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A greve de fome por Justiça no STF completou duas semanas nesta terça-feira, 14. Participam do ato Jaime Amorim, Vilmar Pacífico e Zonália Santos, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Rafaela Alves e o frei Sergio Görgen, do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Luiz Gonzaga Silva, o Gegê, da Central de Movimentos Populares (CMP), e Leonardo Soares, militante do Levante Popular da Juventude.
 
Em solidariedade a eles, a Conferência da Família Franciscana do Brasil emitiu a seguinte carta:
 
Brasília, 13 de agosto de 2018
 
O Senhor vos dê a paz!
 
Carta em Solidariedade aos Irmãos e Irmãs em Greve de Fome
 
Se estes se calarem, as pedras clamarão” Lc19,40
 
A Conferência da Família Franciscana do Brasil manifesta seu apoio e se solidariza com o Frei Sérgio Göergen Jaime Amorim, Vilmar Pacífico, Zonália Santos, Rafaela Alves, Luiz Gonzaga (Gegê) e Leonardo Rodrigues que, em um gesto extremo, estão em “Greve de Fome”, desde o dia 31 de julho de 2018, em Brasília pelo respeito à Constituição Federal e à Democracia.
 
A situação a que foi levada a sociedade brasileira, desde 2016, pelo governo ilegítimo instaurado a partir do impeachment inconstitucional de uma presidenta legitimamente eleita, é de aumento da miséria, da fome, da violência, da perda de direitos e de desrespeito à Constituição.
 
Frei Sérgio Göergen é frade franciscano (Ordem dos Frades Menores), da Província de São Francisco, Rio Grande Sul, e tem uma vida toda dedicada às questões de Justiça, Paz e Integridade da Criação, particularmente no meio rural, junto aos sem terra e agricultores familiares.
 
Todos os sete que estão em greve de fome são de movimentos sociais. Junto a eles reafirmamos as motivações que os levaram a assumir este gesto e as transcrevemos aqui:
 
1. Denunciamos a volta da fome, o sofrimento e o abandono dos mais pobres, sobretudo as pessoas em situação de rua, das periferias, os negros, indígenas, camponeses, sem terra, assentados, quilombolas e desempregados;
 
2. Denunciamos o aumento da violência que ataca, sobretudo, mulheres, jovens, negros e LGBTs;
 
3. Denunciamos a situação dos doentes, da saúde pública, das pessoas com deficiência, a volta das epidemias e da mortalidade de crianças;
 
4. Denunciamos os ataques à educação pública, que deixam a juventude sem perspectiva de vida;
 
5. Denunciamos a volta da carestia, o aumento do preço do gás, da comida e dos combustíveis;
 
6. Denunciamos as tentativas de aniquilamento da soberania nacional, através da entrega de nossas riquezas ao capital estrangeiro: Amazônia, terra, petróleo, energia, biodiversidade, água, minérios e empresas públicas essenciais à geração de emprego e ao bem-estar do povo;
 
7. Nos indignamos e não aceitamos o sacrifício anunciado de duas gerações: as crianças e os jovens;
 
8. Defendemos o direito do povo escolher livremente, pelo voto, seu próprio destino, elegendo à Presidência o candidato de sua preferência;
 
9. Defendemos a volta da plenitude da democracia e a vigência integral dos direitos fundamentais presentes na Constituição Federal, hoje negada e pisoteada;
 
10. Apelamos ao Supremo Tribunal Federal pelo fim das condenações sem crime, das prisões ilegais sem amparo na Constituição e pela libertação imediata do Presidente Lula, para que possa ser votado pelo povo brasileiro.
 
Em comunhão com esses nossos irmãos e irmãs, conclamamos os franciscanos e franciscanas a participar ativamente deste momento importante de nossa história.
 
Solicitamos aos Ministros do Supremo Tribunal Federal que atendam aos clamores da maioria do povo brasileiro, reinstaurem a justiça, o Estado de Direito e o respeito à Constituição Brasileira.
 
Frei Éderson Queiroz – OFMCap,
Presidente
Conferência da Família Franciscana do Brasil – CFFB
 
Foto: MPA

 
O Brasil encerrou o ano passado tendo 82.684 boletins de ocorrência registrando o desaparecimento de pessoas, segundo revelou o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018, divulgado na última quinta-feira (9). O estado de São Paulo lidera com folga a dramática estatística, com 25.200 pessoas desaparecidas, seguido por Minas Gerais, com 8.878, e Santa Catarina, com 7.752 desaparecimentos.
 
O estudo anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública jogou luz no Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos, criado em 17 de dezembro de 2009, conforme a Lei 12.127, e lançado em 26 de fevereiro de 2010 junto com o site www.desaparecidos.gov.br. Desde o início deste ano, o site foi tirado do ar pelo governo federal. Apesar de nunca ter funcionado como deveria, o canal tinha cerca de 370 crianças e adolescentes desaparecidos cadastrados e, de alguma forma, era um espaço oficial que alimentava a esperança de reencontro dos familiares.
 
