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O Papa Francisco enviou uma mensagem ao Patriarca Ecumênico de Constantinopla Bartolomeu I, por ocasião do Simpósio Internacional “Rumo a uma Ática mais verde: preservando o planeta e protegendo as pessoas”. O evento foi realizado em Atenas, na Grécia, de 5 a 8 de junho.
 
Francisco, em sua mensagem, recordou a visita que realizou à cidade de Lesbos, ilha grega que fica na região nordeste do Mar Egeu, quando o Santo Padre e Bartolomeu I discutiram a situação trágica dos imigrantes e refugiados da região. “Enquanto nos encantávamos com o céu azul e o mar, fiquei amarrado ao pensamento de que um lugar tão lindo havia se tornado uma tumba para homens, mulheres e crianças que em sua maioria fugiam das condições desumanas de suas terras natais”, lembrou.
 
O Sucessor de Pedro ainda recordou uma de suas cartas encíclicas, a Laudato Si – sobre o cuidado da casa comum, em que o pontífice afirma que podemos condenar as gerações futuras a um lar relegado às ruínas. “Hoje, devemos fazer uma simples pergunta: ‘qual é o mundo que queremos deixar para aqueles que nos sucederão, às crianças que estão crescendo agora?’ Com relação à crise ecológica, devemos empreender um sério exame de consciência sobre a proteção do planeta confiado aos nossos cuidados”, afirmou o Papa.
 
Cuidar da criação, que deve ser vista como um dom comum e não como propriedade privada, implica o reconhecimento e o direito de cada pessoa, afirma Francisco. “A atual crise ecológica que afeta agora toda a humanidade está enraizada no coração humano”, alerta o pontífice para, em seguida, citar uma passagem da Laudato Si: “A violência presente em nossos corações, ferida pelo pecado, também se reflete nos sintomas de doenças evidentes no solo, na água, no ar e em todas as formas de vida”.
 
Francisco pede que todos os cristãos se unam para enfrentar o desafio da crise ecológica e que cooperem para uma resposta inequívoca. “O Dia Mundial de Oração pela Criação é um passo nessa direção, pois demonstra nossa preocupação e aspiração compartilhadas de trabalhar juntos para enfrentar essa questão delicada”, pondera o Santo Padre. “É minha firme intenção que a Igreja Católica continue a caminhar junto com Vossa Santidade e o Patriarcado Ecumênico ao longo deste caminho”, finalizou.
 
Por Canção Nova, com Boletim da Santa Sé
Foto: Pixabay

 
As políticas de austeridade adotadas no Brasil contra a crise econômica poderão levar a um aumento de 8,6% da taxa de mortalidade infantil no País até 2030, em comparação a um cenário no qual os programas de proteção social não tivessem sua cobertura reduzida. A conclusão é de um estudo realizado por um grupo internacional de cientistas e publicado nesta terça-feira, 22, na revista PLOS Medicine.
 
Na projeção dos pesquisadores, sem a política de austeridade econômica, nos próximos 12 anos serão evitadas 124 mil internações e 20 mil mortes de crianças até cinco anos de idade. 
 
Para fazer a estimativa, os pesquisadores se basearam em simulações do Banco Mundial, do  Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e em dados do Ministério do Desenvolvimento Social e do Ministério da Saúde. A partir dessas informações, eles desenvolveram um modelo estatístico de simulação detalhada dos efeitos das mudanças nas taxas de pobreza e nos programas sociais, entre 2017 e 2030, em cada um dos 5.507 municípios brasileiros.
 
Participaram do estudo cientistas do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (UFBA), do Imperial College London (Reino Unido), da Universidade Stanford (Estados Unidos), da Universidade Harvard (Estados Unidos), da Fundação Oswaldo Cruz em Minas Gerais (Fiocruz Minas), do Ipea e da Universidade de São Paulo (USP).
 
De acordo com o primeiro autor do estudo, Davide Rasella, pesquisador da UFBA e do Imperial College, os resultados mostraram  também que o impacto negativo das políticas de austeridade é maior nos municípios mais pobres e se deve especialmente ao iminente aumento da pobreza e à redução da cobertura dos programas sociais, em particular o Bolsa Família e o Saúde da Família.
 
"O nosso estudo sugere que uma redução da cobertura dos programas de redução da pobreza e de atenção básica à saúde podem resultar em um substancial número de mortes evitáveis de crianças no Brasil. Essas medidas de austeridade terão impacto desproporcional na mortalidade infantil nos municípios mais pobres, revertendo tendências anteriores de redução da desigualdade nos resultados relacionados à saúde infantil", disse Rasella ao Estado.
 
As centenas de simulações feitas pelos pesquisadores consideraram variados cenários de duração da crise econômica e de magnitude dos cortes nos programas sociais. Em todos os cenários a mortalidade infantil foi afetada.
 
Segundo Rasella, um documento do Banco Mundial que estimava o aumento da pobreza em 2016 e 2017 em decorrência da crise econômica serviu de base para a elaboração do modelo matemático utilizado no estudo. Ele se baseia em micro-simulações para modelar  características individualizadas dos dados - neste caso, as informações específicas sobre todos os municípios - e associar a elas probabilidades de resultados em políticas públicas.
 
"Utilizamos a mesma matemática envolvida nesse estudo do Banco Mundial. A micro-simulação é cada vez mais utilizada em epidemiologia e é especialmente útil para avaliar ao mesmo tempo os impactos das políticas públicas em geral e em subgrupos pré-determinados. Nós utilizamos esse modelo para estudar as consequências da macroeconomia na saúde da população", afirmou Rasella. 
 
Assim, os pesquisadores partiram de dois conjuntos de dados. O primeiro consiste nas variáveis demográficas e socioeconômicas específicas de cada município, incluindo as tendências ao longo do tempo com o impacto dos programas sociais. O segundo é a magnitude do efeito de todas as variáveis independentes de mortalidade e hospitalização infantil. 
 
"Graças à riqueza dos dados que temos nas mãos, pudemos simular não só o comportamento da população em geral, mas de cada município", disse Rasella. "Os dados que utilizamos para nossas simulações não foram calculados pelo nosso grupo, mas pelos próprios Ministérios da Saúde e do Desenvolvimento Social. Produzimos essas simulações com algumas das técnicas mais sofisticadas que existem à disposição", acrescentou.
 
Para as previsões de mudanças demográficas foram utilizados dados do IBGE. Para a previsão da redução da cobertura do Bolsa Família e do Saúde da Família foram empregados dados dos próprios ministérios responsáveis pelos programas, além de simulações dos efeitos da Emenda Constitucional 95 produzidas pelo Ipea. 
 
Essas previsões foram simuladas de acordo com diferentes cenários em relação à situação econômica do País e em relação às políticas a serem adotadas - de austeridade ou de manutenção do programas sociais.
 
De acordo com outro dos autores do estudo, Romulo Paes-Sousa, pesquisador da Fiocruz Minas, o estudo mostra que os resultados das políticas de austeridade não se limitam à economia, mas acabam tendo efeitos sobre todas as políticas públicas e sobre o bem estar da população.
 
"Fizemos um grande número de simulações e nosso trabalho foi extremamente rigoroso. Algumas conclusões são previsíveis, mas é importante quantificar esses números. O alerta que queremos fazer é que as variáveis socioeconômicas precisam ser consideradas quando se toma uma decisão que tem impactos no orçamento público. O impacto no bem estar da população pode ser muito grande se não levarmos isso em conta", afirmou Paes-Sousa.
 
