O Conselho Mundial de Igrejas, a Act Alliance e a Federação Luterana Mundial – que juntas representam mais de meio bilhão de cristãos no mundo inteiro – lançaram um apelo em favor de uma ação conjunta sobre a justiça climática, refere o jornal vaticano “L’Osservatore Romano”. Lançado dias atrás, o apelo é o maior na história desta natureza.
 
Numa mensagem conjunta, os líderes das três organizações religiosas convidaram os participantes da Conferência das Nações Unidas a confirmar o Acordo assumido em Paris e a torná-lo praticável para poder dar início a uma ação responsável e ambiciosa.
 
Regulamento para estabelecer modalidades de implementação do Acordo de Paris
 
A Cop23 está em andamento em Bonn, na Alemanha, até a sexta-feira da próxima semana, 17 de novembro. Presidida neste caso pela República das Ilhas Fiji, a conferência deverá dar passos na redação de um regulamento que estabeleça as modalidades de implementação do Acordo de Paris (Cop21).
 
As negociações de 195 países, mais a União Europeia, são chamadas a progredir sobretudo na redução das emissões de gases produtores do efeito estufa. Após o Acordo de Paris, aprovado dois anos atrás e em vigor desde 4 de novembro de 2016, líderes mundiais são chamados à tarefa mais difícil: superar a discrepância entre os objetivos fixados pelo Acordo e as contribuições nacionais voluntárias.
 
Reduzir o quanto antes emissões de gás nocivo no ambiente
 
A esse respeito, o primeiro-ministro das Ilhas Fiji, Frank Bainimarama, pediu uma ação concreta mais urgente para reduzir o quanto antes as emissões de gases nocivos no ambiente.
 
“Devemos agir juntos em favor da justiça climática. Especialistas provenientes de nossas organizações intervirão para assegurar que os resultados da Cop23 reflitam as exigências e os direitos dos mais vulneráveis”, declarou o secretário geral de Act Alliance, Rudelmar Bueno de Faria.
 
Mudança climática deve ser enfrentada
 
Segundo o secretário geral da Federação Luterana Mundial, pastor Martin Junge, a mudança climática “é uma realidade que deve ser enfrentada de modo concorde. Ouvimos as histórias, a dor e as fadigas”.
 
Nessa mesa linha pronuncia-se também o secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas, Olav Fykse Tveit. “Aproveitemos novamente esta importante oportunidade da Cop23 para tomar decisões que nos levem na justa direção. Ao centro encontram-se todos aqueles que neste momento mais sofrem, ameaçados por aquilo que está acontecendo”, disse Tveit.
 
Enfrentamento mudança climática: compromisso comum de caminhar juntos com suas Igrejas e seus fiéis
 
Apoiando, em particular, as populações das Ilhas Fiji, os três líderes ecumênicos expressaram seu compromisso comum de continuar caminhando juntos com suas Igrejas e seus fiéis para enfrentar as questões e os desafios urgentes sobre a mudança climática naquela região do mundo, pedindo que seja assegurada uma contribuição financeira a fim de permitir aos países em desenvolvimento adaptar-se às necessidades do ambiente, enfrentando e mitigando perdas e danos econômicos que podem registrar-se.
 
Bueno de Faria, Junge e Tveit recordaram que “é nossa reponsabilidade comum” o cuidado com a Terra. O planeta, reitera-se mais uma vez, “já superou os níveis de segurança em relação ao efeito estufa. E se estes níveis não forem rapidamente reduzidos corre-se o risco de criar impactos irreversíveis para centenas de milhões de pessoas no mundo”. 
 
Por: Rádio Vaticano
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Parte da história de três comunidades destruídas pelo rejeito da Mineradora Samarco parecia perdida depois da tragédia, há dois anos. Além dos pertences de centenas de famílias, três igrejas históricas dos distritos de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira foram invadidas pela lama. Mas nem tudo foi perdido. Comunidade e especialistas de diversas formações se uniram para resgatar os objetos sacros e partes das igrejas, para que fossem restaurados.
 
Para mostrar como a vida desses moradores foi alterada pelo acidente com a barragem da Mineradora Samarco, a Agência Brasil e a Rádio Nacional veiculam uma série de reportagens sobre a situação nas áreas atingidas pela lama. A tragédia completou dois anos no dia 5 de novembro.
 
O trabalho de recuperação desses objetos começou depois de um acordo entre o Ministério Público de Minas Gerais e a Samarco. A Fundação Renova, financiada pela mineradora para executar as ações de reparação pela tragédia, criou a Reserva Técnica, que hoje já tem mais de 2 mil peças, entre partes de altar, colunas, imagens de santos, pedaços minúsculos como cabeças ou mãos das estátuas.
 
Tudo estava espalhado entre uma área de mais de 100 quilômetros de lama e muita coisa ainda não foi encontrada. Da Capela de São Bento, cujo primeiro registro é de 1817, não sobrou mais que a fundação e os escombros. Para entrar na Capela de Nossa Senhora da Conceição, em Gesteira, foi um ano de trabalho para retirar todo o rejeito que cobriu boa parte do prédio e do entorno. Foram usadas técnicas de arqueologia para recuperar parte dos objetos.
 
