fbpx

 
La  segunda edición de la Eco Escuela está destinada a 25 jóvenes de América Latina y el Caribe y se realizará entre el 1 al 12 de noviembre de 2018 en San Salvador, El Salvador.  Apunta a desarrollar capacidades y empoderar liderazgos jóvenes ecuménicos enfocándose en las relaciones de justicia entre la economía, el cambio climático, el derecho al agua y la seguridad alimentaria.
 
CMI: “En un ámbito ecuménico, los participantes tendrán la posibilidad de estudiar manifestaciones y causas locales, regionales e internacionales de la crisis del agua y la inseguridad alimentaria que se ven afectadas por el cambio climático. También examinarán la situación y los desafíos desde la perspectiva de la fe y la ética, y buscarán juntos las posibles respuestas ecuménicas a dichos desafíos. Al final de la ecoescuela, se espera que estén equipados con herramientas que les permitan convertirse en ecodefensores de una tierra más justa y sostenible. A tales efectos, se entiende que establezcan planes de acción que podrían implementarse en su respectiva comunidad.”
 
Para la FUMEC y el programa de Eco Justicia que viene realizando la iniciativa “Juventud por Eco justicia y Paz: El desafío que aceptamos”  participar en la organización de este evento es relevante, ya que se propone analizar las temáticas desde la misma visión que la FUMEC lo viene haciendo; enfocándose en las multiples relaciones de injusticia que existen entre la economía y la ecología, el acceso al agua y a los alimentos con las causas y consecuencias del cambio climático, así como la paz y la seguridad de las personas y los derechos a vidas dignas y sostenibles.
 
En este sentido la FUMEC sumará también a partir de la experiencia coordinando programas con jóvenes y construyendo capacidades con sus movimientos en la temática. También  la participación de mequenses en la Eco Escuela será de vital importancia para su formación integral dentro de sus movimientos, el programa de Eco Justicia o en la FUMEC en general.
 
 
Fuente: FUMEC ALC
Foto: Pixabay

 
Ela entrou na sala de audiências dos tribunais de La Plata, capital da província de Buenos Aires, e foi aplaudida por sua busca incansável da verdade. No banco dos réus estava o ex-policial Miguel Etchecoltaz, condenado a prisão perpétua por crimes de lesa-Humanidade. Era o ano de 2006 e Maria Isabel Chorobik de Mariani, mais conhecida como Chicha, estava procurando sua neta, Clara Anahi, desde novembro de 1976. Com a força que sempre a caracterizou e com Etchecolatz cobrindo seu rosto com as mãos, ela disse o que todos já sabiam: “Não posso me dar permissão para morrer, devo encontrar minha neta”.
 
Mas Chicha morreu, na segunda-feira passada, aos 94 anos e sem encontrar Clara Anahi. Fundadora das Mães e Avós da Praça de Maio e promotora de diversas iniciativas em matéria de direitos humanos, ela ajudou muita gente, mas nunca conseguiu o que mais queria.
 
Sua neta tinha apenas 3 meses quando foi sequestrada durante uma gigantesca operação militar na casa onde morava com seus pais, Daniel Mariani e Diana Teruggi. Ambos colaboravam com a organização Montoneros, braço armado da esquerda peronista. Segundo contou Chicha em várias entrevistas, na casa baleada durante quase cinco horas pelos militares era impressa a revista “Evita Montonera”, na qual Daniel, Diana e outros colaboradores denunciavam desaparecimentos, assassinatos e torturas de opositores do regime.
 
— Gostaria que Etchecolatz largasse o terço que tem em suas mãos e simplesmente dissesse onde está Clara Anahi, porque ele sabe — assegurou Chicha em 2006.
 
Mas o ex-policial, que continua preso, nunca falou. E Chicha dedicou cada um de seus dias a procurar uma neta que definiu como “um anjo” no documentário “A avó amor”, lançado em 2015. Através da Associação Clara Anahi ela recebia informações, ia atrás de pistas, buscava e buscava. Mas nenhum dos caminhos escolhidos a levou até sua neta, que hoje teria 42 anos.
 
