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A gente sempre acha que não dá mais para se surpreender, mas se surpreende. E até se assusta. Estou assustado com a maneira avassaladora como a “igreja brasileira” – usando um termo bastante impreciso para me referir a esse grande fenômeno de massa que ocupa enormes espaços na mídia, arrebanha multidões, e que tem um projeto claro de aparelhamento dos espaços de decisão, inclusive com representações nas câmaras, parlamentos e outros espaços da política nacional, como o Judiciário – vem dando mostras escancaradas de engajamento não apenas político, mas partidário. 
 
Pois essa “igreja brasileira” – formada por uma salada infinita, que vai do fundamentalismo protestante e seus derivados, até as novíssimas igrejas pentecostais-neo-pós-tudo, e que se somam a um grande contingente de católicos (no plural mesmo, pois longe da uniformidade pensada, o Catolicismo se constitui de numerosíssimos movimentos que guardam entre si uma relação muito mais simbólica, posto que no campo das ideias e práticas são absurdamente diferentes, divergentes e contraditórios) – está se superando a cada dia que passa em seus malabarismos bíblico-teológicos para escancarar o seu apoio a um candidato que apoia abertamente a tortura e a eliminação de grupos divergentes. 
 
Qual o sentido de um cristão apoiar um candidato que se dizendo cristão, faz apologia à TORTURA??? 
 
Não há sentido bíblico, ao menos não à luz da pessoa e das obras do Jesus de Nazaré. Como combinar “Bandido bom é bandido morto” com o “Ouvistes o que foi dito: ‘Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo’. Eu, porém, vos digo: Amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem” (Mt. 5:43-44)? Simplesmente não dá para “esticar” o texto para desdizer o óbvio ululante. Ou você apoia o candidato-torturador e abre mão de ser discípulo do nazareno, ou vice-versa. 
 
Não há, certamente, um sentido lógico. Minimamente uma reflexão lógica há de nos fazer refletir que, por exemplo, dois erros não fazem um acerto. Não é possível achar que por termos uma situação de violência vamos aumentar a violência para diminuir a violência. Não faz sentido.
 
Não há sentido ético. Se pensamos ética como uma busca pela realização humana, como é possível combiná-la com ideais de eliminação da diferença, imposição de uma moral estrita, e falta de respeito às diferenças? 
 
Resta o sentido histórico... Sim, talvez seja isso. Pois se lembrarmos que grandes porções dos “cristãos” ao longo da história apoiaram as Cruzadas, apoiaram a Inquisição, participaram das Guerras de Religião, da Caça às Bruxas, estiveram do lado de Hitler e de Mussolini, participaram e participam da “guerra contra o mal” empreendida pelo “gigante protestante” que são os EUA, matando com bombas e disfarçando com bíblias...
 
Sim, sim... Há um sentido histórico naqueles que cantam louvores ao Jesus, preso, torturado e morto como um bandido entre bandidos, mas que apoiam os torturadores e seus apoiadores de plantão. Talvez retorne aqui a frase de Nietzsche, que dizia lavar as mãos depois de apertar as mãos de um cristão. No caso atual, talvez seja por que essas mãos estão cobertas de sangue.
 
Joel Zeferino é pastor na Igreja Batista Nazareth

 
 
Desde que Michel Temer assumiu ilegitimamente a Presidência da República, uma avalanche de medidas vem sendo tomadas pelo governo federal a toque de caixa. Sem qualquer debate com a sociedade e usando de instrumentos como decretos e Medidas Provisórias enviadas ao Congresso, Temer tem promovido alterações significativas em áreas estruturantes do país, com sérios impactos para a população – sobretudo a mais pobre –, para a soberania nacional e o futuro do Brasil.
 
Em todas as regiões, movimentos populares, trabalhadores, organizações da sociedade civil, cidadãos e cidadãs lutaram e lutam contra tamanhos retrocessos. A resistência da população, entretanto, tem sido sistematicamente reprimida pelas forças de segurança. As vítimas da violência do Estado contra quem tem erguido sua voz são crescentes. Ao mesmo tempo, o mesmo Congresso Nacional que aprovou o golpe contra a Presidenta Dilma Rousseff tem dado aval às imposições feitas pelo Palácio do Planalto.
 