“Ele (o site) vem inativo desde quando surgiu, em 2010. Nunca funcionou adequadamente, sempre dependeu das famílias fazerem o cadastramento. As mães que tinham que mandar fotos, cópia do boletim de ocorrência e as informações sobre o desaparecimento”, explica Ariel de Castro Alves, advogado e coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Conselho Estadual de Direitos Humanos (Condepe). “O governo federal sempre justificou, tanto nas gestões anteriores como na atual, que os estados não encaminhavam os boletins de ocorrência.”
 
A falta de integração entre os estados e o governo federal sempre foi a principal razão pelo mau funcionamento de um cadastro nacional que poderia cumprir uma importante função. Na prática, os estados nunca colaboraram com o envio das informações para alimentar e atualizar o sistema. Segundo Castro Alves, a maioria dos estados, como São Paulo, por exemplo, sequer tem cadastros estaduais de crianças e adolescentes desaparecidos. Para ele, os cadastros estaduais e o nacional deveriam ter atualização diária a partir dos boletins de ocorrência (BOs) de crianças e adolescentes desaparecidos registrados nas delegacias de polícia de todo país.
 
Apesar da pouca eficiência, o coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Condepe avalia que o fim do site é um descaso com os familiares. “O cadastro funcionava precariamente, mas gerava uma expectativa porque era oficial e podia ser acessado de qualquer parte do país. É um desrespeito. As famílias não foram comunicadas de que o cadastro sairia do ar e elas tinham expectativa. Então é mais uma frustração, mais um abandono dessas famílias, um total desrespeito.”
 
Falta de prioridade
 
Com a aprovação do Sistema Único de Segurança Público (Susp), Ariel Alves tem esperança que a situação melhore porque, a partir de agora, os estados terão a obrigação de encaminhar os boletins de ocorrência e as informações criminais. “Isto pode, a médio e longo prazo, colaborar para resolver essa falta do banco de dados unificado. O estado de São Paulo nunca teve essa prioridade e também nunca atuou em nada, de modo integrado, com o governo federal, principalmente em temas de direitos humanos. Nem nos governos anteriores, nem no atual.”
 
Atualmente, São Paulo tem uma única delegacia de pessoas desaparecidas, vinculada à Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Localizada na capital, tem a missão de atender o estado todo.
 
Desde 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê a necessidade de haver órgãos especializados na polícia e no Judiciário para atender crianças e adolescentes. Em alguns estados existem delegacias especializadas, mas não em São Paulo. E mesmo nos estados onde tais delegacias foram criadas, elas costumam estar localizadas apenas na capital. “Mas em São Paulo nem na capital tem”, critica Alves.
 
Para piorar a situação, os casos de desaparecimento não costumam ser investigados, seja de crianças ou de adulto, afirma o advogado. “A polícia diz que, em si, o desaparecimento não é um crime, é um fenômeno social a criança não estar sob os cuidados da família. Agora, por trás do desaparecimento pode haver rapto, sequestro, cárcere privado, assassinato, então por isto é necessário que em todos os casos sejam instaurados inquéritos. Na prática, quem hoje investiga são as próprias mães.”
 
O coordenador da Comissão da Criança e do Adolescente do Condepe enfatiza ser comum a polícia sugerir aos pais esperar por 24 ou 48 horas antes de registrar o desaparecimento, uma prática que, afirma, é ilegal. “Os primeiros momentos são os mais importantes para buscar, esclarecer, investigar e localizar. E a lei também prevê que após fazer o boletim de ocorrência, além de iniciar as buscas, a polícia tem que informar as rodoviárias, os aeroportos, a polícia rodoviária, e isso também não acontece.”
 
A situação de ter um filho desaparecido, diz Ariel Alves, é um luto permanente, com enorme desgaste emocional e psicológico. “Muitas mães desenvolvem doenças, um câncer, um problema cardíaco. Elas não contam com nenhum tipo de apoio, é um descaso.”
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: Reprodução / Agência Brasil

 
Há uma tendência na América Latina das pessoas terem que provar sua inocência contra um sistema midiático e jurídico que cria a imagem da culpa. A declaração é do papa Francisco à jurista Carol Proner, que esteve com o pontífice há uma semana. "Ele falou que é muito grave quando, através da mídia, são criadas acusações contra determinadas pessoas e a reputação das pessoas é destruída publicamente. Para ele, isso tem se tornado uma tendência", conta Carol.
 
