O Fórum Econômico Mundial (FEM), que ocorreu de 23 a 26 de janeiro, em Davos, na Suíça, serve como lembrete anual sobre o estado da renda global e da desigualdade na distribuição de riqueza, fenômeno que tem aumentado nos últimos 30 anos.

A globalização do mercado ajudou a criar novas ilhas de riqueza descarada em um amplo mar de pobreza em todo o mundo: de Pequim (China) a Moscou (Rússia), bem como as classes médias em Nairóbi (Quênia) e Lagos (Nigéria) – estas últimas capitais representando o avanço do capitalismo e de uma classe média que enriqueceu muito nos últimos anos.

Mas o que está impulsionando esse aumento?

Na última semana, a elite do mundo reuniu-se em Davos. O 1% mais rico do mundo é responsável ​​pela desigualdade ou a culpa deve ser compartilhada mais amplamente?

O domínio sem precedentes da globalização impulsionada pelo mercado significa que não há mais forças contrárias para parar a desigualdade e apresentar realidades alternativas, conforme exigido por ativistas, incluindo a Aliança de Combate à Desigualdade e outras organizações da sociedade civil.

A "curva do elefante"

Os defensores de tal visão deveriam simplesmente esperar que os mecanismos de mercado de oferta e demanda terminassem por acabar com a desigualdade econômica?

Este é o argumento de muitos acadêmicos que estudam a desigualdade quando se referem à "curva do elefante" – no qual um país experimenta primeiro um aumento da desigualdade de renda em seu estágio inicial de desenvolvimento. À medida que os serviços públicos são construídos, fazendo uso dos crescentes recursos internos acumulados pelo crescimento econômico, os salários aumentam, o que leva a um menor estado de desigualdade de renda.

Este argumento tem muitas falhas. Identificar a desigualdade como um estágio de crescimento inevitável só ajuda a legitimar a resposta do Estado capitalista a uma pandemia global que ignora as causas profundas e as condições estruturais de opressão e exploração, muitas vezes consideradas "muito confusas" para aborda-las de forma significativa.

Ele também negligencia a dinâmica da desigualdade de riqueza, que só agora está sendo entendida por meio do trabalho histórico de Thomas Piketty [1] e outros, embora principalmente limitado a nações de alta renda em vez de países em desenvolvimento, onde os registros de impostos, ativos e propriedade da terra são menos completos.

Desigualdade além da renda e da riqueza: discriminação

Em primeiro lugar, a desigualdade não pode simplesmente ser expressa em termos econômicos. Ela também tem a ver com a discriminação e a exclusão de certas identidades de participar plenamente das oportunidades geradas pelo crescimento econômico – negros e indígenas, mulheres, membros da comunidade LGBTI, pessoas com deficiência e minorias religiosas.

No sul da Ásia, por exemplo, a discriminação baseada em castas continua a ser uma prática abrangente que afeta cerca de 260 milhões de pessoas. Legalmente banido, este sistema está profundamente arraigado na sociedade e é a própria negação dos princípios da igualdade e da não discriminação, o que prejudica o gozo de uma ampla gama de direitos econômicos, civis, políticos, sociais e culturais para os dalits (grupo inferior no sistema de castas, também chamados de "intocáveis") e outros grupos afetados por castas.

As mulheres e meninas dalits estão expostas a múltiplas formas de discriminação baseadas em gênero e casta e são, portanto, vulneráveis ​​a várias camadas de marginalização e violência.

Bem público

Em segundo lugar, reduzir a desigualdade demanda políticas ativas dos governos nacionais para garantir que o bem público esteja sendo cumprido. Isso também deve ser apoiado por atores progressistas do setor privado que sejam a favor da inclusão de seus funcionários e clientes nos benefĩcios, a longo prazo, do crescimento econômico.

No Brasil, um país muitas vezes considerado um dos mais desiguais do mundo, o investimento contínuo em serviços públicos da última década começou a mostrar sinais de redução da desigualdade. Desde programas de assistência social em larga escala, como o Bolsa Família, até os salários e planos de pensão indexados ao salário mínimo – todos contribuíram para o declínio constante da desigualdade no Brasil. [2]

No entanto, a introdução da Emenda Constitucional 95 no país, no final de 2016, impôs um limite máximo às despesas públicas para os próximos 20 anos. Essa medida agressiva de austeridade irá desfazer as políticas de bem-estar universal garantidas na Constituição brasileira de 1988.