Por isso, a Plataforma dos Movimentos Sociais pela Reforma do Sistema Político, em parceria com o projeto “Sociedade Civil construindo a Resistência Democrática”, decidiu construir a campanha “Vote e Revogue”. Queremos chamar a atenção daqueles que agora disputam uma vaga para o Parlamento brasileiro e para a Presidência da República para a urgência de ouvir a população sobre as mudanças realizadas na nossa Constituição e no ordenamento jurídico brasileiro.
 
Por isso, pedimos que você cobre de seu candidato ou candidata à Presidência, à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal o compromisso de que, se eleitos, apoiem a convocação de referendos revogatórios em torno de 10 medidas extremamente prejudiciais para o nosso povo. Nossa Constituição democrática prevê que a população seja ouvida não apenas de quatro em quatro anos, na hora do voto. Mas também por meio de mecanismos de participação direta, como plebiscitos e referendos. Como não nos consultaram sobre nenhuma dessas medidas, queremos ser ouvidos!
 
E é com o nosso voto que podemos pressionar as mais diferentes candidaturas a assumirem essa bandeira. Venha com a gente! Vote e Revogue!
 
AS 10 MEDIDAS
 
1. Reforma Trabalhista
2. Lei das Terceirizações
3. Teto de Gastos
4. Reforma do Ensino Médio
5. Fim dos Ministérios e políticas para mulheres e de igualdade racial
6. Desmonte da Funai e das políticas indígenas
9. Mudanças na regularização de terras urbanas e rurais
10. Venda do pré-sal e entrega dos setores de gás e mineração
 
A revogação dessas medidas é fundamental para a proteção do meio ambiente, dos direitos das mulheres, para a defesa do direito ao trabalho, para o respeito aos direitos dos povos tradicionais e de matriz africana, dos povos indígenas, das juventudes, dos idosos e das pessoas com deficiência, para o descongelamentos dos recursos públicos para a educação, saúde, assistência social, cultura, comunicação, mobilidade, moradia e saneamento básico.
 
Até o final da campanha eleitoral, mostraremos como cada uma dessas mudanças afetou a vida concreta da população e pode impactar no desenvolvimento justo e soberano do nosso país. Fique de olho e ajude a compartilhar essa mensagem! Vote e revogue!
 

 
Este material busca apoiar a reflexão neste momento eleitoral, ajudando as pessoas a discernir os discursos e atitudes das pessoas que se apresentam como candidatas aos diversos níveis de governo. Mas também quer ser uma contribuição da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil para melhor capacitar as pessoas cristãs na participação política que constrói uma sociedade autenticamente democrática, na qual a participação de todos seja instrumento do serviço/poder que promove libertação.
 
Para fazer o download do material, clique aqui.
 
Membros da Comissão de Incidência Pública, Direitos Humanos e Combate ao Racismo:
Sr. Daniel Souza, Diocese Anglicana de São Paulo/SP
Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional, Porto Alegre/RS
Revda. Lilian Conceição da Silva, Diocese Anglicana do Recife/PE
Revdo. Luiz Carlos Gabas, Diocese Anglicana do Paraná
Sr. Pedro Montenegro, Diocese Anglicana de Brasília/DF
 
Com informações da IEAB / ALC Notícias

 
"Estamos trabalhando pela unidade e estabilidade da ortodoxia e pelo testemunho eclesiástico comum". O Patriarcado Ecumênico, enquanto responsável em preservar a unidade, coordenar as relações interortodoxas e as iniciativas pan-ortodoxas, “exerce seu ministério na Ekumen ortodoxa, fiel aos princípios eclesiológicos e canônicos da ininterrupta da tradição dos padres."
 
Esta é uma das passagens mais significativas da homilia proferida na última segunda-feira (3/09) pelo patriarca Ecumênico Bartolomeu I, arcebispo de Constantinopla, na conclusão da oração comum dos metropolitas e arcebispos do patriarcado, realizada na Igreja da Santíssima Trindade de Stavrodromi, em Istambul. Entre os participantes, os metropolitas de Pérgamo, Iohannes, da Ilha dos Príncipes, Demétrio, e da França, Emanuel.
 
"A identidade de serviço e escatologia da Igreja - disse Bartolomeu - não é ameaçada somente pela secularização, mas também pelo fechamento e introversão de uma espiritualidade que entrou abundantemente na Igreja. Somos guardiões da sagrada herança dos padres, da fé reta, da adoração e glorificação e da ortopraxis em Cristo e segundo Cristo, da verdade que torna livres, da filocalia e da filantropia, do espírito de comunidade e da cultura de solidariedade, conscientes de uma continuidade histórica ininterrupta de uma tradição testemunhada por meio da confissão e do sacrifício dos santos, por meio da fidelidade ortodoxa e a espiritualidade, por meio do milagre da teologia dos padres, por meio do ethos da cruz e da ressurreição da ascese, pela forma eucarística da vivência, pela esperança da eternidade".
 
