“Apesar do Brasil possuir uma das legislações mais avançadas no que diz respeito aos direitos das pessoas com deficiência (PCD), ainda existem muitas barreiras que impedem a plena inclusão dos PCDs tanto no poder público como na pela sociedade em geral”. A avaliação foi feita pelo atual coordenador da Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo, Carlos Alexandre Campos por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, celebrado em 3 de dezembro.
 
No Brasil, cerca de 45.606.048 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência (visual, auditiva, motora, mental ou intelectual), o equivalente a 23,9% da população geral, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010. Ainda segundo o IBGE, a deficiência mais recorrente no Brasil é a visual com 18,6%, seguida da motora com 7%, auditiva com 5,10% e, por fim, da deficiência mental com 1,40%.
 
O Dia Internacional das Pessoas com Deficiência, instituído pelas Nações Unidas em 1992, tem o objetivo de promover uma maior compreensão dos assuntos relativos à deficiência e de mobilizar a defesa da dignidade, dos direitos e o bem estar das pessoas. Para o coordenador da Pastoral das Pessoas com Deficiência esta é uma data para lembrarmos da necessidade de incluir as pessoas com deficiência na sociedade de maneira digna e com equiparação de oportunidades. “A equiparação se faz com a promoção de políticas públicas que estimulem e permitam a participação, emancipação e a autonomía social das PCDs em todas as esferas”, disse.
 
A Pastoral das Pessoas com Deficiência da Arquidiocese de São Paulo tem desenvolvido um conjunto de ações que buscam incluir as PCDs. Uma delas é a realização de missas e romarias ao Santuário de Aparecida com recursos de acessibilidade, como folhetos em braile, letras ampliadas, áudio-descrição para pessoas com deficiência visual e interpretação em língua brasileira de sinais para pessoas com deficiência auditiva.
 
Além disso, promove fóruns e encontros que propõem iniciativas de plena e efetiva inclusão dentro e fora da igreja. Um exemplo, são as ações que incentivam a produção de folhetos litúrgicos e publicações de conteúdo católico em formato acessível para pessoas com deficiência visual e auditiva e a promoção e garantia do acesso aos espaços físicos das igrejas e demais espaços católicos por meio da eliminação das barreiras arquitetônicas.
 
Outro campo de ação da pastoral é a realização de cursos de formação em Língua Brasileira de Sinais (Libras), voltados para interpretação em missas e eventos católicos e curso de áudio-descrição da realidade, com transmissão por meio de um equipamento FM de alcance local para pessoas com deficiência visual.
 
Junto ao poder público, a pastoral cobra maior oferta de transporte acessível, eliminação de barreiras arquitetônicas e melhoria da qualidade das calçadas e passeios públicos. Lutam para a instalação de semáforos sonoros, pisos táteis em vias e calçadas de grande circulação de veículos e pessoas; e também cobram a colocação de telefones públicos e lixeiras em locais que não impeçam o ir e vir e alargamento das calçadas.
 
Além da pastoral, existem outras iniciativas na Igreja voltada para as PCDs, como o grupo Catequese Junto à Pessoa com Deficiência, do Regional Sul 1 da CNBB, que funciona como um espaço para o debate de ideias e propostas que favoreçam a plena e efetiva inclusão do público com deficiência à vida cristã.
 
Fonte: CNBB
Foto: Reprodução

 
“O Espírito de Deus pairava sobre as águas” (Gn 1,2)
 
O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), dando continuidade aos compromissos assumidos em defesa da água, desde 2005, com o documento “Declaração Ecumênica da Água como Direito Humano e Bem Público, que foram reafirmados na IV Campanha da Fraternidade Ecumênica “Casa Comum: nossa responsabilidade” e na XVII Assembleia Geral do Conselho, realizada em agosto de 2017, em Brasília, convida Igrejas e tradições de fé a participarem do processo de construção do FÓRUM ALTERNATIVO MUNDAL DA ÁGUA (FAMA), a ser realizado em Brasília, entre 18 e 22 de março de 2018.
 
O FAMA está sendo mobilizado por organizações representativas da sociedade civil como contraponto ao Fórum Mundial da Água e ao Conselho Mundial da Água, ambos organizados pelas grandes empresas mundiais interessadas e envolvidas com a privatização dos mananciais e dos serviços de água e esgoto. O Fórum Mundial da Água será uma grande feira de negócios orientados para a mercantilização da água e dos serviços de saneamento. 
 
No Brasil, os rios estão morrendo. Lembramos o Rio São Francisco, o Rio Doce, o rio Tocantins e o rio Araguaia. Também nossas águas estão contaminadas com agrotóxicos. No Brasil, é permitido 500 microgramas de glifosato por litro de água, o que representa 5 mil vezes mais que em países da União Europeia que permitem 0,1 micrograma por litro. Estamos bebendo água contaminada.
 
Em muitos outros países do mundo, inúmeros outros rios, córregos e nascentes atingidos pela mineração, pela monocultura, assoreamento, poluição por agrotóxico, já não existem mais. Dados da ONU de julho de 2017 indicam que 2,1 bilhões de pessoas não têm acesso à água potável em casa. O desafio é que assumamos uma outra cultura que reconheça o bem viver, a natureza e toda a sua diversidade como ser vivo, portador de direitos.
 
Como igrejas e tradições de fé, temos o compromisso de preservar a natureza. Deus nos deu esta tarefa. A natureza é um ser vivo e, como tal, precisa ser respeitada e não agredida. Todas as pessoas, sejam elas ricas ou pobres, dependem da água para viver. A Ruach, sopro divino que nos impulsiona para agirmos, nos desafia a superar a ideia de que somente o desenvolvimento orientado em lucro e exploração ambiental é viável. Precisamos sair da letargia para assumir, com urgência, nossa tarefa de enfrentar a falta e a escassez de água e mudar radicalmente a forma como lidamos com o bem comum.
 
