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O recente episódio em que um grupo de brasileiros que não acreditam no Holocausto contestou um vídeo publicado no Facebook pela Embaixada da Alemanha em Brasília colocou luz sobre uma necessidade que o governo alemão já elegeu há décadas como prioridade nas políticas públicas: garantir que a verdade sobre a história do nazismo não seja perdida entre mentiras e boatos espalhados tanto entre adultos quanto crianças.
 
O genocídio de cerca de seis milhões de judeus conduzido pelo regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial é um dos episódios mais sombrios da História. Por isso, na Alemanha, o Holocausto não é visto apenas como um fato histórico comum; tal abordagem se reflete, inclusive, na maneira e na frequência com que o tema é tratado em sala de aula.
 
Quando estavam na 9ª série e tinham 15 anos, os alunos berlinenses Willy Hanewald e Franz Kloth tiveram as primeiras aulas sobre o Holocausto. Seus professores de História apresentaram o tema em sala de aula e, posteriormente, organizaram excursões a memorais.
 
Willy, que estuda numa escola pública, foi com sua turma ao campo de concentração Sachsenhausen, localizado nos arredores de Berlim. Já a escola privada onde Franz estudava organizou uma viagem a Auschwitz, na Polônia.
 
"A excursão foi uma experiência muito mais marcante do que a abordagem em sala de aula. Acho que é impossível compreender profundamente a dimensão do Holocausto sem nunca ter estado num campo de concentração", diz Willy, de 17 anos.
 
Franz, de 18 anos, teve a mesma impressão que o colega e destacou outra experiência que o marcou: uma palestra de um sobrevivente do Holocausto. "Essas atividades são importantes, pois somente imagens em preto e branco não são suficientes para compreender completamente o que aconteceu", ressalta.
 
Os dois jovens fazem parte do Comitê de Alunos de Berlim que defende a implementação da obrigatoriedade da visita a campos de concentração financiada pelo governo no currículo escolar - o que atualmente não acontece. "Vivemos atualmente um período cultural muito frágil, precisamos sempre relembrar o que aconteceu e como aconteceu para isso nunca voltar a acontecer", diz Franz.
 
Contra equívocos e falta de informação
 
No episódio recente, um grupo de brasileiros que contestam a existência do Holocausto rebateram nas redes sociais o vídeo da embaixada alemã, alegando que as informações publicadas ali eram inverídicas e que o nazismo seria uma ideologia criada pela esquerda.
 
Nas escolas da Alemanha, a abordagem pedagógica sobre esse capítulo histórico procura promover uma reflexão crítica sobre o passado e a sociedade, além de buscar evitar que esses crimes voltem a ocorrer no futuro.
 
 
"O ensino sobre o Holocausto lembra as pessoas dos perigos que elas mesmas estão vulneráveis se expostas a propaganda intolerante, preconceitos, injustiças, humilhação e violência potencial", afirma Peter Carrier, coordenador de um projeto de pesquisa da Unesco sobre o Holocausto na educação, promovido pelo Instituto alemão Georg Eckert.
 
Atualmente, o Holocausto faz parte da grade curricular na 9ª ou 10ª série, quando os alunos têm cerca de 15 anos. "A tematização do Holocausto e do Nazismo é uma parte obrigatória no currículo de História em todos os Estados da Alemanha", afirma Detlef Pech, professor de pedagogia na Universidade Humboldt de Berlim.
 
Apesar de a política educacional na Alemanha caber aos governos estaduais, a Conferência de Secretários de Educação, órgão nacional que faz recomendações sobre o ensino, começou a sugerir na década de 1960 uma abordagem mais profunda sobre o Holocausto em sala de aula.
 
Os professores têm liberdade para desenvolver diversas atividades pedagógicas sobre o tema, entre as quais estão visitas a memorais. Porém, essas atividades não são obrigatórias e sua realização depende exclusivamente da vontade e do empenho dos educadores.
 
Controvérsia e resistência
 
O modelo pedagógico atual é resultado de um debate público que floresceu no fim da década de 1970 na Alemanha Ocidental, com a exibição da série americana Holocausto, que retratou a história do genocídio a partir da perspectiva de uma família de judeus alemães e contou com a participação de Meryl Streep e James Woods.
 
Além de contribuir para o debate sobre o tema em sala de aula, a exibição da série introduziu o termo Holocausto no país. Até então, o episódio era tratado como perseguição e morte de judeus. Essa discussão pública também impulsionou mudanças na abordagem pedagógica sobre o tema.
 
"Foi um processo que começou no fim da década de 1970 com a adoção da perspectiva das vítimas nos livros escolares. Esse processo, porém, variou bastante entre os Estados e dependeu muito dos governos que tinham na época", afirma a historiadora Juliane Wetzel, do Centro para Pesquisa Antissemita da Universidade Tecnológica de Berlim.
 
Segundo Peter Carrier, há duas maneiras principais de contextualizar o tema em escolas: no âmbito de sistemas políticos num bloco classificado como "Democracia e Ditadura", como ocorre em Berlim; ou no âmbito de regimes políticos históricos chamado de "Nacional-Socialismo", como no Estado de Hessen.
 