Teto de gastos. De acordo com os pesquisadores, a medida de austeridade com maior impacto foi a Emenda Constitucional 95, aprovada em dezembro de 2016, que congela os gastos públicos por 20 anos. O estudo aponta que, com a emenda, não há possibilidade de um crescimento real dos investimentos em proteção social e em saúde. Com o crescimento e envelhecimento populacional previsto, o impacto negativo da emenda na saúde é inevitável. 
 
Segundo Rasella, para evitar uma degradação das condições de saúde seria preciso manter os níveis de investimento compatíveis com o crescimento dos níveis de pobreza verificados após a crise econômica. 
 
"Nossa modelagem mostra como deveria ser um sistema de proteção social satisfatório, seja do ponto de vista da assistência social ou da assistência à saúde. Nosso foco não é a crise econômica, mas as medidas de austeridade, que terão um impacto duradouro de 20 anos. Não podemos nos ater à simples variação do PIB, porque essa é uma medida muito geral da economia e não reflete a dinâmica da pobreza. No ano passado tivemos um pequeno crescimento do PIB, mas a pobreza aumentou."
 
Recursos. Em nota, o Ministério da Saúde disse que a Emenda Constitucional 95/2016 não congelou os recursos para a saúde. "Estabeleceu que, para a União, as aplicações mínimas em ações e serviços públicos em saúde já a partir de 2017 seriam de 15% da Receita Corrente Líquida (RCL) e, a partir de então, o piso seria corrigido pela inflação. A regra anterior previa o percentual de 15% da RCL a ser alcançado apenas em 2020. Com essa antecipação, a saúde ganhou R$ 10 bilhões a mais já no ano passado", disse. A nova norma protegerá a saúde de ter seu piso de gastos reduzido em momentos de contração da economia e de queda de receita, acrescentou a pasta.
 
O Ministério disse ainda que destina recursos crescentes para a saúde pública. "Em 2017, foram executados R$ 126,9 bilhões, sendo R$ 115,3 bilhões especificamente as Ações e Serviços Públicos de Saúde (ASPS). Para 2018, o orçamento aprovado pelo Congresso Nacional é de R$ 131,2 bilhões, sendo R$ 119,3 bilhões para ASPS."
 
Fonte: Estadão
Foto: Reprodução / PLOS Medicine

 
 
Entrevista con el pastor Martin Robra (foto acima, esq.), por Antonio Spadaro (foto acima, dir.).
 
Mi encuentro con el pastor Martin Robra tuvo lugar el 27 de mayo de 2017 en Villars-sur Glâne, a pocos kilómetros de Ginebra. Él comenzó a trabajar en el Consejo Mundial de Iglesias (CMI, en inglés World Council of Churches [WCC]) en 1994, y en 2006 pasó a ser cosecretario del grupo mixto de trabajo entre el Consejo y la Iglesia católica, instituido en 1965. Con el pastor Robra había hablado del encuentro en Lund en ocasión de la conmemoración de los 500 años de la Reforma. En esa ocasión comentamos cómo todos los discursos estuvieron centrados en el futuro, y no en el pasado, y él me expresó el deseo y la expectativa de una visita del papa Francisco a la sede del CMI en Ginebra.
 
Recordando esas expectativas y esperanzas compartidas regresé a verlo en la vigilia del viaje del papa a Ginebra a fin de dialogar sobre esta visita, que se produce en el contexto de las celebraciones de los 70 años de la fundación del Consejo, que tuvo lugar en Ámsterdam el 22 de agosto de 1948. El papa se encontrará con el órgano de gobierno del CMI, el Comité Central, compuesto por 150 representantes electos.
 
Martin Robra —casado con Barbara Siebel y padre de cinco hijos— es pastor de la Iglesia evangélica de Westfalia, Alemania.
 
¿Qué es el Consejo Mundial de Iglesias? Dinos algo sobre su historia, sus comienzos, su significado…
 
En 1921 el patriarca ecuménico de Constantinopla escribió una carta a las otras Iglesias cristianas proponiendo la formación de una koinonía de Iglesias, una alianza o una comunión de Iglesias en el apoyo recíproco para facilitar su testimonio común en el mundo. Dicha entidad debía convertirse en un instrumento para la promoción de la unidad de los cristianos. No obstante, el CMI no debe verse como una organización centralizada con sede en Ginebra o como tentativa de crear una «Iglesia mundial». El CMI es la comunidad fraterna de 348 Iglesias provenientes, en su mayoría, de tradiciones ortodoxas, anglicanas y protestantes, y comprende también un cierto número de Iglesias pentecostales y de Iglesias africanas independientes. Para las Iglesias que lo integran, el CMI significa caminar juntos con confianza recíproca. En el preámbulo de su constitución se afirma que es «una comunidad de Iglesias que confiesan al Señor Jesucristo como Dios y Salvador, según el testimonio de las Escrituras, y procuran responder juntas a su vocación común, para gloria del Dios único, Padre, Hijo y Espíritu Santo». Ginebra hospeda solamente al Secretariado, que se pone al servicio de la comunidad de las Iglesias miembros y de los socios ecuménicos.
 
El 2 de marzo pasado, en ocasión de una conferencia de prensa conjunta en el Vaticano, el Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, secretario general del Consejo Mundial de Iglesias, declaró: «La noticia de la visita del papa al CMI y a Ginebra es un signo de cómo las Iglesias cristianas pueden afirmar nuestro llamado y nuestra misión común de servir juntos a Dios». He leído que existe un profundo sentido de «misión» justamente en la base del Consejo ya desde su fundación. ¿Es así?
 
Sí, un importante impulso a la formación del CMI vino de la necesidad de cooperar en la misión. A menudo se hace referencia a la Conferencia Misionera Mundial de 1910 como punto de partida del movimiento ecuménico moderno, si bien la World Student Christian Federation y otras organizaciones juveniles habían ya elaborado esta idea ecuménica. La terrible crisis de la Primera Guerra Mundial reforzó la voluntad de los líderes de las Iglesias de crear movimientos orientados no solamente a la misión, sino también a la unidad (Faith and Order, Lausana 1927) y a la justicia y a la paz en el mundo (Life and Work, Estocolmo 1925). Estos dos momentos suscitaron unidad e iniciaron en 1936 el proceso de formación del CMI, proceso que, sin embargo, fue interrumpido por la Segunda Guerra Mundial. El CMI fue finalmente constituido con la primera asamblea de Iglesias en Ámsterdam en el año 1948, razón por la cual este año celebramos su septuagésimo aniversario. Se convirtió en un verdadero cuerpo global en la asamblea de Nueva Delhi de 1961, con la entrada del International Missionary Council (IMC) y de Iglesias ortodoxas de Europa central y oriental.
 
Su constitución expresa claramente los objetivos: «El objetivo principal de la comunidad de Iglesias que forma el Consejo Mundial de Iglesias es ofrecer un espacio donde las Iglesias puedan exhortarse unas a otras a alcanzar la unidad visible en una sola fe y una sola comunión eucarística, expresada en el culto y la vida común en Cristo, mediante el testimonio y el servicio al mundo, y a avanzar hacia la unidad para que el mundo crea».
 
La visita de Francisco será una ocasión para poner de manifiesto las importantes metas alcanzadas y para encarar los desafíos futuros del ecumenismo. ¿Cómo ves la actual situación del ecumenismo?
 
Hasta hace pocos años estábamos habituados a hablar de un «invierno ecuménico». No obstante, nuestro secretario general, el reverendo Olav Fykse Tveit, que viene de Noruega, gustaba de decir que nada hay de erróneo en el invierno: solo se necesitan guantes y ropa que mantengan el calor. Pero me parece que con el papa Francisco y sus iniciativas ha llegado una nueva primavera. Su participación en Lund en la oración para la celebración del V Centenario de la Reforma me ha dado mucho aliento. En ese momento se hizo vida el lema de las celebraciones, «Del conflicto a la comunión». Pero no sucedió solamente allí: Iglesias del todo el mundo celebraron juntas la sanación de las memorias heridas de la Reforma. No olvidemos cuántas guerras se alimentaron de ellas.
 
