A Frente Brasil Popular (FBP) divulgou na tarde de hoje (24) nota em que reafirma a continuação da luta, nas ruas, por eleições democráticas e em defesa dos direitos do povo brasileiro. A divulgação foi feita minutos após a confirmação da condenação, sem provas, do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por unanimidade, os três desembargadores do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), em Porto Alegre, confirmaram parcialmente a sentença do juiz Sérgio Moro, elevando a pena de prisão para 12 anos.
 
- Clique aqui para ler a nota que o CEBI (Centro de Estudos Bíblicos) publicou
 
A FBP lembrou a maratona de atos em defesa de Lula realizados no Brasil e em várias partes do mundo, com panfletagens, aulas públicas, vigílias, marchas, trancamentos de estradas e ocupações, que buscaram levar à sociedade o debate sobre o significado e consequências do julgamento da apelação do ex-presidente pelos desembargadores do TRF-4 e suas relações com o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, sem crime de responsabilidade e os ataques aos direitos da população brasileira.
 
E reafirmou que a não começou e nem se encerra hoje. "A luta pela democracia continuará nos tribunais, nas ruas e nas redes, assim como a luta em defesa da previdência pública e do nosso direito à aposentadoria que está ameaçado de destruição por uma reforma em discussão no Congresso. A Frente Brasil Popular se soma às centrais sindicais no grito de que se botar para votar o Brasil vai parar!"
 
Jornada do povo
 
Em nota divulgada pela presidência nacional do PT, a legenda classificou o dia de hoje como “o início de mais uma jornada do povo brasileiro em defesa da democracia e do direito inalienável de votar em Lula para presidente da República.”
 
Assinada pela presidenta do partido, senadora Gleisi Hoffmann, o comunicado do partido criticou a decisão do TRF-4 de manter a condenação de Lula e de aumentar a pena de nove anos e meio para 12 anos e um mês.
 
“O resultado do julgamento do recurso da defesa de Lula, no TRF-4, com votos claramente combinados dos tres desembargadores, configura uma farsa judicial. Confirma-se o engajamento político-partidário de setores do sistema judicial, orquestrado pela Rede Globo, com o objetivo de tirar Lula do processo eleitoral. São os mesmos setores que promoveram o golpe do impeachment em 2016, e desde então veem dilapidando o patrimônio nacional, entregando nossas riquezas e abrindo mão da soberania nacional, retirando direitos dos trabalhadores e destruindo os programas sociais que beneficiam o povo”, afirmou Gleisi, em nota.
 
Para o partido, as investidas do Judiciário contra a candidatura de Lula esbarram “na força política” do ex-presidente. “ Esbarra na consciência democrática da grande maioria da sociedade, que não aceita uma condenação sem crime e sem provas, não aceita a manipulação da justiça com fins de perseguição política”.
 
O PT convoca a militância às ruas e reafirmou que não aceitará "passivamente que a democracia e a vontade da maioria sejam mais uma vez desrespeitadas. Vamos lutar em defesa da democracia em todas as instâncias, na Justiça e, principalmente, nas ruas. Vamos confirmar a candidatura de Lula na convenção partidária e registrá-la em 15 de agosto”.
 
Eleições limpas
 
O presidente da CUT, Vagner Freitas, também reafirmou a necessidade de continuidade da luta. "Embora estejam empenhados em destruir os direitos dos trabalhadores e de seus representantes, eles ainda não conseguiram acabar com a aposentadoria dos brasileiros. Em 2017, conseguimos barrar a aprovação da reforma da Previdência com a maior greve da história, em 28 de abril. E, vamos parar o Brasil novamente no dia  19 de fevereiro se eles insistirem em colocar em votação a reforma da Previdência", disse. 
 
Em nota da central, Freitas destaca que "o povo tem o direito de votar em Lula e não vai desistir disso, independentemente da decisão dos juízes de Porto Alegre. E esse foi o recado que se ouviu nas ruas de todo o país desde as primeiras horas da manhã". Clique aqui para ler a íntegra da nota da CUT.
 
Confira a íntegra da nota da Frente Brasil Popular:
 
Durante toda essa semana, em todo o Brasil e em várias partes do mundo, fomos centenas de milhares de pessoas mobilizadas em panfletagens, aulas públicas, vigílias, marchas, atos, paralisações de estradas e ocupações buscando dialogar e alertar a sociedade para a farsa, travestida de julgamento, que se armava em Porto Alegre e sobre o seu significado: a continuidade do golpe iniciado em 2016.
 
Hoje, o país acordou se perguntando sobre as provas do processo contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. E, mesmo sem elas, os juízes do Tribunal Regional Federal da 4ª Região decidiram seguir divorciados da justiça e da verdade, mantendo uma condenação injusta.
 
O resultado não surpreendeu ninguém. Setores do judiciário, que deveriam ter a defesa da justiça como bastião, apoiaram o ataque ao Estado Democrático de Direito e agora, num julgamento político, protagonizam mais um ato desse golpe na democracia brasileira.
 
Em tempo recorde, os juízes leram todos os documentos, depoimentos das 73 testemunhas e não apresentaram nenhuma prova. Nada. O principal argumento, sabemos bem, para condenar Lula é que ele lidera todas as pesquisas eleitorais para a próxima eleição. Querem derrotar Lula no tapetão.
 
Retirar do povo brasileiro o direito de escolher seu candidato a presidente em eleições livres e impedir sua participação na definição dos rumos do país são condições para impor o programa de retirada de direitos dos trabalhadores, destruição do Estado social, entrega dos nossos recursos naturais e submissão ao imperialismo dos Estados Unidos.
 
A mídia burguesa, em especial a Rede Globo, atua como instrumento de luta ideológica para manipular a sociedade e constranger aqueles que não se alinham aos seus interesses políticos.
 
Embora não haja provas contra Lula, sobram “matérias” de jornais e “comentários” em programas de TV para apresentar provas, que não passam de mentiras das  empresas de comunicações, que sustentam o programa de destruição nacional que assola o País.
 
Não é apenas o direito de Lula ser candidato que está em jogo. É o rumo da nossa justiça e democracia. Vivemos sob um Estado de exceção no qual um governante ilegítimo, alçado ao cargo por um parlamento golpista, se soma a um judiciário que faz política e não faz justiça.
 
As forças que passaram a governar o Brasil após o golpe que afastou a primeira mulher eleita presidente, Dilma Rousseff, continuam excluindo o povo brasileiro das decisões sobre os rumos do país. Têm medo da urna, do voto. Eles temem a vontade popular e por isso tentam impedir Lula de ser candidato.
 