A casa onde foi vista pela última vez foi transformada em museu e lá estão fotos de Diana e todos os falecidos no ataque e elementos usados pela família. Até mesmo o carro, um Citroen enferrujado, continua guardado na garagem. Como se o tempo não tivesse passado.
 
— Costumo dizer que tive dois filhos. Um eu perdi (Daniel foi assassinado oito meses após o atentado à casa) e a outra passei minha vida procurando — disse Chicha no documentário.
 
Sua morte foi lamentada por dirigentes políticos, lutadores pelos direitos humanos e intelectuais que acompanharam o périplo desta avó que não teve a sorte de outras 128 que já encontraram seus netos roubados pela última ditadura argentina (1976-1983).
 
O número total de netos que foram arrancados de suas famílias (muitos nasceram em centros clandestinos de detenção e torturas) é estimado em entre 400 e 500. Chicha já se foi, mas Clara Anahi, talvez, continue procurando sua verdadeira origem.
 
Fonte: O Globo
Foto: ROBERTO ACOSTA / AFP

 
Teólogos de todo o continente americano estarão reunidos em San Salvador para o III Congresso Continental de Teologia. O debate será realizado, de 30 de agosto a 2 de setembro, na Universidade Centro-americana José Simeón Cañas (UCA), na capital salvadorenha, San Salvador e terá como tema: “Os clamores dos pobres e da Terra nos interpelam. 50 anos da Conferência de Medellín”.
 
De acordo com a organização, o objetivo principal será “assumir e comprometer-se com os clamores dos pobres e da terra à luz do patrimônio teológico pastoral da Segunda Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano, realizada em Medellín, na Colômbia, em 1968”.
 
O bispo de Santo André (SP) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Pedro Carlos Cipollini, diz que este tema é de extrema importância e ressalta que a pobreza no mundo não diminuiu com o aumento das riquezas que hoje é algo extraordinário.
 
“Deveria ter diminuído a miséria, mas ela cresceu porque, com o aumento das riquezas, cresceu o egoísmo e um mundo que precisa de Deus. Antes se adorava o bezerro de ouro, mas hoje se adora o ouro do bezerro enquanto os pobres morrem à porta dos ricos”, destaca dom Cipollini.
 
O documento de Medellín – assim como os de Puebla (1979), Santo Domingo (1992) e Aparecida (2007), que deram origem à opção preferencial pelos pobres – esteve presente no conteúdo e na metodologia adotada nos precedentes Congressos, realizados sempre no Brasil a cada três anos: São Leopoldo (RS) em 2012 e Belo Horizonte (MG) em 2015.
 
Durante o congresso, os participantes vão analisar, a partir dos problemas e das esperanças dos pobres, os novos contextos socioculturais, políticos, eclesiais e teológicos da América Latina e do Caribe, diante dos paradigmas emergentes e do clamor da Terra, considerando os horizontes abertos do ecumenismo e do diálogo inter-religioso.
 
Para o presidente da comissão para Doutrina da Fé da CNBB, essa é uma temática sempre atual, necessária e urgente. “A fé vai precisar da ciência para ver mais claramente, assim as ciências humanas poderão vir ajudar, mas em um segundo momento, após olhar a realidade com os olhos da fé revelada pelo Deus da Vida. Em termos de teologia é necessário deixar claro que Deus sempre vem primeiro”.
 
Durante os quatro dias de conferências, haverá painéis, workshops, momentos culturais e uma peregrinação aos locais do martírio de quem deu a vida até as últimas consequências, como o futuro santo Oscar Arnulfo Romero.
 
O bispo de Santo André (SP), ressalta que o trabalho pastoral desenvolvido pela Igreja na América Latina a partir de Medellín foi um momento luminoso da Igreja no Continente mergulhado nas ditaduras militares. Segundo dom Cipollini, o Evangelho apareceu com mais força, as comunidades eclesiais descobriram a vida fraterna que brota do Evangelho e o poder da solidariedade.
 
“Isto está em curso com novos desdobramentos. Porém houve muito discurso inútil, muitos aproveitadores e pessoas que se puseram a praticar Medellín sem a conversão do coração. Sem coração convertido à pessoa de Jesus e seu modo de ser não há nada na Igreja que possa prosperar. E esta conversão deve ser constante”.
 
