Carta da Direção da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil-IECLB
às Autoridades Responsáveis pela Nação Brasileira


Disse ainda o Senhor: Certamente vi a aflição do meu povo (...)
e ouvi o seu clamor por causa dos seus exatores. Conheço-lhes o sofrimento (Êxodo 3.7).
  

Igreja luterana2

Movida pelo Evangelho de Jesus Cristo, sabendo-se incumbida da tarefa profética, zelando pelo respeito à justiça em favor da paz, a Presidência da IECLB, juntamente com Pastoras e Pastores Sinodais, recorda o que tem sido expresso em cartas pastorais no ano que passou, e admoesta as autoridades.

¨Há um clima de crescente tensão. Em lugar da palavra são colocados gritos, empurrões. Cresce o confronto a qualquer custo. Será que estamos esquecendo o que conquistamos a duras penas? Cansamo-nos da bendita oportunidade de viver a democracia que se constrói com diálogo? Afinal, a democracia não está à venda! É nossa convicção de que somos livres, por graça divina, para cuidar bem desse bem!¨ (Carta Pastoral de Março de 2016).

¨Vivemos momentos de muito confronto. Crescem assustadoramente os gestos de intolerância, agressividade e violência. Nesse contexto, como evitar o confronto pelo simples confronto? Quem ganha ou lucra em uma sociedade polarizada?¨ (Por ocasião do Dia da Reforma, em 31.10.2016).

“Para onde estamos indo? Nosso atual cenário político é tal que não sabemos o que poderá nos surpreender daqui a algumas horas (...) A democracia no Brasil é frágil, e ela está ferida. Historicamente, tivemos uma sistemática fragilização das instituições sob as quais a democracia se sustenta e é promovida, enquanto sistema de Governo. E hoje não é diferente, mas com o agravante de lesar a democracia como forma de cidadania” (Carta Pastoral de 15.11.2016).

Em 2017, lamentavelmente, aumenta o receio de que o Brasil caminha em direção ao abismo. Para exemplificar, focamos o tema da reforma da Previdência. “Há quantas décadas ouvimos que recursos desse caixa são desviados para viabilizar outros projetos. Há quanto tempo ouvimos que é incalculável o montante de contribuições ao INSS que é sonegado. O noticiário é farto em dados que denunciam aposentadorias astronômicas para uma minoria privilegiada. Afinal, como os recursos pagos à Previdência são administrados?” (Carta Pastoral de novembro passado).

Enquanto ecoam, e de forma crescente, esses questionamentos em todo o território brasileiro, vicejam notícias de que assuntos diretamente relacionados à vida da população sofrida e marginalizada, como os que estão implicados na reforma da Previdência, estão sendo avaliados e decididos em meio a negociações e manjares pouco comprometidos com a superação da aflição da população (Amós 6.6). Aprofunda-se o escândalo da corrupção. A legitimidade dos atuais legisladores está abalada na sua essência, mesmo com exceções. Que autoridade lhes resta para revisar e definir questões da amplitude de uma reforma trabalhista e previdenciária, que irá impactar novamente naqueles setores da sociedade já fragilizados? O descolamento da classe política do povo brasileiro é notório. Se sobra alguma relação, ela é cínica e dissimulada. Diante do quadro reinante, a cantilena de Martim Lutero soa como se tivesse sido composta no ano do Jubileu da Reforma, em 2017: “Desde o início do mundo, um príncipe [pessoa instituída de autoridade política] sábio é ave rara, e um príncipe honesto, mais raro ainda”.

Diante do quadro real que a sociedade brasileira assiste, particularmente em vista do tema da reforma da Previdência, a IECLB dirige-se aos e às integrantes do Congresso Nacional, estendendo o apelo ao Executivo e ao Judiciário, e afirma enfaticamente: a reforma da Previdência não pode ser objeto e resultado de acordos e conchavos políticos. Essa reforma deve ser debatida pela sociedade brasileira, que tem direito à transparência e ao acesso aos números e dados da Previdência, bem como à sua gestão. Sem isto e em meio a informações contraditórias e parciais, não é possível confiar nas propostas apresentadas.

A IECLB reafirma a importância do Estado laico. Bem por isso, sem confundir Igreja e Estado, mas sabendo da sua responsabilidade pública derivada do compromisso com o Evangelho de Jesus Cristo, a IECLB admoesta as autoridades diante do quadro brasileiro com a Palavra do Senhor: Executai o direito e a justiça e livrai o oprimido das mãos do opressor; não oprimais ao estrangeiro, nem ao órfão, nem à viúva; não façais violência, nem derrameis sangue inocente neste lugar (Jeremias 22.3).


