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O Fundo Nacional de Solidariedade (FNS) é o gesto concreto da Campanha da Fraternidade. Nos últimos dois anos, entre as centenas de iniciativas apoiadas estava a Casa de Assistência ao Egresso Definitivo da Comarca de Criciúma (SC), idealizada pelo Serviço de Pastoral Carcerária (Sepasc) da diocese de Criciúma. Na última terça-feira, aconteceu a cerimônia de bênção e inauguração da casa, com a presença do bispo local, dom Jacinto Inacio Flach, e do secretário-executivo de Campanhas da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, padre Luís Fernando da Silva.
 
Diversas pessoas participaram da missa que deu abertura à Casa, entre autoridades, benfeitores e voluntários. A missa também foi concelebrada pelo idealizador do projeto, padre Marcos Henrique Ferreira; pelo coordenador diocesano de pastoral, padre Joel Sávio, e pelo pároco de Jacinto Machado, padre Hélder Benedet. A partir da missa a Casa passou a contar, em sua capela, com a presença do Santíssimo Sacramento.
 
“Com muita alegria estamos aqui, nesta noite, para abençoar esta obra e pedir força e luz para que ela possa crescer e frutificar, e para que aqui sejam realizadas muitas obras de caridade. Muitas pessoas precisam de uma segunda ou terceira chance na vida e esperam que tenhamos um coração aberto para isso. Muitos não estão aqui, mas colaboraram. Esta Casa foi construída para acolher a todos. Se estamos aqui é porque acreditamos na misericórdia de Deus”, disse dom Jacinto, durante sua saudação, no início da missa.
 
Em sua homilia, o bispo expressou otimismo ao falar das estruturas físicas e dos trabalhos desenvolvidos pelo sistema prisional no Sul do Estado, ao referir-se aos projetos de ressocialização nas penitenciárias, que dão oportunidade de estudo e trabalho para os reeducandos. “Vejo uma realidade muito diferente daquela que se vê em outros lugares, onde 70% do pessoal trabalha. As pessoas têm possibilidade de ter um futuro; não está lá amontoadas como animais. Sei dos muitos desafios que nós temos, mas também sei das bênçãos”, declarou o bispo, que sempre que pode realiza visitas às unidades prisionais, já acompanhadas semanalmente por equipes da Pastoral Carcerária.
 
“Nós – autoridades, Igreja e sociedade – todos estamos nos voltando para fazer deste mundo um pouquinho melhor. Deste ‘pouquinho’, vocês todos participam. Esta casa é uma casa que dá oportunidade. Quando essas pessoas voltam à sociedade, não podemos excluí-las. Temos que acolhê-las e dar oportunidade a elas, porque Deus faz assim conosco. Nós cometemos pecados, mas por que Deus não nos exclui, rejeita ou joga fora? Porque Ele sabe que temos coisas boas em nosso coração e isso tem que crescer e frutificar na sociedade, na Igreja. Se não olharmos assim, como queremos que Deus olhe para nós? Esta casa é mais uma obra para a glória de Deus. Padre Marcos e o grupo tiveram a iniciativa, mas se não tiverem ajuda das pessoas, nada irá acontecer. É uma obra boa que irá beneficiar a nossa sociedade”, disse o bispo.
 
Para Dom Jacinto, auxiliar uma pessoa a ser diferente ajudará muitas vidas, beneficiando não só a família daquele que cumpriu a pena, mas toda a sociedade para a qual ele retorna. Segundo o Bispo, o papel de todos os batizados e pessoas de boa vontade está também em participar destas iniciativas. “Orgulho-me muito da nossa região. Porque aqui sabemos ser acolhedores, uns com os outros, seja o poder executivo, legislativo, judiciário, as empresas, as pessoas mais humildes, mais simples, universidades, ninguém está fechado. Os meios de comunicação são abertos. Todos nós fazemos parte de uma sociedade em que o bem comum tem que ser sempre visto, a começar por aqueles que são mais indefesos”, frisou o epíscopo.
 
Uma Igreja samaritana
 
Representando a CNBB, o padre Luís Fernando da Silva, que é membro do Conselho Gestor do FNS manifestou alegria ao contemplar o projeto da Casa do Egresso, que tem seu olhar voltado para aqueles que, muitas vezes, são excluídos pela sociedade. “Para a Conferência dos Bispos é uma alegria poder contemplar aquilo que o Papa Francisco chama de ‘Igreja samaritana’. Nós conhecemos a Parábola do Samaritano: alguns passam perto das vítimas da sociedade e se desviam do caminho. O samaritano é aquele que se inclina sobre a dor do ser humano e cura suas feridas. Celebrar a apresentação desta obra é celebrar a Igreja samaritana. É a Igreja, é a sociedade que quer tocar nas feridas, quer tocar a vida destes nossos irmãos que, às vezes, não têm voz, não têm vez, não têm sua dignidade respeitada. Muitos destes nossos irmãos que serão acolhidos nessa casa, recém-saídos de um presídio, não são olhados pela sociedade. Na maioria das vezes, são descartados. Aqui, poderão encontrar acolhida, poderão encontrar alguém que cure suas feridas. Essa é a missão da Igreja, nos dias de hoje: curar as feridas de quem ninguém quer curar. A CNBB louva esta iniciativa e agradece este bem que é feito na Diocese de Criciúma, por meio desse projeto”, destacou padre Fernando.
 
Segundo o secretário executivo para a Campanha da Fraternidade e membro do Conselho Gestor do Fundo Nacional de Solidariedade da CNBB, existem outras iniciativas similares no Brasil, mas esta é pioneira com o acompanhamento tão próximo de uma diocese. Por duas vezes, a CNBB, por meio do Fundo Nacional de Solidariedade, destinou recursos para as obras da casa: na primeira vez, para a parte hidráulica da edificação; na segunda, auxiliou na aquisição de móveis.
 
“Todos os anos, no Domingo de Ramos, vocês recebem um envelope e colocam o fruto da Quaresma. Todos os envelopes do Brasil se reúnem e, destes, colhe-se uma pequena colaboração. Hoje, aqui em Criciúma. Amanhã, em Manaus. Depois de amanhã, no Maranhão, no Mato Grosso. E a Igreja se alegra porque, em cada lugar, o bem pode ser feito. É uma alegria! Trago essa mensagem de dom Leonardo e de dom Sergio que, de fato, Deus abençoe muito tudo que será feito nesse lugar. Muito obrigado e parabéns”, disse padre Luís Fernando aos presentes na missa.
 
