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O que você faria se estivesse navegando na internet e achasse um vídeo chamado “A mulher mais feia do mundo”, com 4 milhões de visualizações, e percebesse que o rosto exibido nele é o seu próprio?
 
Você leria todos e cada um dos milhares de comentários execráveis, alguns dos quais recomendando que você se matasse para fazer um favor ao mundo? 
 
Você se deixaria abalar dolorosamente e cairia em desespero? 
 
Lizzie Velasquez escolheu este outro caminho.
 
Ela nasceu quatro semanas antes do previsto e os médicos ficaram tão impactados com a sua aparência que primeiro levaram uma fotografia Polaroid aos seus pais a fim de prepará-los para verem a própria filha. Mas os pais não quiseram a foto: eles queriam a sua bebê e exigiram que os médicos a levassem imediatamente até eles.
 
O diagnóstico de Lizzie é de síndrome progeroide neonatal, um transtorno genético que lhe dificulta ganhar peso e que a deixou cega do olho direito e com visão limitada no esquerdo. Lizzie cresceu no Texas sabendo que o seu aspecto era diferente do das outras crianças, mas também consciente de que o profundo amor dos pais e das irmãs por ela lhe assentava os alicerces da confiança e da segurança pessoal.
 
Foi essa confiança alicerçada no amor de seus pais o que a salvou naquele dia em que ela encontrou a própria imagem no vídeo do YouTube chamado “A mulher mais feia do mundo”, quando tinha 17 anos.
 
Depois de ler todos os comentários, procurando desesperadamente uma pessoa que a defendesse, foi buscar a mãe na sala de estar.
 
“Se aquele vídeo tinha me machucado tanto, eu não conseguia imaginar o quanto ele iria machucar a minha mãe. E acredito que, naquele momento, se acendeu para mim uma luz: eu não estava disposta a ficar ali sentada e deixar que aquelas palavras fossem a definição de quem eu sou”, disse.
 
Um ano mais tarde, o diretor da sua escola pediu a Lizzie para fazer um discurso aos alunos do instituto. O diretor lhe garantiu com antecedência que haveria professores por perto para acalmar os estudantes se eles se alvoroçassem. Não precisou: na metade do discurso, quando Lizzie levantou o olhar para o auditório, seus companheiros estavam todos em absoluto silêncio e totalmente concentrados nela. Alguns até começaram a chorar. Naquele momento, Lizzie sentiu que a “barreira de ser diferente” desaparecia e que todos eram apenas “um grupo de pessoas”.
 
A experiência foi um ponto de virada para ela, que, desde então, se tornou conferencista motivacional e uma ardente defensora do respeito a todos e do fim do assédio. Foi palestrante no Tedx Talks, escreveu livros e tem seu próprio canal no YouTube. Durante toda a vida, Lizzie confiou na sua fé - ela é católica - para superar os momentos mais escuros.
 
“Foi a minha rocha esse tempo todo. Basta dedicar um tempo sozinha a rezar e falar com Deus para saber que Ele está aqui para mim”.
 
Demonstrando que a verdadeira beleza só pode ser vista pelos olhos da alma, Lizzie também declarou: “Deus me abençoou com a maior bênção da minha vida, que é a minha síndrome”.
 
Com informações da Aleteia
Foto: Reprodução / Facebook

 
“Não tente fugir, Beto”, disse um companheiro assim que ele chegou. “Não quero fugir.” Beto Carvalho negou, mas a verdade é que desde que pôs o pé na nova prisão, um centro APAC, não parou de calcular se poderia pular para o outro lado. Parecia fácil, sem guardas armados para impedi-lo. Mas havia algo que não se encaixava: seus companheiros não queriam fugir da prisão.
 
As prisões do Brasil costumam ser notícia por sua violência brutal. As mutilações no presídio de Manaus que vieram à luz em janeiro de 2017 são mais um exemplo da situação desumana que se estende pelo sistema prisional do país. Um relatório do Conselho de Direitos humanos da ONU em 2016 denunciava que a ocupação dos presídios está 265% acima da capacidade, com 40% dos detentos ainda à espera de julgamento.
 
Em meio a esse panorama asfixiante surge a APAC (Associação para a Proteção e Assistência aos Condenados), que defende um modelo de prisão sem policiais, armas nem motins, onde os detentos não usam uniforme. Têm uma cama individual e comida digna. E o número de ocupantes não passa de 200 por centro. Esses lugares promovem sua recuperação como seres humanos e como cidadãos construtivos na sociedade. Tanto é assim que não se referem a eles como detentos, mas como recuperandos.
 
Essa revolução começou com um grupo de voluntários cristãos que tentava, nos anos 1970, acompanhar os detentos em seu tempo livre. Sua capacidade de relacionar-se com eles levou, poucos anos depois, ao pedido para administrar um pavilhão penitenciário. Hoje existem 50 centros APAC no Brasil que integram o sistema prisional público através de um convênio administrativo que custa um terço do que o Estado paga por um detento comum: 3.000 reais frente a 950 reais. Uma vez fora, a taxa de reincidência dos presos que passam pelo sistema comum é de 85%, contra 15% no caso da APAC. O método já inspira iniciativas similares em outros países da América Latina. 
 
Depois da matança em Manaus, o governador do Amazonas se esquivou de responsabilidades afirmando que “não havia nenhum santo entre as vítimas” do motim. Os 56 mortos, muitos mutilados, “eram todos assassinos e estupradores”. Na entrada dos centros APAC, entretanto, está escrito: “Aqui entra o homem, o crime fica de fora”. Os horários restritos e a disciplina estão presentes, mas os recuperandos têm muita responsabilidade na gestão.
 
Nem todos podem ser transferidos para um centro APAC. O detento pede a transferência e o juiz decide, mas os principais critérios não são a gravidade do crime ou os anos da pena. A condenação deve ser definitiva e a família deve morar na mesma região do centro solicitado. Na primeira visita de sua mãe, Beto Carvalho se surpreendeu ao vê-la entrar de cabeça erguida em vez de cabisbaixa como no presídio anterior. Desta vez não tinha sido humilhada no registro. Beto não fugiu. Cumpriu a pena, preparou-se para trabalhar e hoje se dedica à paixão que encontrou dentro da prisão: é gerente da Fraternidade Brasileira da Assistência aos Condenados (FBAC), a entidade que agrupa os centros APAC. Em abril contou sua experiência em Madri, junto com Valdeci Antonio Ferreira, diretor da FBAC, no EncuentroMadrid organizado pela ONG Cesal e pela prefeitura da capital espanhola.
 
Fonte: El País
Foto: Reprodução

 
Aos 56 anos, o pastor presbiteriano Antônio Carlos Costa é uma das vozes na luta pelos direitos humanos no Rio de Janeiro. Em 2006, ele fundou a ONG Rio de Paz, a partir de uma manifestação feita na praia de Copacabana e que ficou conhecida em todo o mundo. Contra a chacina que vitimou 19 pessoas, os manifestantes colocaram 19 cruzes na areia da famosa praia. Era também o início de uma transformação no ministério do pastor da Igreja Presbiteriana da Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. “Ali, tomei a decisão de ir para a rua. Eu deixei de ser um teólogo voltado para o ensino da Teologia e passei a ser um militante de direitos humanos”, conta o pastor.
 