A Conferência de Medellín deixou um legado muito importante e original. Ela se reuniu para aplicar o Vaticano II na América Latina. Para o bispo, Medellín vai identificar que o homem concreto na América Latina é o pobre ou melhor o empobrecido. Isto vai ser como um estalo que iluminará a ação da Igreja latino-americana de forma original.
 
“Medellín vai avante na pergunta sobre o pobre: quem é o grande pobre mergulhado na “kénose” total? É Jesus. Logo ver o pobre é ver Jesus e se a Igreja deve ser parecida com Jesus ela deve ser pobre como o foi Jesus” e finaliza: “Este legado marca e marcará a Igreja Latino-americana para sempre como os primeiros concílios marcaram a Igreja”.
 
Patrimônio
 
O próprio Papa Francisco, durante a sua visita apostólica à Colômbia, em setembro de 2017, recordou a importância de retornar ao “patrimônio” de Medellín: “é muito mais cômodo transformá-los em lembranças das quais se celebram os aniversários (50 anos de Medellín, 20 de Ecclesia in América, 10 de Aparecida!) do que custodiar e fazer fluir a riqueza deste patrimônio”.
 
Segundo informações divulgadas pela Agência Fides, a diretora do Mestrado em Teologia Latino-americana da UCA, Martha Zechmeister, declarou: “Evocar Medellín nos leva também a celebrar o testemunho e a autoridade dos mártires que viveram o Evangelho e a opção pelos pobres até suas extremas consequências”.
 
Fonte: CNBB
Foto: Reprodução

 
“O corpo não é composto de um só membro, mas de muitos…
Os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis…
Quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele.” (cf. 1 Cor 12,1-31)
 
Apelo urgente ao Supremo Tribunal Federal do Brasil
 
É com intensa solidariedade com as sete pessoas em greve de fome que mandamos a nossa carta. A greve de fome dos sete ativistas pela Democracia, as nossas queridas irmãs Rafaela Alves e Zonália Santos, os nossos estimados irmãos Jaime Amorim, Vilmar Pacífico, Luiz Gonzaga Silva e Leonardo Soares, e o nosso prezado Frei Sergio Görgen, nos toca, comove e move.
 
No nível internacional circulam diariamente mensagens que nos mostram a situação precária na qual o país está. Os/as grevistas estão dando um rosto ainda mais concreto a este cenário chocante do Brasil onde a Ação Misereor já atua há quase seis décadas apoiando as justas causas dos grupos marginalizados como os povos indígenas, as comunidades tradicionais, as populações nas periferias urbanas e muitos outros grupos, temos um conhecimento amplo e profundo da conjuntura atual.
 
Apoiamos as demandas que os/as grevistas fazem ao Governo Brasileiro e ao STF como também assinamos as Notas Públicas e os apelos da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil junto com tantas organizações e movimentos parceiros.
 
Queremos apontar o Mapa da Violência que fala de mais de 63.880 pessoas assassinadas durante o ano passado e os números sobem cada dia mais. Diariamente mais de 175 pessoas são assassinadas, sendo que entre elas o grupo de negros, jovens e de mulheres se destaca. 0 Relatório Periódico Universal (RPU) 2017 confirmou que o Brasil é um país onde os direitos humanos estão sendo desrespeitados.
 
É dever e responsabilidade do Governo Brasileiro e de suas instâncias, como o Supremo Tribunal Federal, ouvir a voz das pessoas que arriscam a própria vida pela Justiça. Apelamos à consciência dos responsáveis pela Justiça da qual brota paz que atendam às demandas claras e concretas dos/das grevistas com os quais, mais uma vez, nos solidarizamos.
 
A elas/eles e às suas famílias e amigos/as nosso profundo agradecimento por esse sacrifício e pelo compromisso com a Justiça.
 
Ao Supremo Tribunal Federal nosso urgente apelo para que atenda a justa reivindicação dos/as a grevistas em favor da Justiça e da Paz.
 