Fundo Nacional de Solidariedade auxilia diversas iniciativas por todo o Brasil
 
“O Fundo Nacional de Solidariedade é uma iniciativa da Igreja no Brasil onde acontece a comunhão dos bens dos fiéis no período da Quaresma. Todos os anos, no Domingo de Ramos, é feita uma coleta em todas as missas celebradas nas comunidades paroquiais e, desse valor arrecadado, 60% fica na Diocese, e é chamado de Fundo Diocesano de Solidariedade. O bispo e o seu Conselho vão olhar para as realidades da sua diocese e procurar fazer encaminhamentos, sendo que 40% desse valor total é encaminhado para a sede da CNBB, em Brasília. Lá nós recebemos várias iniciativas de projetos, que são auditados pela CNBB, assistentes sociais, contabilistas, e escolhemos alguns para ajudar. Ajudamos uma média de 200 a 250 projetos por ano, somando um valor de, mais ou menos, 6 milhões de reais”, explica o secretário.
 
De acordo com padre Luís Fernando, o FNS, no ano de 2018, terá uma particularidade. “Estamos tendo o ingresso de muitos venezuelanos pelo Norte do Brasil, principalmente pelo Estado de Roraima, e o poder público, atualmente, não tem condições de ajudar tantos imigrantes. Foi feita uma proposta durante a Assembleia Geral da CNBB, em Aparecida, de que 40% desse valor total que vai para Brasília, neste ano seja destinado para a causa dos venezuelanos. Houve votação unânime dos bispos apoiando essa iniciativa, porque sabemos como é urgente essa causa lá. Sempre é o fruto daquela espiritualidade quaresmal que se materializa na comunhão dos bens e pode ajudar tantos projetos na Igreja do Brasil. De norte a sul, temos ajudado muitos projetos”, pontua o presbítero.
 
Projeto surgiu depois de trabalho com moradores de rua
 
Para que o Serviço de Pastoral Carcerária (SEPASC) encaminhe as atividades da Casa, que conta com 32 leitos para egressos masculinos por até três meses, ainda será elaborado um regimento e conduzida a formação da equipe técnica. Conforme o tesoureiro do SEPASC, Pedro Manoel da Silva, o objetivo é reinserir na sociedade pessoas transformadas através do aconselhamento espiritual e psicológico, assistência social e jurídica, promovendo o resgate da auto-estima dos acolhidos.
 
“Dizem que todo projeto, para que se realize, tem que partir do coração de Deus e passar pelo coração do homem. E foi isso que aconteceu. Partiu de uma emoção interior quando servíamos aqueles mendigos na rua, quando levávamos alimento e começávamos a conversar com eles sobre o que os havia levado a caírem nessa vida de rua. Histórias comoventes, pessoas que não conseguiam se superar por falta de assistência da própria comunidade, muitas vezes, pessoas com histórias até bonitas, que carregavam a bíblia no fundo da mochila. Descobrimos que muitos deles eram ex-detentos, porque o Estado não os preparava antes de pô-los em liberdade. Muitos já tinham perdido contato com a família, não tinham dinheiro no bolso, nem documento. Para onde iriam? Para as ruas. E quando chegava o inverno bravo, muitos deles confessavam que cometiam pequenos delitos para ter motivos de ir presos, para ter comida e uma cama para dormir. ‘Foi por aí, comovendo o coração desse grupo, ao qual está a frente padre Marcos, que resolvemos abraçar esse projeto. Cada tijolinho colocado nessa obra foi cada um de vocês que nos ajudaram. Somos gratos a cada um e àqueles que não puderam estar presentes também”, afirmou Silva.
 
O padre Marcos Henrique Ferreira, discreto durante toda a caminhada, fez questão de agradecer a todos que colaboraram e deu um obrigado especial. “Tenho uma gratidão muito grande pela Justiça Federal, pois aquelas pessoas que cumprem penas colaboraram com quase 45% da construção dessa casa. Para pintá-la, seriam 35 mil reais, e não gastamos um centavo. Esta casa foi pintada por eles. Agradeço muito a todos de coração. A casa estará aberta para visitação”.
 
Por: Bibiana Pignatel e Assessoria de Imprensa da CNBB
Foto: Bibiana Pignatel e Nathany Marques – Pascom Catedral São José

 
A Maloca da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) foi tomada pela força e coragem feminina durante os quatro dias do XI Encontro de Mulheres Indígenas do Rio Negro, na primeira semana de maio. O evento, que reuniu 200 mulheres de 18 etnias indígenas, contou com a presença de convidadas de renome nacional, como a cantora Djuena Tikuna e Nara Baré, presidente da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab). O encontro discutiu pautas desafiadoras, como o feminicídio, a violência, perspectivas para a juventude nas terras demarcadas e a participação da mulher indígena nos espaços de decisão.
 
“A gente vê as mulheres brancas e negras indo à luta por direitos, mas as indígenas ainda não são vistas. Queremos ter a nossa voz escutada também, pois os problemas que as outras mulheres enfrentam, nós enfrentamos igualzinho e muitas vezes com mais dificuldade”, ressalta a coordenadora do Departamento de Mulheres da Foirn, Elisângela da Silva Baré, da Terra Indígena (TI) Cué-Cué Marabitanas, próxima da fronteira com a Venezuela. Aos 34 anos, mãe de três filhos, casada, agricultora, professora e graduada em Ciências Sociais, Elisângela coordenou o encontro. Junto com ela esteve sua parceira de movimento político, Janete Alves Desana, que atua também na Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro.
 
“A gente percebe que as jovens querem mudança. E as mais velhas muitas vezes não entendem. Mas, agora, percebemos que o importante é ter roda de conversa. Porque sem esses encontros a gente não consegue provocar as mulheres a falarem delas mesmas. Não temos espaço na nossa rotina”, comenta Adelina Sampaio Desana, jovem liderança da Foirn. A partir dos debates e encaminhamentos do encontro foi redigido o “Manifesto das Mulheres Indígenas do Rio Negro”. Leia aqui.
 
Luta política e dedo na ferida
 
Muitas das lideranças presentes foram para São Gabriel da Cachoeira (AM) – onde só se chega por via aérea ou fluvial – direto do ATL (Acampamento Terra Livre), a maior mobilização indígena do Brasil, em Brasília. Saiba mais.
 