Autor dos livros “Convulsão protestante: Quando a teologia foge do templo e abraça a rua” e “Teologia da trincheira: Reflexões e provocações sobre o indivíduo, a sociedade e o cristianismo”, ambos pela Editora Mundo Cristão, ele acompanha as famílias vítimas da violência e testemunha o descaso com estas pessoas, que sofrem com a perda e indiferença do Estado e da sociedade. “O contato com essas famílias faz com que a gente não saia das ruas”, assegura. Com relação à intervenção federal na segurança pública, ele conta que a sociedade do Rio de Janeiro ainda não sentiu a diferença. Sobre a violência no país, ele declara: “Estamos vivendo hoje um banho de sangue no Brasil”.
 
Sobre a resistência de diversos cristãos com o trabalho social, ele afirma: “Não há nenhuma justificativa para o fato de os cristãos brasileiros não verem a luta pela defesa dos direitos humanos como sinal característico da verdadeira santidade de vida”. Para ele, estar ao lado dos mais pobres é ser um sinal de Jesus Cristo.
 
Acompanhe a entrevista concedida a Érika Augusto no programa Sala Franciscana.
 
Franciscanos – Qual das suas vocações nasceu primeiro: jornalista, pastor ou escritor?
 
Antônio Carlos - No final da minha adolescência, meu desejo era ser jornalista. Naquele mesmo período, a minha mente começou a se envolver com as grandes questões da vida, passei a me preocupar com aquilo que até então não me preocupava, as grandes perguntas da Filosofia, quem somos, de onde viemos, para onde vamos. E essas perguntas me levaram para a fé cristã. Pela primeira vez me tornei um discípulo de Cristo. Passei, então, a viver com o propósito de me submeter, moral e intelectualmente, ao Evangelho. Só que as respostas que encontrei no cristianismo foram tão fascinantes, foi algo que me empolgou tanto, me comoveu em tal extensão que falei: vou me dedicar a isso a partir de agora. Vou consagrar minha existência a tornar esta mensagem conhecida pelo maior número possível de pessoas, porque é muito difícil viver sem esperança. Acredito que as respostas do Evangelho atendem às principais demandas do espírito humano.
 
Então, me envolvi com o trabalho pastoral, só que no contato com as Escrituras Sagradas, conheci não apenas o Deus cristão, mas também o ponto de vista do Evangelho sobre o ser humano. O cristianismo exalta muito o homem e a mulher, a ponto de dizer que ambos foram criados à imagem e semelhança de Deus, portanto, devem ser objeto do nosso amor. Por conta dessa antropologia do Novo Testamento, passei a me sentir profundamente incomodado com a violência no Rio de Janeiro e administrei durante muitos anos uma crise, produto do contato com a violência através dos meios de comunicação, sem que me insurgisse contra aquele estado de coisas e procurasse, juntamente a outros cidadãos cariocas, cristãos e não cristãos, fazer oposição à barbárie. No dia 28 de dezembro de 2006, traficantes mataram 19 pessoas no Rio de Janeiro, sendo que destas, 8 pessoas foram queimadas vivas. Ali tomei a decisão de ir para a rua. Deixei de ser um teólogo voltado para o ensino da Teologia e passei a ser um militante de direitos humanos.
 
Atribuo à graça de Deus a ideia que tivemos, que abriu muitas portas, ao fazer uma manifestação que entrou para a história do país. Nós montamos um cemitério, com cruzes pintadas de preto na praia de Copacabana. E, desde aquele dia, os meios de comunicação cobrem as nossas manifestações. Nós usamos desse privilégio, dessa confiança, para dar voz aos sem voz, para dar visibilidade àqueles cuja agonia não é do conhecimento da sociedade, aos que são ignorados pelo Poder Público. Aí, então, nessa dinâmica, surge o desejo de escrever. Passei a escrever para jornais do país e também nas redes sociais. Veio, então, o interesse por apresentar os pressupostos intelectuais da minha militância no campo dos direitos humanos, através de dois livros: “A convulsão protestante”, que foi essa mudança súbita que me levou a protestar nas ruas e “Teologia da trincheira”, que foram os artigos que eu escrevi durante este período em que me senti na trincheira. São 11 anos nas ruas protestando contra a violência e defendendo os direitos humanos, entrando em favela, indo a cemitérios, chorando com os parentes de vítimas. Nesse período, escrevi muito, e esses artigos foram agrupados e se transformaram em livro. Eu tenho três paixões na vida: o amor pela produção de livros, e livros que possam trazer esperança e mobilizem as pessoas para a ação; a paixão pelo jornalismo, de contar histórias, de falar a respeito destas pessoas cuja dor ninguém conhece; e também a pregação do Evangelho, que é uma coisa radicada na minha vida e o encanto continua até hoje.
 
Franciscanos – Quais são as principais atividades realizadas hoje pela ONG Rio de Paz?
 
Antônio Carlos – O Rio de Paz atua em duas áreas: primeiro, a filantropia. Prestamos ajuda aos necessitados, aos pobres, moradores de favelas no Rio de Janeiro. Distribuímos alimentos, cestas básicas, oferecemos ajuda para reconstruir residências, damos cursos profissionalizantes, entre outras atividades. É lamentável ter que dizer isso, mas é um trabalho prejudicado pela violência das favelas, porque as operações policiais ocorrem subitamente e, muitas vezes, chegamos em meio ao tiroteio. Por conta disso, tememos enviar voluntários por receio deles serem vítimas de bala perdida. Já vivemos situações muito aflitivas. Poderíamos estar fazendo muito mais na área da filantropia, porque tem muita gente que nos procura querendo trabalhar em comunidade, mas em razão dos confrontos, não temos feito o que poderíamos e gostaríamos de fazer.
 
O trabalho da ONG que é mais conhecido são as manifestações de rua, que têm como objetivo denunciar a violação de direitos, o abuso de poder, a desigualdade social. Já fizemos várias, em São Paulo, Brasília, Recife, Belo Horizonte, sendo que a maioria está concentrada no Rio. Essas manifestações são o carro-chefe porque são as que dão mais visibilidade para tudo o que fazemos e os efeitos são extraordinários, porque, com a filantropia, a gente oferece uma ajuda pontual aqui e ali. Quando conseguimos, através de uma manifestação, fazer o Estado agir, é diferente. A ação do Estado produz resultados muito mais amplos do que aqueles que nós alcançamos, mas que estão muito aquém do que esse ‘mar de gente’ pobre carece.
 
Franciscanos – Você ministra numa igreja na favela do Jacarezinho e o púlpito que você usa tem marcas de balas. Qual é o sentimento de pregar a Palavra de Deus num símbolo como este?
 
