Com o tema central “Povos, Territórios e Movimentos em Resistência”, e o slogan “Resistir é criar, resistir é transformar”, o Fórum Social Mundial (FSM), que começou esta semana, em Salvador, deve ser um evento de resistência contra os retrocessos e os ataques à democracia no Brasil. Criado em 2001, em Porto Alegre, o FSM 2018 iniciou na terça (13) e vai até sábado (17).
 
Com programação vasta e diversificada, o evento tem como território principal o Campus de Ondina, da Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de outros locais da capital baiana, como o Parque do Abaeté, em Itapuã, e o Parque São Bartolomeu, no Subúrbio Ferroviário da cidade. Segundo os organizadores, são esperadas cerca de 60 mil pessoas, de 120 países, reunidas para debater e definir novas alternativas e estratégias de enfrentamento ao neoliberalismo, aos golpes e genocídios que diversos países enfrentam na atualidade.
 
Com mais de 1.500 coletivos, organizações e entidades cadastradas, e em torno de 1.300 atividades autogestionadas inscritas, o Fórum Social Mundial reúne representantes de entidades de países como Canadá, Marrocos, Finlândia, França, Alemanha, Tunísia, Guiné, Senegal, além de países sul-americanos e representações nacionais.
 
Entre as presenças confirmadas estão a dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, Fernando Lugo, do Paraguai, e José Mujica, do Uruguai. Também participarão o sociólogo português Boaventura de Sousa Santos, a militante indígena Sônia Guajajara, a presidente da Federação Democrática Internacional de Mulheres (FDIM), Lorena Peña, e o filósofo do Congo Godefroid Ka Mana Kangudie.
 
Participarão ainda das atividades do FSM Abdellah Saaf, ex-ministro da Educação de Marrocos; Eda Duzgun, liderança das mulheres curdas; Sara Soujar, do Movimento de Combate ao Racismo e Xenofobia do Norte de Marrocos; Mamadou Sarr, militante da Mauritânia para defesa dos negros; e Gustave Massaih, membro fundador do movimento de Maio 68, na França, entre dezenas de outras lideranças e ativistas internacionais.
 
Mulheres no FSM
 
O debate "Mulheres, Democracia e Direitos" foi uma das principais atividades do primeiro dia do Fórum Social Mundial. A contou com a participação de representantes de movimentos sociais nacionais e internacionais. Durante o evento foram discutidas as diversas formas de violência e desigualdade sofridas pelas mulheres. De acordo com os participantes do debate, o momento é de analisar e traçar estratégias para resistir e combater a retirada de direitos. 
 
Sobre o Fórum Social Mundial
 
O Fórum Social Mundial é uma iniciativa da sociedade civil organizada, nascida em Porto Alegre, em 2001, para promover o encontro democrático, plural e de resistência com o objetivo de incentivar debates, aprofundar a reflexão coletiva, troca de experiências e a constituição de coalizões e de redes entre os movimentos da sociedade civil e organizações comunitárias que se opõem ao neoliberalismo e ao domínio do capital. O evento é realizado a cada dois anos. Nos intervalos, fóruns temáticos descentralizados e autônomos são realizados para dar seguimento às articulações e reflexões críticas nos diferentes países e regiões. O último foi realizado no Canadá, em 2016.
 
Com informações da Rede Brasil Atual
Foto: Reprodução

 
 
 
O Conselho de Igrejas para Estudo e Reflexão (CIER) promove, nos dias 2 e 3 de abril, um Seminário para abordar a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), edição 2018, cujo tema é: “A mão de Deus nos une e liberta” (Cf Ex 15,1-21).
 
A atividade será realizada no Centro de Eventos Rodeio 12 (foto acima), na cidade de Rodeio (SC), e as atividades contemplarão estudo, reflexão e devocionais sobre a Semana de Oração. A ideia trabalhar a atualidade do tema e abordar como ele pode ter impactos e desdobramentos nas diferentes comunidades de fé.
 
