De 10 a 18 de julho, a presidenta e o vice-presidente da Igreja Metodista do Reino Unido, membro do Conselho da Christian Aid, Michaela Youngson e Balachandren Gnanapragasam, estarão em visita ao Brasil para conhecer de perto as experiências de grupos sofrendo deslocamento forçado. De acordo com as Nações Unidas, mais de 30 milhões de pessoas foram forçadas a se mudar em 2017 para fugir de conflitos, violência, desastres naturais e obras de desenvolvimento.
 
A equipe da Christian Aid no Brasil e seus parceiros os receberão e acompanharão a visitas a comunidades atingidas por barragens em Rondônia, às margens do Rio Madeira. O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) atua na defesa dos direitos dos atingidos na região desde o surgimento das barragens de Santo Antônio e Jirau, que já causou o deslocamento de mais de 10 mil pessoas. O grupo também terá a oportunidade de reunir com representantes da Igreja Metodista no Brasil e conhecer uma ocupação urbana no centro de São Paulo. 
 
Em breve, no site do CONIC, você terá mais informações sobre a visita.

 
A Dinamarca caminha a passos largos para se tornar o primeiro país do mundo 100% orgânico. O país nórdico está trabalhando forte para substituir os alimentos cultivados com os métodos tradicionais por orgânicos e estimulando a demanda por produtos livres de agrotóxicos.
 
Uma dos objetivos é duplicar a produção de cultivos orgânicos antes de 2020, através de subsídios para os pequenos agricultores. Outra meta do governo é que 60% dos alimentos que são destinados a hospitais, escolas e restaurantes comunitários sejam orgânicos.
 
Pode parecer um plano audacioso, mas a Dinamarca trabalha há 25 anos para alcançar esses objetivos. Um exemplo disso a nível local é que o país tem criado projetos para que os municípios possam criar hortas em terrenos abandonados.
 
Mas porque consumir produtos orgânicos?
 
1) Evita problemas de saúde causados pela ingestão de substâncias tóxicas, como os resíduos de agrotóxicos e metais pesados presentes nos produtos convencionais.
 
2) São mais nutritivos e originam de solos ricos e balanceados com adubos naturais.
 
3) São mais saborosos. Em sua produção não há agrotóxicos ou produtos químicos que possam alterá-los.Alimentos quando são cultivados em seu próprio tempo e sem produtos químicos são mais saudáveis e saborosos.
 
4) Protege futuras gerações. A agricultura orgânica exclui o uso de fertilizantes químicos solúveis e agrotóxicos. Tem como base a preservação dos recurso naturais.
 
5) Evita a erosão do solo. Através das práticas conservacionistas, recupera e eleva a qualidade do solo.
 
6) Proteje a qualidade da água. Os agrotóxicos utilizados nas plantações convencionais atravessam o solo e poluem rios e lagos.
 
7) Restaura a biodiversidade, protegendo a vida animal e vegetal.
 
8) Ajuda os pequenos agricultores. Em sua maioria, a produção orgânica é realizada por pequenos núcleos familiares que tem na terra a sua única fonte de sustento.
 
9) Economiza energia. É o procedimento contrário da agricultura convencional que se apóia no petróleo como insumo de agrotóxicos e fertilizantes e é a base para a intensa mecanização que a caracteriza.
 
10) O produto é certificado. A qualidade do produto orgânico é assegurada por um Selo de Certificação.
 
Fonte: Redação RPA
Foto: Reprodução

 
A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CorteIDH) considerou o Estado brasileiro responsável pela falta de investigação, julgamento e sanção dos responsáveis pela tortura e assassinato do jornalista Vladimir Herzog.
 
O tribunal internacional também considerou o Brasil responsável pela violação ao direito de conhecer a verdade e à integridade pessoal em prejuízo dos familiares de Herzog.
 
"A CorteIDH determinou que os fatos ocorridos contra Vladimir Herzog devem ser considerados como um crime contra a humanidade, como é definido pelo direito internacional", afirma a sentença.
 
Em resposta, o ministério dos Direitos Humanos informou nesta quarta-feira (4) que vai "aprimorar" as investigações sobre Herzog.
 
"Consideramos que a sentença da Corte IDH, ainda que condenatória ao Estado brasileiro, representa uma oportunidade para reforçar e aprimorar a política nacional de enfrentamento à tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes, assim como em relação à investigação, processamento e punição dos responsáveis pelo delito", diz nota do ministério.
 
DOI/CODI
 
O caso remonta a 24 de outubro de 1975, quando Vladimir Herzog, de 38 anos, se apresentou para depor voluntariamente diante das autoridades militares do DOI/CODI de São Paulo.
 