A cantora e jornalista Djuena Tikuna foi uma delas. Pela primeira vez na região, Djuena chegou das acaloradas discussões na capital federal para debater e deixar suas contribuições às mulheres rionegrinas. “Fiquei muito feliz de poder contribuir tanto como cantora quanto como ativista e jornalista”, comentou a artista, que mora em Manaus (AM). Além de protagonizar o show de encerramento, Djuena participou de uma mesa sobre a importância da comunicação para o movimento indígena ao lado de outras comunicadoras, como Mayra Wapichana, do Conselho Indígena de Roraima (CIR) e Sany Brasil, da rádio FM O Dia.
 
As mulheres do Rio Negro também debateram sobre violência em pequenos grupos de trabalho, onde puderam confidenciar histórias pessoais ou de parentes. “A gente chora sozinha nas roças de tanta dor dentro do peito. A gente passa a noite apanhando do marido e de manhã dá uma cuia de mingau para ele. Essa é a realidade de muitas de nós mulheres indígenas aqui no Rio Negro”, confidenciou uma jovem participante.
 
Em outro grupo, uma idosa revelou que sua mãe dizia: “Se um dia o seu marido bater em você, não conte nada para ninguém. Você não pode falar nada para as pessoas porque senão vai provocar briga e intriga”, revelou. Esses e outros depoimentos ainda mais contundentes foram registrados pelas mulheres indígenas que desejam enfrentar esse tipo de situação. Como disse uma senhora Yanomami: “Naka (mulher, em Yanomami), isso não é da cultura não. Isso é violência contra a mulher mesmo.”
 
As mulheres também se mostraram preocupadas com o uso abusivo de álcool, sobretudo em relação às crianças e jovens. Elas afirmaram que é preciso atuar fortemente na educação e conscientização sobre as bebidas alcóolicas industrializadas, que fazem mal à saúde física e mental dos consumidores, e são diferentes das bebidas tradicionais fermentadas a base de mandioca. “É um problema de saúde pública e o DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) do Alto Rio Negro precisa atuar fortemente nessa questão”, apontou uma liderança de Santa Isabel do Rio Negro.
 
As mulheres indígenas também reivindicaram que seja implantada uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), em São Gabriel da Cachoeira, com uma casa de acolhimento às vítimas de violência que possa abrigar mulheres dos municípios de Barcelos, Santa Isabel do Rio Negro e São Gabriel da Cachoeira, ou seja, do Baixo ao Alto Rio Negro.
 
Temas como o futuro dos adolescentes e jovens, empreendedorismo da mulher indígena, saúde e os Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) também foram debatidos pelas participantes. “Foi um evento singular para o movimento indígena do Rio Negro. Nossas parentes mostraram que são capazes de liderar”, frisou Nara Baré, presidente da Coiab. Nascida em São Gabriel, Nara é uma das principais vozes femininas do movimento indígena brasileiro, representando a Amazônia no Brasil e no exterior. O encontro teve ainda uma feira de artesanato, cerâmica e alimentos do Sistema Agrícola Tradicional do Rio Negro.
 
Além de pausas nos debates para a música de Djuena, encenações, dança e poesias, o evento teve a pré-estreia do filme “Quentura”, da cineasta Mari Corrêa, do Instituto Catitu. Uma produção realizada para a Rede de Cooperação Amazônica (RCA), o filme retrata as mudanças climáticas sob o olhar sensível das mulheres indígenas, entre elas mulheres rionegrinas, representadas pelas Yanomami, da região do Pico da Neblina, e pelas mulheres de Iauaretê, lideradas pela ex-presidente e atual diretora da Foirn, Almerinda Ramos de Lima, Tariana, da Terra Indígena Alto Rio Negro.
 
Encerramento
 
No encerramento do XI Encontro das Mulheres Indígenas do Rio Negro, muitos moradores de São Gabriel da Cachoeira foram comemorar os 31 anos da Foirn e aproveitar o show da cantora Djuena Tikuna, a primeira indígena a fazer um espetáculo solo no famoso Teatro Amazonas, em Manaus. O mestre Baniwa, Luiz Laureano, da Maloca de Itacoatiara Mirim, fez uma performance de improviso com Djuena tocando o seu Japurutu para fechar o encontro com música instrumental indígena da região.
 
O evento foi realizado pela Foirn e teve a parceria do Instituto Socioambiental (ISA) e da Fundação Nacional do Índio (Funai) e contou com apoio da Avon Mulheres, CESE, RCA, União Europeia e da Fundação Estadual do Índio (FEI).
 
Fonte: Instituto Socioambiental
Foto: Ovinho Tuyuka - Rede de Comunicadores Indígenas do Rio Negro

 
 
A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) realizou, entre os dias 31 de maio e 3 de junho, seu XXXIV Sínodo Geral, em Brasília-DF. Entre as diversas deliberações do Sínodo - que incluiu a votação em favor de estender o matrimônio a casais do mesmo sexo - também esteve a escolha do novo primaz e da responsável pela Secretaria Geral da Igreja. Neste ínterim, foram instituídos, respectivamente, dom Naudal Alves Gomes e reverenda Magda Guedes Pereira.
 
Dom Naudal: Nasceu em 1953, na cidade de Santana do Livramento, RS. Casou-se com a Profa. Carmen Regina Duarte Gomes em 1978, com quem teve 3 filhos: Denise, Clarissa e Maurício. Antes de ser eleito bispo da Diocese Anglicana de Curitiba, exercia a função de deão da Catedral do Mediador, em Santa Maria, e de bispo sufragâneo da Diocese Sul-Ocidental.
 
Reverenda Magda: Estudou teologia no Seminário da IEAB em Porto Alegre (1992-1995). É pedagoga e pós-graduada em Bioética e Pastoral da Saúde pela Universidade de São Camilo, SP. Foi ordenada Diácona em 1996 e Presbítera em 1997, na Diocese Sul Ocidental. Tem atuado nas relações ecumênicas, como na CESE, CONIC, CEADe, CLAI.
 
Sínodo Geral
 
O Sínodo é o órgão máximo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. É composto da Câmara dos Bispos e da Câmara dos Clérigos e dos Leigos, cada uma adotando sua própria mesa e seu próprio regimento interno. As Câmaras trabalham em conjunto, salvo nos casos previstos nos Cânones Gerais, ou por solicitação de uma das câmaras.
 

CONIC com informações da ALC Notícias e da IEAB
Fotos: IEAB

 
Assim fala o Senhor Deus: Grita forte, sem cessar, levanta a voz como
trombeta e denuncia os crimes contra o meu povo e os pecados da casa de Jacó” (Isaías 58.1).
 