Aachen, 24.08.2018
 
Malte Reshöft
Chefe do Depto. América Latina
 
Fonte: Misereor
* Misereor é uma agência de cooperação da Alemanha
que há décadas apoia projetos de diversas entidades brasileiras,
como a Cáritas Brasileira Regional Minas Gerais.

 
No dia 30 de agosto, a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEAUSP) promoverá a Feira de Refugiados, com o objetivo de aproximar o público universitário da causa dos refugiados e de suas culturas, quebrar estereótipos e promover um espaço de conexão entre refugiados e as instituições que trabalham pela causa.
 
A iniciativa contará com a exposição e venda de trabalhos artesanais, comidas e músicas típicas e murais informativos.
 
Entre os destaques do evento estão as rodas de conversa, pois elas reunirão refugiados que eram graduados em seus países de origem e que não conseguiram validar seus diplomas aqui no Brasil.
 
Horário: 11h às 17h
Endereço: Vivência da FEAUSP – Av. Luciano Gualberto, 908 – Cidade Universitária, São Paulo, SP
 
Fonte: Observatório do Terceiro Setor / Isabela Alves
Foto: Reprodução

 
Foi realizada, no último sábado (25/08), no Mosteiro Sirian Ortodoxo São Basílio e Santo Efrém, em Brasília (DF), a Assembleia Geral Extraordinária da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia (ISOA) no Brasil. O evento reuniu membros do clero representantes das missões em todo país.
 
A Assembleia foi presidida pelo arcebispo Dom Tito Paulo George Hanna, Arcebispo e Núncio Apostólico das Igrejas Sirian Ortodoxas em missão no Brasil, e pelo padre (monge) Cristiano Lopes, e contou ainda com a presença do arcebispo emérito Dom José Faustino Filho, que presidiu a Igreja nos últimos anos e, dada sua aposentadoria, entregou o cargo este ano.
 
Além de tratarem de questões administrativas, pastorais e patrimoniais das Igrejas em missão no Brasil, a assembleia elegeu a nova diretoria para o mandato 2018-2022, tendo sido eleito como presidente da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia no Brasil o senhor arcebispo Dom Tito Paulo George Hanna, e como vice-presidente, o corepíscopo (monsenhor) Paulo Milton Justus. Para o cargo de Vigário Geral da Igreja no Brasil foi eleito o padre (monge) Cristiano Lopes, enquanto para Secretaria Executiva foram eleitos o padre (monge) Isaac Souza (primeiro secretário) e o diácono Pedro Bruno, como secretário adjunto. Para Tesouraria, foram eleitos os padres pe. Flávio Moreira (1º tesoureiro) e pe. Caio Queiroz (tesoureiro adjunto).
 
Ainda, foi escolhido para o cargo de Relações Públicas da Igreja no Brasil o corepíscopo (monsenhor) Paulo Milton Justus, que já vinha desempenhando este cargo na antiga diretoria e, dados os bons resultados de seu trabalho, teve seu mandato estendido para os próximos quatro anos. Por fim, a assembleia elegeu o Conselho Fiscal, formado pelos seguintes padres: corepícopo (monsenhor) José Ribamar Rodrigues Dias, corepíscopo (monsenhor) Antônio Ferreira Cajango e pe. Edson de Souza Bastos, tendo como suplentes o pe. Pablo Neves, padre (monge) Efrém Fernando e o diácono Claude Loureiro.
 
A Secretaria Executiva que, até então, sediava-se na cidade de Aparecida de Goiânia – GO, foi transferida para o Mosteiro Sirian Ortodoxo São Basílio e Santo Efrém (Brasília-DF), que reunirá todo aparato administrativo das missões da Igreja no Brasil.
 
Clique aqui e veja outras fotos da Assembleia.
 
Fonte: ISOA
Foto: Reprodução

 
A ACT Alliance, maior aliança mundial de igrejas protestantes e ortodoxas trabalhando em questões humanitárias, de desenvolvimento e de incidência política em todo o mundo, enviou uma carta direcionada à ministra do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, abordando a situação do grupo de pessoas que estão em greve de fome em Brasília. O organismo demonstra preocupação em relação ao tratamento que tem sido dado ao movimento e cita "o crescente clima de tensão vivido pelo país".
 