As peças foram resgatadas em estado de conservação variado. Algumas imagens ainda contavam com as apuradas técnicas de pintura e até mesmo os olhos de vidro dos santos. Já a estátua de Jesus na Via Crucis, da capela de Gesteira, perdeu quase todo o pigmento. A restauradora Mara Fantini diz que o minério de ferro contribui para esse desgaste.
 
Uma estátua de Jesus crucificado, considerada obra erudita por Mara, era analisada pela equipe de restauro no momento em que a reportagem esteve no local. Um microscópio digital ampliava um trecho da imagem em que se via três tonalidades predominantes. Um era a “carnificação”, como é chamada a pintura da pele. A outra, a chaga de sangue no peito. Uma terceira faz parte da história recente: a chaga de lama.
 
De acordo com a restauradora, nem tudo poderá ser recuperado. Tudo é analisado caso a caso. Mas a questão levantada pelo grupo – que deve ser decidida pela comunidade e pela Arquidiocese – é se elas deveriam ser restauradas. “Se são passíveis de ser restauradas, será que eles vão querer que restaure? Ou será que vão preferir que essas peças fiquem com as marcas dessa tragédia?”.
 
Novos valores
 
Nem tudo na reserva técnica é objeto sacro. Estão armazenados papel de bala e salgadinho, caderno antigo, microfone, colar, garrafa quebrada, flores de plástico, muita coisa que iria para o lixo em qualquer outra ocasião. Mas não ali. Depois da lama, cada detalhe conta uma história para a população atingida,afirma Mara Fantini.
 
“Porque a partir do momento em que aqueles objetos estavam dentro das capelas, e as comunidades reconhecem ao ver esses objetos... ah, é uma flor de plástico. Só que a essa flor de plástico foi agregado um valor que ela não tinha antes. É uma flor de plástico que estava no interior da igreja no momento da tragédia. Tudo é história”
 
Outros objetos têm importância para os costumes católicos, mas, fora de contexto, poderiam passar despercebidos. Uma garrafa pet com água que foi encontrada durante as escavações não parecia ser importante. Graças à tentativa de guardar absolutamente tudo que existia no interior das igrejas, ela foi levada. Ao ser limpa, foi encontrada uma etiqueta. Era água benta, que o padre havia levado para a comunidade dois dias antes da tragédia. “As pessoas se comoveram muito”, conta Mara. “Podem até usar para abençoar a nova comunidade”.
 
Tradição contra a depressão
 
Dois anos depois da tragédia, outro tipo de memória, que estava enterrada no cotidiano da comunidade de Gesteira, permite agora um recomeço para mulheres da parte alta do distrito, que não foi soterrada pela lama, mas sofreu com a perda da igreja, da escola, dos vizinhos da parte baixa, e que vão ser reassentados. É a culinária típica da região.
 
Feijão tropeiro com fubá, pipoca de polvilho, torresmo, couve rasgada. E os doces! Canutilhos feitos em forma artesanal, um a um, com recheio de doce de leite mole. Arroz doce com rapadura. Angu tolo. Tudo vai virar produto para a Cooperativa Rural de Gesteira, criada recentemente com o apoio da Renova. Uma das cozinheiras, Maria Claudiana da Costa, diz que os danos psicológicos na comunidade foram numerosos. As pessoas pensavam que Gesteira seria esquecida. O projeto, segundo ela, ajuda a transformar essa realidade.
 
“Antes dessas coisas acontecerem, nos primeiros meses a gente ficou muito abatido. Meu pai precisou passar no psicólogo. A gente ficou muito para baixo, principalmente os idosos. A gente falou: acabou.... agora, a nossa autoestima está voltando. Claro que a gente sabe que tem a parte negativa, mas também tem a parte positiva, que é essa daí, do doce... A gente realmente tinha um tijolo na mão e não valorizava. Isso era feito no fim do ano, para receber a família. Às vezes até perdia, ficava lá. Não tínhamos a consciência da riqueza - agora temos - e o valor da nossa comunidade”, conta Maria.
 
Por enquanto, a cooperativa recebe funcionários da Renova, expedições de jornalistas e demais pessoas que passam pela região. A venda de doces e artesanato, como bordados, também vai ser feita por encomenda. Já existe um pedido de Belo Horizonte, segundo as cozinheiras. Uma página no facebook foi criada para divulgar o trabalho.
 
Para não esquecer
 
Mesmo com os avanços, a memória que está viva entre os moradores e nas ruínas dos distritos não é esquecida. Na avaliação das vítimas, nem deveria. Para a Comissão de Atingidos, o Brasil tinha que preservar o que ficou, para ensinar às futuras gerações.
 
“A gente pretende que os nossos territórios se tornem espaços de reflexão, para que nunca mais se repita o que aconteceu aqui”, defende uma das integrantes da comissão, Luzia Nazaré Mota Queiroz.
 
O Termo de Transação de Ajustamento de Conduta, firmado entre a Samarco, a União e órgãos do Espírito Santo e de Minas Gerais, prevê a criação de “centros de memória”, mas, segundo a Fundação Renova, ainda não está definido como e onde esses centros serão criados. Uma coisa é certa: se depender das vítimas, o maior desastre socioambiental do país não será esquecido.
 
Fonte: Agência Brasil
Foto: José Cruz/Agência Brasil
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"Que sejam um" (Jo. 17,21)
 
Jesus, na sua última ceia, elevou ao Pai uma suplicante oração: "Pai, que eles sejam um, como nós somos um...para que o mundo creia que tu me enviaste".
 