No entanto, o jornalista foi preso, interrogado, torturado e finalmente assassinado em um contexto sistemático e generalizado de ataques contra a população civil considerada "opositora" à ditadura brasileira, e, em particular, contra jornalistas e membros do Partido Comunista Brasileiro, segundo o processo.
 
As autoridades da época informaram que se tratou de um suicídio, uma versão contestada pela família do jornalista e no processo. Posteriormente, iniciaram uma nova investigação em 1992, que foi arquivada em aplicação da Lei de Anistia.
 
Os familiares apresentaram em 1976 uma ação civil na Justiça Federal que desmentiu a versão do suicídio e, em 1992, o Ministério Público do Estado de São Paulo pediu a abertura de uma investigação policial, mas o Tribunal de Justiça considerou que a Lei de Anistia era um obstáculo para investigar.
 
Após outra tentativa de esclarecer os fatos, em 2008, o caso foi arquivado por prescrição, segundo o processo.
 
Por ser catalogado como um crime contra a humanidade, a CIDH concluiu que o Estado "não podia invocar nem a existência da figura da prescrição, nem a aplicação do princípio 'ne bis in idem', da lei de anistia, ou de qualquer outra disposição análoga ou excludente similar de responsabilidade para escusar-se do seu dever de investigar e sancionar os responsáveis".
 
A Corte Interamericana afirmou ainda que, devido à falta de investigação, o Estado brasileiro também violou os direitos às garantias judiciais e à proteção judicial dos familiares da vítima, identificados como Zora, Clarice, André e Ivo Herzog.
 
No marco do procedimento diante da CorteIDH, o Brasil reconheceu que a conduta estatal de prisão arbitrária, tortura e morte de Vladimir Herzog tinha causado aos familiares uma severa dor, reconhecendo sua responsabilidade.
 
"Apesar de o Brasil ter empreendido diversos esforços para satisfazer o direito à verdade da família do senhor Herzog e da sociedade em geral, a falta de um esclarecimento judicial, a ausência de sanções individuais em relação com a tortura e o assassinato de Vladimir Herzog, (...) violentou o direito a conhecer a verdade em prejuízo de Zora, Clarice, André e Ivo Herzog", indicou a sentença.
 
O tribunal ordenou ao Estado brasileiro que reinicie, com a devida diligência, a investigação e processo penal que corresponda pelos fatos ocorridos em 25 de outubro de 1975 para identificar, processar e, no seu caso, sancionar os responsáveis pela tortura e assassinato de Vladimir Herzog.
 
Além disso, deve adotar as medidas mais idôneas para que se reconheça a imprescritibilidade dos crimes contra a humanidade e crimes internacionais, assim como pagar os danos materiais, imateriais e despesas judiciais.
 
A CorteIDH, com sede na Costa Rica, faz parte da Organização dos Estados Americanos (OEA) e suas resoluções são de acatamento obrigatório para os países que reconheceram sua jurisprudência.
 
Fonte: G1
Foto: Reprodução

 
É cada vez mais urgente que o testemunho da fé cristã também se traduza em ações corajosas para proteger e defender a natureza da exploração descontrolada e das consequências nefastas das mudanças climáticas.
 
É o que reiteram nove líderes e representantes de diferentes tradições cristãs, em uma carta divulgada em vista do "Tempo da Criação", uma iniciativa que se realizada anualmente de 1º de setembro  a 4 outubro.
 
O primeiro signatário é o arcebispo Job de Telmessos, representante do Patriarcado de Constantinopla no Conselho Mundial de Igrejas (CMI). O próprio patriarca ecumênico Bartolomeu I, há tempos vem se empenhando no campo da defesa da criação, a ponto de ser chamado pela mídia como “patriarca verde”.
 
Ao apresentar a iniciativa, os signatários convidam os fiéis de todo o mundo para participar ativamente, com gestos e ações conscientes. "Com o agravamento da crise ambiental, nós cristãos somos chamados com urgência a testemunhar a nossa fé, colocando em prática ações para preservar o dom que nós compartilhamos", lê-se no documento divulgado no site do CMI.
 
Esta é a primeira declaração conjunta de apoio ao "Tempo da criação", assinada por representantes de todas as principais denominações cristãs. "Sinal - destaca Riforma.it – ​​de que a questão ambiental tornou-se uma expressão essencial do viver a fé."
 
Disto o convite para se unir à iniciativa, no "sincero desejo de proteger a criação e todos aqueles que a compartilham" e a "caminhar juntos", como irmãos na fé, para concretizar gestos de responsabilidade ambiental.
 
