O Conselho Indigenista Missionário vem a público manifestar seu repúdio à ação violenta da Polícia Militar em Passo Fundo, Rio Grande do Sul, praticada contra 12 famílias do Povo Kaingang, no dia 15 de fevereiro. Segundo depoimento de lideranças indígenas prestados ao Ministério Público Federal de Passo Fundo (RS), as famílias decidiram – como forma de chamar a atenção das autoridades federais para a necessidade de demarcação de suas terras – ocupar uma área de domínio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), portanto área federal, próximo ao trevo do município de Marau, na BR-285.
 
As lideranças informaram que as famílias montaram acampamento na manhã do dia 15 e por volta das 11 horas do mesmo dia foram surpreendidas com a chegada de mais de 30 policiais da Brigada Militar e do Batalhão de Operações Especiais (BOE) e que estes, de imediato, deram ordem para que saíssem da área.
 
De acordo com depoimento dos indígenas, houve tentativa de diálogo com os policiais. No entanto, a iniciativa não surtiu nenhum efeito. De imediato, os policiais passaram a agredi-los. Foram lançadas bombas de gás lacrimogênio e disparados tiros de balas de borracha. Várias pessoas acabaram sendo alvejadas e feridas, dentre as quais crianças, mulheres e idosos. Ainda segundo os indígenas, o ancião Querino Carvalho foi espancado até desmaiar e outro senhor recebeu mais de dez tiros de bala de borracha na perna e no joelho.
 
Os Kaingang denunciaram também que um rapaz acabou sendo ferido na perna por disparo de bala letal. De acordo com depoimento prestado ao MPF, além das agressões físicas, os indígenas sofreram uma série de constrangimentos e insultos com frases preconceituosas como: “tropa de bugres sujos”.
 
Segundo o relato, eles também foram ameaçados de morte, uma vez que lhes foi dito que caso retornem ao local, os Kaingang sairão de lá em caixões.
 
Para chamar a atenção das autoridades apresentamos, a seguir, imagens com os resultados da ação da Brigada Militar. As imagens retratam, mais do que palavras, as consequências, para as famílias Kaingang, da operação da polícia em Passo Fundo, no dia 15 de fevereiro de 2018.
 
Os relatos e as imagens, especialmente a que monstra ao menos treze marcas de bala no joelho de um dos anciões, atestam a possibilidade de ter havido a ocorrência do crime de tortura contra os Kaingang por parte da Polícia Militar do Rio Grande do Sul.
 
O Conselho Indigenista Missionário solidariza-secom as famílias do povo Kaingang e pede providências no sentido de que se investigue, através do MPF e da Polícia Federal, os fatos relatados pelos indígenas, os atos de violência praticados, bem como se a Polícia Militar possuía algum tipo de mandado judicial para agir contra as famílias acampadas na faixa de domínio do DNIT, portanto área de domínio federal.
 
Por fim, o Cimi lembra mais uma vez que o governo brasileiro paralisou todos os procedimentos de demarcações de terras no país, submetendo centenas de famílias a condições de miserabilidade, vulnerabilidade e a variadas formas de violência nas margens de rodovias. O Cimi exige a imediata retomada dos procedimentos de demarcação e regularização de terras indígenas, especialmente as pertencentes às comunidades obrigadas a habitar áreas insalubres, degradadas ou as margens de estradas.
 
É necessário e urgente pôr um fim à violência, que o Estado promova a responsabilização por estas práticas e implemente, em definitivo, os direitos constitucionais dos povos indígenas no Brasil.
 
Conselho Indigenista Missionário

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) está colaborando para a organização do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA), que será realizado de 17 a 22 de março, em Brasília. Esse é um grande encontro realizado pelos movimentos sociais para contrapor o Fórum Mundial da Água. Os organizadores do FAMA compartilham da visão de que água é direito e não mercadoria. Neste sentido, o evento será um momento único para a defesa da água como direito humano e bem público.
 
Tenda Inter-Religiosa
 
A compreensão de que a diversidade das tradições de fé é muito enriquecedora para o debate da água como bem comum fez nascer a Tenda Inter-Religiosa do FAMA. Um espaço aberto, democrático e plural onde cada grupo ou participante é protagonista para contribuir com seu entendimento sobre problemas e soluções em torno do tema.
 
Preparado por um coletivo de organizações religiosas ou com vínculo religioso, o local vai reforçar a afirmação da água como um bem comum, que não pode ser privatizado e precisa estar disponível a todos os seres vivos. Para isso, serão fortalecidas articulações nacionais e internacionais e ampliados processos de incidência em defesa da água no Brasil e no mundo; tudo isso relacionado à democracia, participação social e ao debate sobre mudanças climáticas.
 
Vídeo
 
E para fortalecer ainda mais a divulgação do evento, CONIC produziu um vídeo que aborda algumas das idéias contidas na Declaração Ecumênica da Água como Direito Humano e Bem Público, composta em 2005 por representantes do Conselho, da Convenção de Igrejas Evangélicas da Suíça, da Conferência Nacional de Bispos do Brasil e da Conferência dos Bispos da Suíça, reunidos em Berna, na Suíça. Para assistir, clique aqui ou na imagem abaixo.
 
 
Para conhecer a íntegra da Declaração, clique aqui.

 
Pelo menos 313 deputados federais, ou 61% da Câmara, têm atuação parlamentar desfavorável à agenda socioambiental. Eles votam e elaboram projetos que têm impacto negativo para o meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores do campo.
 