Um dever enfatizado também pelo metropolita de Pérgamo: "No mundo que virá, a ortodoxia não pode dar o próprio testemunho todo fragmentado, mas com uma só voz e um coração".
 
O patriarcado ecumênico tem o dever de recordar a todos a catolicidade e a universalidade da Igreja, destacando "o espírito de reconciliação e superação das diferenças, a serviço da unidade”.
 
Mas o presente é também representado pelo encontro com o mundo atual no qual a Igreja vive e dá seu testemunho: "Os grandes desafios dos tempos atuais, o predomínio da tecnologia e de seus resultados, a secularização e a globalização,  o avanço da redução e esquecimento da dimensão social e comunitária da liberdade, a injustiça social, o hedonismo, a destruição ambiental, mas também o filetismo étnico, o fundamentalismo religioso, o conflito das culturas e outras ameaças à sacralidade da pessoa humana, exigem respostas comuns, um testemunho comum e um comum avançar em direção ao futuro ", concluiu Bartolomeu.
 
Fonte: L’Osservatore Romano
Foto: Reprodução / AFP or licensors

 
Os parlamentares brasileiros são os mais bem pagos da América Latina, com um salário de R$ 33.763 por mês, fora benefícios. Contando os benefícios, eles recebem, em média, R$ 179 mil todos os meses. Com isso, os deputados federais e senadores estão bem longe da realidade do Brasil.
 
Segundo dados da Síntese de Indicadores Sociais 2017, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 25% dos brasileiros, o equivalente a um em cada quatro, tinham em 2016 uma renda domiciliar per capita de até R$ 387 por mês. Isso significa que 52,1 milhões de pessoas viviam em situação de pobreza no país. E a situação hoje pode ser até pior, devido ao aumento do desemprego.
 
Para ter uma noção do abismo que separa os brasileiros em situação de pobreza e os parlamentares, um brasileiro que tem renda mensal de R$ 387 demoraria 87 meses, isto é, 7 anos e 3 meses, para conseguir o que um parlamentar ganha de salário em um mês (sem considerar os benefícios).
 
A pobreza atinge principalmente crianças e adolescentes de 0 a 14 anos (42%), homens e mulheres pretos/pardos (67%), famílias formadas por mulheres sem companheiros e com filhos de até 14 anos (55% do total desse tipo de família), e mulheres pretas/pardas também sem companheiro e com filhos de qualquer idade (64%).
 
Segundo o site Congresso em Foco, os gastos anuais com os 513 deputados federais chegam, hoje, a R$ 1,1 bilhão. Cada deputado custa anualmente mais de R$ 2,1 milhões.
 
Por mês, são mais de R$ 91,8 milhões gastos com os salários, benefícios e privilégios dos deputados federais. Em média, cada deputado custa R$ 179 mil por mês ao país. São R$ 33,7 mil de salário; R$ 1,4 mil de ajuda de custo; entre R$ 30,4 mil e R$ 45,2 mil de cotão (valor que varia de estado para estado e que é usado para gastos como passagens aéreas, fretamento de aeronaves e alimentação do parlamentar); auxílio-moradia de R$ 4,2 mil ou apartamento funcional; e R$ 101,9 mil de verba de gabinete para até 25 funcionários.
 
Fonte: Observatório do Terceiro Setor
Foto: Reprodução

 
No feriado de 7 de setembro serão realizadas as já tradicionais manifestações do Grito dos Excluídos, um conjunto de ações articuladas pelos movimentos sociais em todo o Brasil. Desde sua primeira edição, em 1995, a manifestação tem como mote "A vida em primeiro lugar", e em 2018, chegando a seu vigésimo quarto ano, o tema específico é "Desigualdade gera violência: basta de privilégio".
 
