A situação do povo indígena Gamela, no povoado de Bahias, município de Viana (MA), vítima de uma investida de homens armados de facões, paus e armas de fogo que resultou no ferimento de 15 pessoas, cinco em estado grave, no último dia 30 de abril, quando decidiu-se retirar de uma área retomada, foi assunto de Coletiva de Imprensa que a CNBB realizou, no 1º de Maio, no Centro de Eventos Pe. Vítor Coelho de Almeida do Santuário Nacional de Aparecida-SP.

O bispo de Viana (MA), dom Sebastião Lima Duarte, disse que a situação se agravou após o processo de organização para retomada da terra colocado em curso pelo povo Gamela. Este povo chegou a ser considerado extinto, perdendo traços de sua cultura e língua. Há três anos, após um processo de organização popular acompanhado por organismos como o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e outras organizações, os indígenas resolveram assumir a sua identidade e organizar-se para a retomada de suas terras.

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Segundo o religioso, há documentos e registros, inclusive da Universidade Federal do Maranhão, que comprovam que a terra foi doada aos indígenas ainda no período do Império. O processo de regularização da terra indígena se encontra parado em Brasília e no Incra. Na área, inclusive, segundo dom Sebastião, existem também acampamentos de Sem Terra.

Presença pastoral

A área foi ocupada por fazendeiros, entre eles uma juíza federal e o próprio vice-prefeito de Viana. Uma agente das Pastorais Sociais da diocese de Viana foi destacada, pelo bispo, para ir ao local e fornecer informações mais apuradas sobre o caso. Entre os feridos, há casos de indígenas que tiveram suas mãos decepadas. Cinco indígenas, que tiveram ferimentos mais graves, foram levados para hospitais em São Luis (MA). Os outros foram atendidos em hospitais da região.

Dom Sebastião denuncia a morosidade para resolver esta situação e o que considera “ausência do Estado”. O bispo de Viana pede maior presença da Secretaria Estadual de Direitos Humanos e também do governador do Maranhão, Flávio Dino para resolver definitivamente a questão.

O bispo disse que os indígenas estão proibidos de colher os frutos de sua própria terra, como o coco de babaçu e o açaí. Há no Maranhão, segundo o bispo, um processo de reorganização dos povos indígenas e quilombolas para retomada de suas terras e reafirmação de suas culturas. “A Igreja está ao lado destas lutas por mais dignidade. Na Semana Santa celebrei a Páscoa nesta comunidade”, disse o bispo.

Fonte: CNBB
Foto: Maurício Sant’ana

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É com repúdio que o Movimento Ecumênico recebe a notícia da prisão de três manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) durante os atos da Greve Geral do último dia 28/04/2017. A Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e diversas organizações ecumênicas manifestam solidariedade aos ativistas, detidos no Centro de Detenção Provisória, na Vila Prudente (São Paulo-SP).

Juraci Santos, Luciano Firmino e Ricardo Santos, que se somaram às vozes populares contra a Reforma Trabalhista e da Previdência, são acusados de incitação ao crime, incêndio e explosão.

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De acordo com informações do Mídia Ninja, o delegado considerou como “incitação” as palavras de ordem dirigidas pelos militantes contra o Governo Temer, as reformas trabalhistas e previdenciária. Luciano está sendo acusado pela prática de incêndio, quando na verdade nenhum pneu chegou a ser queimado na pista ao longo de toda a manifestação. Juracy e Ricardo estão sendo acusados de explosão, pois teriam atirado rojões na direção dos policiais. No entanto, a única prova que fundamenta esta versão é a palavra dos próprios policiais, já que nenhum rojão foi encontrado.

Na visão do coordenador do MTST, Guilherme Boulos, o Brasil conta, no momento, com um governo ilegítimo que criminaliza os movimentos sociais e ataca brutalmente os direitos. “E quando as pessoas se levantam para resistir a esses ataques são tratadas com polícia, com aparato de repressão. Isso ficou muito evidente na greve do dia 28, que tem esses três presos políticos. Teve também o Mateus [Ferreira da Silva], o estudante de Goiás, que está hospitalizado em estado grave por agressão policial. Isso é resultado de um governo que trata a questão social como caso de polícia e não de política pública”, avalia Boulos.

