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A Diocese Barra do Piraí – Volta Redonda esteve em festa, no dia 20 de abril, pela comemoração do Jubileu de Ouro (50 anos) de ordenação presbiteral de dom Francisco Biasin, bispo católico e grande defensor do ecumenismo no Brasil e no mundo. Para marcar a data, foi realizada uma missa na Igreja Nossa Senhora da Conceição, no bairro Conforto.
 
A celebração contou com a participação de aproximadamente 40 bispos, de diferentes estados do Brasil, além de padres, diáconos, religiosos e religiosas, seminaristas, autoridades civis e fiéis das dioceses por onde o bispo passou. Ao todo, cerca duas mil pessoas compareceram. O CONIC esteve representado pela secretária-geral, Romi Bencke, pastora luterana.
 
 
Dom Francisco Biasin nasceu em Arzercavalli/Pádua, na Itália, em 6 de setembro de 1943. É filho de Attilio Biasin e Vitória Biasin. Foi ordenado sacerdote em 20/04/68, em Pádua. Veio para o Brasil em 1972, como missionário “fidei donum” (do latim, “O dom da fé”).
 
Percorreu várias cidades e estados; trilhando e se capacitando nos caminhos da fé. Foi nomeado bispo por dom Bernardino Marchió em 12 de outubro de 2003, já no Brasil. Seu lema é “Dar a vida pelos irmãos”. Sua primeira missão como bispo foi em Pesqueira (PE) entre 2003 e 2011.
 
Foi nomeado para a Diocese de Barra do Piraí – Volta Redonda em 8 de junho de 2011 e tomou posse em 28 de agosto do mesmo ano. Atualmente é o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da CNBB e membro do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso.
 
“Na minha época, na Itália, os meninos entravam no seminário muito cedo, e eu não fugi a essa regra… Lembro-me de que a minha decisão, renunciando a uma expressão do amor humano, o matrimonial, para um amor maior, foi aos 18 anos, num retiro antes do diaconato. Foi quando senti que Deus era generoso para comigo, e que a minha fidelidade dependia da dEle. Eu não podia garantir nada em minha vida, a não ser o amor de Deus”, recordou dom Francisco.
 
Com informações do portal A Voz da Cidade
Fotos: Raimundo / Resen Foto Studio

 
Lugar de encontro e devoção de praticantes do candomblé há 17 anos, o terreiro de Conceição d'Lissá tem recebido, nos últimos meses, visitantes inusitados. O templo, localizado em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, está sendo reconstruído com a ajuda de evangélicos. Em meio a diversos casos de intolerância e violência contra religiões de matriz africana, um grupo arrecadou mais de R$ 12 mil para as obras depois que o espaço foi parcialmente destruído em um incêndio.
 
Em uma manhã de sábado de fevereiro, a pastora Lusmarina Campos, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, foi ao local acompanhada de três voluntários para, pessoalmente, ajudar na remoção de entulhos - tijolos e pedaços de madeira que faziam parte do segundo andar do terreiro, área atingida pelo fogo em junho de 2014. Na época presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do estado (CONIC-Rio), Lusmarina organizou a campanha de arrecadação, concluída no fim do ano passado, para a reconstrução do templo.
 
"Logo que a gente ouviu sobre a destruição do terreiro, eu pensei: 'Se em nome de Cristo eles destroem, em nome de Cristo nós vamos reconstruir'. É extremamente importante dar um testemunho positivo da nossa fé, porque o Cristo que está sendo utilizado para destruir um terreiro está sendo completamente mal interpretado", explica Lusmarina.
 
Aquele foi o oitavo ataque ao local de culto da mãe de santo. Antes, tiros haviam sido disparados contra o templo e a casa de Conceição. Três carros que pertenciam a candomblecistas de seu grupo foram queimados. A polícia ainda não identificou os responsáveis pelos crimes. Para tentar se proteger, Conceição instalou grades e reforçou muros e cadeados do templo. Sem apontar suspeitos, ela afirma que os ataques têm cunho religioso: "Não há roubo de televisão, rádio, uma porção de coisas que poderiam usar para fazer dinheiro. Não levam nada, só destroem."
 
No ano passado, 71,5% dos casos de intolerância religiosa registrados no Rio de Janeiro foram contra grupos de matriz africana, segundo a Secretaria de Estado de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos. Crimes de ódio contra os adeptos de religiões como o candomblé e a umbanda também ocorrem em outras partes do país, que possui cerca de 600 mil devotos de crenças de origem africana, segundo o Censo de 2010.
 
"É um fenômeno nacional, agora com essa face cruel, que já se expressou em 2008 e vem desde a década de 90, que são os traficantes instrumentalizados por grupos neopentecostais que atacam os templos religiosos nas periferias e favelas", comenta o babalaô Ivanir dos Santos, interlocutor da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa.
 
"O arcabouço do que está acontecendo no Rio de Janeiro, em termos de violência religiosa tem como fundo uma lógica de guerra", complementa a pastora Lusmarina. "Faz parte de um projeto de poder a descaracterização de outros grupos religiosos, ou seja, uma linguagem de desrespeito e condenação. Porque, nesse tipo de concepção, a diversidade não é permitida. É um enfrentamento que precisamos fazer porque é muito mais amplo do que a questão estritamente religiosa. A questão é política. Por isso, a gente precisa se unir."
 
O babalaô acompanhou desde o início a ação de apoio ao terreiro em Duque de Caxias organizada por Lusmarina. "Esse ato é um divisor de águas na luta contra a intolerância religiosa no país", comenta ele. A entrega do dinheiro, com o maior aporte vindo de fiéis da Igreja Cristã de Ipanema, que é evangélica, foi celebrada no fim do ano passado com uma cerimônia inter-religiosa no terreiro de Conceição. Alguns dos que participaram tiveram de enfrentar críticas e ameaças, principalmente na internet e nas redes sociais. Lusmarina conta que um youtuber evangélico gravou um vídeo em que incentiva outras pessoas a agredirem. "Ele diz: 'Pastora vadia, vagabunda...Tem que tomar tapa na cara', de maneira muito agressiva e violenta."
 