Durante entrevista coletiva concedida nesta quinta-feira (30), Roselene Vanceto, da coordenação nacional do Grito dos Excluídos, diz que os questionamentos propostos pela mobilização têm relação com o tipo de sociedade se deseja construir. "A gente está discutindo um modelo de Estado. Hoje, ele privilegia o mercado e lucro e, ao povo, resta o Estado mínimo, como o corte de políticas públicas e sociais. É um momento importante para a gente discutir um projeto para a nação", afirma, em entrevista à repórter Ana Rosa Carrara, da Rádio Brasil Atual.
 
O professor do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Plínio de Arruda Sampaio Júnior destaca que a população pobre das periferias é a que mais sofre com a violência estrutural gerada pela desigualdade.
 
"A violência que estamos vivendo é a barbárie do capitalismo. 62 mil mortos por ano e a maioria é negra, jovem e trabalhadora. Um a cada quatro trabalhador está desempregado ou subutilizado. É contra essa violência que o povo precisa se organizar", explica.
 
Bruna Silva, mãe de Marcos Vinicius, adolescente de 14 anos assassinado pela Polícia Civil durante ação no Complexo da Maré, no dia 20 de junho, diz como a intervenção militar no Rio de Janeiro, que já completou seis meses, reflete na vida dos moradores de favelas.
 
"Hoje em dia você pega um ônibus e o que vê de policial com fuzil apontado para a população. A intervenção chegou para todos nós, pobres, porque ela só está matando inocente e criança. Quando mataram meu filho, eles deram um tiro no pé, pois me deixaram viva e estou aqui para apontar o dedo na cara deles", afirma a mãe.
 
O Grito dos Excluídos acontece em várias cidades do país, articulado por movimentos e pastorais sociais. A versão mais antiga é realizada na cidade de Aparecida, no estado de São Paulo, em conjunto com a Romaria dos trabalhadores e trabalhadoras.
 
Na cidade de São Paulo estão confirmados dois atos com concentração a partir das 9h. Um deles acontece na Praça da Sé, região central da cidade, e o outro começa na Praça Oswaldo Cruz e termina no Parque Ibirapuera. Manifestações estão previstas em diversas regiões do país.
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: Reprodução

 
Poderiam-me dizer: “Jesus nunca mandou um guia para elaboração de projeto com objetivos, indicadores e atividades, não obrigou nunca ninguém a passar por uma avaliação externa e certamente nunca deu acesso das suas contas a auditores, então não tinha relatórios financeiros, nem relatórios de atividades muito menos relatórios descritivos no final de semestres ou do triênio do seu projeto.” Têm toda razão, concordo plenamente.
 
Mas Jesus era coordenador, consultor, animador e avaliador. Ele organizou oficinas de captação de recursos, seminário de formação nos Direitos Humanos e empoderou Maria Madalena e as outras mulheres. Jesus em si era uma agência de ajuda.
 
Foi Jesus que inspirou o Cardeal José Frings da Colônia, Alemanha, no ano de 1958, exatamente 60 anos atrás, de começar com esta, como ele disse: “Aventura no Espírito Santo!” Fundou Misereor para combater a fome no mundo e “trabalhar a cabeça” e formar a consciência dos poderosos, daqueles com o poder de decisão no mundo político.
 
Se fosse hoje: que tipo de agência o Cardeal Frings fundaria? Chamaria uma equipe igual nós aqui hoje, pergunto? Será? Esta equipe deveria ter ambientalistas, ecônomos, pedagogos, etnólogos, feministas-mulheres e feministas-homens, e enfim, pessoas atingidas por barragens, mulheres na situação da prostituição, jovens vítimas de tráfico humano, trabalhadores que sofrem de trabalho escravo, camponeses e indígenas, quilombolas e geraizeiras etc. A equipe teria pessoas jovens, adultas e de idade mais avançada, pessoas com deficiência física e doenças mentais. Esta equipe deveria ter especialistas na comunicação, na internet, mídia social etc. 
 
Somente para fazer lembrar o quanto que a área de comunicação mudou durante estas seis décadas: em 1958 não tinha internet, a carta de recomendação do bispo demorou para chegar até Alemanha. A discussão sobre indicadores foi mínimo (ai que saudades daqueles tempos!) e até o dinheiro caiu na caixa, bom, outros 500. Nem sei como realmente funcionou. Outro dia li uma proposta de um projeto do CIMI de 1978, 40 anos atrás, teve 3 páginas e foi aprovado!
 