Setores que sugam a Nação e em um ano, tiram recursos da educação, ciência e tecnologia, saúde e serviço social. Atacaram a Constituição Federal de 1988, a CLT com a reforma trabalhista, tiram direitos todos os dias. O próximo passo é o ataque à aposentadoria.
 
Nossa luta não começou nem se encerra hoje. A luta pela democracia continuará nos tribunais, nas ruas e nas redes, assim como a luta em defesa da previdência pública e do nosso direito à aposentadoria que está ameaçado de destruição por uma reforma em discussão no Congresso. A Frente Brasil Popular se soma às centrais sindicais no grito de que se botar para votar o Brasil vai parar!
 
Mas nosso desafio é ainda maior é o de construir as saídas para a crise política e econômica que assola nosso País que atendam o interesse da maioria do nosso povo. Por isso, a Frente Brasil Popular conclama todos e todas que querem tornar o Brasil uma Nação forte, desenvolvida, independente com emprego e justiça social, ao engajamento na construção do Congresso do Povo Brasileiro, para debater o futuro do país e organizar nossas lutas.
 
Continuaremos denunciando que eleição sem Lula é fraude, é o aprofundamento do golpe. Continuaremos denunciando e combatendo os ataques aos direitos conquistados pelo povo e ao patrimônio da nação. Só a unidade e a mobilização popular podem dar fim a essa crise e plantar as sementes de um futuro de prosperidade e vida digna para o povo brasileiro.
 
Frente Brasil Popular
 
Fonte: Rede Brasil Atual
Foto: Reprodução
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Com o tema “CEBs e os desafios no mundo urbano” e o lema “Eu ouvi os clamores do meu povo e desci para libertá-los” (Ex 3,7), o 14º Intereclesial das CEBs está sendo sediado em Londrina (PR), entre 23 e 27 de janeiro. Delegados de todas as regiões do Brasil, de países da América e de outros lugares estão celebrando a diversidade e a beleza de viver o Evangelho de Jesus de Nazaré. Um objetivo que se apresenta é o de expressar a comunhão entre os fiéis e seus pastores. O CONIC está representado pela secretária-geral Romi Bencke.
 
Segundo o arcebispo de Londrina, dom Geremias Steinmetz, anfitrião do encontro, a temática do evento, que trata a questão da realidade urbana, é necessária e urgente e, por isso, atraiu um grande número de participantes. “Hoje já temos um percentual de mais de 80% dos brasileiros vivendo em cidades, os que nelas não habitam vivem a cultura urbana de qualquer jeito, seja através da televisão, do rádio, da internet, e isso está tomando conta do nosso país”, afirma.
 
O bispo de Tocantinópolis (TO) e referencial das CEBs, dom Giovane Pereira de Melo afirma que este é um grande encontro celebrativo. Para ele, o evento é uma grande assembleia do povo de Deus que vive nas Comunidades Eclesiais de Base e que se encontra periodicamente para celebrar a caminhada, as conquistas, a luta e o testemunho de ser presença profética nas pequenas comunidades: “É um voltar da Igreja através das Comunidades Eclesiais de Base sobre toda a realidade, os desafios de evangelizar e ser presença profética no mundo urbano”.
 
Metodologia
 
Após dois anos e meio de preparação e reflexões em torno da temática do encontro, chega o momento de aprofundar o conteúdo a partir de 13 miniplenárias para debater os desafios do mundo urbano. 
 
E quais são os 13 temas que desafiam a atuação das comunidades eclesiais de base no contexto urbano?
 
A ampliada, equipe que coordena o 14º Intereclesial de CEBs, selecionou 13 temas específicos e complementares para, na metodologia que estão propondo, ajudar a refletir os desafios do mundo urbano. Cada tema, a ser aprofundado em uma Mini-será assessorado por dois assessores que se desdobrarão na tarefa de aprofundar a realidade e analisa-la à luz do evangelho e do magistério da Igreja.
 
Descubra quais são os temas desafiadores e o caminho de reflexão que será feito em torno de cada um.
 
O Acesso e Condições de Moradia – Quais os desafios da moradia no mundo urbano com as assessoras da missionária Cecilia de Moraes Angileli e da arquiteta Mercedes Lopes. Elas vão abordar a situação do déficit habitacional e a ocupação no espaço territorial das cidades e em que isto implica na vida cotidiana, no que diz respeito ao acesso, ou seja, os desafios para as pessoas nas sobre as condições de moradia.
 
Os Desafios da Mobilidade/ transporte e locomoção – Vamos ter um tema sobre o transporte, um dos grandes desafios não só das grandes metrópoles, mas também das pequenas cidades. A discussão não será só sobre a mobilidade dos veículos, mas temos que compreender que têm os seres humanos, animais, meios de transporte alternativos, ou seja, como todos se movem dentro das cidades. Qual transtorno ocorrerá nas cidades se não disciplinarmos a mobilidade. Contribuirão com este tema os assessores: o doutor e teólogo Cláudio de Oliveira Ribeiro e Frei Ildo Perondi.
 
Os Desafios da Formação e Educação – As comunidades, às vezes, pelo lugar que moram e pelas condições financeiras de que dispõem enfrentam desafios para acessar a formação não escolar oficial e a própria educação escolar. Neste tema, assessoram o encontro a professora Sandra Garcia da Universidade de Londrina e o Frei Betto, escritor e assessor de movimentos sociais.
 
Desafios de Acesso à participação da Cultura e Lazer – Como as comunidades produzem e acessam a cultura e lazer? Se elas acessam, como o fazem e se não acessam, ou em condições precárias e o porquê destas condições. Os militantes do “Movimento dos Artistas de Rua de Londrina” e o assessor e teólogo beneditino Marcelo Barros ajudarão a refletir sobre o tema.
 
Democratização e participação na política partidária – Hoje temos um grande desgaste sobre o mundo da política, do ser político e isto pode afetar a própria democracia, portanto hoje se faz necessário que as comunidades impunham esta bandeira da democracia. Nós teremos como assessores neste tema o sociólogo Ivo do Amaral Lesbaupin e o doutor Celso Pinto Carias.
 
As Mudanças no mundo do trabalho e os impactos na vida das comunidades – Como as comunidades são impactadas com estas mudanças no mundo do trabalho. Em que condições hoje, com as mudanças das leis, as pessoas acessam o trabalho. Qual o impacto e que poder têm as comunidades também de intervir nestes processos de orientação do mundo do trabalho. O doutor em sociologia André Langer e dom Reginaldo Andrietta, único bispo assessor, apresentarão estes desafios.
 
Desafios da Juventude – Apesar da juventude sofrer todos os impactos das outras políticas públicas, ela entrou como tema especifico em função da juventude ter bandeiras específicas, então é importante que as CEBs também reflitam os desafios, inclusive para atingir, assediar, incorporar a própria juventude e integrá-la dentro desta mística e espiritualidade das CEBs. A graduanda em ciências sociais Rúbia Nascimento e o irmão Joilson de Souza Toledo vão nos assessorar neste tema.
 