"É com preocupação que estamos acompanhando, desde Genebra, a delicada situação de polarização e alocuções ao ódio dentro da sociedade brasileira. Este é um momento em que o bom senso e o altruísmo se tornam fundamentais para impedir uma escalada de violência que pode levar a consequências irreversíveis. Estamos acompanhando, de maneira específica, os desdobramentos da greve de fome realizada por um grupo de lideranças sociais, especificamente Frei Sérgio Görgen, Rafaela Alves, Gegê Gonzaga, Zonália Santos, Jaime Amorim, Vilmar Pacífico e Leonardo Soares", inicia a carta.
 
A seguir, leia a íntegra da carta:
 
Excelentíssima Ministra Carmen Lúcia,
 
É com preocupação que estamos acompanhando, desde Genebra, a delicada situação de polarização e alocuções ao ódio dentro da sociedade brasileira. Este é um momento em que o bom senso e o altruísmo se tornam fundamentais para impedir uma escalada de violência que pode levar a consequências irreversíveis. Estamos acompanhando, de maneira específica, os desdobramentos da greve de fome realizada por um grupo de lideranças sociais, especificamente Frei Sérgio Görgen, Rafaela Alves, Gegê Gonzaga, Zonália Santos, Jaime Amorim, Vilmar Pacífico e Leonardo Soares.
 
Entendemos que as pautas apresentadas por estas pessoas são legítimas e de extrema relevância, considerando que a indecisão sobre as Ações Declaratórias de Constitucionalidade que tratam do trânsito em julgadora sentença penal condenatória tem contribuído para acelerar o encarceramento de pessoas.
 
Sendo a maior aliança mundial de igrejas protestantes e ortodoxas trabalhando em questões humanitárias, de desenvolvimento e de incidência política, a Aliança ACT está preocupada com o crescente clima de tensão vivido pelo país. Da mesma forma, que as circunstâncias das pessoas acima citadas nos deixam em posição extremamente desconfortável. O Brasil é um país, que ao longo de sua história, foi reconhecido por sua relevância na diplomacia e na capacidade de diálogo.
 
Como uma aliança baseada na fé e em valores de respeito, humildade e justiça, apoiamos todas as formas não-violentas para solução de conflitos, desenvolvimento humano e estado de direito. Este enfoque não apenas descreve toda uma classe de atividades, mas também descreve atitudes e estilo de vida. Sustentamos o diálogo como um instrumento eficiente e um meio ético para lidar com conflitos e disputas políticas, porque tenta minimizar danos e respeitar a dignidade humana. Formas não-violentas de manifestação podem ser usada para fins reformistas ou revolucionários, e pode ser usada para promover mudanças sociais (ações não-violentas, revoltas não-violentas etc.) e evitar mudanças indesejadas (defesa social ou defesa civil). Esta abordagem reside na natureza do comprometimento, na relação assumida entre meios e fins, na abordagem do conflito em geral, na atitude em relação ao oponente como um modo de vida.
 
No caso da greve de fome acima referida, referências históricas podem ser encontradas em campanhas de líderes com princípios não-violentos como Gandhi e Martin Luther King. Qualquer ação tem um impacto sobre as partes. O efeito dessa ação, seja coercitivo ou persuasivo, pode depender da percepção das partes e do custo que elas estão dispostas a incorrer. Por exemplo: a greve de fome de Gandhi em 1948 fez com que seus oponentes desistissem, não porque estavam
convencidos, mas porque sentiam que os custos políticos da morte dele seriam altos demais.
 
Certamente, se os ativistas supramencionados conseguirem transmitir o que eles pensam, a razão porque eles estão preocupados e que estão prontos para escutar a sua posição, isso pode produzir uma dinâmica positiva nesta situação de conflito, que não poderia acontecer de outra forma. Claramente, a vida não é uma escolha entre violência e não violência. É uma escolha entre violência e menos violência.
 