A união entre os discípulos de Jesus Cristo é uma marca distintiva da caridade que gera a fraternidade e testemunha ao mundo o amor de Deus por todos os seres humanos. Na comunidade dos discípulos deve haver um só coração e uma só alma.
 
O pecado gera a desconfiança, a rivalidade, o medo, o ódio e enfim a busca de vingança entre os seres humanos: é a trágica realidade representada pela “Torre de Babel” (Gn. 11,1-9). Jesus veio a este mundo para reconduzir a si todas as coisas, para congregar todas as filhas e os filhos de Deus dispersos, abrindo a única via capaz de levar os seres humanos à plenitude da vida, e esta via passa pela superação das nossas divisões, sejam elas de nível cultural, racial, econômico, político ou mesmo religioso.
 
Para os cristãos, chamados a ser sinal do Reino de Deus no mundo, o estar divididos entre si, não pode deixar de ser um escândalo para aqueles que não creem em Jesus Cristo. Por motivo das nossas divisões, o nosso anúncio do Evangelho aparece doente, enfraquecido e desorientado. Aquilo que deveria ser luz tornou-se, ao longo da história, chegando até os nossos dias, elemento de disputas intermináveis, de “verdades” sempre mais refinadas, complicadas e secundárias que impedem a busca da Única Verdade que é Cristo, de excomunhões históricas e condenações mútuas (Cisma do Oriente em 1054, entre as Igrejas de Constantinopla e Roma), de preconceitos produtores de acusações infundadas, de medo e de desconfiança.
 
O Papa João XXIII, a partir de sua experiência como diplomata eclesiástico na Turquia, conheceu de perto as Igrejas Ortodoxas e também as Antigas Igrejas Orientais. Este fato o levou a preocupar-se, especialmente, com esta difícil divisão da Igreja de Cristo, sobretudo porque tal divisão teve como causa motivos mais políticos que dogmáticos. A busca de promover uma maior unidade entre os cristãos foi uma das motivações que animou o Concílio Vaticano II (1962) desde o seu início. Como marco histórico, da parte da Igreja Católica, foi à postura do Papa João XXIII em convidar, dentre outros, a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia a participar do Concílio Vaticano II, como observador. Na época, o Patriarca era: Sua Santidade Moran Mor Ignatius Jacoub III (1957-1980), que designou para participar destas Seções do Concílio Vaticano II, seu Secretário Patriarcal, que posteriormente, veio a sucedê-lo na Sé Petrina de Antioquia, o Patriarca Zakka I, Iwas (1980-2014). O Papa Paulo VI, seguindo o caminho aberto por João XXIII, empenhou-se também no diálogo com o mundo cristão protestante, com os hebreus e os muçulmanos.
 
A esta busca de reaproximar os discípulos de Cristo dispersos, dá-se o nome de ECUMENISMO. O Concílio emanou um Decreto sobre o ecumenismo cristão, chamado: Unitatis Redintegratio - UR (21-11-64); e uma Declaração sobre o diálogo com as religiões não cristãs, intitulado: Nostra Astate - NA (28-10-65). O Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos publicou um Diretório para a Aplicação dos Princípios e Normas sobre o Ecumenismo (nr. 132).
 
Depois do Concílio, foram promulgados vários documentos da Santa Sé e de várias Conferências Episcopais sobre o Ecumenismo, mas, sobretudo, foram dados passos concretos na busca do diálogo entre as grandes denominações cristãs. Digno de nota foram os vários encontros promovidos em Malta para o diálogo entre católicos e luteranos. Estes encontros, além de esclarecer uma série de mútuos preconceitos que as duas comunidades nutriam uma no que toca a outra, abriram a estrada para a recentíssima declaração conjunta de Católicos e Luteranos sobre a Justificação: Declaração conjunta sobre a doutrina da Justificação (31-10-99).
 
Os Papas Paulo VI e João Paulo II promoveram muitos encontros com chefes das grandes denominações cristãs e não cristãs em vista de um diálogo de comunhão e de mútuas relações. Recordemos o encontro de Paulo VI com o Patriarca Atenágoras e com o chefe da Igreja Anglicana; os vários encontros de João Paulo II com os Patriarcas Ortodoxos, os encontros Ecumênicos pela Paz, bem como aqueles com as comunidades hebraicas e muçulmanas.
 
Sobre as Antigas Igrejas Orientais, destaca-se a Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, onde o Papa Paulo VI e o Patriarca Ignatius Jacoub III, assinaram uma Declaração Conjunta (1971); e reafirmado a Declaração Comum, entre o Papa João Paulo II e o Patriarca Ignatius Zakka I, Iwas (1984); o Papa Francisco I e o Patriarca Ignatius Aphrem II (2015), ratificam tal Declaração Comum para ambas as igrejas.
 
No Brasil, através do CONIC, houve um Ato do Reconhecimento Mútuo da Administração do Sacramento do Batismo entre Igrejas-Membro do CONIC (2007).
Em particular, em Brasília temos o Grupo Ecumênico de Brasília – GEB que desenvolve diversas iniciativas de caráter ecumênico para estreitar laços comuns de comunhão e participação.
 