Me parece que la visita del papa a Lund fue un momento importante. Me impactó mucho el hecho de que los discursos hayan estado centrados en los desafíos del presente y del futuro, en el camino a recorrer…
 
Lund se convirtió en un momento de unidad a lo largo del camino. Es un hito en la senda que recorremos juntos. Con más claridad aún lo vemos cuando recordamos que, en su camino hacia Lund, luteranos y católicos se encontraron primeramente en 1999 en Augsburgo para la firma de la Declaración Conjunta sobre la Doctrina de la Justificación. Me parece fascinante el modo en que estos dos hitos se han convertido en puntos de referencia que nos ayudan a ver el largo camino del que provenimos y cómo avanzar juntos en el futuro. La Declaración Conjunta nos recuerda la iniciativa de Dios por la salvación del mundo. La iniciativa de Dios viene antes de todo. Dios nos está alcanzando por la gracia. La Declaración de Lund demuestra que el acontecimiento de Augsburgo de 1999 y el viaje común que nos ha llevado hasta allí nos han cambiado de verdad a muchos de nosotros. Al regresar de allí reconocimos la importancia de los recuerdos del pasado, signados por heridas y envenenados por el odio.
 
Fue casi como un momento de liberación, de redescubrimiento…
 
Nos sentimos libres para no repetir los mismos estereotipos que profundizaron la separación de las Iglesias y de las comunidades y llevaron a la violencia y hasta a la guerra en los cinco siglos que siguieron a la Reforma. En lugar de todo ello, hemos redescubierto un gran patrimonio común. De este modo nos hemos tornado responsables tanto de nuestro pasado como de nuestro futuro en común, y no ya solos y separados los unos de los otros. En lugar de alejarnos, podemos caminar juntos y compartir con los otros nuestras historias, nuestras esperanzas y nuestras expectativas para el futuro de nuestras Iglesias y del mundo.
 
Naturalmente, quedan todavía desafíos importantes…
 
Desde luego, y no en último término las tensiones en torno a cuestiones de ética de la persona y de la sexualidad humana. Pero juntos tenemos la posibilidad de demostrar al mundo que lo que nos une es mucho más que lo que nos separa. Delante de nosotros está el camino no fácil de llevar a todos los cristianos a un diálogo y a una cooperación más estrechos, y de comprometernos juntos en el diálogo interreligioso y en la colaboración por el bien de la paz y por el florecimiento de la vida. El CMI necesita construir puentes hacia fuera de sus miembros, que representan a cerca de 560 millones de cristianos en 110 países de todo el mundo.
 
La Iglesia católica no forma parte del Consejo Mundial de Iglesias, pero participa como «observadora» y colabora a varios niveles desde 1965 —año en que concluyó el concilio Vaticano II—, en particular en la Comisión «Fe y Constitución» y en la Comisión «Misión y Evangelización». ¿Qué relaciones tenéis hoy con la Iglesia católica, considerando la historia de estas relaciones y las actuales con el papa Francisco?
 
Nuestra cooperación con los dicasterios vaticanos ha mejorado mucho. En particular con el Pontificio Consejo para la Promoción de la Unidad de los Cristianos, con el Pontificio Consejo para el Diálogo Interreligioso, como también con el nuevo Dicasterio para el Servicio del Desarrollo Humano Integral. No se trata de que antes las relaciones hayan sido malas, pero ahora hay mucho más espacio y disponibilidad para una cooperación significativa más allá del diálogo teológico entre las Iglesias, que cae bajo la responsabilidad del Pontificio Consejo para la Promoción de la Unidad de los Cristianos.
 
Hay razones para celebrar también otras conquistas de la cooperación, como la convergencia en los textos de Faith and Order y la declaración de la nueva misión del CMI Together toward life, o la mucho mejor cooperación a favor de los migrantes y de los refugiados.
 
Para complementar la Semana de Oración por la Unidad de los Cristianos, en muchos lugares del mundo se observó y celebró ecuménicamente la Jornada Mundial de Oración por el Cuidado de la Creación. En algunos lugares esto se dio también con la participación de personas de diferentes religiones. Es nuestro deseo que la visita del papa Francisco a Ginebra envíe una señal fuerte para que todos los cristianos compartan el compromiso de profundizar la unidad de las Iglesias en camino y a participar juntos en la misión divina de la vida, de la justicia y de la paz en el mundo.
 
¿Qué eco ha tenido la encíclica «Laudato si’» en el seno del CMI? ¿Y las exhortaciones apostólicas de Francisco, «Evangelii gaudium», «Amoris laetitia» y «Gaudete et exsultate»? ¿Cómo se las ha recibido?
 
Las exhortaciones apostólicas Evangelii gaudium y Amoris laetitia y la encíclica Laudato si’ fueron estudiadas por el grupo operativo del CMI, porque guardan una estricta relación con a nuestro trabajo. Organizamos seminarios para nuestros colaboradores con el fin de estudiar estos documentos. No lo hemos hecho aún con Gaudete et exsultate. Son todos textos sólidamente arraigados en la doctrina de la Iglesia católica, pero en óptima consonancia con el trabajo unitario de las Iglesias del CMI. Se han convertido en puntos de referencia recurrentes.
 
Hablemos de la visita papal al CMI. Francisco no es el primer papa recibido en Ginebra. Antes se dieron las visitas de Pablo VI (junio de 1969) y de Juan Pablo II (1984). ¿Cuál es el significado de esta próxima visita?
 
Es sorprendente que el papa Francisco haya dado tanto relieve al CMI durante su visita a Ginebra. Es un hecho muy diferente de las dos precedentes visitas a Ginebra de los papas Pablo VI y Juan Pablo II. Esos viajes habían estado dedicados ante todo a Suiza y a las oficinas ginebrinas de Naciones Unidas en calidad de jefes de Estado de la Ciudad del Vaticano, la Santa Sede. El papa Francisco viene ante todo como jefe de la Iglesia católica, obispo de Roma y sucesor de Pedro. Va de Roma a Ginebra. Esperamos que juntos podamos continuar la «Peregrinación de justicia y paz» hacia aquellos que están en los márgenes de la sociedad, aquellos que tienen sed de justicia y de paz en este mundo castigado por la violencia y con sus injustas relaciones políticas y económicas.
 
Es bueno que el papa Francisco llegue poco después de la clausura de nuestro Comité Central, el más alto órgano de decisión del CMI. El Centro Ecuménico de Ginebra estará lleno de representantes de las Iglesias miembros y de socios ecuménicos en representación de todas las dimensiones del movimiento ecuménico. Su visita demuestra la unicidad del movimiento ecuménico al que la Iglesia ha adherido con la promulgación del Decreto sobre el ecumenismo Unitatis Redintegratio. El mundo ve en el papa una voz determinante del cristianismo mundial junto al patriarca ecuménico Bartolomé y a otros pocos jefes eclesiásticos. Sería de verdad un gran paso adelante si quedara claro que el papa no habla solamente en interés de la Iglesia católica romana, sino que anticipa, más bien, aquella Iglesia una, santa, apostólica y católica con aquellos que hasta ahora están separados.
 