E o efeito da justiça será paz, e a operação da justiça, repouso e segurança para sempre” (Isaías 32.1).
 
Diante da gravidade do momento político, social, econômico e ético que temos vivido, o Colégio Episcopal da Igreja Metodista no Brasil, sob a luz do testemunho do Evangelho, entende que a Igreja não pode se omitir, tendo em vista o sofrimento e as graves consequências de todo este cenário para toda a sociedade brasileira.
 
Consideramos que o movimento liderado pelos caminhoneiros e caminhoneiras é um dos reflexos da insatisfação que já se tornou visível no clamor organizado de outros segmentos da sociedade.
 
Como Igreja, nosso papel pastoral é profético, ministerial, reflexivo e educativo e deve ecoar onde nossa voz alcançar, reafirmando que “cremos no Reino de Deus e sua Justiça, que envolve toda a criação e que não existe nenhum valor acima da pessoa criada à Imagem e Semelhança de Deus”. Do mesmo modo, cremos que “todos os recursos técnicos e econômicos e os valores institucionais estão a serviço da dignidade humana na efetiva justiça social”.
 
Por isso, nos contrapomos:
 
  • A toda degradação moral e à banalização da ética e do decoro que deve estabelecer condições de respeito e de dignidade na convivência das relações humanas, bem como a aprovação de leis que firam a justiça social e equidade em um estado democrático de direito;
  • A toda prática de corrupção de omissão, de obstrução da verdade, da iniquidade na gestão da coisa pública, do abuso de poder, da improbidade administrativa;
  • À cultura da impunidade em qualquer cenário nacional e toda forma de ameaça à paz e à segurança da nação;
  • A toda elaboração e defesa de leis contrárias à dignidade humana, com especial foco àquelas que prejudicam a infância, a mulher, as populações negras e indígenas e que, notadamente, vão de encontro aos valores do Evangelho de Cristo;
  • À proposição de atendimento às demandas ora em tela, como a ajuda na questão dos combustíveis, às custas do repasse aos menos favorecidos e favorecidas, como a micro e pequenas empresas, trabalhadores e trabalhadoras autônomos, a agricultura e a pecuária de pequeno porte e a população em geral, sem redução de impostos, sem ajustes de gastos do governo e sem reforma política;
  • Ao recuo das iniciativas populares que resgatam a dignidade do povo sofrido e desesperançado.
  • Como discípulas e discípulos, no exercício da missão, vivência da fé e testemunho, o Senhor nos chama a sermos protagonistas da salvação. Como Igreja, Ele nos conclama a tomar atitude em defesa dos nossos direitos, de educação e saúde pública de qualidade, de trabalho digno, do gozo da vida no tempo da aposentadoria, do acesso à moradia, da alimentação saudável e digna e da preservação da segurança no mundo criado por Deus.
 
Existem vozes fortemente inconformadas e um clamor popular que manifesta insatisfação com as distorções das realidades apresentadas pela mídia. Diante da escandalosa ascensão ao poder de pessoas de duvidosa reputação, suspeitas de corrupção e com processos avançados de investigação, há em nós um sentimento de inconformidade. O item 5 do Credo Social da Igreja Metodista nos alerta que os problemas sociais são causa e efeito da marginalização passiva e ativa das pessoas.
 
Diante de todo esse caos, conclamamos o envolvimento de todos e todas num esforço conjunto da Igreja a interceder pelo nosso país, pelo bem das pessoas, famílias e movimentos sociais empenhados pela justiça, no reestabelecimento da justiça e da paz.
 
Recusemo-nos a participar desse processo de caos, negando-nos a comprar coisas por preços abusivos. Denunciemos as pessoas que, nesse meio, procuram perverter o direito, como comerciantes sem escrúpulos e pessoas que atuam como cambistas, comprando e revendendo produtos que são de primeira necessidade. Ao compartilhar informações sobre o assunto, verifiquemos sua procedência e não prestemos serviço aos caóticos e conspiradores de plantão, que deturpam causas justas para benefício próprio e de grupos.
 
Procuremos promover a paz em todos os âmbitos possíveis, colaborando e ajudando as pessoas envolvidas nos movimentos por justiça. Que atuemos, participando ativamente das manifestações que pedem redução de impostos, redução de benefícios concedidos a integrantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário que ferem a dignidade do povo. Essas manifestações incluem envio de projetos, abaixo-assinados, presença nas câmaras de vereadores das cidades, nas assembleias legislativas estaduais e nos espaços da Câmara e do Senado Federal quando são votados temas de interesse público; escrita de cartas e e-mails aos seus representantes partidários e outras ações democráticas.
 
Ouvi e atentai:
 
Homens e mulheres, adolescentes e jovens sensíveis aos valores da Justiça e da generosidade, manifestem-se contra tudo que afeta a vida do povo brasileiro. Está na hora da Igreja mostrar sua santidade e com integridade servir a Deus.
 
Lado a lado com a ação prática da cidadania, convocamos a todos e todas a reforçar o tempo em oração e jejum, atos de piedade e obras de misericórdia, à luz da Palavra de Deus, engajados e engajadas no labor e súplica, com fé e esperança, pois Deus permanece firme e fiel em seu propósito de salvar o mundo. [...]
 
Façamos ouvir a nossa voz!
 
BISPO LUIZ VERGILIO BATISTA DA ROSA – PRESIDENTE DO COLÉGIO EPISCOPAL
BISPO JOSÉ CARLOS PERES – VICE-PRESIDENTE DO COLÉGIO EPISCOPAL
BISPA MARISA DE FREITAS FERREIRA – SECRETÁRIA DO COLÉGIO EPISCOPAL
BISPO PAULO RANGEL DOS SANTOS GONÇALVES
BISPO ROBERTO ALVES DE SOUZA
BISPO ADONIAS PEREIRA DO LAGO
BISPO JOÃO CARLOS LOPES
BISPO EMANUEL ADRIANO SIQUEIRA DA SILVA
BISPA HIDEIDE APARECIDA GOMES DE BRITO TORRES
BISPO FÁBIO GOMES DA SILVA 

 
Para garantir a redução de R$ 0,46 no litro do óleo diesel nas refinarias, o governo retirou recursos de áreas sensíveis como a fiscalização de trabalho escravo e trabalho infantil, programa Mais Médicos, verba de policiamento e até do Sistema Nacional de Transplante. Áreas sociais e programas ligados à Educação e ao Meio Ambiente também serão afetadas pelos cortes, que somam R$ 9,5 bilhões.
 