A iniciativa, como mencionado, terá início em 1º de setembro,  dia de oração dedicado ao cuidado da criação, instituído pelo patriarca ecumênico Dimitrius l, em 1989.
 
Nos anos sucessivos, a iniciativa ultrapassou o ambiente ortodoxo e muitas Igrejas cristãs começaram a celebrar este tempo, estendendo-o até o dia 4 de outubro,  dia em que a Igreja Católica celebra São Francisco de Assis.
 
Em 2015, o Papa Francisco instituiu o Dia Mundial de Oração pelo cuidado da criação, para coincidir precisamente com o mesmo dia instituído pela Igreja Ortodoxa.
 
Entre os outros signatários do documento, incluem-se o primaz da Comunhão Anglicana, Justin Welby, o secretário-geral do CMI, Olav Fykse Tveit, o secretário-geral da Federação Luterana Mundial, Martin Junge, o Cardeal Peter Turkson, prefeito da Congregação para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral.
 
Fonte: Vatican News
Imagem: Reprodução

 
Luterano, doutor em Teologia pela Universidade de Basiléia, Suíça, da qual também recebeu o Prêmio Amerbach pela tese de destaque, e professor da Faculdades EST, Rudolf participou, no último mês, das comemorações pelos 70 anos do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Em entrevista para o CONIC, ele avalia a participação do Papa Francisco no evento e, também, reflete um pouco sobre ecumenismo.
 
“Importa aprender a conviver. Ser curioso no bom sentido, fazer perguntas antes de ‘carimbar’ respostas. Temos, sim, diferenças, às vezes profundas. Não podemos nem devemos negá-las. Porém, antes de rejeitar uma posição e, muito menos, uma pessoa, devemos reconhecer a seriedade da fé que ela quer viver e as razões pelo qual o faz”, declara.
 
Leia a entrevista na íntegra.
 
1) O Sr. foi participar das comemorações dos 70 anos do CMI a convite de quem?
 
Participei como moderador da Comissão de Educação e Formação Ecumênica do CMI. A moderadora e os moderadores das quatro comissões permanentes – Fé e Ordem, Missão Mundial e Evangelização, Igrejas em Assuntos Internacionais e a nossa – são sempre convidada e convidados para participar da reunião do Comitê Central, na condição de assessora e assessores. Para mim, foi a primeira vez desde que assumi, em 2014, que pude participar. Um grande privilégio, considerando que foi logo na festa dos 70 anos.
 
2) Lá, também estava o pastor Walter Altmann, que também é da IECLB. É possível afirmar que a IECLB "respira" ecumenismo?
 
A IECLB já nasceu ecumênica. Historicamente, incorporou fieis de origem reformada (calvinista ou zwingliana), luterana e unida. Em sua constituição, no art. 5º, ela se afirma como de “natureza ecumênica”, o que “se expressa pelo vínculo de fé com as igrejas no mundo que confessam Jesus Cristo como único Senhor e Salvador”. Esta formulação reflete a chamada “base” de fé do CMI, condição mínima para ser igreja-membro deste Conselho. A IECLB se vinculou praticamente ao ser criada, como Federação Sinodal, em 1949, ao CMI, tornando-se membro em 1950. Ou seja: a IECLB não é ecumênica apesar de, mas precisamente por ser luterana. Consequentemente, vem participando, até hoje, das mais importante agremiações ecumênicas no país, no continente e no mundo. Sou o terceiro catedrático de ecumenismo na Faculdades EST, sendo que meu predecessor imediato foi o eminente Pastor Gottfried Brakemeier, quem chegou a ser presidente da IECLB, reitor da EST, presidente do CONIC e da Federação Luterana Mundial. A existência desta cátedra é outro aspecto que demonstra o compromisso da IECLB com o ecumenismo. O Pastor Walter Altmann também foi presidente da IECLB, presidente do Conselho Latino-americano de Igrejas (CLAI) e moderador do Comitê Central do CMI de 2006 a 2013, além de outros cargos ecumênicos. Diga-se de passagem que o ecumenismo não é exclusividade do catedrático; perpassa toda EST e se constituiu como perspectiva do colegiado, mesmo que possamos ter diferentes ênfases.
 
3) Qual balanço o Sr. faz da integração entre membros de diferentes igrejas representadas lá durante as comemorações?
 