El papa Francisco habla a menudo de Iglesia en salida hacia los que se encuentran en las periferias…
 
Y afirma también que la unidad se profundiza caminando juntos… El papa Francisco habla a menudo de la unidad de las Iglesias como unidad en camino. Después de la asamblea de Busan de 2013, el Consejo Mundial de Iglesias articula todo su trabajo en el marco de la peregrinación hacia la justicia y la paz: estamos caminando juntos como discípulos de Cristo. Podremos caminar separadamente por un poco de tiempo, pero hay momentos en que nos reunimos; cuando recordamos juntos lo que sucedió por el camino, renovamos nuestro compromiso por la peregrinación común y continuamos el viaje con un sentimiento compartido de dirección y de objetivo.
 
Sí, y caminando es posible discernir juntos los paisajes a través de los cuales el camino está llamado a avanzar…
 
Nos apoyamos recíprocamente en el testimonio común. Juntos estamos haciendo muchísimo, pero podemos hacer más y manifestar de forma más explícita que estamos caminando lado a lado.
 
Francisco fue a Lesbos con el patriarca Bartolomé, y en Cuba se encontró por primera vez con el patriarca ruso. Fue a Lund para conmemorar el quinto centenario de la Reforma. Visitó a la comunidad luterana y a la anglicana en Roma, y también a la valdense en Turín… Su mensaje no insiste solamente en la prosecución del diálogo teológico, sino en hacer algunas cosas juntos «como si» fuésemos ya una sola cosa, centrándonos en la evangelización y en el testimonio común que el mundo nos exige respecto de cuestiones urgentísimas como las migraciones. ¿Cuál es tu opinión al respecto? ¿Se puede pensar en un nuevo paso adelante basado en este «como si fuésemos ya uno»?
 
Sí, hemos visto al papa Francisco actuar como «constructor de puentes». Te estoy muy agradecido por haber planteado esta pregunta sobre el modo de hacerlo. Habrás notado cómo cada vez que hice referencia a la «Peregrinación de justicia y paz» y a la unidad que hay que profundizar yendo de camino aliento una real esperanza en la relación entre las Iglesias «como si» fueran una sola cosa. En los primeros años del CMI nuestro Comité Central afirmó el denominado «principio de Lund», que plantea el interrogante: ¿No deberían nuestras Iglesias «actuar juntas en todos los asuntos excepto en aquellos en los cuales profundas diferencias de convicción las obligan a actuar separadas»? Las Iglesias cristianas pueden hacer mucho más juntas en la evangelización, en la acción en el terreno público, en el servicio diaconal y pastoral y en su testimonio común de ese Dios que es tres en uno, que nos ha creado en nuestra diversidad, nos ha reconciliado en Cristo y nos hace una sola cosa en el Espíritu Santo.
 
En marzo pasado habéis tenido en Arusha, Tanzania, la Conferencia Misionera Mundial 2018. La Conferencia concibió la misión como una actividad multivalente que comprende el testimonio, con la palabra y las obras, de la persona de Jesucristo y de su evangelio, el compromiso de trabajar por la justicia y la reconciliación entre todos los pueblos y en el seno de la creación entera. ¿Cuál es el mensaje profético expresado por ese encuentro?
 
La Conferencia dio participación también a muchos misionólogos católicos, evangélicos y pentecostales. Eran en total cerca de mil participantes. Ellos redactaron juntos el «Llamamiento de Arusha al discipulado». Reflexionando sobre el «discipulado transformador» durante la Conferencia, esta declaración comprende una crítica profética del actual sistema financiero y de las estructuras económicas que han llevado a niveles escandalosos de desigualdad, excluyendo a millones de personas. Está muy en sintonía con la exhortación Evangelii gaudium y con la encíclica Laudato si’. La Declaración afirma que el discipulado es un don, pero también un llamado a ser colaboradores activos con Dios para la transformación de la realidad. Esto significa cuidar tanto de las personas como del sufrimiento de la creación, buscando la justicia y la paz. De este modo respondemos al llamado de Jesús a seguirlo a las periferias de nuestro mundo.
 
El documento reflexiona el tema principal de la Conferencia, sobre el discipulado transformador y sobre el poder del Espíritu Santo, consolador, defensor y apoyo. Más tarde afirma que estamos llamados a ser líderes que sirvan y muestren el camino de Cristo en un contexto que privilegia el poder, la riqueza y la cultura del dinero. Entre otros llamamientos a la transformación está también el siguiente, dirigido a la Iglesia: «Estamos llamados como discípulos a pertenecer juntos a comunidades justas e incluyentes, en nuestra búsqueda de la unidad y en nuestro camino ecuménico, en un mundo que se basa en la marginación y la exclusión». El texto concluye con una oración en la que se subraya que nuestro compromiso de discípulos unidos en el Espíritu Santo se realiza «caminando, orando y trabajando juntos». Y justamente este es el lema de la visita del papa Francisco a Ginebra.
 
¿Cuál es hoy el principal desafío del ecumenismo?
 
El ecumenismo tiene una fuerte dimensión escatológica, anticipando el reino de Dios, que ha creado toda vida y una sola familia humana, nos ha reconciliado en Cristo, y que nos sostiene y nos guía en nuestro camino por medio del poder del Espíritu Santo. Esto abre este amplio horizonte de justicia y de paz para todos. Sin embargo, la realidad está muy fragmentada y marcada por la competición por el poder y la riqueza. Las identidades contrapuestas han sido sostenidas hasta ahora por culturas y, en parte, también por la religión. Hay todavía un largo camino por recorrer antes de que se pueda ver un terreno común global en el que interactúen pacíficamente las culturas y las religiones. Es decir, se trata de una realidad profundamente distinta del estrato muy delgado y superficial que nos propone la actual cultura del consumo y de los medios globales que lo apoyan. Tenemos todavía un largo camino por recorrer antes de que la dimensión ecuménica de nuestra vida compartida en nuestra casa común arraigue profundamente en la mente y en el corazón de las personas. Considero las dificultades que estamos enfrentando como los «dolores de parto» de esta nueva dimensión de las culturas y las religiones.
 
Tengo la impresión de que, en los últimos años, muchos de los programas del CMI y de la Santa Sede se han acercado y la colaboración ha crecido. ¿Cuál es la conquista principal del ecumenismo en este tiempo?
 
Según mi parecer, los éxitos principales del movimiento ecuménico son los muchos casos en los que este ha contribuido de muchos modos concretos a la paz y a la reconciliación. También mi historia personal es un reflejo de ello. Mi madre sobrevivió al frío invierno que siguió a la Segunda Guerra Mundial gracias a un horno recibido como regalo de los servicios ecuménicos para los refugiados apoyados por la Iglesia de Suecia. He visto al movimiento ecuménico alimentar el diálogo entre Este y Oeste, contribuir a la paz y, por último, la caída del Muro de Berlín y la pacífica reunificación de Alemania. He estado en Colombia en febrero pasado y he visto cómo las Iglesias contribuyen juntas de manera significativa al todavía frágil proceso de paz. Pienso que las Iglesias tienen también un papel importante en el afrontar el desafío del cambio climático como una tarea común para todos, pero sobre todo para aquellos que más han contribuido a las emisiones de gas de efecto invernadero.
 
Y, además, la Iglesia en camino es un pueblo definido por una esperanza. Tener esperanza significa a menudo ser capaces de ver más allá de lo que se ve y estar a la espera de algo más y de algo distinto…
 
Es verdad, y podría enriquecer aún la enumeración que acabo de hacer, agregando muchos otros casos en los que la cooperación ecuménica ha sido una fuente concreta de esperanza para las personas que sufren la injusticia y la violencia.
 