Formação do professor e desafios
 
A transformação na visão de ensino sobre o Holocausto ao longo das últimas décadas refletiu ainda em mudanças na formação dos professores. Atualmente, diversos cursos extracurriculares para educadores sobre a abordagem pedagógica do tema são oferecidos por, entre outros, memoriais e instituições de ensino.
 
Ao longo deste processo de adoção desta visão mais crítica, porém, nem sempre essa abordagem fluiu perfeitamente. Wetzel conta que, no passado, houve casos de exageros cometidos por professores, que acabaram culpando e chocando alunos com os horrores do Holocausto, o que levou alguns jovens a não querer mais tocar no tema.
 
Além destes percalços, essa transformação pedagógica enfrentou ainda, desde o início, resistências de conservadores de direita, que argumentavam contra a cultura de memória alegando que o tema é passado e um ponto final deveria ser colocado na questão.
 
Atualmente, com o avanço de populistas de direita, que possuem representantes em 14 das 16 assembleias estaduais e também no Parlamento alemão, essa abordagem tem sido colocada novamente em dúvida por esse grupo.
 
Em junho, o líder do partido Alternativa para a Alemanha (AfD), Alexander Gauland, minimizou o nazismo. "Hitler e os nacional-socialistas não foram mais do que um cocô de pássaro em mil anos de uma história alemã de sucesso", disse. Outro integrante da legenda, Björn Höcke chegou a chamar o Memorial aos Judeus Mortos da Europa, localizado em Berlim, de "monumento da vergonha".
 
Diante dessas tentativa de minimizar o passado, para muitos educadores essa visão de ensino se faz mais necessária do que nunca. "O Holocausto é um ponto central da história da Alemanha, numa época em que a Alemanha trouxe muita desgraça para o mundo. O significado central deste período não deve ser subestimado. As ameaças da democracia e o que ocorre com o fim democracia também são aspectos importantes", destaca Tobias Funk, diretor na Conferência de Secretários de Educação.
 
Carrier ressalta que o ensino sobre o Holocausto é importante para lembrar as pessoas dos perigos aos quais elas estão vulneráveis.
 
Já Wetzel destaca que o conhecimento sobre esse passado é fundamental para o entendimento de debates e decisões políticas atuais da Alemanha. A pesquisadora acrescenta ainda que a compreensão sobre o Holocausto, o nazismo e o assassinato de minorias praticados nesta época pode ajudar a desenvolver empatia por temas atuais, como a crise migratória e os refugiados que vieram para o país.
 
O avanço da extrema-direita e a divulgação de notícias falsas representam, no entanto, um desafio para educadores. "Os professores precisam aprender como ajudar os jovens a não acreditar em tudo que leem na mídia e a questionar", afirma Carrier. Para isso, memoriais oferecem excelentes materiais didáticos, muitos disponíveis na internet.
 
Para Wetzel, a abordagem pedagógica sobre Holocausto é um processo em constante transformação. "A cada nova geração, a abordagem e transmissão desse tema aos jovens deve ser repensada. Atualmente, ela é mais histórica, mas não deve ser tratada como o Império Romano, por exemplo. A responsabilidade alemã deve ser deixada clara, porém, sem sobrecarregar os alunos e sem declará-los culpados", avalia a pesquisadora.
 
Texto: Clarissa Neher
De Berlim para a BBC News Brasil
Foto 1: GETTY IMAGES | Foto 2: AFP/GETTY

 
Denis Mukwege, um médico que ajuda vítimas de violência sexual na República Democrática do Congo, e Nadia Murad, ativista yazidi de direitos humanos e sobrevivente da escravidão sexual nas mãos do Estado Islâmico no Iraque, conquistaram o Prêmio Nobel da Paz de 2018 nesta sexta-feira.
 
O Comitê Norueguês do Nobel disse tê-los premiado por seus esforços para acabar com o uso da violência sexual como arma de guerra.
 
"Ambos os laureados fizeram uma contribuição crucial para concentrar a atenção em tais crimes de guerra e combatê-los", disse a entidade em comunicado ao anunciar os ganhadores.
 
Mukwege dirige o Hospital Panzi em Bukavu, cidade do leste congolês. Aberta em 1999, a clínica recebe milhares de mulheres todos os anos, muitas das quais precisam de cirurgias por causa da violência sexual sofrida.
 
Ele devotou a vida à defesa destas mulheres, disse a citação.
 
Nadia é uma defensora da minoria yazidi do Iraque e dos direitos de refugiados e mulheres em geral. Ela foi escravizada e estuprada por combatentes do Estado Islâmico em Mosul, no Iraque, em 2014.
 
Ela é uma testemunha que denuncia os abusos cometidos contra ela e outros, segundo comunicado.
 
"Cada um deles, à sua maneira, ajudou a dar maior visibilidade à violência sexual dos tempos de guerra para que os perpetradores possam ser responsabilizados por suas ações".
 
Nadia tinha 21 anos em 2014 quando militantes do Estado Islâmico atacaram o vilarejo do norte iraquiano onde ela cresceu. Os militantes mataram aqueles que se recusaram a se converter ao islã, incluindo seis de seus irmãos e sua mãe.
 
Ela, assim como muitas das mulheres jovens do vilarejo, foi sequestrada pelos combatentes e vendida diversas vezes como escrava sexual, o que se tornou uma prática comercial do Estado Islâmico.
 