Mídia, Novas Tecnologias e Direito à Comunicação – Como as mudanças na comunicação e de forma acelerada impactam e como as comunidades acessam ou não acessam estes instrumentos e em que condições isto acontece? Estes instrumentos até que ponto favorecem ou não, implicam em quê no cotidiano das nossas comunidades. Os assessores são o padre Edson Thomassin e a doutora em teologia Maria Joaquina Fernandes.
 
Movimentos e organizações sociais e populares – Na década de 80 as comunidades participavam em peso das organizações e movimentos populares e, hoje, onde elas moram, o tempo que se gasta na mobilidade ainda possibilita que as pessoas participem e militem nas organizações sociais, de categorias e do seu mundo sindical? Ou as pessoas estão tão cansadas que não encontram entusiasmo para participar dos movimentos populares? Esta análise será feita pelo mestre em ciência política Daniel Seidel e Francisco de Aquino Júnior, professor de teologia .
 
Ecologia e cuidado ambiental – As cidades e os municípios têm outras vidas e por isso temos que valorizar não só a vida animal, os rios, por exemplo, são vidas. Como nós tratamos os rios no nosso perímetro urbano ou como os rios impactam no urbano já que não são só dentro do perímetro urbano, então toda a vida ambiental tem que ser refletida. As cidades têm que ter um ambiente bom e, por isso, acontecerão, também, discussões sobre a poluição sonora, do ar, visual, que impactam o dia a dia e das cidades. Para refletir sobre o assunto foram convidados o filósofo Roberto Malvezzi e o professor Jelson Oliveira.
 
Pluralismo: ecumenismo e diálogo inter-religioso – A diversidade das expressões religiosas é um valor importantíssimo. Todo mundo participa e se observarmos todas as noites tem um fluxo enorme de pessoas indo e vindo na participação efetiva da vida religiosa. Porém nem sempre esta diversidade permite discutir e vencer temas em conjunto, então também é um desafio desta diversidade, desafio para buscar articulações e defesas de direitos. A pastora Romi Márcia Bencke e o doutor em teologia Faustino Teixeira vão estimular as reflexões.
 
Direito à Saúde e Saneamento – Este tema foi inspirado na campanha da fraternidade. Vamos encontrar cidades imensas, onde menos de oito por cento têm saneamento e tratamento de esgoto. Cidades como Ananindeua com cerca de 400 mil habitantes sem um litro de esgoto tratado. É um grande desafio para as cidades e consequentemente para a saúde. Neste tema teremos o apoio da ministra da palavra Leila Regina da Silva e da economista Elóia Duarte Rodrigues.
 
Violência e Segurança – Um dos problemas de todas as categorias e classes, todos estão preocupados com a segurança. Neste tema contaremos com a mestre em serviço social Márcia Lopes e o padre Vilson Groh, que tem um acúmulo fantástico na periferia de Florianópolis, portanto a questão da violência que impacta nas comunidades e cidades ao ponto de algumas comunidades serem inviabilizadas de organização, rezas e estudos em função da violência.
 
Acompanhe novidades sobre este encontro neste link: http://www.cebsdobrasil.com.br
 
Com informações da CNBB / CEBs do Brasil
Foto: CEBs do Brasil
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A evangelização é um crime — tão grave quanto exploração sexual, venda de órgãos, turismo pornográfico e mendicância forçada, todos passíveis de sete a 12 anos de prisão na Bolívia, segundo o novo Código Penal do país.
 
Essa é, ao menos, a interpretação que grupos católicos e evangélicos vêm dando ao artigo 88 do texto, que inclui no pacote de crimes que tratam do tráfico de pessoas o "recrutamento para a participação em conflitos armados ou organizações religiosas ou cultos".
 
A relação entre o presidente Evo Morales e denominações cristãs, que nunca foi das melhores, degringolou com a aprovação, em setembro, de uma lei que legaliza o aborto antes de oito semanas de gestação e quando a mãe é estudante ou tem dependentes.
 
O caldo entornou de vez com o novo código, que entupiu ruas bolivianas com protestos de religiosos. O pastor paulista Antonio de Novais Santos participou de um deles na quarta-feira (17), na cidade de Cochabamba. Ele mantém por lá sua Iglesia La Vid (Igreja A Videira). "A lei coloca a evangelização, fazer proselitismo, que é o que nós fazemos com o intuito de melhorar a vida da pessoa, no mesmo patamar de escravizar e traficar pessoas. Como pode?", exclama.
 
Outro cisma: "Evo opta por ritos, feiticeiros incas em vez de chamar padres, pastores, de usar a Bíblia, para cerimônias oficiais", diz o pastor. Em 2016, o presidente irritou líderes cristãos ao participar de um ritual indígena aimará para invocar chuvas no combate à pior seca do país em 25 anos.
 
Para Santos, não é o único indício de que o presidente busca conflito com a cristandade. Em 2010, o Legislativo aprovou uma lei que respaldava um currículo escolar regionalizado, podendo incorporar "componentes de espiritualidade e cosmovisão indígena", como definiu à época o ministro da Educação.
 
No Censo de 2012, 58% se declaravam não indígenas, embora Morales diga que são bem menos — muitos temeriam o racismo e prefeririam esconder as raízes.
 
Boko Haram
 
Com os ânimos acirrados pela legislação penal sancionada em dezembro, inicia-se novo round entre governo e religiosos. Políticos alinhados a Morales apontam uma "guerra de mentiras" nas redes sociais. O artigo 88 serve, segundo o presidente do Senado, José Alberto Gonzales, de vacina contra um correlato latino ao Boko Haram, grupo fundamentalista da Nigéria.
 
Porta-voz do MAS, partido governista, David Ramos Mamani acusa a "oposição de direita", servil a "interesses internacionais do imperialismo", de inventar "uma perseguição a igrejas". O que de fato se mira, afirma, são "o sequestro de fiéis ou conversões forçadas, e isso não é novo, já estava em leis anteriores".
 
Papo furado, diz à reportagem Carlos Alarcón, advogado constitucionalista e ex-vice-ministro de Carlos Mesa (2003-05), que precedeu a atual Presidência. "É provável que a intenção real seja aniquilar todos os direitos e liberdades que impedem [Evo] de ter o controle total da sociedade boliviana, como as liberdades do pensamento, a consciência, a religião e a expressão."
 
Para Iván Lima, ex-ministro do Tribunal Supremo de Justiça boliviano, as igrejas sabem, no fundo, que o código não ameaça a evangelização. "Nossa Constituição protege amplamente a liberdade religiosa. O artigo 88 não pode ser lido isoladamente", diz.
 