Talvez a agência continuasse chamar-se Misereor, inspirado no Marcos 8 (“tenha compaixão desta gente porque não tem o que comer”), esta compaixão ainda é muito precisa, esta misericórdia com as pessoas com fome físico, mas também com fome de justiça, de igualdade, de segurança, de liberdade, de responsabilidade pela criação e os seus elementos água e terra, enfim, fome de um mundo melhor. Que discussão teríamos sobre “o modelo de desenvolvimento”?
 
Talvez o versículo do profeta Miquéias 6,8 – para mim o resumo de todo compromisso cristão - fosse a inspiração na fundação da Misereor hoje: “praticar a justiça, amar a misericórdia e caminhar humildemente com teu Deus.”
 
Será que Misereor tem alcances para registrar, temos histórias de conquistas? Vamos recordar as conquistas da Misereor, as quais talvez nem fossem mais tão presentes no cotidiano, mas foram muito significativas:
 
- no ano de 1983, onze anos antes do Nelson Mandela se tornar presidente na África do Sul (1994), Misereor realizou a CF contra o Apartheid com o tema “Quero ser gente” (“Ich will Mensch sein”) e fomos criticados e desafiados bruscamente pelo ministro da Bavária - levamos uma bronca forte da qual se fala até hoje. Durante a CF 2014 em prol da Uganda lutamos pela igualdade de gênero e defendemos abertamente os direitos das pessoas LGBT, isso sendo a agência católica! São histórias que raramente são contadas. 
 
Misereor caminha cotidianamente com as vítimas de terremotos (entre muitos no Haiti onde a nossa querida Dra. Zilda Neumann-Arns deu a própria vida), vítimas de seca e de enchentes, de guerras e de despejos, vítimas de conflitos sobre recursos naturais com a indústria de celulares e carros, vítimas de massacres e de grandes projetos, e famílias de vítimas de homicídios. Estamos ao lado dos familiares de massacres nos cárceres e nas aldeias indígenas. Aqui no Brasil lembramo-nos hoje do povo Gamela e dos povos dos GeK, nos simpatizamos com os pequenos agricultores de Colniza, através dos nossos parceiros - todos eles e elas fazem parte da “massa Misereor”, e agradecemos também, com profunda admiração os 07 ativistas da greve de fome.
 
Cá no Brasil, Misereor não somente realizou a CF 2016 junto com CONIC, o CGG em SP e a CPT Pará, mas sim, fomos à rua nas grandes cidades contra os megaeventos da Copa e das Olimpíadas. Estivemos presentes na Bahia com D. Luiz Cappio na sua luta contra a transposição do Rio S. Francisco. A crise da água já foi centro da CF 1996, com o lema “cada gota conta”.
 
O que significa “cooperação internacional”? Misereor não quer ser uma caixa eletrônica, nunca fomos e nunca seremos só caixa católica para pessoas católicas. Somos uma agência ecumência e interreligiosa e todos os inter que podem imaginar. 
 
Misereor dialoga com Berlim, Bruxelas, Genebra, Washington e Roma. Não me canso de dizer que estamos juntos e juntas, que queremos andar “a segunda milha”, que queremos “deixar as 99 ovelhas e ir atrás da ovelha desaparecida” como os muitos casos no México. Misereor é justamente isso: lutamos contra a corrupção em prol da transparência, lutamos pelo comércio justo e consumo responsável, promovemos a vida plena no sentido de bem-viver. Conviver com a urbanização no mundo, garantir a biodiversidade e lutar contra o agronegócio, isso é Misereor. Sim, Misereor incomoda os sistemas corruptos como diz o canto “viemos para incomodar, com a fé e união nossos passos um dia vão chegar”.
 
Confio, que “com a fé e união nossos passos um dia vão chegar”, vamos vencer sim. Vamos usar esta chance do Sínodo para a Amazônia. Vamos por estes nossos assuntos dentro deste Sínodo. Vamos mostrar que a criatividade latinoamericano leva as nossas Igrejas e os nossos povos a uma mesa redonda, a ministérios tanto para homem quanto para nós mulheres, a um amanhã verdadeiramente digno, livre e lindo. E vamos fazer o nosso Sínodo para Amazônia aqui na América Latina mesmo antes, durante e depois do Sínodo em Roma e através da Amazônia com todos os biomas. Vamos desde já trilhar o caminho. O Sínodo já está fazendo parte de nossa pauta na Alemanha, o documento foi traduzido e trouxe para vocês. Este Sínodo é apenas um começo. Tenho certeza, se o Papa fosse peixe, ele chamaria um Sínodo para os Oceanos.
 