E a constatação do papa não inclui apenas o Brasil. A América Latina tem preocupado Francisco. A perseguição das elites e da mídia a defensores de direitos humanos, o desrespeito ao princípio da presunção de inocência, a intolerância religiosa e a onda conservadora são aspectos que têm chamado a atenção do pontífice. Segundo a jurista, o pontífice criticou a criminalização da política e as ações das mídias hegemônicas nesse processo, afirmando que isso é sistemático na maioria dos países latino americanos. 
 
Por conta disso, Francisco, considerado o mais progressista dos líderes do Vaticano, tem recebido grupos engajados social e politicamente em diversos países latino americanos. A movimentação, entretanto, não é planejada. Os encontros ocorrem organicamente e a pedido dos próprios grupos, como os quatro representantes da Frente Brasil Popular, que estiveram no Vaticano apenas um dia depois da visita que o ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula, Celso Amorim, ao papa.
 
"O Papa considera que os retrocessos provocados pelo avanço das elites não são um problema só do Brasil. Para ele, a maior parte da América Latina vem enfrentando essa onda", contou Carol Proner, que também faz parte da Associação Brasileira de Juristas Pela Democracia.
 
Outras críticas também tecidas por Francisco se voltaram para membros de religiões que são intolerantes a outros cultos e que ostentam e acumulam bens, se afastando dos pobres e do cristianismo.
 
Atenção à presunção de inocência 
 
O Papa Francisco citou recentemente, em um artigo, os “golpes brancos” sofridos na América Latina nos últimos tempos. Ou seja, golpes sustentados pela legalidade. Segundo Carol, o grupo levou ao papa a ideia de que, frente a uma crise no Executivo e no Legislativo, o Judiciário tem operado com uma autoridade própria e com legitimidade legal para seus atos de autoritarismo. 
 
O pontífice vem acompanhando com curiosidade, por exemplo, a situação do ex-presidente Lula, preso em Curitiba desde abril. Carol relata que o papa disse estar atento a esse fenômeno, tanto no caso brasileiro, quanto nos casos latino-americanos. "O papa falou que reconhece que há uma inversão inaceitável em ter que provar que se é inocente e não que aquele que acusa tenha que provar a culpa", afirmou.
 
O Papa refere-se, nesse sentido, ao princípio da presunção de inocência - base democrática que afirma que alguém só é culpado quando se comprova a sua culpa e é inocente até que se prove o contrário. Esse é o argumento usado por defensores da liberdade do ex-presidente petista.
 
“No caso do Brasil, o papa sabe que tem que esperar a sentença penal condenatória julgada para que alguém possa ser considerado culpado, tem que esgotar todos os recursos possíveis para a pessoa se defender. Ele disse que é muito grave a violação dos direitos e princípios da presunção de inocência e que isso afeta a democracia”, afirma Carol. 
 
Disse ainda que nunca esteve com Lula, mas que já se encontrou com a Dilma em três ocasiões. Referiu-se a ela como grande mulher e líder, pessoa honesta e amiga por quem tem grande admiração. O grupo presenteou o papa com o livro "Comentários de uma sentença anunciada: o processo Lula", pelo qual ele agradeceu e afirmou que iria para o Laboratório do Vaticano. 
 
“O papa, muito carinhoso, afirmou a preocupação com o aumento da violência contra aqueles que se pronunciam em defesa de direitos humanos que estão sendo marginalizados, perseguidos e atacados”, acrescenta Carol.
 
De fato, a onda observada pelo papa tem sido monitorada por organizações que defendem os direitos humanos. No ano passado, a Anistia Internacional divulgou que, em 2017, cerca de 212 defensores dos direitos humanos foram assassinados na América Latina. A violência contra os defensores se intensificou com a crise política e econômica na Venezuela, Brasil, Guatemala, Paraguai, Honduras e Argentina. 
 
Além de Carol, o grupo contou com Paulo Sérgio Pinheiro, ex-secretário de direitos humanos e membro da Comissão Nacional da Verdade, Cibele Kuss, pastora luterana representante do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e Marinete Silva, advogada e mãe de Marielle Franco, vereadora do PSOL do Rio de Janeiro, assassinada no dia 14 de março deste ano.
 
Quando Marielle Franco foi executada, o Papa entrou em contato com a família da ex-vereadora. Agora, no encontro, ele reforçou a preocupação com figuras como a da vereadora que lutam em defesa dos direitos humanos. Foi sua mãe que apresentou ao papa um documento sobre as violências e ameaças sofridas por defensores das minorias. Ela o presenteou com uma camiseta com o rosto da filha.
 
“Com toda a simbologia de uma mãe que perde a filha, ela mencionou o vínculo da Marielle com a Maré, chegando jovem ao poder, saindo da luta comunitária e lutando dentro da Alerj, pelas pautas das minorias, da negritude, e das periferias. Marinete explicou como Marielle passou a ocupar um lugar de vulnerabilidade, principalmente por conta de seu posicionamento contra a intervenção federal no Rio de Janeiro”, disse Carol.
 