Para garantir o crédito extraordinário que será remanejado para os Ministérios de Minas e Energia e da Defesa, o governo precisou retirar dinheiro de 19 ministérios, sendo que, ironicamente, o dos Transportes foi o mais afetado: terá de cortar R$ 1,4 bilhão. Também houve corte em programas sociais como políticas para juventude, violência contra mulheres, políticas sobre drogas e saúde indígena.
 
A redução do preço do diesel foi uma concessão do governo diante da pressão da greve dos caminhoneiros que paralisou o país por nove dias. Só no Ministério da Educação os cortes serão de R$ R$ 55,1 milhões. O dinheiro estava previsto no orçamento para concessão de bolsas no Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento das Instituições de Ensino Superior (Proies). Houve ainda um corte de R$ 150 milhões no fundo garantidor do financiamento estudantil.
 
Além de sofrer com cortes no programa de transplantes, no valor de R$ 1,3 milhão, o Ministério da Saúde foi vai ter de retirar dinheiro R$ 34 milhões do Programa Mais Médicos, R$ 11,8 milhões do programa de gratuidade do Farmácia Popular e R$ 38,9 milhões do dinheiro que seria destinado à manutenção de unidades de saúde. O montante do corte na pasta foi de R$179,6 milhões.
 
No Ministério do Meio Ambiente, chama a atenção a retirada de R$ 1,1 milhão da fiscalização ambiental e de R$ 2,9 milhões do montante que seria aplicado em unidades de conservação. As informações sobre as áreas e ministérios que sofreram cortes foram publicadas numa edição extra do Diário Oficial da União de 30 de maio.
 
Temer também cortou R$ 3,8 milhões do programa "Criança Feliz". A inciativa da área social tinha como embaixadora a primeira-dama, Marcela Temer, que resolveu recentemente se afastar dos holofotes. No início de 2017, os marqueteiros do governo tinham um ambicioso plano para alavancar a popularidade do presidente. Umas das ideias era escalar Marcela para participar de uma série de atos oficiais relacionados ao “Criança Feliz”.
 
Na lista está ainda o corte de R$ 1,5 milhão para o "policiamento ostensivo nas rodovias e estradas federais". A verba, que seria usada pela Polícia Rodoviária Federal, serviria, entre outros propósitos, para operações de fiscalização do transporte de cargas e aumento do policiamento em feriados. Procurada pela reportagem, a PRF disse que a decisão é recente e que ainda vai estudar como irá remanejar os recursos para garantir o policiamento nas estradas.
 
O governo também retirou R$ 4,1 milhões para o combate ao tráfico de drogas e proteção de bens da União. Na rubrica, ainda estava incluído o combate ao tráfico de seres humanos, à exploração sexual infanto-juvenil e à pedofilia.
 
Fonte: O Globo

 
Bem-aventurados os pacificadores, pois serão chamados filhos de Deus.
(Mateus 5.9)
 
Vivemos tempos obscuros na conjuntura nacional brasileira. Forças políticas conservadoras desenvolveram nos últimos anos uma decidida campanha para retomar o poder no Brasil a qualquer preço. Fizeram de tudo para desestabilizar o primeiro mandato da presidenta Dilma Rousseff, visando sua derrota nas eleições de 2014.
 
Após eleições de 2014 frustrados em seus intentos e derrotados nas urnas, aliaram-se aos maiores grupos de mídia para, sob a bandeira do combate à corrupção, alimentar uma indústria de denúncias de corrupção, noticiadas quase diariamente com alarde gigantesco.
 
Essas forças chegaram ao poder com o impeachment da presidenta Dilma e a posse do vice-presidente Michel Temer. Este processo passou para a história como um golpe jurídico-midiático-parlamentar perpetrado em nome da moralização da política brasileira e concretizou-se na prática com uma ruptura democrática.
 
Desde então, os poderes se fecharam para a sociedade com a implementação de uma pauta de retrocessos, decisivamente defendida pelo mercado financeiro que se traduzem em cortes nos programas sociais, congelamento nos investimentos em saúde e educação por vinte anos, venda de terras para estrangeiros, reforma trabalhista, previdenciária e privatização de empresas públicas, dentre elas a Petrobras.
 
A paralisação nacional dos caminhoneiros tem revelado que a política de preços dos combustíveis é um verdadeiro desastre. Desde junho de 2017 o preço dos combustíveis e do gás de cozinha já subiram mais de 50%. Os efeitos estão sendo sentidos por várias camadas da população brasileira. Medidas que tem potencial de aumentar o preço dos alimentos, das tarifas de transporte e outros bens de consumo e serviços, deteriorando ainda mais a qualidade de vida da população brasileira.
 
É fato que parte de nossas lideranças políticas e parcela da população nunca tiveram dúvidas em sacrificar a democracia em nome da defesa de seus interesses corporativos e de classe, apoiando inclusive uma ditadura militar. E o saberiam fazer novamente em nome da defesa da própria democracia, com cinismo e hipocrisia, com a bandeira do combate a corrupção, estando eles, entre os maiores corruptos ou corruptores. E não se enganem: não há a menor menção de que o que venha a ocorrer no país, virá em benefício da população trabalhadora. O mais urgente é formar um movimento e uma força política capaz de mediar conflitos e oferecer um projeto popular de país, apontar caminhos, para que esse país não saía definitivamente dos trilhos da democracia.
 
Estamos próximos de um vácuo de poder. O Presidente de República é um fantoche dos interesses empresariais mesquinhos que não deram certo desde o golpe. Há uma desmoralização do Senado, da Câmara e do Judiciário. Nem para resolver as questões mais banais de administração há habilidade política e instituições com pessoas capazes.
 
Todas foram sendo, gradativamente, desacreditadas. No momento falam muito forte as mensagens e discursos de apelo a ordem e a segurança. Essas mensagens costumam calar fundo em amplas parcelas da população brasileira. Boa parte da população tem dificuldades com a educação democrática, pois é orientada por uma cultura autoritária e de pouco valor à democracia, particularmente quando isso se refere à resolução de conflitos, discrepâncias e divergências. Generalizaram-se expressões como “todo político não presta”, “o povo não sabe votar” e “quem se manifesta e protesta é vagabundo”. Há uma enorme dificuldade na convivência democrática a ser superada coletivamente, com diálogo, respeito e liberdade de organização. Há decisões recentes do governo com às quais deveríamos estar seriamente atentos e atentas. Diante disso, a PPL vem a público denunciar e exigir:
 
• A política de preços dos combustíveis implementados por Michel Temer e Pedro Parente não servem aos interesses nacionais!
• Contra o desmonte e privatização da Petrobrás!
• Intervenção Militar não é a Solução!
• Exigimos a realização de eleições diretas para a Presidência da República e para as duas casas do Legislativo federal, com vistas a restaurar a legitimidade da representação popular.
 