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O “Seminário da Sociedade Civil União Europeia-Brasil em Direitos Humanos”, realizado na cidade de Bruxelas, Bélgica, no dia 26 de abril, reuniu representantes de organizações brasileiras e europeias para um diálogo sobre a situação vivida pelos povos indígenas, população privada de liberdade, migração e discriminação racial e intolerância religiosa.

O evento foi preparatório ao diálogo oficial entre a União Europeia e o Brasil sobre direitos humanos, que ocorreu no dia 27 de abril, também em Bruxelas. As conclusões do Seminário da sociedade civil foram levadas e consideradas como parte do Diálogo Bilateral, que contarou com a participação do corpo diplomático da União Europeia, representada pela Comissão Europeia, e do Brasil, representado pelo Ministério das Relações Exteriores.

Do Brasil, além do CONIC, participaram representantes da Associação Nacional de Organizações Não Governamentais (Abong), Coordenadoria Ecumênica de Serviço (Cese), Cimi, Koinonia, Reju, Movimento Nacional de População de Rua e FASE. Da Europa, dentre outros, participaram representantes da Anistia Internacional, FIAN Internacional, AVSI Fundation e Povo Saami.

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Intolerância Religiosa

As organizações do movimento ecumênico brasileiro foram responsáveis em abordar e sugerir recomendações para o tema intolerância religiosa. Foram apresentados dados sobre a configuração religiosa brasileira e os impactos provocados pela instrumentalização entre religião e política na agenda de direitos humanos. Foi dado destaque para a intolerância religiosa contra religiões de matriz africana e indígena e contra a população LGBTT. Nesta mesma temática, os europeus destacaram a intolerância contra cristãos e a islamofobia.

A partir da realidade religiosa, foram sugeridas as seguintes recomendações:

a) que tradições religiosas originárias (como indígena e de matriz africana) sejam consideradas como patrimônio religioso da humanidade para garantir a proteção a essas tradições;
b) vinculação entre liberdade religiosa e liberdade de expressão aos direitos humanos;
c) garantia pelo Estado Brasileiro do preceito constitucional de laicidade;
d) maior controle – por parte do Estado brasileiro – em relação à utilização de meios de comunicação para a difusão de mensagens religiosas com conteúdo discriminatório;

Outros Assuntos

A delegação brasileira, em diferentes momentos, denunciou a ruptura democrática ocorrida no Brasil e a retirada de direitos. Também foi falado sobre o aumento da violência no campo, citando a chacina de nove trabalhadores rurais em Colniza (MT) e a condenação de Rafael Braga – único brasileiro condenado pelos protestos de junho de 2013 – por portar um frasco de desinfetante Pinho Sol.

“Para o CONIC e para o movimento ecumênico, participar dessa reunião foi muito importante. É a primeira vez que a agenda da intolerância religiosa é abordada nesse espaço. Vale lembrar que o movimento ecumênico tem como uma das principais ações a promoção do diálogo entre igrejas e religiões para a justiça e a paz”, declarou a representante do Conselho no Seminário, Romi Bencke.

CONIC com informações do Cimi
Foto: Divulgação/Fian

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O CIER – Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão promoveu, nos dias 24 e 25 de abril, um seminário para tratar do tema da SOUC – Semana de Oração pela Unidade Cristã, edição 2017: “Reconciliação: o amor de Cristo nos move” (Cf.: 2 cor 5,14-20)

A atividade foi realizada no Centro de Eventos Rodeio Doze, na cidade de Rodeio (SC). Participaram da iniciativa 41 pessoas, representantes das igrejas luterana (IECLB e IELB) e católica (ICAR), com a assessoria do teólogo e biblista Celso Loraschi, a partir dos subsídios disponibilizados pelo CONIC (clique aqui e adquira os cadernos da SOUC).

SOUC 24 2017

Através do estudo, reflexão e devocionais, os participantes partiram animados para a preparação e execução da SOUC 2017 nas diferentes regiões em que atuam.

O CONIC congratula o CIER por mais essa ação de apoio.