Os indicadores iniciais mostram uma redução de 14% [3] nas despesas primárias, o que agravará as desigualdades e afetará de maneira ainda mais forte as mulheres, as populações indígenas e os negros. Ainda que o presidente brasileiro, Michel Temer, seja um dos poucos que irão no encontro das elites globais em Davos com o objetivo de reivindicar a criação de um futuro compartilhado em um mundo fraturado.

Então, quais são algumas das alternativas e o que pode ser feito para parar a desigualdade aqui e agora?

Os países que enfrentaram com sucesso a desigualdade tendem a criar uma narrativa sobre o bem público e compartilharam uma identidade positiva de uma nação que permite, em alguns casos, colocar o bem público e o social acima da lealdade pessoal, familiar ou étnica.

Isso exige que um Estado esteja disposto a criar uma desregulamentação financeira inclusiva, sistemas tributários progressivos, regras que impedem a sonegação, criando políticas fiscais expansionistas e assegurando que as receitas de recursos naturais sejam em benefício de todos e não para ganhos privados.

Do mesmo modo, vivemos em um mundo onde a desigualdade é causada pela dinâmica da globalização impulsionada pelo mercado, que é amplamente desregulado e não transparente.

De fato, a presença de empresas e elites políticas na última semana em Davos mostra que uma elite global está tomando decisões em nosso nome sem qualquer sentido de responsabilidade ou de representação.

Em vez de Davos, o encontro de líderes globais deveria ocorrer sob os auspícios das Nações Unidas, e no qual a desigualdade histórica e atual deve ser considerada em temas importantes como mudança climática, discriminação baseada na identidade e pobreza extrema.

Metas de desenvolvimento sustentável

Entre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ode número dez já reconhece a questão da desigualdade econômica a partir dessa visão e, portanto, devemos concentrar nossos esforços na resolução da desigualdade por meio de políticas intergovernamentais melhores e também uma melhor regulamentação e transparência das mesmas multinacionais que procuram criar orientações e códigos voluntários no Fórum Econômico Mundial.

Então, este fórum apoiaria a transparência tributaria total, país por país, nos relatórios corporativos e revelaria todos os beneficiários efetivos das corporações, além de confiar no início de uma conversa sobre equidade e justiça na era da globalização? O fórum apoiaria leis de salário mínimo e políticas de tributação progressiva?

Se o Fórum Econômico Mundial constrói apoio para iniciativas intergovernamentais, pode ser um espaço global significativo, mas se acabar por minar os meios institucionais de enfrentar a desigualdade global, pode acabar exacerbando o fosso global entre ricos e pobres.

Notas:

[1] Piketty, T. (2014). Capital in the twenty-first century. Cambridge Massachusetts: The Belknap Press of Harvard University Press

[2] The Scandal of Inequality 2: The Multiple Faces of Inequality in Latin America and the Caribbean, Christian Aid, 2017

[3] Spotlight on Sustainable Development 2017: Reclaiming policies for the public, Civil Society Reflection Group 2017, 2030spotlight.org
 
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Matti Kohonen é Conselheiro de Princípios, Setor Privado, Christian Aid.

Fonte: Brasil de Fato
Edição: Christian Aid | Tradução: Pilar Troya
Foto: Reprodução


A compreensão de que a diversidade das tradições de fé é muito enriquecedora para o debate da água como bem comum, fez nascer a Tenda Inter-Religiosa do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA) 2018. Um espaço aberto, democrático e plural onde cada grupo ou participante é protagonista para contribuir com seu entendimento sobre problemas e soluções em torno do tema.

Preparado por um coletivo de organizações religiosas ou com vínculo religioso, o local vai reforçar a afirmação da água como um bem comum, que não pode ser privatizado e precisa estar disponível a todos os seres vivos. Para isso, serão fortalecidas articulações nacionais e internacionais e ampliados processos de incidência em defesa da água no Brasil e no mundo; tudo isso relacionado à democracia, participação social e ao debate sobre mudanças climáticas.

Até o momento, a programação deve incluir uma atividade autogestionada, com visitas a experiências do Distrito Federal e o seminário “Água como elemento sagrado: a crise hídrica e a vocação profética das tradições de fé.”

Se você acredita na força da espiritualidade e da fé como valores sociais transformadores, junte-se a nós! Participe, traga uma boa ideia, traga sua fé para somar com a nossa!