Deus espera de nós a ajuda e o envolvimento na conscientização da paz verdadeira e sustentável, que vem abraçada com a justiça em que pessoas são tratadas com respeito e dignidade pelo Estado. Onde as diferenças são encaradas como alternativa para conviver com o novo, onde a intolerância perde força e vence o cuidado e o respeito.
 
Fonte: Pastoral Popular Luterana 
Foto: Reprodução

 
 
Num momento histórico, a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) votou a favor de estender o matrimônio a casais do mesmo sexo por uma grande maioria de votos – 57 a favor, 3 contra e 2 abstenções. Esta é a terceira vez que o assunto é trazido à consideração do Sínodo Geral - que este ano começou no dia 31 de maio e vai segue até o dia 3 de junho, com diversas atividades.
 
A mudança canônica foi aprovada num ambiente pleno do Espírito Santo, amor mútuo e respeito. Foi precedida por um diálogo longo, profundo e espiritual. Esse diálogo formalmente iniciou em 1997, embora tenha um histórico informal muito mais antigo. Atingiu toda a província desde então, através da metodologia indaba, conferências, consultas, orações e publicações bíblico-teológicas.
 
O Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD) e o Centro de Estudos Anglicanos (CEA) receberam a comissão do Sínodo Geral de 2013 (o primeiro a receber tal pauta formalmente) de modo a aprofundar o diálogo entre as dioceses da província. É digno de nota que o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo é legal no Brasil inteiro desde 2012.
 
Recebemos representantes internacionais como o Primaz da Igreja Episcopal Escocesa, Bispo Mark Strange, e da Bispa Linda Nichols, da Diocese de Huron (Igreja Anglicana do Canadá). Ambos partilharam com o Sínodo Geral suas experiências provinciais relativas ao tema.
 
Reafirmamos nosso compromisso com o Evangelho de Jesus e a pertença à Família Global Anglicana, à medida que buscamos continuar a caminhar conjuntamente com aquelas pessoas de quem discordamos e responder aos desafios à nossa frente, dentro de nossos contextos.
 
“Senti a decisão como resultado da presença e trabalho do Espírito Santo. Isso amplia nossas fronteiras, permitindo que nós possamos ser mais acolhedoras(es) à diversidade no nosso país”, disse o Primaz do Brasil, Bispo Francisco de Assis da Silva.
 
O Secretário Geral da IEAB, Rev. Arthur Cavalcante, deu seu testemunho ao Serviço de Notícias: 
 
“Como membro da comunidade LGBT, acompanhei esse debate desde seu início, primeiramente como leigo e depois como clérigo ordenado. Senti na pele a discriminação e a perseguição quando me assumi na Diocese do Recife, e vi colegas terem lutas similares. Algumas pessoas deixaram a Igreja, outras perderam fé nas suas estruturas. Quando fui escolhido Secretário Geral em 2011, a Igreja estava ciente de minha orientação sexual e do fato de que estava em união estável com meu companheiro, Dr. David Morales. Isso não foi impedimento a tal função crucial. Em 2016, tivemos um sínodo extraordinário de modo a discutir nossos cânones como um todo. A discussão acerca do Santo Matrimônio foi muito desafiadora porque convidou a Igreja a falar sobre o tema mais abertamente. Permitiu às dioceses participar de discussões aprofundadas num tópico que não tinha sido plenamente debatido em todas as partes da Igreja até então. Sinto-me orgulhoso em testemunhar esse dia histórico para a Igreja brasileira, que é também o dia em que celebramos o 128o aniversário de sua fundação pelos nossos pioneiros e pioneiras. Nos posicionamos como um farol num momento em que este país (e o mundo) encontram tamanhas dificuldades, como o fundamentalismo religioso e as intolerâncias. Termino meu mandato como secretário geral plenamente realizado.”
 
Não serão necessárias mudanças litúrgicas, visto que o rito matrimonial do Livro de Oração Comum de 2015 foi adequado à neutralidade de gênero e deverá ser usado para a celebração do matrimônio entre duas pessoas de quaisquer gêneros.
 
Fonte: IEAB
Foto: Reprodução

 
 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se solidariza com os caminhoneiros, trabalhadores e trabalhadoras, em manifestação em todo território nacional, em nota divulgada nesta quarta-feira, 30 de maio. Preocupada com as duras consequências que sempre recaem sobre os mais pobres, no texto a entidade conclama toda a sociedade para o diálogo e para a não violência. “Reconhecemos a importância da profissão e da atividade dos caminhoneiros”, pontua.
 
Confira, abaixo, a nota na íntegra:
 
NOTA DA CNBB SOBRE O MOMENTO NACIONAL
Jesus entrou e pôs-se no meio deles e disse: A paz esteja convosco” (Jo 20,19)
 
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, solidária com os caminhoneiros, trabalhadores e trabalhadoras, em manifestações em todo território nacional, e preocupada com as duras consequências que sempre recaem sobre os mais pobres, conclama toda a sociedade para o diálogo e para a não violência. Reconhecemos a importância da profissão e da atividade dos caminhoneiros.
 
A crise é grave e pede soluções justas. Contudo, “qualquer solução que atenda à lógica do mercado e aos interesses partidários antes que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e se desvia do caminho da justiça” (CNBB, 10/03/2016). Nenhuma solução que se utilize da violência ou prejudique a democracia pode ser admitida como saída para a crise.
 
Não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. “O dinheiro é para servir e não para governar” (Papa Francisco, Evangelii Gaudium, 58). 
 
É necessário cultivar o diálogo que exige humilde escuta recíproca e decidido respeito ao Estado democrático de direito, para o atendimento, na justa medida, das reivindicações.
 
As eleições se aproximam. É preciso assegurar que sejam realizadas de acordo com os princípios democráticos e éticos, para restabelecer nossa confiança e nossa esperança. Propostas que desrespeitam a liberdade e o estado de direito não conduzem ao bem comum, mas à violência.
 