Os dados são resultado de levantamento que levou em conta 14 votações nominais e 131 projetos de lei nessa área. Para medir se os projetos e proposições teriam impacto negativo ou positivo, oito organizações do setor socioambiental foram chamadas para fazer uma avaliação de mérito desses projetos. O cruzamento de dados faz parte do Ruralômetro, ferramenta jornalística para consulta sobre os deputados federais produzida pela Repórter Brasil.
 
Cada deputado foi pontuado dentro de uma escala equivalente ao que seria a temperatura corporal: de 36⁰C a 42⁰C. Quanto pior avaliado, mais alta a sua temperatura – podendo atingir níveis de febre.
 
Entre os febris, há ministros, ex-ministros, além de pré-candidatos. Dos 313 deputados que tiveram comportamento legislativo desfavorável à agenda socioambiental, quase a metade (49%) é da Frente Parlamentar Agropecuária, a bancada ruralista. Mas nem todos os ruralistas estão mal avaliados.
 
Há 35 membros da bancada com atuaçõesparlamentares avaliadas como favoráveis à agenda socioambiental. Entre eles, está o deputado Augusto Carvalho (SD-DF), com 36,2°C. Ele é autor do Projeto de Lei 324/2007 que proíbe a administração pública de comprar móveis de madeira rara ou extraída ilegalmente, projeto considerado como favorável pelas organizações avaliadoras.
 
O deputado pior avaliado é o presidente da bancada ruralista, Nilson Leitão (PSDB-MT), com febre de 42⁰C. Leitão é autor de oito projetos de lei desfavoráveis ao meio ambiente, povos indígenas e trabalhadores rurais. Entre eles, está o polêmico projeto de lei 6442/2016, que permite o pagamento de trabalhadores rurais com comida e moradia.
 
Ainda entre os febris, estão o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun (MDB-MS), com 40°C e o ministro dos Esportes, Leonardo Picciani (MDB-RJ), com 40,2°C. O pré-candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSC-RJ) tem 38,7⁰C e o aspirante ao governo de São Paulo, Celso Russomanno (PRB-SP), 39,8⁰C.
 
As entidades consultadas foram o Instituto Socioambiental, a Comissão Pastoral da Terra, a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura e dos Trabalhadores Assalariados Rurais, o Conselho Indigenista Missionário, a Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional, o Greenpeace e a Fundação Abrinq.
 
Entre os partidos, quatro têm 100% do quadro febril: MDB, PEN, PHS, PSL. Eles são seguidos por PSD e DEM, com 94% e 89% dos seus políticos com febre, respectivamente. O PSDB tem 75% dos seus deputados federais com mais do que 37,4⁰C.Em alguns casos, a pontuação do partido pode ser explicada pelo seu posicionamento como oposição ou situação ao governo. O PT, por exemplo, teve todos os seus deputados avaliados com temperatura saudável nessa legislatura.
 
Entre os Estados, o maior percentual de deputados febris está em Goiás, com 88% dos seus representantes com mais de 37,4⁰C. Seguido por Mato Grosso, Piauí, Rondônia, Roraima e Tocantins, todos com 87% dos deputados febris.
 
O ministro Carlos Marun informou, por meio de nota, que como deputado pautou seus “votos pela garantia do Estado de Direito” e que sempre defendeu o bioma Pantanal. O Ministério dos Esportes afirmou que “parece que o levantamento comete um equívoco ao colocar no mesmo patamar de análise deputados que estão no exercício do mandato, enquanto o ministro [Picciani] licenciou-se em maio de 2016 para assumir o Ministério do Esporte.”
 
Russomanno disse que “procura sempre representar o interesse público, o que inclui defesa do meio ambiente, direitos indígenas, quilombolas”. A assessoria de deputado Bolsonaro informou que ele não responderia por estar em recesso.
 
A Repórter Brasil entrou em contato com os 13 deputados que têm febre acima de 41°. Nilson Leitão, assim como outros nove deputados pior pontuados pelo Ruralômetro, não respondeu aos nossos pedidos de entrevista e nem às perguntas enviadas. Leia aqui íntegra das respostas.
 
Relação com financiadores
 
Além da pontuação dos deputados, o Ruralômetro mostra quem recebeu financiamento de campanha, em 2014, de empresas autuadas pelo Ibama ou que foram flagrados com trabalho escravo. Segundo o levantamento, 57% dos eleitos receberam, ao todo, R$ 58,9 milhões em doações de empresas autuadas pelo Ibama por cometerem infrações ambientais. Outros 10% foram financiados com R$ 3,5 milhões doados por empresas autuadas por trabalho escravo.
 
Para o professor de Ética e Filosofia da Unicamp, Roberto Romano, o estudo revela uma estreita relação entre empresas financiadoras de campanhas e a atuação parlamentar dos deputados. “Trata-se do sucesso de setores interessados, tanto em termos econômicos quanto sociais, em conseguir no Congresso avanços para o seu grupo”, analisa.
 
Um exemplo que ilustra a análise do pesquisador é o caso do deputado Antônio Balhmann (PDT-CE), eleito em 2014 mas que se licenciou no ano seguinte para assumir um cargo no governo do Ceará. O político recebeu doação eleitoral oficial de R$ 20 mil da produtora de frutas Agrícola Famosa, alvo de uma ação civil pública do Ministério Público Federal que proíbe a empresa de pulverizar agrotóxicos na Chapada do Apodi. Poucos meses após eleito, o deputado elaborou um projeto de lei que regulamenta o uso de agrotóxicos em plantações não tradicionais, o que inclui produtoras de frutas.
 
“Trata-se do sucesso de setores interessados, tanto em termos econômicos quanto sociais, em conseguir no Congresso avanços para o seu grupo”, analisa Roberto Romano.
 