Nadia acabou fugindo do cativeiro com a ajuda de uma família muçulmana sunita de Mosul, a capital de facto do grupo no Iraque, e se tornou uma porta-voz dos direitos de sua comunidade em todo o mundo.
 
Em 2017 Nadia publicou um livro de memórias sobre sua provação, "The Last Girl".
 
Nele ela narrou os detalhes arrepiantes de seus meses de cativeiro, sua fuga e seu engajamento como ativista.
 
"A certa altura havia estupros e mais nada. Isso se torna um dia normal para você", escreveu.
 
Fonte: Reuters
Foto: Reprodução RFI

 
Foi realizada, no dia 1 de outubro, em Brasília, o primeiro encontro da Comissão Ecumênica de Justiça e Paz do CONIC. Recém-criada para assessorar a Diretoria do Conselho em posicionamentos importantes, esta reunião teve por objetivo refletir sobre o cenário eleitoral e pós-eleitoral do Brasil. O encontro também contou com a participação, via webconferência, do professor Dr. Henrique Carlos de Oliveira de Castro, doutor e mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
 
O documento final, que pode ser conferido a seguir, destaca o contexto difícil das Eleições 2018 e conclama todos(as) os(as) cristãos e cristãs a permanecerem comprometidos(as) com os valores do Evangelho. Um dos trechos da declaração também critica o posicionamento da elite brasileira que "constantemente age no sentido de colocar o povo contra o povo, criando um ambiente de medo, fortalecendo narrativas de que o pobre seria o principal ator da violência." Outro ponto citado é a possibilidade de ruptura democrática: "uma das candidaturas fala abertamente em golpe, caso o resultado eleitoral não seja em seu favor."
 
Leia, a seguir, a declaração:
 
DECLARAÇÃO SOBRE AS ELEIÇÕES 2018
 
O Brasil está vivendo, em 2018, um processo eleitoral incomum. Ele ocorre em um contexto de ruptura democrática. O atual Presidente da República não foi eleito para a função. Uma Presidenta foi afastada do cargo com justificativas questionáveis. Além disso, uma das candidaturas fala abertamente em golpe, caso o resultado eleitoral não seja em seu favor.  
 
A história do país revela o quanto a nossa democracia é frágil. Se observarmos os presidentes que governaram o país de 1930 até os dias de hoje, somente quatro foram eleitos e cumpriram seus mandatos. Portanto, a democracia no Brasil não é a regra, mas a exceção. 
 
Este processo eleitoral revela e explicita questões históricas não resolvidas. O Brasil jamais teve um projeto de nação, nem depois de sua Independência ou da Proclamação da República. 
 
Ao idealizar as experiências e organização social dos países europeus ou dos Estados Unidos, a elite brasileira nunca teve interesse em que o Brasil se reconhecesse como nação, mas apenas em produzir e manter as desigualdades.
 
Esta elite tende a sonegar impostos, não aceitar taxar as suas fortunas e eximir-se de suas responsabilidades sociais. E constantemente age no sentido de colocar o povo contra o povo, criando um ambiente de medo, fortalecendo narrativas de que o pobre seria o principal ator da violência. 
 
Vivemos uma espécie de “futebolização” da política, em que o pressuposto não é a de que todos ganhem, como nas democracias mais amadurecidas, mas de que se torce para o outro lado ser derrotado, não importando se, ao fim, todos perdem. Esta é uma polarização que aniquila a busca e a realização do bem comum.
 
Nossa fé é política na medida em que assume a responsabilidade cristã que vem do Batismo. É esta fé que nos compromete incondicionalmente com a dignidade humana, com o cuidado dos bens comuns, com a cultura da paz e da não violência, com a promoção dos direitos humanos e da justiça. A única opção para uma pessoa cristã é a promoção destes valores, expressos claramente no Evangelho, em especial, nas Bem-aventuranças (Mt 5.1-12), e nas práticas de misericórdia (Mt 25.35-45). 
 
Destacamos a urgência de que cada pessoa, comprometida com a sua fé, e também, aquelas que não comungam de fé alguma, que defendam o Estado Democrático de Direito, incluindo o respeito pelas liberdades civis, direitos humanos e sociais e outras garantias fundamentais estabelecidas na Constituição.
 
Neste atual clima de confronto e de crise das instituições, temos nos perguntado, com temor e seriedade, se há algum risco de um Estado de Exceção. Em situações assim, os direitos se restringem e os poderes são concentrados. 
 
Neste sentido, como pessoas de diferentes tradições de fé, conclamamos:
 
  • A que permaneçamos em vigília e fortaleçamos a profecia coletiva e popular, organizando-nos nas casas, bairros e comunidades para conversar sobre os impactos que o racismo, a xenofobia, ameaça de práticas fascistas, o ódio às mulheres e a LGBTfobia causam nas nossas vidas; 
  • As igrejas, organizações sociais, movimentos populares a que contribuam para a formação de uma cultura democrática em contraposição à cultura autoritária;
  • O fortalecimento das mobilizações pela revogação das reformas trabalhistas e do teto de gastos, assim como para renovar a luta por uma reforma do sistema político e uma reforma tributária justa, além de garantir outras conquistas resultantes da luta dos trabalhadores e trabalhadoras; 
  • A que renovemos e aprofundemos o compromisso com a laicidade do estado. Nenhum candidato ou governo pode se pronunciar em nome de Deus. 
  • As nossas igrejas a dialogar sobre a proteção das famílias constituídas a partir do afeto e não pela manutenção de hierarquias familiares propagadoras de violência doméstica.
 