ÁGUA, MEIO AMBIENTE E VISÕES DE FÉ

As diferentes correntes religiosas sempre se atentaram às questões relacionadas ao meio ambiente, à água, ao trato dos animais, entre outros assuntos correlatos. Veja, a seguir, como as religiões lidam, do ponto de vista de seus livros sagrados e de suas tradições, com a temática. E surpreenda-se!

Cristianismo

Do ponto de vista do cristianismo, o trato com a natureza deve ser levado a sério. A Bíblia é clara quanto ao dever de respeitar todas as criaturas. “O justo atenta para a vida dos seus animais, mas o coração dos perversos é cruel.” (Provérbios 12:10). O assunto é tão importante que Deus faz um alerta de castigo aos que não cumprirem o dever de cuidar da natureza, e isso inclui a água e todos os seus mananciais: “Chegou o tempo de (…) destruir os que destroem a terra.” (Apocalipse 11:18) .

Islamismo

No Islamismo, a água é sagrada. Ela tem importância prática (na vida comum) e ritual (nas atividades religiosas). O Alcorão diz: “Enviamos do céu água pura, para com ela reviver uma terra árida” (Alcorão 25:48-49). Para o muçulmano, a água é um bem coletivo, algo que não pode ficar nas mãos de uma só pessoa. É por isso que no mesmo livro sagrado do Islam é dito: “E anuncia-lhes [aos humanos] que a água deverá ser compartilhada entre eles...” (Alcorão 54:28).

Judaísmo

O judaísmo ensina o respeito à natureza como criação de Deus. “A terra é do Senhor e tudo o que há nela; o mundo e todos os que nela habitam.” (Salmos 24:1). O princípio da sustentabilidade estava presente na cultura dos antigos hebreus, eles vivenciavam uma ética ecológica, viviam numa sociedade agrária e se dedicavam à preservação da natureza. Como a pertence a Deus, os povos deviam usar com sabedoria os recursos naturais. A terra podia ser cultivada durante seis anos seguidos, tendo o sétimo ano para descansar. Isso ajudava a recuperar a terra e tinha, certamente, um impacto positivo nos mananciais de água.

Budismo

Como várias outras religiões, o budismo tem grande admiração e respeito pelo meio ambiente e pelos seres vivos que habitam nele. O budismo evidencia em seus ensinamentos o respeito com a natureza e todas as formas de vida. Algumas vertentes acreditam que são nos lugares repletos pela natureza que o coração do homem se acalma e que a mente fica tranquila, uma vez que ambiente e ser humano são interdependentes. Além disso, de acordo com os ensinamentos desta doutrina, coisas sem sentimento, como a rocha, a árvore, a flor, a montanha, a água, possui natureza búdica.

Candomblé

As religiões afro-brasileiras são ecológicas por natureza. Seus fiéis aprenderam com os antepassados uma grande lição africana: o equilíbrio surge da convivência harmoniosa entre todos os seres vivos, dos quais o homem é apenas uma pequena semente. Conforme explica Mãe Beata de Yemanjá, “só alcançamos o sagrado quando nos aproximamos da natureza, o que inclui pedra, água, folha, raiz, caule, frutos e o nosso próprio corpo.”. Vendo as coisas por este prisma, o respeito à água e às suas nascentes passa a ser parte da prática de fé dessa religião.
 
CONIC com Assessoria de Imprensa FAMA

 
O procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, enviou um ofício ao Ministério do Trabalho no qual questionou o governo sobre a suspensão de uma operação contra o trabalho escravo que aconteceria na região Norte neste mês. A informação foi divulgada na última quarta-feira (31).
 
De acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT), a ação foi cancelada por falta de passagens aéreas para os auditores do trabalho e policiais rodoviários federais que atuariam na operação.
 
Procurado, o Ministério do Trabalho informou em nota (leia a íntegra mais abaixo) que a operação, no Acre, precisou ser remarcada em razão de dificuldades burocráticas para a emissão das passagens.
 
Ainda na nota, a pasta acrescentou que a compra dos bilhetes já foi autorizada e, por questão de segurança, não poderia informar a nova data da operação.
 
O MPT diz que "o corte do orçamento na política de combate ao trabalho escravo em 2017 já resultou em uma drástica redução do número de operações e trabalhadores resgatados".
 
Segundo o Observatório Digital de Trabalho Escravo, acrescenta o Ministério Público, em 2016 foram realizadas 106 operações de combate ao trabalho escravo, com 658 trabalhadores resgatados. "Em 2017, os números caíram, respectivamente, para 88 e 341."
 