Pastor Dr. Nestor Paulo Friedrich - Pastor Presidente
Pastora Sílvia Beatrice Genz - Pastora 1ª Vice-Presidente
Pastor Inácio Lemke - Pastor 2º Vice-Presidente
Pastora Dimuht Marize Bauchspiess, Pastora Sinodal do Sínodo da Amazônia, com sede em Cacoal/RO
Pastor Dalcido Gaulke, Pastor Sinodal do Sínodo Brasil Central, com sede em Brasília/DF
Pastor Bruno Ari Bublitz, Pastor Sinodal do Sínodo Centro-Campanha-Sul, com sede em Santa Cruz do Sul/RS
Pastor Jacson Homero Eberhardt, Pastor Sinodal do Sínodo Centro-Sul Catarinense, com sede em Florianópolis/SC
Pastor Joaninho Borchardt, Pastor Sinodal do Sínodo Espírito Santo a Belém, com sede em Vitória/ES
Pastor Nilo Orlando Christmann, Pastor Sinodal do Sínodo Mato Grosso, com sede em Cuiabá/MT
Pastora Ma. Tânia Cristina Weimer, Pastora Sinodal do Sínodo Nordeste Gaúcho, com sede em Estância Velha/RS
Pastor Vilson Emilio Thielke, Pastor Sinodal do Sínodo Noroeste Riograndense, com sede em Três de Maio/RS
Pastor Inácio Lemke, Pastor Sinodal do Sínodo Norte Catarinense, com sede em Joinville/SC
Pastor Odair Airton Braun, Pastor Sinodal do Sínodo Paranapanema, com sede em Curitiba/PR
Pastor Ricardo Cassen, Pastor Sinodal do Sínodo Planalto Rio-Grandense, com sede em Carazinho/RS
Pastor Me. Edson Edilio Streck, Pastor Sinodal do Sínodo Rio dos Sinos com sede em São Leopoldo/RS
Pastor Lauri Roberto Becker, Pastor Sinodal do Sínodo Rio Paraná, com sede em Toledo/PR
Pastor Geraldo Graf, Pastor Sinodal do Sínodo Sudeste, com sede em São Paulo/SP
Pastora Roili Borchardt, Pastora Sinodal do Sínodo Sul-Rio-Grandense, com sede em Pelotas/RS
Pastor Jair Luiz Holzschuh, Pastor Sinodal do Sínodo Uruguai, com sede em Chapecó/SC
Pastor Breno Carlos Willrich, Pastor Sinodal do Sínodo Vale do Itajaí, com sede em Blumenau/SC
Pastor Gilciney Tetzner, Pastor Sinodal do Sínodo Vale do Taquari, com sede em Teutônia/RS

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600 africa crista

O cristianismo está crescendo mais rápido na África do que em outra região do globo. Em quatro anos, um quarto dos fiéis de religiões cristãs, com destaque para o catolicismo, estará na África.

Essa é a conclusão da “A Antologia do Cristianismo Africano”, uma coleção de 1.400 páginas com dados colhidos e editados por Isabel Apawo Phiri, Dietrich Werner, Chammah Kaunda e Kennedy Owino.

Com base em quase uma centena de pesquisas, a “Antologia” contém sessenta artigos que abordam as questões sociais dos cristãos da África. Um dos fatores que explicam a rápida expansão do cristianismo no continente é a difusão por intermédio de iniciativas educacionais, como colégios, creches, etc.

CONIC com Riforma.it e agências
Foto: Reprodução

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renove nosso mundo

Cristãos e cristãs do mundo estão se articulando em orações e ações para que a justiça climática seja realidade. Escolhendo a vida para nossa geração e futuro. Renovar Nosso Mundo é uma campanha por energia limpa e renovável e por agricultura sustentável para as comunidades mais pobres do mundo. O objetivo é pressionar governos a traçarem metas concretas para manterem promessas feitas no Acordo Climático de Paris e investirem em energia limpa e agricultura sustentável.

Lançada no primeiro dia da Quaresma, a quarta-feira de cinzas, 1º de março, a Campanha Renove Nosso Mundo (Renew Our World) convida os cristãos de todo o mundo a se unirem em oração para que as pessoas mais pobres do planeta resistam aos nocivos efeitos das mudanças climáticas.

Renove Nosso Mundo está sendo lançada pela Tearfund, Miquéias Global, Aliança Anglicana, TEAR Austrália, Miquéias Zâmbia, EU-CORD, Paz e Esperança Internacional. Esta é uma campanha de longo prazo que tem a oração como pedra angular e visa mobilizar e inspirar as igrejas a lutarem contra a pobreza e a injustiça, começando pela mudança climática.

“A campanha Renove Nosso Mundo pressionará os governos de todo o mundo a cumprirem as promessas feitas no Acordo de Paris. Parte desse acordo visa a renovação da matriz energética e a transformação da agricultura por meio da utilização de técnicas de cultivo amigas do clima”, explica o diretor de advocacy da Tearfund, Paul Cook.

A diretora internacional de Miquéias Global, Sheryl Haw, acrescenta: “Será preciso um grande esforço para permitir que nosso mundo se recupere. À medida em que cada um de nós fizer o que nos cabe pressionando nossos governos a cumprirem os compromissos assumidos, veremos mudanças”.

O Acordo de Paris estabelece um plano de ação global para enfrentar a perigosa mudança climática. Através da campanha Renove nosso Mundo os cristãos se unirão em oração para que os 195 países que assinaram o Acordo limitem o aquecimento global a um valor mais próximo possível de 1,5 graus e para que as emissões de gases de efeito estufa sejam eliminadas.