Esta festa do nosso aniversário não seria uma festa sem abraços da nossa liderança. Trago um abraço muito querido do nosso Diretor Geral, o presidente Mons. Firmino Spiegel, dos Diretores Gerentes Dr. Martin Bröckelmann-Simon e Thomas Antkowiak e dos chefes do Departamento da América-Latina e Caribe, Malte Reshöft e Betina Beate. Saudações calorosíssimas da minha equipe regional Brasil que no espírito está aqui presente. Aliás, minha equipe está com ciúmes. Uns dias atrás falei que com a Almute desta nossa festa que manda um abraço imenso. Ela partilhou comigo um e-mail do Dom Leonardo Steiner de três anos atrás. Almute escreveu: “quero organizar a minha próxima viagem ao Brasil, quando poderia me receber junto com o Stefan?” A resposta do Dom Leonardo foi bem curta: “Estarei em Brasília. É só indicar o dia”! Esta prontidão, esta abertura, esta simplicidade bela é algo fantástica que Brasil tem. Mantenham isso, por favor, pois cativa cada coração!
 
Uma festa de aniversário não seria uma festa sem palavras de agradecimentos.
 
Nosso profundo agradecimento aos mais 160 parceiros com mais de 230 projetos com um volume de 2018 de 52 milhões de Reais. Agradecimentos aos nossos C´s (como eu os chamo): CAIS, CNBB, CIMI, CPT, CPP, Caritas, CRB, e todos os outros C’s, as Pastorais indispensáveis e as ONGs, e Movimentos e etc. Nosso profundo agradecimento às pessoas na administração destes projetos pois sofrem conosco e com nossas exigências, mas saibam que este seu suor assegura o nosso caminho em conjunto. Agradecemos pelas muitas e muitas mensagens de notícias, pelas notas públicas das organizações e pelo compromisso que vocês mostram no cotidiano. Agradecemos pela disponibilidade de acolher a gente aqui e pelo esforço que fazem durante as visitas na sede em Aachen ou nos escritórios em Munique e Berlim onde em total atuam cerca de 330 pessoas. 
 
Agradecemos às pessoas e grupos doadores que permitem a Misereor a apoiar mais de 3.000 projetos em 90 países. 
 
Agradecemos às pessoas que se dedicaram e deram a própria vida e o seu esforço, sendo entre muitas o nosso querido Dom Luciano Mendes, a nossa Ir. Dorothy Stang e o nosso Pe. Josimo Tavares. Pedimos que os grandes teólogos José Comblin e João Batista Libânio intercedam por nós. 
 
Agradecemos às outras agências, pois é uma alegria imensa caminhar e trabalhar junto com elas nos nossos países de atuação. Quero mencionar Adveniat, PPM, KMW (a Obra da Infância Missionária), Caritas Internacional, as agências de CIDSE e etc.
 
Ao Centro de Assessoria e Apoio a Iniciativas Sociais – CAIS, a Ir. Delci Franzen,  Adriano Martins, Gracileia Lima, e todos os Assessores, nossa profunda gratidão. O nosso Danke schön ao Stefan Kramer, nossa instância de diálogo e enlace, que faz toda diferença para nós aqui e que graças a ele através da CNBB recebeu o estabelecimento e o apoio estrutural, agradecemos à Riva, secretária do Stefan. Ao CAIS e ao Stefan o nosso grande agradecimento pela constante comunicação, pelo trabalho no chão e pela franqueza, gentileza e ternura que tenham conosco na sede da Misereor em Aachen.
 
Termino com um convite: queremos refundar e reinventar Misereor. Amanhã nos seus momentos quietinhos contemplem um pouco o seu momento Misereor. Em que momento vocês identificaram o chamado para esta “Aventura no Espírito Santo” como Frings o chamou? E em que consiste este seu chamado Misereor e este trabalho pioneiro hoje. Pensando numa metáfora da “Aventura no Espírito Santo”, me veio a idéia que Misereor deve ser como perfume. Perfume não artificial, mas sim, um perfume natural que faz bem e leva o astral, um perfume orgânico que inspira e acalma, que cria um ambiente onde podemos ser nós mesmos. E que sendo no Brasil, mantenha este espírito de hospitalidade. “É só indicar o dia!”
 
