Ele apareceu... “a fim de guiar nossos passos no caminho da paz”. (Lc 1:79)
 
Estamos prestes a recordar e tornar presente o nascimento de Jesus, Filho de Deus, Deus Forte, Príncipe da Paz.
 
O Advento que se encerra foi um tempo de preparação para a irrupção de Deus na história, representada pelo nascimento de Jesus.
 
Um Deus de compaixão, amor, que se coloca ao lado das pessoas desprezadas pela desigualdade econômica, pela intolerância religiosa, racial, de gênero.
 
Que nesses tempos de incertezas, tensões, de afirmação dos interesses econômicos sobre a vida do planeta e das pessoas, possamos nos deixar provocar pela criança da manjedoura, engajando-nos em favor do Reino de Deus, caracterizado pela igualdade, respeito às diferenças, cuidado com a criação.
 
Quando substituirmos o ódio e o desprezo, as xenofobias e os preconceitos pelo amor e pela acolhida, aí sim, poderemos ouvir a sentença afável: "Vinde, benditos e benditas de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo. (Mt 25:34)
 
CONIC - Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil
 
Imagem: Pixabay
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O CONIC estará de recesso entre os dias 20 de dezembro e 8 de janeiro de 2018.
 
Nesse período, caso haja alguma demanda a ser encaminhada para o Conselho, ela deve ser direcionada aos e-mails institucionais:
 
Administrativo
E-mail: conic@conic.org.br
 
Comunicação
E-mail: comunicacao@conic.org.br
 
Secretaria Geral
E-mail: secretariageral@conic.org.br
 
Durante o recesso, o telefone (61) 3321-4034 ficará indisponível para atendimento.
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Ao menos 9 pessoas morreram e 25 ficaram feridas em um atentado cometido no último domingo, 17/12, contra uma Igreja Metodista em Quetta, na província de Baluchistão, no Paquistão. Militantes invadiram a igreja, que reunia cerca de 400 pessoas, detonaram um artefato explosivo e fizeram vários disparos contra os civis. O secretário-geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, condenou o ataque e expressou tristeza pelas vidas perdidas.
 
Tveit instou as pessoas a continuarem unidas contra a violência. "Condenamos esse desrespeito trágico para com a vida humana; as vítimas eram pessoas que estavam reunidas para adorar [a Deus] em comunidade. Não permitiremos que este ato devastador enfraqueça nossa fé, nossa unidade e nosso trabalho comum para a paz e pela justiça no mundo", afirmou.
 
A igreja atacada foi construída em 1935, durante o governo britânico no Paquistão.
 
Fonte: ALC Notícias, com informações do CMI, BBC News e Ansa Brasil.
Foto: AFP
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O ministro de Antiguidades do Egito, Khaled al Anani, reabriu no último sábado (16) a biblioteca histórica do Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, no sul da península do Sinai. Ela havia permanecido fechada durante três anos para trabalhos de reforma, informou a agência de notícias estatal Mena.
 
A reabertura aconteceu após o término das obras de restauração da cúpula bizantina do mosteiro, que cobre uma superfície de 46 metros quadrados. Ali se encontra uma das primeiras representações icônicas do cristianismo.
 
Fundado no século 6°, o Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina é um dos mais antigos do mundo, tendo sido declarado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.
 
O diretor de Estudos e Pesquisas Arqueológicas no Sinai, Abdelrahman Rihan, ressaltou que a biblioteca, que detém cerca de 3 mil manuscritos, é considerada a segunda mais importante do mundo, depois do Vaticano.
 
"Mensagem de segurança e paz"
 
Alguns desses manuscritos estão entre os mais antigos do cristianismo, como partes de uma Bíblia do século 4°.
 
"A inauguração de hoje é uma mensagem de segurança e paz para todo o mundo", disse na ocasião o ministro das Antiguidades, Khaled al Anani.
 
O Mosteiro de Santa Catarina é um dos destinos turísticos mais importantes do Egito. O país está trabalhando para fortalecer a indústria do turismo, que sofreu com os levantes de 2011 e vários ataques terroristas.
 
Fonte: Deutsche Welle
Foto: Samy Magdy/AP Photo
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Uma parcela significativa das armas e munição do arsenal do grupo terrorista "Estado Islâmico" foi fabricada na União Europeia, demonstra um estudo publicado pela organização de localização de armas Conflict Armament Research (CAR).
 