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El papa Francisco partirá el 21 de junio a las 8:30 del aeropuerto de Roma Fiumicino para llegar a Ginebra a las 10:10. Después de una ceremonia de bienvenida y de un encuentro privado con el presidente de la Confederación Helvética en una sala del aeropuerto, a las 11:15 tendrá lugar en el centro del CMI una oración ecuménica durante la cual el papa pronunciará una homilía. La comida será con los líderes del CMI en el Ecumenical Institute de Bossey y a las 15:45 se celebrará un encuentro ecuménico en que el papa pronunciará un segundo discurso. La jornada concluirá con la misa celebrada por el papa en el Palexpo. Francisco partirá de regreso hacia Roma a las 20 h, después de la despedida de los obispos y de los colaboradores de las representaciones pontificias en Suiza.
 
Interrogado sobre el significado de la visita, el secretario general del Consejo Mundial de Iglesias declaró que «es un reconocimiento para aquellos que han orado y trabajado juntos durante muchos años por la unidad de la Iglesia. Es un signo significativo del camino que hemos recorrido en estos años a través del trabajo del CMI y en colaboración con la Iglesia católica romana, y ahora bajo la conducción del papa Francisco».
 
El papa, por su parte, había escrito el 31 de enero de 2018 una carta dirigida al cardenal Reinhard Marx, presidente de la Conferencia Episcopal Alemana, y a Heinrich Bedford-Strohm, presidente del Consejo de la Iglesia Evangélica en Alemania (EKD) subrayando: «Con gran alegría hemos podido constatar que, tras quinientos años de una historia de separación en parte dolorosa entre los cristianos evangélicos y católicos, hemos pasado en los últimos cincuenta años al reencuentro de una comunión en el diálogo ecuménico […] La conmemoración de la Reforma nos ha mostrado que tampoco en el futuro podremos seguir sin ecumenismo». El papa subraya en la carta la importancia de los documentos conjuntos firmados durante el año 2017 y manifiesta que «hoy podemos mirar llenos de confianza hacia un futuro en el que la polémica del siglo XVI habrá terminado y los motivos de recíproca condena habrán desaparecido en gran medida».
 
Es a la luz de estas afirmaciones como ha de entenderse la visita de Francisco al Consejo Mundial de Iglesias.
 
Fuente: CMI 
Foto: Céline Fossati

 
Carta Pastoral do Conselho Latino-Americano de Igrejas-CLAI foi divulgada em 1º de junho, dirigida “a nossas igrejas, especialmente em países que sofrem mais abertamente os efeitos da corrupção, fragilidade democrática, criminalização de movimentos social, fome, exclusão, perseguição e / ou prisão de líderes populares.”
 
Clique aqui e leia o documento (em espanhol).
 
Com informações da CESE e ALC Notícias

 
 
Em marcha contra projetos anti-indígenas que tramitam na Câmara dos Deputados, uma delegação indígenas da Bahia está em Brasília (DF) para semana de mobilização. Ontem (5), o grupo de 50 indígenas dos povos Pataxó, Pataxó Hã-Hã-Hãe e Tupinambá percorreu os corredores do congresso, cotidianamente frequentado por engravatados.
 
Dois projetos de caráter anti-indígena estavam na pauta para o dia: na sessão plenária a Medida Provisória (MP) 820 e o Projeto de Lei 490/2007, que está na Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJC) mas não entrou em votação.
 
Na manhã, em conversa com deputados e assessores que acompanham a pauta dos povos indígenas, a delegação marcou posição contrária ao PL que altera Estatuto do Índio e estabelece o marco temporal como critério para demarcações e retira direito de consulta; e a Medida Provisória 890, que com jabuti, desrespeitava a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
 
Originalmente a respeito de medidas para o acolhimento a migrantes venezuelanos, a MP 820 recebeu emendas que violam o direito de consulta prévia dos povos indígenas, com o objetivo de forçar a construção de um linhão na terra indígena Waimiri-Atroari. Sua ementa original dispunha sobre medidas de assistências emergenciais para acolhimentos de migrantes. Contudo, seu artigo 11 sorrateiramente autorizava empreendimentos e licenciamentos ambientais em Terras Indígenas sem consulta prévia aos povos afetados.
 
Pela afrontava a legislação internacional, a Constituição Federal e os direitos dos povos indígenas, o artigo 11 foi retirado da MP. “Esse artigo retira o poder autodeterminação das comunidades indígenas. Essa violação precisa ser repelida e rejeitada”, sustentou Chico Alencar (PSOL-RJ) ao defender a retirada do jabuti. “Esse corpo estranho tira autonomia de vida e cultura dos povos indígenas, autoriza intervenção em suas terras. O Brasil precisa aprender a respeitar sua diversidade humana e de culturas. Esse respeito é fundamental e antídotos a preconceitos e autoritarismos”, sustentou o deputado.
 
Fonte: Cimi
Foto: Guilherme Cavalli/Cimi

 
 
Foi lançado nesta quarta-feira (6) o Portal Virando o Jogo – plataforma que oferece cursos online e presenciais nas áreas de mobilização de recursos  locais e incidência política em vários países do mundo. O objetivo  da ferramenta é capacitar grupos populares e organizações da sociedade civil para ações de defesa de direitos e transformação social.
 
O lançamento será realizado durante o Festival ABCR 2018, em São Paulo (SP), nesta quinta (07 de junho), pela  equipe da CESE e de Wilde Ganzen (agência holandesa apoiadora) para o público do evento (destinado a reflexões e parcerias no campo de mobilização de recursos).
 
Os cursos online estão disponíveis no Portal www.virandoojogo.org.br e podem ser oferecidos presencialmente, adaptados ao perfil dos grupos participantes.
 
A plataforma digital faz parte do Programa Virando o Jogo, o qual foi desenvolvido com base em um trabalho apoiado de 2007 a 2015 pela agência holandesa Wilde Ganzen, em que foram formadas, em modalidade presencial, mais de 900 organizações do Brasil, Índia, Quênia e África do Sul. No Brasil, a iniciativa é implementada pela CESE com o apoio da agência holandesa.
 
O Programa Virando o Jogo encontra-se presente na América do Sul e Central (Brasil e Guatemala, respectivamente), África (África do Sul, Quênia, Tanzânia, Burkina Faso, Mali, Gana, Benin, Uganda) e na Ásia (Índia, Nepal e Bangladesh).
 
APOIE O LANÇAMENTO DIGITAL DO PORTAL VIRANDO O JOGO CLICANDO AQUI.
 
Fonte: CESE
Imagem: Reprodução

 
 
A crise global do meio ambiente é uma dura realidade que nos obriga a tomar uma atitude.  Somos ameaçados por mudanças climáticas, depleção da terra e de recursos marinhos, redução das reservas hídricas, crise energética, extinção de biodiversidade e destruição de ecossistemas. Com o constante aumento populacional e consequente uso excessivo de recursos naturais e de combustível fóssil, nossos padrões insustentáveis de consumo elevam a ameaça a níves ainda mais alarmantes. A crescente pobreza resultou em evidente desigualdade no mundo, colocando a humanidade sob risco, provavelmente, irreparável.
 
Alterações climáticas soam, já há algum tempo, como um alerta para o bem estar dos humanos e não-humanos, com impactos na vida dos homens, na biodiversidade e no funcionamento de ecossistemas. É interessante notar que os recentes apelos para que se reconheçam as alterações climáticas como grave perigo encontraram várias respostas. Por um lado, temos os céticos que ignoram a relevância da questão, e por outro lado, temos os profetas da desgraça com declarações exageradas para cumprir suas próprias agendas.
 