A discriminação, no entanto, não é exclusiva de grupos extremistas. Os próprios voluntários que acompanharam Lusmarina na preparação do terreiro para as obras admitiram que, em determinado momento da vida, chegaram a ter uma visão negativa em relação a religiões de matriz africana, por acreditarem que eram ligadas ao mal.
 
"O candomblé sofre preconceito desde que era a religião professada pelos nossos antepassados, que vieram para o país escravizados", comenta Conceição. "As pessoas hoje endemonizam o candomblé como se tivéssemos uma relação estreita com essa figura chamada diabo, sem saber que o diabo não faz parte do nosso panteão de divinizados. É uma visão eurocristã que não tem nada a ver conosco."
 
 
A exemplo da iniciativa tomada no Rio de Janeiro, a direção nacional do CONIC decidiu criar o Fundo de Solidariedade para o Enfrentamento de Violências Religiosas. A entidade já começou a receber doações e pretende criar um comitê inter-religioso que fique responsável por gerir o fundo e selecionar pessoas e espaços que precisem ser atendidos - em especial, os de religiões de matriz africana.
 
"Essa repercussão já significou um racha na base de um grande bloco de igrejas que parecia mais ou menos uniforme", diz Lusmarina. "Embora uma parte das igrejas e de pessoas dentro de igrejas não tenha apoiado a nossa ação, a grande maioria das pessoas apoiou e a grande maioria das igrejas prefere o respeito à violência, prefere o amor, a aproximação...que é de fato a mensagem central do evangelho. Esses são valores fundamentais dos quais não podemos abrir mão."
 
As obras no terreiro da mãe de santo Conceição começaram pela cozinha, que estava funcionando no quintal desde que a estrutura interna da casa foi danificada pelo incêndio. O local é considerado "o coração do barracão", uma vez em que lá são produzidas as oferendas - parte importante da tradição candomblecista.
 
"Quando eles vêm dar essa ajuda pra gente, é justamente [uma forma de] reconhecer que, primeiro, a gente sofre o ataque. Depois, é reconhecer que a gente tem o direito de existir e professar o nosso sagrado", comenta Conceição. "Eles não vieram aqui pra me mudar, evangelizar ou dizer que o que eu faço está feio ou é do diabo. Vieram para dizer: 'Faça aquilo que você crê. Eu vou te ajudar'."
 
Texto: Ana Terra para a BBC Brasil
Foto: Reprodução / BBC Brasil

 
 
Começou hoje, segunda-feira (23), em Brasília, o 15º Acampamento Terra Livre (ATL). Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o ATL reúne todos os anos delegações de mais de 100 povos vindos de todas as regiões do país. A estimativa de participantes foi atualizada há pouco: são esperados cerca de três mil indígenas.
 
Após firmar um acordo sobre o local do acampamento, previsto para a Praça dos Ipês, próxima ao Teatro Nacional, o Governo do Distrito Federal mudou de ideia, de última hora, e determinou que o acampamento fosse instalado no Memorial dos Povos Indígenas.
 
Em 2018, com o tema “Unificar as lutas em defesa do Brasil Indígena – Pela garantia dos direitos originários dos nossos povos”,  o ATL ocorre em um contexto visto pelo movimento indígena nacional como o maior ataque aos direitos indígenas desde a promulgação da Constituição Federal em 1988.
 
Membro da coordenação da Apib, Dinamã Tuxá aponta como um dos principais ataques impostos pelo atual governo aos direitos indígenas o Parecer 001/20017 da Advocacia-Geral da União (AGU), que aplica às demarcações, entre outros pontos, a tese do Marco Temporal, pela qual os povos indígenas só teriam direito às terras ocupadas em 5 de outubro de 1988, data de promulgação da Constituição.
 
“O Acampamento demonstra nosso sentimento para reverter todos esses ataques do atual governo. Há um descontentamento geral com a paralisação dos processos de demarcação, com o aumento da violência nas Terras Indígenas, com o aumento do desmatamento, com o aumento do garimpo. Um cenário que antes era regionalizado e hoje se tornou nacional, o que fortaleceu nossa unidade nas pautas”, explica Dinamã Afer Jurum Tuxá, da coordenação da Apib.
 
Apesar do acirramento dos ataques aos seus direitos, as lideranças indígenas do ATL esperam conseguir soluções para seus problemas. “Queremos trazer nossas reivindicações apresentando nossa cultura, nossa origem. Junto com os outros povos queremos trazer soluções para os problemas vividos nas aldeias”, diz Kapranpoi Kayapó, da aldeia Kaprankrere, no Pará.
 
As delegações dos diversos povos estão chegando em Brasília desde o último sábado. Aos poucos, as estruturas de bambu e lona vão tomando o gramado próximo ao Memorial dos Povos Indígenas. Boa parte dos participantes chegam de ônibus após enfrentar muitas horas e até dias de viagem, vindos de todas as regiões do país.
 
“Faço parte da Comissão Guarani Yvyrupa, do povo Guarani no Sul e Sudeste do Brasil, que está vindo em cinco ônibus para Brasília. Do Rio de Janeiro viemos em 46 pessoas em um ônibus que juntou aldeias de Angra dos Reis, Paraty e Ubatuba. Viajamos um dia inteiro, 24 horas, até chegar em Brasília”, conta Julio Karai Xiju, membro da coordenação da Comissão Guarani Yvyrupa, da aldeia Sapukai, em Angra dos Reis.
 
Como parte da programação do acampamento, o dia começou com uma audiência pública no Senado Federal que discute a autonomia dos povos indígenas. “Hoje vemos muito forte a falência total da política indigenista, o que a paralisação total das demarcações só vem comprovar. E isso só faz com que nossos territórios venham sofrer com os impactos dos empreendimentos e do agronegócio. Isso tem consequências no nosso modo de viver, na nossa alimentação e nas nossas crianças”, afirmou Nara Baré, também da coordenação da Apib, no evento.
 
