Quem de nós não gosta de comemorar? Co-memorar é recordar e festejar em conjunto! Comemoramos o aniversário, o casamento, a formatura. Comemoramos para agradecer, para nos alegrar com a família e pessoas amigas. Na Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB*), comemoramos muitos eventos em Comunidade. Neste ano, 2017, comemoramos algo muito especial para a história da Igreja: os 500 anos da Reforma!
 
Na comemoração do Jubileu, precisamos ter cuidado: não podemos trocar o presente pelo embrulho, ou seja, o presente do Jubileu da Reforma não é Martim Lutero. O presente desse Jubileu é o Evangelho de Jesus Cristo. O presente dessa comemoração é aquilo que Deus fez e faz por nós por meio de Jesus Cristo: em Cristo, nós somos irmãs e irmãos resgatados do poder do pecado e da maldade para viver vida alegre, livre e responsável mediante a graça de Deus.
 
Há uma frase genial de Lutero que nos permite compreender a nossa liberdade e a nossa responsabilidade a partir da graça de Deus. Diz Lutero: Diante de Deus, pela fé, és livre de tudo, mas, junto aos seres humanos, és servo, serva de todos e todas pelo amor. Pela fé e sob a graça de Deus, vivemos, nos movemos e existimos, diz o Lema da nossa Igreja neste ano, segundo Atos 17.28.
 
Pela fé e sob a graça de Deus, vivemos, nos movemos e existimos em liberdade responsável. Deus não nos submete a leis e regras. Pela fé, o amor expresso no serviço – a diaconia – é que determina a nossa relação com Deus, com as pessoas e com a Criação toda. É essa relação entre liberdade e serviço de amor que define a tarefa da Igreja, por isso o Tema do Ano da IECLB relaciona alegria e compromisso: Alegres, jubilai! Igreja sempre em Reforma: agora são outros 500.
 
Somos livres para levar uma vida de agradecida resposta ao dom divino da salvação. Como pessoas que amou, Deus teve e tem compaixão de nós a cada novo amanhecer. Recebemos dele a capacidade para sermos mensageiras da paz, da justiça e da reconciliação em nosso mundo. Somos livres para servir!
 
A IECLB é Igreja oriunda da Reforma. Como tal, a sua raiz está no Evangelho de Jesus Cristo. Tendo o Evangelho como fundamento, a IECLB tem o que co-memorar no Jubileu dos 500 anos da Reforma.
 
Somos Igreja que acredita na força do Sacerdócio de todas as pessoas batizadas. O trabalho voluntário é um dos nossos maiores bens na ação missionária. A IECLB ordena mulheres há várias décadas. As diferentes ênfases ministeriais – Catequética, Diaconal, Missionária e Pastoral – são testemunho da diversidade de dons valorizada. A nossa produção teológica é reconhecida como profunda e de excelente qualidade.
 
A busca por um futuro melhor, nos faz confessar as nossas fraquezas, como, por exemplo, a baixa capacidade de diálogo entre setores da IECLB que pensam diferente entre si. Nos últimos anos, cresce na Igreja a polarização instalada em nosso país. Orientações de Concílios, Assembleias e Conselhos nem sempre são seguidas. Também há muito o que fazer no que diz respeito à temática Fé, Gratidão e Compromisso.
 
Levando em conta o nosso potencial e as nossas fragilidades, precisamos, como Igreja oriunda da Reforma, voltar mais a nossa atenção ao Evangelho e, em postura de diálogo responsável, compreender o que Lutero sinalizou como tarefa cristã: Diante de Deus, pela fé, és livre de tudo, mas, junto aos seres humanos, és servo, serva de todos e todas pelo amor.
 
A IECLB foi, é e será uma bênção na vida de muitas pessoas. Nos Cultos, na pregação, nos grupos, na ação diaconal e no testemunho público da nossa Igreja, muita gente encontrou o Deus vivo, que ama, perdoa, alimenta, aceita, liberta, salva. Importa continuarmos seguindo em frente. Em tempos difíceis, nos quais parece haver diminuição da relevância da Igreja e aumento de preconceito, divisão, ódio e injustiça, é necessário manter firme a postura fiel ao Evangelho de Jesus Cristo.
 
Os próximos 500 anos trarão velhos e novos desafios. A IECLB, movida pela graça de Deus, saberá encará-los. Estão à nossa frente outros 500!
 
Pastor Nestor Paulo Friedrich
Pastor Presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil

* A IECLB é uma igreja-membro do CONIC
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Violência doméstica e sexual, abuso, exploração, morte. Um casamento precoce tem efeitos devastadores sobre a vida de jovens garotas. As oportunidades educacionais e de desenvolvimento são restringidas, e os riscos de desenvolverem problemas de saúde aumentam.
 