No documento de 200 páginas, a ONG afirma que mais de 30% das armas empregadas pelos extremistas nos campos de batalha na Síria e Iraque vieram originalmente de fábricas na Bulgária, Romênia, Hungria e Alemanha. Rússia e China, por sua vez, produziram mais da metade dos armamentos em posse dos jihadistas.
 
O estudo Armas do "Estado Islâmico" é o resultado de três anos de pesquisa de campo pela CAR no Iraque e na Síria. De 2014 a 2017, as equipes analisaram mais de 40 mil itens coletados em postos na frente avançada do EI, incluindo armas, munição e componentes empregados na fabricação de artefatos explosivos.
 
Segundo o relatório, a maior parte dos armamentos dos jihadistas foi pilhada dos exércitos iraquiano e sírio. Em diversos casos, porém, foram parar nas mãos do grupo terrorista armas adquiridas de países do Leste Europeu pela Arábia Saudita e os Estados Unidos, e em seguida fornecidas às forças oposicionistas sírias.
 
"Essas constatações são uma forte advertência sobre as contradições inerentes a suprir armas a conflitos armados nos quais operam múltiplos grupos armados não estatais, que concorrem entre si e se superpõem", aponta a CAR.
 
O documento detalha, ainda, como bilhões de dólares em armamentos foram comprados de nações europeias orientais e depois passados a milícias sírias, muitas vezes infringindo cláusulas contratuais:
 
"Muitas dessas transferências violaram termos de venda e exportação acordados entre os exportadores de armas – em primeira linha, Estados-membros da UE – e receptores na Arábia Saudita e nos EUA."
 
Via EUA
 
Num dos casos, a CAR rastreou uma arma avançada antitanques produzida na UE, vendida aos EUA e então fornecida a um dos partidos do conflito sírio, antes de acabar em poder das forças do EI no Iraque – tudo isso apenas dois meses após o equipamento deixar a fábrica.
 
"Suprimentos internacionais de armas para facções do conflito sírio têm aumentado significativamente a quantidade e qualidade das armas disponíveis às forças do EI – em números muito superiores aos que estariam disponíveis ao grupo apenas através da captura em campo de batalha."
 
Os pesquisadores ressaltam que as partes envolvidas nessas transferências com frequência tentam intencionalmente ocultar a procedência dos armamentos, mudando a embalagem e removendo as marcas de fábrica ou aplicando tinta por cima. Alguns dos dados coletados resultaram em processos criminais, como a investigação pela polícia belga sobre o fornecimento de partes para dispositivos explosivos improvisados.
 
O EI ocupou uma grande área no Iraque e Síria durante uma ofensiva-relâmpago em 2014. Embora desde então, o grupo tenha perdido a maior parte desses territórios, a CAR alerta que ele ainda representa uma ameaça, pois os milicianos adquiriram a capacidade de construir suas próprias armas, altamente sofisticadas.
 
"Combinado ao alcance global, capacidade logística e organizatória comprovada e recrutas dispostos por todo o mundo, esses fatores se traduzem numa capacidade exportável de praticar insurgência e terrorismo bem além da região", conclui o relatório da Conflict Armament Research.
 
Fonte: Deutsche Welle
Foto: Reprodução
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Estreou ontem, 14/12, o documentário ‘Coragem! As muitas vidas de Dom Paulo Evaristo Arns’. Ele será exibido em sete cidades do país. A data marca um ano da morte de Dom Paulo Evaristo Arns (1921-2016). O primeiro documentário sobre o Cardeal catarinense será exibido em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, e também em Brasília (DF) e Santos (SP), em salas do Espaço Itaú.
 
Arcebispo de São Paulo de 1970 a 1998, Dom Paulo Evaristo Arns dedicou-se à melhoria da vida das comunidades carentes, ao mesmo tempo que lutou pelos Direitos Humanosdurante todo o período da ditadura militar.
 
O documentário, com 1h15m, é o resultado de um trabalho de quatro anos do jornalista Ricardo Carvalho. “Por conta de minha experiência profissional acumulada em tantos anos de trabalho, achei que era hora de escrever e dirigir um documentário que pudesse expandir ainda mais o trabalho de Dom Paulo”, conta.
 