Na parte da tarde, está prevista uma plenária de abertura seguida da plenária de mulheres indígenas. À noite, atividades culturais e a exibição de filmes fecham o primeiro dia do ATL 2018. Para saber mais acompanhe diariamente o blog da Mobilização Nacional Indígena com os principais acontecimentos da 15ª edição do Acampamento Terra Livre.
 
Fonte: Cimi
Foto: Christian Braga/MNI

 
 
Visão de Igreja e Missão 2030 é o tema da V Consulta Global de Igrejas Parceiras da Obra Missionária Evangélica Luterana na Baixa Saxônia (OMEL), com realização de 21 a 28 de abril de 2018, em Porto Alegre/RS, com a participação de, aproximadamente, 35 pessoas, representando Igrejas da África, Ásia, América Latina e Europa.
 
As Igrejas parceiras da OMEL, entre as quais a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), que hospeda o evento, também são membros da comunhão luterana expressa pela Federação Luterana Mundial (FLM). Ao reunir representantes de Igrejas Luteranas de diversos contextos, a Consulta espera construir uma base comum para projetos, apoio mútuo e possibilidades de acompanhamento e aprendizado. Trata-se, portanto, de uma plataforma de intercâmbio de boas experiências e mútuo aprendizado visando a fortalecer as Igrejas para melhor participar na Missão de Deus no mundo.
 
As atividades do grupo tiveram início no domingo, com a saudação do Diretor da ELM, Rev. Michael Thiel, e do Pastor Presidente da IECLB, P. Dr. Nestor Friedrich, seguida da apresentação das Igrejas parceiras.
 
Divididos em grupos menores, as pessoas participantes, em sistema de rodízio, de forma que todas interagissem, foram convidadas a dialogar a respeito, entre outros tópicos: das impressões sobre a IV Consulta, realizada em Adis Abeba, capital da Etiópia, em 2015, das expectativas para a V Consulta, em Porto Alegre, dos desafios internos de cada Igreja representada, das atividades de missão de cada Igreja parceira, dos apoios e dos conflitos com outras religiões no país de cada representante, da possível contribuição de cada Igreja parceira e não somente em relação à cooperação com a ELM, mas com todas as Igrejas parceiras que participam da Consulta, e das curiosidades em relação ao país anfitrião, o Brasil.
 
O tema da Consulta, Visão de Igreja e Missão 2030, será abordado em palestras e desdobrado em três subtemas (painéis): (a) Diversidade na Igreja e na Sociedade, (b) Crer e aceitar expressões de fé de outros, (c) Coexistência em contextos ecumênicos e plurirreligiosos e (d) Incidência: em busca de soluções estratégicas de longo prazo.
 
A Consulta vai produzir conclusões e recomendações que as Igrejas parceiras poderão implementar em seus respectivos contextos.
 
Também participam da V consulta: Rev. Dr. Lalissa D. Gemechis (Etiópia), Rev. Dr. Joseph P. Bvumbwe (Malawi), Rev. A.M. Mnisi (África do Sul), Rev. Mothusi Letlhage (Botswana), Rev. Horst Müller (África do Sul), Rev. Gilbert Filter (África do Sul), Rev. Dr. Tswaedi (África do Sul), Rev. S. Edwin Jayakumar (Índia), Rev. Kunja Daniel (Índia), Rev. Michael Oppathati (Índia), Rev. Pedro Bullón Moreano (Peru), Rev. Alexander Scheiermann (Rússia), Rev. Ralf Meister (Alemanha), Rev. Rainer Kiefer (Alemanha), Rev. Thomas Hofer (Alemanha), Rev. Dr. Karl-Hinrich Manzke (Alemanha), Mrs. Maike Meyer (Alemanha), Rev. Dr. Patricia Cuyatti (FLM/Suiça), Rev. Christoph Anders (EMW/ Alemanha).
 
Da ELM, participam: Rev. Thomas Wojciechowski, Christoph Ernesti, Christine Lindhorst, Rev. Kurt Herrera e Rev. Dr. Wilhelm Richebächer. Da IECLB, integram a Consulta: P. Silvio Schneider, Assessor para Missão Global, P. Dr. Romeu Martini, Assessor Teológico da Presidência, P. Dr. Mauro Souza, Secretário da Ação Comunitária, P. Altemir Labes, Secretário Adjunto para Missão e Diaconia, Pa. Carmen Michel Siegle, Coordenadora de Gênero, Gerações e Etnias, Carlos Bock, Diretor Executivo da Associação Beneficente Evangélica da Floresta Imperial (Abefi), P. Luis Henrique Sievers, Ministro na Paróquia de Lajeado/RS, Pa. Romi Marcia Bencke, Secretária Executiva do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), P. Dr. Rudolf von Sinner, Professor na Faculdades EST, Bispo Humberto Maiztegui, da Igreja Anglicana, Jorn. Cristina Pozzobom e Jorn. Marco Aurelio Weissheimer, Ativistas de Direitos Humanos.
 
Para a segunda-feira, está prevista abordagem do Tema I: Visão de Igreja e Missão 2030, com busca por respostas para as seguintes questões: Com relação à visão da comunhão de Igrejas e aos desafios, como as Igrejas pretendem trabalhar e estar organizadas em 2030? Como as Igrejas estão respondendo à questão da migração do interior para as cidades? Há questões levantadas na Consulta Global de 2015 que estejam influenciando as Igrejas em suas ações? Haverá união de Igrejas Luteranas em lugar de separações? Como alcançar pessoas que tendem mais e mais a se isolar?
 
A palestra será do Bispo Horst Mueller, da Igreja Evangélica Luterana na África do Sul (LUCSA), com reações do P. Dr. Nestor Friedrich, Pastor Presidente da IECLB, e do Bispo Ralf Meister, da Igreja Evangélica Luterana de Hannover, na Alemanha.
 
Fonte: IECLB
Foto: Reprodução

 
 
 
“O que nos ameaça não é o choque de civilizações, mas o choque de ignorâncias e radicalismos. Conhecer-se é reconhecer-se”. São palavras do cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, durante o encontro com o xeque Muhammad Abdul Karim Al-Issa, Secretário-geral da Liga Muçulmana Mundial (LMM).
 