Em nível pessoal, foi intenso e muito gratificante. Reencontrei muitas pessoas que já conheci, algumas há décadas. Participei, em 1995, de um encontro de Fé e Ordem com jovens teólogas e teólogas. Destes, um hoje é patriarca da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, outra é moderadora da importante Comissão de Fé e Ordem do CMI, outro é bispo católico do local que foi anfitrião da visita do Papa: Genebra. São trajetórias construídas que incluem o compromisso ecumênico de uma ou outra forma, durante os quais aprendemos muito umas das outras. Outras pessoas conheci há menos tempo: um estudo bíblico de Atos 2, em conjunção com Joel 2, foi proferido por uma jovem teóloga indígena de Aotearoa (nome Maori) – Nova Zelândia em perspectiva indígena e pós-colonial. Ela é membro da “minha” comissão acima referida; fiquei muito orgulhoso. O CMI preza muito pela presença de mulheres, jovens, indígenas, pessoas com deficiências e investe muito para que estes grupos muitas vezes invisibilizadas em nossas igrejas tenham efetiva participação. Mais outras pessoas encontrei pela primeira vez. Os encontros, as conversas, as celebrações litúrgicas, o clima de festa foi muito enriquecedor.
 
Em nível dos debates formais, foi tenso em vários momentos. Até documentos que pareciam tranquilos, como aquele sobre diaconia ecumênica, fizeram surtir discussões às vezes fortes, questionando conteúdo e processo. Importa dizer que o ecumenismo nunca anda em linha reta – há avanços e retrocessos e às vezes se volta a assuntos já tratados e, supostamente, resolvidos anteriormente. Há os e as “ecumenistas profissionais” que sabem o que querem e sabem articular-se bem, enquanto há também novatas e novatos que têm dificuldade de absorver o estilo CMI. Nem todas e todos estão de acordo com o vigente estilo democrático do tipo anglo-saxão nos debates, mesmo que tenha sido abrandado pelo sistema de consenso adotado há alguns anos. São muitos documentos que não precisam apenas de leitura, mas de imaginação como chegaram a ser como são – foram muitas mãos que, ao longo de meses, às vezes anos, mexeram neles. Especialmente entre ortodoxos e protestantes as diferenças teológicas e organizacionais são profundas, o que não impede amizades e respeito mútuo, até momentos importantes de aprendizagem, mas dificulta avanços mais consistentes e fixados em documentos para continuarem valendo. Ao mesmo tempo, não podemos esquecer que há um enorme crescimento e uma grande diversificação do cristianismo em continentes como África e América Latina, o que se reflete, mais e mais, também no Conselho – embora a maioria destas igrejas não seja membro do CMI. Este representa, hoje, com suas 350 igrejas-membro cerca de 25% do cristianismo mundial – o que já não é pouco, mas é apenas uma parcela. A igreja católica, que representa metade do cristianismo no mundo, não é membro do CMI, mas colabora em várias frentes, especialmente na Comissão de Fé e Ordem. E há ainda outros 25%, cerca de 500 milhões de pessoas cristãs que representam igrejas independentes.
 
4) Como avalia a participação do Papa Francisco no evento?
 
Naturalmente, a expectativa foi grande. Diria que foi uma presença de grande poder simbólico. Estive a cinco metros do Papa quando entrou na capela. Primeiro me assustei um pouco – um homem aparentando fragilidade. Ninguém pode desejar a ninguém ter uma agenda tão repleta, complexa e desafiadora como ele, e é compreensível que isto seja cansativo e que a saúde fique debilitada. No entanto, ao tomar a palavra em sua homilia, sua contínua energia ficou visível. Foi simples, mas significativo, baseado completamente na Bíblia e nos desafios de hoje, afirmando que precisamos continuar a “caminhar, orar e trabalhar juntos”, que foi o lema do encontro. Uma mensagem profundamente evangélica. Disse, entre outras, que “o ecumenismo pôs-nos em movimento segundo a vontade de Jesus e poderá avançar se, caminhando sob a guia do Espírito, recusar toda a reclusão autorreferencial” e que caminhar assim acarreta um “prejuízo” aos olhos do mundo, pois “escolher ser de Jesus antes de Apolo ou de Cefas (cf. 1 Cor 1,12) [...] escolher em nome do Evangelho o irmão antes que a si mesmo” não dá ganho no sentido comum de lucro. No entanto, “produz fruto na vinha do Senhor”. Palavras extremamente significativas num âmbito ecumênico! Ao contrário de Paulo VI, quem, ao visitar o CMI em 1969, disse: “Caros irmãos em Cristo: nosso nome é Pedro”, este Papa não fez nenhuma questão de fazer constar qualquer pretensão específica dele ou de sua igreja. Focou na base comum – o Evangelho – e na missão comum, na proclamação da boa nova e no cuidar das pessoas necessitadas, não por último as pessoas migrantes e refugiadas. Já na volta a Roma, o Papa falou para as e os jornalistas que o acompanharam: foi um encontro muito significativo, com um diálogo “profundo” e “humano”, que o deixou “contente”, e foi verdadeiramente ecumênico, sendo que não pode haver ecumenismo com proselitismo! Um sinal importante. 
 