"O que esses religiosos realmente querem, ao pleitearem a revogação de todo o Código Penal, é não permitir o abrandamento da legislação sobre o aborto", afirma.
 
O Brasil entrou na peleja via bancada evangélica da Câmara. Seu presidente, o deputado Hidekazu Takayama (PSC-PR), enviou ofícios à embaixada da Bolívia e ao Itamaraty questionando o código "que vem consternando a população cristã não só do país, mas de todo o hemisfério".
 
O embaixador do país no Brasil, José Kinn Franco, lamentou, em resposta a Takayama, a ação daqueles que "usam a mentira como arma" e destacou que a maioria dos militantes do governista MAS "professa uma religião".
 
Igreja versus Evo
 
O arsenal de ilações, segundo o deputado Mamani, vem da "hierarquia eclesiástica boliviana, porta-voz da direita e com intenções políticas".
 
Influente no clero local, a Opus Dei, movimento católico, é uma das vozes mais críticas a Morales.
 
A Igreja Católica tem a preferência de três em cada quatro bolivianos, segundo o Pew Research Center.
 
O bispo Eugenio Scarpellini, da populosa El Alto, tachou de "hipócrita" a visita do presidente ao papa Francisco pouco após a aprovação do Código Penal. "Que ironia é isso ocorrer no dia em que o presidente está com o papa".
 
Morales não se fez de rogado. No mesmo dia, postou no Twitter: "Meu irmão Francisco, como sempre solidário, humano e integracionista". 
 
Fonte: Folha de S. Paulo
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"Bob era realmente um bom irmão, um filho de Deus, independentemente de como as pessoas o viam. Ele tinha o desejo de ser batizado há muito tempo, mas havia pessoas próximas que o controlavam e distraíam. Mesmo assim, ele vinha regularmente à igreja."
 
Esta versão de um inédito Bob Marley foi contada, em uma entrevista publicada pelo Gleaner’s Sunday Magazine, em 25 de novembro de 1984, por Abunda Yesehaq – um missionário ortodoxo etíope que chegou à Jamaica na década de 60 e se tornou um grande amigo de Marley, acompanhando o cantor jamaicano em sua conversão ao cristianismo ortodoxo e ao batismo.
 
A comoção de Bob e o batismo
 
Yesehaq viveu de perto o itinerário de aproximação da fé de Bob, que ocorreu alguns meses antes do seu desaparecimento. "Lembro-me de uma vez em que, enquanto eu estava celebrando a missa, olhei para Bob e seu rosto estava coberto de lágrimas."
 
"Muitas pessoas acham que ele recebeu o batismo porque sabia que estava morrendo, mas não foi assim. Ele foi batizado quando já não havia pressões sobre ele e, quando se batizou, abraçou sua família e choraram, choraram todos juntos durante mais de meia hora."
 
A luz da Trindade
 
O batismo aconteceu no dia 4 de novembro de 1980, na igreja etíope de Nova Iorque. Ele escolheu o nome de Berhane Selassie ("A luz da Trindade").
 
Cinco dias depois, Bob foi para um centro de tratamento na Alemanha, onde passou seu 36º aniversário. Três meses depois, em 11 de maio de 1981, faleceu em um hospital de Miami. O funeral, celebrado em 21 de maio de 1981, seguiu o rito ortodoxo, e ele foi sepultado junto à sua Bíblia e sua guitarra Gibson.
 
Ele não foi o único
 
A conversão de Marley acabou contagiando sua banda: Judy Mowatt, uma das cantoras que o acompanharam nas turnês, ficou impactada pelo seu gesto e, alguns anos mais tarde (fala-se de início da década de 90), converteu-se ao cristianismo pentecostal. Ela continua sendo uma das testemunhas oculares do itinerário de fé de Bob Marley.
 
Fonte: Aleteia
Imagem: Reprodução da Internet
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No dia 20 de janeiro de 2018 ficará marcado na história da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) como o Dia da Eleição da Primeira Bispa. O fato ocorreu na Segunda Sessão do Concílio da Diocese Anglicana da Amazônia (DAA) no qual elegeu no primeiro escrutínio a Reverenda Cônego Marinez R. Santos Bassotto. O processo de eleição na Igreja Episcopal ocorre com participação de delegações paroquiais do laicato e também do clero residente, possibilitando a escolha de pessoas cujo perfil venha agradar às pessoas que serão pastoreada pela bispa (o).
 
O Bispo João Câncio Peixoto fez o pronunciamento após a confirmação dos votos entre as duas pessoas candidatas: Reverenda Cônega Marinez (Diocese Meridional) e o Reverendíssimo Deão Silvio Freitas (Diocese Sul Ocidental).
 
A Bispa Eleita Marinez Bassotto é gaúcha, casada com Paulo Bassotto e mãe de duas filhas, Luisa e Laura. Atualmente é Pároca da Paróquia São Paulo/Diocese Meridional, é a atual Custódia do Livro de Oração Comum, membro da Comissão Nacional de Diaconia (CND) e Coordenadora do Grupo Executivo para CONFELIDER 2018. A Reverenda Marinez foi deã por vários mandatos da Catedral Nacional da Santíssima Trindade, em Porto Alegre/RS.
 
A Câmara Episcopal é composta pelos bispos diocesanos e pelos bispos coadjutores, no pleno exercício de seu ministério, e pelos bispos aposentados, sem direito de voto. Atualmente a Câmara é formado por 15 bispos homens, entre pessoas da ativa e aposentados.
 
O Bispo Primaz Dom Francisco de Assis da Silva que encontra-se em viagem pela África, declarou a Secretária Geral que “Certamente vivemos um momento especial de nossa Província com a eleição de nossa primeira bispa. Uma brisa que vem soprar sobre a Igreja e que certamente representa novos tempos e novo jeito de exercício deste ministério tão especial. A Diocese da Amazônia e a IEAB dão um passo decisivo na direção da equidade de gênero e por isso estamos muito felizes. Desde Gana elevo minhas orações pela nossa Província e pela bispa eleita Marinez e sua família. Agradeço ao Bispo João Peixoto pela direção abençoada desta sessão conciliar histórica”.
 
A Diocese Anglicana da Amazônia é uma unidade eclesiástica da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil que abrange os estados do Pará, Amapá, Roraima, Amazonas e Acre. Sua sé episcopal está na Catedral Anglicana de Santa Maria, localizada na Av. Serzedelo Corrêa, 514, Batista Campos, na cidade de Belém, no estado do Pará. Foi criada em 29 de julho de 2006, no 30º Sínodo-Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, realizado no período de 26 a 30 de julho de 2006, em Curitiba. No dia 15 de outubro de 2006, a Diocese Anglicana da Amazônia foi instalada solenemente, com a consagração da Catedral de Santa Maria e com a investidura e instalação de seu primeiro bispo Dom Saulo Maurício de Barros. Em 2017, Dom Saulo Barros anunciou sua resignação e que abriu  o processo eleitoral para a escolha de um (a) novo (a) pastor (a).
 