As inscrições ficam abertas até o dia 20 de março e podem ser feitas via e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O pacote com hospedagem e alimentação está saindo a R$ 155,00. Para obter mais informações, ligue: (48) 98426-5058.

 
 
 
Entre os dias 13 e 20 de maio, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil, CONIC, mobiliza igrejas e comunidades em todo o país para as celebrações da Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC), cujo tema é “A mão de Deus nos une e liberta”, inspirado no livro de Êxodo. 
 
Para subsidiar as celebrações da SOUC e enriquecer ainda mais a partilha entre as diferentes comunidades cristãs, o CONIC disponibiliza CADERNOS (que podem ser adquiridos ao preço de R$ 4,50) além do CARTAZ, que é gratuito e pode ser baixado em alta resolução neste link.
 
Como comprar?
 
Para adquirir os cadernos, envie um e-mail para Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. indicando a quantidade. É importante que no e-mail estejam informações como CNPJ ou CPF de quem encomenda e endereço para emissão de boleto bancário. O boleto será emitido para pedidos acima de 10 cadernos. Quem desejar menos de 10 cadernos terá que realizar depósito bancário na conta:
 
Banco Bradesco
Agência: 0606-8
Conta Poupança: 112.888-4
 
Ganhe um brinde na compra acima de 10 cadernos!
 
A cada 10 cadernos comprados você ganha 1 (um) cartaz já impresso e, caso ainda precise de mais, basta indicar a quantidade de cartazes necessários que, sendo possível, o CONIC os envia.
 
O que é a SOUC?
 
Promovida mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios. 
 
No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) é de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908, por Paul Watson, pois cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo, e tinham, portanto, um significado simbólico.
 
No hemisfério Sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem, em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas para a celebração da Semana em todos os estados.

 
 
Quando começou a escrever o livro que levaria seu nome, por volta do ano 687 a.C., o profeta Isaías jamais poderia imaginar que, 28 séculos depois, estaria metido em uma polêmica nas redes sociais. Segundo postagens que viralizaram nos últimos dias, o maior de todos os profetas de Israel teria predito, lá no século 7º antes da Era Cristã, a guerra civil na Síria.
 
Ou, para ser mais exato, a destruição de Damasco, a capital do país.
 
O versículo da discórdia é o primeiro do capítulo 17. "Damasco deixará de ser cidade e se transformará em um monte de ruínas", diz o profeta. Outro trecho da Bíblia, também compartilhado pelos internautas, é o versículo 24 do capítulo 49 de Jeremias. "Damasco desfalece e prepara a fuga. O medo se apodera dela. Está possuída de angústia e dores, como a mulher que está dando à luz."
 
Será que, passado tanto tempo, os oráculos de Isaías e Jeremias finalmente se cumpriram? Ou, ao contrário, o uso dos textos da escritura não passam de ignorância ou mesmo má-fé para justificar, com base na religião, o conflito?
 
"Quando digo que a responsabilidade pela guerra na Síria é da profecia de Isaías, isento de culpa quem está por trás daquele genocídio", raciocina o teólogo Frei Isidoro Mazzorolo, professor do Departamento de Teologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC) do Rio de Janeiro. "É como se dissesse: não há nada que eu possa fazer para mudar aquela catástrofe porque ela é da vontade de Deus."
 
O reverendo Arthur Nascimento, da Paróquia da Santíssima Trindade, da Diocese Anglicana de São Paulo, faz coro: "Não podemos jogar nos ombros de Deus uma responsabilidade que é nossa. Cabe a nós, comunidade internacional, encontrar uma solução para a guerra civil na Síria".
 
Além disso, ele diz que é preciso cuidado ao interpretar textos sagrados: "A Bíblia foi escrita dentro de um contexto histórico. Recorrer a textos bíblicos fora de seus contextos originais pode ser altamente perigoso". Quando isso acontece, explica Nascimento, tudo - de intolerância racial à discriminação contra LGBTs - pode ser justificado pelos textos sagrados.
 
