O centro mundial das celebrações dos 500 anos da Reforma Protestante é Wittenberg, o vilarejo alemão onde nasceram as ideias culminaram com a Reforma Protestante.
 
Foi na porta da entrada da igreja do castelo de Wittenberg que o monge alemão Martinho Lutero pregou, no dia 31 de outubro de 1517, seu grande manifesto. Um documento com 95 afirmações críticas à Igreja Católica.
 
Por causa do ato de Lutero, o local se tornou um marco do início da Reforma. Até hoje pessoas do mundo inteiro vão à igreja, também conhecida como Igreja de Todos os Santos, para prestar homenagens ao homem que ousou desafiar a Igreja e deu novos rumos à história do cristianismo.
 
No século XVI, Lutero se uniu a outros pensadores da Europa e denunciou alguns abusos que vinham sendo cometidos pela Igreja Católica à qual ele também pertencia.
 
Doutor Lutero, como era conhecido por causa da formação acadêmica, vivia em um antigo convento em Wittenberg, onde se reunia com estudantes, trabalhava, escrevia e pensava sobre a Reforma que estava fazendo no mundo cristão.
 
Numa das teses mais duras pregadas na porta da igreja, Lutero afirmava que os religiosos que vendiam perdão estavam pregando "doutrinas humanas que dizem que assim que o dinheiro entra no cofre a alma sai voando do purgatório".
 
Lutero atacava também a riqueza acumulada pelo Vaticano: "Os verdadeiros tesouros da Igreja, de onde o papa distribui indulgências, não são suficientemente discutidos ou conhecidos pelo povo de Cristo."
 
Monge revolucionário
 
Lutero fez uso de uma nova tecnologia, a imprensa, para multiplicar seus escritos e fazê-los percorrer a Alemanha e o mundo. Traduziu a Bíblia para o alemão. E conseguiu acabar com as missas em latim, para que as pessoas pudessem, finalmente, entender o que os pregadores diziam.
 
O monge era revolucionário, mas não rompia completamente com a tradição cristã. No entendimento dele, é Deus que torna um homem bom ou justo, e a salvação só existe com uma experiência pura de fé em Cristo. Os reformadores queriam acima de tudo "sola scriptura", ou seja, fidelidade absoluta ao que dizem os evangelhos. Daí terem sido chamados de evangélicos ou protestantes.
 
O monge alemão entrou numa disputa tão perigosa com a Igreja que precisou passar um ano escondido num castelo.
 
Quando voltou a Wittenberg, não mais católico, ele rejeitou a ideia de que padres deveriam ser celibatários e se casou com uma freira que abandonou o convento. Passou a criticar o que dizia ser um excesso de sacramentos e dogmas impostos pela Igreja. Foi repreendido pelo papa, mas jamais se desculpou.
 
Reação do Vaticano
 
Em termos religiosos, a reação do Vaticano veio no Concílio de Trento, em 1545. Foi quando começou a chamada Contrarreforma, numa tentativa católica de recuperar os fiéis perdidos. 
 
Com informações do G1
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Katharina von Bora nasceu no dia 29 de janeiro de 1499 como filha de Hans von Bora e Katharina von Haubitz, um casal nobre empobrecido, na pequena aldeia de Lippendorf na região da Saxônia, Alemanha. Katharina perdeu sua mãe muito cedo. O pai casou novamente e encaminhou a filha, com apenas seis anos de idade, para o convento beneditino em Brehna. Quando Katharina completou 10 anos de idade em 1509, ele a transferiu para o convento da ordem Sistersinianas Trono de Maria em Nimbschen. Ela aprendeu a ler, a escrever, um pouco de latim (a língua acadêmica desse período histórico), a decorar salmos e a recitá-los, a fazer trabalhos manuais, adquiriu conhecimentos na área administrativa e no uso de ervas medicinais. Em 1515, Katharina fez os seus votos como freira, assumindo viver em castidade, pobreza e obediência.
 
Um acontecimento que mudou a vida de Katharina e também de outras mulheres foi a leitura dos textos de Martim Lutero, afirmando que a justificação é por graça e fé, não mais sendo necessárias as obras e os sacrifícios para alcançar a salvação. Inspiradas pelas ideias reformatórias, doze freiras fugiram do convento de Nimbschen numa sexta-feira santa, dia 5 de abril de 1523. Um comerciante de Torgau, Leonard Koppe, escondeu as doze freiras entre barris de peixes e assim as tirou para fora do mosteiro. Das doze ex-freiras, três voltaram para suas casas e nove seguiram viagem para Wittenberg, sendo acolhidas pelos reformadores. Martim Lutero e Filipe Melanchthon procuraram famílias que pudessem acolher as moças fugitivas. Katharina von Bora foi encaminhada à casa do grande pintor e farmacêutico Lucas Cranach e sua esposa Barbara Cranach. Ela trabalhou e viveu com os Cranach durante dois anos, tornando-se uma grande amiga de Barbara Cranach.
 
O primeiro amor de Katharina foi Hieronymus Baumgärtner, ex-estudante da Universidade de Wittenberg. Os pais de Hieronymus não consentiram que seu filho casasse com uma ex-freira foragida. Lutero procurou, então, um marido para Katharina: o pastor e professor Kaspar Glatz. Katharina respondeu categoricamente que não se casaria com o professor Kaspar, mas estava disposta a casar com o próprio Lutero. Esse não hesitou e aceitou o pedido de Katharina.
 