Tomada a decisão, somou às informações já guardadas (reportagens, encontros com o cardeal, fotos, gravações) o vasto material garimpado graças a colaboradores como Maria Angela Borsoi (secretária de Dom Paulo por mais de 40 anos), que lhe deu acesso à Sala Cardeal Arns; a família do religioso; veículos de informação como Folha de S. Paulo, TV Globo, TV Cultura, TV PUC e Rede Rua, que cederam material de arquivo. E ainda o Instituto Vladimir Herzog, a Globo Filmes e a GloboNews, coprodutoras do documentário.
 
“Foi um trabalho de ourivesaria buscando a melhor fala, descobrindo coisas pouco conhecidas, entrevistando pessoas chaves”. Entre as revelações, o encontro de Dom Paulo com o general Emílio Garrastazú Médici (presidente do Brasil entre outubro de 1969 e março de 1974); a correspondência do Cardeal com Fidel Castro; as visitas aos porões da ditadura militar em busca de presos, e reuniões em Brasília em busca de desaparecidos.
 
Três meses antes de morrer, Dom Paulo assistiu uma das versões quase pronta do filme. Ricardo lembra a emoção do Cardeal da esperança ao abraçá-lo e ao Ivo Herzog, diretor do Instituto Vladimir Herzog, que apoiou a realização do filme.
 
O documentário tem roteiro e direção de Ricardo Carvalho; narração de Paulo Betti; produção da TVM-documentários, com apoio do Itaú e do Instituto Arapyaú.
 
Fonte: A12
Foto: Wikimedia Commons
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O bispo da diocese de Jales (SP) e referencial da Pastoral Operária Nacional, dom Reginaldo Andrietta, está na Alemanha participando da Campanha de Advento da Adveniat, agência de cooperação internacional do episcopado Alemão, que apoia vários projetos pastorais aqui no Brasil. A campanha que também tem como objetivo mobilizar doações para Adveniat para cooperar com projetos pastorais de outros países, dentre eles o Brasil, tem foco no mundo do trabalho. Para isso, dom Reginaldo, juntamente com dom Wilfried Theising viaja nessas duas semanas pelo campo de Oldenburg e Hamburgo, na Alemanha.
 
Dom Reginaldo falou da realidade dos/as trabalhadores/as do Brasil, após o golpe, e dos projetos de Teto dos Gastos, reformas trabalhistas e previdenciárias, o que vem caracterizando como “recaída na barbárie”. Ele já fez entender na Alemanha que “o governo brasileiro só atua a partir dos interesses das empresas e corporações estrangeiras que exploram o país.
 
Ao representar também a Igreja no Brasil no que se refere ao “mundo do trabalho” o bispo ressaltou que “a Igreja no Brasil está empenhada em combater os problemas sociais. Precisamos promover uma sociedade civil independente”. Reginaldo já exalta seu compromisso entre os alemães, expresso na nota da imprensa sobre uma palestra que fez para o conselho da Adveniat: ele mostrou que é muito comprometido em uma palestra para a comunidade de serviços do conselho oficial Episcopal Münster no St. Antoniushaus em Vechta.
 
Esse trabalho vem sendo preparado desde o Brasil desde março 2017, quando jornalistas representantes da Adveniat fizeram acompanhamento de algumas ações que Dom Reginaldo acompanha no Brasil, na Pastoral Operária, JOC e MTC. Para isso, fizeram-se registros audiovisuais e entrevistas dessas três organizações na região de São Paulo.
 
“Quando compartilhamos, não temos problemas. Mas podemos ajudar a aliviar a miséria “, havia dito antecipadamente o bispo auxiliar Theising. São Nicolau estava pronto para compartilhar. “Então, hoje podemos passar o dia com um coração aberto e mãos abertas.
 
As informações foram retiradas da nota da imprensa da Adveniat, que pode ser conferida no link: goo.gl/dCntUn.
 
Adveniat
 
A história do trabalho de ajuda a América Latina, Adveniat, começou no “inverno da fome” entre os anos de 1946 e 1947, quando milhares de pessoas na Alemanha morreram de fome ou devido as doenças relacionadas à miséria. As notícias e imagens desta extinção em massa abalou a América Latina, que logo se reuniram para ajudar as crianças e idosos famintos na Alemanha.
 