O ex-deputado afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que o projeto não estimula o uso de agrotóxicos, mas cria legislação e regulamenta o setor. O político, no entanto, reconheceu que, ao elaborar o PL, tinha interesse de “ajudar os produtores de fruticultura com seus problemas e regulamentar e controlar suas atividades.”
 
“Quando analisamos os projetos de lei no Congresso, vemos que não são projetos que pensam o Brasil, mas pelo menos 40% deles são dedicados a defender interesses de setores específicos”, avalia Andréa Freitas, cientista política e professora da Unicamp. “Não é ruim que tenhamos dentro do Congresso alguém defendendo os ruralistas ou os comerciantes, mas seria importante que tivéssemos representantes defendendo com igual força os pequenos produtores ou os consumidores”.
 
Votações desde 2015
 
Nesta legislatura, 2017 foi o ano campeão em votações desfavoráveis ao meio ambiente. Em meados do ano passado, a Câmara dos Deputados aprovou três polêmicas medidas provisórias que geraram reação de ambientalistas e até de celebridades. Duas delas reduzem a área protegida de Jamanxim, um parque nacional na Amazônia paraense, e a outra amplia o programa de regularização fundiária, que ficou conhecida como ‘MP da Grilagem’. As medidas, segundo organizações de defesa do meio ambiente, devem aumentar o desmatamento e os conflitos no campo.
 
Um detalhe: as três medidas provisórias foram editadas pelo presidente Michel Temer às vésperas do Natal de 2016 e aprovadas pela Câmara dentro do prazo previsto para que não perdessem validade. No caso Jamanxim, a modelo Gisele Bündchen pediu no Twitter que Temer vetasse as medidas. O presidente seguiu parcialmente os conselhos da modelo: vetou artigos das MPs, mas enviou ao Congresso projeto de lei com conteúdo similar.
 
“A agenda ruralista ganhou mais poder nos últimos anos, o que coincide com a representação dela no Executivo. Antes, tínhamos o Executivo exercendo uma contra-força”, analisa Adriana Ramos, coordenadora do programa de política e direito socioambiental do ISA (Instituto Socioambiental).
 
Na questão trabalhista, sob o mandato de Temer, houve duas votações consideradas por organizações de defesa de trabalhadores rurais como desfavoráveis:  terceirização e reforma trabalhista. Porém, no governo Dilma, o Executivo também editou medidas provisórias, depois aprovadas pela Câmara, que retiram direito dos trabalhadores. Caso, por exemplo, da restrição ao seguro-desemprego e da redução do acesso à pensão por morte do INSS.
 
Essas são algumas das 14 votações que constam na base de dados do Ruralômetro. O estudo considerou apenas votações desta legislatura que têm algum tipo de impacto socioambiental onde houve votação nominal, em que os deputados registram seu voto.
 
Projetos de lei
 
Dos 131 projetos de lei cujos autores são deputados eleitos em 2014 que constam na base de dados do Ruralômetro, 87 foram classificados como desfavoráveis e 44 como favoráveis. 26 deles alteram o processo de demarcação de terras indígenas ou pedem a suspensão da homologação de comunidades regularizadas. Outros seis considerados desfavoráveis tratam de mudança nas regras de licenciamento ambiental e três facilitam a liberação de agrotóxicos.
 
Há ainda um projeto defendido pela bancada ruralista que libera o porte de arma para trabalhadores ou proprietários de áreas rurais e uma Proposta de Emenda à Constituição que permite e regula compra de terras por estrangeiros.
 
Segundo os analistas ouvidos, para entender o fenômeno em questão é preciso diferenciar a agenda do agronegócio e do ruralismo – entendido como um setor que se preocupa menos com a produtividade, e mais com a propriedade sobre a terra.
 
“Não é ruim que tenhamos dentro do Congresso alguém defendendo ruralistas ou comerciantes, mas seria importante que tivéssemos representantes defendendo com igual força pequenos produtores ou consumidores”, afirma a cientista política Andréa Freitas
 
“É uma forma antiga de se pensar o ambiente rural, mais ligada à questão fundiária, à apropriação da terra”, afirma a cientista política Andréa Freitas. Para ela, há uma relação direta entre ser ruralista e atuar favoravelmente a projetos que flexibilizam a questão ambiental. “Há pouca preocupação com a preservação da água, do solo”.
 
O coordenador de Direito de Propriedade da Frente Parlamentar Agropecuária, Jerônimo Goergen, afirma que a principal bandeira da bancada é “defender quem produz no Brasil”, mas reconhece que a questão da propriedade sobre a terra é uma prioridade. “Das defesas da FPA, a questão fundiária é sem dúvida uma prioridade. Mas como um direito, como uma segurança jurídica”, comentou.
 
Fonte: Repórter Brasil
Imagem: Reprodução

 
“Em sinal de tristeza, eu vesti saco de pano grosseiro, sentei-me sobre cinzas, deixei de comer e orei com fervor ao Senhor Deus, fazendo pedidos e súplicas” (Daniel 9.3)
 
Na quarta-feira de Cinzas começa o tempo da Quaresma. Por que fala-se em quarta-feira de Cinzas? A cinza simboliza, tanto em Daniel quanto em outras passagens bíblicas, transitoriedade, súplica, grito de socorro, arrependimento e contrição (Et 4.1; Jó 42.6; Mt 11.21).
 
A Igreja Católica adotou este símbolo ao longo de sua história. Na Quarta-feira de Cinzas os fiéis recebem o sinal da cruz na testa com cinza. É um sinal visível de contrição, súplia e arrependimento, de preparo para o tempo da Quaresma.
 