Fonte: Carta Capital
Foto: Angelo Carconi/Ansa/Agência Lusa

 
Em Curitiba, moradores em situação de rua encontram, a cada semana, um motivo a mais para sorrir: é o Projeto Emanuel, iniciativa que atende cerca de 100 pessoas na Catedral Anglicana de São Tiago. Os assistidos são recebidos todas as quintas-feiras com uma calorosa acolhida fraternal e café da manhã. Em seguida, participam de diversas atividades no local, que podem variar desde momentos de espiritualidade e oração, até rodas de conversa, arte terapia, debates sobre políticas públicas e o acesso a elas, sessões de filmes, músicas, entre outras.
 
O projeto, viável graças à doação e ao empenho de voluntários (foto abaixo), conta com a presença de psicólogos, assistentes sociais, defensores públicos, pessoas da área da saúde, ligados ou não a alguma denominação religiosa, e que se alternam nesses atendimentos durante o mês.
 
 
“Há diálogo individual e coletivo com cada assistido. Queremos ouvi-los. Esse trabalho movimenta, diretamente, aproximadamente 20 voluntários e um número enorme de pessoas que participam indiretamente com doações de gênero e roupas”, explicou o bispo anglicano Naudal Alves Gomes, responsável pelas atividades na Catedral e atual primaz da IEAB – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.
 
O trabalho é concluído ao meio dia, sempre com um farto almoço. “Todas as pessoas são atendidas sem distinção alguma, independentemente de raça, gênero, religião, gosto partidário. Da mesma forma, no que se refere às pessoas voluntárias”, explicou Naudal.
 
 
Atualmente, a Catedral de São Tiago conta com vários parceiros para realizar esse trabalho, incluindo a Pastoral do Povo da Rua. Aqui, se vê um ecumenismo prático, muito além das disputas teológicas daqueles que se fecham em seus escritórios e fecham os olhos para aquilo que o próprio Jesus orientou: “[...] tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me” (Mateus 25:35).
 
Você pode conferir mais detalhes sobre esse bonito projeto no Facebook da Catedral:
 
Fotos: Acervo Catedral São Tiago

 
“Agora nós temos uma arma para combater com a deles”. A arma que Leiliane Juruna, a Bel Juruna, se refere é primeiro monitoramento independente para impactos da Usina Hidrelétrica (UHE) de Belo Monte sobre o território e o modo de vida do povo Juruna na Volta Grande do Xingu, lançado nesta quarta-feira (8) durante o seminário no XVI Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia em Belém. 
 
Depois serem invisibilizados pelo empreendimento sobre os impactos que a barragem causaria na vida do povo Juruna, eles decidiram produzir seu próprio monitoramento embasado em pesquisa colaborativa e metodologia científica, em parceria com o Instituto Socioambiental (ISA), pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA), da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e famílias juruna da aldeia Mïratu.
 
O levantamento e análises dos dados sobre os recursos pesqueiros e a segurança alimentar possibilitou mapear a cadeia de impactos causados na vida dos indígenas depois que o rio Xingu foi barrado pela usina de Belo Monte. A pesquisa durou cinco anos, iniciou em 2013 e foi concluída em 2017.
 
Bel Juruna relata, por exemplo, que o rio Xingu na Volta Grande é controlado por comportas. A empresa Norte Energia é a responsável pela hidrelétrica, e a barragem interferiu na cadeia do ecossistema de diversas espécies de peixes, impedindo-os de se alimentarem, se reproduzirem e fazerem a desova.
 
Acesse o livro: clique aqui.
 
Segurança Alimentar
 
A técnica de enfermagem conta que essa interferência do fluxo de água sem uma vazão mínima para alagar os locais onde os peixes se alimentavam fez com que o rio virasse um cemitério.
 
“O rio Xingu está virando um cemitério de peixes mortos e a gente não está se alimentando mais. Quando tem um pouco de peixe que a gente consegue pegar eles estão insalubres, às vezes estão se decompondo. Não conseguimos nos alimentar deles porque é inviável à alimentação”, afirma.
 
De acordo o documento, a “região da Volta Grande do Xingu é um dos lugares com maior biodiversidade do mundo. Das 63 espécies endêmicas de peixes conhecidas na bacia do rio Xingu, 26 só existem nas corredeiras da Volta Grande”.
 
O rio Xingu foi barrado em 2015. Ainda segundo o monitoramento, os dados apresentados apontam que em “2014 e 2015 o peixe era a principal fonte de proteína animal consumida, mas o quadro se alterou em 2016 e 2017”. “Esse resultado está diretamente relacionando ao fechamento do rio”.
 
Para Bel Juruna, seu povo é dono do rio Xingu: “Nós somos pescadores, vivemos do rio, tiramos nossa renda, nossa alimentação, nós temos uma grande ligação com o rio”.  Um povo que viveu com os peixes agora precisa de adaptar a viver no seco.
 