Em um país religioso como o Brasil, não devemos ser porta-vozes nem do ódio e nem do medo. Cabe-nos ser anunciadores e anunciadoras do amor, da paz, do diálogo, da solidariedade, da justiça, da cultura do encontro. Quem se apropria do nome de Deus, de Jesus e da Bíblia para disseminar o ódio e atacar os direitos humanos está desrespeitando o Evangelho.
 
Confiemos naquele que nos amou primeiro e orientemos nossas ações no fogo do amor que tudo regenera e recria. (Lc 12.49ss)
 
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
 

 
Em setembro de 2018, as organizações e movimentos sociais de promoção e defesa dos direitos humanos, abaixo assinadas, estiveram reunidas em Brasília para debater a conjuntura brasileira atual e decidiram se posicionar publicamente em favor da vida e contra o discurso do ódio e a violência.
 
Compreendemos que o Brasil vive um momento de exacerbação das crises política, social e econômica. Esta crise repercute gravemente na compreensão e no papel dos direitos humanos. Grupos ideologicamente alinhados com propostas racistas, machistas, misóginas e xenófobas procuram fomentar um ambiente de ódio, naturalização da violência, preconceito e discriminação em relação aos mais pobres. Em todo o país, o medo e sensação de insegurança constituem argumentos para que a sociedade renuncie aos valores mais fundamentais, que embasam a dignidade da pessoa humana.
 
O discurso dos direitos humanos é distorcido e confundido com apoio à impunidade e violência. Para grande parte da população, influenciada pelos meios de comunicação dominantes, defender direitos humanos é defender direitos de bandidos. O dissenso entre as ideias descredibiliza defensores e defensoras de direitos humanos, muitas das vezes, ofensivas à sua integridade física e moral.
 
Além do mais, manipulam-se conceitos caros aos movimentos de promoção e defesa de direitos humanos. Um destes direitos é o da defesa da vida. Conceito importante para reivindicar e denunciar a perseguição e o assassinato de lideranças populares que lutaram e lutam pela democracia e pelo direita à terra, gradativamente, esta expressão tem sido apropriada por movimentos anti-feministas e anti-LGBTQ para afirmar valores morais fundamentalistas e conservadores.
 
A manipulação de conceitos como “ideologia de gênero” tem sido uma das estratégias utilizadas por quem quer deslegitimar a agenda de promoção e defesa de direitos humanos.
 
A consequência disso é que jovens, negros e negras moradores das periferias, favelas e dos campos são alvos de sucessivos atos de violência. É significativo o aumento do ódio contra os chamados grupos vulneráveis (sugiro minorias minoritárias). Mulheres, negros e negras, migrantes, refugiadas, pessoas LGBTQ, indígenas (ou povos originários), quilombolas, ribeirinhos, extrativistas, entre outros, sofrem com os efeitos desse retrocesso nas pautas ideológicas e humanitárias.
 
As recentes medidas de austeridade adotadas pelo governo ilegítimo (acho que aqui podemos ir mais longe, e dizer impostas pelo neoliberalismo financeiro e obedientemente assumidas pelo governo golpista ou pelo governo anti-democrático) afetam diretamente a política de inclusão social, iniciada nas décadas anteriores. O ataque aos direitos trabalhistas e a ameaça à seguridade social, incluindo o Sistema único de Saúde - SUS, a Previdência Social e o Sistema Único de Assistência Social – SUAS, começam a apresentar seus efeitos nefastos junto à população mais pobre.
 
O incentivo à violência institucionalizada do aparato policial e do sistema penitenciário, a política de encarceramento em massa, a tentativa de retorno da ultrapassada e desumana política manicomial, a ineficiência da política de drogas e controle de armas aumentam o ambiente propício para violações sistemáticas dos direitos e liberdades civis.
 
O impulsionamento do agronegócio, a exclusão dos povos tradicionais de seus territórios mediante invasões e desassistência generalizada e a exploração ilegal dos recursos naturais por grandes grupos econômico provocam danos ao patrimônio material e imaterial do nosso povo assim como ao meio-ambiente. Por mim aqui está sobrando
 
Frente a este cenário de escalada do ódio e retirada de direitos, chamamos a todas e todos para se organizarem em um amplo Movimento que possibilite a reapropriação do sentido de defender a vida e de lutar contra o ódio. Diga Não à todo e qualquer projeto orientado na negação dos direitos das mulheres, povos originários, quilombolas, juventudes negras, e que coloque os interesses do capital acima da vida dos povos e do planeta. Junte-se a nós!
 