Depois da oração, tomou tempo para encontrar pessoas com deficiências, abençoando-as, pedindo orações por ele próprio de uma ministra em cadeira de rodas, e deu especial atenção a uma criança com câncer, visível por sua cabeça raspada. Encontrou-se brevemente com uma delegação das igrejas norte-coreanas, outra presença muito significativa e inédita numa reunião do CMI. Esta comunhão de igrejas tem sido e continua sendo instrumental na aproximação das igrejas e dos países, não por último das duas Coreias.
 
5) Há quem diga que a presença do Papa lá pode significar "um salto de qualidade" na caminhada ecumênica mundial. Você concorda?
 
De certa forma, sim – nem tanto por avanços substanciais, mas pela afirmação da caminhada e pela parceria que o Papa, como o grande pastor que é, desenhou com sua visita e simplicidade evangélica. Autodesignou-se “peregrino em busca da unidade e de paz” e agradeceu “a Deus porque aqui vos encontrei a vós, irmãos e irmãs já a caminho”. É uma caminhada em pé de igualdade. Ele próprio falou de uma “primavera ecumênica”. Temos que ver o que isto vai significar no detalhe, mas o tom é muito promissor.
 
6) No Brasil, ecumenismo muitas vezes é visto com desconfiança. Como fazer as pessoas entenderem o real sentido de "ser ecumênico"?
 
Em primeiro lugar importa aprender a conviver. Ser curioso no bom sentido, fazer perguntas antes de “carimbar” respostas. Temos, sim, diferenças, às vezes profundas. Não podemos nem devemos negá-las. Porém, antes de rejeitar uma posição e, muito menos, uma pessoa, devemos reconhecer a seriedade da fé que ela quer viver e as razões pelo qual o faz. Na minha experiência, a leitura bíblica em conjunto, o estudo da teologia em conjunto ajuda muito para querermos, em primeiro lugar, aprender. Depois importa também a ação em conjunto, pois nosso país precisa de forças que cooperem e que não dividam ainda mais um país já tanto dividido e polarizado. Precisamos buscar o bem comum. Mais do que tolerância, trata-se de respeito para com a outra, o outro. Muito antes de conhecer e discutir um conceito de ecumenismo, é realmente preciso “ser ecumênico”, procurar viver sua fé em Cristo com seriedade, profundidade, disposição ao serviço e profundo amor para com o próximo. 
 
7) Em sua opinião, como seria um mundo onde o ecumenismo não mais existisse?
 
Lembremo-nos que “ecumenismo” vem do grego oikoumene, “a (terra) habitada”, ou seja, significa o próprio mundo. Eliminar o ecumenismo seria eliminar o próprio mundo. O movimento ecumênico, ao lado da outros tantos movimentos, religiosos ou não, procura tornar este mundo mais habitável, fomentar a convivência, a paz com justiça. Uma humanidade, e mais ainda, uma igreja cristã que não busque contribuir para com esta finalidade, se autodestrói e perde sua razão de ser. Temos que resistir a isto e procurar construir, sempre.

 
O Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), durante a reunião realizada de 15-21 junho em Genebra, divulgou um comunicado reiterando a grave preocupação com a situação alarmante e em rápida deterioração dos cristãos no Oriente Médio.
 
O Comitê Central pediu a libertação de dois arcebispos sírios, o sírio-ortodoxo Yohanna Ibrahim e o greco-ortodoxo Paul Yazigi, sequestrados por homens armados próximo a Aleppo, na Síria, em abril de 2013, quando retornavam da fronteira turca para a cidade de Aleppo.
 
"Nós continuamos a rezar por seu retorno seguro às suas Igrejas, às suas comunidades e às suas famílias, como um sinal de esperança para todos os cristãos da Síria e da região", diz o comunicado.
 
O texto também afirma que "é necessário um novo pacto social em toda a região do Oriente Médio - uma narrativa comum desenvolvida e compartilhada por todas as comunidades de países da região ' com base em uma compreensão inclusiva da cidadania e dos direitos humanos, constitucionalmente garantida, e sob o qual todas as Igrejas e comunidades de fé, com suas diferentes identidades étnicas, religiosas e culturais, possam viver e prosperar no amor e na graça dados a todos por Deus." 
 