O papel do profeta
 
Doutorando em História pela Universidade de Campinas (Unicamp), Jefferson Ramalho pondera que, ao contrário do que se imagina, profeta não é aquele que prevê ou adivinha o futuro, e sim quem denuncia o presente.
 
Já naquela época, Isaías tinha muito a denunciar: corrupção política, desigualdade socioeconômica, exploração do trabalho... "O texto de Isaías se refere à queda de Damasco, ocorrida no ano 732 a.C.", diz o historiador.
 
Na época, Efraim (Reino de Israel) e Damasco (Reino de Aram) se uniram para lutar contra a Assíria. No capítulo 17, em vez de suspostamente predizer a queda da Síria no século 21, o profeta Isaías anuncia a derrota da coalizão e lamenta a destruição de Damasco. Dez anos depois, o exército assírio conquistou Samaria, a capital de Israel.
 
"Atrelar a atual guerra na Síria à profecia de Isaías é oportunismo religioso", critica o reverendo Egon Kopereck, presidente da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB). "Essa interpretação provém de fundamentalistas religiosos que querem causar alvoroço dentro do povo cristão."
 
Boatos sobre genocídios
 
Rumores que associam confrontos militares a profecias bíblicas não são novidade no mundo virtual. De tempos em tempos, surge um novo boato atribuindo atos de genocídio ao cumprimento de oráculos. Uma versão em inglês dessa profecia de Isaías que se espalhou agora pelo Brasil já havia corrido a Europa em 2013.
 
Outro exemplo disso é o versículo 28 do capítulo 23 do Evangelho de Lucas.
 
Nele, Jesus diz: "Mulheres de Jerusalém, não chorem por mim! Chorem por vocês mesmas e por seus filhos!". E continua: "Felizes das mulheres que nunca tiveram filhos, dos ventres que nunca deram à luz e dos seios que nunca amamentaram!". Já houve quem interpretasse esse trecho do Novo Testamento como uma profecia do Holocausto nazista, que dizimou 6 milhões de judeus durante a Segunda Guerra.
 
Secretária-Geral do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a pastora Romi Márcia Bencke reage com indignação às correntes de profecias relacionadas à Guerra na Síria: "Atribuir a Jesus a profecia pela morte dos judeus é uma afronta ao Evangelho. Jesus jamais expressou o desejo de morte de pessoas, ainda mais de um grupo. As críticas que Jesus fazia a Jerusalém tem relação com o Templo, um lugar não só religioso, mas também político e econômico", contextualiza.
 
E hoje, o que fazer diante da guerra civil que, desde 2011, já matou 470 mil pessoas e expulsou outras 5 milhões de suas casas? "Mais do que simplesmente fazer uma leitura religiosa e um tanto quanto fantasiosa e anacrônica da Bíblia, devemos denunciar a crueldade e a violência dos que hoje estão matando de maneira discriminada o povo sírio", opina o historiador.
 
Fonte: BBC Brasil
Foto: Reprodução / GETTY IMAGES
Obs.: o título foi adaptado

 
 
Houve um bispo nas ilhas Tiwi, costa norte da Austrália, que teve 150 “esposas”. O próprio dom Francis Xavier Gsell destaca esse fato insólito na sua autobiografia, que foi publicada quando ele se tornou emérito, em 1956.
 
90% dos habitantes das ilhas Tiwi são da etnia aborígene kiwi. Em 1922, depois de vários anos na região, aconteceu algo na vida do bispo que mudaria a sua vida: uma adolescente que vivia na missão local se queixou de que iam entregá-la a um esposo já idoso.
 
Dom Gsell não podia fazer nada, porque essa era a lei da ilha. Soluçando, a jovem foi obrigada a ir embora para uma vida de sacrifícios imprevisíveis. Cinco dias depois, porém, ela voltou sangrando, com uma ferida de lança na perna. Tinha escapado e afirmava que não queria mais sair da missão.
 