Ela fala que os Juruna não têm prática com a roça, o que fazem é apenas para complementar a alimentação. Ameaçados em sua segurança alimentar, as famílias passaram a ter que recorrer a alimentação da cidade e perceberam, a partir do monitoramento, que os indígenas começaram a apresentar doenças que antes não existia em sua população, como pressão alta, diabetes e furúnculos. Diante do quadro ela desenha uma imagem triste do cenário com base nos dados do monitoramento.
 
“Meus filhos não vão mais saber o que é se alimentar de peixe bom. As crianças não vão saber. Nossos filhos já vão crescer com doenças, vão ter a possibilidade de adoecer com mais facilidade dessas doenças que não tinha no nosso povo antes”.
 
Buracos
 
A antropóloga Thais Mantovanelli e colaboradora da pesquisa explica que o monitoramento independente é o único que não teve interrupção durante o processo, diferente dos relatórios de monitoramento feitos pela Norte Energia por contratos de empresas terceirizadas.
 
“Temos buracos nesses monitoramentos que são significativos, especialmente no ano de 2016, que é o ano do fim do mundo, segundo os próprios Juruna nomearam, que foi um ano de uma seca muito extrema, depois do barramento do rio em 2015. Os dados oficiais de 2016, que o empreendo disponibiliza nos seus relatórios semestrais, tem seis meses que não houve monitoramento justamente no período mais crítico. Mas os Juruna têm”, enfatiza Mantovanelli.
 
O relatório do povo Juruna ainda revela, como argumenta Mantovanelli, Pós-doutorando na UFSCar, que é necessário revisar o processo de licenciamento ambiental no Brasil sobre a produção desses monitoramentos, uma vez que quem gera o impacto é o mesmo empreendedor responsável pela obra.
 
A região da Volta Grande do Xingu, além da barragem de Belo Monte, ainda tem a ameaça de instalação de uma mineradora, a Belo Sun, que almeja explorar ouro a céu aberto.
 
A livro do monitoramento foi lançado durante o XVI Congresso da Sociedade Internacional de Etnobiologia, evento que reúne cerca de 1.600 participantes de 45 países. O congresso teve início na terça-feira (7) e termina nesta sexta-feira (10). A programação contempla falas de povos indígenas, comunidades quilombolas, ribeirinhos, camponeses, pesquisadores da academia nacional e internacional, representantes de ONGs, agências de governos e ativistas em mesas redondas, palestras e sessões de apresentação de trabalhos.
 
Fonte: Brasil de Fato
Foto: Kelly Lima / ISA

 
Casados há cinco anos, a advogada Tatiane Spitzner e o biólogo Luís Felipe Manvailer saíram de casa para comemorar o aniversário dele, na noite de 21 de julho. A esposa pega uma mensagem de outra mulher no celular dele e os dois começam a discutir. Voltam para casa lá pelas duas e meia da manhã.
 
A briga não para. Vizinhos escutam as discussões, ouvem a mulher dizer que vai pular da sacada, e pedidos de socorro dela. Em seguida, escutam um barulho, “como se fosse uma batida de carro”. Luís Felipe desce até a frente do prédio e, segundo testemunhas, diz “o que você fez, meu amor?”. Recolhe o corpo, leva a esposa morta até o apartamento, e foge com o carro dela.
 
Na última sexta 3, os vídeos daquela madrugada vazaram na internet. Tatiane apanhou do marido ainda dentro do carro, antes de entrar no prédio, e, na sequência, tomou um golpe que a deixou desacordada no chão da garagem. Luís Felipe chuta a esposa, que acorda e corre do marido. No elevador, tenta, sem sucesso, descer no térreo e escapar das agressões. Violentamente, Luís Felipe a empurra de volta e a obriga a sair de lá quando chegam ao quarto andar.
 
A violência toda foi filmada. Vizinhos escutaram gritos e pedidos de socorro. Então, por que ninguém fez nada? O porteiro não viu as imagens em tempo real? Não escutou a gritaria no térreo? Ninguém pensou em intervir, tocar a campainha? Quando a polícia chegou, Tatiane já estava morta – o corpo tinha até sido levado de volta ao apartamento.
 
A sociedade (todos nós) se omite, ignorando “brigas de casais”, por achar que esses desentendimentos fazem parte da vida privada dos dois. Enquanto isso, a cada sete segundos uma brasileira é vítima de violência física, segundo a pesquisa Relógios da Violência, do Instituto Maria da Penha.  Metade (54%) dos brasileiros conhece ao menos uma mulher que já foi agredida pelo companheiro. Em 2016, foram 58 mil registros desse tipo captados pelos dados do Ligue 180, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres.
 