Fonte: Vatican News
Foto: Reprodução / AFP or licensors

 
O Conselho da Federação Luterana Mundial (FLM) aprovou a entrada de três novas igrejas. São elas: a Igreja Luterana de Cristo, com sede na Índia; a Igreja Evangélica Unida, de Cuba, e a Igreja Luterana da Guatemala. Com essas adesões, o número de igrejas-membro da FLM passa a ser de 148.
 
Leia, a seguir, a notícia completa em espanhol.
 
El Consejo de la FLM votó para con alegría dar la bienvenida a tres nuevas iglesias a la Federación Luterana Mundial (LWF). Ella son la Iglesia Luterana de Cristo (India), La Iglesia Evangélica Unida – Sínodo Luterano (Cuba) y la Iglesia Luterana Agustina de Guatemala. Esto eleva el número de iglesias miembro a 148 y los países a 99.
 
“Les damos la bienvenida a este caminar de mutualidad y solidaridad de la FLM. Centrada en Cristo y aferrándose al don de la liberación por la gracia de Dios, se les invita a compartir sus talentos mientras trabajamos juntos por la justicia, la paz, la reconciliación en nuestro mundo” dijo el Secretario General de la FLM Dr. Martin Junge cuando el Consejo aprobó a las nuevas iglesias.
 
La Iglesia Luterana de Cristo (India) está formada por 54 congregaciones y centros en seis estados. Las congregaciones están atendidas por 18 pastores ordenados y 18 evangelistas. La membresía de la iglesia es poco más de 2700.
 
La Iglesia Evangélica Unida – Sínodo Luterano, en Cuba, extiende el alcance geográfico de la comunión a un nuevo país. Tiene 1500 miembros, 11 congregaciones en siete provincias, siete pastores y pastoras ordenadas, un obispo y una obispa auxiliar, seis diáconos y diáconas y 15 personas en rol de predicación.
 
La Iglesia Luterana Agustina de Guatemala se compone de 3000 miembros en 17 congregaciones ubicadas en El Quiché, Cobán, Alta Verapáz, Petén y Ciudad de Guatemala. La iglesia cuenta con ocho pastores y pastoras ordenadas, dos catequistas, un evangelista, un predicador, un ministro para la eucaristía y 16 promotores y promotoras de salud y varias personas voluntarias.
 
Las iglesias que solicitan la membresía a la FLM aceptan la base doctrinal de la FLM, deben ser organismos autónomos, legalmente reconocidas en sus respectivos países y están formadas por más de una congregación local.
 
La reunión de 2018 del Consejo de la FLM tuvo lugar en Ginebra del 27 de junio al 2 de julio con el tema “Den gratuitamente lo que gratuitamente recibieron” (Mateo 10.8, RVC). El Consejo de la FLM se reúne una vez por año y es su más alta autoridad entre las asambleas. Está integrado por el presidente de la Federación, el presidente del Comité de Finanzas y 48 vocales de iglesias miembro de las siete regiones de la FLM.
 
CONIC, com informações da FLM
Foto: FLM / Albin Hillert

 
O documentarista baiano Dado Galvão e o fotógrafo paraibano Arlen Cezar iniciaram em maio as ações de campo da Missão Ushuaia Venezuela.  Um dos objetivos da missão independente é promover ações de cunho cultural e humanitário através do cinema documentário de apoio aos venezuelanos que estão nos abrigos, casas de acolhida e nas ruas de Boa Vista e de Pacaraima, municípios de Roraima com maior concentração de imigrantes e refugiados que fogem da crise econômica e política na Venezuela. 
 
Os membros da missão estiveram na Casa Brasil-Venezuela que tem o apoio da igreja Batista de Roraima. Foram entregues cartas escritas por estudantes do Colégio Público Modelo Estadual Luís Eduardo Magalhães do município de Jequié, no sudoeste do estado da Bahia. A venezuelana Carolina Arenas está há cinco meses em Boa Vista e disse que ao ler a carta com mensagens de amor e coragem, o dia ficou melhor. “Me senti mais forte diante do que estamos passando , longe de nossas famílias que estão na Venezuela há uma vazio em nós, se não fosse o governo Maduro, estaríamos em nosso país e em paz”, contou Carolina. 
 
Atividades da missão aconteceram também no abrigo da Fraternidade sem Fronteiras com apoio da Missão Acolhida do Exército do Brasil em Roraima.  Na Praça do Garimpeiro foi exposto um varal contendo cartas para os venezuelanos, que ao receber uma carta eram incentivados a escrever outra carta para os parlamentares do PARLASUL (Parlamento do MERCOSUL), mais de trezentas cartas foram escritas pelos venezuelanos que estão em Roraima, e serão entregues pela missão aos parlamentares. “Os venezuelanos pegam as cartas e após leitura, pedimos que escrevam o que eles tem enfrentado devido a crise migratória, pois queremos entregar todo esse material colhido para os parlamentares do PARLASUL, nós acreditamos que assim poderemos buscar mais alternativas para resolver essa grave crise do país vizinho”, ressaltou Dado Galvão.
 