O “esposo” e os familiares, enfurecidos, foram falar com o bispo, que lhes ofereceu uma série de presentes: tabaco, um espelho, carne, latas de melado… Mas havia uma condição: “A menina fica”. A negociação durou várias horas, mas, no final, eles concordaram.
 
A partir dessa experiência, dom Francis Xavier Gsell começou a “comprar” a liberdade das moças. No total, libertou 150 delas – que, segundo a lei tribal, passavam a ser consideradas como suas “esposas”, embora, obviamente, não o fossem na prática. O bispo pagava o dote e as recebia na missão, onde as jovens aprendiam a ler e escrever, a desempenhar um ofício e, finalmente, conseguiam formar a própria família.
 
A história e a vida de dom Francis Xavier Gsell é cheia de aventuras e de formas originais de evangelização. Você pode ler mais sobre ele nesta matéria, em espanhol, do site Religión en Libertad.
 
Fonte: Aleteia
Foto: Reprodução

 
 
 
Moradias no meio do mato, cobertas por lonas e com chão de terra batida; alojamentos perto ou dentro de currais e chiqueiros, em locais com cobras e camundongos, sem água potável nem local para fazer refeições. Trabalhadores expostos a riscos sem equipamentos de segurança e sem acesso a atendimento médico. Relatos assim são comuns nos relatórios de fiscalização e configuram condição degradante, presente em 94,9% das autuações realizadas no Estado desde 2004.
 
Esse aspecto, sozinho, já é suficiente para caracterizar o trabalho escravo de acordo com a legislação, mas não no imaginário popular, que ainda associa a prática à presença de correntes, navios negreiros ou senzalas. Pesquisa encomendada pela ONG Repórter Brasil à Ipsos Public Affairs, em 2016, mostrou que 70% dos brasileiros sabem que existe trabalho escravo no país, mas pouquíssimos sabem defini-lo.
 
Apenas 8% reconhecem as condições degradantes, 7% citaram trabalho forçado, e a jornada exaustiva só foi considerada por 1%. Uma em cada quatro pessoas disse, ainda, que receber um salário abaixo do que é considerado justo para a função não significa trabalho escravo.
 
As vítimas também não se reconhecem como escravos. “Em muitos julgamentos as pessoas diziam que não eram escravas, mas elas não conheciam outra forma de viver”, conta o juiz Carlos Haddad.
 
No último dia 6 de fevereiro, a reportagem acompanhou uma fase da operação Canaã: A Colheita Final, deflagrada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e pela Polícia Federal (PF) contra uma seita religiosa que convence os seguidores a trabalhar sem remuneração justa, em troca da salvação. Em uma casa comunitária, em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, dos 12 moradores que supostamente trabalhavam para a igreja, só um falou com a reportagem e disse que todos estavam ali por vontade própria.
 
Com os auditores, a recepção não foi diferente. “Quando perguntamos sobre os contratos de trabalho, sobre a forma como foram aliciados e sobre qual era a relação deles com a organização religiosa, eles apresentaram muita resistência”, diz a auditora fiscal que acompanhou a operação, Dayane Alves Pereira.
 
A operação também aconteceu em outras cidades, onde mais trabalhadores foram encontrados na mesma condição, mas ninguém admitiu ser escravo nem quis ir embora. “O fato de alguém não se importar em trabalhar sem receber não deixa de configurar a situação como análoga à escravidão”, ressalta o coordenador do projeto de combate ao trabalho escravo do MTE em Minas, Marcelo Campos.
 
Semana de Oração pela Unidade Cristã
 
Este ano, a Semana de Oração pela Unidade Cristã (SOUC) trabalha justamente a questão. Com o tema inspirado no livro do Êxodo, "A mão de Deus nos une e liberta", a ideia é refletir sobre o trabalho análogo à escravidão que, em pleno século XXI, fere tanto a humanidade quanto a imagem de um Deus de amor e liberdade. 
 
Organize seus grupos de oração, estudos bíblicos. Experimente orar e viver ecumenicamente. Participe da Semana de Oração pela Unidade Cristã.
 