A eleição de uma mulher para o episcopado ocorre a mais de três décadas, desde a primeira ordenação feminina realizada em 1985. Desde então, a IEAB tem acolhido diversos eventos para marcar e  reforçar a importância do papel da mulher nos espaços de lideranças.
 
Fonte: IEAB
Imagem: Reprodução
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Nos últimos sete anos, mais de mil freiras têm desenvolvido um trabalho ousado para resgatar vítimas do tráfico de pessoas. Elas se infiltram em bordéis fingindo ser prostitutas e tentam ajudar mulheres que sejam mantidas à força nesses locais.
 
Além disso, as religiosas juntam dinheiro para “comprar” crianças vendidas como escravas, desenvolvem programas de prevenção em escolas e oferecem acompanhamento e proteção dentro das suas casas a mulheres resgatadas do tráfico.
 
Fundada em 2009 pela União Internacional das Superioras Gerais (UISG), em colaboração com a União dos Superiores Gerais, Talitha Kum é a Rede Internacional da Vida Consagrada Contra o Tráfico de Pessoas. O nome da rede vem do Evangelho de Marcos. É a expressão usada por Jesus para reavivar a filha de Jairo, comumente traduzida do aramaico por: “Menina, eu te digo, levanta-te”.
 
Em 1998, a UISG formou um grupo de estudo sobre o tráfico de pessoas na Comissão de Justiça, Paz e Integridade da Criação. Entre 2004 e 2008, foi desenvolvido, em colaboração com a Organização Internacional para as Migrações, um projeto de treinamento que levou à criação de várias redes regionais na Itália, Albânia, Nigéria, Romênia, Tailândia, República Dominicana, Brasil, Portugal, Filipinas e África do Sul. No ano seguinte, durante o primeiro encontro mundial dessas redes, foi feita a proposta de se criar a rede internacional, que coordena as redes locais distribuídas hoje por mais de 70 países.
 
O trabalho acontece de forma descentralizada, cabendo à coordenação internacional, com sede em Roma, a criação de novas redes locais e a promoção do intercâmbio entre elas, bem como o apoio a ações de incidência política a nível internacional. São as redes locais que têm por responsabilidade o acompanhamento e a proteção de pessoas resgatadas do tráfico, a formação e capacitação de agentes multiplicadores e a denúncia do tráfico e das suas causas.
 
No Brasil, faz parte da Talitha Kum a rede Um Grito pela Vida, da qual fazem parte cerca de 150 religiosas de diversas congregações.
 
Segundo a fundação Walk Free, o tráfico de pessoas movimenta cerca de 32 bilhões de dólares por ano e atinge mais de 35 milhões de pessoas no mundo todo, sendo um terço crianças. Entre as suas modalidades, contam-se entre outras o tráfico para fins de exploração sexual, o trabalho escravo, a remoção e o comércio ilegal de órgãos e o tráfico de crianças para adoção ilegal. De acordo com a ONU, 70% das vítimas são mulheres ou meninas.
 
O banqueiro John Studzinski, presidente da rede, lembra de alguns casos atendidos, como o de uma mulher trancada sem comida nem água por uma semana por não ter atingido a sua meta de doze clientes por dia e de outra forçada a fazer sexo com dez homens ao mesmo tempo. “Essas irmãs não confiam em ninguém”, disse Studzinski, em entrevista ao Yahoo! News. “Elas não confiam nos governos, não confiam em corporações e não confiam na polícia local. Em alguns casos, elas não podem confiar nem no clero”.
 
Fonte: Aleteia
Imagem: Reprodução / Bigstock
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O dia 21 de janeiro é marcado como o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. Em virtude da data, anualmente a REJU promove a Campanha Visto Branco, com o objetivo de incitar reflexões e movimentos que impulsionem a caminhada conjunta em busca da liberdade de fé e contra qualquer forma de discriminação.
 
A data foi oficializada em 2007 através da Lei n.º 11.635, de 27 de dezembro, e referencia o dia da morte de Mãe Gilda, do terreiro Axé Abassá de Ogum, em Salvador (BA). Nesta data, no ano de 2000, não tendo suportado os ataques de intolerância religiosa que vinha sofrendo por ser praticante de religião de matriz africana, Mãe Gilda faleceu de infarto.
 
Para a denúncia contra a intolerância, revestimos as dores com as cores da esperança:
 
A identidade visual da campanha deste ano traz o fundo ilustrado por um muro, representando a opressão e a segregação que se colocam no caminho da busca pela unidade. São apresentadas as camisas da Rede e uma moldura constituída por flores, representando a beleza e a grandeza da diversidade que nos cerca. Simbolizando ainda um ato de amor e remissão, a mão branca estendendo uma rosa vem no sentido de destacar o enfrentamento e combate ao extermínio da juventude negra, causado por mãos que apontam a dor e a violência.
 
Vestimos branco num ato de inconformidade e denúncia contra as violações dos direitos humanos e contra a intolerância religiosa. Casos como o de Mãe Gilda e de tantas outras e tantos outros nos fazem crer que ainda há um longo caminho de luta pela frente, cujo passo inicial deve sempre ser a mudança do comportamento individual, de modo que o coletivo seja construído com base nos valores e predisposição pessoais.
 
Que o significado desta data possa inspirar e engrandecer ações em prol dessa causa durante todo o ano. Que a diversidade seja (re)conhecida e respeitada para que dela possa ser constituído um mundo mais humanitário e que proporcione vida digna a todos e todas.
 
Pela liberdade de crer e não crer!
 
“Ser livre não é apenas se livrar das correntes que lhe prendem, mas viver sendo capaz de respeitar e engrandecer a liberdade dos outros.” (Nelson Mandela)
 
Considerando de extrema importância a efetivação de um Estado laico de fato e o fim das manifestações de intolerância, o tema da campanha objetiva evidenciar e fortalecer um dos eixos de atuação da Rede: Juventudes, estado laico e superação de intolerâncias.
 
As ameaças à liberdade se perpetuam ao longo dos anos e a luta por direitos é o único meio pelo qual é possível efetivar a unidade em torno de uma causa comum. Neste contexto, a palavra “luta” não faz referência a qualquer tipo de violência, pelo contrário, ela nos remete ao diálogo, cooperação, reafirmação de valores que promovem o bem comum e a necessidade do amor como imperativo.
 