Antônio Carlos - É muito triste. São pessoas que tentamos ajudar e que são ignoradas pelo Poder Público. A sociedade civil toma a decisão de fazer alguma coisa, nós, como nós cristãos, paralelo à defesa dos direitos humanos, através das manifestações e da filantropia, levamos o Evangelho. Estando ali, decidimos ter reuniões regulares para falar de Jesus Cristo àquelas pessoas. No decurso de um 1 ano e 10 meses, em 8 operações policiais, a nossa igrejinha levou 300 tiros de fuzil e pistola e o púlpito onde prego foi atingido por 3 disparos de arma de fogo. Isso também é algo que nos limita profundamente e que gera muita incerteza, porque nunca se sabe quando vai começar o tiroteio e tememos muito pela vida dos moradores, especialmente das crianças. São muitas crianças frequentando esses cultos nas tardes de domingo.
 
Franciscanos – Vocês estiveram no enterro do adolescente Guilherme Henrique, morto no dia 20 de junho na Vila Vintém e também acompanham diversas famílias das vítimas da violência. Como estas famílias ficam diante de uma situação como esta?
 
Antônio Carlos - É uma devastação. Vemos famílias destroçadas, desconjuntadas. É difícil encontrar um adjetivo que traduza, que nos ajude a ter uma ideia do que estas pessoas experimentam. Já vivi situações onde a mãe de uma criança de 1 ano, morta com um tiro de pistola no peito, trouxe o corpo da filha no peito para amamentar, no seu desespero. Já vi gente se jogar dentro da sepultura para arrancar o caixão, recusando-se a enterrar o filho. As pessoas não conseguem voltar a trabalhar, passam a conviver com uma depressão latente. Elas se sentem ignoradas pela sociedade, abandonadas pelo Estado. A autoria do homicídio, em geral, não é elucidada. É um descaso completo. Como se não bastasse o absurdo da perda de um parente querido, essas pessoas têm que lidar com a indiferença de todos. Dependendo do caso, se tiver muita repercussão, as famílias vivem intensamente este tempo, com entrevistas, presença da imprensa, do noticiário e aí passa-se uma ou duas semana e pronto, acabou! Ninguém se lembra mais, vem outro caso, que faz com que esqueçamos do anterior e pronto. Você tem essas vidas marcadas para sempre. Algumas destas pessoas vivem o drama da ideia fixa de ver os criminosos punidos. Então acabam sofrendo muito com isso, e mais ainda com a impunidade. Algumas não conseguem se livrar desse sentimento, que é uma coisa difícil de compreender para quem não passou por essa experiência. A gente observa um forte desejo de ver quem praticou o crime punido pelo que fez.
 
Em geral, esse sentimento de justiça não encontra satisfação no Brasil porque nossas polícias revelam uma grande falta de recursos, de estrutura, para fazer um trabalho investigativo à altura. Por isso, o Brasil é um país que pune muito, e pune mal. Esses que praticam crimes contra a vida, que são os crimes mais graves, como latrocínio, execução extrajudicial, esses não vão para trás das grades porque não se descobre o crime que praticaram. O contato com essas famílias faz com que a gente não saia das ruas. Se hoje você me perguntasse qual é o meu sonho, entre outros é de não ver mais famílias passando pelo que essas famílias, que conheci muito bem, passaram. É uma dor incalculável.
 
Franciscanos – O que você percebe que mudou no Rio de Janeiro depois da intervenção federal na segurança pública?
 
Antônio Carlos - Até agora a sociedade não percebeu mudança. Não estou falando tão somente de um sentimento de insegurança. Esse é generalizado. Mas, muitas vezes, pode ser um sentimento produzido artificialmente, porque as pessoas estão preocupadas com aquilo que não deveria preocupá-las. Quando se vê as estatísticas do Instituto de Segurança Pública, percebe que os números são assustadores.
 
A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece 10 homicídios por 100 mil pessoas por ano como limite. Mais de 10 mortes por 100 mil pessoas por ano é considerado um quadro endêmico pela OMS. O Rio de Janeiro hoje tem 30 pessoas mortas a cada 100 mil, ou seja, estamos atravessando uma endemia. No Brasil, a estatística é a mesma. Tem cidades nordestinas com 90 homicídios a cada 100 mil pessoas. Estamos vivendo hoje um banho de sangue no Brasil. O Rio de Janeiro não é um caso isolado e nem é o Estado mais violento da União. O Nordeste hoje é a região que está atravessando o quadro mais dramático.
 
No Rio, percebe-se que não houve mudança, as pessoas estão ainda sem entender qual é o sentido da intervenção. Não se conhece metas, cronogramas, não há prestação de contas. Sentimos que a interlocução com a sociedade civil também está muito aquém das exigências da democracia e também não estamos vendo mudanças nas estruturas da Polícia Civil e Militar. E o principal, não temos investimento nas favelas, implementação de políticas públicas que tenham como objetivo diminuir a desigualdade social que é a grande causadora dessa desgraça toda.
 
Pode ser que tenha alguma coisa em curso, que esteja oculta aos nossos olhos, até espero que seja isso, porque acredito que as Forças Armadas não estejam brincando com a população. Inclusive há pessoas que passam para as pessoas seriedade. Olhando de longe, parece que há nas Forças Armadas quadros excelentes, de pessoas honestas, gente que passou pelo Haiti, com uma experiência exitosa. Por isso alguns setores da sociedade receberam de bom grado a intervenção federal, acreditando que o êxito no Haiti seria também implementado no Rio de Janeiro. Mas até agora não houve mudança e os números estão aí para provar.
 
Franciscanos – O Papa Francisco, muitas vezes, é taxado como comunista por causa de sua postura, quando se coloca ao lado das pessoas mais necessitadas e cobra esta postura da Igreja. Você também enfrenta essa questão. Na sua opinião, por que alguns setores das Igrejas cristãs e da sociedade veem com maus olhos os cristãos que defendem as causas sociais e os direitos humanos?
 
Antônio Carlos - As respostas são as mais variadas. Não há uma única causa para essa oposição ao movimento de direitos humanos. Não há nenhuma justificativa para o fato de os cristãos brasileiros não verem a luta pela defesa dos direitos humanos como sinal característico da verdadeira santidade de vida. São vários os motivos. Poderia enumerá-los e vou fazer sem seguir uma ordem de importância.
 
Do ponto de vista do protestantismo, percebo uma influência muito grande da Teologia norte-americana. Os pastores, em geral, leem livros produzidos nos Estados Unidos e há setores do protestantismo americano muito contrários ao combate à desigualdade social, à luta pelos direitos humanos, porque trata-se de uma Igreja que não está vivendo o drama da América Latina. São pessoas que não conhecem os problemas sociais que enfrentamos. Muitas vezes, os pastores importam problemas dos Estados Unidos, da cultura americana, e deixam de tratar os problemas do nosso país.
 
Um pastor de uma igreja de classe média americana não tem, no caminho da sua casa pra igreja, que cruzar cinco favelas. Ele não vê corpos estendidos no chão, cravados de balas. Ele não sabe o que é o telefone tocar às 10 horas da noite ter que sair correndo para uma favela, a fim de fazer mediação entre policial e morador. Não têm 62 mil homicídios dolosos nos Estados Unidos. As igrejas sofrem uma grande influência desse tipo de mentalidade.
 