Esta ajuda não foi esquecida, nem mesmo quando a necessidade foi superada em 1950, iniciando o chamado milagre econômico. Até 1961 não havia nenhuma organização de apoio que abordasse as preocupações pastorais dos católicos na América Latina. Em 30 de agosto de 1961, foi proposto à Assembleia Geral da Conferência Episcopal Alemã uma “coleta especial” para a América Latina, que se realizaria no Natal em todas as igrejas da República Federal e Berlim Ocidental.
 
O sucesso desta primeira coleta possibilitou aos bispos produzir a coleta latino-americana para o Natal nos anos seguintes. Em 1969, os bispos tornaram-se oficiais. O que foi planejado para ocorrer apenas uma vez acabou se tornando a Ação Episcopal Adveniat, nome oficial da organização católica de ajuda à América Latina. Desde então foram arrecadados mais de 2,3 bilhões de euros, com os quais foram apoiados 3 mil projetos anuais de ajuda em toda a América Latina.
 
Fonte: Diocese de Jales
Foto: Florian Kopp / Adveniat
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Se você mora em um país cristão, certamente deve comemorar o Natal ou, pelo menos, conhece famílias que celebram a data com entusiasmo. Mas será que todos sabem a história por trás dos muitos costumes natalinos? Nesse artigo pra lá de empolgante, M. Narbona, doutor em história, esclarece alguns pontos interessantes. Confira!
 
A COROA DO ADVENTO
 
A coroa do Advento compõe-se de quatro velas com quatro ramos de vegetais, que vão se acendendo, uma a uma, nas quatro semanas que precedem o Natal.
 
A coroa do advento encontra suas raízes nos costumes anteriores ao cristianismo, dos povos do norte, entre os séculos IV e VI. Durante o inverno e a pouca luz de dezembro, colhiam coroas de ramos verdes e acendiam fogos, como sinal de esperança pela vinda da primavera.
 
No século XVI, católicos e protestantes alemães começaram a utilizar este símbolo durante o Advento. Aqueles costumes primitivos continham uma semente de verdade que agora podiam expressar a Verdade suprema: Jesus é a Luz que veio, que está conosco e que virá na glória. As velas antecipam a vinda da Luz no Natal: Jesus Cristo.
 
A coroa está cheia de símbolos: a luz lembra a salvação; o verde, a vida; sua forma redonda a eternidade etc.
 
A DATA: O DIA 25 DE DEZEMBRO
 
Em um primeiro momento, durante os séculos I e II depois de Cristo, os cristãos não celebravam o nascimento de Jesus. Sabia-se quando tinha morrido, na Páscoa Judaica, mas não quando havia nascido. Porém, no século III existem os primeiros testemunhos de que a festa do Nascimento de Cristo era celebrada pela Igreja, ainda que de forma clandestina, no dia 25 de dezembro.
 
Como em outros casos, os primeiros cristãos aproveitaram festividades pagãs para celebrar sua fé. No caso do Natal, em torno do dia 25 de dezembro, as civilizações pré-cristãs celebravam o solstício de inverno, no qual a luz voltava a aparecer e terminavam as trevas. Ainda que seja uma época de frio e de noites longas, sabe-se que a vida volta a se iniciar.
 
De seu lado, os romanos celebravam, entre os dias 17 e 24 de dezembro, as Saturnalia, festa dedicadas ao deus Saturno. Na época imperial, a partir dos séculos I e II, se fixou o dia 25 de dezembro como o dia do nascimento do “Sol invicto", divindade que era representada por um recém nascido. Era um dia de festa, ninguém trabalhava, inclusive os escravos festejavam.
 
Logo, a já grande comunidade romana de cristãos – que ainda vivia na clandestinidade – aproveitou essa data, tão celebrada na sociedade romana, para celebrar o nascimento de Jesus, cuja data era desconhecida.
 
A difusão da celebração litúrgica do Natal foi rápida. Após as perseguições de Diocleciano, em 354, foi fixada oficialmente a data do nascimento de Cristo. É possível considerar que, no século V, o Natal era uma festa universal, já que na ocasião a Igreja não estava dividida.
 
Também os povos do Norte da Europa celebravam uma série de festas ao redor do solstício, em honra a deuses como Thor, Odin ou Yule, razão pela qual não custou aos evangelizadores adaptar as festas pagãs ao Natal.
 