A campanha objetiva ainda incentivar os cristãos a continuarem pressionando e orando pela mudança em seus países. De acordo com o Rev. Andrew Bowerman, Co-Diretor Executivo da Aliança Anglicana, a campanha trabalhará em prol do objetivo global de ver as comunidades mais resilientes e florescendo em harmonia com a criação. “Estamos profundamente empenhados em servir junto aos nossos irmãos ao redor do mundo para que isso se torne realidade”.

“Podemos vencer a pobreza, e para isso precisamos vencer a mudança climática”, enfatizou o Reverendo Nicholas Holtam, Bispo da Igreja da Inglaterra. “As gerações anteriores não sabiam sobre a mudança climática e para as gerações futuras será tarde demais. Este é o desafio da nossa geração. Como seguidores de Jesus, já sabemos que precisamos amar nossos vizinhos e cuidar da criação. A Quaresma é um bom momento para refletir sobre os limites espirituais e físicos do consumismo”, concluiu.

Para descobrir como você pode se envolver na campanha Renew Our World, visite www.renewourworld.net

Informações adicionais:

Na Conferência do Clima de Paris (COP21), realizada em dezembro de 2015, 195 países adotaram o primeiro acordo mundial, juridicamente vinculativo, sobre o clima global (“Acordo Climático de Paris”). O acordo estabelece um plano de ação global que começa a colocar o mundo no caminho certo para evitar uma mudança climática perigosa. Tal ação visa limitar o aquecimento global e colocar fim às emissões de gases de efeito estufa.

Renew Our World é uma campanha global que exige progressos significativos no Acordo Climático de Paris. Cada país da campanha se concentrará em uma ou mais das seguintes promessas:

• Definir alvos e planos de transição para zero emissões para limitar o aquecimento global a 1,5 graus.

• Investir em energia limpa, executar as metas localmente para que alcancem todos, especialmente aqueles mais pobres e vulneráveis.

• Apoiar uma agricultura mais sustentável que não resulte em emissões enormes e que ajude as comunidades em risco de secas e inundações.

Video:

Em Portugues – Renovar nosso mundo.

Fonte: Renew Our World
Imagem: Reprodução

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O atual cenário político e social brasileiro, de retrocesso e retirada de direitos, crise econômica e desmonte de políticas públicas, exige estratégias de mobilização social e institucional e fortalecimento de práticas que priorizem a transformação estrutural.

A FLD tem centrado sua atuação na perspectiva de promover justiça de gênero e ampliar a democratização dos processos de gestão, no âmbito de grupos, associações, instituições e cooperativas apoiadas, para que as transformações sociais se sustentem a partir de uma participação coletiva.

IMG FLD

Essa atuação orienta o apoio a projetos, por meio do Programa de Pequenos Projetos (PPP), que abre seus editais hoje, dia 1º de março. São quatro editais, nas áreas de Justiça Econômica, Justiça Socioambiental, Diaconia e Direitos.

Os projetos devem ser elaborados e enviados através da plataforma de projetos, disponível no endereço fld.com.br/projetos/requerente, observando-se as condições e critérios específicos de cada edital.

O prazo final para encaminhamento dos projetos é 12 de abril de 2017, às 23h59min, horário de Brasília. Observação: grupos com projetos em andamento na FLD não poderão enviar novo projeto para avaliação.

Também não serão considerados projetos oriundos de pessoas físicas, de instituições privadas, órgãos públicos e de instituições de ensino superior.

Sobre o envio e cadastramento de projetos:

  • Só é permitida a entrada de uma proposta por edital.
  • Para facilitar o processo de preenchimento da proposta na plataforma de projetos, preencha primeiro o modelo fornecido no formato word e depois transcreva as informações para a plataforma.
  • Não serão aceitas propostas de projetos no formato word. O objetivo do documento em word é facilitar o preenchimento da plataforma de projetos.

Abaixo, seguem informações gerais sobre cada edital. Os documentos detalhados estão disponíveis no final do texto, para download, junto com o formulário em word para elaboração de projetos e o documento com orientações para preenchimento de propostas para a FLD. Este último está em dois formatos – word, para impressão, e powerpoint, para projeção.

Edital FLD 01/2017 - Justiça Econômica

Este edital vai apoiar projetos de economia solidária, que promovam o fortalecimento de Empreendimentos Econômicos Solidários (EES), principalmente nas áreas de estruturação, formalização e qualificação para a gestão democrática e comercialização via comércio justo e solidário. Serão priorizados projetos vinculados a redes de economia solidária. Voltado aos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Edital FLD 02/2017 - Justiça Socioambiental

Este edital tem três focos temáticos. A instituição proponente poderá optar por um deles ou integrá-los em um mesmo projeto.

Foco temático 1): Apoiar projetos de valorização do conhecimento tradicional, fortalecimento de identidades socioculturais e uso sustentável da biodiversidade nos biomas Pampa e Mata Atlântica e na Zona Costeira e Marinha.