No dia 13 de junho de 1525, Katharina e Lutero casaram-se. Após o casamento, o casal mudou-se para o antigo convento dos monges agostinianos, o Schwarzes Kloster (convento negro). Katharina von Bora deu à luz seis crianças: João (1526), Elizabeth (1527), Magdalena (1528), Martin (1531), Paul (1533) e Margarete (1534). Um grande sofrimento para o casal foi a morte prematura das filhas Elisabeth e Magdalena. O casal viveu no convento negro durante 20 anos com filhos/as, familiares, estudantes, convidados/as, visitas, pessoas refugiadas e também pessoas que trabalhavam com a família.
 
Em suas cartas, Lutero refere-se a Katharina como: minha querida Käthe, fazedora de cerveja, juíza no mercado de porcos, minha simpática querido senhor Katharina Luther (mesmo com uma linguagem que não seja inclusiva, Lutero coloca Katharina em igualdade com os homens), doutora, pregadora de Wittenberg, minha estrela da manhã de Wittenberg, minha graciosa, querida dona de casa, a Lutera. Lutero também assinava as cartas a Katharina de forma carinhosa: Teu amorzinho.
 
Katharina foi uma mulher que rompeu com muitas fronteiras de seu tempo:
 
1) Um de seus primeiros atos foi um gesto de rebeldia. Ela fugiu do convento, enfrentou todos os perigos, inclusive perigo de morte. Com isso assumiu que a salvação pode ser vivida fora dos muros do convento. A salvação é por graça e fé. Princípio fundamental da Reforma luterana.
 
2) Escolheu com quem queria casar e casou-se com o reformador Martim Lutero.
 
3) Participou das conversas à mesa e discussões teológicas com estudantes e reformadores. Lutero chamou-a de doutora.
 
4) Rompeu com o mundo privado. Ela foi chamada pelo marido de juíza, mercadora no mercado de porcos. Isso significa que ela negociava no mercado. O mercado era parte do mundo público, onde quem negociava eram os homens.
 
5) Além do mais, Katharina é considerada a primeira administradora, empreendedora rural, pois ser Hausfrau (dona de casa) tinha outro significado daquele que conhecemos hoje. Dona de casa significava ser administradora de todos os bens da família (casa, terras, animais). Katharina, inclusive, negociou com os editores dos escritos de Lutero.
 
6) Ela aumentou o patrimônio da família, comprou terras em Züllsdorf. Coordenava uma fábrica de cerveja, alugou um açude para criação de peixes, também tinha criação de abelhas.
 
7) Outro ponto importante a ser considerado na Idade Média são os conhecimentos de medicina. Provavelmente a farmácia doméstica de Katharina contava com uma rica variedade de espécies cultivadas em sua horta. Ela cuidou da saúde de Lutero, que sofria de dores renais. Além do mais, ela era amiga de Lucas Cranach, que foi, além de importante pintor, farmacêutico na cidade de Wittenberg.
 
8) Katharina abrigava em seu pensionato no Schwarzes Kloster estudantes e hóspedes de várias regiões da Europa, que vinham discutir questões relativas à teologia e ao movimento da Reforma que estava em curso. Portanto Katharina foi uma mulher que se relacionava com a intelectualidade do período da Reforma. Numa conversa à mesa, Lutero disse: “(...) Eu não trocaria minha Käthe nem pela França e nem por Veneza. Ela me foi dada por Deus, assim como eu fui dado a ela”.
 
Lutero faleceu no dia 18 de fevereiro de 1546, e ele a tinha colocado como sua única herdeira e responsável pelos filhos e filhas em seu testamento. No entanto, esse desejo de Lutero não condizia com as leis da época, pois uma viúva necessitava de um tutor. O testamento de Lutero foi contestado, e assim Katharina perdeu o direito sobre muitos bens da família. O tempo de viuvez de Katharina foi muito difícil. Uma grande peste abateu-se sobre a cidade de Wittenberg, e em 1552 Katharina von Bora retirou-se com sua filha Margarete para a cidade de Torgau. Em direção a Torgau, ela sofreu um acidente, em consequência do qual veio a falecer em 20 de dezembro de 1552, sendo enterrada na Igreja de Maria em Torgau.
 
A história de vida de Katharina von Bora, uma mulher que rompeu muitas fronteiras, é uma narrativa importante para a luta das mulheres. Romper fronteiras, buscar a emancipação humana do ser e do fazer, presença pública, ser cidadã, dizer a sua palavra é um princípio fundamental da Reforma protestante. 
 
Fonte: IECLB
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O órgão de tubos é tocado todos os domingos antes do culto na Igreja Evangélica de Confissão Luterana Martin Luther, que fica na Avenida Rio Branco, na região central de São Paulo. É para este lugar que a dona de casa Adélia Christmann vem quase todos os finais de semana, desde a década de 1990. Educada em uma família luterana, ela diz que não se imagina em outra religião: "Pela liberdade que a igreja dá na fé da gente, sabe? Não é uma igreja que obriga a nada, o acolhimento, as pessoas, todo o contexto que a igreja luterana concede e faz com seus membros".
 