Ao chegar em Riad na sexta-feira (13/04), o cardeal foi recebido pelo príncipe Mohammed bin Abdurrahman bin Abdulaziz, vice-governador da capital e pelo próprio secretário da LMM. Também estava presente o bispo secretário do dicastério, o comboniano dom Miguel Ángel Ayuso Guixot, vindo de Nairóbi. A delegação vaticana, da qual fez parte também mons. Khaled Akasheh, do departamento do Islã, ficou até sexta-feira, 20, no reino saudita, terra natal do Islã e onde estão os dois mais importantes lugares sagrados dos muçulmanos, a Meca e a Medina. Durante a sua permanência o card. Tauran encontrou também um grande número de cristãos que aqui se encontram a trabalho, dirigindo-lhes palavras de encorajamento.
 
A hospitalidade espiritual promove a amizade e contrasta os preconceitos
 
Durante a reunião com o secretário-geral da LMM falou-se de encontros anteriores em Roma, em 21 de setembro de 2017, com o Papa Francisco e com o próprio Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso. O cardeal Tauran, por sua vez, recordou que os lugares sagrados cristãos, “na Terra Santa, em Roma ou em outros lugares, assim como os numerosos santuários em várias partes do mundo”, estão “sempre abertos a todos nossos irmãos e irmãs muçulmanos, para os fiéis de outras religiões e também a todas as pessoas de boa vontade que não professam qualquer religião”.
 
Também acrescentou, “em muitos países, as mesquitas estão abertas a visitantes” e “isto é o tipo de hospitalidade espiritual que ajuda a promover o conhecimento mútuo e a amizade, contrastando os preconceitos”. Falando disso o cardeal recordou que “a religião é o que uma pessoa tem de mais precioso. É por isso que alguns, quando são chamados a escolher entre conservar a fé e manter a vida, preferem pagar o alto preço da vida: são os mártires de todas as religiões e de todos os tempos”.
 
O cardeal falou sobre fundamentalismo
 
“Em todas as religiões – afirmou – há radicalismos. Talvez os fundamentalistas e os extremistas sejam pessoas zelosas, que porém, infelizmente, se desviaram de uma compreensão sólida e sábia da religião. Além disso, consideram todos os que não compartilham de sua visão como infiéis”, que “devem se converter ou ser eliminados, para assim manter a pureza”. São pessoas confusas que “podem passar facilmente à violência em nome da religião, incluindo o terrorismo. São convencidas, pela lavagem cerebral, de que estão servindo a Deus. A verdade é que estão somente fazendo mal a si mesmas, destruindo os outros, destruindo a imagem da sua religião e dos seus correligionários”. Por isso, “precisam da nossa oração e da nossa ajuda”.
 
Regras comuns para a construção de lugares de culto
 
Depois de esclarecer que “a religião pode ser proposta, jamais imposta, e também aceita ou recusada”, o cardeal Tauran falou que “um dos campos em que cristãos e muçulmanos devem estar de acordo já que no passado houve muita competição entre as duas comunidades”, é o “das regras comuns para a construção de lugares de culto”. De fato, “todas as religiões devem ser tratadas do mesmo modo, sem discriminações, porque seus seguidores, assim como os cidadãos que não professam nenhuma religião devem ser tratados do mesmo modo”, evidenciou aludindo ao tema sempre atual da “plena cidadania” para todos. Mesmo porque “se não eliminarmos medidas desiguais do nosso comportamento como crentes, instituições religiosas e organizações, alimentaremos a islamofobia e o anticristianismo”. Neste contexto, relevou o cardeal Tauran, “os líderes espirituais têm um dever: evitar que as religiões estejam a serviço de uma ideologia”, e saber “reconhecer que alguns nossos correligionários, como os terroristas, não estão se comportando corretamente. O terrorismo é uma ameaça constante, por isso temos que ser claros e não justificá-lo jamais. Os terrorismos querem demonstrar a impossibilidade de convivência. Nós acreditamos no exato contrário. Devemos evitar a agressão e a difamações”.
 
Deus, que nos criou, não seja motivo de divisão, mas de unidade
 
O pluralismo religioso “é um convite a refletir sobre a nossa fé, porque todo o diálogo inter-religioso autêntico inicia com a proclamação da própria fé. Não podemos dizer que todas as religiões são iguais, mas que todos os crentes, os que buscam Deus e todas as pessoas de boa vontade sem uma filiação religiosa, têm a mesma dignidade. Cada um deve ser deixado livre para abraçar a religião que quiser”. Destas palavras a exortação conclusiva a unir o empenho “para que Deus, que nos criou, não seja motivo de divisão, mas de unidade”.
 
Fonte: Vatican News
Foto: Reprodução
Obs.: o título foi adaptado

 
 
 
 
A presidência da CNBB falou aos jornalistas reunidos na Coletiva de Imprensa da 56ª Assembleia Geral da entidade, na tarde do dia 19 de abril. Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente da Comissão do Tema Central da Assembleia falou sobre os próximos passos do documento sobre a formação de presbíteros aprovado na assembleia. O documento segundo para a aprovação final do Vaticano e, após esse passo, será publicado como um documento da CNBB que vai orientar a formação dos novos padres no Brasil.
 
Dom Murilo Krieger, vice-presidente, leu as mensagens da conferência ao povo de Deus. O documento registra a comunhão do episcopado brasileiro com o papa Francisco e destaca a necessidade de promover o diálogo respeitoso para estimular a comunhão na fé em tempo de politização e polarizações nas redes sociais. A mensagem retoma a natureza e a missão da entidade na sociedade brasileira. Confira, na sequência, a íntegra do documento que será enviado à todas as 277 circunscrições eclesiásticas do Brasil, incluindo arquidioceses, dioceses, prelazias, entre outras.
 