Entre os luteranos a Quarta-feira de Cinzas não têm a mesma relevância. Porém, este tempo da Quaresma, que começa na Quarta-feira de Cinzas, também é um tempo de extrema importância na vida de fé dos Luteranos. Tempo que chama a reflexão e ao arrependimento. Tempo que nos lembra o início de um grande gesto de amor de Deus por nós: A caminhada de sofrimento, dor, crucificação e morte de Jesus Cristo na cruz para nos libertar da escravidão do pecado e da morte. Começa o período que nos permite refletir sobre atitudes que incendeiam, violentam e deixam a vida em cinzas.
 
A crise que está abalando o nosso país, deixa, por exemplo, muitas vidas em meio às cinzas. Deixa pessoas nas cinzas do desemprego. Deixa pessoas nas cinzas da angústia, do desespero, da miséria. Também o conflito na Síria deixa tantas pessoas em meio à escombros e cinzas, tantas pessoas em fuga sem lar e amparo. Também o ódio crescente no mundo contra imigrantes transforma a vida em cinzas. Também a crescente ambição humano por poder, status, transforma nossos rios e nossa natureza em cinzas. A concentração de riqueza nas mãos de poucos também faz com que a vida de milhares de pessoas seja reduzida a cinzas e pó. 
 
Por todas essas situações que afligem a vida, “em sinal de tristeza”, a quaresma nos chama a orar. Nos chama a contrição, a súplica, pedidos e, sobretudo arrependimento. Nos chama e convida a buscar uma nova relação com o próximo e a criação. Se não nos voltarmos de coração a Deus, assim como Daniel se voltou, estaremos cada vez mais transformando a vida em cinzas.
 
Quaresma nos lembra que a cruz que mata e deixa a vida em cinzas não tem a última palavra. Em João 14.19 Jesus Cristo diz: “E, porque eu vivo, vocês também viverão”. Para aquele que crê em Jesus Cristo a vida não é e não será cinza. Para o que crê quaresma é tempo para cuidar da vida como Cristo cuidou. Quaresma é tempo para lembrar que Cristo caminha conosco em nossos sofrimentos e angústias e nos quer, com a força do seu Espírito Santo, na sua seara para praticar a sua justiça, o seu amor, o seu perdão, a sua reconciliação e a sua compaixão. Quaresma lembra que o que começa em cinzas termina, graças a Deus em Cristo, em ressurreição.
 
Texto: Pr. Ernani Röpke (Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil)
 
Fonte: IECLB

 
 
Senior Anglican leaders have endorsed Pope Francis’ call for an ecumenical day of prayer and fasting for peace, with a particular focus on the Democratic Republic of Congo and South Sudan. Pope Francis made his call on Sunday in his traditional Angelus address to crowds in St Peter’s Square in the Vatican. It has now been endorsed by the acting primate of the Anglican Church of South Sudan, the secretary general of the Anglican Communion, and the deputy director of the Anglican Centre in Rome.
 
“Faced with the tragic continuation of conflict in several parts of the world, I invite all faithful to a special day of prayer and fasting for peace on this coming 23 February, Friday of the First Week of Lent,” Pope Francis said. “We will offer this in particular to the populations of the Democratic Republic of the Congo and of South Sudan.
 
“As on other similar occasions, I also invite non-Catholic and non-Christian brothers and sisters to participate in this initiative in the ways they consider most appropriate, but all together.
 
“Our heavenly Father always listens to His children who cry to Him in pain and in anguish; ‘He heals the broken hearted and binds their wounds’ (Psalm 147, 3). I address a heartfelt appeal that we too hear this cry and, each person in his or her own conscience, before God, let us ask ourselves, ‘what can I do for peace?’.
 
“Certainly we can pray; but not only this: each person can say a concrete ‘no’ to violence, as far as it depends on him or her. Because the victories obtained with violence are false victories: whereas working for peace is good for all!”
 
The acting primate of South Sudan, Archbishop Peter Munde Yacoub of the internal province of Western Equatoria, and Bishop of Yambio, welcomed the call to prayer. “Prayer is very important because it is our weapon as Christians,” he said. “There is need to pray for South Sudan, especially at this time where the leaders of South Sudanese are in Addis Ababa for peace talks.
 
“Pray that the Almighty God can turn their hearts from waging war to peace. We, the South Sudanese, are fed up of war and there is no one who is interested again in war. Pray that the Almighty God can work through them and they can put the interest of the South Sudanese people, which is Peace.
 
“Jesus says if we pray faithfully, the mountains can fall into the sea. We have mountains in front of us: the evil war and the killing of innocent people.
 
“Pray that Almighty God will remove this evil war and bring us peace, and remove the suffering of South Sudanese people.”
 
The Chair of the Anglican Consultative Council, Archbishop Paul Kwong, the Primate of Hong Kong, said: that he responded “wholeheartedly” to Pope Francis’ call, and thanked him for inviting non-Catholics and non- Christians to participate in the initiative.
 
“We all know that the continuation of violence and conflicts in many parts of the world is so severe that no single group of people is capable enough to address,” he said. “But we as Christians have been given the faith, hope and love to participate in God’s mission in the world, together with sisters and brothers from other churches. We have also been called to dialogue and engagement with other religious and non-religious communities to address the issues facing our world.
 
“There is much we can do together in prayers and in action.”
 