Pelo fim do extermínio da juventude negra!
 
Eixo de atuação da REJU, o combate ao extermínio da juventude negra se torna em 2018 subtema da Campanha Visto Branco, a fim de promover o diálogo harmônico entre jovens das diversas profissões de fé. A juventude negra, em especial a periférica, enfrenta diariamente e historicamente um grande desafio que é a garantia de direitos e políticas públicas. Os espaços religiosos mais diversos estão em comunidades negras, as quais muitas vezes são o refúgio de muitos e muitas jovens que se unem pela cor da pele, pela violência impune do Estado, pela falta de oportunidades e pela falta de acesso a condições básicas de vida.
 
A luta diária por direitos esbarra sempre nas violências nas quais os jovens são as maiores vítimas. Segundo dados do Mapa da Violência, de 2016, pessoas com idade entre 15 e 29 anos tiveram as taxas de homicídio aumentadas de 19,6 em 2005 para 58% em 2016, a cada 100 mil jovens. Pessoas negras também morreram muito mais do que brancas. Morreram 37% mais pessoas negras do que brancas no Brasil em 2016 vítimas de violência. Entre 2005 e 2016, o número de homicídios de pessoas jovens brancas caiu 26,1%, enquanto o de pessoas jovens negras aumentou 46,9%. Diante dessa realidade, a juventude negra vem se articulando no enfrentamento das violências sofridas.
 
Neste contexto, a REJU vê a necessidade de unir forças e trabalhos no combate a violência contra a juventude negra, afinal, a bala que acerta o jovem negro e a jovem negra não questiona sobre a sua fé.
 
Junte-se a nós nessa luta!
 
Para integrar e fortalecer a Campanha Visto Branco, basta publicar uma foto nas redes sociais, em modo público, entre os dias 19 e 22 de janeiro, vestindo branco e utilizando as hashtags:
 
#VistoBranco
 
A Rede Ecumênica da Juventude deseja seu apoio para juntos e juntas dizermos NÃO à intolerância e SIM ao amor e ao respeito à diversidade.
 
Matemos o racismo e salvemos a liberdade!
 
Naiara Soares (candomblecista)
Thalia Jaqueline Schuh (luterana)
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O Papa Francisco reuniu-se, no dia 8 de janeiro, com o corpo diplomático junto à Santa Sé para os tradicionais votos de início de ano. O discurso aos embaixadores teve como fio condutor a defesa dos direitos humanos, a partir dos quais Francisco abordou alguns dramas mundiais e enfatizou a necessidade de diálogo e de paz.
 
A Declaração Universal dos Direitos do Homem foi o documento ao qual o Papa quis dedicar o encontro com os embaixadores. “Para a Santa Sé, falar de direitos humanos significa, antes de mais nada, repropor a centralidade da dignidade da pessoa, enquanto querida e criada por Deus à sua imagem e semelhança”, pontuou.
 
Francisco constata que, após 70 anos do documento – que se completam agora em 2018 – , muitos direitos fundamentais ainda são violados, primeiramente o direito à vida, à liberdade e à inviolabilidade de cada pessoa humana. Ele ressalta que esses direitos não são lesados apenas pela guerra ou violência, mas por formas mais sutis, como o descarte de crianças antes mesmo de nascer; ou dos idosos, considerados um peso; a violência contra a mulher, mesmo dentro da própria família, e o tráfico de pessoas. “Defender o direito à vida implica também trabalhar ativamente pela paz, reconhecida universalmente como um dos valores mais altos que se deve procurar e defender”, disse.
 
Apesar da necessidade do trabalho pela paz, o Santo Padre destacou que muitos conflitos continuam ocorrendo em vários lugares e os esforços em prol da paz parecem menos eficazes diante da lógica da guerra. Mas esse panorama não pode diminuir nem o desejo nem o compromisso em prol da paz, destaca o Pontífice, que voltou a denunciar no discurso a proliferação de armas. “A proliferação de armas agrava claramente as situações de conflito e implica enormes custos humanos e materiais, deteriorando assim o desenvolvimento e a busca duma paz duradoura”.
 
Realidades atuais
 
No discurso, o Papa lembra que a Santa Sé reitera a defesa de negociações, não de armas, para dirimir as controvérsias entre os povos. E nesse ponto do discurso, ele mencionou algumas realidades atuais.
 
“Nesta perspetiva, é de suma importância que se sustente toda a tentativa de diálogo na península coreana, a fim de se encontrar novos caminhos para superar as contraposições atuais, aumentar a confiança mútua e garantir um futuro de paz ao povo coreano e ao mundo inteiro”.
 
Francisco também fala da necessidade de continuar com as iniciativas de paz na Síria, a fim de encerrar o conflito que já perdura há anos e causou tanto sofrimento. Da mesma forma, ressalta a necessidade de diálogo no Iraque, bem como no Iêmen e Afeganistão. Ele faz uma menção particular às tensões recentes entre Israel e Palestina.
 
“A Santa Sé, ao exprimir o seu pesar por quantos perderam a vida nos recentes confrontos, renova o seu premente apelo a ponderar bem cada iniciativa para que se evite de exacerbar as contraposições e convida a um esforço comum por respeitar, em conformidade com as pertinentes Resoluções das Nações Unidas, o status quo de Jerusalém, cidade santa para cristãos, judeus e muçulmanos. Setenta anos de confrontos tornam extremamente urgente encontrar uma solução política que consinta a presença na região de dois Estados independentes dentro de fronteiras internacionalmente reconhecidas”.
 
Francisco ressalta ainda a crise política e humanitária na Venezuela e os conflitos em muitas partes da África, especialmente no Sudão do Sul, República Democrática do Congo, Somália, Nigéria e República Centro-Africana. Nesses lugares, o terrorismo, a proliferação de grupos armados e a exploração indiscriminada dos recursos ameaçam o direito à vida, explicou. E não passou despercebida a crise na Ucrânia. “O ano, que findou, ceifou novas vítimas no conflito que atormenta o país, continuando a infligir grandes sofrimentos à população, particularmente às famílias que moram nas áreas afetadas pela guerra e que perderam os seus entes queridos, não raro idosos e crianças”.
 
Defesa da família
 
O Pontífice quis dedicar uma parte de sua reflexão à família, ressaltando que, sobretudo no Ocidente, ela é considerada uma instituição superada. O Papa afirma que é urgente adotar políticas efetivas em apoio da família, considerando também que dela depende o futuro e o desenvolvimento dos Estados.
 
“Sem ela, de fato, não se podem construir sociedades capazes de enfrentar os desafios do futuro. E a falta de interesse pela família traz consigo outra consequência dramática – particularmente atual nalgumas regiões – que é a queda da natalidade. Vive-se um verdadeiro inverno demográfico! Isto é sinal de sociedades que sentem dificuldade em enfrentar os desafios do presente, tornando-se, por conseguinte, cada vez mais temerosas do futuro e acabando por se fechar em si mesmas”.
 