Quilombo Mesquita
SMDH Sociedade Maranhense de Direitos Humanos
CDDHEP-AC Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular
Instituto de Artes Professora Zilda Dias
Terreiro Ilê Axé T'OjúLabá
Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara Federal
MNDH Movimento Nacional de Direitos Humanos
MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
SDDH Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos
CEDDH-CE Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos do Estado do Ceará
CDDH - Centro de Defesa dos Direitos Humanos - Petrópolis
Comunidade Bahá'í
Mecanismo Nacional de Prevenção à Tortura
MPA Movimento dos Pequenos Agricultores / VIA Campesina
CPT - Comissão Pastoral da Terra
Comitê Dom Tomás Balduíno
CIMI - Conselho Indigenista Missionário
CDHPF - Comissão de Direitos Humanos de Passo Fundo
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
Articulação para o Monitoramento dos DH no Brasil
 

 
Nós, frades franciscanos que compõem o Conselho de Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil, da Ordem dos Frades Menores, reunidos em São Paulo neste dia 24 de setembro, atentos ao compromisso irrenunciável que assumimos com o Evangelho por força de profissão, julgamo-nos no dever de nos pronunciar acerca do momento crucial que estamos vivendo enquanto nação.
 
Causa-nos imensa preocupação o modo pelo qual opções centrais de nossa democracia e dos direitos conquistados pelo povo a partir de muita luta e organização têm sido colocados em cheque por uma postura aventureira e irresponsável que se vale de feridas há muito plantadas no coração dos brasileiros por aqueles que desejam semear o medo, o ódio, as rixas e incompreensões a fim de manter intactos seus interesses egoístas e excludentes. Sendo assim, manifestamos com total clareza e abertura ao diálogo alguns pontos que nos parecem de fundamental importância como critérios para escolha dos candidatos a ocupar os cargos que devem (ou deveriam) ser exercidos em favor da totalidade.
 
1) Combate à violência
 
Inicialmente, deixamos claro que, para além de um combate à violência, precisamos investir com seriedade na promoção de uma Cultura de Paz. Todo discurso que prega o aumento do poderio bélico e policial, a facilitação do acesso às armas e a adoção da vingança em lugar da justiça é ilusório e enganador. Acreditamos que toda ação criminosa deva ser respondida com o mecanismo da lei. Por outro lado, também sabemos que os crimes de maior potencial ofensivo (desvios milionários de verbas públicas, lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito, gerenciamento do tráfico de armas e drogas) não se realizam nas periferias e favelas, mas em locais de luxo, ostentação e riqueza, geralmente protegidos por forte aparato de segurança. Armar a população ou investir em forças policiais repressivas só aumentará os já alarmantes números da mortalidade de pobres nos lugares abandonados pelo poder público.
 
Positivamente, acreditamos na força de uma educação de qualidade, na promoção das pessoas através da cultura, do esporte, da ciência, na possibilidade de acesso ao trabalho, no acesso à habitação, saúde e saneamento básico, na parceria entre instituições do Estado (inclusive a polícia) e as comunidades como meios eficazes de promoção da paz e prevenção da violência.
 
2) Trabalho e emprego
 
As leis trabalhistas são fruto de uma caminhada de amadurecimento do país e têm o objetivo de garantir aos trabalhadores uma proteção mínima diante das inseguranças de um mercado instável que se rege pelo lucro. Reconhecemos a necessidade de que os negócios sejam viáveis para os empregadores, mas acreditamos que existam outros meios, pautados na solidariedade e na partilha, para garantir o futuro dos empreendimentos sem que necessariamente se coloque o ônus sobre a parte mais fraca da relação, no caso, o trabalhador.
 
3) Superação da corrupção
 
Acreditamos num trabalho sério, isento e coletivo para vencermos este mal enraizado em nossa sociedade. É preciso haver investimento em mecanismos que garantam a isenção dos processos especialmente diante da força corruptora do poder econômico.
 
4) Atenção aos que vivem em vulnerabilidade
 
O dever do Estado também é priorizar o atendimento àqueles que vivem em situações de vulnerabilidade, como povos indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, crianças e idosos abandonados, pessoas com deficiência, imigrantes e todos os que vivem à margem da pobreza. Promover a autonomia e garantir a defesa da vida em todas as suas etapas e circunstâncias é tarefa irrenunciável dos governantes eleitos pelo povo.
 
5) Promoção do diálogo e da participação popular
 
Quanto maior a participação de diferentes setores da sociedade, maior a possibilidade de construirmos um país mais justo e solidário. A esperança de um futuro melhor não deve se pautar apenas do ponto de vista de alguns, mas num trabalho conjunto onde todos, dialogando e cedendo no que for necessário, empenhem-se para a verdadeira construção do bem comum.
 
Esperamos que, no exercício democrático do voto, o povo brasileiro tenha consciência para buscar aqueles que de fato estão comprometidos com um projeto inclusivo e realmente transformador para nosso país. Que o empenho seja, de fato, na direção de garantir a todos justo e real acesso aos três direitos básicos apontados pelo Papa Francisco: teto, trabalho e terra.
 
Fraternalmente,
 
Frades do Conselho de Evangelização da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
 
Fonte: Franciscanos
Imagem: Reprodução

 
A Assembleia da Agência de Comunicação da América Latina e do Caribe (ALC) se reuniu na cidade de São Paulo, de 28 a 30 de setembro, com representantes das organizações que a compõem na América Latina e no Caribe. Acreditamos que a comunicação é um direito inalienável de todas e todos para a construção de pontes, incentivo ao respeito entre as pessoas e geração de inclusão e participação, reforçando os processos democráticos, de forma ética, respeitando as diversidades.
 