A crise hídrica não é uma fatalidade. Ela é resultado das nossas opções. Destruímos a criação de Deus. Essa destruição é pecado, porque violenta algo sagrado, que é a natureza. 
 
Nosso país é uma demonstração escandalosa do descuido e da agressão aos biomas, que são os jardins doados por Deus para nós. Os biomas são complexos sistemas de geração de umidade. Nesse sistema, as matas e florestas são indispensáveis, porque são fontes vivas de água e de chuvas. A floresta Amazônica, por exemplo, é muito mais do que um longo território com matas. A Amazônia é fundamental para a formação de rios aéreos na forma gasosa. Estes rios precisam se deslocar com os ventos. Sem isso, eles secam e, aí, aprofunda-se a seca no Centro-Oeste e no Sudeste do país. O mesmo ocorre com o Cerrado, que precisa de tempo com chuvas intensas e de uma cobertura vegetal, de solo e do subsolo para armazenar as águas. O Cerrado é uma grande caixa d’água. A destruição dos biomas significará mais escassez de água.
 
Esses sinais dos tempos exigem que acolhamos a convocação do Deus da criação que pede nosso compromisso urgente em defesa da “Água Nossa de cada dia”. Vamos chamar outras pessoas, de diferentes igrejas, de diferentes tradições de fé e pessoas de boa vontade para que dediquemos o tempo do Advento deste ano a duas iniciativas, absolutamente interligadas: 
 
1) orar, em nossas celebrações, para que Deus nos ilumine e ajude com sua graça a agir em defesa da água para os seres humanos, para todos os demais seres vivos e para a mãe Terra; 2) cada comunidade identificará uma nascente, um córrego, um rio, um lago... que está morrendo e o assumirá de forma permanente até que sua vida seja recuperada, realizando o que for necessário para que isso aconteça.
 
A multiplicação de práticas de cuidado amoroso com a água em todas as regiões do país é a nossa profecia. Uma profecia que desafia quem agride os jardins a tomarem consciência de seus crimes e a mudarem de vida. É necessário libertar-se da lógica gananciosa da riqueza a qualquer custo. 
 
É tarefa do Estado garantir políticas públicas que possibilitem a gestão democratizada da água, incluindo as nascentes e mananciais, pois a água é um bem público e direito humano, pertencente a todos os seres vivos. Além disso, precisamos exigir que os governantes desenvolvam as políticas públicas que garantam a preservação das às florestas e dos cerrados. 
 
A água não pode ser privatizada! Água é vida, não mercadoria.
 
CUIDAR DA ÁGUA É CUIDAR DA VIDA – ENTRE PARA ESTE MUTIRÃO
Brasília, Primeiro Domingo de Advento de 2017

 
 
O levantamento anual do Escritório para as Instituições Democráticas e os Direitos Humanos (ODIHR), ligado à Organização para a Segurança e Cooperação em Europa (OSCE), apontou que os judeus ainda são o grupo religioso mais perseguido em todo o mundo. O estudo, divulgado dia 16 de novembro, compila dados reportados por 125 entidades da sociedade civil e de organizações internacionais, compreendendo o ano-base de 2016.
 
Cristãos e muçulmanos vêm logo em seguida. No quesito “ataques violentos”, que é o aspecto mais evidente da manifestação desses crimes de ódio, há virtualmente um empate entre cristãos (106) e muçulmanos (107). Os islâmicos receberam mais ameaças (79 a 34). Quanto aos “danos à propriedade”, que compreende vandalismo e destruição de símbolos sagrados e locais de culto, foram reportados 369 contra cristãos e 185 contra muçulmanos.
 
O levantamento pode consultado aqui
 
Em tempos de intolerâncias, convidamos todos a meditar a Oração da Paz (atribuída a S. Francisco, mas de autoria desconhecida):
 
Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver a dúvida, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.
 
Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar do que ser consolado;
compreender que ser compreendido;
amar que ser amado.
 
Pois é dando que se recebe,
é perdoando que se é perdoado,
é morrendo que se vive para a vida eterna.
 
Com informações da Gospel Prime

 
 
Harun Ahmed é um dos milhares de jovens de países africanos pobres que se arriscaram na jornada pelo deserto do Saara até a Líbia, no norte da África, em busca de uma oportunidade para ir à Europa.
 
Ele conseguiu chegar à Alemanha, mas só depois de sobreviver a meses de tortura e inanição nas mãos de três mercadores de escravos distintos, que compram e vendem imigrantes como se fossem gado.
 
A comercialização de seres humanos na Líbia - país sem um poder central eficiente desde a queda do líder Muamar Khadafi, em 2011 - foi identificada inicialmente pela CNN no início de novembro.
 
Reportagem da emissora americana mostrava leilões de migrantes. Ali, pessoas eram vendidas como escravos por US$ 400 para outros traficantes ou para realizar trabalhos forçados.
 
Após a reportagem, autoridades prometeram investigar a prática, mas migrantes entrevistados em Trípoli, capital líbia, dizem ser comum sofrer torturas e coerção na mão de traficantes e mercadores humanos.
 
Harun, de 27 anos, nasceu em Agarfa, em uma região com uma das mais altas taxas de migração da Etiópia, por conta da ausência de perspectivas. Harun chegou a tentar a vida no Sudão, mas, depois de um ano e meio, decidiu ir à Líbia, conhecido ponto de partida de migrantes que decidem se arriscar na perigosa jornada pelo Mediterrâneo rumo à Europa.
 