O Ecumenismo passa por vários passos. O primeiro deles é o mútuo respeito, a compreensão dos vários pontos de vista, e a busca de uma hierarquização das Verdades fundamentais da fé. Outro elemento importante é aquele da mútua ajuda no que se refere à promoção da dignidade humana, tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica – CFE 2000 e posteriormente, de outras Campanhas da Fraternidade Ecumênicas, cedidas pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), da Igreja Católica ao Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) – CFE: 2005 – 2010 – 2015. A caridade de Cristo nos une mais do que as nossas doutrinas, muitas vezes ocasião de divisões e mal-entendidos, por isso um campo privilegiado de diálogo é aquele que nos une no serviço aos mais necessitados e marginalizados.
 
Empenhemo-nos na busca do diálogo e da concórdia entre os cristãos, de modo que possamos ser um só rebanho guiado pelo único pastor: Jesus Cristo, morto e ressuscitado, único mediador entre nós e o Pai.

Texto: Monge Isaac Souza, Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia (ISOA)
Foto: Acervo Pessoal
 
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Sexta-feira e sábado próximos, 10 e 11 de novembro, vai se realizar na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano, o Simpósio Internacional intitulado “Perspectivas por um mundo livre das armas nucleares e por um desarmamento integral”, organizado pelo Dicastério vaticano para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
 
O prefeito do Dicastério, Cardeal Peter Turkson, observa que “o evento responde às prioridades do Papa Francisco para a paz e pelo uso dos bens da criação em favor do desenvolvimento e uma justa qualidade de vida para todos, indivíduos e povos, sem distinção”.
 
O secretário do Dicastério, Mons. Bruno Marie Duffé, ressaltou na Conferência da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), realizada em Viena, na Áustria, de 18 a 22 de setembro passado, a importância da “responsabilidade moral dos Estados” e do desafio de uma “estratégia comum de diálogo”, evocadas pelo Santo Padre.
 
Tratado sobre banimento das armas nucleares assinado após anos de intensas e árduas negociações
 
Trata-se do primeiro encontro global sobre o desarmamento atômico após a aprovação do “Tratado sobre o banimento das armas nucleares”, assinado por 122 países da comunidade internacional (entre os quais a Santa Sé), em Nova York, em 7 de julho de 2017, após anos de intensas e árduas negociações, e aberto para assinatura na metrópole estadunidense em 20 de setembro passado.
 
A esse propósito, o Simpósio terá a participação conjunta de 11 Prêmios Nobel da Paz, de expoentes da Onu e da Otan, de diplomatas representantes dos Estados entre os quais a Rússia, EUA, Coreia do Sul e Irã, bem como dos máximos especialistas no campo dos armamentos e expoentes de fundações, organizações e da sociedade civil há tempo engajados ativamente sobre o tema.
 
Estarão igualmente presentes, além de representantes das Conferências episcopais e de Igrejas, a nível ecumênico e de outros credos, também delegações de docentes e estudantes provenientes de Universidades dos EUA, Rússia e União Europeia.
 
Simpósio terá testemunho de um dos últimos sobreviventes do bombardeio de Hiroshima
 
Será particularmente significativo o testemunho de Masako Wada – secretário geral assistente da Nihon Hidankyo –, um dos últimos sobreviventes do bombardeio de Hiroshima, que se pronunciará representando as vítimas das armas atômicas, e todas as vítimas dos outros experimentos nucleares.
 
A Santa Sé será representada pelo secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, e por expoentes do Dicastério. O Papa Francisco receberá os participantes em audiência na Sala Clementina, na sexta-feira, dia 10, ao meio-dia (hora local), aos quais dirigirá um discurso.
 
Por Rádio Vaticano
Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa
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O Dia Mundial de Luta contra a AIDS é celebrado em todo o mundo no dia 1º de dezembro. No Brasil, há vários anos a Pastoral da Aids vem implementando, nesta data, iniciativas e ações com o objetivo de informar e orientar toda a população sobre a epidemia do HIV/Aids e da necessidade do diagnóstico precoce para o HIV. Além disso, a campanha busca acompanhar e apoiar as pessoas que se descobrem portadoras do HIV na realização do tratamento precoce, para evitar o adoecimento e ter uma melhor qualidade de vida.
 
Este ano o trabalho será concentrado no tema: “Em defesa do Sistema Único de Saúde (SUS), contra o HIV”. A ideia é que toda a Igreja, bispos, padres, pastorais e leigos a se engajarem na luta contra a Aids e principalmente na informação e orientação para que a população vá à rede pública de saúde buscar o diagnóstico precoce para HIV. O teste é rápido, seguro e sigiloso, está disponível na rede de saúde e é um direito de todos.
 
“Os avanços da medicina, o esforço de gestores e o empenho da sociedade civil fizeram da Aids uma doença tratável. Com o conhecimento das tecnologias é possível viver com qualidade, mesmo tendo HIV. É o SUS que garante estes avanços. Apoiar o SUS é apoiar a resposta brasileira contra a Aids. Para melhorar a qualidade de vida e evitar novas infecções e óbitos por causa do HIV é preciso fortalecer e ampliar a rede de cuidados”, esclarece a coordenação nacional da Pastoral da Aids.
 
A campanha será realizada pelos agentes da Pastoral da Aids e de outras pastorais nas dioceses do Brasil, a partir do dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids.
 