Foco temático 2): Apoiar projetos de implementação e consolidação de experiências agroecológicas, que priorizam o protagonismo das mulheres.

Foco temático 3): Apoiar projetos de fortalecimento da gestão democrática com justiça de gênero em organizações que promovem a agroecologia e/ou a valorização da sociobiodiversidade.

São elegíveis organizações da sociedade civil, grupos, redes e/ou movimentos sociais do campo. O edital abrange os estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Edital FLD 03/2017 – Diaconia

Este edital tem três focos temáticos. A instituição proponente poderá optar por um deles ou integrá-los em um mesmo projeto.

Foco temático 1): Apoiar projetos de instituições diaconais, voltados para a realização de processos de avaliação institucional e planejamento institucional.

Foco temático 2): Apoiar projetos de instituições diaconais, voltados para atividades de formação no tema da Justiça de Gênero.

Foco temático 3): Apoiar projetos de instituições diaconais, que objetivam implementar e/ou fortalecer mecanismos de gestão democrática e participativa por meio de processos formativos e/ou práticos com as diferentes instâncias da instituição.

Com abrangência nacional, serão considerados projetos vindos de instituições diaconais com vínculo confessional com a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB).

Edital FLD 04/2017 - Direitos

O apoio se dará a projetos voltados para a defesa e garantia de direitos, com foco em justiça de gênero, direitos da população LGBT, democratização da comunicação, direitos das pessoas refugiadas e imigrantes, incidência em direitos humanos e superação da intolerância religiosa.

Com abrangência nacional, considerará projetos encaminhados por coletivos, redes, fóruns, movimentos sociais e organizações da sociedade civil.

Clique para fazer o download dos arquivos:

Edital FLD 01/2017 - Justiça Econômica

Edital FLD 02/2017 - Justiça Socioambiental

Edital FLD 03/2017 – Diaconia

Edital FLD 04/2017 - Direitos

Orientações para preenchimento de propostas para FLD

Versão para Impressão - Orientações para preenchimento de propostas para FLD

Formulário para Elaboração de Projetos da FLD


Reprodução: FLD

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Arqueólogos encontraram na Jordânia o que acreditam ser as ruínas da primeira igreja cristã. Com cerca de dois mil anos, o espaço subterrâneo fica embaixo da igreja de São Jorge, em Rihab, perto da fronteira com a Síria.

“Desenterramos o que pode ser a igreja mais antiga do mundo, datando entre 33 e 70 d.C.”, comemorou Abdul Qader al-Hussan, coordenador do Centro de Estudos Arqueológicos de Rihab.

primeira igreja do mundo

Ele insiste que sua equipe possui evidências suficientes para crer que “esta igreja abrigou os primeiros cristãos, muito provavelmente entre os 70 discípulos de Jesus Cristo”. Há uma inscrição no local que menciona “os setenta amados por Deus”. Por isso, classifica a descoberta como “fascinante”.

Mencionados no Livro de Atos dos Apóstolos, estes grupo de 70 discípulos, segundo a tradição fugiram da perseguição em Jerusalém e foram para o que hoje é o norte da Jordânia. Na região de Rihab há cerca de 30 antigos espaços de culto cristão, como a que mais tarde se tornou a Igreja de São Jorge, edificada no ano 230 d.C.

Contudo, o espaço subterrâneo abaixo do templo revela que ali a igreja primitiva vivia e praticava a sua fé, escondendo-se da perseguição dos governantes romanos.

Reclamada pela Igreja Ortodoxa da Jordânia, maior grupo cristão do país, a caverna de pedra tem um espaço que seriam antigos assentos talhados na pedra e uma área em forma de círculo, que provavelmente ficava algum tipo de altar.

“A única divisão que separa o altar da área pública é uma parede com uma entrada”, destaca Hussan, que acrescenta: “A caverna possui também um túnel profundo, que devia conduzir a uma fonte de água”.

O bispo da Arquidiocese Ortodoxa Grega, Archimandrite Nektarious, assevera que a descoberta é como “um importante marco para os cristãos do mundo inteiro”. Lembrou que a única estrutura “semelhante a esta, tanto na forma como no propósito está em Tessalônica, na Grécia”.

Antiguidade disputada

Ainda que os ortodoxos jordanianos reclamem o título para a caverna de “igreja mais antiga”, Israel descobriu em 2005 um local em Megido, onde um mosaico indicaria a existência de um templo cristão usado nas primeiras décadas do século I. Por isso, reclama para si o título de “igreja mais antiga do mundo”.

Nesse local, no centro da nave, ao invés de um altar, ficava uma mesa onde fazia-se uma refeição para lembrar a Última Ceia. O mosaico usa o termo grego para “mesa”, o que dá indícios de como eram as celebrações na cristandade antiga. Também menciona um oficial do Exército romano que seria o responsável pela construção do templo.

O local possui, no seu lado direito várias inscrições, que citam quatro mulheres. Do lado esquerdo, a escrita menciona Ekeptos, a mulher que “doou esta mesa em celebração a Deus Jesus Cristo”.