Na América Latina e no Caribe, grandes grupos econômicos geram desigualdades sociais. Isso constitui um sério problema estrutural, em que a exploração dos bens comuns, com o objetivo de obter lucro, coloca em risco a vida da criação.
 
Neste contexto religioso, econômico e político, amplamente apoiado pela mídia hegemônica, os fundamentalismos são instrumentos que consolidam posições intransigentes que impedem o diálogo e todos os processos de desenvolvimento pessoal e comunitário.
 
Muitos meios de comunicação religiosos, baseados em um discurso aparentemente piedoso, mas manipulador de textos bíblicos, fortalecem uma cultura que fomenta o medo e provocam a criminalização das demandas sociais, gerando violência contra as mulheres, povos indígenas, religiões de matriz africanas, defensores e defensoras de direitos, populações tradicionais e LGTBs.
 
A Agência de Comunicação da América Latina e do Caribe entende que é fundamental promover uma disputa de narrativas que contribua para fortalecer espiritualidades libertadoras, considerando a pluralidade e a diversidade, fomentando o diálogo e a participação democrática de todos os setores.
 
Para isso, buscamos:
1. Fortalecer as redes de grupos ecumênicos e inter-religiosos.
2. Desenvolver estratégias para visibilizar a diversidade religiosa e as espiritualidades entre comunicadores e comunicadores.
3. Promover espaços de comunicação que disputem a hegemonia comunicacional da mídia, a partir de uma prática democrática, respeitosa, diversa e participativa.
 
A Assembleia Geral da Agência de Comunicação da América Latina e do Caribe termina uma semana antes das eleições gerais no Brasil em um cenário tenso e complicado.
 
Enfatizamos como os meios de comunicação hegemônicos desempenharam um papel tendencioso e antidemocrático. Comprometemos nossas ações e orações para que o Brasil recupere o sentido do caminho democrático já alcançado, décadas atrás, com tantos esforços e vidas.
 
Não se contente com este tempo, mas transforme-se renovando suas mentes para que você
possa ver qual é a vontade de Deus, o que é bom, o que é agradável, o que é perfeito.
Romanos 12.2
 
 
São Paulo, 30 de setembro de 2018
 
AIPRAL - Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina
CESE - Coordenadoria Ecumênica de Serviço
CLAI - Conselho Latinoamericano de Igrejas
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil 
CREAS - Centro Regional Ecumênico de Assessoria e Serviços
Fundación Helmut Frenz
FLD - Fundação Luterana de Diaconia
FUMEC - Federação Universal do Movimento Estudantil Cristã da América Latina
WACC-AL - Associação Mundial para a Comunicação Cristã - América Latina e Caribe

 
Traficantes da baixada fluminense, que se dizem evangélicos, têm promovido uma verdadeira "caça às bruxas" na região. Desde que um vídeo com um grupo de seguidores da religião wicca de São João de Meriti viralizou nas redes com uma mensagem falsa — que afirmava que o grupo estava em busca de criancinhas para fazer magias —, alguns bruxos têm sofrido até ameaças de morte. Uma delas, revelou ao EXTRA que familiares foram abordados, esta semana, por um grupo de criminosos que exigiram que ela se desfizesse de todos os objetos que fizessem algum tipo de referência à religião.
 
—Voltamos à inquisição. Aquele tempo em que queimavam bruxas em praças públicas. Estou extremamente assustada com tudo que tenho vivido nos últimos dias. Hoje, recebi uma ligação de uma pessoa da minha família contando que fui ameaçada de forma velada. Os traficantes foram à minha casa, com uma foto minha e falaram que são evangélicos e que tenho até a noite para tirar tudo ligado à bruxaria de dentro da minha casa — explicou a vítima que trabalha como costureira.
 
Ainda de acordo com ela, os bandidos afirmaram que se ela não respeitar as ordens, sofrerá todas as sanções impostas pela chefia do tráfico:
 
—Eles são cruéis. Falaram que vão invadir a minha casa e vão quebrar tudo. Eles também disseram que vão me levar para o meio da rua e vão me destruir. Tô muito assustada. Tenho medo de atacarem a minha família e de morrer também. Querem fazer comigo o mesmo que fizeram com as bruxas na Idade Média.
 
Adepta do ocultismo há 6 anos, a costureira conta que já passou por outras religiões, mas que se encontrou na atual religião:
 
—Tinha muitos sonhos. Um dia, contei para uma amiga e ela me disse que era um chamado da deusa (a grande mãe na religião wicca). Me identifiquei muito com os preceitos, porque, diferente do que muitas pessoas possam achar, nós cultuamos a natureza e só fazemos coisas para o bem. Na nossa filosofia, quando se faz o mal para alguém, tudo aquilo volta três vezes pior para a gente. Tenho até medo de fazer uma denúncia à polícia.
 
A Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos (SEDHMI), através da Coordenadoria de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa (COPLIR), que já acompanha outras ameaças que o grupo tem sofrido, disse que vai acompanhar a sacerdotisa wicca, ainda esta semana, à Delegacia de Repressão a Crimes de Informática.
 
Casos de intolerância religiosa e outros tipos de violações dos Direitos Humanos podem ser denunciados através do Disque Combate ao Preconceito. O canal funciona no telefone (21) 2334 9551, de segunda a sexta-feira, das 10h às 16h.
 