Outras frentes
 
O Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das IST, do HIV/Aids e das Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde também prepara uma campanha que vai trabalhar a Prevenção Combinada do HIV. A proposta é ampliar a gama de opções que os indivíduos possuem para a prevenção contra o vírus e oferecer mais alternativas cientificamente eficazes, por meio da combinação de novas estratégias comportamentais e biomédicas baseadas em direitos humanos e informadas por evidências.
 
A prevenção combinada engloba, além do uso do preservativo, o tratamento como prevenção, a Profilaxia Pós-exposição (PEP) e a Profilaxia Pré-exposição (PrEP). Todas essas novas estratégias devem ser vistas e consideradas como novas opções no leque de estratégias que compõem a prevenção combinada ao HIV.
 
Por CNBB
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Nesta quarta-feira, 8 de novembro, teve início, em Marabá (PA), a Missão Ecumênica em apoio aos camponeses e camponesas do estado. Às 11 horas da manhã (horário local), no Centro de Formação da Diocese de Marabá, foi realizada coletiva de imprensa que abordou os objetivos dessa ação, assim como o grave contexto de violência no campo.
 
A Missão Ecumênica, que ocorre entre os dias 8 e 10 de novembro, é uma iniciativa do Fórum Ecumênico ACT Aliança Brasil (FEACT-Brasil), Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC), Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), Centro de Estudos Bíblicos (CEBI), Comissão Pastoral da Terra (CPT), Comitê Brasileiro de Defensoras e Defensores de Direitos Humanos (CBDDH), e Processo de Articulação e Diálogo Internacional (PAD). A ação tem como objetivo prestar solidariedade e apoio às famílias e comunidades atingidas pela violência do campo, cobrar providências das autoridades locais, e convocar igrejas e pastorais para que se posicionem contra a violência no campo.
 
Nos municípios de Marabá e Redenção, a comitiva, formada por cerca de 20 pessoas – líderes de diversas igrejas e movimentos religiosos brasileiros, assim como organizações de direitos humanos de todo o país –, debaterá a violência no campo, se reunirá com representantes do Ministério Público Federal (MPF) e com acampados e acampadas na região.
 
Um dos locais visitado pela comitiva é o Acampamento Jane Júlia, localizado na Fazenda Santa Lúcia, no município de Pau D’Arco (PA), onde estão as famílias remanescentes do massacre ocorrido em 24 de maio deste ano. Naquele dia, dez trabalhadores rurais, nove homens e uma mulher, foram mortos em uma ação da Polícia Militar e Polícia Civil do estado. O Massacre de Pau D’Arco é considerado o maior desde Eldorado do Carajás, em 1996. O aumento exponencial da violência no campo, em especial no Pará, é preocupante. Até o momento, conforme dados da CPT, 64 pessoas foram assassinadas em contexto de conflitos no campo no Brasil. Destas mortes, 20 ocorreram somente no estado do Pará.
 
Além dos homicídios, atualmente, conforme a CPT e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), cerca de 8 mil pessoas estão sendo expulsas de suas casas e tendo suas plantações destruídas em decorrência de uma operação de despejo iniciada em Marabá na semana passada. Por ordem do Governo do Estado, 115 policiais do Batalhão de Choque da PM permanecerão na região por tempo indeterminado para cumprir liminares em 20 fazendas localizadas nos municípios próximos a Marabá. 
 
Mais informações sobre a Missão Ecumênica: Geuza Morgado: (94) 99136-1143 / Gisele Barbieri: (61) 98175-9054 / Luana Almeida: (71) 99349-4560 / Mario Campagnani: (94) 99191-8424 - (21) 99849-2025.
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Fundação Pontifícia Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) apresentou recentemente, em Roma, o documento “Perseguidos e esquecidos – Relatório sobre os cristãos oprimidos por causa da fé entre 2015 e 2017”, que revela aumento da perseguição religiosa nos últimos anos.
 
Entre agosto de 2015 e julho de 2017, os cristãos continuaram sendo vítimas do fundamentalismo, do nacionalismo religioso e dos regimes totalitários.
 
O estudo examina profundamente a realidade de países nos quais a falta de liberdade religiosa dos cristãos é mais intensa. Os países analisados foram o Iraque, a Síria, o Egito, a Nigéria, a Índia, o Paquistão, a China, a Coreia do Norte, a Eritreia, a Turquia, a Arábia Saudita, o Irã e o Sudão.
 
O relatório anterior (2013-2015) já tinha registrado uma piora na situação, mas este novo documento aponta que a violência contra os cristãos aumentou mais ainda.
 
“Entre 2015 e 2017, os cristãos sofreram crimes contra a humanidade: alguns foram enforcados ou crucificados, algumas mulheres violentadas e sequestradas e outras desapareceram para sempre”.
 
Casos gravíssimos: Arábia Saudita e Coreia do Norte
 
Na abordagem por países, o relatório afirma que, na Arábia Saudita e na Coreia do Norte, “a situação é tão dramática que não é possível piorar”. A Coreia do Norte é o país onde ocorre hoje “a perseguição mais perversa e as crueldades mais indescritíveis contra os cristãos, incluindo a negação de comida e o aborto forçado. Também foram registrados casos de fiéis amarrados a cruzes e queimados vivos, assim como outros esmagados por compressores a vapor”.
 
Oriente Médio: genocídio
 
No Oriente Médio, o êxodo forçado de cristãos iraquianos é tão grave que “uma das comunidades cristãs mais antigas do mundo corre o risco de desaparecer dentro de três anos se a situação trágica atual não melhorar”.
 