The Secretary General of the Anglican Communion, Dr Josiah Idowu-Fearon, also backed the call to prayer and fasting, saying: “Conflicts continue to blight the lives of millions of people. In support of our brothers and sisters in areas of conflict, and particularly in solidarity with those in the Democratic Republic of Congo and South Sudan, I join with Pope Francis in calling the Churches of the Anglican Communion and all people of good will to prayer and fasting for peace on Friday 23 February.”
 
The Deputy Director of the Anglican Centre in Rome, the Revd Dr Justin Lewis-Anthony, said: “We strongly support the call of Pope Francis to mark the first Friday in full Lent as a day of fasting and prayer in solidarity with the suffering peoples of South Sudan and the DRC.”
 
He added: “It is only when men and women of goodwill, of faith or not, come together that the promise of justice and peace inherent in the Christian Gospel is made manifest. We have seen the fruits of this goodwill in the work, among other movements, of the Anglican Peace and Justice Network. We will be supporting the Pope’s initiative ourselves here in Rome, and we ask our brother and sister Anglicans around the world to join it as well.”
 
Resources to help support prayer on 23 February will be made available in due course.
 
Fonte: Anglican News
Foto: L’Osservatore Romano

 
Na manhã desta quarta-feira, 14 de fevereiro, na sede provisória da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi aberta oficialmente a Campanha da Fraternidade (CF) 2018. Este ano, a Campanha trata da “Fraternidade e a superação da violência”. O presidente da entidade, cardeal Sergio da Rocha, e o secretário-geral, dom Leonardo Steiner, receberam autoridades para o evento: a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministra Cármen Lúcia, o coordenador da Frente Parlamentar pela Prevenção da Violência e Redução de Homicídios, deputado Alessandro Molon, e o presidente da Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP), Carlos Alves Moura.
 
Mensagem do Papa
 
O secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Luís Fernando da Silva, leu para os presentes no evento a mensagem enviada pelo papa Francisco: “O perdão das ofensas é a expressão mais eloquente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir. Às vezes, como é difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração, a paz. Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança é condição necessária para se viver como irmãos e irmãs e superar a violência”.
 
No final da mensagem, papa Francisco pediu: “Peço a Deus que a Campanha da Fraternidade deste ano anime a todos para encontrar caminhos de superação da violência, convivendo mais como irmãos e irmãs em Cristo. Invoco a proteção de Nossa Senhora da Conceição Aparecida sobre o povo brasileiro, concedendo a Bênção Apostólica. Peço que todos rezem por mim”.
 
Exposições
 
“Há alguns dados dos estudiosos que nos estarrecem”, disse Carlos Moura. Negros e jovens são as maiores vítimas da violência no Brasil, informou. A população negra corresponde à maioria dos 10% dos indivíduos expostos ao homicídio no País. “É oportuno refletir sobre o Manual da Campanha da Fraternidade”, chamou a atenção: “A violência racial no Brasil é uma situação que faz supor uma forte correlação entre três formas de violência, direta, estrutural e cultural. Os casos de violência direta parecem ser resultado mais concreto e evidente de questões socioeconômicas históricas, além de deixarem entrever representações culturalmente produzidas e já naturalizadas a respeito da população negra, do índio, dos migrantes e, mais recentemente, também do imigrante”.
 
Moura lembrou que outra Campanha da Fraternidade tratou da superação da violência contra a comunidade negra, a Campanha de 1988, que tinha como lema: “Ouvi o clamor desse povo”.  Nela, segundo Carlos Moura, a Igreja renovou o comprometimento da Igreja com o combate à violência.
 
A ministra Cármen Lúcia agradeceu à CNBB “pelo convite ao Poder Judiciário para participar desse momento”. A presidente do STF disse que hoje, infelizmente, o outro tem sido visto com desconfiança e não como um irmão, um parceiro. “Esta campanha ajuda a ver o outro como aliado, como irmão”, reforçou. “Não basta que se faça parte da sociedade humana, mas é preciso atuar por ela para que se crie espaços de fraternidade”, acrescentou a ministra.
 
Deputado Alessandro Molon disse: “Nós nos acostumamos com a nossa tragédia. É como se no Brasil, a vida humana valesse muito pouco”. Ele realçou que a Campanha da Fraternidade não é de combate à violência, mas a superação dela. Chamou atenção para esse ano de discursos políticos é preciso lembrar o que diz o texto-base da Campanha que lembra que se trata de um problema complexo que não aceita soluções simplistas. “Esse carnaval nos deixou algumas lições. Quando as autoridades se omitem, por exemplo, a violência cresce”. O deputado ainda lembrou que todos têm responsabilidade, mas o Parlamento deve melhorar o Direito para proteger mais a vida que o patrimônio.
 
Cardeal Sergio da Rocha disse que a importância da Campanha da Fraternidade tem crescido a cada ano, repercutindo não somente dentro do âmbito da Igreja Católica, mas em toda a sociedade civil, além de outras igrejas cristãs. “Construir a Fraternidade para superar a violência” é o objetivo da Campanha da Fraternidade, lembrou. “A vida, a dignidade das pessoas, de grupos sociais mais vulneráveis têm sido atingidos frequentemente”. A realidade da violência, no entanto, “não deve levar a soluções equivocadas”, disse. Por conta disso, a Campanha da Fraternidade, disse o cardeal, quer ajudar a todos para fazer uma análise profunda diante da complexidade da realidade da violência.
 
“Embora que seja importante a ação de cada um de nós, mas é preciso de ações comunitárias”, disse o presidente da CNBB. A Igreja não pretende oferecer soluções técnicas para os problemas que aborda, mas o valor da fé e do amor que mostra que o semelhante não é um adversário, mas um irmão a ser amado, disse o Cardeal.
 