Também faz parte dessa cultura que a função da igreja é somente pregar o Evangelho e que, portanto, essas atividades, que são tidas como seculares, devem ser exercidas por pessoas que não têm as preocupações espirituais que temos. Não tenho a menor dúvida que a missão número um da igreja é pregar o Evangelho. Tanto os nossos amigos católicos e os amigos protestantes, todos nós sabemos que Cristo morreu e esta mensagem tem que ser anunciada, e só nós fazemos isso. Se deixarmos de fazê-lo, ninguém mais o fará.
 
A pergunta que precisa ser respondida é a seguinte: o que esperamos que saia do resultado da catequese, da pregação do Evangelho, do que é ensinado na missa, no culto? Nós esperamos que saiam ‘pequenos Cristos’, pessoas com a identidade de Cristo, parecidas com Jesus, que revelem a beleza de Jesus. Revelar o caráter de Cristo é amar o necessitado, compadecer-se do pobre, do oprimido. Nós vemos Jesus Cristo fazendo isso o tempo inteiro. Sua atividade pública é praticamente dedicada aos oprimidos. Do ponto de vista da cultura protestante do nosso país, esse é o nosso grande pecado, não vemos a luta pela justiça, o combate à violação de direitos, o enfrentamento da desigualdade social como sinais característicos de uma vida autenticamente cristã.
 
Some-se a isso também o desejo de ver a Igreja crescer. Isso é triste. Há uma preocupação profícua de aumentar o número de fiéis. Então, muitos temem que ao se dedicarem a essas tarefas, vão estar impedindo a Igreja de crescer, o que é um contrassenso. Que Igreja vai ter o respeito da opinião pública, da sociedade, se ela se mantiver alheia a estas questões que, muitas vezes, despertam a compaixão até de ateus? Ocorre também muito medo, porque lidar com estas questões é diferente de lidar com o tema do aborto. Estou entre aqueles que creem na santidade do embrião, na santidade do feto. Contudo, ir para as redes sociais e condenar o aborto, fazer manifestação de rua, não põe sua vida em risco. É diferente de condenar aquele que, com arma na mão, está executando pessoas. É uma esquizofrenia muito grande. Quando essa vida nasce, cresce, se transforma num menino negro, morador de favela com 16 anos, você ignora, você não se preocupa com a educação dessa criança, você não se preocupa se essa criança está sofrendo maus tratos ou se ela é vítima de bala perdida. Por que não lutar pelo respeito à santidade da vida humana em todas as fases em que essa vida transcorre?
 
Outra causa que percebemos dessa alienação na sociedade brasileira é uma onda de conservadorismo. Isso é um fenômeno não somente no nosso país, mas em parte da Europa e muito mais nos Estados Unidos. Trata-se de uma febre de conservadorismo de direita muito forte. O discurso dos direitos humanos, do combate à desigualdade, da luta pelos direitos da classe trabalhadora, essas pautas ficaram muito identificadas com a esquerda, elas sempre foram vistas como bandeiras da esquerda. Quando você, portanto, sai em favor dessas demandas do direito e da justiça, você acaba sendo rotulado como marxista, comunista. As pessoas acham que o comunismo e o marxismo são compatíveis com o cristianismo, o que eu discordo. Eu não sou marxista e muito menos comunista. Contudo, as críticas que foram feitas ao capitalismo são críticas que, em parte, qualquer profeta do Antigo Testamento faria. Não vejo por que, com a mente aberta, com o Evangelho em uma das mãos e o jornal na outra, como diz a Carta de Paulo aos Tessalonicenses, não se pode reter o que é bom destas ideologias. Até mesmo no capitalismo, creio que há aquilo que se pode ser aproveitado, aquilo que promova a riqueza, sem dilapidar os recursos naturais e legitimar a exploração do homem pelo homem.
 
Estamos enfrentando hoje uma onda conservadora de direita, que faz com que tudo aquilo que pareça como ideologia de esquerda seja visto com maus olhos. Fazendo isso, estamos deixando de incorporar à práxis cristã algo que está tão presente no discurso dos profetas maiores, dos profetas menores e, acima de tudo, no Sermão da Montanha.
 
Fonte: Franciscanos
Foto: Reprodução

 
No fim do mês passado (25/07), a comissão especial criada na Câmara dos Deputados para discutir o projeto de lei 6.299/2002, que propõe alterações na atual legislação de agrotóxicos, aprovou texto que divide opiniões. De um lado, empresários do agronegócio comemoram o parecer do relator Luiz Nishimori (PR-PR) sob o argumento de que moderniza a aprovação e regulação dos pesticidas. Do outro, organizações de promoção à saúde coletiva e defesa do meio ambiente afirmam que o relatório flexibiliza significativamente o processo, o que representa riscos não só aos trabalhadores do campo, mas também aos consumidores dos alimentos expostos aos agrotóxicos.
 
O pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Ceará Fernando Carneiro engrossa o coro do segundo grupo.Integrante do Grupo Temático Saúde e Ambiente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e coordenador do Observatório da Política Nacional de Saúde Integral das Populações do Campo, da Floresta e das Águas (OBTEIA), ele garante que as mudanças na lei significam um “retrocesso gigantesco”.
 
A entrevista é de Anna Beatriz Anjos, publicada por Agência Pública, 02-07-2018.
 
Para Carneiro, um dos pontos mais críticos trazidos pelo texto – que agora vai a plenário – é a centralização das avaliações de novos produtos e autorização de registros no Ministério da Agricultura, em detrimento da estrutura tripartite de regulação – a lei em vigor determina que os ministérios da Saúde e Meio Ambiente também atuem nas análises. “O processo fica concentrado em um órgão totalmente dominado pelo agronegócio, então o risco é de realmente haver a aprovação de substâncias que possam causar todo tipo de problema”, declara.
 
Eis a entrevista.
 
Por que o senhor considera que o PL 6.299/2002  represente um retrocesso?
 
Há 60 anos, Rachel Carson, bióloga norte-americana, escreveu “A primavera silenciosa”, um clássico da literatura ambientalista, que marca o movimento ambiental mundial e ficou muitos meses entre os livros mais vendidos dos Estados Unidos. Teve uma repercussão tão grande que o governo americano criou uma comissão de pesquisas comprovando tudo o que ela havia pesquisado, o que gerou, inclusive, a criação da agência de proteção ambiental nos Estados Unidos. Nós, em 2015, publicamos o dossiê Abrasco, com quase 700 páginas e mais de 60 autores colocando isso. Só que o que a gente vê hoje com esse PL é que, em vez de fazermos um movimento para cuidar da saúde da população e do meio ambiente, estamos vendo exatamente o contrário. O PL é a liberalização, o desmonte do aparato regulatório brasileiro do registro de agrotóxicos, com a perspectiva de permitir, inclusive, que substâncias muito mais danosas à saúde adentrem nosso mercado. Estamos assistindo a um retrocesso gigantesco. Era para estarmos diminuindo, mas estamos potencializando o uso.
 