"Eu e outros migrantes começamos a jornada à Líbia pagando US$ 600 (cerca de R$ 1900 na cotação atual) para cada traficante", explica Harun.
 
"Éramos 98 dentro de um único caminhão. As pessoas tinham que sentar umas em cima das outras, e o calor era insuportável. Nos deparamos com diversos problemas pelo caminho. Existem homens armados pelo deserto, (milicianos) que te param de repente e roubam tudo o que você tem."
 
Mas a situação se complicou mesmo foi na fronteira: após seis dias de viagem pelo Saara, o grupo de migrantes chegou à divisa entre Egito, Líbia e Chade.
 
Ali, os traficantes se reuniram para comercializar os migrantes, conta Harun.
 
Só que houve um imprevisto.
 
"Na fronteira, um grupo de milicianos nos sequestrou e nos levou ao Chade", ele conta. "Viajamos pelo deserto ao longo de dois dias, até chegarmos ao acampamento deles."
 
Ali, o grupo, fortemente armado, explicou - em árabe e em outros idiomas africanos - o que queria.
 
"Eles trouxeram um carro e disseram que os migrantes que pudessem pagar US$ 4 mil cada poderiam entrar no veículo. Quem não pudesse pagar ficaria ali (no acampamento)."
 
"Não tínhamos dinheiro, mas conversamos entre nós e decidimos fingir que tínhamos, para conseguir entrar no carro."
 
Harun e os demais migrantes que conseguiram entrar no veículo rodaram por mais três dias, até chegarem a outro local onde seres humanos são comprados e vendidos.
 
"Os homens que nos levaram disseram que haviam nos comprado por US$ 4 mil cada - e que, se não devolvêssemos o dinheiro, não iríamos a lugar nenhum", conta.
 
Ao seu redor, ele via o que poderia acontecer com ele caso não arranjasse dinheiro.
 
"Víamos migrantes, a maioria deles de origem somali e eritreia, que estavam ali havia mais de cinco meses. Eles sofreram muito e sequer se pareciam com seres humanos mais."
 
"Nós sofremos muito também. Nos forçavam a beber água quente misturada com petróleo, para fazer com que os pagássemos mais rapidamente. Nos davam uma quantidade minúscula de comida, e só uma vez por dia. Nos torturavam todas as noites."
 
'Muito ossudo'
 
Harun não conseguiu o dinheiro para pagar seus novos captores e, durante 80 dias, ficou retido no acampamento com outros 31 etíopes.
 
Até que os captores perderam a paciência.
 
"'Se você não vai nos pagar, então vamos vendê-lo', eles nos disseram", relembra Harun.
 
"Estávamos sem comida havia mais de dois meses, então nossos ossos estavam muito aparentes. Por isso, um homem que levaram ao acampamento se recusou a nos comprar, dizendo 'eles não devem nem mesmo ter rins'."
 
Por fim, os traficantes encontraram um comprador: um líbio que pagou US$ 3 mil por migrante.
 
"Entramos no carro dele convencidos de que nada poderia piorar ainda mais a nossa situação. Mas fomos levados a Saba (Líbia) e, após quatro dias de viagem, nos deparamos com um sofrimento desumano. Nos torturaram colocando sacolas plásticas em nossas cabeças, prendendo nossas mãos nas costas e nos empurrando para dentro de um barril cheio de água. Batiam em nós com cabos de aço."
 
Harun e os demais homens viveram assim por mais de um mês, até conseguirem contato com parentes para pedir dinheiro.
 
Após o pagamento, os migrantes foram autorizados a ir embora - só para serem presos novamente.
 
"Não fomos muito longe, porque outros homens armaram uma emboscada e nos levaram a um galpão. Disseram que só nos deixariam sair se pagássemos US$ 1 mil por cabeça."
 
"A tortura e as surras continuaram. Telefonamos para nossas famílias, pedindo dinheiro outra vez. Nossos parentes venderam gado, terras, todas as suas posses e nos mandaram mais dinheiro."
 
Refugiado
 
Harun conseguiu, assim, avançar mais em sua jornada. Chegou ao norte de Trípoli, disposto a tentar atravessar o Mediterrâneo.
 
"Ali, a situação ficou um pouco melhor", conta ele. "Trabalhamos durante alguns meses, em qualquer emprego que conseguíssemos encontrar, e daí cruzamos o Mediterrâneo para vir à Europa."
 
Harun teve, por fim, sorte - de não ter sido detido pelas forças de segurança dos países europeus e de não ter caído nas garras de novos traficantes humanos.
 
Ele desembarcou na Itália e de lá seguiu à Alemanha, onde seu pedido de refúgio foi aceito.
 
Harun diz que a "vida está boa agora", mas agrega que seu sofrimento até chegar à Europa - em especial as perdas que ele viveu na jornada - permanecerá para sempre em sua memória.
 
 
"Enterramos um de nossos amigos na fronteira entre o Egito e a Líbia. Outros dois se separaram de nós em Saba (Líbia), e não sei se estão vivos ou mortos. Uma garota caiu no mar Mediterrâneo. Mas alguns conseguiram chegar à Europa."
 
Questionado sobre se , com o conhecimento que tem agora, ele voltaria a fazer essa jornada, a resposta é direta: "Não".
 
"Falando francamente, eu poderia ter estudado ou trabalhado no meu país natal. (Mas) via as pessoas indo embora e isso, somado à situação (de instabilidade) política, me conveceu a emigrar."
 