Embora a ameça seja global, infelizmente, o impacto da crise é percebido por algumas das comunidades mais pobres do mundo. E estes impactos (enchentes, seca, safras improdutivas, doenças e aumento do nível do mar) têm-se elevado a níveis alarmantes. É importante observar que estes efeitos serão sentidos em mais de 40 Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS) dos oceanos Atlântico, Índico e Pacífico; no grupo reconhecido pelas Nações Unidos como os 50 países menos desenvolvidos (conhecido pela sigla LDC – Least Developed Contries), principalmente na África, mas também na Ásia, e em vários outras nações africanas muito vulneráveis. Diferentes do resto do mundo, estes 100 países menos desenvolvidos juntos somam uma população de quase um bilhão de pessoas, mas produzem apenas 3,2% da emissão global de gases de efeito estufa.
 
Ricos e pobres, devemos todos juntos agir para trazer mudanças. Existe um preço a pagar. Mas surge a questão: E os países pobres? Os megapoluidores como a Europa e os Estados Unidos esperam que países menores como Bangladesh, Guatemala ou Zaire paguem este custo na mesma proporção? A pergunta surgiu em vários debates, e as Nações Unidas tiveram um papel crucial para que a questão da mudança climática fosse tratada por todos os países.
 
Quando a Convenção Quadro das Nações Unidas sobre Mudança Climática foi formulada, e depois assinada, e ratificada na Cúpula da Terra (Rio Earth Summit), em 1992, pela maioria dos países do mundo, inclusive os Estados Unidos, o princípio de “responsabilidades comuns mas diferenciadas” foi reconhecido. O Protocolo de Kyoto reivindicou equidade para as nações em desenvolvimento. Foi contestado que nos últimos 150 anos, aproximadamente, as nações em desenvolvimento não causaram esta poluição e, portanto, seria injusto pedir-lhes a mesma taxa de redução por causa dos erros das nações hoje industrializadas. [...]
 
Diante dos desafios da crise ambiental e da incapacidade dos líderes globais de chegarem a um acordo, o papel da comunidade cristã se torna ainda mais urgente. Cremos em um Deus  “Criador” e “Redentor” e, portanto, temos a grande responsabiliade de agir em nome de Deus em nosso mundo. Jesus, o nosso Redentor, é “o primogênito de toda a criação, pois nEle foram criadas todas as coisas nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis…todas as coisas foram criadas por Ele e para Ele… e nEle tudo subsiste” (Cl 1.15-17). Se, portanto, Deus é o Criador, e Jesus tem este papel crucial na Criação, como Sua comunidade no mundo de hoje, nós temos a responsabilidade de agir com urgência em nome dEle.
 
Fazemos, então, a pergunta imprescindível: o que devemos fazer?
 
1. Todos nós devemos nos comprometer em reler a Bíblia a partir de uma perspectiva ambientalista. Veremos como os profetas do Velho Testamento falaram sobre a necessidade de renovar a terra e como isso deve ser feito. Leremos como Jesus e os apóstolos abordaram as questões do meio ambiente no Novo Testamento. Deixemos que a Bíblia fale conosco.
2. Devemos nos tornar Mordomos do Meio Ambiente. Começando com nossas famílias, devemos começar a agir em nossas comunidades. Podemos nos associar a grupos ambientalistas e lutar por mudanças. Proteja o meio ambiente, e ele o protegerá.
3. Devemos fazer da nossa igreja, escola bíblica, seminário, universidade ou qualquer outra instituição um veículo de ensino sobre o meio ambiente e sobre como abordar a crise ambientalista. Estudos especiais podem ser introduzidos em todos os níveis.
4. Devemos mobilizar a conscientização comunitária, educação e ação em nossas comunidades mais próximas. Campanhas podem ser iniciadas para educar e capacitar.
5. Devemos defender fontes de energia alternativas, encorajar padrões de consumo mais inteligentes, garantir políticas apropriadas de transporte público, responsabilidade na indústria da saúde e do turismo e tomar todos os passos para fazer da nossa vila, bairro ou cidade uma eco-habitação saudável.
6. Devemos estabelecer ou apoiar projetos de redução da pobreza de todos os tipos para ajudar a diminuir a distância entre ricos e pobres.
7. Na tarefa de evangelização mundial, devemos deixar a mensagem de Jesus sobre como Deus se importa que Sua criação fale para todos do amor d’Ele pelo mundo. Deixemos que a luz de Jesus brilhe em meio à crise do meio ambiente que enfrentamos hoje.
 
Por Las Newman e Ken Gnanakan / The Lausanne Movement
Obs.: o título foi adaptado. O original era: "O Desafio Da Mordomia Do Meio Ambiente"
Foto: Pixabay

 
 
O Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) é o gesto concreto da Campanha da Fraternidade. Nos últimos dois anos, entre as centenas de iniciativas apoiadas estava a Casa de Assistência ao Egresso Definitivo da Comarca de Criciúma (SC), idealizada pelo Serviço de Pastoral Carcerária (Sepasc) da diocese de Criciúma. Na última terça-feira, aconteceu a cerimônia de bênção e inauguração da casa, com a presença do bispo local, dom Jacinto Inacio Flach, e do secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, padre Luís Fernando da Silva.
 
Diversas pessoas participaram da missa que deu abertura à Casa, entre autoridades, benfeitores e voluntários. A missa também foi concelebrada pelo idealizador do projeto, padre Marcos Henrique Ferreira; pelo coordenador diocesano de pastoral, padre Joel Sávio, e pelo pároco de Jacinto Machado, padre Hélder Benedet. A partir da missa a Casa passou a contar, em sua capela, com a presença do Santíssimo Sacramento.
 
“Com muita alegria estamos aqui, nesta noite, para abençoar esta obra e pedir força e luz para que ela possa crescer e frutificar, e para que aqui sejam realizadas muitas obras de caridade. Muitas pessoas precisam de uma segunda ou terceira chance na vida e esperam que tenhamos um coração aberto para isso. Muitos não estão aqui, mas colaboraram. Esta Casa foi construída para acolher a todos. Se estamos aqui é porque acreditamos na misericórdia de Deus”, disse dom Jacinto, durante sua saudação, no início da missa.
 
Em sua homilia, o bispo expressou otimismo ao falar das estruturas físicas e dos trabalhos desenvolvidos pelo sistema prisional no Sul do Estado, ao referir-se aos projetos de ressocialização nas penitenciárias, que dão oportunidade de estudo e trabalho para os reeducandos. “Vejo uma realidade muito diferente daquela que se vê em outros lugares, onde 70% do pessoal trabalha. As pessoas têm possibilidade de ter um futuro; não está lá amontoadas como animais. Sei dos muitos desafios que nós temos, mas também sei das bênçãos”, declarou o bispo, que sempre que pode realiza visitas às unidades prisionais, já acompanhadas semanalmente por equipes da Pastoral Carcerária.
 
“Nós – autoridades, Igreja e sociedade – todos estamos nos voltando para fazer deste mundo um pouquinho melhor. Deste ‘pouquinho’, vocês todos participam. Esta casa é uma casa que dá oportunidade. Quando essas pessoas voltam à sociedade, não podemos excluí-las. Temos que acolhê-las e dar oportunidade a elas, porque Deus faz assim conosco. Nós cometemos pecados, mas por que Deus não nos exclui, rejeita ou joga fora? Porque Ele sabe que temos coisas boas em nosso coração e isso tem que crescer e frutificar na sociedade, na Igreja. Se não olharmos assim, como queremos que Deus olhe para nós? Esta casa é mais uma obra para a glória de Deus. Padre Marcos e o grupo tiveram a iniciativa, mas se não tiverem ajuda das pessoas, nada irá acontecer. É uma obra boa que irá beneficiar a nossa sociedade”, disse o bispo.
 