Leia a Mensagem:
 
MENSAGEM DA CONFERÊNCIA NACIONAL DOS BISPOS DO BRASIL AO POVO DE DEUS
 
O que vimos e ouvimos nós vos anunciamos, para que também vós tenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com o seu Filho Jesus Cristo (1Jo 1,3)
 
Em comunhão com o Papa Francisco, nós, Bispos membros da CNBB, reunidos na 56ª Assembleia Geral, em Aparecida – SP, agradecemos a Deus pelos 65 anos da CNBB, dom de Deus para a Igreja e para a sociedade brasileira. Convidamos os membros de nossas comunidades e todas as pessoas de boa vontade a se associarem à reflexão que fazemos sobre nossa missão e assumirem conosco o compromisso de percorrer este caminho de comunhão e serviço.
 
Vivemos um tempo de politização e polarizações que geram polêmicas pelas redes sociais e atingem a CNBB. Queremos promover o diálogo respeitoso, que estimule e faça crescer a nossa comunhão na fé, pois, só permanecendo unidos em Cristo podemos experimentar a alegria de ser discípulos missionários.
 
A Igreja fundada por Cristo é mistério de comunhão: “povo reunido na unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (São Cipriano). Como Cristo amou a Igreja e se entregou por ela (cf. Ef 5,25), assim devemos amá-la e por ela nos doar. Por isso, não é possível compreender a Igreja simplesmente a partir de categorias sociológicas, políticas e ideológicas, pois ela é, na história, o povo de Deus, o corpo de Cristo, e o templo do Espírito Santo.
 
Nós, Bispos da Igreja Católica, sucessores dos Apóstolos, estamos unidos entre nós por uma fraternidade sacramental e em comunhão com o sucessor de Pedro; isso nos constitui um colégio a serviço da Igreja (cf. Christus Dominus, 3). O nosso afeto colegial se concretiza também nas Conferências Episcopais, expressão da catolicidade e unidade da Igreja. O Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, 23, atribui o surgimento das Conferências à Divina Providência e, no decreto Christus Dominus, 37, determina que sejam estabelecidas em todos os países em que está presente a Igreja.
 
Em sua missão evangelizadora, a CNBB vem servindo à sociedade brasileira, pautando sua atuação pelo Evangelho e pelo Magistério, particularmente pela Doutrina Social da Igreja. “A fé age pela caridade” (Gl 5,6); por isso, a Igreja, a partir de Jesus Cristo, que revela o mistério do homem, promove o humanismo integral e solidário em defesa da vida, desde a concepção até o fim natural. Igualmente, a opção preferencial pelos pobres é uma marca distintiva da história desta Conferência. O Papa Bento XVI afirmou que “a opção preferencial pelos pobres está implícita na fé cristológica naquele Deus que se fez pobre por nós, para enriquecer-nos com a sua pobreza”. É a partir de Jesus Cristo que a Igreja se dedica aos pobres e marginalizados, pois neles ela toca a própria carne sofredora de Cristo, como exorta o Papa Francisco.
 
A CNBB não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político. As ideologias levam a dois erros nocivos: por um lado, transformar o cristianismo numa espécie de ONG, sem levar em conta a graça e a união interior com Cristo; por outro, viver entregue ao intimismo, suspeitando do compromisso social dos outros e considerando-o superficial e mundano (cf. Gaudete et Exsultate, n. 100-101).
 
Ao assumir posicionamentos pastorais em questões sociais, econômicas e políticas, a CNBB o faz por exigência do Evangelho. A Igreja reivindica sempre a liberdade, a que tem direito, para pronunciar o seu juízo moral acerca das realidades sociais, sempre que os direitos fundamentais da pessoa, o bem comum ou a salvação humana o exigirem (cf. Gaudium et Spes, 76). Isso nos compromete profeticamente. Não podemos nos calar quando a vida é ameaçada, os direitos desrespeitados, a justiça corrompida e a violência instaurada. Se, por este motivo, formos perseguidos, nos configuraremos a Jesus Cristo, vivendo a bem-aventurança da perseguição (Mt 5,11).
 
A Conferência Episcopal, como instituição colegiada, não pode ser responsabilizada por palavras ou ações isoladas que não estejam em sintonia com a fé da Igreja, sua liturgia e doutrina social, mesmo quando realizadas por eclesiásticos.
 
Neste Ano Nacional do Laicato, conclamamos todos os fiéis a viverem a integralidade da fé, na comunhão eclesial, construindo uma sociedade impregnada dos valores do Reino de Deus. Para isso, a liberdade de expressão e o diálogo responsável são indispensáveis. Devem, porém, ser pautados pela verdade, fortaleza, prudência, reverência e amor “para com aqueles que, em razão do seu cargo, representam a pessoa de Cristo” (LG 37). “Para discernir a verdade, é preciso examinar aquilo que favorece a comunhão e promove o bem e aquilo que, ao invés, tende a isolar, dividir e contrapor” (Papa Francisco, Mensagem para o 52º dia Mundial das Comunicações de 2018).
 
Deste Santuário de Nossa Senhora Aparecida, invocamos, por sua materna intercessão, abundantes bênçãos divinas sobre todos.
 
Aparecida-SP, 19 de abril de 2018.
 
Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília – DF
Presidente da CNBB
 
Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBB
 
Fonte: CNBB
Foto: Reprodução

 
 
 
Com o tema “Bíblia, o Livro da Esperança – O Impacto da Bíblia na Vida das Pessoas”, o Fórum de Ciências Bíblicas acontecerá nos dias 14 e 15 de junho, no Centro de Eventos de Barueri (SP) – Museu da Bíblia (MuBi). Nesta edição de 2018, em que se comemora o Ano da Bíblia, o tradicional evento promovido pela Sociedade Bíblica do Brasil (SBB) terá painéis que destacarão como a Bíblia vem, ao longo dos anos, contribuindo para o desenvolvimento do ser humano sob variados aspectos.
 
“A Bíblia oferece orientação e conforto para todas as pessoas, em diferentes momentos da vida, especialmente quando temos de lidar com questões complexas, como a morte, a maternidade, a paternidade, a enfermidade e tantos outros problemas que enfrentamos em nosso dia a dia”, resume o secretário de Comunicação e Ação Social da SBB, Erní Seibert que, a partir de 16 de maio assume a diretoria executiva da organização.
 