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Em várias dioceses católicas do Brasil, muitos ministros e fieis se revelam surpresos ao perceber que os responsáveis pela Igreja decidiram se manifestar publicamente sobre o que está acontecendo no Brasil. Bispos se pronunciam contra iniciativas do atual governo, como a Proposta de Reforma da Previdência Social. Também se declaram contra as mudanças da Constituição, empreendidas pelo Congresso, sem nenhuma consulta ou respaldo popular. Na Igreja Católica, essa nova postura profética dos bispos, depois de décadas de uma pastoral mais autocentrada, é uma boa surpresa. Sem dúvida, devemos isso a esses tempos que vivemos, embalados pela profecia do papa Francisco. No entanto, além dos bispos católicos e de uma nota da própria CNBB, também o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs e autoridades evangélicas têm se unido na denúncia das medidas que vão diretamente contra os interesses da imensa maioria dos brasileiros.

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Infelizmente, para muitos cristãos, o compromisso social e político não parece fazer parte da fé. Nesse tempo pascal, todas as comunidades de Igrejas antigas leram as passagens do livro do Êxodo que contam a Páscoa judaica. Ali, Deus ordenou aos hebreus saírem da escravidão. Ele os conduziu para a terra prometida e revelou que a vocação de todo ser humano é ser livre e ter sua dignidade reconhecida. Daqui há poucos dias, leremos nas Igrejas o texto do evangelho no qual Jesus se proclama o verdadeiro pastor do povo que veio para que todos tenham vida e vida em abundância (Jo 10, 10). No entanto, muitos ministros e fieis interpretam o evangelho de forma espiritualista e individualista. Como se Deus se interessasse apenas pelas consciências e desse sua salvação só para depois da morte. Mesmo muitos que estão d e acordo com as pastorais sociais e os trabalhos de solidariedade os veem apenas como consequência da fé e da caridade.

É preciso um processo de conversão para descobrir que a dimensão social libertadora é o eixo central da revelação bíblica e o coração da espiritualidade judaico-cristã. Ela expressa a relação com um Deus que é amor e cujo projeto é a libertação de todos os humanos, o direito à vida de todos os seres viventes e a comunhão do universo. Esse projeto que a Bíblia chama de "reino de Deus" nos chama todos a sermos cidadãos. Paulo diz que deixamos de pertencer ao mundo como sociedade dominante para vivermos livres. Então, "o mundo, a vida, a morte, o presente e o futuro, tudo é de vocês e vocês são do Cristo e o Cristo é de Deus" (1 Cor 3, 22- 23).

Nesses dias, muitos bispos e pastores estão se pronunciando publicamente favoráveis à greve geral dessa sexta-feira, 28. Eles conclamam as pessoas de fé a apoiarem as mobilizações populares. Setores mais conservadores se perguntam o que isso tem a ver com a fé.

De fato, essa greve geral é um movimento autônomo dos movimentos sociais. Totalmente laical e nada ligada à Igreja. No entanto, para quem tem fé, essa greve recorda que, na Bíblia, a aliança de Deus com o seu povo tem como centro a celebração do sábado. É o direito sagrado do povo parar o trabalho e descansar. Até hoje, os rabinos explicam: "Deus criou o sábado para lembrar a todo fiel a sua dignidade de pessoa livre e que não pode se deixar oprimir". Não é por acaso que no idioma hebraico dos nossos dias, o termo greve é traduzido por Shabbat , o mesmo vocábulo que sábado.

Quando lutamos por cidadania e direito dos trabalhadores, estamos revivendo o que uma canção das comunidades eclesiais de base cantam até hoje: "No Egito, antigamente, no meio da escravidão, Deus libertou o seu povo. Hoje, Ele passa de novo, gritando a libertação".

Foto: Reprodução JB

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O papa Francisco chegou nesta sexta-feira (28) ao Cairo, capital do Egito, onde participará da Conferência Internacional de Paz ao lado de líderes muçulmanos, em uma visita de apenas 27 horas, e defenderá a reconciliação entre as religiões.

O Airbus da companhia italiana Alitalia, no qual o pontífice viajou, aterrissou no Aeroporto Internacional do Cairo às 14h (horário local, 9h de Brasília) após decolar do aeroporto romano de Fiumicino três horas antes.

Francisco foi recebido pelo primeiro-ministro do Egito, Sherif Ismail, e por vários políticos e autoridades eclesiásticas.

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De lá, ele irá ao palácio presidencial onde se encontrará com Abdel Fatah al Sisi. Depois, o pontífice irá à Universidade de Al-Azhar, o centro de referência do islã sunita, onde está previsto fale da aproximação entre as religiões e da rejeição à violência.