Portanto, lhe faço um apelo para que receba as pessoas em greve de fome para escutá-las. Esperamos que neste contexto de exasperação, o judiciário brasileiro mantenha sua vocação de direito, mas também de humildade e humanidade.
 
 
Atenciosamente,
 
Rudelmar Bueno de Faria 
Secretário-Geral
 
Foto: Agência Brasil

 
Diante dos violentos atos ocorridos no dia 18 de agosto em Pacaraima, Roraima [contra imigrantes venezuelanos], os 58 bispos e 27 demais representantes de Prelazias e Dioceses reunidos em Manaus (AM) de 20 a 23 de agosto no III Encontro da Igreja Católica da Amazônia Legal, expressam sua solidariedade com as famílias expulsas do Brasil e solidarizam com as pessoas, instituições e comunidades católicas que acolhem e protegem irmãos e irmãs migrantes.
 
Comissão Episcopal para a Amazônia
 
"Expressamos nossa solidariedade com as famílias que sofreram a violenta expulsão do Brasil e nos edificamos com as pessoas, instituições e comunidades católicas que acolhem e protegem nossos irmãos e irmãs migrantes. Reconhecemos que a situação é crítica, principalmente pela ausência de uma ação integrada e eficaz das esferas municipais, estadual e federal do Estado Brasileiro, que assegure a acolhida humanitária aos refugiados. Insistimos que o governo da Venezuela supere as causas geradoras desse deslocamento forçado".
 
"Lembramos que os refugiados pertencem a povos da Amazônia e merecem respeito à sua dignidade e aos Direitos Humanos. Dizemos BASTA ao ódio e SIM à acolhida fraterna".
 
“Que a Virgem de Nazaré, Rainha da Amazônia,
interceda pelos povos da Amazônia para que o Espírito de Deus
nos indique os caminhos de vivermos como irmãs e irmãos”
 
A nota é assinada pelo Cardeal Dom Cláudio Hummes, Presidente da Comissão Episcopal para Amazônia da CNBB e da Rede Eclesial Pan-Amazônica.
 
Cáritas
 
Também a Cáritas Brasileira, organismo da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que atua na defesa e garantia dos direitos das populações em situação de vulnerabilidade social, se manifestou diante dos graves acontecimentos de violência e xenofobia contra os venezuelanos especialmente, neste momento, com migrantes e refugiados que se encontram em situação de migração em Roraima (RR).
 
“A ocorrência do assalto ao comerciante de Pacaraima
e a responsabilidade pelos atos, imputada aos migrantes venezuelanos,
não justificam as ações que espalharam terror aos homens,
mulheres, crianças e idosos que buscam um lugar
para recomeçar suas vidas com dignidade”
 
"Essa situação aumenta o estado de tensão já instalado no território mesmo antes das migrações externas oriundas da Venezuela e de outros países. Isso decorre da ausência do poder público local e estadual, da frágil e burocrática proposta do Governo Federal para a interiorização e o cenário político-eleitoreiro que alimentam o ódio expressado nas ações violentas cometidas por parte da população.
 
A Cáritas Brasileira e o conjunto da Igreja têm se empenhado em dar uma resposta solidária, com ações emergenciais de médios e longos prazos, buscando a acolhida e a integração desses irmãos e irmãs.
 
Migrar é um direito universal inviolável. Entretanto, a migração forçada tem provocado muitas dores e sofrimentos às pessoas. Crises, como a da Venezuela, podem acontecer em qualquer parte do mundo, principalmente, no contexto atual, em que o capital financeiro e os interesses geopolíticos prevalecem sobre a vida humana. Neste contexto, as pastorais, os organismos e as comunidades cristãs são chamadas pelo papa Francisco a exercer o profetismo, denunciando as injustiças e se colocando ao lado das pessoas que sofrem o drama da fome, da perseguição e da falta de condições mínimas para viver".
 
Apelo aos poderes públicos
 
Assim sendo, a Cáritas Brasileira apela aos poderes municipais, estadual e federal para que assumam a responsabilidade de garantir a proteção e a integridade física das pessoas que se encontram vulneráveis nas ruas de Pacaraima e de outras cidades da fronteira. A sociedade brasileira também é convocada a perceber a dura realidade vivida pelos migrantes e a contribuir na acolhida e integração dessas pessoas.
 