Fonte: O Globo
Foto: Ricardo Rigel / O Globo
Obs.: o título foi adaptado

 
O Santo Padre iniciou sua série de atividades, na manhã desta sexta-feira (28/9), na Sala Clementina, no Vaticano, com cerca de 60 participantes na Plenária do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos.
 
Em seu discurso, o Papa agradeceu aos membros e consultores do Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, porque, com o seu trabalho diário, o ajudam no ministério do Bispo de Roma, prestando um serviço de unidade e comunhão, em formas diferentes, para toda a Igreja.
 
Promover uma maior unidade entre os cristãos
 
Neste sentido, Francisco recordou alguns encontros, que manteve, recentemente, com Cristãos de diferentes tradições religiosas, Chefes das Igrejas ortodoxas, irmãos Pentecostais, que representam verdadeiras oportunidades para agradecer a Deus pelos abundantes frutos do Movimento ecumênico e renovar nosso compromisso irreversível de promover uma maior unidade entre os cristãos. Estes, disse o Papa, são alguns passos no caminho ecumênico, que todos os cristãos são chamados a dar juntos, rezar juntos e trabalhar juntos para o restabelecimento da plena unidade.
 
A seguir, o Santo Padre referiu-se ao tema de atualidade escolhido para a Plenária do Pontifício Conselho para a promoção da Unidade dos Cristãos: "Pentecostais, carismáticos e evangélicos: impacto sobre o conceito de unidade."
 
“O constante crescimento destas novas expressões de vida cristã representa um fenômeno muito significativo, que não deve ser descuidado. As formas concretas das comunidades inspiradas nestes movimentos são, muitas vezes, ligadas ao contexto geográfico, cultural e social, no qual se desenvolvem”.
 
Construir laços da autêntica fraternidade
 
Por isso, referindo-se ao conjunto destes fenômenos, Francisco frisou que temos o dever de discernir e reconhecer a presença do Espírito Santo nessas Comunidades, com as quais devemos construir laços da autêntica fraternidade. Isto só será possível, porém, multiplicando as ocasiões de encontro e superando a mútua desconfiança, motivada, muitas vezes, por ignorância ou falta de compreensão. Aqui, o Papa sugeriu algumas atividades que podem ser realizadas em conjunto por estas Comunidades: “Entre as várias atividades que podem ser compartilhadas estão a oração, a escuta da Palavra de Deus, o serviço aos necessitados, o anúncio do Evangelho, a defesa da dignidade da pessoa e da vida humana. Frequentando-se fraternalmente, nós Católicos podemos aprender a apreciar a experiência de tantas comunidades, que, muitas vezes, em modos diferentes dos nossos, vivem a sua fé, louvam a Deus e dão testemunho do Evangelho com caridade”.
 
Ao mesmo tempo, - acrescentou o Papa - tais comunidades devem ser ajudadas a superar os preconceitos sobre a Igreja Católica e reconhecer que, no tesouro inestimável da tradição, recebido dos Apóstolos e mantido ao longo da história, o Espírito Santo não está inerte, pelo contrário, continua a atuar de modo eficaz. A este respeito, Francisco disse: “Estou ciente de que, em muitos casos, as relações entre católicos e pentecostais, carismáticos e evangélicos não são fáceis. O improviso aparecimento de novas comunidades, ligadas à personalidade de alguns pregadores, contrasta fortemente com os princípios e a experiência eclesiológicos das Igrejas históricas e pode ocultar insídias. O fato de que não poucos fiéis católicos sejam atraídos por essas comunidades, causa atritos, mas pode se tornar, da nossa parte, motivo de exame de consciência pessoal e de renovação pastoral”.
 
De fato, concluiu Francisco, muitas comunidades, inspiradas por estes movimentos, vivem experiências cristãs autênticas, em contato com a Palavra de Deus e na docilidade à ação do Espírito, que leva a amar, testemunhar e servir.
 
É o Espírito que cria e recria a novidade da vida cristã, e é o mesmo Espírito que traz tudo unidade real, que não é uniformidade. Para esta abertura de coração, a busca de comunhão e discernimento cuidadoso são as atitudes que devem caracterizar nossos relacionamentos de acordo com o Espírito.
 
Fonte: Vatican News
Foto: Reprodução / Vatican Media

 
"Em nome da Conferência de Religiosos do Brasil - CRB, peço que você e sua comunidade procurem conhecer o perfil dos candidatos e candidatas a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República. Cada cargo tem sua importância para o nosso país. Examinem o que eles já realizaram, que projetos e causas defenderam em defesa da vida, dos pobres, das crianças e minorias. Analisem suas propostas para o futuro", escreve a Ir. Maria Inês Vieira Ribeiro, presidente da CRB. 
 
Eis o texto.
 
Apelo à Vida Religiosa Consagrada do Brasil
 
Querida Irmã, querido Irmão!
 
Dirijo meu apelo a você e à sua comunidade, neste momento que antecede as eleições no Brasil.
 
Reconheço que há um descrédito generalizado em relação à política e aos políticos. Respeito a consciência de cada um/a e suas opções. Assim, inspirados/as pelo Evangelho, busquemos critérios para escolher o que é melhor para o povo brasileiro. Somos Consagrados/as para servir e promover a vida em toda a sua extensão, a começar pelos mais pobres.
 