Compra das passagens
 
Segundo o Ministério do Trabalho, em 1º de janeiro deste ano, o Ministério do Planejamento suspendeu a compra direta de bilhetes aéreos via Sistema de Concessão de Diárias e Passagens. O sistema era usado, por exemplo, na compra de passagens para ações contra o trabalho escravo, feitas pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), órgão do Ministério do Trabalho.
 
Com a suspensão do sistema, as passagens passaram a ser emitidas por meio de um contrato que o Ministério Trabalho tem para "situações excepcionais". Com isso, a pasta diz que só tem autorizado compras "imprescindíveis".
 
Ainda segundo o ministério, as passagens aéreas dos auditores que atuariam no Acre já estavam aprovadas quando chegou à Secretaria-Executiva da pasta um pedido para emissão de mais sete bilhetes para policiais rodoviários federais que acompanhariam a ação.
 
O pedido foi feito em 18 de janeiro e autorizado no dia 22 "sem mais delongas para não prejudicar a ação".
 
"Têm-se conhecimento que a operação foi cancelada pela indisponibilidade de bilhetes, entretanto, o Ministério do Trabalho nada tem a ver com tal fato, que, infelizmente, acabou por cancelar a ação de fiscalização", informou a pasta.
 
Conforme o Ministério do Trabalho, o aval à compra das passagens foi feito uma semana antes da ação contra o trabalho escravo. A empresa responsável pela compra dos bilhetes "justificou o atraso na emissão de bilhetes em decorrência do aumento inesperado da demanda".
 
Polêmica
 
As ações do governo federal no combate ao trabalho escravo foram alvos de polêmica nos últimos meses.
 
Em outubro, por exemplo, o Poder Executivo recebeu duras críticas de setores da sociedade ao editar uma portaria que mudou as regras para caracterização do trabalho escravo.
 
Diante da repercussão negativa, o Ministério do Trabalho publicou uma nova portaria, tornando mais rigorosas as definições de jornada exaustiva e condição degradante do trabalhador.
 
Ausência de ministro
 
Desde dezembro do ano passado, quando o então ministro Ronaldo Nogueira pediu demissão da pasta, o Ministério do Trabalho está sem um chefe definitivo - a pasta é atualmente comandada pelo secretário-executivo, Helton Yomura.
 
O presidente Michel Temer nomeou para o cargo a deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), mas ela teve a posse suspensa pela Justiça Federal do Rio de Janeiro e, posteriormente, pela ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal.
 
Um grupo de advogados ingressou com ação após o [portal] G1 revelar que a deputada foi condenada a pagar R$ 60 mil por dívidas trabalhistas. O governo federal tem travado uma batalha judicial para Cristiane Brasil assumir a pasta.
 
Íntegra
 
Leia abaixo a íntegra da nota divulgada pelo Ministério do Trabalho: https://glo.bo/2nGkgJ1
 
Semana de Oração pela Unidade Cristã
 
Este ano, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) trabalha justamente a questão. Com o tema inspirado no livro do Êxodo, "A mão de Deus nos une e liberta", a ideia é refletir sobre o trabalho análogo à escravidão que, em pleno século XXI, fere tanto a humanidade quanto a imagem de um Deus de amor e liberdade. 
 
Organize seus grupos de oração, estudos bíblicos. Experimente orar e viver ecumenicamente. Participe da Semana de Oração pela Unidade Cristã.
 
Os pedidos para o material da SOUC 2018 poderão ser encaminhados para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O preço do caderno é R$4,50. O cartaz ficará liberado para download, em alta resolução, neste link (em PNG), ou neste link (em PDF).
 
Fonte: G1
Foto: Cícero R. C. Omena

 
 
Entre todas as ações que impactam o aquecimento global no Brasil, o desmatamento é o pior. De acordo com o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa, em 2016, 51% do total das emissões nacionais foram em decorrência da supressão de florestas. O equivalente a 218 milhões de toneladas de gás carbônico.
 
Um novo estudo, conduzido por um time internacional de pesquisadores com participação do Instituto de Física da USP (IFUSP) e da UNIFESP concluiu que o impacto no desmatamento pode ser ainda mais grave.
 
Ao calcular as consequências da destruição das florestas, pesquisadores em geral levam em consideração o carbono, que constitui 80% do tronco das árvores; o metano, liberado no processo de decomposição; e o “carbono negro”, que são partículas resultantes da queima incompleta de compostos orgânicos.
 