Para Dom Jacinto, auxiliar uma pessoa a ser diferente ajudará muitas vidas, beneficiando não só a família daquele que cumpriu a pena, mas toda a sociedade para a qual ele retorna. Segundo o Bispo, o papel de todos os batizados e pessoas de boa vontade está também em participar destas iniciativas. “Orgulho-me muito da nossa região. Porque aqui sabemos ser acolhedores, uns com os outros, seja o poder executivo, legislativo, judiciário, as empresas, as pessoas mais humildes, mais simples, universidades, ninguém está fechado. Os meios de comunicação são abertos. Todos nós fazemos parte de uma sociedade em que o bem comum tem que ser sempre visto, a começar por aqueles que são mais indefesos”, frisou o epíscopo.
 
Uma Igreja samaritana
 
Representando a CNBB, o padre Luís Fernando da Silva, que é membro do Conselho Gestor do FNS manifestou alegria ao contemplar o projeto da Casa do Egresso, que tem seu olhar voltado para aqueles que, muitas vezes, são excluídos pela sociedade. “Para a Conferência dos Bispos é uma alegria poder contemplar aquilo que o Papa Francisco chama de ‘Igreja samaritana’. Nós conhecemos a Parábola do Samaritano: alguns passam perto das vítimas da sociedade e se desviam do caminho. O samaritano é aquele que se inclina sobre a dor do ser humano e cura suas feridas. Celebrar a apresentação desta obra é celebrar a Igreja samaritana. É a Igreja, é a sociedade que quer tocar nas feridas, quer tocar a vida destes nossos irmãos que, às vezes, não têm voz, não têm vez, não têm sua dignidade respeitada. Muitos destes nossos irmãos que serão acolhidos nessa casa, recém-saídos de um presídio, não são olhados pela sociedade. Na maioria das vezes, são descartados. Aqui, poderão encontrar acolhida, poderão encontrar alguém que cure suas feridas. Essa é a missão da Igreja, nos dias de hoje: curar as feridas de quem ninguém quer curar. A CNBB louva esta iniciativa e agradece este bem que é feito na Diocese de Criciúma, por meio desse projeto”, destacou padre Fernando.
 
Segundo o secretário executivo para a Campanha da Fraternidade e membro do Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade da CNBB, existem outras iniciativas similares no Brasil, mas esta é pioneira com o acompanhamento tão próximo de uma diocese. Por duas vezes, a CNBB, por meio do Fundo Nacional de Solidariedade, destinou recursos para as obras da casa: na primeira vez, para a parte hidráulica da edificação; na segunda, auxiliou na aquisição de móveis.
 
“Todos os anos, no Domingo de Ramos, vocês recebem um envelope e colocam o fruto da Quaresma. Todos os envelopes do Brasil se reúnem e, destes, colhe-se uma pequena colaboração. Hoje, aqui em Criciúma. Amanhã, em Manaus. Depois de amanhã, no Maranhão, no Mato Grosso. E a Igreja se alegra porque, em cada lugar, o bem pode ser feito. É uma alegria! Trago essa mensagem de dom Leonardo e de dom Sergio que, de fato, Deus abençoe muito tudo que será feito nesse lugar. Muito obrigado e parabéns”, disse padre Luís Fernando aos presentes na missa.
 
Fundo Nacional de Solidariedade auxilia diversas iniciativas por todo o Brasil
 
“O Fundo Nacional de Solidariedade é uma iniciativa da Igreja no Brasil onde acontece a comunhão dos bens dos fiéis no período da Quaresma. Todos os anos, no Domingo de Ramos, é feita uma coleta em todas as missas celebradas nas comunidades paroquiais e, desse valor arrecadado, 60% fica na Diocese, e é chamado de Fundo Diocesano de Solidariedade. O bispo e o seu Conselho vão olhar para as realidades da sua diocese e procurar fazer encaminhamentos, sendo que 40% desse valor total é encaminhado para a sede da CNBB, em Brasília. Lá nós recebemos várias iniciativas de projetos, que são auditados pela CNBB, assistentes sociais, contabilistas, e escolhemos alguns para ajudar. Ajudamos uma média de 200 a 250 projetos por ano, somando um valor de, mais ou menos, 6 milhões de reais”, explica o secretário.
 
De acordo com padre Luís Fernando, o FNS, no ano de 2018, terá uma particularidade. “Estamos tendo o ingresso de muitos venezuelanos pelo Norte do Brasil, principalmente pelo Estado de Roraima, e o poder público, atualmente, não tem condições de ajudar tantos imigrantes. Foi feita uma proposta durante a Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida, de que 40% desse valor total que vai para Brasília, neste ano seja destinado para a causa dos venezuelanos. Houve votação unânime dos bispos apoiando essa iniciativa, porque sabemos como é urgente essa causa lá. Sempre é o fruto daquela espiritualidade quaresmal que se materializa na comunhão dos bens e pode ajudar tantos projetos na Igreja do Brasil. De norte a sul, temos ajudado muitos projetos”, pontua o presbítero.
 
Projeto surgiu depois de trabalho com moradores de rua
 
Para que o Serviço de Pastoral Carcerária (SEPASC) encaminhe as atividades da Casa, que conta com 32 leitos para egressos masculinos por até três meses, ainda será elaborado um regimento e conduzida a formação da equipe técnica. Conforme o tesoureiro do SEPASC, Pedro Manoel da Silva, o objetivo é reinserir na sociedade pessoas transformadas através do aconselhamento espiritual e psicológico, assistência social e jurídica, promovendo o resgate da auto-estima dos acolhidos.
 
“Dizem que todo projeto, para que se realize, tem que partir do coração de Deus e passar pelo coração do homem. E foi isso que aconteceu. Partiu de uma emoção interior quando servíamos aqueles mendigos na rua, quando levávamos alimento e começávamos a conversar com eles sobre o que os havia levado a caírem nessa vida de rua. Histórias comoventes, pessoas que não conseguiam se superar por falta de assistência da própria comunidade, muitas vezes, pessoas com histórias até bonitas, que carregavam a bíblia no fundo da mochila. Descobrimos que muitos deles eram ex-detentos, porque o Estado não os preparava antes de pô-los em liberdade. Muitos já tinham perdido contato com a família, não tinham dinheiro no bolso, nem documento. Para onde iriam? Para as ruas. E quando chegava o inverno bravo, muitos deles confessavam que cometiam pequenos delitos para ter motivos de ir presos, para ter comida e uma cama para dormir. ‘Foi por aí, comovendo o coração desse grupo, ao qual está a frente padre Marcos, que resolvemos abraçar esse projeto. Cada tijolinho colocado nessa obra foi cada um de vocês que nos ajudaram. Somos gratos a cada um e àqueles que não puderam estar presentes também”, afirmou Silva.
 
O padre Marcos Henrique Ferreira, discreto durante toda a caminhada, fez questão de agradecer a todos que colaboraram e deu um obrigado especial. “Tenho uma gratidão muito grande pela Justiça Federal, pois aquelas pessoas que cumprem penas colaboraram com quase 45% da construção dessa casa. Para pintá-la, seriam 35 mil reais, e não gastamos um centavo. Esta casa foi pintada por eles. Agradeço muito a todos de coração. A casa estará aberta para visitação”.
 
Por: Bibiana Pignatel e Assessoria de Imprensa da CNBB
Foto: Bibiana Pignatel e Nathany Marques – Pascom Catedral São José

 
A Maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) foi tomada pela força e coragem feminina durante os quatro dias do XI Encontro de Mulheres Indígenas do Rio Negro, na primeira semana de maio. O evento, que reuniu 200 mulheres de 18 etnias indígenas, contou com a presença de convidadas de renome nacional, como a cantora Djuena Tikuna e Nara Baré, presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). O encontro discutiu pautas desafiadoras, como o feminicídio, a violência, perspectivas para a juventude nas terras demarcadas e a participação da mulher indígena nos espaços de decisão.
 