Migrações
 
Ao tocar no tema das migrações, o Papa lembra que a liberdade de movimento pertence aos direitos humanos fundamentais. Ele recorda o tema de sua mensagem para o Dia Mundial da Paz 2018, celebrado no último dia 1º: “Migrantes e refugiados: homens e mulheres em busca de paz” para destacar uma vez mais a necessidade de acolhimento a essas pessoas.
 
O Santo Padre manifestou seu agradecimento ao empenho de tantos países na Ásia, na África e nas Américas, à Itália e outros Estados europeus, particularmente a Grécia e a Alemanha, em acolher migrantes e refugiados. “Não devemos esquecer que numerosos refugiados e migrantes procuram alcançar a Europa, porque sabem que nela podem encontrar paz e segurança, fruto aliás dum longo caminho que nasceu dos ideais dos Pais fundadores do projeto europeu depois da II Guerra Mundial”.
 
Outros direitos humanos e o cuidado da terra
 
Francisco também menciona na mensagem o direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião, bem como a importância do direito ao trabalho. “Não há paz nem desenvolvimento, se o homem está privado da possibilidade de contribuir pessoalmente, através da sua atividade, para a edificação do bem comum”.
 
O Santo Padre observa que, em muitas partes do mundo, o trabalho ainda é escasso, com poucas oportunidades, em especial para os jovens. Além disso, há a problemática da perda do emprego, seja em virtude dos ciclos econômicos seja pelo avanço da tecnologia que traz cada vez mais novos maquinários que substituem o homem.
 
Concluindo o discurso, Francisco falou sobre a necessidade de cuidar da terra, enfrentando com esforço conjunto a responsabilidade de deixar às gerações futuras uma terra mais bela e habitável.
 
Com informações do Boletim da Santa Sé
Foto: Reprodução Reuters
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Desde o momento em que Jorge Mario Bergoglio escolheu o nome de Francisco para seu papado, em 2013, mandou um recado ao mundo. A Igreja Católica, que nos últimos anos havia sido comandada por João Paulo II e Bento XVI, sairia de dentro de si mesma e se abriria para o mundo. Concretamente, isso tem significado ter um Papa que sorri, faz piadas, carrega seus próprios pertences, veste o que há de mais simples – um verdadeiro desafio, quando falamos de um armário recheado de coroas e panos suntuosos –, mas também negocia acordos de paz, como no caso da intermediação que fez entre as FARC e Governo colombiano, e não se furta de tocar em temas delicados para a Igreja como divórcio, homossexualidade e machismo.
 
Nesta terça-feira, 16, inicia mais uma de suas viagens internacionais, desta vez ao Chile e Peru, onde não deve se furtar a entrar em questões delicadas, como a defesa do meio ambiente e dos índios mapuche. Tanta movimentação, contudo, tem causado divergências dentro da Igreja e já há setores abertamente contrários ao papado atual. Para o padre e historiador brasileiro José Oscar Beozzo, coordenador geral do Centro Ecumênico de Serviços à Evangelização e Educação Popular (Ceseep), grande parte deste descontentamento parte de grupos que ainda não digeriram o Concílico Vaticano II, que nos anos 1960 reformou uma série de diretrizes e instituições católicas.
 
Na entrevista abaixo, Beozzo fala sobre o legado, do qual se sente próximo, que o Papa Francisco está construindo, comenta as divisões da Igreja e fala sobre como elas se refletem no Brasil.
 
Pergunta. O Papa Francisco tem encontrado resistência constante de certo grupos dentro da Igreja Católica. O seu papado está tão fora do script assim?
 
Resposta. Não. Depois da aposentadoria do Bento XVI, nos nove dias em que os cardeais se reúnem para fazer um balanço da Igreja e traçar o perfil do novo Papa, o Bergoglio apresentou uma Igreja extrovertida, que deixava de lado o ensimesmamento dos dois últimos papados para abraçar o grito dos pobres. Logo de saída, ele escolher o nome Francisco, o que nunca ninguém havia ousado, também é significativo. Francisco é um ícone de importância imensa na Igreja católica e nas outras Igrejas também. Quando o Papa estava pregando a cruzada, Francisco foi ver o sultão e dizer que tinha que haver uma agenda de paz entre muçulmanos e cristãos. Não à toa, ao longo dos 700 anos em que a história da Palestina foi revirada de todas as formas possíveis, os franciscanos continuam lá. Nunca foram expulsos. Essa sempre foi a agenda do Papa Francisco, uma agenda de paz, perdão, reconciliação, misericórdia. Só assumir o nome Francisco já é um programa. Quando se apresentou ao mundo, ele abençoou o povo e pediu para que o povo também o abençoasse.
 
P. Mesmo assim, ele tem sido descrito como um outsider em reportagens que tratam das dissidências internas da Igreja.
 
R. Ele é um outsider? O João Paulo II também era um outsider. Ele foi o primeiro papa não italiano depois de quatro séculos. O último havia sido Adriano XVI, que era holandês, durante o tempo de Carlos V [Adriano XVI morreu em setembro de 1523]. A eleição de João Paulo II já quebrou uma tradição que refletia, um pouco, esse processo de internacionalização da Igreja, que começou com o Papa João XXIII na época do Concílio Vaticano II. De repente, ficou claro que a Igreja não era uma cozinha italiana, mas que estava implantada nos vários continentes com um profundo deslocamento de fiéis. A África, por exemplo, significava apenas 1% dos católicos no começo do século XX, hoje representa 18%. A Europa tinha 75% dos católicos do mundo no começo do século XIX, hoje tem 23%. A Europa representava três quartos da Igreja e hoje é menos de um quarto. Só que esse deslocamento da Igreja, representado pela figura do Papa polonês João Paulo II, não se converteu em um deslocamento da agenda. E, durante o papado de Bento XVI, houve até uma exasperação no sentido de construir uma agenda apenas europeia.
 
P. E essa mudança de agenda era algo ansiado?
 
R. Depois do João Paulo II havia um movimento da Igreja que pedia que ela fosse mais aberta e muitos dos votos começaram a ir para o cardeal Martini, de Milão, que é um biblista e jesuíta. Mas ele logo disse que tinha uma ponte de safena, saúde frágil e que era melhor que a Igreja não dependesse de um Papa com problemas de saúde. Nesse momento, o Bergoglio teve 45 votos. Pouca gente fala disso, mas lá atrás, no momento final, ficaram Bergoglio e Ratzinger. Só que, na época, o Ratzinger tinha muito mais poder e visibilidade.
 