A 18ª viagem internacional do pontífice acontece apenas 20 dias depois dos atentados contra os coptas no norte do Egito, para quem o papa pretende enviar um sinal de unidade dos cristãos.

O principal compromisso desta sexta será a conferência, que acontecerá na Universidade Islâmica de Al Azhar, onde está previsto que Francisco envie uma mensagem de aproximação entre as religiões e rejeição da violência.

Na cerimônia, o papa falará aos participantes após a intervenção do grande imã da instituição sunita, o xeque Ahmed el-Tayeb, com quem alcançou uma abordagem que ultrapassa o esfriamento das relações que marcou o discurso polêmico e famoso que o Papa Bento XVI pronunciou na cidade alemã de Regensburg, em 2006.

Francisco é o segundo papa que visita Egito, após a viagem feita por João Paulo II em 2000, e em seu pontificado reiterou que não há uma "guerra de religiões", após os diversos atentados reivindicados pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) que vitimaram cristãos e muçulmanos.

Na capital egípcia, o pontífice se reunirá com o papa copta, Teodoro II. A visita também tem caráter pastoral e Francisco se reunirá com representantes da reduzida comunidade católica do país, de aproximadamente 250 mil pessoas; os coptas, por sua vez, somam entre 10% e 12% dos quase 90 milhões de egípcios.

No Cairo, Francisco será recebido pelo presidente egípcio, Abdel Fattah el-Sisi. Não se sabe ainda se o papa mencionará a respeito dos direitos humanos por parte do regime. Apesar da preocupação pela segurança, o papa se deslocará pela capital egípcia em um veículo normal, sem estar blindado.

No sábado, o papa vai celebrar uma missa no Estádio do Exército e depois vai almoçar com bispos e clérigos egípcios, antes de deixar o Cairo e retornar para Roma.

Segurança

A Catedral copta de São Marcos no Cairo foi enfeitada para receber o papa. O templo, situado no bairro de Al Abasiya, foi adornado com três cartazes com a bandeira egípcia nas quais se vê a imagem de Francisco junto ao máximo representante da Igreja copta, Teodoro II, além do lema da visita: "O papa da paz em um Egito de paz".

Na praça da catedral começaram a ser distribuídas bandeiras de boas-vindas às pessoas que esperam impacientes a chegada do papa, 20 dias depois que dois atentados terroristas, assumidos pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI), em duas igrejas coptas do norte do Egito sacudiram o Domingo de Ramos.

As autoridades egípcias montaram um amplo esquema de segurança em torno da nunciatura vaticana no Cairo, situada no bairro de Zamalek, onde o papa Francisco se hospedará esta noite.

Desde o dia 25 de abril, os veículos não podem estacionar nas principais vias de Zamalek por onde previsivelmente o pontífice passará e há várias ruas fechadas ao tráfego, além de um amplo esquema policial nos arredores da nunciatura, em coincidência com a visita.

Com informações do G1
Foto: Tony Gentile/Reuters

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Dia 28 de abril – Vamos parar!

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) une-se às manifestações das Igrejas e de religiosos e religiosas de diferentes confissões e adere à Greve Geral, um instrumento legítimo de luta de trabalhadores e trabalhadoras.

O que tem acontecido em nosso país, um ano após a ruptura democrática, é grave. Temos acompanhado dia após dia, mês a mês, ataques aos direitos sociais de trabalhadores e trabalhadoras. Junto com isso, têm aumentado a repressão e a violência, em especial contra povos indígenas e trabalhadores e trabalhadoras do campo.

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Temos um Parlamento que, com algumas exceções corajosas, se mobiliza para votar contra os interesses da maioria da população brasileira.

Há uma opção clara por parte do governo contra a democracia. Vivemos uma ditadura do sistema financeiro. Estamos reféns dos interesses do capital especulativo.

O povo não pode ser sacrificado por causa da ganância de alguns poucos.

Parar é preciso! Pelo país, pelos trabalhadores e trabalhadoras.

Os escândalos prosseguem. Ao mesmo tempo em que aprovam no Congresso a Reforma Trabalhista, que acabou com a CLT, o STF acaba com teto constitucional e libera supersalários para cargos públicos. Há uma clara distorção ética nessas decisões. Cortam direitos de trabalhadores e trabalhadoras ao mesmo tempo em que garantem privilégios de uma elite burocrática.