A conta, porém, está incompleta. Toda árvore, no processo de fotossíntese, liberam na atmosfera uma série de compostos gasosos, como o isopreno, que são chamados BVOCs (sigla em inglês para Compostos Orgânicos Voláteis Biogênicos). Parte desses compostos, quando na atmosfera, passam por reações químicas e formam partículas maiores, que refletem a radiação solar para o espaço e resfriam o clima.
 
“Se você matar uma floresta e plantar pasto, que não emite esse composto, acaba trocando um ambiente que resfria o clima por um que não resfria”, afirma um dos autores do estudo, físico Paulo Artaxo, do IFUSP. “Foi o primeiro trabalho que calculou isso certinho”.
 
Dessa forma, em uma situação hipotética de desmatamento total, o aumento da temperatura seria de 0.8ºC. Pode não parecer muito, mas se considerar que todas as emissões de gases de efeito estufa decorrente da atividade humana desde 1850 provocou um aumento médio de 1.2ºC, este cenário seria catastrófico.
 
Por outro lado, o estudo reafirma o melhor caminho conhecido para combater as mudanças climáticas. “Hoje não existe nenhuma tecnologia para reduzir o aquecimento global melhor que replantar a floresta”, conta Artaxo. “Pode fazer qualquer coisa que quiser, o mais eficiênte, além de parar de queimar combustíveis fósseis, é plantar floresta”.
 
O poder das árvores não é bem uma novidade. A China mantém o maior programa de reflorestamento do mundo, investindo mais de US$ 100 bilhões na última década com árvores. Já o Brasil, se comprometeu no Acordo de Paris a recuperar 12 milhões de hectares de florestas, uma área equivalente ao estado de São Paulo, até 2030.
 
“As questões que envolvem o aquecimento global são simples. Difícil é cumprir esses compromissos”, diz Artaxo. “Mas a pressão do agronegócio da América Latina e África é enorme. Não é à toa que as florestas estão sendo destruídas. É para abrir caminho para plantações, áreas de pastagens. É um compromisso complicado”.
 
Fonte: Revista Galileu
Foto: Reprodução (CREATIVE COMMONS / PICOGRAPHY)

 
Fundado em agosto de 1948, o Conselho Mundial de Igrejas (CMI) completa este ano 70 anos de história. Ao longo de sete décadas, o CMI tem sido um testemunho vivo de unidade cristã. Igrejas, entidades parceiras e colaboradores do CMI em todo o mundo são chamados a comemorar a data e, também, a meditar sobre os inúmeros desafios que o Conselho tem pela frente, sobretudo em um mundo cada vez mais multipolar, diverso e, ao mesmo tempo, egoísta.
 
Celebrando durante todo o ano!
 
O CMI, as igrejas membros e os parceiros estão planejando uma variedade de eventos para avançar na Peregrinação da Justiça e da Paz em curso e, concomitantemente, honrar e aprender com esses 70 anos de esforço ecumênico.
 
A Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), tanto no hemisfério Norte, quanto no Sul, foi e será momento de comemorar esses 70 anos. No Brasil, a SOUC será de 13 a 20 de maio (saiba mais aqui).
 
Um só Deus. Um só Espírito. Uma só fé.
 
Esta é uma tríade que vem sinalizando o caminho do cristianismo no mundo. Atualmente existem mais de 38 mil tipos de denominações cristãs diferentes, entre católicos, ortodoxos, anglicanos, metodistas, luteranos, batistas, presbiterianos, pentecostais, neopentecostais, etc. Na teoria, um só povo. Na prática, grandes ou pequenas diferenças ideológicas parecem delimitar – seja com muros, cercas, interpretações, doutrinas ou costumes – esta afirmação.
 
Mas, afinal: é possível existir união verdadeira entre denominações distintas apenas pelo fato de confessarem a mesma fé em Cristo Jesus?
 
Foi diante desse desafio que, em 1948, um grupo de delegados, representando diversas igrejas cristãs, reuniu-se em Amsterdã (Holanda), para selar “um firme propósito de permanecerem juntos”, não deixando que as diferenças fossem muros para o diálogo. Num período de pós-guerra, surge o Conselho Mundial de Igrejas, uma organização que chegou em boa hora, porque além de conjugar missão, espiritualidade e diálogo teológico, se empenha no desenvolvimento de projetos de promoção de uma cultura de paz e responsabilidade social.
 