Cobertura
 
Todas as emissoras de TV de inspiração católica no Brasil, cinco grandes redes e duas TVs regionais, estiveram comprometidas com a transmissão do lançamento da Campanha da Fraternidade graças ao trabalho coordenado pela Signis Brasil, entidade católica que se ocupa com os meios de comunicação da Igreja. A Rede Católica de Rádio (RCR) também se fez presente oferecendo sinal de áudio para todas as emissoras interessadas no evento. A Assessoria de Imprensa da CNBB também ofereceu transmissão pelo Facebook e o vídeo já está disponível para ser visto na página facebook.com/cnbbnacional.
 
Fonte: CNBB
Foto: CNBB/Willian Bonfim

 
 
A ideia de blocos evangélicos no Carnaval do Brasil não é nova. Mas dia 12 de fevereiro, pela primeira vez a orla de Copacabana, zona sul do Rio de Janeiro, receberá o evento “Evangelismo de Carnaval”, promovido pela igreja Bola de Neve.
 
Além do desfile, com direito a bateria, também haverá um show com cantores gospel na quadra da Acadêmicos da Rocinha no final da tarde. Seguindo a dinâmica do mercado, para participar é necessário comprar a camiseta do evento, que custa R$ 55.
 
Em evento similar, mas na Barra da Tijuca, o Sou Cheio de Amor, da Igreja Batista Atitude, fez seu desfile pelo quinto ano consecutivo, dia 10 de fevereiro.
 
O Sou Cheio de Amor entoou músicas com letras gospel, mas nos ritmos de axé e pagode. O tema de 2018 foi “Sou felicidade”. Além de promover a “folia em nome de Jesus”, os membros do bloco evangelizaram com a distribuição de folhetos e conversas com os interessados. Também foram realizadas rápidas pregações dos pastores ligados ao ministério. Outra estratégia foi a distribuição de copos de água, onde são colocados adesivos com a frase ‘eu sou a fonte da vida’. O “abadeus”, como é chamado o abadá pelos fiéis, custou R$ 20.
 
Um terceiro bloco que desfilará na zona sul é a Mocidade Dependente de Deus, ligada à Igreja Evangélica Internacional da Zona Sul. Eles desfilarão na terça-feira de Carnaval, dia 13 de fevereiro, às 14h, na praia do Flamengo.
 
Gospel Prime com informações do Uol
Foto: Portal Meon / Igreja da Cidade

 
No dia 9 de fevereiro, completaram-se quatro anos desde a morte do Reverendo João Dias Araújo, um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Unida no Brasil e membro da Comissão Teológica do CONIC durante anos.
 
Quando a ditadura se implantou no Brasil, João foi um dos perseguidos por defender os direitos do povo oprimido e censurado. João foi escritor e publicou “Inquisição sem Fogueiras”, além de ser o autor do hino oficial da Igreja Presbiteriana Unida, “Que estou fazendo se sou Cristão?”. Também era entusiasta junto aos órgãos ecumênicos nacionais e internacionais.
 
Durante os mais de 35 anos de ministério pastoral e ensino teológico, assessorou grupos junto a IPU e ao CONIC. Trabalhou de forma ecumênica entre as igrejas cristãs e tinha muito interesse no diálogo com religiões afro-brasileiras.
 
Seu compromisso com a democracia era pleno. Trabalhou com temas como:
 
  • economia
  • raças
  • pobreza
  • políticas públicas
  • ênfase na participação solidária com os despoderados e marginalizados
  • cidadãos sem vez e sem voz
  • combatente do neoliberalismo e do capitalismo
  • colaboração eclesiástica diaconal e ecumênica
  • interesse ético de combate ao racismo
  • à homofobia
  • à exclusão social
  • defesa dos direitos humanos e cidadania insurgente
  • luta em defesa de sem-terras
  • povos indígenas
  • esforço por manter o culto não-pentecostalizado e liturgia contemporânea ecumênica
 
Memória
 
João Dias Araújo faleceu no dia 09 de fevereiro de 2014, em Feira de Santana na Bahia, aos 83 anos de idade.
 
João foi um dos fundadores da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil (IPU) e colaborador de organismos ecumênicos mundiais, tais como Conselho Mundial de Igrejas, Comunhão Mundial de Igrejas Reformadas (CMI), Conselho Latino-Americano de Igrejas (CLAI), Aliança de Igrejas Presbiterianas e Reformadas da América Latina (AIPRAL) e Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
 
De acordo com o Pastor Cláudio Rebouças (IPU, Salvador/BA, atual coordenador da CEDITER – Comissão Ecumênica dos Direitos pela Terra), “a figura do Rev. João Dias tem a capacidade de remontar um modo de produção teológica que passa necessariamente pelo ecumenismo, pela justiça social, pela luta por terra”. Pastor Cláudio lembra que “a voz de João Dias é muito atual neste cenário cheio de conservadorismo político e de crescimento da ‘população evangélica’ em solo brasileiro. Diante de mecanismos onde ocorre um processo de mercantilização da fé, e de espetacularização de líderes religiosos que tentam transformar o Brasil em uma espécie de teocracia, é fundamental testemunhos como o de João Dias”.
 
Para o teólogo e pastor da IPU, Derval Dasilio, “João Dias registrou um momento dos mais importantes do protestantismo e da opção calvinista e ecumênica, realçando o papel do grande mestre da Reforma Protestante, matriz do ecumenismo que conhecemos e aplaudimos, hoje. Significativamente, seu livro [“Inquisição sem fogueiras”] rebela-se contra a religiosidade ‘equidistante’, no protestantismo, sem engajamento aparente, político e social – porém, aliado da ditadura militar, a quem evangélicos, na grande maioria, aplaudiram e abençoaram”.
 