Quais riscos – sociais, ambientais e para a saúde pública – essa proposta representa?
 
Vai ter um impacto direto na saúde do trabalhador, do consumidor brasileiro, da população. Você de repente concentra [o processo de avaliação e aprovação dos agrotóxicos] na agricultura, tirando o papel da saúde e do meio ambiente de olhar a questão por seus ângulos – a saúde pela Toxicologia e o meio ambiente pela Ecotoxicologia. O processo fica concentrado em um órgão totalmente dominado pelo agronegócio, então o risco é de realmente haver a aprovação de substâncias que possam causar todo tipo de problema, tanto de saúde quanto de contaminação do ambiente, o que representa um risco à vida como um todo. Os danos causados pelos agrotóxicos são de várias ordens. Isso que querem chamar de defensivo é um veneno, causa efeitos imediatos e crônicos, desde câncer e até diminuição de QI em crianças. Isso para não falar nos impactos na cadeia alimentar, na nossa fauna. É muito grave o que está acontecendo.
 
O uso de agrotóxicos ainda parece um tema distante na realidade urbana – não são todos os consumidores que se preocupam com isso quando vão ao mercado, por exemplo. Quais os riscos à saúde desse consumidor final?
 
Para fazer estudos de seguimento e analisar essas questões, pode-se levar 20, 30 anos. São estudos caros e complexos; há a carga hereditária e a carga ambiental de doenças, é necessário que os estudos controlem esses fatores. Mas isso não tem sido prioridade na ciência brasileira. O agronegócio capitaliza o lucro e socializa o prejuízo: emitir uma amostra de agrotóxico no ambiente pode custar mil reais, e poucos laboratórios fazem isso no Brasil. Estamos liberando uma substância que não temos a capacidade de monitorar e vigiar. É caro e o ônus fica para o setor público – o ônus da pesquisa, da vigilância –, enquanto eles capitalizam em cima disso – e a maior parte dos agrotóxicos no Brasil nem paga imposto, em vários estados eles têm 100% de isenção. O que já se fez nesse sentido foi por meio da Anvisa, através do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos [PARA]. A série histórica que apresentamos no dossiê da Abrasco [com base em dados da Anvisa] dos últimos dez anos mostra que 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros têm uso agrotóxicos e 30% estão irregulares. Então, pelo menos, um terço do que a gente come está fora do padrão, ou seja, tem potencial de dano. Recentemente eles mudaram para essa metodologia de avaliação de riscos e, de um ano para o outro, de repente, esses 30% viraram 1%. A substância é carcinogênica, mas na avaliação de risco, que o PL quer implantar, você tem premissas. Quais são elas? A pessoa vai estar com luva e com máscara. Estando com isso, o risco é aceitável. Agora, vamos olhar para a realidade do Brasil. Como é possível aceitarmos premissas desse tipo sendo que o trabalhador não usa [as proteções], é caro, o patrão não paga o equipamento, que também não é adequado à nossa realidade, é quente. A premissa da avaliação de risco é que tudo isso está funcionando muito bem, cabe tudo no modelo teórico. Esse é o cavalo de troia desse projeto de lei: mudar de avaliação de perigo para avaliação de risco.
 
Outra questão apontada como delicada pelos críticos do projeto é a criação do registro temporário para produtos que já sejam registrados em pelo menos três países membros da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e que obedeçam ao código da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Você pensa da mesma forma?
 
Estão dizendo que existe uma tal burocracia, que leva-se até oito anos para obter o registro de um agrotóxico no Brasil, mas isso é fake news porque compara a estrutura de países como Brasil e Estados Unidos. Na Anvisa há 20 ou 30 técnicos para analisar os pedidos de [registro] de agrotóxicos, na FDA [Food and Drugs Administration], a similar norte-americana, são 700. Aqui uma empresa paga poucos mil reais para fazer o processo de registro, nos Estados Unidos pode chegar a um milhão. A fila aqui é grande porque não se investe na capacidade de órgãos reguladores e porque é barato registrar, sendo que o registro é eterno – para você tirar um produto de circulação, tem que fazer uma reavaliação a partir de denúncia etc. O registro temporário é para forçar a barra e, em vez de investir na capacidade de análise dos órgãos – fazendo concurso, pagando equipe –, colocar uma faca no pescoço do órgão e dizer “se você não liberar o pedido em dois anos, o produto entra no mercado”. Eles falam dos problemas, mas o PL não é solução para nenhum deles. Ele está longe de resolver o problema da população, só resolve o problema das empresas. Vai virar o paraíso dos agrotóxicos, porque já é barato e eterno, vai poder tudo.
 
Ao discutir a flexibilização da legislação de agrotóxicos, o Brasil segue uma tendência mundial ou vai na contramão dos países mais desenvolvidos?
 
Vai totalmente na contramão. Na Europa, foram colocadas mais restrições [ao uso de agrotóxicos]; a própria China, que tem um modelo selvagem de desenvolvimento, tem feito ações desse tipo. O Brasil está na contramão da história mundial. Lembra um pouco a década de 80, na época de Cubatão, em que os militares diziam “poluição, venha a nós, poluição é desenvolvimento”. Está muito parecido.
 
Em contraposição ao PL 6.299/2002 , seus críticos defendem a Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNARA), transformado em projeto de lei que tramita na Câmara. É possível reduzir o uso de agrotóxicos sem repensar o modelo de produção agropecuário que hoje vigora no Brasil?
 
O Brasil adotou um modelo que chamamos de neoextrativismo. Basicamente, nas últimas décadas nos desindustrializamos e a economia foi puxada pela exportação de bens primários, tanto agrícolas como minerais. Houve o tempo da bonança, mas depois, com a crise e a queda dos preços, esse modelo entrou em colapso. O agrotóxico simboliza o modelo capitalista selvagem. Um modelo que distribua renda e preserve os ecossistemas, acho que seria possível apenas com a aplicação plena da agroecologia.
 
Recentemente estive no Encontro Nacional de Agroecologia, o ENA, em Belo Horizonte, onde mais de 70% [do público] era de agricultoras e agricultores. Eles contam que começam a fazer a transição agroecológica, aí vem o vizinho com o avião, [pulveriza] o agrotóxico e as pragas fogem para onde? Para as áreas onde não há veneno. Isso causa um problema. Outra situação: escutei vários agricultores que têm caixas de abelhas, aí vem o avião e mata tudo. Vem a deriva [produzida quando o agrotóxico ultrapassa os limites da área que se pretende atingir], vai para a propriedade vizinha e dizima as abelhas. Há também casos de aviões sendo utilizados como forma de expulsar indígenas de suas terras, usados como arma de guerra. O PNARA surge quase como uma transição: vamos pelo menos reduzir o uso de agrotóxicos e trabalhar para fortalecer a agroecologia, porque é muito desigual o apoio de um modelo em relação ao outro. Quando se definiu que 30% da merenda escolar tem que ser proveniente de agricultura familiar, preferencialmente agroecológica, foi uma canetada que ajudou a desenvolver a agroecologia em todo país. Uma simples medida como essa. É possível criar formas de promover um modelo em relação ao outro, pois historicamente a gente vê o contrário. O agricultor que quer plantar sem veneno tem até hoje dificuldade de conseguir empréstimo no banco, porque se exige a nota fiscal fiscal do veneno, do adubo químico. É muito difícil convencer o gerente que não é necessário gastar com isso, que é possível gastar com outras coisas.
 