O mosaico apresenta desenhos de formas geométricas e o desenho de dois peixes, um antigo símbolo do cristianismo, mas não há nenhuma cruz visível.

Fonte: noticias.gospelprime
Foto: Reprodução

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Democracia
 
“Democracia e direitos sob ataque - um olhar dos movimentos sociais”: o próprio nome do evento é elucidativo dos objetivos do debate público que será realizado pela CESE no próximo dia 13 de março, a partir das 18h, no Museu de Arte da Bahia. Com presenças confirmadas para a mesa de abertura de Guilherme Boulos (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto – MTST), Sônia Guajajara (Articulação de Povos Indígenas do Brasil), Valdecir Nascimento (Articulação de Mulheres Negras Brasileiras) e João Paulo Rodrigues (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra – MST), o evento irá articular lideranças de movimentos sociais de todo o país para discutir os desdobramentos do golpe político que o Brasil atravessou e os retrocessos de direitos que a sociedade brasileira vem vivenciando.
 
O debate público é uma realização da CESE, com apoio do Museu de Arte da Bahia, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), Secretaria de Cultura do Estado da Bahia.
 
A agenda faz parte do “CESE e Movimentos Sociais”, encontro bianual que a CESE realiza: um momento de reflexão crítica coletiva, que a permite estar em sintonia com os movimentos e, assim, cumprir a sua missão de fortalecer suas lutas por direitos e democracia com justiça.
 
Encontro bianual
 
Neste ano, a reunião entre a organização e movimentos sociais será realizada de 13 a 14 de março nas dependências da CESE. A programação inclui a reflexão dos movimentos sobre seus principais desafios, estratégias de organização, articulação e incidência política e a coleta, por parte da CESE, de subsídios para orientar o seu trabalho nos próximos anos - prioridades, novos campos ou estratégias de atuação, mudanças necessárias nas formas de atuar entre outros.
 
Dando sequência, nos dias 15 e 16 será realizada a reunião CESE-Agências, momento no qual serão compartilhadas as perspectivas e posicionamentos de agências de cooperação internacional diante do atual cenário político brasileiro.  Estão confirmadas as presenças de representantes da Action Aid, Misereor (Alemanha), Heks (Suíça), Terre des Home (Suíça),  Brot für die Welt (Alemanha) e Fastenopfer (Canadá).
 
QUEM É QUEM – MESA DE ABERTURA
 
Sônia Guajajara: Por cinco anos, foi vice-coordenadora da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia (Coiab). Atualmente é coordenadora executiva da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib).
 
Guilherme Boulos: filósofo e psicanalista, Boulos é ativista político e social. É membro da Coordenação Nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).
 
Valdecir Nascimento: Atualmente é coordenadora-executiva do Odara – Instituto da Mulher Negra e integra a Articulação de Mulheres Negras Brasileiras.
 
João Paulo Rodrigues: integrante da direção nacional do MST, é formado em Ciências Sociais e membro do grupo de conjuntura da Fundação Perseu Abramo.
 
SOBRE A CESE
 
Ao longo de 43 anos, a CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço) já apoiou mais de 11,5 mil projetos de organizações populares de todo o Brasil, contribuindo para o fortalecimento dos direitos de mais de 10 milhões de mulheres, jovens rurais e urbanos; crianças e adolescentes; e representantes de populações tradicionais (indígenas, quilombolas, pescadores/as artesanais, entre outros).
 
SERVIÇO
 
O QUE: Debate Público “Democracia e direitos sob ataque: um olhar dos movimentos sociais”
QUANDO: 13 de março de 2017, a partir das 18h
ONDE: Museu de Arte da Bahia (Avenida Sete de Setembro, 2340, Corredor da Vitória, Salvador/BA)
 
CONTATOS PARA IMPRENSA
 
CESE (Coordenadoria Ecumênica de Serviço): (71) 2104-5457
Patrícia Gordano: patricia@cese.org.br
Luana Almeida: luana@cese.org.br
Thaís Ribeiro: thais@cese.org.br
 
Fonte: CESE
Imagem: Reprodução da Internet
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Precisamos ter a consciência da gravidade do momento político, social, econômico e moral que vivemos nos últimos meses. No difícil ano de 2016, o país viu-se diante de projetos e decisões congressuais – alguns já implementados – que claramente trarão em curto e médio prazos consequências graves para os trabalhadores e os pobres. O rotundo silêncio do presente contrasta, inexplicavelmente, com o rotundo barulho do ontem.
 
A conscientização e mobilização contra a chamada PEC 241 na Câmara Federal e PEC 55 no Senado, que mereceu atenção e apoio, não lograram resultado. Como compreender a lógica do corte no social e na educação e ao mesmo tempo o aumento nos ministérios, nos salários de algumas categorias já bem enriquecidas em relação à materia-pobregrande massa de assalariados e desempregados no país? Assuntos outros como a polêmica reforma do ensino médio, a redução da maioridade penal, a reforma da Previdência Social, a transferência da responsabilidade pela demarcação das terras indígenas do Poder Executivo para o Legislativo, como inapetência do Estado frente ao contínuo agravamento das condições de vida das populações indígenas, as mudanças no estatuto do desarmamento, as alterações em leis trabalhistas, o preenchimento de inúmeros cargos importantes com políticos, empresários e juristas sob suspeita ou em adiantado processo de investigação apontam, infelizmente, para sérios retrocessos em diversas conquistas que resultaram da mobilização de milhões de brasileiros desde tempos antigos como o da Constituinte, por exemplo.
 