MISSA DO GALO
 
No século V, o Papa Sixto III introduziu em Roma o costume de celebrar no Natal uma vigília noturna, à meia noite, “mox ut gallus cantaverit" (“enquanto o galo canta"). A missa tinha lugar num pequeno oratório, chamado “ad praesepium" (“junto ao presépio"), situado atrás do altar mor da Basílica paleo-cristã de São Pedro.
 
A celebração Eucarística dessa Noite Santa começa com um convite insistente e urgente à alegria: “Alegremo-nos todos no Senhor – dizem os textos da liturgia -, porque nosso Salvador nasceu no mundo". O tempo litúrgico do Natal vai até o domingo do Batismo do Senhor, o domingo que se segue à Epifania.
 
OS PRESÉPIOS
 
O presépio é a representação doméstica do mistério do Nascimento de Jesus. O costume surgiu quando, no Natal de 1223, na Itália, São Francisco de Assis oficiou como diácono a Missa dentro de uma gruta na localidade de Greccio. Nela, após pedir permissão ao Papa Honório III, tinha montado um presépio com uma imagem em pedra do Menino Jesus e um boi e um asno vivos.
 
Esta representação de Greccio foi o ponto de partida de um fenômeno extraordinário de difusão do culto do Natal. A partir do próprio século XIII, a elaboração de presépios difundiu-se por toda a Itália. Os frades franciscanos imitaram seu fundador nas igrejas dos conventos abertos na Europa. Este costume propagou-se por toda a Europa durante os séculos XIV e XV.
 
Atualmente, o movimento da representação do nascimento de Cristo tem um grande êxito, principalmente na Itália, Espanha e América Latina. Na França, após a Revolução Francesa, em que foram proibidas as manifestações natalinas, nasceram com muita força na região da Provença. Até mesmo as comunidades protestantes, ainda que não montem presépios em suas casas, conservam, sim, a tradição de montar “presépios vivos" com crianças.
 
A ÁRVORE DE NATAL
 
É outra tradição pré-cristã que adquiriu um significado profundamente cristão. Muitas tradições, todas de procedência nórdica, reclamam o costume da árvore de Natal, ainda que nenhuma seja confiável, pelo que sua origem se perde na noite dos tempos.
 
Os antigos povoadores da Europa Central e Escandinávia consideravam as árvores seres sagrados. Assim, na época do solstício de inverno, adornavam a árvore mais alta e poderosa do bosque com luzes e com frutos (maçãs, por exemplo), acreditando que suas raízes chegavam ao reino dos deuses, onde se encontravam Thor e Odin.
 
Segundo a tradição, o cristianismo atribuiu uma leitura mais profunda a este costume. Conta-se que São Bonifácio – um sacerdote inglês que evangelizou a Europa Central nos séculos VII e VIII –, explicava o mistério da Trindade com a forma triangular do abeto (pinheiro): os frutos seriam os dons do Espírito Santo (os presentes de Deus aos homens); a estrela seria Cristo, a luz de Deus, a luz do mundo; e o tronco é facilmente assimilável à tradição cristã, que utiliza também muitas árvores em sua catequese: a árvore do Paraíso, da ciência do Bem e do Mal, a árvore de Jessé, o santo madeiro do qual se fez a cruz...
 
A partir do sáculo XV, os fiéis começaram a montar as árvores em suas casas. Com a reforma protestante – que suprime as tradições do presépio e de São Nicolau –, a árvore adquire maior protagonismo em muitos países do norte. A seus pés, as crianças encontram os presentes trazidos pelo Menino Jesus.
 
O enorme êxito da árvore no mundo anglo-saxão deve-se à rainha Vitória, que instalou uma no palácio real em 1830 e estendeu o costume a todo o reino. Em 1848, chegou até a felicitar as festividades natalinas com uma imagem da família real junto à árvore, o que contribuiu para sua difusão também nos Estados Unidos da América.
 
A difusão da árvore no mundo protestante fez com que, nos países católicos, especialmente do sul da Europa, se desse menos importância a essa tradição. Mais recentemente, com dois pontífices centro-europeus, o costume da árvore de Natal recuperou sua importância.
 