A instituição cresceu rapidamente. Ganhou notoriedade junto à sociedade e órgãos internacionais, sobretudo pelos programas de serviço como combate à fome, miséria, Aids e discriminação racial. Em pouco tempo, se notabilizou como a maior organização cristã empenhada na luta pela unidade da igreja e pelo diálogo inter-religioso.
 
Se por um lado o ecumenismo ainda ganha forte apoio, sobretudo por parte das denominações ortodoxas, anglicanas, luteranas etc., por outro, principalmente entre algumas igrejas evangélicas conservadoras, ele se estabelece como um dos principais empecilhos para o engajamento nesta unidade, uma vez que muitas igrejas entendem ecumenismo como a “criação de uma única igreja que englobe todas”, quando na verdade trata-se da abertura para o diálogo entre as denominações cristãs. Esta abertura é está alicerçada na certeza de que  “em Cristo somos todos um.” 
 
Para acompanhar mais notícias sobre os 70 anos do CMI, acesse: www.oikoumene.org.
 
Fonte: CONIC com IECLB e Revista Enfoque
Imagem: CMI

 
 
Nós, 60 bispos presentes no 14º Intereclesial das CEBs, em Londrina – PR, de 23 a 27 de janeiro de 2018, dirigimo-nos a nossos irmãos e irmãs de fé, para testemunhar a alegria que brota de nossos corações de pastores, por esse encontro que congregou 3.300 delegados e delegadas de Arquidioceses, Dioceses e Prelazias do Brasil, bem como convidados de outras igrejas, religiões e entidades, inclusive de outros países.
 
O tema desse Intereclesial, “CEBs e os desafios no Mundo Urbano”, e seu lema, “Eu vi e ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-lo” (Ex 3,7), na forma que foram tratados, expressam sintonia com as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil e com a mensagem do Papa Francisco dirigida a esse encontro, desejando “que as Comunidades Eclesiais de Base possam ser, na sociedade e Nação brasileira, um instrumento de evangelização e de promoção da pessoa humana”.
 
Nesse encontro, conduzido com zelo pastoral pela Ampliada Nacional das CEBs e pela Arquidiocese de Londrina que, cordialmente, o acolheu, testemunhamos a espiritualidade e a vitalidade das CEBs, manifestadas nos momentos vibrantes de oração e celebração. Sentimos pulsar muito forte em nossos corações o apelo de Deus para continuarmos acompanhando, avaliando e apoiando o desenvolvimento das CEBs, com o compromisso de sermos, em comunhão com Cristo, uma Igreja misericordiosa, profética e missionária, dedicada à formação, especialmente de cristãos leigos e leigas, como sujeitos na vida eclesial e social (cf. Doc. 105 da CNBB).
 
Louvamos e bendizemos a Deus pelos testemunhos de vida cristã partilhados no 14º Intereclesial, que sinalizam a força do seu Reino em meio à crise profunda da sociedade brasileira. No espírito do Ano Nacional do Laicato que estamos realizando, suplicamos a Deus que o protagonismo laical vivenciado no processo desse encontro, possa se manifestar ainda mais intenso em todas as situações desafiadoras de nosso país, especialmente do mundo urbano, nas quais as CEBs se fazem presentes e atuam, anunciando a “alegria do Evangelho”.
 
Encorajamos os participantes do Intereclesial, com o apoio, sobretudo de ministros ordenados e membros da vida religiosa, a difundirem amplamente as ações sinalizadas por esse encontro e a “grande esperança”, por ele revitalizada de tornar nossa sociedade mais solidária, justa e saudável, contando com a bênção de Deus e a proteção de nossa mãe, Maria.
 
Em nome de todos os bispos presentes:
 
Dom Severino Clasen, OFM
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato
 
Dom Guilherme Antônio Werlang, MSF
Presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Social Transformadora
 
Dom Geremias Steinmetz
Arcebispo da Arquidiocese de Londrina – PR
 
Fonte: CEBs
Foto: CEBs

 
Um novo índice divulgado nesta quarta-feira (31/01) colocou o Brasil entre os países onde a atuação da sociedade civil e o exercício das liberdades individuais – como os direitos de se manifestar ou de expressar sua opinião – é apenas "limitado". A escala tem cinco níveis e vai de "livre" a "fechado".
 
Elaborado pela ONG Brot für die Welt, ligada à Igreja Evangélica da Alemanha (EKD), o Atlas das Sociedades Civis destaca que, "desde o controverso processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016, esse país do G20, a nona maior economia do mundo, vive uma grave crise democrática".
 