Dona Adélia e a catedral fazem parte uma história que começou na Alemanha, na cidade de Wittenberg. Foi lá, no dia 31 de outubro de 1517, que Martinho Lutero, um monge católico descontente com os abusos da igreja, decidiu fazer um manifesto. Publicou 95 teses que sugeriam mudanças profundas no catolicismo.
 
Um dos principais pontos é que a Bíblia deveria ser a base da doutrina, o que rejeitava parte das tradições da igreja. Lutero pregava que só a fé em Deus salva as pessoas, o que eliminava, entre outras coisas, a necessidade de se confessar a um padre.
 
Lutero tinha, ainda, outras reivindicações. Ele queria que a Bíblia e as missas deixassem de ser em latim, língua que poucos conheciam. Também acreditava que a veneração de santos e imagens deveria ser proibida. Além disso, criticava a venda de indulgências e as altas taxas que a igreja cobrava das pessoas.
 
Essas ideias logo encontraram seguidores entre padres e freiras da Alemanha. O professor Wagner Sanchez, do Departamento de Ciência da Religião da PUC de São Paulo, explica que a intenção, em princípio, era reformar a Igreja Católica. Não criar uma nova igreja. No entanto, o movimento ganhou força.
 
"O que ele queria era fazer aquilo que ele chamava de reformar a igreja. Ele era padre, um teólogo muito bem preparado, mas ao mesmo tempo uma pessoa muito angustiada com a situação que a igreja vivia. O que a gente sabe hoje é que Lutero não queria criar uma outra igreja, mas reformar a igreja. O que aconteceu é que aquelas pessoas que aderiram à Lutero acabaram conduzindo aquilo que se chamou de movimento de reforma e que levou à criação de uma outra igreja na Alemanha, depois em outros países também", disse Sanchez.
 
A Igreja Católica reagiu e criou o Movimento de Contrarreforma para reafirmar a fé católica e impedir o avanço de protestantes. Lutero foi excomungado e houve guerras e conflitos entre os grupos. A situação começou a mudar na década de 1960, quando o Papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II que primou, sobretudo, para o diálogo ecumênico (entre cristãos de diferentes igrejas). De acordo com o professor Cláudio Ribeiro, teólogo da Universidade Metodista de São Paulo, hoje as duas igrejas buscam o diálogo e a paz.
 
"Passados 500 anos, tanto do lado luterano, quanto do lado da Igreja Católica Romana, dedicaram vários esforços para que isso fosse superado", afirma Ribeiro. Prova disso é o documento Do conflito à Comunhão, relatório escrito em conjunto pela Comissão Luterana/Católico-Romana para a Unidade - texto essencial para quem quer compreender como católicos e protestantes podem caminhar juntos, unidos na diversidade.
 
As igrejas que surgiram depois da Reforma Protestante foram muitas: não apenas as luteranas, mas as de tendências calvinistas (como a Presbiteriana e a Congregação Cristã no Brasil), episcopais, congregacionais, metodistas, restauracionistas, entre outras, incluindo as pentecostais (como as Assembleias de Deus).
 
Texto: CBN (com adaptações)
Foto: Igreja Luterana da Argentina
 
 
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Quem de nós não gosta de comemorar? Co-memorar é recordar e festejar em conjunto! Comemoramos o aniversário, o casamento, a formatura. Comemoramos para agradecer, para nos alegrar com a família e pessoas amigas. Na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB*), comemoramos muitos eventos em Comunidade. Neste ano, 2017, comemoramos algo muito especial para a história da Igreja: os 500 anos da Reforma!
 
Na comemoração do Jubileu, precisamos ter cuidado: não podemos trocar o presente pelo embrulho, ou seja, o presente do Jubileu da Reforma não é Martim Lutero. O presente desse Jubileu é o Evangelho de Jesus Cristo. O presente dessa comemoração é aquilo que Deus fez e faz por nós por meio de Jesus Cristo: em Cristo, nós somos irmãs e irmãos resgatados do poder do pecado e da maldade para viver vida alegre, livre e responsável mediante a graça de Deus.
 
Há uma frase genial de Lutero que nos permite compreender a nossa liberdade e a nossa responsabilidade a partir da graça de Deus. Diz Lutero: Diante de Deus, pela fé, és livre de tudo, mas, junto aos seres humanos, és servo, serva de todos e todas pelo amor. Pela fé e sob a graça de Deus, vivemos, nos movemos e existimos, diz o Lema da nossa Igreja neste ano, segundo Atos 17.28.
 
Pela fé e sob a graça de Deus, vivemos, nos movemos e existimos em liberdade responsável. Deus não nos submete a leis e regras. Pela fé, o amor expresso no serviço – a diaconia – é que determina a nossa relação com Deus, com as pessoas e com a Criação toda. É essa relação entre liberdade e serviço de amor que define a tarefa da Igreja, por isso o Tema do Ano da IECLB relaciona alegria e compromisso: Alegres, jubilai! Igreja sempre em Reforma: agora são outros 500.
 
Somos livres para levar uma vida de agradecida resposta ao dom divino da salvação. Como pessoas que amou, Deus teve e tem compaixão de nós a cada novo amanhecer. Recebemos dele a capacidade para sermos mensageiras da paz, da justiça e da reconciliação em nosso mundo. Somos livres para servir!
 