Fonte: IHU Online / Agência Pública
Foto: Reprodução

 
No santuário-museu dos mártires coptas decapitados em uma praia na Líbia por terroristas afiliados ao Daesh, em janeiro de 2015, ao lado dos caixões usados para transportar os corpos da Líbia para o Egito são custodiadas como relíquias também as algemas que prendiam as mãos dos mártires enquanto eram mortos, assim como o que restou dos uniformes de cor laranja, que os executores do Daesh colocavam em suas vítimas antes das macabras execuções, sempre filmadas e divulgadas na Internet. 
 
O museu-santuário foi inaugurado recentemente por Anba Befnosios, bispo copta-ortodoxo de Samalut, na Catedral construída para custodiar os restos mortais dos mártires, no povoado egípcio de Al-Our, Província de Mina.
 
Entre os objetos expostos, há também as moedas encontradas nos bolsos dos egípcios martirizados, seus sapatos, alguns documentos de identidade e os registros de trabalho feitos por dois deles, onde eram descritas as atividades realizadas no dia a dia.
 
Não renegaram a própria fé
 
As famílias dos mártires - refere Wataninet - expressaram sua alegria com a inauguração do museu, que servirá para prestar homenagem "pela glória de Deus manifestada nos mártires, que nunca renegaram a própria fé."
 
Os 20 coptas egípcios e o seu companheiro de trabalho ganês, haviam sido sequestrados na Líbia no início de janeiro de 2015. O vídeo de sua decapitação foi disponibilizado online por sites jihadistas em 15 de fevereiro.
 
Inscritos no livro dos mártires coptas
 
Apenas uma semana após a notícia do massacre, o Patriarca copta-ortodoxo Tawadros II decidiu inscrever os nomes dos 21 mártires no Synaxarium, o livro dos mártires da Igreja Copta, determinando que a sua memória fosse celebrada em 15 de fevereiro.
 
Repatriação dos restos mortais
 
Os restos mortais dos coptas foram identificados no final de setembro passado em uma vala comum na costa da Líbia, perto da cidade de Sirte. Seus corpos foram encontrados com as mãos amarradas atrás das costas, vestidos com os mesmos macacões laranja que usavam no vídeo macabro feito pelos autores no momento da decapitação. Também as cabeças dos decapitados foram encontradas ao lado dos corpos.
 
A repatriação dos restos mortais dos mártires do Egito, repetidamente anunciadas pela mídia egípcia, levou mais tempo do que o esperado e acabou ocorrendo somente em meados de maio deste ano. Neste meio tempo, a análise de DNA permitiu identificar cada um dos 21 mártires.
 
Repetem "Senhor Jesus Cristo" antes de morrer
 
"O vídeo que retrata a sua execução – declarou na época à Ag. Fides Anba Antonios Aziz Mina, bispo emérito da Igreja Católica Copta de Guizé - foi construído como uma encenação cinematográfica , com a intenção de espalhar o terror. No entanto, naquele produto diabólico de ficção e horror sangrento, vemos que alguns dos mártires, no momento de sua execução bárbara, repetem "Senhor Jesus Cristo". O nome de Jesus foi a última palavra que surgiu em seus lábios. Como na paixão dos primeiros mártires, eles se entregaram àquele que logo os receberia. E assim eles celebraram sua vitória, a vitória que nenhum carrasco poderá tirar deles. Esse nome sussurrado no último instante era como o selo do seu martírio." 
 
Fonte: Agência Fides
Foto: ANSA

 
As Igrejas Católica e Ortodoxa Russa prosseguem com o plano de reconstrução de igrejas cristãs e mosteiros destruídos durante a guerra na Síria, confirmou no sábado à Ag. Tass o Metropolita Hilarion de Volokolamsk, presidente do Departamento de Relações Exteriores da Igreja Ortodoxa Russa.
 
A criação de um grupo de trabalho entre as duas Igrejas havia sido anunciado em outubro de 2017. A Ação não se limita à reconstrução de igrejas, mas também de moradias, “questão para a qual são necessário tanto os esforços do Estado como da Igreja”, disse o Metropolita na ocasião.
 
"Nós assumimos a reconstrução, e algumas igrejas e mosteiros estão sendo reconstruídos agora. Em particular, o trabalho de restauração está chegando ao fim em Maaloula. É um dos principais locais sagrados da Igreja Ortodoxa de Antioquia, um convento construído no local onde a língua aramaica era falada até há pouco", disse Hilarion. "As monjas foram forçadas a deixar o local, mas agora esperamos que elas possam regressar."
 
O Metropolita admitiu que as condições continuam tensas na Síria.
 
"Por outro lado, temos que começar com algo e já começamos sem esperar pelo momento em que as condições sejam as ideais. Talvez, este momento não chegará logo", disse ele.
 
O conflito que martiriza a Síria teve início em março de 2011, com protestos que pediam a renuncia de Bashar Al-Assad, sendo duramente reprimidos. De revolta civil, o conflito assumiu proporções inimagináveis na época, envolvendo potências regionais e internacionais..
 
Antes do conflito, a população síria era de 20 milhões de habitantes. Segundo a Agência das Nações Unidas para os Refugiados, cerca de cinco milhões de sírios abandonaram o país devido ao conflito. Cerca de 500 mil vivem em campos de refugiados e 470 mil perderam a vida.
 
Fonte: Vatican News
Foto: AFP or licensors

 
Após dois estudantes terem sido mortos dentro de uma igreja, bispos nicaraguenses convocaram um protesto pacífico contra a escalada da violência no país. Os alunos foram para a igreja tentar se proteger dos ataques de grupos paramilitares ligados ao governo.
 
“Hoje, como nunca, os direitos humanos estão sendo violados na Nicarágua”, diz o comunicado, pedindo aos fiéis que fiquem jejum na próxima sexta-feira (20) . Os bispos fazem ainda um apelo a todos “especialmente aos policiais, militares e demais funcionários públicos” que não apoiem “direta ou indiretamente” as ações do presidente Daniel Ortega e seu partido político.
 
Em menos de três meses, mais de 260 pessoas foram mortas na Nicarágua – muitas delas universitários. O estopim dos protestos foi uma reforma da previdência, no dia 18 de abril, que acabou sendo revogada. Mas as manifestações continuaram e se transformaram em um movimento nacional contra a violenta repressão, que sofreu uma nova escalada nos últimos dias, com ataques contra igrejas e o clero.
 
A pedido do governo, a Igreja Católica aceitou mediar um diálogo com setores da sociedade civil (estudantes, agricultores, empresários e organizações de defesa dos direitos humanos) para superar a crise. Um dos requisitos era a participação de organismos internacionais – como a Comissão Interamericana da Direitos Humanos (CIDH) – na investigação das mortes, das prisões arbitrárias e dos ataques, ocorridos durante as manifestações.
 