Segundo o relatório, "a participação ativa na política, por meio de movimentos sociais, dá cada vez mais lugar à criminalização de ativistas. O clima político é cada vez mais determinado por um conservadorismo religioso" que desrespeita os direitos de mulheres e homossexuais, "elevando as tensões e as diferenças sociais".
 
Em protestos contra o governo, a violência aumenta cada vez mais, afirma o relatório. "Unidades especiais agem com gás lacrimogêneo, granadas de luz e som, balas de borracha e, em parte, munição letal contra os manifestantes", o que, segundo o relatório, frequentemente resulta em pessoas feridas e até mesmo mortes.
 
O Brasil aparece no índice ao lado de outros 52 países onde a livre expressão das liberdades individuais é "limitada pelos governantes por meio de uma combinação de limitações legais e práticas". Outros países da lista são Índia, Indonésia, Moçambique, Haiti e Israel.
 
Em todo o mundo
 
O Atlas das Sociedades Civis apresenta uma situação sombria para a atuação da sociedade civil e o exercício das liberdades individuais em todo o mundo e destaca que apenas 2% da população mundial vive em sociedades onde é possível se expressar e atuar politicamente de forma completamente livre.
 
 
 
Essa população soma 148 milhões de pessoas e vive em 22 países, a maioria europeus. Entre eles estão a Alemanha, as nações escandinavas, a Suíça e Portugal. Neles, os cidadãos podem, "sem barreiras legais ou práticas, criar associações, fazer demonstrações em praça pública e obter e difundir informações".
 
Os autores destacam que há uma relação direta entre liberdades civis e o desenvolvimento de uma sociedade. "Quando se exerce pressão sobre a população surgem conflitos, e isso impede o desenvolvimento", afirmou a diretora de Direitos Humanos da Brot für die Welt, Julia Duchrow, durante a apresentação do estudo, em Berlim. Segundo ela, melhores condições de vida dependem, portanto, do livre exercício das liberdades civis.
 
Seis países foram analisados em detalhes: além do Brasil, são eles Quênia, Chade, Honduras, Filipinas e Azerbaijão. "Todos têm em comum que as sociedades civis são cada vez mais reprimidas", afirmou Duchrow. Ela citou como exemplos o uso desproporcional de violência policial contra manifestantes e a promulgação de leis que restringem a influência da sociedade civil.
 
Em todo o mundo, a tendência aponta para os regimes autoritários, e, em muitos países, déspotas têm até mesmo o apoio de parte da população, diz o relatório. Um exemplo são as Filipinas, onde o presidente Rodrigo Duterte conta com a simpatia de muitos cidadãos. "Infelizmente, tendências nacionalistas estão em alta neste momento", diz Duchrow.
 
Fonte: Deutsche Welle
 

 
Diante das críticas contra Dom Casaldáliga, o papa Paulo VI exclamou: “Encostar no bispo de São Félix do Araguaia é como encostar no papa”.
 
A reportagem é de Francesco Gagliano, publicada no sítio Il Sismografo, 30-01-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
 
Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix, no Brasil, e grande defensor dos pobres, completará 90 anos agora em fevereiro. Para a ocasião, foi organizada em Madri, na quinta-feira, 1º de fevereiro, por iniciativa das associações Mensajeros de la Paz e Tierra Sin Males, e do sítio Religión Digital, uma coletiva de imprensa e uma série de atividades culturais para prestar homenagem à figura de Dom Casaldáliga.
 
Nascido na Catalunha no dia 16 de fevereiro de 1928, durante 38 anos, viveu e trabalhou no Brasil, primeiro como missionário da Congregação dos Missionários Filhos do Coração Imaculado de Maria, ou Congregação Claretiana, depois como prelado de São Félix a partir 1971, ordenado bispo em outubro do mesmo ano por Paulo VI.
 
Obstinado e corajoso, coerente e firme nas suas convicções, simples e aberto, Dom Pedro trabalhou em um dos lugares mais infelizes e pobres do mundo, o Mato Grosso. Da prelazia de São Félix, da qual foi primeiro bispo e fundador, Dom Casaldáliga tornou-se o porta-voz para dar a conhecer ao Brasil e ao mundo inteiro as condições de vida de agricultores e índios.
 
A partir desse canto perdido do mundo, injustiças foram denunciadas, sacudindo consciências e instituições, atraindo o interesse de muitas pessoas, contribuindo para o desenvolvimento social do país, constituindo um ponto firme para a retomada da democracia após o período sombrio da ditadura militar.
 