A IECLB é Igreja oriunda da Reforma. Como tal, a sua raiz está no Evangelho de Jesus Cristo. Tendo o Evangelho como fundamento, a IECLB tem o que co-memorar no Jubileu dos 500 anos da Reforma.
 
Somos Igreja que acredita na força do Sacerdócio de todas as pessoas batizadas. O trabalho voluntário é um dos nossos maiores bens na ação missionária. A IECLB ordena mulheres há várias décadas. As diferentes ênfases ministeriais – Catequética, Diaconal, Missionária e Pastoral – são testemunho da diversidade de dons valorizada. A nossa produção teológica é reconhecida como profunda e de excelente qualidade.
 
A busca por um futuro melhor, nos faz confessar as nossas fraquezas, como, por exemplo, a baixa capacidade de diálogo entre setores da IECLB que pensam diferente entre si. Nos últimos anos, cresce na Igreja a polarização instalada em nosso país. Orientações de Concílios, Assembleias e Conselhos nem sempre são seguidas. Também há muito o que fazer no que diz respeito à temática Fé, Gratidão e Compromisso.
 
Levando em conta o nosso potencial e as nossas fragilidades, precisamos, como Igreja oriunda da Reforma, voltar mais a nossa atenção ao Evangelho e, em postura de diálogo responsável, compreender o que Lutero sinalizou como tarefa cristã: Diante de Deus, pela fé, és livre de tudo, mas, junto aos seres humanos, és servo, serva de todos e todas pelo amor.
 
A IECLB foi, é e será uma bênção na vida de muitas pessoas. Nos Cultos, na pregação, nos grupos, na ação diaconal e no testemunho público da nossa Igreja, muita gente encontrou o Deus vivo, que ama, perdoa, alimenta, aceita, liberta, salva. Importa continuarmos seguindo em frente. Em tempos difíceis, nos quais parece haver diminuição da relevância da Igreja e aumento de preconceito, divisão, ódio e injustiça, é necessário manter firme a postura fiel ao Evangelho de Jesus Cristo.
 
Os próximos 500 anos trarão velhos e novos desafios. A IECLB, movida pela graça de Deus, saberá encará-los. Estão à nossa frente outros 500!
 
Pastor Nestor Paulo Friedrich
Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

* A IECLB é uma igreja-membro do CONIC
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Violência doméstica e sexual, abuso, exploração, morte. Um casamento precoce tem efeitos devastadores sobre a vida de jovens garotas. As oportunidades educacionais e de desenvolvimento são restringidas, e os riscos de desenvolverem problemas de saúde aumentam.
 
De acordo com estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 15 milhões de meninas se casam todos os anos antes de completarem 18 anos de idade – algumas delas pouco depois do décimo ano de vida. Metade desses casamentos são ilegais.
 
As garotas precisam abandonar a escola, cuidar do lar compartilhado com um homem que não conheciam antes do casamento e engravidar, apesar de seus corpos ainda não estarem prontos para uma gestação. De acordo com um estudo da organização de proteção à criança Save the Children, há uma conexão direta entre casamento precoce, gravidez e mortalidade infantil.
 
"Durante a gravidez e o parto, aumenta o risco para jovens futuras mães", afirma Susanne Schröter, que dirige o instituto de pesquisa Globaler Islam, com sede em Frankfurt, e está familiarizada com o estudo.
 
A etnóloga pesquisa, entre outras coisas, a mudança de regulamentações de gênero no mundo islâmico. O casamento infantil é um fenômeno específico de gênero, que afeta principalmente meninas – independentemente da afiliação religiosa, segundo Schröter.
 
"Após o nascimento, as meninas ficam sobrecarregadas com o papel de mãe, porque ainda são crianças. É um escândalo", diz Schröter. As jovens são sistematicamente reprimidas, pois o cônjuge, em muitos casos, é frequentemente muitos anos mais velho que a esposa, aponta.
 
"As meninas não conseguem se defender, pois as relações de força não permitem que elas ofereçam resistência", explica a etnóloga.
 
Aumento de casamentos infantis e forçados
 
Com base na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, um casamento é permitido somente a partir dos 18 anos de idade na maioria dos países do mundo. Entre 2015 e 2017, países como Chade, Malawi, Zimbábue, Costa Rica, Equador e Guatemala elevaram a idade mínima para casamentos para 18 anos. Além disso, aboliram as exceções que validavam casamentos infantis consentidos pelos pais ou por um juiz.
 
Para Susanna Krüger, diretora-executiva da sucursal alemã da Save the Children, o declínio do número de casamentos infantis nesses países é um grande sucesso. "O quadro jurídico ajuda a mudar as estruturas sociais no longo prazo", afirma.
 
No entanto, desde 2015, o casamento ilegal de garotas menores de idade aumentou de 11,3 milhões para 11,5 milhões mundo afora – e a tendência deve se manter. E ainda há 82,8 milhões de meninas com idades de dez a 17 anos que não estão legalmente protegidas contra casamentos infantis.
 
Considerando legislações que preveem como exceção que pais ou juízes deem o consentimento para um casamento infantil, 96,1 milhões de meninas estão vulneráveis a essas uniões – especialmente no Oriente Médio, no Norte da África, no Sul da Ásia, na África Ocidental e Central.
 
De religião a guerras
 
A legislação sozinha não é suficiente para impedir o aumento do número de noivas menores de idade, ressalta Krüger.
 