Celebramos a Solenidade do Corpus Christi, fonte de unidade e de paz. Quem participa da Eucaristia não pode deixar de ser artífice da unidade e da paz. O Pão da unidade nos cure da ambição de prevalecer sobre os outros, da ganância de entesourar para nós mesmos, de fomentar discórdias e disseminar críticas; que desperte a alegria de nos amarmos sem rivalidades, nem invejas, nem murmurações maldizentes (cf. Papa Francisco, Festa do Corpus Christi, 2017). O Pão da Vida nos motive a cultivar o perdão, a desenvolver a capacidade de diálogo e nos anime a imitar Jesus Cristo, que veio para servir, não para ser servido.
 
Conclamamos, por fim, todos à oração e ao compromisso na busca de um Brasil solidário, pacífico, justo e fraterno. A paz é um dom de Deus, mas é também fruto de nosso trabalho.
 
Nossa Senhora Aparecida interceda por todos!
 
Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília (DF)
Presidente da CNBB
 
Dom Murilo S. R. Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador (BA)
Vice-Presidente da CNBB
 
Dom Leonardo Ulrich Steiner, OFM
Bispo Auxiliar de Brasília (DF)
Secretário-Geral da CNBB
 
Fonte: CNBB
Imagem: Reprodução

 
 
A revista L’Obs trouxe uma reportagem de quatro páginas sobre a ascensão das igrejas evangélicas na França. Segundo o texto, um novo templo é inaugurado a cada dez dias e essa já se tornou a religião mais dinâmica do país após o Islã.
 
Com o título “a irresistível ascensão dos evangélicos”, a reportagem começa falando do sucesso da turnê pela França do pastor australiano Nick Vujicic, que reuniu milhares de pessoas por onde passou. 
 
Porém, mesmo se esse tipo de operação seja inédita no país, ela confirma a ascensão das igrejas evangélicas na França. Durante muito tempo ignoradas, algumas igrejas evangélicas são classificadas pelos franceses como seitas – como a brasileira Universal do Reino de Deus, presente na França, mas que não é citada pela reportagem. Essa reputação se deve principalmente “aos cultos exuberantes marcados por rituais de curas milagrosas, transes e rezas murmuradas em línguas imaginárias e tino para os negócios das igrejas evangélicas”. Mas agora, elas “estão em pleno boom” no país.
 
Evangélicos atrás apenas do Islã
 
Segundo o texto, o desenvolvimento dos evangélicos fica atrás apenas do Islã. “Mesmo se com 720 mil fiéis os evangélicos ainda estão longe dos entre 3 e 5 milhões de muçulmanos franceses e dos 10 milhões de católicos praticantes, eles dobraram [de tamanho] em apenas 30 anos”, analisa o texto.
 
L’Obs relata que 2,2 mil igrejas evangélicas abriram suas portas em menos de 40 anos, 400 delas apenas nas periferias de Paris. E, segundo Etienne Lhermenault, presidente do Conselho Nacional dos Evangélicos da França (Cnef), que federa dois terços dos evangélicos da França, o objetivo do grupo é triplicar o número de templos nos próximos anos.
 
“A progressão nas periferias é espetacular”, relata a reportagem, que visitou um tempo da igreja pentecostal do Centre du Renouveau chrétien (Centro do renascimento cristão, em tradução livre), em Clichy-sous-Bois, região na qual os muçulmanos são maioria. O texto explica que, como em outras zonas periféricas, a maioria dos fiéis evangélicos vêm da África subsaariana ou das Antilhas. 
 
L’Obs explica que as igrejas evangélicas também começam a ser reconhecidas no cenário político francês. A tal ponto que, pela primeira vez na história, seus representantes foram convidados para a cerimônia de posse do presidente Emmanuel Macron.
 
Fenômeno pouco estudado na França
 
A revista frisa que os evangélicos são um fenômeno pouco estudado na França, tamanha a diversidade do grupo, formado por pentecostais, batistas, metodistas, adventistas ou ainda neo-carismáticos. “É difícil se achar em meio a uma galáxia heterogêneo de 45 uniões de igrejas que reúnem realidades muito diferentes”, analisa. “Algumas igrejas chegaram com a imigração, outras com os ciganos, e outras são herança dos protestantes do leste da França. A única coisa que esses seguidores têm em comum é a leitura diária do Novo Testamento e uma adesão voluntária dos fiéis, que devem escolher livremente se querem ser batizados”, comenta o texto. Mas em seguida, cada pastor é mestre em seu tempo, livre de pregar como quer, continua.
 
A grande diferença, explica o texto, é que “ao contrário dos remorsos dolorosos e da confissão dos pecados das igrejas católicas, ou das várias proibições presentes no Judaísmo e no Islã, entre os evangélicos não há distância com Deus”. Os fiéis “chamam Deus de “você” e falam com ele em todas as circunstâncias da vida”, ressalta a reportagem.
 
L’Obs também explica a diferença entre as igrejas evangélicas, apresentadas como “dissidentes do protestantismo”, e os templos luteranos e calvinistas. Para a reportagem, os evangélicos são mais conviviais e alegres, enquanto os outros são austeros, discretos e puritanos. Porém, “os mais conservadores não são necessariamente aqueles que imaginamos”, pondera a revista, lembrando que, em 2015, quando vários pastores protestantes “tradicionais” aceitaram a união de casais do mesmo sexo, a notícia provocou a ira dos evangélicos.
 
Com informações da RFI
Foto: Pixabay

 
 
Aos 29 anos de idade, Gabriela Chong ganhou seu nome católico. Batizada, ela fez parte dos 500 mil coreanos que nos últimos dez anos engrossaram as fileiras do catolicismo e fizeram dele a religião que mais cresce no país, dentre os grandes grupos.
 
"Problemas pessoais me levaram a buscar apoio, e foi aqui que o encontrei", diz Chong, que atende o público na secretaria da catedral Myeong-dong, em Seul.
 
Com cerca de 8.000 fieis registrados, a paróquia mais importante do país faz dez missas aos domingos e outras quatro diariamente na semana. A cada mês, Chong registra de 70 a 80 novos católicos nos livros da catedral.
 
Praticamente inexistentes no começo do século 20, as igrejas cristãs coreanas iniciaram um crescimento explosivo na década de 1960, após o fim da Guerra da Coreia, impulsionado pelo trabalho de missões religiosas que ofereceram conforto material e espiritual à população e ajudaram na reconstrução do país.
 