É inegável que são propostas que, a despeito das fartas justificativas e explicações de natureza econômica e financeira, significarão ainda mais riscos, perdas e sacrifícios para os pobres. Mas não apenas estes. Famílias da chamada classe média veem rapidamente diminuir seu poder de compra, tendo que adiar sonhos como o de possuir o imóvel próprio, aumentar a família, formar os filhos na universidade ou que seja viajar e descansar da rotina de trabalho, cada vez mais massacrante e, com a pretendida reforma da previdência, com perspectivas muito longínquas de aposentadoria. A mortalidade precoce ronda cada vez mais as micro e pequenas empresas, que mal conseguem pagar os salários de seus poucos funcionários.
 
Mas a reação governamental a isso tem sido, por um lado, a defesa dos interesses do grande capital e, por outro, a exigência de sacrifícios dos mais pobres e a agudização das condições de sobrevivência da microeconomia e da própria economia doméstica. Mais do que poupado, o sistema financeiro é novamente privilegiado. Como no mundo todo, os bancos vão bem melhor que o país. Aliás, difícil lembrar no Brasil algum momento em que cidade mais pobre do maranhãobanqueiros tenham reclamado de decisões econômicas. A mais terrível síndrome brasileira da Casa Grande & Senzala arraigada no modus operandi, faciendi e vivendi sociopolítico, governamental, empresarial e, assombremo-nos todos, também do Judiciário.
 
Se a economia é que, em geral, mais impacta as pessoas, não devemos nos distrair em relação aos outros setores da vida social. Um fenômeno que parece, ao mesmo tempo, se dar também em vários países do mundo, o Brasil testemunha neste momento uma triste desaceleração e recuo em iniciativas de resgate da dignidade popular. Somada à crise econômica que, como sempre, atinge de modo mais draconiano e covarde os empobrecidos, observamos, claramente, no país, na política e nos direitos sociais, uma guinada conservadora e neoliberal.
 
Importantes conquistas em termos dos dispositivos e dinâmicas de participação democráticas nas políticas públicas e diretamente nos governos dos municípios e estados via associações de bairros, de categorias profissionais, grupos sociais e redes de apoio comunitário vão se fragilizando e desmaterializando. É lamentável observar como a cidadania no Brasil, mantida historicamente em situação anêmica e emudecida, volta a ser constrangida, na exata hora em que se reanimava e reunia forças para erguer a cabeça e caminhar.
 
Pode-se mencionar aqui as paradoxais medidas de imputar penalmente os adolescentes – pessoa adulta em formação – e permitir que os recém-adultos possam portar armas de fogo, o que certamente não significará a acampadiminuição ou maior controle da violência. Pelo contrário, tudo sugere que aumentará a verdadeira guerra civil que, anualmente, dizima dezenas de milhares de brasileiros em mortes por arma de fogo, especialmente os mais jovens e negros, muitos pelas forças que deviam proteger a população. Tragédia sobre a qual a sociedade simplesmente silencia.
 
Assim como também a mídia e a maior parte da sociedade não se pronunciam sobre o gravíssimo momento enfrentado pelas populações indígenas brasileiras. Nesses quase 30 anos de vigência da Constituição, que estabeleceu avanços importantes de proteção aos direitos indígenas e das populações tradicionais, essas comunidades estejam enfrentando hoje, talvez, os riscos mais graves do que em qualquer outro momento dessas três décadas. É a conclusão de um relatório apresentado ao Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas. O relatório chama a atenção para um aspecto que parece bem sintomático do Brasil atual, em que o Estado insiste em viver divorciado da sociedade civil. O país dispõe de uma série de disposições constitucionais exemplares em relação aos povos indígenas, mas não as aplica, e o que se percebe é a deterioração intensa das condições de vida desses povos.
 
Nenhuma nação pode realizar-se em meio a tanta desigualdade. É papel precípuo da Universidade não só expressar sua solidariedade às massas de pobres, trabalhadores empregados ou não, homens e mulheres de boa vontade e de todas as idades, como também contribuir para a formação da consciência crítica, cidadã, ecológica integral, progressista, ética, arejada, humanizada, inclusiva, justa e livre.

Fonte: POM
Texto: Dom Joaquim Giovani Mol Guimarães,
reitor da PUC Minas e bispo auxiliar da arquidiocese de Belo Horizonte

Foto: Reprodução
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A Rede Trans Brasil disponibilizou, em janeiro deste ano, um dossiê traçando um raio-x das travestis, transexuais e transgêneros no país. Batizado de “A Geografia dos Corpos das Pessoas Trans”, o relatório traz informações muito importantes sobre a transfobia e os alto índices de violência. De acordo com pesquisa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) de 2013, a expectativa de vida desse grupo social não passa dos 35 anos, menos da metade da média nacional de 74,9 anos da população em geral.
 