"É uma mistura de muitos fatores. A religião, a cultura ou as estruturas sociais e patriarcais estão estreitamente entrelaçadas e são mutuamente dependentes", diz.
 
Sobretudo a pobreza mantém o sistema de casamentos infantil, aponta a especialista. "Os pais nem sempre casam suas filhas porque querem", afirma. Meninas de áreas rurais e de famílias pobres são particularmente afetadas. Por razões financeiras, essas famílias se veem forçadas a casar suas jovens filhas com homens mais velhos.
 
Há uma diminuição dos índices de pobreza em alguns países, mas para os mais pobres a situação tem piorado. "Muitas famílias não têm como se libertar dessa pressão econômica", diz Krüger.
 
Além dos aspectos econômicos, as guerras promovem casamentos precoces, aponta Schröter. É o que ocorre na Síria, por exemplo, assolada por uma guerra civil.
 
"Após o início do conflito e especialmente após o fluxo de refugiados, o número de casamentos infantis aumentou muito", afirma. "Meninas foram forçadas a se casar aos 11 ou 12 anos de idade, com a premissa de que isso iria protegê-las de abuso sexual, por exemplo. A fuga sempre gera uma maior necessidade de segurança. Por isso, muitos se agarram às tradições que lhes dão segurança."
 
Intercâmbio com pais e terceiros
 
De acordo com as metas de desenvolvimento sustentável da ONU, não deve haver mais casamentos infantis depois de 2030. Para ajudar a alcançar tal objetivo, a Save the Children apela aos políticos para que tomem medidas efetivas contra casamentos infantis.
 
"O mais importante é a educação e que as crianças e as meninas permaneçam nas escolas", diz Krüger. Há muito o que fazer nas comunidades, e não se trata apenas de trabalho de esclarecimento. As famílias precisam de segurança para que a decisão de não casar suas filhas não tenha implicações financeiras, afirma a especialista.
 
"Queremos influenciar os programas governamentais de modo que haja oportunidades econômicas para os pais ou para as garotas, para que possam trabalhar no futuro", diz Krüger. Para isso, exemplos positivos são importantes, assim como a compreensão dos pais e das comunidades.
 
Os melhores avanços no combate aos casamentos infantis são registrados na América Latina. Depois de alterações em legislações, o número de uniões envolvendo crianças caiu dentro de apenas dois anos. Hoje, uma a cada cinco garotas da região é prometida a um homem estranho, o que pode ser considerado um grande avanço.
 
Fonte: Deutsche Welle
Imagem: Reprodução
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"Quando trabalhamos, juntas e juntos, nós, a minoria, nos tornamos a maioria. E no meio de tanto preconceito que vivemos, no meio de tanta violência, chego aqui nesse espaço e escuto os parceiros falando palavras de consolo, penso que além do preconceito, ainda tem pessoas que estão conosco na luta. São poucos os parceiros, mas deixa a gente otimista. Fico muito grato por estar aqui, aprendi muito, sempre aprendo muito, e vou levar esse aprendizado para minha aldeia." (Professor Zacarias Kapiaar Gavião)
 
Cento e vinte pessoas, indígenas e não indígenas, reuniram-se em Porto Alegre (RS), entre os dias 2 a 4 de outubro de 2017, no Seminário Interculturalidade: tecendo caminhos de justiça através de (con)vivências entre povos indígenas e não indígenas, comemorativo aos 35 anos do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN). 
 
Para o COMIN, interculturalidade é ferramenta de luta. “Somos contra hegemonias religiosas e culturais. Somos pela partilha de saberes, pela construção de relações com os animais, com as plantas, com a natureza, com as pessoas. Queremos desconstruir conceitos polarizantes. Estamos abertas e abertos para a  troca e o toque. Vivamos diversidades”, foi a mensagem motivadora que abriu o encontro. 
 
Representações de diferentes povos indígenas estiveram presentes: Guarani e Kaingang, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina; Laklãnõ Xokleng, de Santa Catarina; Tupiniquim, do Espírito Santo; Ikólóéhj-Gavião, de Rondônia; Huni Kui, do Acre; e Karajá, de Goiás, junto com as equipes do COMIN, da FLD, representantes do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e da Pão para o Mundo.
 
Conversas, troca de conhecimentos e trabalhos em grupo foram realizados durante o encontro. A condução ficou com a “costureira” e o “costureiro”, professora Severiá Maria Idioriê Xavante e professor Reinaldo Fleuri. Nos dias 02 e 03 de outubro, foram apresentados relatos de três experiências.
 
Saberes e sabores
 
O Intercâmbio Intercultural de Saberes e Sabores, promovido pelo COMIN, vem aproximando mulheres Kaingang, da Terra Indígena (TI) Guarita, em Tenente Portela (RS), e as mulheres da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), em Três de Maio.
 
“A proposta é promover articulações e diálogo intercultural e fortalecer a interação e a convivência de culturas diferentes”, disse a assessora do COMIN, Noeli Teresinha Falcade, que acompanha a iniciativa. Para isso, as mulheres da OASE já visitaram a TI e as mulheres Kaingang estiveram na comunidade luterana. São momentos de diálogo e de aprendizagem mútuos, quando elas apresentam seus trabalhos e relatam sobre seu cotidiano. “Elas estranharam nosso jeito, quando visitaram a Guarita. Mas estavam curiosas e prestaram atenção”, contaram as mulheres Kaingang. Para a presidenta da OASE, Márcia Müller Medeiros, os resultados estão sendo ótimos. “Queremos continuar com os intercâmbios”.
 