"Os dados revelam que a violência de gênero não é um problema pontual. É um problema grande. A maioria dos feminicídios é pelas mãos do companheiro ou do ex. O assassinato é o último estágio, e por isso tentamos atacar o problema antes de ele chegar às últimas consequências", conta Aline Silveira, designer e uma das co-criadoras do aplicativo "Mete a Colher", que busca auxiliar mulheres vítimas de violência.
 
Antes de chegar ao fim, familiares e amigos contam que Tatiane vivia um relacionamento abusivo há tempos. Em mensagens trocadas com uma amiga, a advogada contou que o marido tinha um “ódio mortal dela” e que havia “mudado completamente” muito depois de começar a tomar anabolizantes. A irmã, que estava com o casal no bar, contou que Tatiane queria o divórcio.
 
Não é fácil se dar conta do que é um relacionamento abusivo, principalmente quando envolve a sua história – o amor apaga algumas cenas de violência e faz acreditar nas promessas de melhora do parceiro. Para alertar outras mulheres, a família de Tatiane criou as páginas TodosPorTatiane, no Facebook e Instagram. E já tem dado resultado. Segundo um dos posts, uma psicóloga próxima à família disse ter escutado histórias de várias pacientes que perceberam ser vítimas de violência depois de assistir aos vídeos de Tatiane.  
 
A polícia investiga se Tatiane morreu antes, ainda no apartamento, depois da queda. Luís Felipe segue preso como suspeito pela morte de Tatiane. Os advogados dele ainda insistem na história de quem formavam uma família de comercial de margarina. Os vídeos e a família dela contam uma versão bem diferente.
 
Em caso de flagrante de violência, você pode chamar imediatamente a polícia pelo 190. Se souber de agressões constantes, mesmo que a própria vítima ainda não tenha denunciado, é possível alertar sobre o caso pelo Disque Mulher (180). Pelo 180, não é aberta uma chamada de emergência e, portanto, a polícia não aparece imediatamente - só quando acionada pelo 190.
 
Fonte: Carta Capital
Imagem: A Tribuna / App Mete a Colher

 
A atual realidade política brasileira, a retirada de direitos que atinge diretamente a população mais vulnerável e empobrecida, o desânimo do povo diante da péssima e irresponsável atuação de muitos parlamentares nas Assembleias Legislativas Estadual e Federal, o avanço de ideologias conservadoras alinhadas aos interesses dos grupos econômicos que insistem na lógica da concentração de poder, riqueza e destruição do nosso patrimônio ambiental nos convidam e nos desafiam a uma profunda reflexão sobre as consequências do voto ERRADO e, ao mesmo tempo, nos levam a uma necessária e urgente ampliação do debate  com o conjunto da sociedade sobre esses temas que nos últimos anos vêm sendo refletidos no conjunto das pastorais do campo, movimentos e organizações sociais na Bahia.
 
Diante desse cenário nasce a Campanha SEU VOTO VALE? ENTÃO, VOTE CERTO! #NenhumDireitoaMenos, inciativa de um coletivo de Pastorais, Organizações e Organismos da Bahia para incentivar: eleitores e eleitoras a refletirem sobre o papel de cada pessoa e do voto na transformação social; e a votarem CERTO em candidatos e candidatas comprometidos com a justiça social, com a perspectiva da garantia dos direitos nas eleições em 2018.
 
A campanha também pretende contribuir para o eleitorado pensar sobre a atuação dos/as deputados/as, senadores/as baianos/as e do/a presidente da República nesta última legislatura, convidando eleitores/as a perceber se de fato o seu voto tem o poder de mudar ou se esse instrumento político não passa de um FAZ DE CONTA para legitimar os interesses de um Estado controlado por determinados setores do Judiciário, Executivo e Legislativo, historicamente patrocinados e financiados por grandes empresas, bancos e redes de rádios, jornais e televisão.
 
Também é preciso que cada eleitor/a analise se o conjunto dos parlamentares representa a CARA DO POVO BRASILEIRO. Podemos afirmar que o Congresso Nacional não representa nossa juventude, as mulheres, os grupos LGBT+, a população negra, os povos indígenas e as comunidades tradicionais. VOTAR CERTO nas próximas eleições é garantir que o povo brasileiro seja respeitado em seus direitos e representado, na sua diversidade cultural, religiosa e de gênero; é garantir a participação ativa do nosso povo nas decisões política e das instâncias de poder que existem em nosso país.
 
Sugerimos que o eleitorado pense bem sobre as consequências do seu poder de escolha e reúnam seus pares para investigar a trajetória política dos/as candidatos/as, seus projetos políticos, para que os resultados das eleições representem, de fato, os legítimos anseios, necessidades e interesses do povo brasileiro.
 