Uma das revelações mais impactantes é sobre a quantidade de pessoas trans assassinadas no Brasil. Em 2016 foram 144 mortes.
 
O relatório, que não faz diferenciação entre travesti e transexual, revela ainda que entre o dia 1º de outubro de 2015 e 30 de setembro de 2016 foram 123 mortes no Brasil. Em segundo lugar está o México com 52 homicídios, 42% da média brasileira. Os Estados Unidos aparecem em terceiro lugar com 23 casos. Os dados são apresentados pela Rede Trans Brasil com dados da TGEU (Transgender Europe).
 
Em outro gráfico, o estudo revela que 1768 pessoas trans foram assassinadas na América Central e do Sul entre 1º de janeiro de 2008 a 30 de setembro de 2016. A Ásia aparece em segundo lugar com apenas 202 homicídios. O continente com menos casos registrados nestes oito anos e meio é a Oceania com apenas 5. Das mortes nas Américas, o Brasil apresenta também o maior número. Foram 900 falecimentos no período.
 
“Não é fácil a gente se deparar com esses casos e receber as fotos da vítima. Um assassinato de travesti nunca é com um tiro e pronto. É com vários tiros, com o genital queimado, com várias facadas... É um crime de ódio mesmo”, explica Euclides Cabral, um dos autores do relatório. O relatório revela que a causa de morte mais comum a pessoas trans são as armas de fogo, com 66 dos 144 casos registrados em 2016. Em segundo lugar estão as armas brancas, com 31 casos e pauladas aparecem em terceiro lugar com 9 homicídios. É importante notar que muitos casos são adotados mais de um tipo de arma ou de agressão. 74 homicídios foram registrados em via pública.
 
O estudo aponta ainda que a maioria dos casos acontece no Estado de São Paulo, com 18 assassinatos. O Rio de Janeiro aparece com 13 mortes e o Rio Grande do Sul em terceiro com 12. Três pessoas trans brasileiras foram mortas fora do país. Apesar dos altos índices em São Paulo e Rio de Janeiro, o Nordeste surge com a região mais perigosa com 46 homicídios.
 
94% das vítimas estão solteiras. 50,6 são profissionais do sexo e em 24 homicídios o assassino era cliente da pessoa trans. Dos 144 homicídios de 2016, a relação da vítima com o agressor foi ignorada 95 vezes.
 
Com informações do portal R7
Foto: Agência Brasil
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Milhares de católicos saíram à ruas em Manila para protestar contra a política linha-dura adotada pelo presidente filipino, Rodrigo Duterte, contra o tráfico de drogas. O mandatário tenta reintroduzir a pena de morte.
 
Ao menos 10 mil pessoas aderiram à marcha "Walk For Life" ("Caminhe pela Vida", na tradução livre), que pedia o fim da pena de morte. Foi uma das maiores manifestações contra Duterte e um sinal do crescente ativismo da Igreja Católica romana contra condenações que preveem pena de morte. Duterte tomou posse em junho de 2016 com a promessa de combater o narcotráfico nas Filipinas, que é um país de maioria católica.    
 
O governo mantém uma linha de tolerância zero em crimes envolvendo drogas ilícitas e quer retomar a pena de morte, abolida em 2006 sob pressão da Igreja.    
 
No entanto, grupos de direitos humanos e representantes religiosos se opõem às medidas e alegam que a política tem levado policiais a assassinarem seus rivais ou perseguirem cidadãos inocentes alegando que são traficantes. Entidades afirmam que mais de cinco mil pessoas teriam morrido já nas operações policiais contra o tráfico.

Fonte: JB com Agência ANSA
Foto: Reuters
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Situações cotidianas como ganhar uma boneca na infância, dançar quadrilha na escola ou comprar e uma meia fina sempre foram mais complicadas para Maria Lucia Archanjo. Nascida há 59 anos em Jundiaí, na grande São Paulo, Maria Lucia se recusava a participar dos festejos juninos antes mesmo de ser convidada, pois tinha medo de ser rejeitada pelos meninos devido a sua cor. Na juventude, quando ela e as irmãs queriam sair precisavam tingir a meia fina. “A gente colocava ela de molho no chá mate pra ficar da cor da nossa pele”, conta ela, que é costureira e montou uma oficina em casa. A falta de identidade num país onde a maioria das mulheres são negras a incentivou a militar no movimento negro desde a década de 1980 na região de Jundiaí. De lá para cá, muita coisa mudou, outras nem tanto.
 
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No Brasil, um homem negro ganha 40% a mais do que uma mulher negra. Se comparado a uma mulher branca, a diferença é ainda mais acentuada: uma branca recebe 70% a mais do que uma negra.
 
Apesar do quadro, Maria enfatiza que grandes vitórias para as mulheres negras foram conseguidas através da luta de dias passados. É o caso do sistema de cotas para alunos negros e de baixa renda para ingressar na universidade. “Hoje, se existem as cotas é porque começamos as discussões de reparação naquele tempo. As pessoas criticam, mas as cotas são necessárias”, lembra.
 