Magistério público para professores e professoras indígenas
 
Os professores indígenas Zacarias Kapiaar Gavião e Sebastião Kara'yã Péw Gavião, a professora do Instituto Federal de Rondônia, Lediane Butzlaff Neimog, e a assessora do COMIN, Jandira Keppi, relataram sobre a produção da Lei Complementar Estadual 578/2010, que trata do quadro de magistério público indígena no estado de Rondônia, da carreira de docentes e técnicos administrativos indígenas e estabeleceu a realização do concurso público específico para professores e professoras indígenas. “A lei é única”, afirmou Jandira. “Depois de um longo processo de luta de um grande coletivo, a luta agora é para seu processo de implementação”.
 
“Sou professor há mais de 20 anos, e sempre fomos contratados pelo Governo de Rondônia de forma emergencial, enquanto que professores de brancos eram concursados”, relatou Zacarias. “Conseguimos criar e aprovar a lei depois de várias lutas e várias ideias, com planejamento feito junto com um grande número de parceiros governamentais e não governamentais, entre os quais o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o COMIN, a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público Federal e universidades”. A atuação da Organização dos Professores Indígenas de Rondônia e Noroeste do Mato Grosso (Opiron) e do Núcleo de Educação Escolar Indígena de Rondônia (Neiro), espaços de discussão e de articulação, também sobre terra, saúde e política, foi decisiva para o processo.
 
Zacarias Kapiaar Gavião foi o primeiro professor contratado via concurso público, para lecionar na sua aldeia. A lei determina o concurso público em três níveis: nível A, para professores indígenas com titulação no nível médio, com formação em magistério, para atuar na educação infantil e do 1o ao 5oano; nível B, integrado por professores e professoras indígenas com titulação em licenciatura plena, para atuar do 6o ao 9o ano e ensino médio; e nível Especial, para professores indígenas sem necessidade de comprovação de titulação, para atuar da educação infantil ao ensino médio, nas disciplinas relacionadas à organização social, usos, costumes, tradições, crenças e língua da comunidade. Todas as pessoas concursadas são indicadas para lecionar nas suas próprias aldeias.
 
Outro ponto importante é que prevê a estabilidade do professor, mas também a possibilidade de ele ser exonerado em caso de perda de confiança da comunidade, em razão do seu trabalho.
 
A luta agora é pela implementação. O professor Sebastião Kara'yã Péw Gavião lembra que: “o que a gente conquistou, não foi dado pelo governo. Não foi o governo que decidiu, nós conquistamos. Precisamos acreditar na nossa força e no nosso conhecimento, mesmo com o grande preconceito que sofremos”.
 
Sapopema
 
A experiência da Trilha da Sapopema, do povo Laklaño Xokleng, na serra do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, foi apresentada pelos jovens Jesaías Vaipon Patté, Ewerton Crendô e Eliton Weitschá. A professora Ingrid Lindner, da Escola Barão do Rio Branco, de Blumenau (SC), relatou sobre as visitas de grupos de estudantes à TI e os resultados da sua participação na Trilha.
 
Localizada na Aldeia Bugio, a Trilha da Sapopema surgiu como iniciativa dos e das jovens, em parceria com o COMIN, na busca de geração de renda, relacionada a sua cultura e dentro da sua aldeia.
 
Com 1.800 metros de extensão e a 950 metros de altitude, permite às e aos visitantes conhecer e caminhar pela Mata Atlântica e sua imensa biodiversidade. Durante a caminhada, há momentos de interação com a cultura indígena e, no final do percurso, uma parada em uma cabana tradicional, para degustar o Kapug, comida assada na taquara.
 
Nesta mesma cabana, anciãos contam histórias em seu idioma e a traduzem. Há também a visita ao Memorial Laklãnõ Xokleng, onde estão expostos utensílios e fotos, que contam a história e a atualidade do povo. Vivencia-se, ainda, um momento de canto de músicas e exposição e venda de artesanato tradicional, como brincos, colares, prendedores de cabelo, potes de barro e miniaturas de arco e flecha.
 
A inauguração da Trilha se deu em 2013, como resultado de um processo. “Jesaías, Ewerton e Eliton já são a quarta geração que participa da iniciativa”, disse o assessor do COMIN, Jasom de Oliveira. “Antes deles, muito trabalho foi feito.”
 
“A maioria dos jovens saía da aldeia, pois não tinha nenhuma perspectiva de trabalho. Hoje, a Trilha está trazendo os jovens de volta”, disse Jesaias. Para Ewerton, a Trilha está sendo incrível. “Com essa perspectiva, já não sinto vontade de sair da aldeia. É a minha casa, apesar de todas as dificuldades. Agradeço a parceria do COMIN, desde sempre, que também nos ajudou a fechar parceria com uma empresa de turismo, que está trazendo mais gente”. O mesmo depoimento foi dado por Eliton: “a Trilha faz toda a diferença e, com o apoio do COMIN, a ideia saiu do papel e está dando certo”.
 