De acordo com estimativas do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), 15 milhões de meninas se casam todos os anos antes de completarem 18 anos de idade – algumas delas pouco depois do décimo ano de vida. Metade desses casamentos são ilegais.
 
As garotas precisam abandonar a escola, cuidar do lar compartilhado com um homem que não conheciam antes do casamento e engravidar, apesar de seus corpos ainda não estarem prontos para uma gestação. De acordo com um estudo da organização de proteção à criança Save the Children, há uma conexão direta entre casamento precoce, gravidez e mortalidade infantil.
 
"Durante a gravidez e o parto, aumenta o risco para jovens futuras mães", afirma Susanne Schröter, que dirige o instituto de pesquisa Globaler Islam, com sede em Frankfurt, e está familiarizada com o estudo.
 
A etnóloga pesquisa, entre outras coisas, a mudança de regulamentações de gênero no mundo islâmico. O casamento infantil é um fenômeno específico de gênero, que afeta principalmente meninas – independentemente da afiliação religiosa, segundo Schröter.
 
"Após o nascimento, as meninas ficam sobrecarregadas com o papel de mãe, porque ainda são crianças. É um escândalo", diz Schröter. As jovens são sistematicamente reprimidas, pois o cônjuge, em muitos casos, é frequentemente muitos anos mais velho que a esposa, aponta.
 
"As meninas não conseguem se defender, pois as relações de força não permitem que elas ofereçam resistência", explica a etnóloga.
 
Aumento de casamentos infantis e forçados
 
Com base na Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, um casamento é permitido somente a partir dos 18 anos de idade na maioria dos países do mundo. Entre 2015 e 2017, países como Chade, Malawi, Zimbábue, Costa Rica, Equador e Guatemala elevaram a idade mínima para casamentos para 18 anos. Além disso, aboliram as exceções que validavam casamentos infantis consentidos pelos pais ou por um juiz.
 
Para Susanna Krüger, diretora-executiva da sucursal alemã da Save the Children, o declínio do número de casamentos infantis nesses países é um grande sucesso. "O quadro jurídico ajuda a mudar as estruturas sociais no longo prazo", afirma.
 
No entanto, desde 2015, o casamento ilegal de garotas menores de idade aumentou de 11,3 milhões para 11,5 milhões mundo afora – e a tendência deve se manter. E ainda há 82,8 milhões de meninas com idades de dez a 17 anos que não estão legalmente protegidas contra casamentos infantis.
 
Considerando legislações que preveem como exceção que pais ou juízes deem o consentimento para um casamento infantil, 96,1 milhões de meninas estão vulneráveis a essas uniões – especialmente no Oriente Médio, no Norte da África, no Sul da Ásia, na África Ocidental e Central.
 
De religião a guerras
 
A legislação sozinha não é suficiente para impedir o aumento do número de noivas menores de idade, ressalta Krüger.
 
"É uma mistura de muitos fatores. A religião, a cultura ou as estruturas sociais e patriarcais estão estreitamente entrelaçadas e são mutuamente dependentes", diz.
 
Sobretudo a pobreza mantém o sistema de casamentos infantil, aponta a especialista. "Os pais nem sempre casam suas filhas porque querem", afirma. Meninas de áreas rurais e de famílias pobres são particularmente afetadas. Por razões financeiras, essas famílias se veem forçadas a casar suas jovens filhas com homens mais velhos.
 
Há uma diminuição dos índices de pobreza em alguns países, mas para os mais pobres a situação tem piorado. "Muitas famílias não têm como se libertar dessa pressão econômica", diz Krüger.
 
Além dos aspectos econômicos, as guerras promovem casamentos precoces, aponta Schröter. É o que ocorre na Síria, por exemplo, assolada por uma guerra civil.
 
"Após o início do conflito e especialmente após o fluxo de refugiados, o número de casamentos infantis aumentou muito", afirma. "Meninas foram forçadas a se casar aos 11 ou 12 anos de idade, com a premissa de que isso iria protegê-las de abuso sexual, por exemplo. A fuga sempre gera uma maior necessidade de segurança. Por isso, muitos se agarram às tradições que lhes dão segurança."
 
Intercâmbio com pais e terceiros
 
De acordo com as metas de desenvolvimento sustentável da ONU, não deve haver mais casamentos infantis depois de 2030. Para ajudar a alcançar tal objetivo, a Save the Children apela aos políticos para que tomem medidas efetivas contra casamentos infantis.
 
"O mais importante é a educação e que as crianças e as meninas permaneçam nas escolas", diz Krüger. Há muito o que fazer nas comunidades, e não se trata apenas de trabalho de esclarecimento. As famílias precisam de segurança para que a decisão de não casar suas filhas não tenha implicações financeiras, afirma a especialista.
 