Como diz aquela bela canção: 
Fica sempre, um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas,
nas mãos que sabem ser generosas.
Dar do pouco que se tem ao que tem menos ainda,
enriquece o doador, faz sua alma ainda mais linda.
Dar ao próximo alegria, parece coisa tão singela, 
aos olhos de Deus, porém, é das artes a mais bela. 
 
Texto: Misereor / Regina Reinart
Foto: Arte enviada pelo CONIC para compor o painel comemorativo de Misereor
Arte: Laura Gomes

 
Nesta Semana da Pátria, de 1 a 7 de setembro, o CONIC e o Fórum Ecumênico ACT Brasil propõem um diálogo sobre Democracia.
 
Contextualização
 
O termo Democracia tem sido utilizado para justificar as mais diferentes práticas políticas. Algumas vezes, essas práticas chegam a incluir processos de intervenção de países economicamente fortes em países com economia frágil, mas com grande riqueza extrativista, petrolífera ou aquífera. Nestes casos, o argumento, geralmente, é que tais países são pouco democráticos e que cabe às potências levar a Democracia para que o povo “se sinta livre”.
 
O termo Democracia também é utilizado quando um povo reivindica maior participação nas decisões políticas que envolvem suas vidas. Aqui no Brasil, por exemplo, o conjunto da população brasileira não foi consultado se queria ou não a Reforma Trabalhista. A população brasileira também não pôde opinar sobre a Emenda Constitucional 94/2016, que congelou por 20 anos os investimentos públicos para a educação e a saúde. Uma Lei que afeta diretamente a vida das pessoas foi decidida por um grupo não representativo da sociedade brasileira.
 
É possível dizer que o Brasil é um país democrático? 
 
Poderíamos dizer sim e não. 
 
Sim, se considerarmos que as pessoas, dependendo de onde moram, têm a liberdade de ir e vir. Podemos viajar, constitucionalmente o Brasil é laico, garante a liberdade de expressão, entre outras coisas. Não, se considerarmos que a participação da sociedade civil nas decisões políticas é baixo. Muitas vezes, quando a sociedade civil se organiza, ela é fortemente reprimida. A desigualdade econômica, racial e de gênero também nos distanciam da Democracia.
 
Nesse cenário confuso, entram para o time de “defensores da Democracia” personagens que defendem ideias como: cerceamento de direitos às minorias; perseguição política e/ou econômica; intolerância religiosa; xenofobia; opressão da mulher, armamento da sociedade, concentração de renda, entre outros. 
 
Várias vozes acabam se sobrepondo umas às outras. Em um ambiente em que todas as pessoas falam e não se ouvem, é necessário parar, porque a Democracia também pressupõe a capacidade da escuta, afinal, para debater é necessário ouvir o argumento do outro. Na Ágora Grega, onde nasceu a ideia de Democracia, o debate era fundamental. Debate, não insulto. Para debater, repetimos, é importante ouvir! Se você é de esquerda, precisa ouvir a direita. E vice-versa. Do mesmo modo, se você é religioso, precisa aceitar aqueles que não creem em nada... sobretudo dentro do Estado brasileiro, que é laico.
 
Tendo tudo isso em mente, na Semana da Pátria, o CONIC e o Fórum Ecumênico ACT Brasil querem provocar, via redes sociais, a reflexão sobre como as Igrejas e diferentes tradições de fé, enquanto expressões no espaço público brasileiro, podem contribuir para os valores democráticos, que busquem e fortaleçam a garantia de direitos para todas as pessoas, respeitem a divergência de opiniões, fortaleçam a cultura da paz, apoiem ações para a superação das desigualdades estruturais e a superação da cultura de ódio.
 
Nosso espaço do Facebook será a nossa Ágora Ecumênica!
 
 
Como opinar?
 
A partir de 1° de setembro, até o dia 7 de setembro, publicaremos na página do CONIC no Facebook (acesse aqui) artes alusivas a algum tema ligado à Democracia. Ali, nos comentários, você pode comentar, expor sua opinião, ou simplesmente curtir a postagem com uma daquelas opções: “coração”, “carinha de alegre”, “cara de bravo”... isso também é uma forma de opinar.
 
Sua opinião, seja ela qual for, será muito importante! 
 
Mas lembre-se: opinar não é agredir! Opine com argumentos!

 
Representantes da Igreja Católica participam na Rússia de 24 de agosto a 2 de setembro do curso de formação de verão organizado pelo Patriarcado de Moscou.
 