Cartas foram entregues e recolhidas também na ocupação venezuelana Abrigo Criança Feliz, prédio abandonado pelo Governo Estadual há quinze anos, onde hoje residem cento e oitenta refugiados. O nome do espaço é uma referência ao grande número de crianças no local, são mais de cinquenta meninos e meninas. 
 
Na fronteira Brasil-Venezuela, entre os mastros das bandeiras que delimitam os territórios brasileiro e venezuelano, foi colocado um varal de cartas, onde foi realizada a primeira atividade e entrega de carta na cidade de Pacaraima, porta de entrada no Brasil da maioria dos venezuelanos em situações de migração e refugio. 
 
Ações no PARLASUL
 
Está na pauta para este 3 de julho, na 19ª Reunião Ordinária da Comissão de Educação, Cultura, Ciências, Tecnologia e Desportes do PARLASUL (Parlamento do MERCOSUL), o projeto do parlamentar argentino Humberto Benedetto, propondo que o PARLASUL, declare Missão Ushuaia Venezuela, de interesse cultural e humanitário.
 
Missão Ushuaia é uma realização artística conjunta do cineasta Dado Galvão (Brasil), do fotógrafo Arlen Cezar (Brasil) e do jornalista/escritor Carlos Javier (Venezuela). 
 
No final de novembro de 2015, a missão enviou para Javier, via Correio Postal, uma bandeira do MERCOSUL, que se transformou em um abaixo-assinado em defesa dos direito humanos e da liberdade de expressão na Venezuela. 
 
As ações da missão estão sendo documentadas em audiovisual e fotografia para construção de um documentário. A próxima ação da missão será entregar cartas escritas pelos refugiados venezuelanos aos parlamentares do PARLASUR e realizar uma exposição fotográfica das ações que aconteceram em Roraima, na sede do parlamento no Uruguai, em data a ser definida. 
 
Mais informações em: www.MissaoUshuaia.org 
 
Fonte: Cáritas
Foto: Reprodução

 
Na última quinta-feira, 28, véspera do dia dos Santos Pedro e Paulo – celebrado em 29 de junho – o Papa Francisco recebeu no Vaticano uma delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, que tradicionalmente visita Roma na ocasião. 
 
“A vossa presença por ocasião da celebração em honra aos principais patronos da Igreja de Roma é sinal da crescente comunhão que liga a Igreja Católica e o Patriarcado Ecumênico”, disse o Papa na abertura de seu discurso aos presentes. 
 
Francisco lamentou o fato de que em tantas sociedades que tradicionalmente se diziam cristãs se assista a uma progressiva ofuscação da fé cristã. Realidades como o desprezo da dignidade da pessoa humana, a idolatria do dinheiro e a difusão da violência foram alguns dos exemplos elencados pelo Papa.
 
Nesse sentido, ele recordou e disse partilhar de uma recente fala do Patriarca Ecumênico Bartolomeu em recente visita a Roma. Na ocasião, o Patriarca afirmou que é inaceitável que formas alternativas de desenvolvimento e a força da solidariedade social e da justiça sejam ignoradas e caluniadas. “As nossas Igrejas podem criar novas possibilidades de transformação para o nosso mundo”, considerou Sua Santidade Bartolomeu. 
 
Para Francisco, é consolador constatar que essa convergência de visões se traduz em um concreto trabalho comum. Como exemplo, lembrou que nos últimos meses o Patriarcado Ecumênico e a Igreja Católica colaboraram em iniciativas referentes a temas importantes, como a luta contra formas modernas de escravidão, a defesa da criação e a busca da paz. 
 
Também nesse caminho ecumênico, significativo é o Patriarca Bartolomeu ter aceitado o convite de Francisco para ir a Bari, no sul da Itália, junto a outros líderes de igrejas para um encontro ecumênico de oração pelo Oriente Médio. O encontro será no próximo dia 7 de julho. 
 
“É meu desejo que se multipliquem as oportunidades em que nós católicos e ortodoxos, em todos os níveis, possamos trabalhar juntos, rezar juntos, anunciar juntos o único Evangelho de Jesus Cristo que recebemos da pregação apostólica, para experimentar sempre mais neste caminho comum a unidade que, por graça de Deus, já nos une”, concluiu Francisco. 
 