Os pedidos para o material da SOUC 2018 poderão ser encaminhados para o e-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.. O preço do caderno é R$4,50. O cartaz ficará liberado para download, em alta resolução, neste link (em PNG), ou neste link (em PDF).
 
Com informações do site O Tempo
Imagem: Reprodução

 
 
“A mulher catadora empoderada é quando ela se apossa do seu conhecimento pra transformar o momento que ela vive e se projetar para ocupar o espaço que ela realmente tem direito", disse a catadora Maria Tugira da Silva Cardoso, da Associação de Amigas e Amigos da Natureza (Aclan), Uruguaiana (RS), no vídeo Mulher Catadora é Mulher que Luta, criado e produzido pela Fundação Luterana de Diaconia (FLD) e mulheres catadoras de materiais recicláveis. 
 
Além de depoimentos, o vídeo traz informações sobre o processo, atividades e resultados do projeto Mulher Catadora é Mulher que Luta, executado pela FLD, em parceria com o Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis (MNCR), e financiado pela União Europeia.
 
Clique aqui para assistir.
 
Fonte: FLD
Imagem: Reprodução / Vídeo

 
 
O fundador, junto ao frei Hans, da Fazenda da Esperança, Nelson Giovanelli Rosendo dos Santos, se mostra maravilhado diante de sua nomeação para a Comissão para Proteção de Menores. Ele é o único brasileiro convidado pelo Papa Francisco para integrar a comissão, e teve sua nomeação anunciada no mês passado. “Foi um susto!”, relembrou.
 
“Estava tranquilamente com o frei Hans e os nossos irmãos da nossa casa, tomando café, quando de repente vi uma chamada dos Estados Unidos. Era o cardeal O’ Marley, que se apresentou (…) com um perfeito português. Logo tomei um susto. Ele de uma forma paterna e franciscana logo entrou no assunto dizendo que o Santo Padre indiciou meu nome e perguntou se eu aceitaria”, relatou Giovanelli.
 
De acordo com o brasileiro, após consultar seus irmãos consagrados e responsáveis, o convite foi aceito. “Liguei para dizer meu sim, foi quando ele [O’ Marley] me explicou as coisas concretas do ponto de vista da nomeação e me pediu silêncio. A nomeação só deveria sair depois, então eu não imaginava que fosse tão veloz porque foi logo no sábado subsequente” contou.
 
Giovanelli vê no chamado de Francisco um reconhecimento da Igreja às instituições e obras que nasceram para a proteção dos menores, adolescentes e de pessoas vulneráveis. Como um dos fundadores da Fazenda da Esperança, o brasileiro acredita que a sua experiência nestes 35 anos de acompanhamento de mais de 30 mil jovens e adolescentes que passaram pela dependência química contribuirão para o grupo formado pelo Pontífice.
 
“Nessa experiência de anos constatamos que grande parte daqueles que entraram nas dependências químicas entraram por conta de sofrimentos, inclusive abusos que sofreram na sua infância e adolescência”, relatou Giovanelli. Ele disse que admira a postura do Santo Padre de se preocupar com a problemática e criar, em 2013, uma comissão para poder fazer com que casas, famílias e a igreja sejam lugares seguros para crianças, adolescentes e adultos. “A Igreja é mãe e como mãe não poderia fazer outra coisa a não ser criar formas de proteger seus filhos”, refletiu.
 
A Comissão
 
Segundo o brasileiro escolhido pelo Papa, a Comissão para Proteção de Menores tem três objetivos, o primeiro deles é ajudar na cura e cuidado das vítimas e das famílias, depois orientar as igrejas locais na proteção dos menores e também auxiliar na educação de líderes que trabalham na tutela dos menores. Estes objetivos são conquistados, de acordo com Giovanelli, por meio da partilha de experiências e de resultados vividos pelos membros da comissão.
 