 A CIDH, entidade da Organização dos Estados Americanos (OEA), já apresentou dois relatórios. Ambos responsabilizam as forças de segurança, franco-atiradores e grupos paramilitares, simpatizantes do governo, pelas mortes. Um grupo de investigadores analisou provas balísticas, depoimentos das vítimas e imagens e concluiu que o governo nicaraguense está “atirando para matar”.
 
O governo rejeitou a conclusão dos dois relatórios da CIDH, alegando que foram parciais, mas permitiu que a comissão continue investigando as denúncias.
 
Ortega fez história na Nicarágua, liderando a Revolução Sandinista de 1979, que acabou com a ditadura de Anastasio Somoza. Porém a guerra civil continuou até 1990. Em 2016, Ortega conquistou o terceiro mandato presidencial consecutivo e elegeu a mulher vice-presidente. A votação - sem a presença de observadores internacionais – foi questionada pela oposição e também por antigos aliados do ex-guerrilheiro.
 
Áudios
 
A situação na Nicarágua tem sido acompanhada diariamente pelo secretario-executivo da CIDH, o brasileiro Paulo Abrão, que tem recebido áudios e vídeos dos últimos acontecimentos no pequeno país centro-americano. 
 
Várias gravações, transmitidas em tempo real, registram o som de tiroteios. Ao mesmo tempo, o governo nicaraguense mostrava imagens de festejo dos 39 anos da Revolução Sandinista. Antigos guerrilheiros acusam Ortega e a mulher e vice-presidente, Rosario Murillo, de querer instalar uma dinastia política e corrupta – igual a de Somoza. 
 
Em entrevista à Agência Brasil, Abrão disse que as forças de segurança e os paramilitares ligados ao governo “atiraram para matar”. Segundo ele, ocorreram duas etapas. Na primeira, Ortega reconheceu que havia problemas e pediu ajuda apara solucionar-lós. “Nesta segunda fase, Ortega está negando os fatos e responsabiliza a violência ao confronto entre grupos a favor e contra do governo”, disse.
 
Com informações da Agência Brasil
Cristobal Venegas/Associated Press

 
Em uma análise entre mais de 125 países, incluindo o Brasil, um estudo descobriu que a corrupção é menor onde mais mulheres participam do governo.
 
Publicado no "Journal of Economic Behavior & Organization" pelos pesquisadores Chandan Jha e Sudipta Sarangi, o estudo revela ainda que a representação das mulheres na política local também é importante. Na política local da Europa, por exemplo, a probabilidade de suborno é menor nas regiões com maior representação de mulheres.
 
"Esta pesquisa ressalta a importância do empoderamento das mulheres, sua presença em cargos de liderança e sua representação no governo", disse Sarangi, professor de economia e chefe de departamento da Virginia Tech, nos EUA.
 
"Isso é especialmente importante porque as mulheres continuam sub-representadas na política. Na maioria dos países, incluindo os Estados Unidos".
 
No Brasil, a lei em vigor atualmente prevê que pelo menos 30% dos candidatos devem ser do sexo feminino. Em 2016, contudo, as mulheres representaram 86% dos 18,5 mil candidatos que não receberam voto - segundo especialistas, a lei incentivaria "candidaturas laranjas", de candidatas registradas apenas para cumprir a cota.
 
A pesquisa de Jha e Sarangi é o estudo mais abrangente sobre esse tópico e examina as implicações da presença de mulheres em outras ocupações, incluindo a participação de mulheres na força de trabalho, cargos administrativos e cargos de tomada de decisão, como os CEOs.
 
O estudo concluiu que é na formulação de novas políticas que as mulheres podem ter um impacto sobre a corrupção.
 
"Isso pode dever-se ao fato de que mulheres formuladoras de políticas tendem a favorecer políticas que melhoram coisas como a provisão de bens públicos, saúde, educação e bem-estar infantil".
 
Ou seja, esses resultados não significam necessariamente que as mulheres sejam inerentemente menos corruptas que os homens.
 
"Nosso estudo sugere que a política é uma área onde a igualdade é importante na medida em que pode ajudar a reduzir a corrupção", explica Sarangi, em entrevista ao G1.
 
Metodologia
 
O estudo usa uma técnica estatística, conhecida como análise de variáveis instrumentais, para estabelecer a causalidade na relação entre mulheres e corrupção, já que não se pode afirmar que geneticamente as mulheres são menos ou igualmente corruptas que os homens.
 
Pode-se acreditar que a relação entre gênero e corrupção tende a desaparecer à medida que as mulheres ganham igualdade no status social. Isto aconteceria porque, conforme o status das mulheres melhora, elas poderiam obter acesso às redes de corrupção e, ao mesmo tempo, aprenderiam a se engajar em atividades corruptas. Mas o estudo indica justamente o contrário.
 
Quanto maior a igualdade de status dos países em que há mais mulheres no governo, menor é o nível de corrupção.
 
O estudo sugere que são as políticas formuladas por mulheres que geram impacto na corrupção: "Descobrimos que os países onde as mulheres têm status social semelhante ao dos homens - por exemplo, em países mais desenvolvidos, eles ainda reduzem a corrupção e não a aumentam. Portanto, fazemos essa afirmação. É porque buscam políticas diferentes", diz Sarandi.
 
"Isso porque, mesmo nesses países, mais mulheres na força de trabalho, ou em cargo administrativo ou gerencial, não reduzem a corrupção. Só tem impacto quando estão presentes no parlamento".
As implicações políticas do estudo apontam para a necessidade de promover a igualdade de gênero em geral e, em especial, promover a presença de mulheres na política . Pesquisas anteriores estabeleceram que uma maior presença de mulheres no governo também está associada a melhores resultados de educação e saúde.
 
O estudo analisou dados de 150 países, dentre eles o Brasil, e escolheu os países que tinham os dados necessários para o estudo para que não houvesse parcialidade na escolha.
 
Fonte: G1
Foto: AAP/Mick Tsikas/via REUTERS

 
Juvencídio (jovemcídio) é uma categoria criado por José Manuel Valenzuela e que representa o assassinato amplo e impune de jovens portadores de identidades desacreditadas. O conceito busca ir além de uma simples comprovação do maior índice de mortes violentas neste segmento da sociedade, explorando a fundo as dinâmicas de estigmatização, criminalização e aniquilação construídas em torno do sujeito jovem.
 
Na Constituição brasileira (Art. 227) está expresso que “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.
 
No Estatuto da Juventude, Lei nº 12.852/2013, no capítulo “Dos Direitos dos Jovens” estão assegurados os direitos à Cidadania, à Participação Social e Política e à Representação Juvenil; à Educação; à Profissionalização, ao Trabalho e à Renda; à Diversidade e à Igualdade; à Saúde; à Cultura; Direito à Comunicação e à Liberdade de Expressão; ao Desporto e ao Lazer; ao Território e à Mobilidade; à Sustentabilidade e ao Meio Ambiente e direito à Segurança Pública e ao Acesso à Justiça.
 