Fonte: Vatican News
Foto: Reprodução

 
No dia 23 de agosto de 1948 o Conselho Mundial de Igrejas-CMI era oficialmente chamado à vida. Era o coroamento de esforços que vinham sendo feitos desde o começo do século 20 no sentido de unir as igrejas em torno de alguns objetivos comuns. Chegar a este ponto não foi nada fácil.
 
Uma longa história de divisões entre os cristãos foi sendo caprichosamente construída desde aquele primeiro grupo de seguidores de Jesus, que já digladiavam entre si as divisões do judaísmo. Continuou com os apóstolos, cujo primeiro concílio da igreja primitiva em Jerusalém, no ano de 70d.C., foi convocado para resolver pendengas entre os cristãos de origem judaica e os gentílico-cristãos em torno da manutenção da circuncisão.
 
Desentendimentos, diferenças de interpretação e lutas por poder levaram ao primeiro grande cisma da igreja em 1054, que dividiu a cristandade em igreja oriental (com sede em Constantinopla) e igreja ocidental (com sede em Roma).
 
O movimento da Reforma levou ao segundo grande cisma em 1520, dividindo a igreja ocidental mais uma vez, entre católicos romanos e os protestantes da Reforma.
 
Em seguida, os próprios protestantes foram se dividindo como num mosaico. Pendengas e picuinhas crescentes só causaram dor, sofrimento, perseguições, guerras e muitas condenações mútuas, sem contar a velha e inaceitável prática da pescaria em aquário alheio, conhecida como proselitismo.
 
Entre as principais correntes de pensamento dentro e fora da igreja que começaram a questionar este estado de coisas destacaram-se os humanistas, os iluministas e os pietistas. Para os humanistas, uma reaproximação mínima poderia ser alcançada através de um CONSENSUS QUINQUESECULARIS, que propunha a volta aos acordos mínimos dos primeiros cinco séculos da cristandade. Os iluministas, a partir do racionalismo e do liberalismo do século 18, deram espaço crescente à ideia da liberdade religiosa. Frederico da Prússia, por exemplo, defendia que “cada um se torne salvo segundo a sua escolha”.
 
Destaque especial nessa caminhada deve ser dado ao movimento pietista, que é a base sobre a qual se ergueu o ecumenismo moderno. Eles defendiam a ideia de que a fé é fruto de um novo nascimento (conversão), não da filiação a uma denominação (igreja). Fé não se herda. A partir desta visão, Zinzendorf criou a BRANCH-THEORY (Teoria dos Ramos), afirmando que a igreja Una, Santa e Apostólica é integrada pelos vários ramos em que se divide, ou seja, todos são como ramos da mesma árvore.
 
Inspirados por essas ideias, a juventude cristã pietista começou a articular encontros entre as igrejas oriundas da Reforma. A Associação Cristã de Moços e a União de Estudantes Cristãos articularam as primeiras Conferências Internacionais de Missão a partir de 1870, que culminaram na grande conferência de 1910 em Edimburgo-Escócia.
 
Foi em Edimburgo que se iniciaram as tratativas que levaram à proposta de uma assembleia constituinte de um Conselho Mundial de Igrejas. Esta assembleia estava marcada para 1941, mas não aconteceu por causa da segunda guerra mundial. A guerra e suas terríveis consequências esfriaram os ânimos até 1948.
 
Assim, a assembleia constituinte do CMI ocorreu apenas em 1948 em Amsterdã-Holanda. Foi neste encontro que 351 delegados de 147 igrejas constituíram o CMI oficialmente no dia 23 de agosto de 1948. Em sua definição, o CMI se auto define como “Uma comunhão de igrejas que confessam o Senhor Jesus Cristo, segundo as Escrituras, como Deus e Salvador e procuram juntas cumprir o chamado a que são vocacionadas, para a glória de Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo”.
 