As reuniões da comissão acontecem em Roma, duas vezes ao ano, sendo que a primeira de 2018 acontecerá do dia 19 a 23 de abril. Nos dois dias subsequentes desta data, membros participarão de grupos de escuta das vítimas, vivência que segundo Giovanelli, será essencial para dar luz aos trabalhos.
 
O representante brasileiro destacou o cuidado do Papa em chamar membros de todos os continentes como uma atitude maravilhosa, e mostrou grande expectativa para o início dos trabalhos. “A expectativa é de poder construir um ambiente de família com a comissão, é um grupo maravilhoso! Não guardar para nós as alegrias que durante estes anos colhemos na Fazenda da Esperança é muito bom, mas mais importante ainda é receber a experiência de todos os lugares de onde estes membros fazem parte”, comentou.
 
Por Canção Nova
Foto: Wesley Almeida

 
 
 
“Ai dos que decretam leis injustas,
dos que escrevem leis de opressão,
para negarem justiça aos pobres,
para arrebatarem o direito aos aflitos do meu povo...”
(Isaías 10:1-2a)
 
Estamos acompanhando com atenção os desdobramentos da intervenção federal de natureza militar decretada no Rio de Janeiro, no dia 16 de fevereiro de 2018.
 
Compreendemos que é tarefa do Estado brasileiro e seus dirigentes preocuparem-se com políticas públicas voltadas para a redução da violência, que apresenta números alarmantes no país.
 
O combate à corrupção na polícia e o esforço para superá-la é outra intencionalidade legítima do Estado brasileiro.
 
No entanto, o que nos preocupa e provoca interrogações é a forma não planejada e não dialogada com que esta intervenção foi decretada. 
 
A Nota Técnica do Ministério Público Federal emitida em 20/02/2018 destaca que a intervenção é um mecanismo do federalismo e tem amparo na Constituição Federal. De igual modo, ressalta que uma intervenção federal precisa ser sujeitada, desde a sua elaboração até a sua execução, ao controle político, social e judicial. Não é o que se observa no Decreto 9.288/2018. Soma-se a isso, o fato de que as medidas e a maneira como a intervenção irá ocorrer são ambíguas e carecem de maior detalhamento. A Nota Técnica especifica que a intervenção federal no poder executivo estadual é, por definição constitucional, de caráter civil. Não cabe, portanto, instituir via decreto uma intervenção militar.
 
Ressalvadas as questões de ordem jurídica, o que muito nos preocupa é o fato de que a intervenção militar está voltada para os morros e periferias do Rio de Janeiro, dando-se a entender que o crime organizado, pessoas em conflito com a lei e o tráfico de drogas são realidades presentes apenas junto à população de baixa renda. A pobreza não é crime e também não induz ao crime. O crime organizado é resultado de teias que possuem variáveis amplas e complexas. Os donos do tráfico não moram nas favelas. Deste modo, construir uma estratégia de enfrentamento à violência e ao tráfico de drogas ou de armas tendo como base o recorte geográfico das comunidades pobres, nos parece uma dissimulação. Tal artifício pode criar a impressão de uma segurança aparente e temporária, mas não resolve a questão da violência, do crime organizado, do tráfico, nem da corrupção policial. A intervenção que resolve a questão da violência em comunidades pobres é a social, uma vez que a pobreza é resultado da ineficiência de políticas de redução da miséria, da ausência de educação e trabalho, da falta de investimento na urbanização das favelas e comunidade periféricas.
 
O marco geográfico da intervenção federal de caráter militar no Rio de Janeiro reflete o racismo institucional dos órgãos de segurança. A população negra e pobre é a que mais tem sido alvo da ação violenta da polícia. Resultado do racismo nunca superado. A intervenção militar tem abordado preferencialmente pessoas negras, como se uma pessoa, pelo fato de ser negra, automaticamente esteja envolvida no mundo do crime. 
 
Sabemos por experiências históricas que ações autoritárias, não dialogadas, não conduzem à resolução da realidade de violência. Um país economicamente desigual, com baixos níveis de educação, com dificuldade de acesso à saúde, entre outras questões, necessita de transformações estruturais e não da criminalização da pobreza.
 