Dentre os livros publicados encontram-se “A Inquisição Sem Fogueiras” e “Sê Cristão Hoje”. É de sua autoria também, o hino “Que estou fazendo?” (nº 297), que foi muito criticado por conservadores durante o Regime Militar.
 
Fonte: CEBI
Imagem: Reprodução

 
 
Na manhã desta quinta-feira (8/2), o bispo diocesano de Colatina, dom Joaquim Wladimir Lopes Dias, e o pastor sinodal Joaninho Borchardt receberam a sociedade para uma coletiva pública, a fim de manifestar um posicionamento a respeito da Reforma da Previdência Social.
 
O evento, que aconteceu no auditório do Edifício João Paulo II, em Colatina, foi marcado pela divulgação de uma nota ecumênica assinada pelas duas Igrejas.
 
Confira, a seguir, essa nota em sua íntegra.
 
NOTA DAS IGREJAS CATÓLICA E DE CONFISSÃO LUTERANA
DO ESTADO DO ESPÍRITO SANTO SOBRE A PEC 287/16 – “REFORMA DA PREVIDÊNCIA”
 
O Senhor disse: “Eu vi, eu vi a aflição de meu povo que está no Egito [no Brasil e em qualquer lugar], e ouvi os seus clamores por causa de seus opressores. Sim, eu conheço seus sofrimentos. E desci para livrá-lo da mão dos egípcios” [e de todos os inimigos dos mais empobrecidos] (Ex 3.7ss).
 
As Igrejas Católica Apostólica Romana, representada aqui pela Diocese de Colatina, e Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), sediadas no Estado do Espírito Santo, são servas do Evangelho do Cristo Jesus; buscam testemunhar juntas esse Evangelho, convidando a humanidade a ouvir e acolher a Boa Notícia da ação redentora de Deus, defendendo a dignidade e os direitos humanos, especialmente dos pobres; confessam-se herdeiras da tradição profética da Bíblia, profundamente comprometida com a paz e a justiça social, pondo-a a serviço da sociedade brasileira; trabalham pela justiça e rejeitam todas as formas de violência e de injustiça.
 
Diante do apelo bíblico, as duas Igrejas vêm a público manifestar preocupação com relação à Proposta de Emenda à Constituição 287/2016, conhecida como PEC da Previdência, de iniciativa do Poder Executivo que será votada, no mês de fevereiro próximo, pelo Congresso Federal cujo objetivo versa sobre a reforma da Previdência Social do nosso País.
 
As graves ameaças que pairam sobre o povo brasileiro não podem deixar apáticas as Igrejas e o Povo de Deus. Devem ser alerta e apelo à reação, pois Deus não é da confusão ou da exploração social e sim da paz e da justiça (cf. 1Cor 14.33). Colaborar na percepção e na implantação que serve à paz e à justiça social (cf. Lc 19.42) constitui o nobre e inalienável mandato político dos cristãos em parceria com todas as pessoas de boa vontade.
 
No seu manifesto “O direito e o poder”, a IECLB defende, para o bem da sociedade, a urgência em recuperar a primazia do direito sobre o poder. O direito é incompatível com o crime, com a ditadura do poder e com a reserva de privilégios indevidos. Cabe ao Estado zelar para que todo cidadão tenha assegurado o amparo do direito e seja cumpridor dos deveres nele implícitos. O poder está a serviço disso. Inclusive mais: é a única maneira de legitimá-lo. O poder se torna útil somente quando se submete ao direito e a ele se presta como braço instrumental.
 
A responsabilidade pública da comunidade cristã não se esgota com a participação nas eleições. Ela se estende ao longo do mandato das pessoas eleitas. Neste tempo, ela adquire maturidade na vigilância e na consciência crítica. Cabe-nos vigiar e contestar as autoridades sempre que descumpram os seus compromissos e deveres para com o povo e a sociedade, como ainda dizia Lutero: “Não é subversivo criticar a autoridade quando ocorre livre, pública e honestamente no ministério ordenado da Palavra de Deus. Ao contrário, é uma rara virtude louvável e nobre, até mesmo um serviço a Deus especialmente grande”.
 
Em nota divulgada em março de 2017, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) já nos alertava sobre alguns perigos referentes a esta proposta de reforma. Dizia: “Os números do Governo Federal que apresentam um déficit previdenciário são diversos dos números apresentados por outras instituições, inclusive ligadas ao próprio governo. Não é possível encaminhar solução de assunto tão complexo com informações inseguras, desencontradas e contraditórias.
 
É preciso conhecer a real situação da Previdência Social no Brasil. Iniciativas que visem ao conhecimento dessa realidade devem ser valorizadas e adotadas, particularmente pelo Congresso Nacional, com o total envolvimento da sociedade. O sistema da Previdência Social possui uma intrínseca matriz ética. Ele é criado para a proteção social de pessoas que, por vários motivos, ficam expostas à vulnerabilidade social (idade, enfermidades, acidentes, maternidade…), particularmente as mais pobres. Nenhuma solução para equilibrar um possível déficit pode prescindir de valores ético-sociais e solidários. Na justificativa da PEC 287/2016, não existe nenhuma referência a esses valores, reduzindo a Previdência a uma questão econômica”.
 
As reformas previstas pela PEC 287 como estão sendo propostas pelo Governo Federal deverão dificultar o acesso aos benefícios (tanto para contribuintes urbanos como para os rurais), exigindo mais tempo de contribuição e reduzindo drasticamente os valores a serem recebidos por meio de aposentadorias e pensões.
 
