escolas com suas pinturas e tem surgido a intolerância e perseguição a muçulmanos com base na lei anti-terrorismo. Apesar disso, estas tantas tradições de fé não estão representadas no Congresso Nacional. Não há quem fale por elas.

Poder-se-ia dizer que elas também podem se candidatar e concorrer a cargos. Minha resposta seria não. No ambiente de representação política as pessoas precisam orientar-se com base em valores republicanos e democráticos, pois elas devem trabalhar e atuar olhando o conjunto da sociedade.

Por fim, essa simbiose entre religião e política, impacta diretamente na vida das mulheres. Não é raro ver parlamentares desrespeitando parlamentares mulheres. Mas, são estes parlamentares que decidem sobre leis relacionadas à vida das mulheres. Nosso país é patriarcal. Para o patriarcalismo não cabe à mulher a autonomia. Orientados por valores religiosos, parlamentares propõem projetos de lei que negam um conjunto de direitos para as mulheres.

O baixo percentual de representação de mulheres no Congresso faz com que a força das mulheres para lutar por leis que garantam a igualdade seja desproporcional em relação a dos homens. Um exemplo recente foi a aprovação da reforma trabalhista, que, entre outras coisas, possibilita que mulheres grávidas e lactantes trabalhem em locais insalubres de grau baixo e médio.

Todas essas questões e muitas outras têm relação direta com o sistema político. Por isso, o “ Distritão” não é um sistema democrático, pois além de encarecer as eleições, ele não garante a igualdade de condições para as pessoas concorrerem. Grupos sociais economicamente mais fragilizados jamais terão chance de concorrer com pessoas das antigas elites ou representantes delas.

Creio que a resposta à pergunta se o “ distritão” impacta nas nossas vidas está respondida. É justamente porque este sistema não favorece a democracia que ele está sendo articulado às escondidas. Como sociedade é importante que nos apropriemos dessa discussão e não aceitemos que algo tão relevante seja definido sem nós. Não cabe ao Congresso decidir as coisas relacionadas às nossas vidas sem ouvir a nossa voz.

Fonte: Inesc
Foto: Reprodução

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“Leis que construam pontes de diálogo e que promovam um maior cuidado pelos indefesos e marginalizados, recordando que ninguém deve ser descartado, em nenhuma fase da vida.” Esta foi em síntese a exortação do Papa Francisco, no último domingo, 27, aos participantes do encontro da Rede Mundial de Legisladores Católicos.

Francisco alegrou-se, em particular, em saber do aumento do número de participantes no encontro, o que faz crescer assim a “representação de uma ampla gama de experiências políticas e legislativas, evidenciando ainda mais claramente uma realidade humana coletiva que reflete a universalidade da Igreja”.

De modo particular, esta alegria deveu-se ao crescimento da participação de legisladores vindos de países africanos: “Este ano, não obstante o cenário seja caracterizado por uma série de temas urgentes, vocês colocaram a atenção na visão cristã da pessoa humana. Vos encorajo, uma vez retornados às vossas respectivas nações, a fazerem referência aos frutos de vossa reflexão sobre como a fé católica leva a uma justa compreensão da pessoa”.

“Mesmo que a contribuição da Igreja às grandes questões da sociedade de nosso tempo possa ser muitas vezes colocada em discussão - observou o Papa - é vital que o vosso empenho seja permeado continuamente pelos seus ensinamentos morais e sociais, para construir uma sociedade mais humana e justa”.

“As leis que vocês promulgam e aplicam devem construir pontes de diálogo entre as diversas perspectivas políticas”, para “promover um maior cuidado pelos indefesos e marginalizados, especialmente os muitos que são obrigados a deixar a sua pátria, como também para favorecer uma correta ecologia humana e natural”.

“Em meio aos sofrimentos dos povos – disse Francisco – vos exorto a olhar para Cristo, cujo amor vos inspirará a fazer com que o Espírito, por meio de uma troca de dons, possa nos conduzir sempre mais à verdade e ao bem”.

Antes de conceder a sua bênção, o Papa recomendou os parlamentares a levarem em seus trabalhos profissionais “a Boa Nova de Jesus de que ninguém é insignificante, ninguém deve ser descartado, em nenhuma fase da vida”, confiando por fim as populações por eles servidas à proteção de Nossa Senhora, Mãe da Igreja.

Esta rede de parlamentares católicos (International Catholic Legislators Network) foi criada em 2010 com o apoio do Arcebispo de Viena, Cardeal Christoph Schönborn e de David Alton, membro católico da Câmara dos Lordes.

Fonte: Rádio Vaticano

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O encontro em que a moderadora do Comitê central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Agnes Abuom, e o secretário geral do mesmo organismo ecumênico, Rev. Olav Fykse Tveit, tiveram na manhã da última quinta-feira (24/08) com o Papa Francisco no Vaticano concluiu-se com uma oração comum pela unidade, a paz e a reconciliação.

Estiveram no centro dos colóquios o estado do movimento ecumênico e a prioridade para as Igrejas de trabalhar pela causa da unidade cristã, “vital para levar a autêntica contribuição de justiça para as grandes questões do mundo”.

“Somos muito gratos pelo encontro muito construtivo e frutuoso que tivemos esta quinta-feira com o Papa Francisco”, disse o Rev. Tveit. “Vivemos num momento em que a finalidade e os objetivos do movimento ecumênico se tornaram relevantes” porque num “mundo sempre mais dividido e frágil”, as Igrejas devem tender à “nova busca de unidade” para contribuir para a “unidade do gênero humano”.