A perspectiva de vivenciar uma cultura diferente foi o que motivou a professora Ingrid Lindner a promover viagens pedagógicas à Aldeia Bugio, com estudantes, professoras e professores. “Sabendo da Trilha, pensei no trabalho que se poderia fazer com as crianças, estimulando um pensamento reflexivo, um comprometimento social, conhecer outra cultura, outro modo de vida, aprender principalmente a respeitar e aceitar, sem preconceitos”. Desde 2013, Ingrid vem organizando, junto com a escola, as visitas de alunas e alunos dos quartos anos do Ensino Fundamental. Em um vídeo, depoimentos das crianças que estiveram na aldeia mostram que, para entender, sem dúvida, a palavra chave é “conhecer”:
 
– Eu achei que a aldeia indígena era que nem quando os portugueses chegaram no Brasil. Andavam de tanguinha, usavam lanças, arco e flecha. Mas quando cheguei lá, vi que não era assim. Eles têm internet, têm telefone. Eles têm a cultura deles, nós temos a nossa, é a cultura deles.
 
– Eu achava que eles moravam em ocas e que não se vestiam, e que se fôssemos lá, iam nos ameaçar, sei lá. Mas vi que era diferente. Vi que eles são como nós, e que são boa gente.
 
– Achei que eles usavam roupas de penas e de folhas e cocares, e que eles não iam para a escola. Lá eu vi que eles são que nem nós, só que tem uma cultura diferente.
 
Celebração
 
Na terça-feira, dia 03 de outubro, a noite foi de festa. Dois espaços foram organizados: uma tenda, para a celebração, que reuniu participantes do seminário e pessoas convidadas. O pastor João Artur Müller da Silva, integrante do COMIN na sua criação em 1982, foi homenageado, em nome dos outros componentes da primeira composição da organização: Sighard Hermany, Normélio Krampe, pastor Friedrich Gierus, pastor Arnildo Wilbert e pastor Edson Streck.
 
A celebração continuou no lado de fora da tenda, junto a uma fogueira, com alimentos preparados pelas mulheres e homens indígenas. Um momento diferente, de confraternização, conversa e de interculturalidade, como foi o espírito de todo o encontro.
 
Criação do COMIN
 
O COMIN foi criado em setembro de 1982 e, portanto, neste ano de 2017, celebra 35 anos de existência. Este Conselho foi criado pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), com o objetivo de assessorá-la e tratar das questões indígenas em seu âmbito.
 
Abaixo segue trecho do Boletim Informativo do Conselho Diretor, nº 79, de 14 de outubro de 1982, no qual foi publicada a criação do COMIN, em Reunião do Conselho Diretor da IECLB, ocorrido nos dias 23-25 de setembro de 1982, em Porto Alegre (RS).
 
“c.9) Conselho de Missão entre Índios – Considerando que o envolvimento da IECLB na questão indígena requer um grêmio que tenha a tarefa de acompanhar os obreiros na área indígena, bem como de providenciar a comunicação para dentro das comunidades, sendo ao mesmo tempo órgão assessor do CD em questões indígenas, o Conselho Diretor, atendendo a solicitação dos obreiros que atuam entre índios, criou o Conselho de Missão entre Índios e nomeou o Sr. Sighard Hermany, sr. Normélio Krampe, P. Friedrich Gierus, P. João A. Müller da Silva, P. Arnildo Wilbert e P. Edson Streck para comporem o referido Conselho.”
 
Fonte: FLD
Foto: Arquivo COMIN
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Contrariando as expectativas do governo Michel Temer, a CPI da Previdência Social no Senado conclui, nesta segunda-feira (23), que não existe déficit. A data de votação do relatório do senador Hélio José (Pros-DF) ainda será definida, mas a previsão é que a comissão parlamentar de inquérito se encerre até o dia 6 de novembro.
 
O texto de 253 páginas aponta erros na proposta de reforma apresentada pelo governo; sugere emendas à Constituição e projetos de lei; além de indicar uma série de providências a serem tomadas para o equilíbrio do sistema previdenciário brasileiro, como mecanismos de combate às fraudes, mais rigor na cobrança dos grandes devedores e o fim do desvio de recursos para outros setores.
 
O relatório alega haver inconsistência de dados e de informações anunciadas pelo Poder Executivo, que "desenham um futuro aterrorizante e totalmente inverossímil”, com o intuito de acabar com a previdência pública e criar um campo para atuação das empresas privadas.
 
“É importante destacar que a previdência social brasileira não é deficitária. Ela sofre com a conjunção de uma renitente má gestão por parte do governo, que, durante décadas: retirou dinheiro do sistema para utilização em projetos e interesses próprios e alheios ao escopo da previdência; protegeu empresas devedoras, aplicando uma série de programas de perdão de dívidas e mesmo ignorando a lei para que empresas devedoras continuassem a participar de programas de empréstimos e benefícios fiscais e creditícios; buscou a retirada de direitos dos trabalhadores vinculados à previdência unicamente na perspectiva de redução dos gastos públicos; entre outros”, resume Hélio José em seu relatório.
 
Segundo o presidente da CPI, senador Paulo Paim (PT-RS), uma das propostas do relatório é aumentar para R$ 9.370,00 o teto dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que atualmente é de R$ 5.531,31.
 
Sonegação
 
Na visão do relator, não é admissível qualquer discussão sobre a ocorrência de déficit sem a prévia correção das distorções relativas ao financiamento do sistema.
 