No momento em que o Brasil passa pela oportunidade da “Onda Jovem” – 50 milhões de jovens entre 2003 e 2022 –, com estabilidade da população jovem ao longo de 20 anos, mais que demonstrar, queremos denunciar a negação de direitos elencados acima e negados à juventude brasileira, especialmente os direitos à educação, à segurança pública e ao acesso à justiça e à vida.
 
No ensino médio (EM), com 7.930.384 matrículas, apenas 68% da população jovem frequentam a escola e 82% dos jovens que concluem o ensino médio não acessam a universidade (Censo Inep 2017). O abandono e a evasão escolar, especialmente no primeiro ano, são muito elevados. O Brasil tem 1,7 milhão de pessoas entre 15 a 17 anos fora do ensino médio e, somente 64% dos jovens entre 25 a 29 anos completaram esta etapa. Na média da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), esta proporção chega a 85% e em Portugal são 97%.
 
Considerando apenas estes dados oficiais fica evidenciado que o art. 205 da Constituição Federal, bem como art. 2º da Leis de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBen), que definem que “a educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho”, estão sendo negligenciados e negados aos jovens brasileiros. O congelamento de investimentos em educação pelos próximos 20 anos (PEC 95), a redução dos investimentos em programas de financiamento estudantil e a estagnação do PNE 2014-2024 condenam a maioria da “onda jovem” brasileira à ignorância, a alienação e a manipulação fácil.
 
Por falta de segurança e justiça o Brasil mata seu futuro a bala. Desde 2014 ultrapassamos os 60 mil homicídios por ano, sendo a grande maioria crianças, adolescentes e jovens. A cada 24 horas, 29 crianças e adolescentes entre 1 e 19 anos de idade são assassinadas no Brasil, uma sala de aula inteira morta por dia. A grande maioria das vítimas é negra. E o mais assustador é que no período de 1980 a 2013 este número cresceu 475%, e segue em tendência de alta. Comparado com outros 85 países, o Brasil fica em 3º lugar no ranking de homicídios de crianças e adolescentes, atrás apenas de México e El Salvador, nações que enfrentam sérios problemas de disputa de gangues e cartéis de drogas (El País, 30/06/2016).
 
O Atlas da Violência de 2018 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) evidencia que o direito à vida e a segurança pública no Brasil estão, como a educação, negligenciados e negados, causando um verdadeiro genocídio da juventude brasileira. Em 2016, o Brasil alcançou a marca histórica de 62.517 homicídios. Isso equivale a uma taxa de 30,3 mortes para cada 100 mil habitantes, que corresponde a 30 vezes a taxa da Europa. Apenas nos últimos dez anos, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil.
 
Segundo o próprio Ipea, quando analisamos a violência letal contra jovens, verificamos, sem surpresa, uma situação ainda mais grave e que se acentuou no último ano: os homicídios respondem por 56,5% da causa de óbito de homens entre 15 a 19 anos. Entre os jovens, há uma desigualdade das mortes violentas por raça/cor, que veio se acentuando nos últimos dez anos, quando a taxa de homicídios de indivíduos não negros diminuiu 6,8%, a taxa de vitimização da população negra aumentou 23,1%. Assim, em 2016, enquanto se observou uma taxa de homicídio para a população negra de 40,2, o mesmo indicador para o resto da população foi de 16, o que implica dizer que 71,5% das pessoas que são assassinadas a cada ano no país são pretas ou pardas.
 
O Brasil mata e mata muito. Entre 2001 e 2015 houve 786.870 homicídios, sendo a enorme maioria (70%) causados por arma de fogo contra jovens negros. Estes dados comparados com conflitos internacionais são mais graves. No conflito sírio, morreram 330.000 pessoas desde 2011. Na guerra do Iraque, desde 2003, foram 268.000 mortes. Portanto, o Brasil, com 210 milhões de habitantes, é o país que mais mata no século XXI.
 
Se agregarmos as mortes por suicídio – quarta causa de mortes de jovens no Brasil -, e os acidentes de trânsito, que representam a principal causa de morte entre os jovens de 15 e 29 anos no mundo, o juvenicídio está evidenciado.
 
Para Valenzuela (2015), estudioso mexicano do tema, o juvenicídio se constitui de diversos fatores que incluem a precarização, pobreza, desigualdade, estigmatização, tendo como eixo central a estratificação social baseada em relações de subalternização. Nesse sentido, o juvenicídio inicia com a precarização da vida dos jovens, a ampliação da sua vulnerabilidade e a diminuição das opções disponíveis para que possam desenvolver seus projetos de vida. O Brasil pratica o juvenicídio porque, além de estar matando os jovens, assassina seus projetos de vida e seus sonhos, reduzindo, por opção política, os investimentos em cultura, educação, ciência, esporte e geração trabalho e renda. A triste consequência, mais de 62% dos jovens desejam deixar o país que se fecha para eles!
 
Fonte: Extra Classe
Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

 
A Associação Brasileira das Empresas Estaduais de Saneamento (Aesbe) e a Associação Nacional dos Serviços Municipais de Saneamento (Assemae) divulgaram nota de repúdio à Medida Provisória assinada por Michel Temer na última sexta-feira (6).
 
De acordo com a Aesbe, a medida que Temer considera "mais uma reforma do seu governo" é na verdade uma "proposta equivocada e autoritária, que não busca o bem comum da nação brasileira, mas abrir o mercado para as empresas privadas apenas nos municípios rentáveis". Segundo a Assemae, o "documento representa o abuso de poder da União frente aos 5.570 municípios brasileiros, com prejuízos imediatos para a universalização do acesso aos serviços públicos de água e esgoto no país, sobretudo, em regiões mais pobres".
 
Enquanto o ministro das Cidades, Alexandre Baldy, considera a MP o novo marco regulatório, que dá segurança jurídica para que empresas privadas também invistam no setor – já que atualmente mais de 90% dos investimentos de saneamento básico no Brasil são realizados por companhias estatais – a Aesbe afirma tratar-se de uma medida que "chega ao absurdo de obrigar os municípios a perguntarem previamente ao setor privado se tem interesse na concessão. Se tiver, haverá licitação. Se não tiver, será operada pelos estados". O Senado já abriu uma consulta pública sobre o tema. Clique aqui e dê sua opinião.
 
ONU é contra
 
A privatização do saneamento básico é vista com ressalvas pela Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o relator especial das Nações Unidas sobre o tema, o brasileiro Léo Heller já afirmou diversas vezes, "as empresas privadas não investem o suficiente e adota política de exclusão de populações mais pobres, impondo tarifas mais altas. Além disso, não atingem as metas dos contratos”. Segundo ele, o próprio Banco Mundial, antes defensor das privatizações no saneamento, já reconheceu que as privatizações não são uma “panaceia para todos os problemas”.
 
CONIC com informações do Brasil de Fato e da Assemae
Foto: MARCELLO CASAL JR (AG. BRASIL)