Fonte: BBC
Fotos: Reprodução
Obs.: o título foi adaptado
 

 
Uma audiência pública para discutir a questão dos recursos hídricos e a importância de se universalizar o acesso à água, dizendo não à mercantilização desse recurso natural foi realizada nesta quarta-feira, 29 de novembro, no Plenarinho da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). Com o tema “Água é direito, não mercadoria”, o evento contou com a participação de autoridades locais e representantes da sociedade civil. A secretária-geral do CONIC, Romi Bencke, também participou. 
 
A atividade foi uma iniciativa da articulação paranaense do Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama), proposta pelos deputados Péricles de Mello, Tadeu Veneri e Rasca Rodrigues. O evento teve como principais eixos de debate a contaminação da água por agrotóxicos, o impacto por megaprojetos e o risco de privatização. A intenção foi colher subsídios e informações para pessoas e entidades interessadas no tema e avaliar possíveis encaminhamentos.
 
“Temos que fazer este debate porque estamos vivendo um momento em que o avanço das entidades privadas sobre as questões públicas está cada vez mais frequente. Há um desmonte da coisa pública. E quando falamos de água, evidentemente que ela não pode ser tratada como simples mercadoria, mas sim como um bem disponível universalmente e direito da população”, afirmou Péricles de Mello.
 
Para o deputado Rasca Rodrigues, fomentar o debate com a sociedade organizada, com as entidades que lutam em prol do meio ambiente, é fundamental para que a defesa da água e de sua utilização racional também sejam colocadas em pauta, assim como a proteção dos rios e nascentes. “Essa discussão é fundamental, porque o que temos visto é uma política cada vez menos preocupada com o meio ambiente. Os nossos rios precisam ser protegidos, mas temos acompanhado cada vez mais a exploração econômica da água. Por isso essa discussão precisa efetivamente ser feita, com a participação da sociedade”.
 
Na avaliação do deputado Tadeu Veneri, a reunião foi pertinente não apenas pela questão social e ambiental, especificamente sobre a água, mas também pela atual política de precarização dos serviços públicos. “Há, sim, um processo de desconstrução dos serviços públicos, pois o que estamos vendo em diversas esferas, tanto federal, quanto estadual, é um compromisso muito menor com o interesse da população e muito maior com grupos privados, até mesmo em relação à água”.
 
Os deputados Professor Lemos e Evandro Araújo, além do secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Marcio Kieller, e do coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Roberto Baggio, também participaram.
 
 
O professor do Departamento de Meio Ambiente da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Dimas Floriani, ressaltou que cada vez mais a demanda mundial por água vem aumentando e que uma disputa econômica e geopolítica também está em jogo. “A indústria e a agricultura são os segmentos que mais consomem água. Há, portanto, uma clara posição daqueles que encontram na água a matéria prima para muitas coisas e tratam dela como um produto, um negócio. O que fica evidente é o interesse econômico e de dominação. A demanda mundial por água aumentou seis vezes nos últimos 20 anos. É preciso refletir sobre isso”.
 
Também se posicionou contrariamente à transformação da água em produto mercadológico a representante do Comitê Paranaense do Fórum Alternativo Mundial da Água, Joseanair Hermes. “Somos totalmente contra a privatização e o tratamento da água como mercadoria, porque quando isso acontece todos são vítimas, mas quem mais sofre é o morador da periferia, que já vive numa condição de total esquecimento”.
 
 
Por sua vez, Romi relacionou o tema à última Campanha da Fraternidade Ecumênica, realizada em 2016, cujo tema foi “Casa Comum: nossa responsabilidade”, e que teve como objetivo central debater e fortalecer inciativas em favor do saneamento básico universal. “Saneamento básico tem relação direto com o acesso à água potável de qualidade, por isso, um dos objetivos da Campanha foi um posicionamento firme em relação à não privatização dos serviços de saneamento e de distribuição de água. Além, é claro, de refletir e identificar estratégias e ações de conscientização das comunidades a preservação e o cuidado de nascentes, fontes, rios, etc.”, disse.
 
“Outro caminho pelo qual chegamos ao tema da água como direito humano foi a articulação ecumênica internacional realizada em 2005, no contexto da Década Internacional da Água (2005-2015), que resultou na Declaração Ecumênica Internacional ‘Água como Direito Humano e Bem Público’. Esta declaração foi firmada pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, pela Convenção de Igrejas Evangélicas da Suíça, Conferência Nacional dos Bispos do Brasil e pela Conferência dos Bispos”, acrescentou Romi, fazendo um link do envolvimento do CONIC no tema. A representante do CONIC ainda detalhou tópicos da declaração ecumênica em questão e, finalmente, problematizou que para que a água seja, de fato, um direito, é preciso que sejam aprofundadas as ferramentas da democracia, seja no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo.
 
O Fama
 
O Fórum Alternativo Mundial da Água (Fama) vai ocorrer em março de 2018, em Brasília, em paralelo ao 8º Fórum Mundial da Água, com a intenção de se contrapor à lógica mercantilizada de exploração dos recursos hídricos, preponderante no evento oficial.
 
Lançado em junho desde ano, o Fórum é resultado da articulação entre entidades sindicais, movimentos sociais e entidades da sociedade civil, todos preocupados com a questão da escassez e do acesso à água.
 
O Fama será realizado na Universidade de Brasília (UnB) e, também, no Parque da Cidade, com expectativa de receber cerca de 5 mil pessoas.
 