É importante vencer a indiferença e o pessimismo. Em uma época de crise como a nossa, é importante cultivar a esperança. Evitemos votar em branco ou nulo. O voto branco ou nulo favorece aqueles que possuem mais dinheiro e já ocupam o espaço da política tradicional. O voto nulo ou branco é um voto de protesto e legítimo, mas, quando nós nos omitimos, corremos o risco de permitir que alguém inadequado ocupe o lugar de alguém íntegro.
 
Além disso, não podemos votar em candidatos que pregam abertamente a violência, como solução para a segurança pública. E não faz parte de nossas escolhas apoiar aqueles que, sem nenhum pudor, discriminam as mulheres, os afrodescendentes, os indígenas, os pobres e as crianças.
 
Não há partido político ou candidatos ideais que correspondam 100% ao Evangelho. O joio e o trigo crescem juntos e se misturam em diferentes proporções na política, como em qualquer outra realidade humana.
 
Precisamos discernir sobre o melhor possível, à luz do Espírito Santo, com os pés firmes na realidade.
 
Em nome da Conferência de Religiosos do Brasil - CRB, peço que você e sua comunidade procurem conhecer o perfil dos candidatos e candidatas a deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República. Cada cargo tem sua importância para o nosso país. Examinem o que eles já realizaram, que projetos e causas defenderam em defesa da vida, dos pobres, das crianças e minorias. Analisem suas propostas para o futuro.
 
Por fim, peço-lhes que estendam esta mensagem aos leigos e leigas que atuam com vocês. Ajudem a nossa nação a superar a intolerância e a ilusão das soluções fáceis. Como discípulas missionárias e discípulos missionários, somos chamados por Jesus a colaborar com o bem comum.
 
Que Maria, nossa Mãe e Companheira, nos conduza a Jesus, como fez nas Bodas de Caná. E nos empenhe por uma sociedade justa, solidária e sustentável.
 
Ir Maria Inês Vieira Ribeiro
Presidência e Diretoria da CRB Nacional
 
Fonte: IHU Unisinos / CRB
Foto: Reprodução

 
“Deixo-vos a minha paz... quando depender de vós, tende paz uns com os outros”
 
No mês em que comemora 40 anos de organização como denominação religiosa, o seu Conselho Coordenador, preocupado com a instabilidade que divide e acirra a polaridade política no País, considera oportuno reafirmar a sua identidade como Igreja Presbiteriana Unida do Brasil, que está acima de posições partidárias, lembrando que:
 
1. A Igreja nasceu em 1978, num contexto histórico de ditadura militar no Brasil, cuja repressão e perseguição aos que pensavam diferente transbordou para as igrejas, quando lideranças eclesiásticas foram, da noite para o dia, despojadas de todos os seus direitos;
 
2. Em seus documentos fundantes estão os princípios cristãos que devem nortear as ações hoje, na missão profética de proclamar o Reino de Deus para a realidade em que vivemos;
 
3. O Pronunciamento Social da Igreja afirma que: 
• Todas as restrições aos direitos fundamentais do ser humano são igualmente odiosas e contrárias à fé cristã;
• Os direitos e deveres do cidadão devem ser mantidos em qualquer sociedade para que ela se aproxime do ideal cristão; 
• Os cristãos devem se lembrar de que o propósito redentor de Deus inclui a ordem social, para combater nela os elementos demoníacos, e mostrar que Deus tem como objetivo criar não só um novo homem, mas uma nova sociedade.
 
4. A Igreja é, então, desafiada entre outras coisas a:  
• Incentivar a “cidadania responsável” de todos os seus membros; 
• Clamar contra a injustiça, a opressão e a corrupção; 
• Proclamar os princípios éticos do Evangelho;
• Conscientizar o Estado de todos os seus deveres, prestigiando suas ações no estabelecimento da sua justiça social.
 
5. Os valores éticos e cristãos que baseiam esta Igreja carregam em seu bojo a luta e história de vida de homens e mulheres para tornar realidade uma “nova forma de ser igreja”:  não autoritária, inclusiva, que valoriza as mulheres; uma igreja profética que procura ser a voz daqueles que estão à margem da sociedade, denunciando a violência, opressão e injustiça; uma igreja ecumênica que dialoga com respeito e amor; uma igreja solidária que estende a mão e abraça as pessoas necessitadas de Pão, Palavra e Amor;
 
Por isso, repudiamos toda e qualquer forma de violência física ou verbal, o racismo, o machismo e a misoginia, a homofobia ou qualquer ação que afronte a dignidade das pessoas, os direitos humanos e o exercício pleno da democracia.
 
Que nossas escolhas nas eleições que se aproximam possam ser pautadas pelo legado deixado por homens e mulheres que defenderam a vida com dignidade, ética, respeito e diálogo. 
 
CONSELHO COORDENADOR DA IPU
 
Presbª Anita Sue Wright Torres  Moderadora
filha de Jaime Wright (Brasil Nunca Mais)
e sobrinha do Dep. Paulo Stuart Wright (desaparecido político da ditadura militar no Brasil)
 
Rev. Wislanildo Franco – Vice Moderador 
 
Presb. Sérgio Augusto Miranda de Souza – 1º Secretário
 
Presb. Daniel Tavares de Castro – 2º Secretário
 
Presb. Davi Freitas Natal – Tesoureiro