Paramos nesta sexta-feira, dia 28, porque não aceitamos nenhuma das reformas aprovadas até agora. Essas reformas são antidemocráticas porque a sua aprovação não tem garantido um amplo, profundo e transparente debate com a sociedade.

“Ai dos que juntam casa a casa, dos que acrescentam campo a campo até que não haja mais espaço disponível, até serem eles os únicos moradores da terra.” (Is 5.8)

CONSELHO NACIONAL DE IGREJAS CRISTÃS DO BRASIL

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Mais de 350 bispos vão se reunir a partir de hoje, 26 de abril em Aparecida, até o dia 5 de maio, na 55ª Assembleia Geral da CNBB, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Os encontros se realizam no complexo do Santuário Nacional, divididos entre reuniões no Centro de Eventos Padre Vitor Coelho de Almeida, e missas na Basílica de Nossa Senhora Aparecida. Neste ano, os debates estarão centralizados no tema “Iniciação Cristã”.

O presidente da CNBB o Arcebispo de Brasília, Cardeal Sérgio da Rocha, explica que a definição do tema central foi baseada nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora para o Brasil, documento que define as necessidades de trabalho da Igreja Católica no país para o período de 2015 a 2019.

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“Uma das prioridades das Diretrizes é a Igreja como casa da iniciação cristã. A Assembleia deste ano pretende trabalhar de maneira especial esta urgência”, comenta o purpurado.

Assuntos como o Ano Mariano, os 300 anos do encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida, o caminho ecumênico, as Novas Formas de consagração e Novas Comunidades, os 10 anos da Conferência de Aparecida e o Sínodo dos Jovens estarão em pauta durante o evento. Temas relacionados à realidade socioeconômica e política do Brasil também devem ser tratados.

Outro ponto importante para os trabalhos da Assembleia será a apresentação de documentos sobre os ritos católicos. Ao menos dois subsídios que tratam do tema devem ser apreciados e debatidos pelos bispos ao longo do encontro.

O primeiro deles será lançado pela Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé da CNBB e oferece reflexões sobre exorcismos, rituais de cura e libertação. Já o outro passará pela apreciação dos bispos e trata sobre a atualização da celebração da Palavra de Deus, rito que consiste na reflexão das leituras bíblicas e da comunhão eucarística. Esta prática acontece sobretudo em locais que não contam com a presença de um sacerdote.

A 55ª Assembleia Geral da CNBB inicia na manhã desta quarta-feira, com uma missa no Santuário Nacional de Aparecida, presidida pela Presidência da CNBB. A cerimônia de inauguração da AG será no auditório do Centro de Eventos Padre Vítor Coelho e será aberta à imprensa.

Todos os dias, exceto no domingo, dia 30, serão celebradas missas com a oração do Ofício Divino, das 7h30 às 8h45, no Santuário Nacional de Aparecida. Haverá transmissão ao vivo pelas emissoras católicas de rádio e televisão.

A programação conta ainda com uma celebração Ecumênica no dia 2 de maio, recordando os 500 anos da Reforma Protestante. Na quinta-feira, dia 4 de maio, será realizada uma Sessão Mariana, em comemoração pelos 300 anos do Encontro da Imagem de Nossa Senhora Aparecida e 100 anos das Aparições de Fátima.

Fonte: Rádio Vaticano
Foto: Monique Coutinho

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Em comunicado emitido no último dia 13, a Organização das Nações Unidas (ONU) criticou os projetos referentes ao movimento “Escola Sem Partido”, afirmando que ele pode ferir direitos consolidados na Constituição Federal, como à “opinião, sem interferências, e o direito a buscar, receber e partilhar informações e ideias de todos tipos, independentemente de fronteiras ou meios”.

O texto foi publicado por relatorias especiais do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. Nele, a organização pede que o governo brasileiro tome atitudes para revisar os textos dos projetos de lei que tratam do tema.

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Segundo o comunicado, o governo deve assegurar que esses projetos estejam em conformidade com a base de direitos humanos da Constituição brasileira. Os relatores pedem que a resposta seja feita em até 60 dias, mas ela não é obrigatória.