Entre as palestras que serão apresentadas estão “O impacto da Bíblia na vida de voluntários e famílias”, “O impacto da Bíblia na Igreja e na vida dos enfermos“ e “Novas fronteiras na tradução da Bíblia”, além, é claro, da “Bíblia como o livro da esperança”.
 
A expectativa dos organizadores é superar a marca de 2017, quando o evento atraiu para Barueri (SP) mais de 500 participantes. Mais uma vez o público também poderá acompanhar os painéis pela Internet.
 
O 14º Fórum de Ciências Bíblias é aberto a professores e estudantes de Teologia, Ciências da Religião e Linguística, assim como outros estudiosos da Bíblia, lideranças religiosas e cristãos em geral. 
 
A inscrição pode ser feita por meio do link: www.sbb.org.br/eventos/forum-de-ciencias-biblicas.
 
Fonte: SBB

 
 
 
Valores compartilhados e o trabalho conjunto de cristãos e muçulmanos pelo bem comum, quer na família, no meio ambiente, ética, mídia de massa, arte e cultura, compromisso social, um diálogo da vida que nutre experiências concretas de fraternidade.
 
Este é o tema que será debatido no evento "Juntos para dar esperança. Cristãos e muçulmanos em seu caminho no carisma da unidade".
 
Organizado pelo Movimento dos Focolares, a iniciativa reunirá no dia 21 de abril, das 16 às 19 horas, cerca 600 pessoas de 23 países, cristãos e muçulmanos, no Centro Mariápolis de Castel Gandolfo (RM). Este evento insere-se no âmbito de um evento mais amplo que se realiza de 19 a 22 de abril, no mesmo local.
 
Em um contexto social marcado - especialmente no Ocidente – pelo preconceito e pela desconfiança que levanta muros e por uma narrativa que alimenta o conflito e separação, o testemunho de um compromisso comum entre cristãos e muçulmanos - unidos pela paz, a solidariedade, o desenvolvimento, a harmonia entre pessoas de diferentes religiões, culturas e tradições - lança uma mensagem contra a corrente e lança sementes de esperança.
 
Chiara Lubich
 
Viver juntos em harmonia, no respeito, na solidariedade e na paz é possível. E mesmo trabalhar juntos é possível, compartilhar objetivos comuns e cooperar para alcançá-los, sem enfraquecer a própria identidade e o próprio patrimônio de valores, mas em um debate leal e franco, fortalecendo o conhecimento e o respeito recíproco, privilegiando o que une em relação ao que divide.
Um caminho que é impulsionado pelo carisma da unidade de Chiara Lubich, fundadora dos Focolares, e que nela encontra sua motivação propulsora.
 
Em seu discurso na Mesquita Malcolm X no Harlem (Nova York), em 18 de maio de 1997, Chiara, que apresentava com o Imam Wallace Deen Mohammed e com a comunidade muçulmana presente um pacto para trabalhar juntos pela paz e união: "Eu experimentei uma profunda fraternidade aqui. É algo extraordinariamente belo que só pode ser obra de Deus. Ele realmente nos fez uma família para seus planos."
 
E sobre os fundamentos deste caminho de comunhão Chiara explicou: "A benevolência, a compaixão ou pelo menos a não-violência, estão presentes em várias religiões. É comum a quase todos, mesmo com versões diferentes, a assim chamada Regra de Ouro: "Não faça aos outros o que você não gostaria que fizessem a você". Basta esta Regra de ouro para garantir nosso vínculo de amor com cada um dos próximos, e esse amor seria suficiente para compor a humanidade em uma mesma família".
 
Uma esperança para a humanidade
 
Na esteira dessa experiência e das iniciativas para o diálogo islâmico-cristão que surgiu em vários países, o próximo encontro em Castel Gandolfo quer ser um novo passo no caminho rumo a fraternidade universal, um sinal de esperança para a humanidade.
 
"A educação religiosa é a atenção para a paz", afirma Adnane Mokrani, professor na Pontifícia Universidade Gregoriana e no Pontifício Instituto de Estudos Árabes e Islâmicos (PISAI) e presidente do Cipax, que vai participar do evento. "Nesta perspectiva, não deve haver separação, mas a solidariedade, a cooperação, a união entre pessoas de diferentes credos que são chamadas a trabalhar juntas para o bem comum da humanidade, servindo a todos, sem distinção."
 
Para o teólogo Piero Coda, presidente do Instituto de Pós-Graduação Sophia de Loppiano (FI), "o desígnio de Deus para a humanidade é um desígnio de paz, de amor e de unidade" e "em todas as religiões encontra-se uma vocação para a paz". E mais ainda: "este caminho de diálogo é o principal caminho para ser fiéis à mensagem de Jesus e para contribuir para a unidade da família humana".
 
Neste espaço aberto se pronunciarão, entre outros, Maria Voce, presidente do Movimento dos Focolares, o cardeal Jean-Louis Tauran, presidente do Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-religioso, Abdullah el Radwan, responsável pelo Centro Cultural Islâmico da Itália, Izzedin Elzir, Imam de Florença e presidente UCOII, Piero Coda, presidente do Instituto Universitário Sophia, Mohammad Shomali, diretor do Centro islâmico de Londres.
 
Numerosas experiências de diálogo e colaboração frutífera serão compartilhadas neste espaço, como fragmentos de unidade a serem multiplicados.
 
Fonte: Vatican News
Foto: ANSA

 
 
Dificilmente você ouvirá sobre os ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) no sermão do próximo domingo em sua igreja local, já que o tema passa desapercebido pelos púlpitos e reflexões da maioria dos pastores e líderes cristãos. No entanto, isso não significa que os ODS sejam irrelevantes para a missão da igreja hoje.
 
Para Clarice Ziller, assessora de Relações Institucionais e Advocacy da Visão Mundial, “nós temos as respostas, mas precisamos dialogar com o governo. Os ODS nos ajudam a fazer isto. Os ODS podem deixar a igreja em outro patamar. Da o direito de monitorar o estado. É uma mudança histórica”. Ziller foi a principal palestrante na oficina “O Papel das Igrejas e Organizações Baseadas em Fé” – Ferramentas para Implementação dos ODS), oferecida à comunidade durante o Encontro das Filiadas da RENAS, na grande Curitiba (PR), no dia 04 de abril. A seguir, Clarice lista seis boas razões para as igrejas cristãs envolverem-se no cumprimento dos ODS.
 