A partir de hoje até 6 de outubro, você pode contribuir com a campanha, que esclarecerá pontos importantes do cenário eleitoral, como a importância de não anular seu voto; o nome e partidos de quem já votou a favor de muitas perdas de direitos; a importância de ampliar a participação da mulher, da juventude, população negra e indígena no parlamento; a renovação do Congresso; questões ambientais, terra água e território e os conflitos a partir da defesa dos territórios; e a intolerância religiosa e suas consequências.
 
PARTICIPE! Compartilhe nossos conteúdos, promova rodas de diálogo e apresente o conteúdo da campanha em suas paróquias e comunidades e participe de nosso ato de lançamento. Assim construiremos uma VERDADEIRA DEMOCRACIA a partir do PODER POPULAR.
 
Salvador, 1 de agosto de 2018
 
Ação Social Arquidiocesana – ASA
Cáritas Brasileira Regional Nordeste 3
Centro de Estudos Bíblicos – CEBI
Comissão Pastoral da Terra – CPT
Comunidades Eclesiais de Base – CEBS
Conselho Pastoral dos Pescadores – CPP
Conselho Ecumênico Baiano de Igrejas Cristãs – CEBIC
Coordenadoria Ecumênica de Serviço – CESE
Frente de Evangélicos Pelo Estado de Direito
Pastoral da Juventude – PJ
 
Fonte: CESE
Foto: Agência Brasil/EBC

 
A Sede Nacional da Igreja Metodista, em São Paulo (SP), recebeu, no dia 3 de agosto, reunião do Conselho Latino Americano de Igrejas (CLAI). O encontro contou com a participação de representantes de igrejas e organizações membros do Conselho para discutir, entre outros temas, a eleição da nova diretoria da organização. 
 
A Igreja Metodista foi representada pela Secretária Executiva do Colégio Episcopal, pastora Giselma de Souza Almeida Matos, e pelo bispo Honorário Stanley da Silva Moraes. O metodista bispo emérito Paulo Ayres, também esteve presente na reunião, mas representando a Presença Ecumênica e Serviço – KOINONIA e o Instituto Ecumênico de Pós-Graduação em Ciências da Religião IEPG-UMESP.
 
Durante o encontro, o jornal Expositor Cristão (EC) gravou uma entrevista especial com o presbítero da Igreja Presbiteriana Unida (IPU), Nilton Emmerick Olievira, que atua hoje como presidente do CLAI-Brasil. Na conversa, ele conta mais sobre a atuação do CLAI junto às demandas sociais. Ele também falou sobre a crise institucional enfrentada pelo Conselho no último ano, assunto que já foi notícia no EC. Leia aqui. A presbítera Yone Moreira, tesoureira do CLAI-Brasil, também representou a diretoria na reunião. A entrevista com o presbítero Nilton será publicada em breve no podcast Giro de Notícias.
 
O encontro também contou com a presença de Sônia Mota, da Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), do pastor Joel Zeferino e Josileide José dos Santos, da Aliança de Batistas do Brasil (ABB), da presbítera Anita Sue Wright Torres, da Igreja Presbiteriana Unida (IPU), e da reverenda Lúcia Dal Pont Sirtoli, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), que também representou o Centro de Estudos Bíblicos (CEBI).
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) foi representado pelo reverendo Márcio, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). O grupo contou ainda com a presença do reverendo Luiz Carlos Ramos, representando o Centro Ecumênico Brasileiro de Experiências Pastorais (CEBEP), de José Carlos Dionízio, do Programa de Formação e Educação Comunitária (PROFEC), além de representações do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP) e convidados/as que atuam junto ao CLAI.
 
A reunião começou às 9 horas e foi encerrada por volta das 17h, com um momento de devocional dirigido pela pastora Giselma Matos. 
 
Para saber mais sobre o CLAI, acesse o site oficial do Conselho: www.claiweb.org
 
Com informações do Expositor Cristão
Foto: Reprodução

 
Entidades reagiram nesta terça-feira (7) à declaração do general Antonio Hamilton Mourão (PRTB), candidato a vice-presidente na chapa de Jair Bolsonaro (PSL) nas eleições de 2018, que disse que o Brasil herdou "indolência" da cultura indígena e "malandragem" do africano.
 
A declaração foi dada durante um evento em Caxias do Sul (RS).
 
"Essa herança do privilégio é uma herança ibérica. Temos uma certa herança da indolência, que vem da cultura indígena. Eu sou indígena, minha gente. Meu pai é amazonense. E a malandragem, Edson Rosa (vereador de Caxias do Sul), nada contra, mas a malandragem é oriunda do africano. Então, essa é o nosso cadinho cultural. Infelizmente, gostamos de mártires, líderes populistas e dos macunaímas", afirmou Mourão, em trecho gravado pelo jornal "Pioneiro".
 