Convocamos os cristãos e todas as demais pessoas de boa vontade, particularmente nossas comunidades, a se mobilizarem, reagindo contra a PEC 287 e contra os Deputados Federais que defendem a proposta da reforma da Previdência do Governo Federal, a fim de buscar as garantias de justiça social e econômica para o nosso povo, principalmente os mais fragilizados. Também convocamos os Deputados Federais do nosso Estado para que votem contra esta reforma da Previdência Social proposta pelo Governo Federal. Estaremos atentos aos votos deles no Congresso.
 
Essa proposta de reforma da Previdência do Governo Temer não pode acontecer. É fim de mandato. É preciso discutir mais com a sociedade. A reforma que precisamos é outra, é a reforma moral e política. Acompanhe o voto do seu Deputado Federal e do seu Senador, pois é ano eleitoral. Se eles apertarem o botão “sim”, a favor desta reforma, aperte, você eleitor, o botão “não” para eles, no dia das eleições.
 
Exortamos a todas as paróquias e comunidades da Diocese de Colatina e luteranas do Estado do Espírito Santo para que sejam corajosas e criativas, alegres e cheias de esperança no seu compromisso de prosseguir na grande aventura que nos espera. Mais do que os conflitos do passado, há de ser o dom divino da unidade entre nós a guiar a colaboração e a aprofundar a nossa solidariedade, estreitando-nos a Cristo na fé, rezando juntos, ouvindo-nos mutuamente e vivendo o amor de Cristo nas nossas relações. Nós, católicos e luteranos, abrimo-nos ao poder de Deus Uno e Trino radicados em Cristo e, testemunhando-O, renovamos a nossa determinação de ser fiéis arautos do amor infinito de Deus por toda a humanidade.
 
Atenciosamente,
 
Dom Joaquim Wladimir Lopes Dias
Bispo diocesano de Colatina
 
Pr. Joaninho Borchardt
Pastor Sinodal – Sínodo Espírito Santo a Belém
 
DIGA NÃO À REFORMA DA PREVIDÊNCIA PROPOSTA PELO GOVERNO FEDERAL!

 
Lideranças religiosas, membros da diretoria do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) e parlamentares da bancada do PT se reuniram, na manhã da última quinta-feira, 8 de fevereiro, no Senado Federal, para um debate que envolveu temas como processo de ruptura do pacto democrático estabelecido com a constituição de 1988, processos de privatização, em especial da Eletrobrás, e os riscos que isso representa à soberania do país, a reforma da previdência e o papel relevante das igrejas ao desenvolvimento de ações estratégicas para um pacto em favor da democracia brasileira e temas como os riscos da privatização da água e a fragilidade da segurança hídrica brasileira. 
 
Na avaliação do líder do PT no Senado, Lindbergh Farias (RJ), o Brasil tem passado por um processo de desnacionalização “sem precedentes”, com a venda do patrimônio nacional para empresas estrangeiras, além da diminuição da proteção social aos mais necessitados.
 
“Tenho uma grande preocupação com a democracia brasileira e com a situação do povo mais pobre. Tudo estoura no povo mais pobre. É impressionante o número de pessoas dormindo nas ruas das grandes cidades. E numa situação como essa, o governo cortou mais de um bilhão de reais em recursos do Bolsa Família”, denunciou.
 
O aumento da violência, em suas mais diferentes formas, principalmente violência agrária e contra populações indígenas, as contínuas manifestações de ódio e intolerância relacionados ao preconceito e ao racismo também entraram na pauta da conversa, destacando-se a importância do papel das Igrejas para estabelecer pontes de diálogo para a superação destas práticas.
 
Os senadores e as senadoras presentes enfatizaram a importância das Igrejas no passado para a abertura democrática e destacaram que nesse atual momento é fundamental que as Igrejas continuem mobilizando e conscientizando a sociedade sobre a necessidade de se garantir direitos às pessoas em situação de vulnerabilidade social e econômica.
 
A senadora e presidenta nacional do PT, Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que após a ditadura militar houve uma construção nacional na qual foram pactuados três importantes pontos na Constituição: voto universal e eleições livres, um cinturão social de proteção ao povo com a seguridade social e a soberania nacional. Pilares fundamentais para o desenvolvimento nacional, segundo ela. “Esses pilares estão sendo rompidos”, enfatizou.
 
CONIC
 
Os integrantes da diretoria do CONIC destacaram que o Conselho tem buscado, desde a sua criação, confrontar a sociedade brasileira com os valores do Evangelho. A preocupação do CONIC é com a vida das pessoas mais pobres, por isso, o organismo tem se manifestado em favor da garantia dos direitos humanos e da universalização da saúde e da educação. Neste sentido, ratificaram que o CONIC é um espaço privilegiado para as Igrejas expressarem seu testemunho em favor da justiça social e do aprofundamento da democracia, que se faz com a distribuição de riquezas e a preservação de recursos naturais, como a água. Dom Teodoro, membro da diretoria do CONIC, lembrou que as igrejas-membro do Conselho representam cerca de 200 milhões de pessoas, justamente por isso, a responsabilidade do Conselho é grande. 
 
Finalmente, a diretoria do  CONIC chamou atenção para a importância do encontro, sobretudo porque também contou com a presença de pessoas vinculadas à igrejas que ainda não fazem parte do Conselho, declarou estar aberto para dialogar com outras forças políticas, pois essa postura é uma das formas para que sejam avaliadas as atuações dos parlamentares e seu compromisso com plataformas políticas que beneficiem o conjunto da população brasileira.