Hoje o CMI reúne 348 igrejas do mundo todo (protestantes, anglicanos, ortodoxos, católicos antigos e igrejas livres, num total de 560 milhões de pessoas cristãs. A sede da entidade é em Genebra-Suíça, no Centro Ecumênico de Bossey (que abriga também a Federação Luterana Mundial). Por que Genebra? Porque é bom para a entidade diplomática das igrejas estar na capital diplomática da Europa.
 
A Igreja Católica Romana não é filiada ao CMI, mas tem estreita parceria em diversas áreas desde os anos 1960, através do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. O principal argumento para não efetivar uma filiação está no tamanho da ICAR, que congrega 1,4 bilhão de cristãos no mundo (ou seja, o CMI é pequeno para acomodar uma igreja deste tamanho). Assim, trabalhar em parceria tem se mostrado bem melhor.
 
Não é possível imaginar o atual estágio mundial do ecumenismo sem o duro trabalho do Conselho Mundial de Igrejas. Entre idas e vindas, os ganhos foram muito ricos, apesar do constante movimento iô-iô. Sua maior marca é o DIÁLOGO. Esta é a conditio sine qua non do ecumenismo. Não há alternativa ao diálogo. Ele é o único caminho. Foi em volta da mesa de negociações que aconteceram reconciliação, acordos bilaterais importantes e projetos comuns das igrejas.
 
Uma de suas marcas mais visíveis é a celebração conjunta, onde as diferentes igrejas se encontram para ouvir a palavra de Deus em conjunto e refletir, permitindo a ação do Espírito Santo para a construção da unidade visível da Igreja de Jesus Cristo. E foi no encontro, no olho no olho, que se estabeleceram metas comuns como a PAZ, a JUSTIÇA, e a INTEGRIDADE DA CRIAÇÃO.
 
No dia de hoje, 70 anos depois, apesar dos percalços, cabe-nos ser gratos e gratas a Deus pela existência do Conselho Mundial de Igrejas e interceder para que sua trajetória rumo à unidade não seja interrompida, mas fortalecida. Obrigado a todos e todas que se engajaram e se engajam nesta grande causa do Ecumenismo. O CMI é a prova viva de que o que nos separa não são doutrinas ou nuances confessionais. A principal causa da divisão é o PRECONCEITO.
 
*Clovis Horst Lindner é teólogo luterano
Foto: ato de fundação do CMI em 23 de agosto de 1948

 
Segundo o Relatório Global sobre o Tráfico de Pessoas, elaborado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), 71% das vítimas de tráfico humano são mulheres e meninas. A maioria delas é traficada para casamento ou escravidão sexual, enquanto os homens são vítimas do trabalho forçado, principalmente para o setor de mineração, ou são obrigados a atuarem como soldados ou escravos.
 
Além disso, o levantamento destaca que quase um terço do total de vítimas (28%) de tráfico em todo o mundo são crianças. Nas regiões da África Subsaariana e na América Central e no Caribe, esta população compõe 62% e 64% das vítimas, respectivamente.
 
América do Sul
 
Na América do Sul, entre 2012 e 2014, 5.800 vítimas foram detectadas e a maior parte delas são mulheres (45%). Os homens são 15% das vítimas, as meninas são 29% e os meninos, 11%. As vítimas adultas foram detectadas com mais frequência em países como Argentina, Chile e Uruguai.
 
Mais da metade (57%) das 4.500 vítimas de tráfico foi recrutada para fins de exploração sexual e 29% foram traficadas para fins de trabalho forçado.
 
Brasil
 
No Brasil, por ano, há em torno de 3 mil vítimas de tráfico de pessoas. A maioria dessas pessoas é vítima, ainda, de delitos como trabalho análogo à escravidão e servidão forçada.
 
Investigações
 
O número de investigações é significativamente elevado na América do Sul: Argentina, Brasil, Equador, Peru e Bolívia registraram centenas de investigações. No entanto, menos da metade (46%) foi julgada e um terço do número de pessoas julgadas (28%) foi condenada. Para cada 100 pessoas oficialmente suspeitas ou investigadas pela polícia, 13 são condenadas por uma corte de primeira instância.
 
Fonte: Observatório do Terceiro Setor
Foto: Reprodução