A troca de delegações já é uma tradição por ocasião da festa dos respectivos santos padroeiros: em 29 de junho em Roma para a celebração dos santos Pedro e Paulo e em 30 de novembro em Istambul para a celebração de Santo André, padroeiro da Igreja Ortodoxa. 
 
Na quarta-feira, 27, a delegação do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla se encontrou com o Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos. No dia 29 participou da Solene Celebração Eucarística presidida pelo Papa.
 
Fonte: Canção Nova
Foto: Pixabay

 
 
28 de novembro de 2011. Uma segunda-feira que ainda não terminou para muitos de nós: neste dia, o professor e vereador Marcelino Chiarello foi assassinado em sua casa, no bairro Santo Antônio, em Chapecó (SC). Um militante social, um defensor dos direitos humanos, um vereador comprometido com a ética e a justiça social. Com suas denúncias, investigações e discursos na tribuna da Câmara de Vereadores, Marcelino incomodou pessoas e famílias muito poderosas da nossa cidade.
 
Interferências ilegais nas investigações, intimidações, omissão de agentes públicos, ligações nunca investigadas, mensagens de celular apagadas misteriosamente, laudos não autorizados: assim, a tese do suicídio foi plantada e cravada nos autos. Após quatro laudos distintos (dois apontando suicídio; outros dois, homicídio), o caso foi arquivado pelo judiciário, a pedido do Ministério Público.
 
Mas o arquivamento não calou a pergunta que até hoje ecoa em muitos lares, mentes e rodas de conversa: quem matou e quem mandou matar Marcelino? Afinal, que interesses são esses capazes de manipular laudos, interferir nas investigações e varrer a apuração de um crime? Por que tanta insistência em nos convencer que Marcelino pôs fim à própria vida? 
 
Julgamento Popular
 
Na busca por essas respostas que o poder público foi incapaz de responder em quase sete anos, para dar luz a fatos ignorados pela Justiça brasileira e para apontar as diversas falhas e omissões que marcaram as investigações, é que, no dia 30 de junho, foi realizado o Julgamento Popular.
 
 
O Julgamento Popular é o ponto máximo de um conjunto de articulações sociais, denominada Tribunal Popular do Judiciário. Esse tipo de ação já foi feito no Maranhão e na Bahia, em casos de violação de direitos humanos e omissão do Estado; vai muito além dos dias do júri popular e permite que a sociedade reflita sobre a atuação do poder judiciário de forma geral.
 
Para isso, a realização de um Julgamento Popular segue algumas etapas. No caso Marcelino, há dois anos, muitos atos já vêm sendo desenvolvidos: oficinas de estudo sobre o caso e sobre o funcionamento do judiciário, vigílias, caminhadas, passeatas, participação em celebrações, como forma de recuperar a memória e a luta de Marcelino e contribuir para a construção de outro ponto de vista à história oficial.
 
Dois momentos
 
O próprio Julgamento ocorre em dois momentos diferentes. 
 
A primeira etapa, que começou anteriormente, contou com plenárias populares nas escolas e comunidades de Chapecó e região, para que o maior número de pessoas conheça o caso, para esclarecer como funciona um júri popular e apurar mais casos de violação de direitos.
 
E no último dia 30, então, foi a vez o julgamento em si: apresentação da denúncia popular, depoimento das pessoas próximas e das testemunhas, abertura para considerações técnicas e fala do júri, com manifestação pública sobre o caso. O julgamento findou com um relato final que tem poder de sentença, com os encaminhamentos e desdobramentos necessários. A secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, esteve presente nessa segunda etapa.
 
 
Nossas lutas
 
Marcelino lutou as nossas lutas, sonhou nossos sonhos, partilhou das nossas utopias, até o fim. Nestas terras de Condá, como tantos outros lutadores, este discípulo de Dom José Gomes tombou. Educador para além das salas de aula e companheiro em todos os sentidos que essa palavra carrega, Marcelino foi e sempre será um de nós. Suas lutas vivem em nós. Afinal, mais do que um crime sem resposta, o caso de Marcelino é um caso gravíssimo de violação dos direitos humanos e um retrato doloroso do quanto a Justiça brasileira serve a poucos.
 
Marcelino se recusou a desviar os olhos das injustiças e do sofrimento do povo, a engavetar as denúncias. Marcelino não se calou – por que nós deveríamos? Façamos juntos com que a pergunta que jamais silenciou – quem matou Marcelino? – finalmente comece a ter a resposta que tanto precisamos. A causa da justiça aguarda todos nós no próximo 30 de junho, em Chapecó.
 
Se nos calarmos, até as pedras gritarão: MARCELINO, PRESENTE!
 
Com informações do portal Desacato
Fotos: página do Facebook do Julgamento Popular