Há tempos a sociedade civil cobra do Estado um Plano Nacional de Segurança Pública que considere, entre outras questões, a desmilitarização da polícia, melhor capacitação dos profissionais da segurança pública, condições mais adequadas de trabalho, redução das desigualdades, respeito e cumprimento dos direitos humanos, política de desencarceramento, desarmamento da população civil, entre outras questões. Lamentamos que este Plano é ignorado e que a sociedade civil não tem sido chamada para dialogar sobre a violência e suas resoluções.
 
Ao contrário, as propostas em curso seguem outro itinerário. Um exemplo são as mudanças nas regras de controle de porte de armas nas residências, local de trabalho, caso a pessoa portadora da arma seja dona do estabelecimento ou em propriedades rurais. Essas alterações são contraditórias com as ações que têm como objetivo a redução da violência, como é o caso do Estatuto do Desarmamento, defendido pela sociedade civil. 
 
Cabe-nos destacar a dúvida em relação ao risco de outros estados sofrerem a intervenção militar, considerando que até o momento a população brasileira não foi devidamente informada das intencionalidades reais deste Plano. Não menos importantes são os altos custos de uma operação desta natureza, em um período em que se tem cortado recursos para a educação e a saúde, além de outras políticas públicas relevantes para se garantir um mínimo de dignidade à população de baixa renda.
 
Neste tempo de quaresma é difícil ignorar a imagem que melhor caracteriza esta intervenção: militares armados revistando crianças pobres e negras na porta das escolas. 
 
O que esperar do futuro?
 
 
Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil - CONIC

 
 
 
Neste mês de março, Brasília sediará dois grandes eventos relacionados à água. 
 
O primeiro é o Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), organizado e protagonizado por organizações da sociedade civil que compreendem a água como direito e não como mercadoria. A data de realização do FAMA será de 17 a 22 de março. 
 
O segundo é o Fórum Mundial da Água (FMA). Organizado pelo Conselho Mundial da Água, reunirá corporações empresariais e organizações públicas interessadas no estabelecimento de parcerias público-privadas, incluindo a privatização, para a gestão da água.
 
O CONIC, junto com outras organizações, está empenhado na organização da participação ecumênica e inter-religiosa no FAMA. Para tanto, está organizando uma Tenda Inter-religiosa em defesa da água como direito. 
 
Os objetivos da Tenda são:
 
- Reforçar a dimensão espiritual da água e a afirmação da água como um bem comum, que não pode ser privatizado, mas deve estar à disposição de todos os seres vivos;
- Fortalecer as articulações nacionais e internacionais em defesa da água;
- Ampliar processos de incidência em defesa da água no Brasil e no mundo; 
- Aprofundar a relação entre a democracia e a superação das desigualdades econômicas e sociais como estratégia para a superação das mudanças climáticas. 
 
A Tenda Inter-Religiosa será a única Tenda temática do FAMA. 
 
Veja aqui a programação completa da Tenda.
 
Tour de Violações e Alternativas
 
No âmbito da Tenda Inter-Religiosa, o CONIC organizará, no dia 18 de março, o “Tour de Violações e Alternativas”, uma atividade autogestionada que visitará pontos específicos no Distrito Federal onde a questão da água sofre pressões de todos os lados. 
 
 
A participação nesse Tour dará aos presentes uma noção bem clara de como a água é, muitas vezes, tratada com verdadeiro descaso pelas autoridades e demais atores interessados. Também será uma oportunidade de conhecer pessoas incríveis que, dia após dia, lutam para ter um pouco de acesso – ainda que precariamente – a este recurso tão precioso.
 
IMPORTANTE: O ônibus para o Tour sairá do do Centro Comunitário Athos Bulcão - UnB, pontualmente às 8h00. Para saber exatamente onde fica localizado o Centro, basta clicar aqui (para acessar o endereço via Google Maps).
 
CLIQUE AQUI e veja outras informações importantes sobre o Tour.