Em 1982, a árvore foi instalada pela primeira vez na Praça de São Pedro: “Que significa esta árvore?", perguntava João Paulo II, respondendo logo a seguir: "Eu creio que é o símbolo da árvore da vida, aquela árvore mencionada no livro do Gênesis e que foi plantada na terra da humanidade junto a Cristo (...). Depois, no momento em que Cristo veio ao mundo, a árvore da vida voltou a ser plantada através dEle e agora cresce com Ele e amadurece na cruz (...). Devo dizer-lhes - confessava – que eu pessoalmente, apesar de ter uns quantos anos, espero impacientemente a chegada do Natal, momento em que é trazido aos meus aposentos esta pequena árvore. Tudo isso tem um enorme significado, que transcende as idades...".
 
OS PRESENTES
 
A relação Natal-presente é muito antiga. Desde o início, um presente nestas datas tem sido um modo de transmitir de modo material às pessoas queridas a alegria própria pelo nascimento do Filho de Deus.
 
Até o século XIX, não se generalizou a idéia, fruto das classes médias, da burguesia. Reis Magos, Menino Jesus, São Nicolau ou Papai Noel, Befana, Olentzero, Caga Tiò... são personagens que, nas festas natalinas, trazem presentes às crianças. Mas muitos destes personagens têm uma longa história. Contaremos duas.
 
REIS MAGOS
 
A importância dos Reis Magos é principalmente religiosa: eles são os protagonistas da Epifania, isto é, da manifestação de Deus a todos os homens, de todos os povos da terra.
 
Já tinham sido anunciados no Antigo Testamento (o Livro dos Reis e Isaias), e São Mateus os descreve como “magos do Oriente". Que fossem três, e reis, é uma tradição que se consolidou rapidamente, como o demonstrou Orígenes, teólogo do século II. Provavelmente, tratava-se de sacerdotes da Babilônia, do culto de Zoroastro, dedicados à astrologia.
 
No século V, Leão Magno fixa em três o número de reis, representando assim as três raças humanas: a semítica, representada pelo rei jovem; a camítica, representada pelo rei negro; a jafética, representada pelo rei mais velho. No século XV, com o descobrimento de novas terras, adquirem seus traços definitivos.
 
Ao longo da história, têm recebido nomes como Magalath, Galgalath e Serakin; Appellicon, Amerin y Damascón; ou Ator, Sater e Paratoras. Os nomes Melchior, Gaspar e Baltasar aparecem pela primeira vez em um pergaminho do século VII.
 
Os restos dos reis magos, após serem encontrados por Santa Helena, em Saba, viveram em agitadas viagens por toda a Europa, até que repousaram finalmente na catedral de Colônia.
 
PAPAI NOEL
 
São Nicolau foi um bispo cristão que viveu na atual Turquia, no século IV. Ainda que tenha feito muitos milagres, o mais conhecido foi o que restituiu a vida a três meninos que haviam sido esquartejados por um carniceiro que havia colocado seus restos em uns sacos. Por isso, sua figura esteve sempre unida às dos meninos. Sua devoção sempre existiu tanto na Igreja católica como na ortodoxa. Logo se associou o santo aos presentes que as crianças recebiam no Natal.
 
A imagem atual é uma mistura do Sinterklaas holandês e tradições escandinavas que haviam chegado aos Estados Unidos. Sua origem remonta a uma noite de 1822, quando o pastor protestante Clément C. Moore criou o personagem Santa Claus. No dia 24 de dezembro, ao cair da tarde, sua esposa descobriu que faltavam algumas coisas para a ceia e pediu a seu marido que fosse comprá-las. Na volta, Clement se entreteve algum tempo com o guarda Jan Duychinck: um holandês gordo e efusivo, com vontade de contar as tradições natalinas de sua terra, em particular os costumes relacionados com Sinterklaas (São Claus).
 
Já em casa, enquanto a esposa preparava a ceia, redigiu um poema para suas três filhas, contando a visita que lhe havia feito São Nicolau. A figura que descreveu era a mesma de Duychinck: um indivíduo cordial, gordo, de olhos chispeantes, nariz vermelho e faces rosadas, que trazia consigo um cachimbo e dizia “ho, ho, ho". Ainda que o personagem se chamasse São Nicolau, nada tinha a ver com o bispo.
 
Fonte: Opus Dei
Imagem: Reprodução
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