CONIC com informações da Alep
Foto: Reprodução
 

 
 
Os 33,2 milhões de hectares de lavouras de soja que se espalham pela região Centro-Oeste, Sul e parte do Sudeste do Brasil poderiam preencher quase que toda uma Alemanha (35,7 milhões de hectares). Ou ocupar 11 vezes a da área da Bélgica, país que abriga a sede da Comunidade Europeia. A comparação ajuda a dar uma ideia da dimensão territorial dessa monocultura que consome sozinha 52% de todo o agrotóxico vendido no país que é campeão no uso desses produtos.
 
A cana de açúcar, por sua vez, embora responda por 10% dos venenos utilizados e ocupe menos de um terço da área da soja, tende a aumentar suas lavouras, que avançam por diversas regiões. Em todo o território de Portugal (9,2 milhões de hectares) já não caberiam os 10,5 milhões de hectares de cana hoje espalhados pelo Brasil.
 
E com novas plantas geneticamente modificadas em fase de avaliação para liberação, a tendência é que nos próximos anos os agroquímicos sejam ainda mais usados, multiplicando a incidência de casos de câncer, malformações, intoxicações e mortes.
 
Os dados alarmantes constam do atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia (clique aqui para acessar), lançado nesta segunda-feira (27) pela professora Larissa Mies Bombardi, pesquisadora do Laboratório de Geografia Agrária da Universidade de São Paulo (USP).
 
No lançamento, uma mesa de debate com o defensor público Marcelo Carneiro Novaes, da 1ª Defensoria Pública de Santo André – Regional do Grande ABC, coordenador adjunto do Fórum Paulista contra os Impactos dos Agrotóxicos e Transgênicos, a médica Telma Nery, que coordena grupo de trabalho no mesmo fórum, a professora Marta Inês Marques, do Departamento de Geografia da USP, e o assessor de Meio Ambiente da CUT São Paulo Marco Antonio Dalama.
 
Atlas
 
Em 290 páginas, Larissa escancara a miséria socioambiental que toma conta do Brasil. No atlas propriamente dito há mapas por regiões, estados e municípios relacionados a intoxicações conforme diversas variáveis, como sexo, circunstância da contaminação, faixa etária, grupos étnico-raciais e locais de exposição.
 
O estudo demonstra com a realidade de comunidades indígenas contaminadas pelo agronegócio que avança sobre seus territórios, de mulheres que adoecem por trabalhar na colheita de frutas às margens irrigadas do São Francisco, na Região Nordeste. Ou mesmo de bebês intoxicados bem antes de completar 1 ano de vida.
 
Por meio de infográficos, é possível, por exemplo, ter uma noção do tamanho do problema ao comparar áreas ocupadas por culturas banhadas em agroquímicos, muitos banidos e proibidos no exterior, com as dimensões de  países da União Europeia, onde a população cada vez mais rejeita esses produtos – e governos, como o da França, pretendem adotar medidas cada vez mais restritivas e reduzir a quantidade de venenos permitidos.
 
Enquanto os países da União Europeia permitem até 0,1 micrograma de glifosato por litro de água, o Brasil permite 500 microgramas – 5 mil vezes mais.
 
"O alimento perdeu o sentido de alimento e a terra está sendo violentada para a produção de commodities para exportação, até ser exaurida, perdendo sua fertilidade", disse Larissa, durante apresentação do atlas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. 
 
De acordo com a professora, que já havia lançado uma versão preliminar dos mapas, em 2016, a obra tem como pano de fundo a questão agrária, intocada mesmo nos governos de Lula e Dilma Rousseff.
 
"Dos trabalhadores em situação de trabalho análogo ao de escravo, 70% estão na agricultura, o mesmo setor que consome 70% da água, envenena o meio ambiente e que deixa 1 milhão de pessoas intoxicadas, matando uma a cada dois dias. Trata-se de uma forma silenciosa de violência no campo."
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: CC / WIKIMEDIA

 
 
O Papa Francisco encontrou-se, nesta quarta-feira (29/11), no Kaba Aye Center, em Yangun, com o Conselho Supremo Sangha dos Monges Budistas (Comissão Estatal Sangha Maha Nayaka), órgão mais elevado do budismo birmanês.
 
O Kaba Aye Center é um dos mais venerados templos budistas do Sudeste Asiático, local símbolo do budismo Theravada.
 
Em seu discurso, o Papa agradeceu à referida Comissão pelos esforços na organização de sua visita ali. Este comitê é formado por 47 monges budistas nomeados pelo Ministério dos Assuntos Religiosos para um mandato de cinco anos, com a renovação de um terço dos membros a cada três anos. Foi instituído, em 1980, para regular o Sangha, clero budista, em Mianmar, certificar o respeito do Vinaya, regra conduzida pelos monges Theravada, e a exclusão de seu envolvimento nos assuntos seculares.
 
“O nosso encontro é uma ocasião importante para renovar e fortalecer os laços de amizade e respeito entre budistas e católicos. É também uma oportunidade para afirmar o nosso compromisso pela paz, o respeito pela dignidade humana e a justiça para todo o homem e mulher. E não é só em Mianmar, mas em todo o mundo, que as pessoas precisam deste testemunho comum dos líderes religiosos. Com efeito, quando falamos numa só voz afirmando o valor perene da justiça, da paz e da dignidade fundamental de todo ser humano, oferecemos uma palavra de esperança. Ajudamos os budistas, os católicos e todas as pessoas a lutarem por uma maior harmonia em  suas comunidades.” 
 