Esse êxodo de cristãos também afeta a Síria, especialmente a cidade de Alepo, que antes abrigava a maior comunidade cristã de todo o Oriente Médio.
 
O relatório denuncia: “O Estado Islâmico e outros grupos armados islamistas cometeram genocídio contra os cristãos na Síria e no Iraque (…) No Oriente Médio, os governos ocidentais e as Nações Unidas não conseguiram oferecer ajuda de emergência enquanto ocorria o genocídio”.
 
Em paralelo, o documento agradece pelo trabalho das organizações e instituições cristãs, sem o qual “não se conseguiriam cobrir essas necessidades e a presença cristã teria desaparecido totalmente no Iraque e em países próximos”.
 
Índia e China: intolerância até por parte do governo
 
Os últimos dois anos na Índia também foram piores para os cristãos, que sofreram maior número de ações violentas e repressões instigadas pelo nacionalismo religioso. Os ataques vêm aumentando desde 2014, quando o partido conservador nacionalista hindu chegou ao poder.
 
Por sua vez, o presidente da China descreveu o cristianismo como “uma infiltração estrangeira” e aumentou a hostilidade contra as comunidades cristãs, acusadas de resistirem ao governo. A China removeu uma infinidade de cruzes e destruiu edifícios religiosos cristãos. Autoridades locais chegaram a proibir, em algumas áreas, até mesmo as árvores de Natal e os cartões com motivos cristãos.
 
África: perseguição e mais genocídio
 
No Egito, os cristãos também estão em situação pior que há dois anos. O relatório da Ajuda à Igreja que Sofre recorda, por exemplo, o atentado ocorrido em dezembro de 2016 no Cairo, onde ao menos 29 pessoas foram mortas e mais de 50 ficaram feridas. Apenas quatro meses depois, no Domingo de Ramos deste ano, outros atentados em igrejas de Alexandria e Tanta mataram mais 44 pessoas e feriram outras 120. No mês de maio, 28 peregrinos morreram num ataque perpetrado por extremistas. Os três atentados foram reivindicados pelo Estado Islâmico.
 
O relatório destaca ainda a ação do grupo terrorista islamista Boko Haram, afiliado ao Estado Islâmico: eles também vêm cometendo “um genocídio contra os cristãos do norte da Nigéria”. Na Vigília de Páscoa deste ano, pastores da etnia fulani invadiram uma igreja católica nigeriana e mataram 12 cristãos, em um dos vários casos registrados de violência brutal.
 
Em países como o Sudão, a ameaça islâmica vem principalmente do próprio Estado, acusado por observadores internacionais de gerar uma espiral de violência contra a liberdade religiosa, diz o relatório. Entre 2015 e 2017, o presidente sudanês Omar al-Bashir seguiu uma agenda islâmica intensamente hostil aos cristãos, incluindo, por exemplo, a demolição de uma igreja por mês e a prisão de cristãos por acusações como “proselitismo” ou, no caso das mulheres, “vestir-se de maneira obscena ou pouco modesta”. O governo do Sudão provocou um êxodo massivo de cristãos, obrigados a retornar às suas regiões de origem no Sudão do Sul.
 
Na Eritreia, o relatório menciona que, em junho de 2017, 33 mulheres cristãs foram encarceradas no presídio de Nakura, conhecido pelas torturas. Elas foram presas porque participaram de um encontro de oração organizado por Igrejas consideradas “ilegais” por parte do Estado. Uma fonte da Ajuda à Igreja que Sofre afirma que, na Eritreia, “a opressão contra os cristãos não conhece qualquer piedade”.
 
Relatório completo
 
O relatório completo, em italiano, pode ser consultado AQUI.
 
Fonte: Aleteia com ACI Digital
Foto: Christophe Simon/AFP
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No dia 2 de novembro foi realizada a abertura da Assembleia Nacional do CEBI, na cidade de Brasília, DF. Reunindo 50 pessoas de 26 estados do Brasil, o tema que motivou o encontro foi o texto bíblico “não nos conformemos ao esquema deste mundo, mas…” (Rm 12.1-2).
 
Com o intuito de transformar a realidade de opressão, violência e ódio que os movimentos sociais enfrentam no país, a assembleia se deu com o intuito de instigar o povo do CEBI a perseverar na Leitura Popular da Bíblia e na caminhada de resistência política e social.
 
“Que bom que você veio”
 
A celebração inicial foi um momento de reencontro entre os e as integrantes dos estados. O canto trazia a mensagem: “que bom que você veio”. E foi assim que o dia começou nas instalações das Pontifícias Obras Missionárias (POM). Entre os abraços de boas vindas e as intenções de fraternidade, foi iniciada a vigésima primeira Assembleia Nacional.
 
Para início de conversa houve as apresentações das pessoas presentes, momento no qual foram conhecidos os rostos do CEBI nas regiões. As pessoas que atuam na base. Foram elas que montaram de forma colaborativa o mapa do Brasil, apresentando as situações dos estados. Como um grande panorama das diferentes realidades brasileiras, os/as participantes tiveram a oportunidade de tomar conhecimento, através das experiências trazidas pelos/as colegas, das situações de perda de direitos e de retrocesso vividas no país.
 