P. Há um movimento contrário ao dos dois últimos papados, então?
 
R. Sim. Um exemplo é que logo no início, o Papa Francisco disse que antes de Papa, era bispo de Roma. Como bispo, a obrigação dele é visitar as prisões, o hospital das crianças, as escolas, as paróquias da cidade. Isso já tinha mudado, mas foi o Papa Francisco quem falou explicitamente isso na apresentação. Ele recoloca a ordem das coisas. Essa agenda havia sido interrompida. No Concílio Vaticano II, há afirmação de que as igrejas são as dioceses e que ali está a totalidade da Igreja. Uma Igreja Universal, então, não é uma coisa abstrata, mas a comunhão dessas igrejas locais. Ele tem feito muitos gestos nessa direção. E isso acaba sendo conflitivo, pois toda a agenda de João Paulo II e Bento XVI foi no sentido de retomar a centralização do poder em Roma. Ele quebra isso e gera insatisfação.
 
P. O papado de Francisco representa retorno ao Concílio?
 
R. Sim, e muito da insatisfação que tem aparecido dentro da Igreja é por isso. Uma ideia que o Papa Francisco retoma é a do discurso de abertura do Concílio, quando o Papa João XXIII dizia que a Igreja nunca tinha deixado de apresentar sua doutrina, mas que uma coisa é a doutrina e outra é a apresentação dela. Em cada momento da história, segundo ele, essa doutrina precisava ser repensada para que fosse encontrada a maneira adequada e as melhores palavras para torná-la compreensível. Para Bento XVI, a última palavra sempre foi a doutrina e, por isso, ela não precisava ser repensada. Para o Papa Francisco, a última palavra é pastoral, é a relação com as pessoas, o cuidado para que a pessoa possa viver e encontrar luz e caminho. Lembro dessa suprema máxima: Salus Animarum Suprema Lex, ou seja, a salvação das almas é a suprema lei da Igreja. Para os opositores do Papa, como o bispo norte-americano Burke, isso é relativismo, pois a doutrina é a última palavra.
 
P. E por que nos dois últimos papados ocorreu esse movimento de afastamento do Concílio?
 
R. Não foi apenas na Igreja Católica, mas em todas as outras. Houve uma volta para dentro de si mesmo, para a liturgia. O Papa está na contramão do mundo. Falando contra o neoliberalismo e lavando os pés, em seu primeiro lava-pés, não dos cônegos, mas de rapazes e moças presos, inclusive de uma muçulmana. Isso gera perplexidade, mas também gera aplauso. Hoje ele tem mais resistência de certos setores de dentro da Igreja, que foram educados em um espírito de muita liturgia, muito canônico, do que no mundo.
 
P. E dentro do Brasil, como estão essas divisões?
 
R. Há um setor pequeno na Igreja brasileira que não aceitou as mudanças do Vaticano II. Durante o Concílio, havia em Roma uma articulação conservadora e o secretário desse grupo era o brasileiro Dom Geraldo de Proença Sigaud, arcebispo de Diamantina. Além dele, havia o Dom Antonio Castro Maia, bispo de Campos dos Goytacazes, que fez 34 intervenções durante o Concílio. Eles eram lideranças episcopais do movimento Tradição, Família e Propriedade [organização civil que apoio a ditadura militar no Brasil]. Havia outros que não concordavam com as mudanças, mas que depois acabaram aceitando, entre outras coisas estabelecidas, que deveriam, por exemplo, rezar a missa em português e não mais em latim. O Castro Maia não aceitou e acabou se separando da Igreja e passou para a fraternidade Pio X, que reúne os conservadores que não aceitaram o Concílio. Desse grupo, que durante o papado de Bento XVI, foi reintegrado à Igreja, há uma ala que entrou em conflito aberto com o Papa Francisco. Mas é algo pequeno e localizado.
 
P. E as dissidências se limitam a isso?
 
R. O Papa é o Papa e, por mais que haja discordâncias, não há no Brasil um bispo que levantou bandeira contra o Francisco. Há nos Estados Unidos, na Itália, na França, mas aqui não. O que há, acredito, é certo corpo mole: deixa passar, pois o papado não vai durar para sempre. É claro que há dissidências, mas elas não são ditas publicamente. Se você pegar todos os bispos do Brasil, que são 485, os nomeados pelo Francisco são 16%. 84% ainda são bispos da época do Bento XVI e João Paulo II. Se você pega só os que estão em exercício, porque há uns 140 que são eméritos, um quarto, ou 25% são bispos nomeados pelo Francisco. 75% são formados em outro tempo e foram escolhidos para implementar uma determinada linha teológica diferente da atual.
 
P. E como você interpreta o fato de ele não ter voltado ao Brasil para os 300 anos de Nossa Senhora de Aparecida quando, em 2013, disse que viria?
 
R. Há duas coisas. Primeiro, ele não costuma repetir visitas e o Brasil foi o primeiro país que ele visitou. Em 14 de março foi escolhido Papa e, em junho, já estava aqui para a Jornada Internacional da Juventude. Tem isso, mas acredito que ele não veio por causa do impeachment, ou melhor dizendo, do golpe parlamentar, e da situação política brasileira. Ele tomou muita distância disso. Do mesmo modo que não foi ainda à Argentina, apesar de ser argentino. O presidente Macri tem uma agenda neoliberal com a qual o Papa Francisco não concorda. Não dá para excluir essas interpretações.
 
P. Se ele puxou a Igreja para outro lado tanto, não é de esperar que o próximo Papa seja alguém de linha completamente oposta?
 
R. Quanto tempo seu papado vai durar? Ele pode ter mais um, dois anos de papado, porque é bem provável que ele renuncie, já que deixou claro, algumas vezes, que o Bento XVI abriu um caminho institucional possível. Que ele prefere a renúncia do que definhar na cadeira de Papa. E o que virá depois? Eu tenho impressão que a tendência, é que depois do Francisco, depois desse terremoto, o plano seja colocar alguém mais moderado, mas acho impossível uma volta à linha do Bento XVI. Seria um trauma muito grande dentro da Igreja. Provavelmente será escolhido um Papa de centro, porque os consensos também precisam ser encontrados. De qualquer jeito, marcas estão sendo deixadas. Um dos casos mais conhecidos é o do Haiti. O país nunca teve cardeal e, no lugar do arcebispo de Porto Príncipe, o Papa Francisco nomeou como cardeal um bispo lá do interior. É como se você pegasse um bispo de registro e transformasse em cardeal. Ele é do interior? É. Mas se bateu contra a discriminação dos haitianos na República Dominicana. E é isso que importa para o Para Francisco.
 
Fonte: El País
Foto: CESEEP/Reprodução
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