Segundo o Papa, em toda fase, “a humanidade experimenta injustiças, momentos de conflito e desigualdade entre as pessoas. No nosso tempo, porém, estas dificuldades parecem ser particularmente graves. Embora a sociedade tenha conseguido um grande progresso tecnológico e, em todo o mundo, as pessoas estejam cada vez mais conscientes da sua humanidade e destino comuns, as feridas dos conflitos, da pobreza e da opressão persistem e criam novas divisões. Nunca devemos nos resignar diante desses desafios.”
 
O Papa manifestou a sua estima por todos aqueles que, em  Mianmar, vivem segundo as tradições religiosas do Budismo. “Através dos ensinamentos de Buda e do testemunho zeloso de tantos monges e monjas, o povo desta terra foi formado nos valores da paciência, tolerância e respeito pela vida, bem como numa espiritualidade solícita e profundamente respeitadora do meio ambiente. Estes valores são essenciais para um desenvolvimento integral da sociedade, começando pela família para depois se estender à rede de relações que nos põem em estreita conexão – relações essas arraigadas na cultura, na pertença étnica e nacional, e, em última análise, na pertença à humanidade comum. Numa verdadeira cultura do encontro, estes valores podem fortalecer as nossas comunidades e ajudar o conjunto da sociedade a irradiar a tão necessária luz.”
 
“O grande desafio dos nossos dias é ajudar as pessoas a abrir-se ao transcendente; ser capazes de olhar-se dentro em profundidade, conhecendo-se de tal modo a si mesmas que sintam a sua interconexão com todas as pessoas; dar-se conta de que não podemos permanecer isolados uns dos outros. Se devemos estar unidos, como é nosso propósito, ocorre superar todas as formas de incompreensão, intolerância, preconceito e ódio.” 
 
A esse propósito, o Papa citou as palavras de Buda: «Vence o rancor com o não-rancor, vence o malvado com a bondade, vence o avarento com a generosidade, vence o mentiroso com a verdade», e de São Francisco de Assis: «Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz. Onde houver ódio que eu leve o amor, onde houver ofensa que eu leve o perdão, (...) onde houver trevas que eu leve a luz, e onde houver tristeza que eu leve a alegria».
 
“Que esta Sabedoria continue inspirando todos os esforços para promover a paciência, a compreensão e curar as feridas dos conflitos que, ao longo dos anos, dividiram pessoas de diferentes culturas, etnias e convicções religiosas. Tais esforços não são uma prerrogativa apenas de líderes religiosos, nem são de competência exclusiva do Estado, mas de toda a sociedade. Todos aqueles que estão presentes na comunidade devem partilhar o trabalho de superar o conflito e a injustiça.” 
 
Segundo Francisco, “é responsabilidade particular dos líderes civis e religiosos garantir que cada voz seja ouvida, de tal modo que os desafios e as necessidades deste momento possam ser claramente compreendidos e confrontados num espírito de imparcialidade e solidariedade recíproca”. 
 
A este propósito, o Papa congratulou-se com o trabalho que a Panglong Peace Conference que está fazendo, “e reza por aqueles que guiam este esforço para que possam promover uma participação cada vez maior de todos os que vivem no Mianmar. Isto contribuirá certamente para o compromisso de promover a paz, a segurança e uma prosperidade que seja inclusiva de todos”.
 
Segundo o Pontífice, para que estes esforços produzam frutos duradouros, tornar-se necessária uma maior colaboração entre os líderes religiosos. A este respeito, o Papa manifestou a disponibilidade da Igreja Católica.
 
“As oportunidades de encontro e diálogo entre os líderes religiosos são um elemento importante na promoção da justiça e da paz em Mianmar. Bem sei que, em abril passado, a Conferência dos Bispos Católicos organizou um encontro de dois dias sobre a paz, em que participaram os chefes de diferentes comunidades religiosas, juntamente com embaixadores e representantes de agências não-governamentais. Devendo aprofundar o nosso conhecimento mútuo e afirmar a nossa interligação e destino comum, são essenciais tais encontros. A verdadeira justiça e a paz duradoura só podem ser alcançadas, quando forem garantidas a todos.”
 
“Queridos amigos, possam budistas e católicos caminharem juntos por esta senda de cura e trabalhar lado a lado pelo bem de cada habitante desta terra. Nas Escrituras cristãs, o Apóstolo Paulo desafia os seus ouvintes a alegrar-se com os que estão alegres, a chorar com os que choram, carregando humildemente os pesos uns dos outros. Em nome dos meus irmãos e irmãs católicos, expresso a nossa disponibilidade para continuar caminhando com vocês e a espalhar sementes de paz e de cura, de compaixão e de esperança nesta terra.”
 
Fonte: Rádio Vaticano
Foto: Reprodução

 
 
A descoberta de vestígios arqueológicos de uma igreja cristã na cidade israelense de Ashdod trouxe maiores detalhes a respeito dos séculos de dominação do Império Romano sobre os territórios que atualmente compreendem Palestina e Israel. De acordo com os especialistas, esse monastério estaria localizado em Azotus Paralios, uma antiga cidade do período bizantino cuja localização ainda era desconhecida pelos arqueólogos contemporâneos.
 
Para desvendar o mistério de Azotus Paralios, pesquisadores da universidade israelense de Tel Aviv contaram com a ajudinha de um mosaico localizado no monastério, que tinha uma inscrição em grego: "Pela graça de Deus, esse trabalho foi realizado sob as ordens de Procopius, nosso mais santo e mais sagrado bispo, no mês Dios da terceira indicação, ano 292".
 
Ao realizar uma investigação dos registros históricos disponíveis da época, os arqueólogos concluíram que a data da inscrição pertencia ao Calendário Georgiano, um sistema de contagem do tempo que não é mais utilizado e fora introduzido por igrejas cristãs do Oriente que tinham influência no Império Bizantino. Leah Di Segni, da Universidade Hebraica, afirma que o ano da inscrição do mosaico corresponderia ao ano 539 de nossa era. 
 