Por meio de nota, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) disse que repudia veementemente a declaração do general, e que ela alimenta o racismo. Segundo a entidade, a fala é injusta, injuriosa e criminosa, e deve ser investigada pelo Ministério Público Federal.
 
"Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismo de parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país", diz o CIMI na nota.
 
Também por meio de nota, a ONG Educafro disse estar preocupada com a visão "equivocada" da participação do povo negro na construção do Brasil. Para a ONG, a fala do general Mourão é "ofensiva" à comunidade negra.
 
Por telefone, a presidente da Comissão de Igualdade Racial da Ordem dos Advogados do Brasil de São Paulo (OAB-SP), Cármeno Dora de Freitas, disse que a fala do general caracteriza apologia ao racismo.
 
General Mourão
 
Após a repercussão de sua fala, Mourão disse por telefone que foi mal interpretado e que em momento algum fez referência a indígenas e africanos de forma pejorativa.
 
Afirmou ainda que não é racista, reforçou sua origem indígena, e disse que "o brasileiro precisa conhecer a sua origem para as coisas boas e não tão boas".
 
Em nota divulgada nesta terça, o candidato a vice-presidente disse que, ao dar a declaração, se baseou em "estudiosos gabaritados da nossa nacionalidade" e que o contexto da fala foi o da "herança cultural".
 
"Esse contexto trouxe heranças positivas e negativas, sem distinção de cor e raça, para todos os brasileiros", concluiu.
 
Bolsonaro
 
Questionado por jornalistas no plenário da Câmara, nesta terça-feira (7), sobre as declarações de Mourão, Bolsonaro afirmou:
 
"A mãe dele [do Mourão] é índia. O que é indolência? Capacidade de perdoar, é isso? Funcionário, vê aí, funcionário, o que é indolência... Aquele que perdoa, não é isso?"
 
Indagado sobre a possibilidade de a fala de Mourão prejudicá-lo como candidato a presidente, Bolsonaro disse: "Eu respondo pelos meus atos e ele responde pelos dele".
 
Leia a íntegra da nota do CIMI:
 
Nota do Cimi Sobre Declarações do General Hamilton Mourão
 
O CIMI – Conselho Indigenista Missionário repudia veementemente as declarações injuriosas e injustas aos povos indígenas e à população negra do Brasil proferidas pelo candidato a vice-presidente da república, General Hamilton Mourão, nesta segunda-feira, 06 de agosto. Tais declarações explicitam profunda ignorância e alimentam o racismo de parcela da sociedade brasileira contra essas populações historicamente injustiçadas e massacradas em nosso país.
 
As afirmações do General Mourão corroboram a posição manifestada em diversas ocasiões pelo candidato Jair Bolsonaro, já denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) por racismo. O Cimi encaminhará uma Representação ao Ministério Público Federal (MPF) no intuito que sejam adotadas as providências cabíveis para averiguação sobre possível prática criminosa resultante das declarações do General Hamilton Mourão.
 
Conselho Indigenista Missionário
Brasília, DF, 07 de agosto de 2018
 
Fonte: G1 / CIMI
Foto: Maicon J. Gomes/Gazeta do Povo

 
O burburinho dentro da Igreja de São Paulo, em Margate, cidade litorânea a 130 km de Londres, parece mais com o de uma cafeteria em horário de pico do que com uma missa. As pessoas conversam descontraidamente na nave central, a área que vai da porta até o altar, mas não estão sentadas em fileiras como costuma ser em uma igreja. As cadeiras formam pequenos grupos, e os copos de café estão por todas as partes.
 
Este é mais um encontro do pioneiro projeto "Ignite" (do inglês, inflamar ou incendiar), que prega o Evangelho em reuniões descontraídas e interativas e que, após dez anos de existência, será replicado em outras nove paróquias como parte do plano de renovação e reforma da Igreja Anglicana, anunciado em julho.
 
No mundo, segundo a Comunhão Anglicana, são 85 milhões de seguidores em 165 países, incluindo o Brasil.
 
Com o novo e ambicioso plano, a instituição pretende inaugurar cem novas igrejas na Inglaterra. Somente na Diocese da Cantuária serão investidos 887 mil euros (cerca de R$ 3,8 milhões) em novas igrejas-café. "É uma abordagem diferente da igreja 'mainstream', porque normalmente você vem como um membro da congregação, as coisas já estão feitas de antemão e você responde. No 'Ignite' você consegue se envolver muito mais, fazer perguntas", detalha Debbie Ellisdon, uma das lideranças do projeto.
 
A cada reunião semanal, ela e o marido, o reverendo Patrick Ellisdon, recebem os participantes com café e uma refeição de cortesia. Cada um ganha uma etiqueta com nome, o que torna a abordagem mais próxima. São pessoas que vivem na região, uma das mais pobres do país. Algumas têm problemas com álcool, outras são moradoras de rua. 
 
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Fonte: Uol
Foto: Reprodução