Agnes Buon explica: “A unidade da Igreja e a unidade da humanidade estão entrelaçadas”. “As múltiplas expressões de polarização, as maiores disparidades entre ricos e pobres, as várias manifestações de extremismo e violência, as preocupações com o futuro do planeta Terra e a falta de responsabilidade com a nossa casa comum e o futuro são um estímulo constante a prosseguir sobre aquilo que estamos trabalhando”.

Os representantes do Conselho Mundial de Igrejas falaram com o Papa Francisco também sobre mudanças climáticas, justiça econômica e sobre o papel que as Igrejas podem ter para construir a justiça e a paz no mundo.

“O futuro da humanidade está ameaçado”, disse o pastor Tveit, dirigindo-se ao Pontífice. “Os pobres estão cada vez mais pobres e recaem sobre eles as piores consequências do que está acontecendo no mundo. Pedimos ao senhor e à Igreja católica que se una a nós na mobilização rumo a uma verdadeira mudança de mente, de coração e de prioridade”, disse Tveit.

Os membros do Conselho Mundial de Igrejas são convidados do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos cristãos e a delegação do CMI pôde encontrar Flaminia Giovanelli, subsecretária do Pontifício Conselho para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, com a qual falou de justiça climática e sobre a Conferência sobre o clima Cop23 que se realizará em Boon, na Alemanha, bem como sobre migrações e xenofobia.

Fonte: Rádio Vaticano

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Lema bíblico: É o amor de Cristo que nos move (2Co. 5.14-20) 

Reunidas e reunidos num espírito de encontro fraterno, diálogo, reflexão e oração, na XVII Assembleia Geral do CONIC, realizada em Brasília, nós Delegadas e Delegados das Igrejas membro, Representantes dos Regionais e Estaduais do CONIC e dos Membros Fraternos. Animadas e animados pela promoção da unidade cristã, do diálogo inter-religioso e do cuidado da criação, celebramos conjuntamente os 500 anos da reforma e vivenciamos a comunhão ecumênica.

O tema central da nossa reflexão foi os 500 anos da Reforma da Igreja, revisitada numa perspectiva histórica, teológica e contextual . O objetivo foi compreender a herança comum da Reforma do século XVI para as Igrejas hoje. Constatamos que Lutero não foi um autor isolado do processo reformatório iniciado no seu tempo, mas catalisador de aspirações que há tempos buscavam mudanças eclesiásticas e desencadeou um processo de renovação a partir da volta ao centro da fé cristã: o próprio Cristo, testemunhado pela Escritura.

Motivadas e motivados pela fé comum em Jesus Cristo, Filho do trino Deus, quem salvou a nós, pecadores e pecadoras, e propiciou a justificação por graça mediante a fé, podemos assumir como nossa herança comum da Reforma do século XVI: uma espiritualidade transformadora; uma compreensão de igreja mais bíblica e patrística que equilibre o mistério e o direito, a doutrina e a espiritualidade, a instituição e a profecia; um projeto de missão que afirme processos de diálogo, cooperação e comunhão e uma atuação profética na sociedade. E nos colocamos no caminho do diálogo e da reconciliação, o qual precisa ser percorrido na consciência que a igreja sempre necessita de reformas.

Afirmamos que o diálogo ecumênico e a pesquisa acadêmica nos permitem adotar uma nova perspectiva sobre o Reformador do século XVI. Na postura de um ecumenismo de recepção, de mútuo aprendizado. Concretamente, para estreitarmos as relações entre nossas Igrejas nos propomos: 1) acolher a herança e os compromissos comuns já identificados no diálogo até aqui realizado; 2) expressarmos a nossa vontade ecumênica por uma fé comum cuja expressão central é: “É somente pela graça por meio da fé na ação salvífica de Jesus Cristo, e não com base aos nossos méritos, que somos aceitos por Deus e recebemos o Espírito Santo que renova os nossos corações, nos habilita e nos chama a realizar boas obras”, 3) Possibilitar a criação de estruturas eclesiais mais acolhedoras em nossas comunidades.

Compreendemos que a Reforma não começou e nem encerrou com Lutero. O processo da Reforma é uma volta às fontes no intuito de progredir para o futuro, passando por uma interpretação do presente. Portanto, é um processo continuo do qual também fazemos parte. Precisamos sempre de novo uma conversão pessoal, estrutural e pastoral, em todas as comunidades. Lembremos da importante experiência de Reforma na América Latina do século XX, que uniu cristãs e cristãos de muitas igrejas na luta popular por justiça e libertação, motivadas e motivados pela leitura popular, contextual e ecumênica da Bíblia.

Queremos profundas transformações no processo econômico, político, religioso e cultural que gestem um novo Brasil. E assumimos o dever, como igrejas, de contribuir para que na sociedade na qual vivemos aconteçam as transformações necessárias para a promoção e defesa da vida, da justiça e da paz.

Destacamos especialmente o acolhimento por unanimidade como membro pleno do CONIC da Aliança de Batistas do Brasil, sendo este um sinal visível da unidade que queremos construir permanentemente e constituindo um importante avanço na caminhada ecumênica. E neste sentido queremos proclamar nossa alegria pela inserção de forma, agora oficial, desta igreja irmã em nosso meio.

No espírito do amor de Cristo que nos move, reafirmamos nosso compromisso na busca de uma igreja sempre em reforma e na caminhada e construção da unidade na diversidade.

Brasília, 24 de agosto de 2017.

Assinam:

Igreja Católica Apostólica Romana
Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil
Igreja Episcopal Anglicana do Brasil
Igreja Presbiteriana Unida
Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia
Aliança de Batistas do Brasil

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