Logo após a montagem do mapa das regiões com as perspectivas a serem superadas, vieram as realizações do CEBI nos estados que fizeram a diferença na caminhada de resistência aos golpes diários contra os direitos humanos. Várias atividades trazidas pelo grupo foram motivo de esperança, pois cada um e cada uma pode ver que a mobilização segue acontecendo nas bases e nos grupos de leitura bíblica.
 
Reflexão do texto motivador
 
Seguindo a programação, Martha Bispo, Diretora Nacional do CEBI, compartilhou sua experiência como leitora, trazendo a lembrança sobre o Livro dos Abraços de Eduardo Galeano onde, em um dos poemas apresentados, o autor fala sobre “o papel do leitor”:  a forma como se apropria dos textos que lê, se mistura com o modo de viver da pessoa. Aquilo que ficou marcado na leitura faz-se texto vivo e transformador. A partir dessa imagem, Martha evocou o texto motivador da Assembleia, escrito por Clay Peixoto e Tea Frigerio: “depois de todas as leituras que fizemos nas assembleias regionais e nos grupos, esse texto não é mais só do Clay nem só da Tea, o texto é nosso, o texto é meu”.
 
E assim, acompanhada do Conselho Nacional, a diretora fez a leitura do texto motivador para todos/as presentes, e finalizou: “essa assembleia é um marco de revisão de nossa forma, para sermos sempre mais”.
 
Momento da Reforma
 
Clay Peixoto fez a lembrança da passagem dos 500 anos da Reforma Protestante, que foi comemorado dois dias antes da assembleia, no dia 30 de outubro. O Salmo 46, “Deus é forte e bom”, foi entoado com alegria. Conhecida como Castelo Forte, a canção foi escrita por Martinho Lutero.
 
Luiz Dietrich, de Santa Catarina, aproveitou o momento para lembrar que precisamos fortalecer os diálogos entre as denominações religiosas, pois “nas coisas ruins nós somos muito ecumênicos”, já para as questões da resistência, o povo se segmenta. Para exemplificar, ele citou a união da bancada da bíblia em projetos conservadores como o veto da cartilha sobre gênero e sexualidade nas escolas públicas, e também a votação sobre o ensino religioso na educação (que na realidade desvirtua uma leitura diversa e popular da bíblia, priorizando a versão conservadora e colonizadora da vida).
 
Pensar política para viver com fé
 
Daniel Seidel foi convidado para colaborar com as reflexões do primeiro dia do encontro. Daniel é educador popular, membro da Comissão Justiça e Paz da CNBB e Coordenador do grupo Vida e Juventude, que realiza projetos sociais com grupos de jovens da periferia.
 
Apresentando um cenário dos esquemas vigentes no campo sociopolítico do país, o assessor frisou: “vivemos num estado de exceção, vivemos uma ditadura”. E essa ditadura pós-democrática, segundo Daniel, é mais traiçoeira que aquela imposta durante o regime militar pois “é a ditadura dos juízes”, aquela que com aparência de legalidade impõe violência e ódio às minorias (mulheres, juventude, negros e negras, povos originários e quilombolas, moradores em situação de rua, pessoas do campo, etc.).
 
Rafael, representante do CEBI de Alagoas, trouxe uma fala importante para o contexto em questão: “A leitura da bíblia (nesse momento político) tem um papel muito importante que é a retomada da luta dos povos”.
 
Sobre essa relação da bíblia com a realidade, Ulisses, representante da Paraíba, destacou a importância de estar presente na vida do povo: “a gente precisa estar com, a gente precisa conhecer, tocar”. Também lembrou que a proposta do Bem Viver faz cair por terra a cultura do desenvolvimento, “e dá lugar ao envolvimento”, destacou Ulisses, que partilhou suas experiências transformadoras no trabalho com jovens.
 
Daniel encerrou o encontro destacando a importância de nos conectarmos, e de fortalecermos a esperança, pois é assim que a leitura bíblica tem sentido: através da mobilização e do engajamento popular.
 
Eleita a nova direção nacional do Centro de Estudos Bíblicos
 
Na manhã deste sábado, dia 4 de novembro, foi eleita em plenária a nova direção nacional do CEBI, além dos/as representantes estaduais e suplentes, e conselho fiscal. A votação contou com 41 pessoas somando representantes dos estados e sócios. Ficou decidido pela maioria dos votos dos/as presentes, o seguinte quadro de direção:
 
Diretor Nacional:
 
Rafael Rodrigues da Silva de Maceió, AL
 
Diretoras Adjuntas:
 
Lucia Dal Pont Sirtoli de Londrina, PR
Maria de Fátima Castelan de Vitória, ES
 
Clique aqui e confira todos os componentes da nova direção nacional.
 
Nota pública da Assembleia Nacional do CEBI
 
Não nos conformemos ao esquema deste mundo, mas… (Romanos 12,2)
 
O CEBI – Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos, em sua 21ª Assembleia Nacional, realizada em Brasília, entre os dias 02 e 04 de novembro, reunindo mulheres e homens de 26 estados do Brasil, vem a público denunciar o desmonte do Estado Brasileiro com aparência de democracia e legitimado pela maioria dos juízes do STF.
 