Os registros históricos indicam que a cidade de Azotus Paralios tinha grande importância aos bizantinos, já que estava localizada próxima à uma área costeira do território palestino. Alguns grupos de georgianos, que viviam no sudeste da Europa e eram em sua maioria cristãos, passaram a habitar essa região: o princípe georgiano Pedro, o Ibérico, teria vivido seus últimos anos na cidade. 
 
Os pesquisadores acreditam que outros vestígios de Azotus Paralios estão localizados sob Ashdod — a cidade israelense ambém abriga o sítio arqueológico de Ashdod-Yam, com registros de ocupação que datam de mais de 3 mil anos. 
 
No ano de 293, sob ordens do imperador romano Diocleciano, o Império Romano foi dividido em diferentes regiões administrativas: com o gradual declínio econômico e político, o imperador Constantino elegeu a cidade de Bizâncio (que depois receberia o nome de Constantinopla) como nova capital do Império. Mesmo após a queda romana no Ocidente, em 476, o Império Bizantino continuou existindo até 1453, quando os turcos otomanos tomaram a cidade de Constantinopla. 
 
Fonte: Galileu
Foto: ISRAEL ANTIQUITIES AUTHORITY

 
 
O cristianismo chegou ao Egito com Marcos Evangelista que, segundo a tradição, foi o primeiro Patriarca de Alexandria. Cópias do Novo Testamento e fragmentos do Evangelho de João em língua copta – que remontam ao século II – testemunham que a religião se difundiu rapidamente na região.
 
Nos primeiros cinco séculos da era cristã, a Igreja Copta deu uma contribuição notável ao crescimento do cristianismo, graças aos seus escritores, exegetas, filósofos e aos seus Patriarcas, Confessores e Doutores da Igreja, como Atanásio, Teófilo, Cirilo.
 
Em Alexandria – que após Roma tornou-se a segunda sede em ordem de importância – foi fundada aquela que é considerada a primeira Escola de Catequese da cristandade (190 d.C.) e que teve mestres como Atenágoras, Clemente, Dídimo, Orígenes e ilustres visitantes como São Jerônimo, por exemplo. Nela, era ensinada não somente teologia, mas também ciências, matemática e letras.
 
A Escola de Alexandria – copta-ortodoxa – foi refundada em 1893 e atualmente tem campus universitário também no exterior, onde é ensinado, entre outros, Teologia, História, Línguas, Música, Iconografia, etc.
 
Monaquismo
 
No século IV, no deserto egípcio, começou a difundir-se o monaquismo, que contribuiu para plasmar a Igreja local. Muitos dos primeiros monges morreram mártires. Entre os Padres do Deserto figuram Santo Antônio – o primeiro monge; São Pacômio; São Paulo – o primeiro anacoreta; São Macário, o Grande; São Moisés, o Negro e São Mina.
 
Concílio de Calcedônia
 
No século V a Igreja Copta separou-se – ao lado de outras Igrejas Orientais – da Igreja Latina e Grega, por ter rejeitado as conclusões do Concílio de Calcedônia, convocado em 451, e no qual foi condenado o monofisismo – a doutrina que reconhecia em Cristo uma só natureza, a divina, negando a humana.
 
Não se pode esquecer o contexto político da época, com a disputa surgida entre duas capitais do Império Romano do Oriente: Alexandria – centro do pensamento teológico e filosófico – e Constantinopla, centro do poder político. O contraste entre as duas culturas e entre os dois nacionalismos – o copta e o bizantino – transformou-se em rivalidade entre as duas metrópoles eclesiásticas.
 
Seguiu-se uma divisão no Patriarcado de Alexandria: a maioria “anticalcedoniana” seguiu o Patriarca Dióscoro e rejeitou as conclusões do Concílio de Calcedônia e a submissão à autoridade do Imperador bizantino, enquanto uma minoria de fiéis “calcedonianos”, proclamaram a aceitação das resoluções e da autoridade do rei e por isto foram chamados de “malaquitas” ou “melquitas” (fiéis ao rei). Os primeiros, deram origem à atual Igreja Copta Ortodoxa.
 
Conquista árabe
 
Com a divisão, seguiram-se diversas tentativas de acordo, mas também de violência de ambas as partes, até a ocupação do Egito por parte de Bizâncio. Neste contexto acontece a conquista árabe, em 641 d.C., acolhida inicialmente com alívio pelos coptas.
 
Em um primeiro momento, os cristãos foram tolerados pelos novos ocupantes, mas progressivamente passou a ser aplicada a Shari’a, a lei islâmica, que impôs a proibição de construção de novas igrejas e a reforma das existentes, além de rígidas regras a respeito das vestes e uma taxa especial aos não-muçulmanos, a “gìzia” (que vigorou até o final do século XIX).
 
Além da violenta repressão, foi aplicada uma sistemática discriminação “legal”, que levou um número crescente de coptas a converterem-se à religião islâmica. Já no século IX, os cristãos não representavam mais a maioria dos egípcios.
 
A época da dominação dos mamelucos (XIII – XVI) foi muito dura para a Igreja Copta, como o foi o sucessivo período otomano. No início do século XIX, esta comunidade cristã chegou a um mínimo histórico: cerca de 100 mil fiéis.
 
Em 1805, Muhamad ‘Alì, comandante albanês, foi enviado pelos Otomanos para “normalizar” o Egito, transformando-o em uma potência regional, em troca de pesados tributos. Neste novo clima de relativa liberdade e bem-estar, a população egípcia aumentou, e com ela, o número de coptas.
 