No final deste post, você poderá baixar gratuitamente a apresentação da palestrante.
 
1. Os indicadores são a linguagem que a igreja pode falar e fazer o governo entender. Para o governo não adiantam dados de trabalhos realizados, mas de resultados alcançados. Podemos dizer que o governo não se interessa em saber o número de Bíblias distribuídas, mas sim qual impacto social esta ação causou. A violência foi reduzida? Em quanto? E a mortalidade infantil? Em quanto?
 
2. A igreja já domina e põe em prática muita coisa da Agenda 2030. Agora ela apenas precisa adequar sua linguagem e apresentar seus indicadores.
 
3. Os ODS são o clamor da sociedade por uma vida melhor e mais justa.
 
4. Os objetivos são indivisíveis, integrais e universais.
 
5. Melhor do que analisar os objetivos é averiguar as metas, pensando nas melhores maneiras de como podemos atuar.
 
6. A igreja tem recursos e condições de incidir sobre praticamente todas as 169 metas dos ODS.
 
 
Ideias de como atuar
 
– Levantar os indicadores do que já está sendo feito;
 
– Levar essa apresentação ao número máximo possível de igrejas e organizações;
 
– Fazer uma busca dentro das igrejas por pessoas de áreas que comumente não encontram seu ministério dentro da igreja: engenheiros, pessoas ligadas ao meio ambiente, profissionais da área de estatística e análise de dados, analistas de tribunais de contas, e várias outras. Haveria um alargamento no espectro dos ministérios da igreja, criando muitas formas de atuação que nunca tivemos antes.
 
Sugestão para a RENAS, igrejas e outras organizações
 
 
 
Fonte: RENAS - Rede Evangélica Nacional de Ação Social

 
 
Um importante evento para a Igreja Anglicana no Brasil ocorre em Belém no próximo sábado, 21 de abril. A sagração da reverenda Cônega Marinez Rosa Bassotto, às 18h, na Catedral Anglicana de Santa Maria, em Batista Campos. A reverenda Marinez é a primeira mulher eleita a ser elevada ao episcopado na América do Sul e será a nova bispa da Diocese Anglicana da Amazônia.
 
Mesmo presente em mais de 139 países, a Igreja Anglicana não permite a ordenação de mulheres em todos eles. Por exemplo, na Grã-Bretanha, berço do anglicanismo, a primeira bispa da Igreja da Inglaterra, Libby Lane, só foi sagrada no ano de 2015, pois lá não eram admitidas mulheres no episcopado. O ordenamento de uma bispa é um acontecimento de grande importância porque enaltece a igualdade de gênero numa instituição religiosa milenar.
 
Quando tinha quatro anos de ordenada, a Marinez foi escolhida para ser deã, a responsável máxima de um órgão colegial da Igreja, da Catedral Nacional da Santíssima Trindade, em Porto Alegre, cargo que ocupou por vários mandatos. Agora, a reverenda está ansiosa para sua sagração, e se diz muito feliz em participar de um momento tão importante.
 
Tome nota!
 
Nascida no Rio Grande do Sul, a reverenda Marinez Bassotto foi escolhida em Concilio Extraordinário da Diocese Anglicana da Amazônia em 20 de janeiro de 2018. Como sempre ocorre nas igrejas de tradição apostólica, a sagração dela como bispo ou bispa se deu com a imposição das mãos de no mínimo três bispos. A Diocese Anglicana da Amazônia, que será coordenada pela bispa Marinez, é uma unidade eclesiástica da Igreja Anglicana que abrange os estados do Pará, Amapá, Roraima, Amazonas e Acre. A sede da Diocese é a Catedral Anglicana de Santa Maria, localizada na avenida Serzedêlo Corrêa, 514, local da sagração da futura bispa. 
 
A seguir, confira a entrevista dela para o site do CONIC:
 
Vou iniciar falando um pouquinho de mim, porque creio que somos fruto de nossas vivências. Eu sou clériga da IEAB e servia à Igreja na Diocese Meridional. Agora, estou residindo em Belém do Pará, no Norte do Brasil.
 
Eu sou fruto do trabalho missionário da IEAB. Nasci no interior da cidade de Canguçu, RS, em uma área missionária. Meus avós foram membros fundadores de uma destas missões. Cresci e fui me sentindo, desde muito cedo, vocacionada ao ministério. Em 1991, segui para Porto Alegre, para estudar Teologia (no então Seminário Nacional da IEAB). Fui ordenada como diácona em 14 de maio de 1995 e como presbítera em 17 de março de 1996 ambas as ordenações aconteceram na Catedral da Santíssima Trindade, em Porto Alegre; a qual, em 1999, assumi como deã, com 4 anos de ministério e 28 anos de vida, tornando-me a primeira mulher a assumir a Catedral da Diocese Meridional e a segunda mulher a assumir uma Catedral na IEAB. Servi a Deus ao longo de 17 anos à frente desta Catedral (que é também a Catedral Nacional da IEAB) e depois fui desenvolver meu ministério na Paróquia São Paulo, na cidade de Cachoeirinha, e na Missão do Natal, na cidade de Glorinha, ambas na região metropolitana de Porto Alegre.
 
1) Como você recebeu a notícia de que seria a primeira bispa da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB)?
 
R: Recebi com muita alegria e ao mesmo tempo muito consciente do compromisso que assumo.
 
Para mim, está muito claro que o episcopado é um sacerdócio, uma oportunidade de serviço (Diaconia!). Jamais uma honra ou um status.
Ao participar do processo de eleição na Diocese Anglicana da Amazônia eu tinha plena consciência de que disponibilizava meu nome também em favor da ordenação feminina, pois, agora no mês de maio deste ano de 2018, completaremos 33 anos de ordenação feminina no Brasil. Nossa Igreja brasileira foi ousada e inovadora ao possibilitar às mulheres, desde o início, o acesso às três ordens sagradas. Mesmo assim, nestes quase 33 anos, não havia tido a coragem profética de eleger nenhuma mulher ao episcopado. Era já chegada a hora de romper essa barreira – com a eleição um novo tempo com maior equidade de gênero foi inaugurado – espero que esta tenha sido a primeira de muitas que virão!
 