O direito das empregadas domésticas também é um assunto que foi tema de debates seguidos desde os anos 1990. “Num Encontro das Mulheres Negras do Interior de São Paulo, em 1995, um dos temas mais relevantes foi o trabalho de empregadas domésticas. Depois de tantos anos, elas conseguiram alguns direitos”.
 
A chamada PEC das Empregadas Domésticas foi regulamentada em 2015 e garantiu benefícios para essas trabalhadoras que até então ficavam à mercê de suas patroas. Algumas pagavam férias ou Fundo de Garantia, outras não, mantendo-as em situação vulnerável.
 
Mesmo com essa garantia recente, muitas mulheres negras já entenderam que podem ir além dessa ‘boa vontade’ das casas de famílias brancas. Joyce Fernandes, 31 anos, por exemplo, trabalhou durante boa parte da vida como empregada doméstica. Primeiro, na adolescência, ajudando a mãe. Depois, assumindo sua própria casa de família. Ela não é um caso isolado, já que a profissão de 18% de todas as brasileiras negras é essa mesma. Com menos escolaridade, fruto de um processo que traz os ecos da escravidão que durou até 1888, as mulheres encontraram no trabalho doméstico um dos poucos refúgios.
 
Preta Rara, como é conhecida na cena cultural, onde atua como rapper, decidiu então criar uma página no Facebook, o “Eu, empregada doméstica”, para contar histórias de racismo, assédio e depreciação que as domésticas enfrentam. “A minha vontade sempre foi dar visibilidade e voz para essas mulheres, para que elas pudessem falar em primeira pessoa”, conta. Ela chegou a ouvir de uma patroa que não deveria estudar, e sim ser feliz na posição onde estava, pois sua avó e sua mãe tinham sido empregadas domésticas, logo o destino dela era o mesmo. Mas ela decidiu que não seria. Se rebelou e entrou para a universidade para estudar História. Furou o bloqueio num país onde apenas 12% da população negra no Brasil tem a mesma oportunidade de cursar o ensino superior, e ainda com ajuda das cotas raciais.
 
Mas tanto no rap quanto na escola, a batalha é permanente. Uma vez, antes de assumir a sala de aula numa escola de Santos, no litoral de São Paulo, teve que dar uma “aula-teste”. Nenhum outro professor da escola tinha passado pelo mesmo processo.
 
O estudo também foi um tabu para Cassia Maria Silva, de 50 anos. Ela sempre amou estudar. Tanto que se matriculou na escola escondida da mãe quando tinha 14 anos. Ela cuidava dos irmãos de dia e ia para a aula à noite. Mas teve de parar, pois precisava trabalhar e acabou adiando a conclusão do ensino médio até os 26 anos, quando já tinha um filho. Aos 30 anos decidiu que faria faculdade. Prestou vestibular de Química, e passou na Universidade de São Paulo. “Porém meu ex-marido não tinha como bancar a casa. Eu não pude concluir”, conta lembrando que passou a trabalhar de empregada doméstica para sustentar o lar.
 
Ainda assim, três anos depois conseguiu estudar Física na Fundação Santo André (FSA) e começou a dar aula em uma escola da rede pública, em Diadema, grande São Paulo, onde mora. Lá lecionou as disciplinas de matemática, física, química, ciências e biologia. Mas em certa noite de 2003, quando voltava da faculdade, entrou para as estatísticas, que mostram que uma mulher é estuprada a cada 11 minutos no Brasil. O agressor só a soltou quando viu que seu peito vazava leite — ainda amamentava a filha mais nova. “Ele disse que não me mataria porque também tinha filhos. Tomei o coquetel contra AIDS por um bom tempo”, relata.
 
Não foi a única adversidade que a vida lhe impôs. Em 2006 descobriu um câncer de mama e viveu o périplo do tratamento. “Meu cabelo era enorme, cacheado e eu fiquei sem um fio de cabelo. Eu era muito vaidosa e fiquei pensando como ia sair na rua careca”, lembra. “Não estava preocupada com o câncer, mas com a falta de cabelo. Então coloquei um salto de 15 cm, uma minissaia, maquiagem perua, brinco perua. E quando as pessoas ficassem com dó de mim por causa da careca, olhariam minhas pernas. Eu me acho linda!”
 
Cássia voltou à sala de aula depois do tratamento. Até que em 2015 recebeu um novo diagnóstico de câncer que lhe dava apenas seis meses de vida. Desafiou a sentença, como tantas que precisou ao longo da vida. Hoje, continua se tratando enquanto faz um curso de gastronomia.
 
Maria Lucia também superou um câncer em 2010. Mas isso já é passado. Hoje, dedica-se a educar seus netos para enfrentarem outra doença no Brasil: o preconceito. “Como é que se diz? Empoderamento? Pois que cada vez se empoderem mais!”, diz Maria, que tem orgulho do próprio destino. “Se eu fosse branca, não seria tão feliz.”

Fonte: El País
Foto: Rapper Preta Rara / Divulgação
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