Franciscanos
 
No século XIII, o cuidado pastoral para com os católicos europeus estabelecidos no Egito foi confiado aos Franciscanos da Terra Santa, que visitavam o país uma vez ao ano.
 
A primeira presença franciscana remonta, de fato, a 1212, data da visita de São Francisco. O fato é confirmado por um escrito do Bispo de São João do Acre, mais tarde Cardeal Tiago de Vitry, que encontro o “Pobrezinho de Assis” em Damieta no Egito.
 
Igreja Copta-católica
 
Em 1666, a Ordem Franciscana que havia fundado uma missão no Cairo em 1630 – seguida em 1675 pelos jesuítas – estabeleceu-se no país. Deve-se à pregação dos frades franciscanos o surgimento da primeira comunidade copta-católica, isto no século XVIII.
 
Criação do Patriarcado
 
Em 1741, o Papa Bento XVI nomeou o Bispo copta de Jerusalém Atanásio como Vigário Apostólico para os Coptas do Egito. Em 1824 a Santa Sé criou um Patriarcado para os católicos coptas, que porém, existiu somente no papel. Ele foi restabelecido em 1895 pelo Papa Leão XIII com a Carta Apostólica “Christi Domini”.
 
No início do século XIX, o número dos católicos coptas começou a crescer, até tornar-se a principal comunidade católica no Egito.
 
Cristãos no Egito hoje
 
A maioria dos cristãos no Egito são coptas, sendo difícil estabelecer com precisão os números reais, visto variarem segundo a fonte. Estimativas mais confiáveis falam de cerca de 9 milhões de fiéis, cerca de 10% da população, dentre os quais, de 150 a 200 mil são coptas-católicos e cerca de 100 mil coptas-evangélicos.
 
Fonte: Rádio Vaticano
Foto: AP/FOTOLINK
 

 
 
O Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (CESEEP) realiza, de de 9 a 17 de janeiro de 2018, a 31º edição do Curso de Verão. "ÉTICA E PARTICIPAÇÃO POPULAR NA POLÍTICA A SERVIÇO DO BEM COMUM" será a temática do Curso de Verão, onde se buscará:
 
– compreender o momento atual;
– resgatar os pilares do exercício da política;
– motivar a participação popular e sua organização, a serviço do bem comum;
– articular fé e política;
– cobrar o agir ético de todos os atores públicos,
– descortinar um horizonte de esperança.
 
Contextualização
 
A vida política do Brasil saiu de aparente apatia com as manifestações de rua, em julho de 2013. Foram seguidas pelos confrontos pró e contra o impeachment presidencial, pela ocupação das escolas pelos estudantes secundaristas e o surgimento de novos movimentos e partidos políticos.
 
A grande mídia teve decisiva influência no aprofundamento de um clima de acirramento das posições políticas e de intolerância nos debates. Deu apoio ao golpe parlamentar e respalda a repressão aos movimentos sociais e retrocessos nos direitos e conquistas sociais. Está sendo, porém, confrontada por toda uma mídia alternativa e por denúncias e mobilizações nas redes digitais.
 
Com a operação Lava Jato o Judiciário pareceu acordar de sua lentidão. O combate à corrupção no sistema político ganhou força e apoio na sociedade, levando ao banco dos réus o conluio criminoso entre políticos, partidos e empresários. A Lava Jato, por sua vez, recebe críticas pelo atropelo das garantias constitucionais dos acusados, cerceamento da defesa, espetacularização das investigações, vazamento seletivo das delações premiadas e politização partidária de membros do ministério público e do judiciário.
 
A privatização da esfera pública e a busca por parte dos políticos e funcionários de vantagens e privilégios para si, seus familiares e clientela transformou boa parte da vida política num sistema de troca de favores alimentado por privilégios e corrupção. Com isso, a avaliação do parlamento e dos políticos em geral caiu a nível tão baixo que abriu caminho para a desqualificação do exercício da política e do regime democrático, com vozes não tão isoladas, clamando por ditadura e retorno dos militares ao poder.
 
Nas últimas eleições municipais, o elevado índice de abstenções e de votos brancos e nulos superou, em muitos lugares, o número  de votos dados aos candidatos eleitos, revelando perigoso desencanto com a política e levando à fragilização dos mandatos de prefeitos e vereadores.
 
Se de um lado, muitos jovens assumiram suas responsabilidades na esfera pública; de outro, muitas pessoas, decepcionadas, não se veem mais como cidadãos e cidadãs atuantes, mas apenas como consumidores avessos à vida política.
 
Você e sua comunidade, grupo ou pastoral estão convidados a entrar no mutirão para a reconstrução da política como serviço ao bem comum.
 
O Curso de Verão: popular, ecumênico e realizado em mutirão
 
Tem caráter nacional e é organizado para um grande número de participantes.
 
Oferece, ao mesmo tempo, conteúdos para um significativo número de pessoas e atenção a cada cursista que é acolhido em grupos menores, dentro da metodologia da educação popular, que combina reflexão e criatividade, arte e celebração, vivência e compromisso.
 
Pessoas, famílias, comunidades, movimentos populares e instituições educativas e religiosas colocam-se, gratuitamente, a serviço de sua preparação ao longo do ano e de sua realização.
 
Público
 
O Curso de Verão destina-se a pessoas comprometidas com trabalhos pastorais, comunitários e com os movimentos populares e suas causas.
 
Para saber mais sobre o Curso e garantir sua inscrição, acesse: http://novo.ceseep.org.br.