As conquistas alcançadas a duras penas na defesa dos direitos sociais e políticos a partir da Constituição de 1988, vêm sendo sistematicamente desmontadas em favor de quem detém o capital e em detrimento da grande maioria do povo brasileiro. Vemos isso acontecendo com várias políticas sociais, tais como o congelamento dos investimentos em saúde e educação por vinte anos, o desmonte dos direitos trabalhistas e da Seguridade Social, o desmanche das políticas sociais, culturais, de gênero, dos povos originários, entre outros direitos. Além disso, estão sendo vendidas as riquezas do subsolo brasileiro, as terras de nosso povo e o patrimônio público, tendo em vista o Estado mínimo a serviço dos interesses do mercado.
 
Denunciamos também o uso fundamentalista da Bíblia e do nome de Deus para legitimar retrocessos nos direitos à diversidade de gênero e étnica. Reafirmamos nosso compromisso com o Estado laico a serviço da cidadania de todo o povo brasileiro.
 
Fiéis à vocação do CEBI, seguiremos na luta profética para que o direito brote como fonte e a justiça como um riacho que não seca (Amós 5,24).
 
Brasília, 04 de novembro de 2017.
Membros da 21ª Assembleia Nacional do CEBI.
 
Fonte: CEBI
Foto: CEBI
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O Brasil está entre os cinco países sem conflito armado que têm as piores taxas em homicídio de adolescentes e crianças do sexo masculino com idade entre 10 e 19 anos. Em 2015, foram 59 mortes para 100 mil pessoas nessa faixa etária. O índice também é alto em Venezuela (97), Colômbia (71), El Salvador (66) e Honduras (65).
 
Os dados são do relatório “Um Rosto Familiar: A violência nas vidas de crianças e adolescentes”, lançado na última quarta-feira (1º) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), ligado à ONU. O estudo usou dados da Organização Mundial da Saúde e do Ministério da Saúde.
 
A taxa de homicídio nesses países não está distante dos números apresentados por países que têm conflito armado. No Afeganistão, por exemplo, a mortalidade por violência coletiva é de 49 para 100 mil pessoas de 10 a 19 anos. No Sudão do Sul, esse índice é de 29.
 
O estudo do Unicef ainda apresentou dados sobre a raça/cor das vítimas de homicídio no Brasil. Segundo os números de 2014, 75% dos mortos eram negros ou multirraciais. 18%, brancos. 7% das vítimas não haviam raça/cor declarada.
 
Fonte: G1
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O caminho ecumênico trilhado juntos nos últimos cinquenta anos – apoiado pela oração comum, pelo culto divino e pelo diálogo ecumênico – levou “à superação de preconceitos, à intensificação da compreensão recíproca” e à assinatura “de acordos teológicos decisivos”.
 
É o que diz o comunicado conjunto da Federação Luterana Mundial (FLM) e do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização divulgado no último 31 de outubro, data que concluiu o ano de celebrações ecumênicas dos 500 anos da Reforma Protestante.
 
De fato, os eventos tiveram início em 31 de outubro de 2016 com a oração luterano-católica na Catedral de Lund, na Suécia (foto acima), ocasião em que o papa Francisco e o então presidente da FLM, Bispo Munib A. Younan, assinaram uma Declaração Conjunta, onde se comprometiam a prosseguir juntos o caminho ecumênico rumo à unidade pela qual Cristo rezou (João 17,21).
 
No texto, é reconhecida a “comum responsabilidade pastoral de responder à sede e à fome espiritual de nosso povo de sermos “um” em Cristo. Desejamos ardentemente que esta ferida no corpo de Cristo seja curada. Este é o objetivo dos nossos esforços ecumênicos, que queremos fazer progredir, também renovando o nosso compromisso pelo diálogo teológico”.
 
A declaração ressalta, outrossim, que “pela primeira vez, luteranos e católicos viram a Reforma de uma perspectiva ecumênica”, “o que tornou possível uma nova compreensão daqueles eventos do século XVIque levaram à nossa separação”.
 
“Se é verdade que o passado não pode ser mudado, é também verdade que o seu impacto atual sobre nós pode ser transformado em modo que se torne um impulso para o crescimento da comunhão e um sinal de esperança para o mundo: a esperança de superar divisões e fragmentações”.
 
O que emergiu mais uma vez com clareza, é “que aquilo que nos une é bem superior ao que nos divide”.
 
Um passo decisivo no caminho rumo à unidade, foi a assinatura da Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação em 1999, gesto repetido pelo Conselho Metodista Mundial em 2006 e pela Comunhão Mundial das Igrejas Reformadas durante este ano das celebrações dos 500 anos da Reforma.
 
E no último 31 de outubro de 2017, a mesma Declaração foi acolhida pela Comunhão Anglicana no decorrer de uma Solene cerimônia na Abadia de Westminster.
 
“Sobre esta base, as nossas comunidades cristãs podem construir sempre mais estreita ligação de consenso espiritual e de testemunho comum a serviço do Evangelho”.
 
São destacadas no documento, ademais, as inúmeras iniciativas de oração comum e de culto divino entre luteranos e católicos e demais parceiros ecumênicos em várias partes do mundo, assim como os encontros teológicos e as importantes publicações que ofereceram subsídios para este ano de celebrações.
 
A Declaração concluiu reafirmando o compromisso de avançar neste “caminho comum, guiados pelo Espírito Santo, rumo a uma crescente unidade”, buscando discernir a “interpretação de Igreja, Eucaristia e Ministério, esforçando-nos para chegar a um consenso substancial com o objetivo de superar as diferenças que são até hoje fonte de divisão entre nós”. 
 
Por Rádio Vaticano
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