2) Historicamente, a IEAB tem sido considerada uma igreja progressista, seja no aspecto teológico, social ou moral. Essa eleição pode ser vista como uma continuidade desse processo?
 
R: Sim, eu creio nisso. Creio também que esta eleição traz novos ares, é como uma brisa perfumada que sopra a partir da Amazônia, como eu mencionei acima a inauguração de um novo tempo para a vida Igreja com a superação das dúvidas e temores que haviam diante da novidade de um episcopado feminino. Penso que com esse passo a IEAB aproximou grandemente sua prática de seu discurso, pois somos de fato uma Igreja progressista teológica, social, e moralmente, mas ainda não tínhamos conseguido dar esse passo decisivo em direção a justiça/equidade de gênero. Agora com alegria podemos dizer que essa barreira foi quebrada e em breve poderemos ter outras bispas sendo eleitas na IEAB. Sei que as novidades trazem consigo receios e incertezas. Tudo o que não conhecemos nos causa insegurança, mas o que vimos acontecer após a eleição foi uma explosão de alegria e de festa!
 
3) Como as demais igrejas da Comunhão Anglicana viram a sua eleição?
 
R: A Comunhão Anglicana é muito diversificada, e nós anglicanos e anglicanas costumamos afirmar que vivemos a unidade na diversidade, então, creio deve ter havido diferentes percepções em diferentes partes da Comunhão Anglicana, mas todas as manifestações foram de júbilo. Outro ponto que me parece importante é que quando uma província na Comunhão Anglicana elege uma mulher ao episcopado isto serve de estímulo para as lutas das mulheres por espaço equânimes em outras províncias, então a eleição de uma mulher para o episcopado no Brasil fortalece a luta das mulheres em toda a América do Sul. Tem também o fato de eu ser a segunda mulher bispa na América Latina, ou seja, é força e amparo também neste sentido, assim como aqui na IEAB mesmo creio que a partir deste passo será menos difícil eleger outras mulheres.
 
4) Há resistências, mesmo entre os anglicanos, quando o assunto é ordenação feminina. Como você, pessoalmente, lida com essa questão?
 
R: Creio que todas nós, mulheres, lidamos com isso em maior ou menor grau. Mas, ao mesmo tempo, estou segura que haverá muito apoio tanto de mulheres companheiras de luta e ministério, quanto das leigas, assim como também haverá muito apoio dos homens. Sei que há grandes expectativas, assim como acontece em outros cargos e funções tidos como “masculinos” que são assumidos por mulheres. Mas assumirei com coragem, esperança e fé, aceitando as consequências e os riscos desta escolha e me dispondo a realizar junto ao clero e povo da Diocese Anglicana da Amazônia a difícil tarefa de ser cristã.
 
5) O empoderamento da mulher no ambiente eclesial ainda é uma realidade distante em algumas denominações cristãs. Isso ocorre seja por interpretações de versículos bíblicos, seja por contextos culturais. Diante desse cenário, como fazer para que a mulher ocupe mais espaços nas igrejas?
 
R: De fato vivemos em uma sociedade que discrimina e violenta as mulheres, desrespeita seus direitos e criminaliza suas lutas. E em nossa realidade brasileira estamos sofrendo com a perda de direitos de toda ordem, são tempos sombrios. Muitas denominações cristãs (ou grupos conservadores dentro delas), infelizmente de diversas formas e em inúmeras vezes, justificam essa discriminação e até reforçam a subjugação feminina usando a Bíblia como justificativa. Penso que devemos fazer o já estamos fazendo, criar espaço de discussão, formação e capacitação de mulheres dentro de nossas Igrejas e nos movimentos ecumênicos e apoiar e incentivar os movimentos sociais de resistência e luta por direitos, dentre eles aqueles movimentos que buscam resguardar os direitos das mulheres e que fazem enfrentamento e prevenção à violência contra as mulheres e meninas. Neste sentido temos na IEAB o Serviço Anglicano de Diaconia e Desenvolvimento (SADD) que é um importante instrumento de apoio no enfrentamento às desigualdades, principalmente às desigualdades de gênero.
 
6) Gostaria de acrescentar algo?
 
R: Sim. Eu gostaria ainda de dizer que a Diocese Anglicana da Amazônia é uma jovem Diocese, com uma área territorial extensa, mas a igreja ainda é pequena. Composta por um povo hospitaleiro, em uma região culturalmente riquíssima onde há muitas cores, cheiros e gostos que só se podem ser compreendidos estando lá. Uma região riquíssima, mas onde há muitas desigualdades sociais.
 
Certamente existem várias necessidades, anseios e preocupações e são inúmeros os desafios para a proclamação e vivência do evangelho na Região da Amazônia e para ser Igreja de Cristo, missionária, inculturada e profética no meio deste povo. Vejo como alguns destes desafios a necessidade de que a Igreja seja cada vez mais próxima da realidade onde está inserida, e que responda às necessidades deste povo tão sofrido. Que celebre conjuntamente no partir o pão, nas orações e nas relações. Que se fortaleça permanentemente na vivência comunitária, no desejo de aprender conjuntamente sobre o amor de Deus e que assuma o compromisso de partilhar esse amor no serviço às pessoas. Que seja verdadeiramente inclusiva e acolhedora, que testemunhe o direto à justiça e à dignidade humana, e que viva o ecumenismo.
 
Respeito e me sinto profundamente identificada com a forma como nosso povo anglicano vivencia a Igreja na Amazônia e sei que muito terei a aprender e crescer com eles e elas. E me disponho e sonhar com o povo da Amazônia e a com eles e elas caminhar lado a lado na construção permanente do Reinado de Deus para que se torne cada vez mais uma realidade.
 
CONIC com informações do portal ORM
Foto: Reprodução IEAB