O documento é assinado por Koumbou Boly Barry, relatora especial para o direito humano à educação; David Kaye, relator especial para promoção e proteção do direito à liberdade de opinião e expressão; e Ahmed Shaheed, relatora especial para liberdade de religião e de crença.

Fonte: Secretaria de Comunicação Nacional do Psol
Foto: Marcelo Horn / GERJ

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A luta pelo direito ao território tem dizimado dezenas de indígenas todos os anos no Brasil. Dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) mostram que em 2015, 54 indígenas foram mortos em disputas territoriais no país. Estes povos originários buscam incansavelmente que o Governo demarque as terras para que empresários e fazendeiros não se apossem e destruam o território indígena.

Com espírito de enfrentamento que representantes de cinco etnias indígenas – Xukuru, Guajajara, Guarani, Wapichama e Bororo – se reuniram na Roda de Diálogo pelo Bem Viver, promovido pelo FEACT (Fórum Ecumênico ACT Aliança Brasil), na tarde da última quarta-feira (19), na Catedral Anglicana, em Brasília.

O objetivo da roda foi refletir sobre a ameaça, e em muitos casos as perdas, de direitos constitucionais vividos pelos indígenas no país. A tarde foi iniciada com a apresentação de cantos e ritos pelas tribos representadas. Logo após, os/as índios/os tiveram espaço para expor suas dificuldades enquanto povos tradicionais.

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“O índio não existe sem a terra. Estamos lá para manter nossas tradições e nossos encantados, que são ancestrais. Infelizmente, algumas lideranças indígenas têm sido compradas para não lutarem mais pelo território, mas nossa terra não se vende, ela faz parte da nossa cultura. Nos matam quando retiram nossa terra. O tekohá é sagrado e precisa ser reconhecido”, iniciou o cacique Kamuu Dan, da tribo Wapichama.

A diretora da CESE, Sônia Mota, lembrou o compromisso do FEACT em visibilizar as lutas desses povos. “O contexto que está se passando nos territórios indígenas é muito perigoso. Acho importante que as igrejas aqui representadas escutem de vocês (índios/as) essa situação. Porque a gente precisa ouvir para levar para dentro das nossas comunidades qual será o nosso compromisso diante da situação que vocês estão enfrentando”.

A indígena Teresinha Togojebabo mostrou indignação com o que tem vivido. “Eu não quero que meus filhos passem pela mesma situação que eu. Deus nos deu o rio e a terra para sobrevivermos, mas hoje precisamos vender artesanato para comprar o peixe porque nos tiraram da nossa terra. Ainda não enxergaram que nós somos os maiores preservadores da natureza. Onde o índio planta, pode-se plantar várias vezes”, afirmou.

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“Não mataram todos nós ainda porque resistimos. O que afeta mais nossos direitos é a falta de demarcação das terras. A gente não tem nem mais madeira para fazer uma horta, estão acabando com todas as árvores. Não sabemos o que será do nosso futuro. Queremos a demarcação do Noroeste e só pedimos que continuem lutando com nós para demarcar as terras”, finalizou o Cacique Francisco Guajajara.

O Noroeste a qual o cacique Francisco se refere é conhecido como “Santuário dos Pajés” e fica localizado na área central de Brasília. O local passou a ser palco de disputa entre os índios e o Governo do Estado, após este licitar a área para construção civil.

Após as declarações dos indígenas, foi lançado oficialmente o site da Missão Ecumênica Guarani Kaiowá (http://www.mecumenicaguaranikaiowa.org.br/). O site conta com informações e relatos das duas missões ecumênicas realizadas pela CESE, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e o Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos (CEBI) no Mato Grosso do Sul. Além disso, o local abriga notícias sobre a situação dos povos indígenas em outras regiões do país na luta pela demarcação territorial.

Participaram do evento representantes da CESE, CONIC, Koinonia, Igreja Anglicana, Igreja Evangélica de Confissão Luterana, Igreja Metodista, Comunidade Fé Baha’i, Fundação Luterana de Diaconia, REJU, Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia e Aliança Anglicana. A roda de conversa foi encerrada com falas de apoio pelas representações presentes e o compromisso de continuarem unindo forças pela causa indígena no Brasil.

A atividade teve o apoio da agência Heks Eper.

Fonte: CESE
Fotos: Reprodução

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