A delegação – refere um comunicado da Church post-graduate and doctoral school da Igreja Ortodoxa Russa – é guiada pelo bispo de Saint-Dié, Didier Berthet, presidente do Conselho para a Unidade dos Cristãos e as Relações com o Judaísmo da Conferência Episcopal Francesa, acompanhado pelo padre Hyacinthe Destivelle, assistente para o departamento oriental do Pontifício Conselho para a promoção da Unidade dos Cristãos.
 
Aprofundar o conhecimento do cristianismo ortodoxo
 
São cerca de 15 os jovens sacerdotes e estudantes originários da Itália, Espanha, França, República Tcheca e Romênia que participam do curso com o objetivo de aprofundar seus conhecimentos sobre o cristianismo ortodoxo.
 
Estes encontros em Roma e Moscou entre o clero ortodoxo e católico são realizados já há alguns anos, tendo se intensificado após o encontro entre o patriarca Kirill e o Papa Francisco em Cuba, em 12 de fevereiro de 2016.
 
Programação
 
Na programação, entre outros, a visita à instituições e locais marcantes da ortodoxia, como o  Mosteiro da Trindade de São Sérgio, em Sergiev Posad - considerado o mais importante centro espiritual ortodoxo russo - mas também a locais sagrados, centros de espiritualidade e monumentos em Veliky Novgorod, São Petersburgo e Moscou. A delegação com os estudantes provenientes das diversas universidades será recebida  pelo Patriarca Kirill.
 
Proteção dos cristãos e salvaguarda dos valores tradicionais
 
“Estas visitas – declarou padre Destivelle ao site Cath.ch – têm por objetivo aumentar o conhecimento recíproco, em particular sobre a comunidade ortodoxa”.
 
O Patriarcado de Moscou precisa que no centro destes dias de estudo está o tema “da proteção dos cristãos e da salvaguarda dos valores tradicionais”.
 
E revela, que esta “universidade de verão” é financiada pela Fundação Russa Russkyi Mir (mundo russo) e pela fundação estadunidense Urbi et Orbi.
 
Construir pontes de confiança
 
A Fundação russa foi criada em 2007 pelo presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, com o objetivo de promover o patrimônio nacional e a estadunidense pelo diretor da revista «Inside the Vatican», Robert Moynihan.
 
Com esta iniciativa – explica Moynihan – queremos construir “pontes de confiança” entre Ocidente e Oriente e “uma sociedade mais livre a mais justa”.
 
Fonte: L'Osservatore Romano
Foto: Pixabay

 
La  segunda edición de la Eco Escuela está destinada a 25 jóvenes de América Latina y el Caribe y se realizará entre el 1 al 12 de noviembre de 2018 en San Salvador, El Salvador.  Apunta a desarrollar capacidades y empoderar liderazgos jóvenes ecuménicos enfocándose en las relaciones de justicia entre la economía, el cambio climático, el derecho al agua y la seguridad alimentaria.
 
CMI: “En un ámbito ecuménico, los participantes tendrán la posibilidad de estudiar manifestaciones y causas locales, regionales e internacionales de la crisis del agua y la inseguridad alimentaria que se ven afectadas por el cambio climático. También examinarán la situación y los desafíos desde la perspectiva de la fe y la ética, y buscarán juntos las posibles respuestas ecuménicas a dichos desafíos. Al final de la ecoescuela, se espera que estén equipados con herramientas que les permitan convertirse en ecodefensores de una tierra más justa y sostenible. A tales efectos, se entiende que establezcan planes de acción que podrían implementarse en su respectiva comunidad.”
 
Para la FUMEC y el programa de Eco Justicia que viene realizando la iniciativa “Juventud por Eco justicia y Paz: El desafío que aceptamos”  participar en la organización de este evento es relevante, ya que se propone analizar las temáticas desde la misma visión que la FUMEC lo viene haciendo; enfocándose en las multiples relaciones de injusticia que existen entre la economía y la ecología, el acceso al agua y a los alimentos con las causas y consecuencias del cambio climático, así como la paz y la seguridad de las personas y los derechos a vidas dignas y sostenibles.
 
En este sentido la FUMEC sumará también a partir de la experiencia coordinando programas con jóvenes y construyendo capacidades con sus movimientos en la temática. También  la participación de mequenses en la Eco Escuela será de vital importancia para su formación integral dentro de sus movimientos, el programa de Eco Justicia o en la FUMEC en general.
 
 
Fuente: FUMEC ALC
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