EXCEÇÃO NA ÁSIA
 
Desde então, a presença cristã na Coreia dobrou a cada década, no ritmo mais acelerado entre todos os países do mundo, segundo estudo do sociólogo Andrew Eungi Kim, professor da Universidade da Coreia que pesquisou a história do cristianismo.
 
De apenas 8% em 1950, os cristãos passaram a ser 29% (18% protestantes e 11% católicos) na virada dos anos 2010, superando os budistas (23%), segundo o Instituto Pew. Em 2050, pelas projeções do instituto, a fatia cristã vai chegar a um terço da população, e a dos budistas deve recuar para 18%.
 
Os números fazem do país uma das exceções na Ásia, em que apenas 2% são cristãos.
 
Desde os anos 1990, porém, igrejas evangélicas perderam fieis enquanto as católicas mantiveram a alta.
 
COSTUMES MAIS LIVRES
 
O censo de 2005 mostrou que o cristianismo protestante perdeu 150 mil fiéis desde 1995, ou 2% do total, na primeira queda desde 1960.
 
No mesmo período, a fatia de católicos passou de 4,6% para 11,8% da população, e cresceu entre homens e mulheres, de todas as idades e todos os níveis educacionais.
 
Em 2016, o número de coreanos católicos chegou a 5,7 milhões, um aumento de 10% sobre 2010, segundo a Conferência Nacional dos Bispos.
 
Houve alta também no número de bispos, padres, paróquias e, principalmente, instituições que servem como canal de transmissão da popularidade da religião no país: escolas, hospitais, clínicas e obras sociais (veja abaixo).
 
Há motivos políticos e sociológicos para a evasão dos templos pentecostais, mas as explicações para a crescente preferência pelo catolicismo são subjetivas. "Há mais liberdade de costumes na Igreja Católica", afirma Chong.
 
A noção de que no catolicismo as regras são menos rígidas e é mais fácil "obter perdão para os pecados" foi compartilhada por outros sul-coreanos ouvidos pela Folha.
 
OS PRÓPRIOS PECADOS
 
Do lado protestante, as causas do retrocesso estão muito ligadas ao sucesso que as cerca de 170 denominações obtiveram no século 20, segundo Andrew Kim.
 
Por volta de 1980, quado algumas igrejas já davam sinais de estagnação, houve uma enorme expansão dos megatemplos: 35 das 50 maiores igrejas do mundo são coreanas, escreve o sociólogo.
 
As megaigrejas se beneficiaram de suas ligações com a ditadura do país, líderes carismáticos, programas de TV e do anonimato que uma congregação gigante possibilita.
 
Para Kim, a explosão do número de fiéis trouxe aumento de receitas e enriqueceu pastores. Isso levou à multiplicação do número de sacerdotes, muitos deles mais interessados em obter um meio de vida rentável que em
oferecer serviços religiosos.
 
Além disso, a implantação das igrejas protestantes na Coreia seguiu um modelo de fragmentação, em que cada igreja compete com as outras, argumenta Kim.
 
As megaigrejas cresceram canibalizando as menores, e a visão mercadológica levou líderes a focar a conquista de consumidores, ofuscando ensinamentos religiosos.
 
Kim também aponta que o protestantismo coreano é "muito conservador, individualista, apocalíptico e materialista", o que o teria isolado da sociedade ampla.
 
A insistência dos pastores no pagamento de dízimos e outras doações, a passagem de igrejas de pais para filhos e a "venda" de congregações desmoralizaram várias das denominações, e escândalos de corrupção envolvendo pastores famosos jogaram mais lenha na fogueira.
 
Uma das igrejas chamuscadas foi a Yoido do Evangelho Pleno, em Seul, que se anuncia como a maior pentecostal do mundo, com mais de 800 mil fieis –não há levantamentos confiáveis que confirmem a declaração.
 
Com cultos agendados 24 horas por dia, ela diz receber até 200 mil fiéis num domingo. Quando a Folha esteve no templo, porém, poucas dezenas participavam de uma cerimônia em um dos auditórios menores.
 
Alguns dos presentes dormiam nos bancos, e outros consultavam seus celulares.
 
A Yoido teve seu fundador, David Yonggi Cho, acusado por 29 anciões de desfalcar os cofres da igreja em US$ 20 milhões –o processo acabou arquivado.
 
Se Young Kim, 38, que recebia inscrições para um curso no saguão do templo em Seul, diz que o número de frequentadores da Yoido vem caindo.
 
"Os mais novos acham que não precisam ir à igreja, basta ser da religião", diz ela, que foi batizada aos 5 anos quando a mãe, então budista, se converteu ao protestantismo.
 
Ao seu lado, Shin Sang Jo, 27, filho de pais sem religião, concorda: "Os sul-coreanos não querem mais ter compromissos. Preferem seguir só seus desejos pessoais".
 
Em 2015, o censo coreano pareceu trazer uma boa notícia para os evangélicos, mostrando uma recuperação de sua fatia. Mas demógrafos apontam uma distorção provocada pela nova metodologia, em que entrevistas pessoais foram substituídas por declarações via internet.
 
SEM RELIGIÃO
 
Embora etnicamente muito homogênea –98% dos seus habitantes são etnicamente coreanos–, a Coreia do Sul não tem uma religião majoritária.
 
Metade dos coreanos se declara sem religião, segundo o censo de 2005, e a parcela pode superar os 60% em zonas mais urbanas, segundo o levantamento de 2015.
 
O desenvolvimento do país permitiu que as pessoas pudessem se dedicar mais ao lazer e ao consumo, e a religião se tornou menos importante, argumenta o sociólogo Andrew Kim, em seu estudo sobre a crise das igrejas evangélicas no país.
 
O fenômeno dos "sem-religião" é expressivo principalmente entre os jovens, mostram os números do censo.
 
O intérprete Jong Hyun Shin, ou Manuel, 29, nasceu em família católica, mas hoje não tem religião.
 
"Isso é comum na minha geração, porque não queremos ter compromissos."
 
Sociólogos observam também que o número dos sem-religião pode esconder uma parte da população que professa xamanismos nativos.
 
São 15% os sul-coreanos que se declararam ateus.
 
As igrejas, porém, continuam populares entre os jovens: "Os coreanos costumam ser muito tímidos, e as igrejas acabam sendo lugares de socialização, de encontro e convivência com outros".
 
Para Manuel, aulas de música e corais são estratégias bem-sucedidas dos templos para atrair novos membros.
 
Foto: Reprodução