“A gente vê as mulheres brancas e negras indo à luta por direitos, mas as indígenas ainda não são vistas. Queremos ter a nossa voz escutada também, pois os problemas que as outras mulheres enfrentam, nós enfrentamos igualzinho e muitas vezes com mais dificuldade”, ressalta a coordenadora do Departamento de Mulheres da Foirn, Elisângela da Silva Baré, da Terra Indígena (TI) Cué-Cué Marabitanas, próxima da fronteira com a Venezuela. Aos 34 anos, mãe de três filhos, casada, agricultora, professora e graduada em Ciências Sociais, Elisângela coordenou o encontro. Junto com ela esteve sua parceira de movimento político, Janete Alves Desana, que atua também na Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro.
 
“A gente percebe que as jovens querem mudança. E as mais velhas muitas vezes não entendem. Mas, agora, percebemos que o importante é ter roda de conversa. Porque sem esses encontros a gente não consegue provocar as mulheres a falarem delas mesmas. Não temos espaço na nossa rotina”, comenta Adelina Sampaio Desana, jovem liderança da Foirn. A partir dos debates e encaminhamentos do encontro foi redigido o “Manifesto das Mulheres Indígenas do Rio Negro”. Leia aqui.
 
Luta política e dedo na ferida
 
Muitas das lideranças presentes foram para São Gabriel da Cachoeira (AM) – onde só se chega por via aérea ou fluvial – direto do ATL (Acampamento Terra Livre), a maior mobilização indígena do Brasil, em Brasília. Saiba mais.
 
A cantora e jornalista Djuena Tikuna foi uma delas. Pela primeira vez na região, Djuena chegou das acaloradas discussões na capital federal para debater e deixar suas contribuições às mulheres rionegrinas. “Fiquei muito feliz de poder contribuir tanto como cantora quanto como ativista e jornalista”, comentou a artista, que mora em Manaus (AM). Além de protagonizar o show de encerramento, Djuena participou de uma mesa sobre a importância da comunicação para o movimento indígena ao lado de outras comunicadoras, como Mayra Wapichana, do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e Sany Brasil, da rádio FM O Dia.
 
As mulheres do Rio Negro também debateram sobre violência em pequenos grupos de trabalho, onde puderam confidenciar histórias pessoais ou de parentes. “A gente chora sozinha nas roças de tanta dor dentro do peito. A gente passa a noite apanhando do marido e de manhã dá uma cuia de mingau para ele. Essa é a realidade de muitas de nós mulheres indígenas aqui no Rio Negro”, confidenciou uma jovem participante.
 
Em outro grupo, uma idosa revelou que sua mãe dizia: “Se um dia o seu marido bater em você, não conte nada para ninguém. Você não pode falar nada para as pessoas porque senão vai provocar briga e intriga”, revelou. Esses e outros depoimentos ainda mais contundentes foram registrados pelas mulheres indígenas que desejam enfrentar esse tipo de situação. Como disse uma senhora Yanomami: “Naka (mulher, em Yanomami), isso não é da cultura não. Isso é violência contra a mulher mesmo.”
 
As mulheres também se mostraram preocupadas com o uso abusivo de álcool, sobretudo em relação às crianças e jovens. Elas afirmaram que é preciso atuar fortemente na educação e conscientização sobre as bebidas alcóolicas industrializadas, que fazem mal à saúde física e mental dos consumidores, e são diferentes das bebidas tradicionais fermentadas a base de mandioca. “É um problema de saúde pública e o DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) do Alto Rio Negro precisa atuar fortemente nessa questão”, apontou uma liderança de Santa Isabel do Rio Negro.
 
As mulheres indígenas também reivindicaram que seja implantada uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), em São Gabriel da Cachoeira, com uma casa de acolhimento às vítimas de violência que possa abrigar mulheres dos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, ou seja, do Baixo ao Alto Rio Negro.
 
Temas como o futuro dos adolescentes e jovens, empreendedorismo da mulher indígena, saúde e os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) também foram debatidos pelas participantes. “Foi um evento singular para o movimento indígena do Rio Negro. Nossas parentes mostraram que são capazes de liderar”, frisou Nara Baré, presidente da Coiab. Nascida em São Gabriel, Nara é uma das principais vozes femininas do movimento indígena brasileiro, representando a Amazônia no Brasil e no exterior. O encontro teve ainda uma feira de artesanato, cerâmica e alimentos do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro.
 
Além de pausas nos debates para a música de Djuena, encenações, dança e poesias, o evento teve a pré-estreia do filme “Quentura”, da cineasta Mari Corrêa, do Instituto Catitu. Uma produção realizada para a Rede de Cooperação Amazônica (RCA), o filme retrata as mudanças climáticas sob o olhar sensível das mulheres indígenas, entre elas mulheres rionegrinas, representadas pelas Yanomami, da região do Pico da Neblina, e pelas mulheres de Iauaretê, lideradas pela ex-presidente e atual diretora da Foirn, Almerinda Ramos de Lima, Tariana, da Terra Indígena Alto Rio Negro.
 
Encerramento
 
No encerramento do XI Encontro das Mulheres Indígenas do Rio Negro, muitos moradores de São Gabriel da Cachoeira foram comemorar os 31 anos da Foirn e aproveitar o show da cantora Djuena Tikuna, a primeira indígena a fazer um espetáculo solo no famoso Teatro Amazonas, em Manaus. O mestre Baniwa, Luiz Laureano, da Maloca de Itacoatiara Mirim, fez uma performance de improviso com Djuena tocando o seu Japurutu para fechar o encontro com música instrumental indígena da região.
 
O evento foi realizado pela Foirn e teve a parceria do Instituto Socioambiental (ISA) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) e contou com apoio da Avon Mulheres, CESE, RCA, União Europeia e da Fundação Estadual do Índio (FEI).
 
Fonte: Instituto Socioambiental
Foto: Ovinho Tuyuka - Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro

 
 
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) realizou, entre os dias 31 de maio e 3 de junho, seu XXXIV Sínodo Geral, em Brasília-DF. Entre as diversas deliberações do Sínodo - que incluiu a votação em favor de estender o matrimônio a casais do mesmo sexo - também esteve a escolha do novo primaz e da responsável pela Secretaria Geral da Igreja. Neste ínterim, foram instituídos, respectivamente, dom Naudal Alves Gomes e reverenda Magda Guedes Pereira.
 
Dom Naudal: Nasceu em 1953, na cidade de Santana do Livramento, RS. Casou-se com a Profa. Carmen Regina Duarte Gomes em 1978, com quem teve 3 filhos: Denise, Clarissa e Maurício. Antes de ser eleito bispo da Diocese Anglicana de Curitiba, exercia a função de deão da Catedral do Mediador, em Santa Maria, e de bispo sufragâneo da Diocese Sul-Ocidental.
 
Reverenda Magda: Estudou teologia no Seminário da IEAB em Porto Alegre (1992-1995). É pedagoga e pós-graduada em Bioética e Pastoral da Saúde pela Universidade de São Camilo, SP. Foi ordenada Diácona em 1996 e Presbítera em 1997, na Diocese Sul Ocidental. Tem atuado nas relações ecumênicas, como na CESE, CONIC, CEADe, CLAI.
 
Sínodo Geral
 
O Sínodo é o órgão máximo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. É composto da Câmara dos Bispos e da Câmara dos Clérigos e dos Leigos, cada uma adotando sua própria mesa e seu próprio regimento interno. As Câmaras trabalham em conjunto, salvo nos casos previstos nos Cânones Gerais, ou por solicitação de uma das câmaras.
 

CONIC com informações da ALC Notícias e da IEAB
Fotos: IEAB