"Os casos emblemáticos de sonegação que recorrentemente são negligenciados por ausência de fiscalização e meios eficientes para sua efetivação são estarrecedores e representam um sumidouro de recursos de quase impossível recuperação em face da legislação vigente", argumentou.
 
Segundo o relatório da CPI, as empresas privadas devem R$ 450 bilhões à previdência e, para piorar a situação, conforme a Procuradoria da Fazenda Nacional, somente R$ 175 bilhões correspondem a débitos recuperáveis.
 
"Esse débito decorre do não repasse das contribuições dos empregadores, mas também da prática empresarial de reter a parcela contributiva dos trabalhadores, o que configura um duplo malogro; pois, além de não repassar o dinheiro à previdência esses empresários embolsam recursos que não lhes pertencem", alegou.
 
Desinteresse da mídia
 
A CPI foi instalada no final de abril e, desde então, promoveu 26 audiências públicas. O presidente Paulo Paim (PT-RS) disse que a comissão está cumprindo seu papel, apesar de ter sido ignorada pelos meios de comunicação:
 
"Os grandes devedores da Previdência também são clientes da  mídia. Sabíamos que uma CPI deste vulto não teria cobertura da grande imprensa. Mas o importante é o trabalho e vamos concluir até 6 de novembro", afirmou.
 
Paim lembrou que 62 senadores assinaram a proposta de criação do colegiado - seriam necessárias apenas 27 assinaturas -, o que demonstra insegurança dos parlamentares em relação aos argumentos do governo em relação ao setor.
 
O senador ainda classificou a proposta da CPI de séria, principalmente em relação aos maiores devedores do sistema. E aproveitou para mandar um recado: "Não pensem os grandes devedores que vai ficar como está. Vamos pra cima deles", advertiu.
 
JB com Agência Senado
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Os fiéis da Igreja greco-melquita experimentaram o drama que “há muitos anos aflige a Síria e outras áreas do Oriente Médio” por causa do sofrimento “infligido também, ou em certos casos, somente por causa do nome de Jesus”.
 
Foi o que sublinhou em Haifa o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, durante o encontro com os sacerdotes da Arquieparquia de Akka dos greco-melquitas.
 
Êxodo dos inocentes
 
Na segunda e terceira etapa da viagem que está realizando à Terra Santa, o purpurado quis recordar o êxodo de milhares de pessoas obrigadas a fugir e a deixar o que tinham, porque, como a Santa Sagrada Família em Belém, não havia lugar para eles. Mas “esta vez não na hospedaria, mas naquela que até poucas horas antes era a própria casa”.
 
O sofrimento inocente do povo cristão – comentou o Cardeal –  que “em certos casos chegou até mesmo a um verdadeiro martírio, por meio de sequestros ou até mesmo a tortura e a morte”, pela graça do Senhor “torna-se um tesouro de graça para a Igreja inteira, que lava as próprias vestes – às vezes cheias de pó – no sangue do Cordeiro Imolado”.
 
O Prefeito, depois, observou como existe uma “participação cotidiana e consciente possível para cada um de nós na obra de edificação e santificação da Igreja”, que passa pelos “nossos “sim” cotidianos, ao Senhor antes de tudo, por meio da oração, a celebração dos Sacramentos”,  e pelos “nossos “sim” aos irmãos, graças ao ministério da caridade”.
 
Uma solidariedade concreta pelos mais pobres no sentido material, mas também “pela pobreza interior com que se pode entra em contato”.
 
Nos países do Ocidente, esta é representada por um estilo de vida “como se Deus não existisse”, enquanto no Oriente poderia existir “o risco de uma pertença confessional forte – “sou cristão, sou católico, sou melquita, armênio, latino, caldeu” – que em alguns casos leva “a viver com um coração e um estilo não exatamente desejoso de um sincero estilo evangélico nas relações internas às comunidades ou com as outras comunidades, entre nós padres, entre nós e o bispo”.
 
Monte Carmelo
 
Sucessivamente, o Cardeal visitou a Igreja do Monte Carmelo, onde rezou na gruta do Profeta Elias e encontrou a comunidade das Carmelitas Descalças, provenientes da Terra Santa, da Itália, do Peru, de Madagascar e de outros países.
 
O purpurado deteve-se por um momento em partilha com as religiosas, confiando às suas orações as intenções do Papa Francisco, pela Igreja, e especialmente pelo Oriente Médio.
 
Nazaré
 
Após, deslocou-se até Nazaré, junto à Basílica da Anunciação, onde foi acolhido Reitor e Guardião da Basílica da Anunciação, Bruno Varriano e pela comunidade.
 
O purpurado celebrou Missa em uma capela próxima à gruta da Anunciação, onde recordou o Fiat de Maria e o grande mistério que naquele local é contemplado, detendo-se, em particular, na recordação do Beato Paulo VI.
 
“Em Nazaré – disse o Cardeal – o sim de Maria foi preparado no silêncio, e no silencio foi guardado o mistério da encarnação, do crescimento de Jesus no escondimento”.
 
Disto, o convite à sociedade e à Igreja, em meio ao “barulho da comunicação que invade os nossos dias”, a encontrar “o silêncio como lugar fecundo do qual nasce a vida verdadeira e autêntica”.
 
Por Rádio Vaticano
Foto: terresante.org
 
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