Por causa do seu compromisso religioso, social e político, ele foi hostilizado dentro e fora da Igreja. Em alguns ambientes, era considerado como um bispo “subversivo e extremista”, “impertinente e incômodo”, cujo magistério “era perigoso por estar embebido demais na teologia da libertação”.
 
A vocação evangélica de Dom Casaldáliga, totalmente voltada aos últimos e aos esquecidos, logo foi reconduzida a essa leitura “subversiva” e “revolucionária” da teologia da libertação, uma interpretação redutiva e filha de uma profunda incompreensão e oposição àquela que foi a verdadeira missão de Dom Pedro.
 
É importante lembrar que o próprio Papa Paulo VI, para conter os ataques políticos (a ditadura militar tentou várias vezes expulsar Dom Casaldáliga do país) e eclesiásticos contra o bispo de São Félix, o defendeu abertamente com as seguintes palavras: “Encostar no bispo de São Félix do Araguaia é como encostar no papa”. Um fato que fala muito sobre as divisões dentro da própria Igreja acerca da obra daqueles padres que lutavam e ainda lutam para melhorar as condições dos pobres na África ou na América do Sul, e que algumas hierarquias eclesiásticas, apressadamente demais, indicam como “subversivas” ou “heréticas”.
 
A partir de 2 de fevereiro de 2005, quando São João Paulo II aceitou sua renúncia, Dom Pedro não é mais bispo de São Félix, mas ficou vivendo no Brasil, na sua cidade, no seu bairro e entre seu povo, com humildade e modéstia. As recentes conversas com o diretor do Religión Digital, José Manuel Vidal, mostram como esse grande homem da Igreja é coerente ainda hoje com sua vocação e com o Evangelho que encarnou ao longo de sua vida.
 
Reprodução ALC Notícias

 
 
Dois dias após aos ataques no norte da Síria, os cristãos de Afrin lançaram um apelo público urgente para obter ajuda. "Os fiéis da igreja do Bom Pastor em Afrin estão pedindo proteção internacional imediata", lê o apelo, que foi encaminhado para a Fundação Pontifícia ACN. "Clamamos que pare o bombardeio turco imediatamente".
 
O apelo foi escrito por membros da comunidade evangélica local durante os bombardeios que começaram no norte da Síria no fim de semana passado.
 
"Estamos sob um ataque sério", afirma a mensagem desesperada dos cristãos em Afrin, que inclui 250 famílias nos arredores. Afrin faz parte da região de Alepo, onde há cerca de 30 mil cristãos.
 
De acordo com o apelo, a comunidade está mesmo cercada: durante vários dias eles foram sujeitos a bombardeios turcos pesados e sofreram ataques de tropas islamitas que também estão entrando na zona desse conflito.
 
Os parceiros de projeto da ACN nessa região relataram que em Damasco, no sul da Síria, os ataques contra distritos cristãos começaram na última segunda-feira também. Várias pessoas ficaram feridas, com pelo menos uma morte. A maioria das vítimas são jovens.
 
Segundo a Arquidiocese Maronita de Damasco, 24 pessoas ficaram feridas, incluindo sete crianças atingidas enquanto entravam na escola. A curta mensagem afirmou que há medo entre os fiéis e pediu orações pela paz, principalmente no dia 25 de janeiro – festa da conversão de São Paulo – que é uma data-chave na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos.
 
No outono passado a situação de segurança melhorou até o ponto em que as escolas na Síria puderam reabrir. A ACN continua a prestar ajuda de emergência para a Síria.
 
Fonte: ACN
Foto: Reprodução

 
Terminou neste sábado (27 de janeiro) o 14º Encontro Intereclesial de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Ao final do encontro foi divulgada uma carta sobre as vivências, debates e trocas de experiências dos participantes durante os cinco dias.
 
Durante o encontro estiveram reunidos em Londrina, no Paraná, cerca de três mil pessoas entre leigos, padres, religiosos e bispos. A Arquidiocese de Vitória foi representada por 10 delegados que retornaram do encontro com novas experiências a serem compartilhadas com as comunidades. 
 
A cidade de Rondonópolis assume o compromisso de sediar o 15º Intereclesial das CEBs, que acontecerá em 2022. A informação foi divulgada pelo bispo da diocese de Rondonópolis-Guirantinga (MT) Dom Juventino Kestering, de 71 anos.
 
Leia a carta:
 
 
 
Fonte: Arquidiocese de Vitória