"Queremos influenciar os programas governamentais de modo que haja oportunidades econômicas para os pais ou para as garotas, para que possam trabalhar no futuro", diz Krüger. Para isso, exemplos positivos são importantes, assim como a compreensão dos pais e das comunidades.
 
Os melhores avanços no combate aos casamentos infantis são registrados na América Latina. Depois de alterações em legislações, o número de uniões envolvendo crianças caiu dentro de apenas dois anos. Hoje, uma a cada cinco garotas da região é prometida a um homem estranho, o que pode ser considerado um grande avanço.
 
Fonte: Deutsche Welle
Imagem: Reprodução
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"Quando trabalhamos, juntas e juntos, nós, a minoria, nos tornamos a maioria. E no meio de tanto preconceito que vivemos, no meio de tanta violência, chego aqui nesse espaço e escuto os parceiros falando palavras de consolo, penso que além do preconceito, ainda tem pessoas que estão conosco na luta. São poucos os parceiros, mas deixa a gente otimista. Fico muito grato por estar aqui, aprendi muito, sempre aprendo muito, e vou levar esse aprendizado para minha aldeia." (Professor Zacarias Kapiaar Gavião)
 
Cento e vinte pessoas, indígenas e não indígenas, reuniram-se em Porto Alegre (RS), entre os dias 2 a 4 de outubro de 2017, no Seminário Interculturalidade: tecendo caminhos de justiça através de (con)vivências entre povos indígenas e não indígenas, comemorativo aos 35 anos do Conselho de Missão entre Povos Indígenas (COMIN). 
 
Para o COMIN, interculturalidade é ferramenta de luta. “Somos contra hegemonias religiosas e culturais. Somos pela partilha de saberes, pela construção de relações com os animais, com as plantas, com a natureza, com as pessoas. Queremos desconstruir conceitos polarizantes. Estamos abertas e abertos para a  troca e o toque. Vivamos diversidades”, foi a mensagem motivadora que abriu o encontro. 
 
Representações de diferentes povos indígenas estiveram presentes: Guarani e Kaingang, do Rio Grande do Sul e Santa Catarina; Laklãnõ Xokleng, de Santa Catarina; Tupiniquim, do Espírito Santo; Ikólóéhj-Gavião, de Rondônia; Huni Kui, do Acre; e Karajá, de Goiás, junto com as equipes do COMIN, da FLD, representantes do Centro de Apoio e Promoção da Agroecologia (CAPA), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) e da Pão para o Mundo.
 
Conversas, troca de conhecimentos e trabalhos em grupo foram realizados durante o encontro. A condução ficou com a “costureira” e o “costureiro”, professora Severiá Maria Idioriê Xavante e professor Reinaldo Fleuri. Nos dias 02 e 03 de outubro, foram apresentados relatos de três experiências.
 
Saberes e sabores
 
O Intercâmbio Intercultural de Saberes e Sabores, promovido pelo COMIN, vem aproximando mulheres Kaingang, da Terra Indígena (TI) Guarita, em Tenente Portela (RS), e as mulheres da Ordem Auxiliadora de Senhoras Evangélicas (OASE), da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), em Três de Maio.
 
“A proposta é promover articulações e diálogo intercultural e fortalecer a interação e a convivência de culturas diferentes”, disse a assessora do COMIN, Noeli Teresinha Falcade, que acompanha a iniciativa. Para isso, as mulheres da OASE já visitaram a TI e as mulheres Kaingang estiveram na comunidade luterana. São momentos de diálogo e de aprendizagem mútuos, quando elas apresentam seus trabalhos e relatam sobre seu cotidiano. “Elas estranharam nosso jeito, quando visitaram a Guarita. Mas estavam curiosas e prestaram atenção”, contaram as mulheres Kaingang. Para a presidenta da OASE, Márcia Müller Medeiros, os resultados estão sendo ótimos. “Queremos continuar com os intercâmbios”.
 
Magistério público para professores e professoras indígenas
 
Os professores indígenas Zacarias Kapiaar Gavião e Sebastião Kara'yã Péw Gavião, a professora do Instituto Federal de Rondônia, Lediane Butzlaff Neimog, e a assessora do COMIN, Jandira Keppi, relataram sobre a produção da Lei Complementar Estadual 578/2010, que trata do quadro de magistério público indígena no estado de Rondônia, da carreira de docentes e técnicos administrativos indígenas e estabeleceu a realização do concurso público específico para professores e professoras indígenas. “A lei é única”, afirmou Jandira. “Depois de um longo processo de luta de um grande coletivo, a luta agora é para seu processo de implementação”.
 
“Sou professor há mais de 20 anos, e sempre fomos contratados pelo Governo de Rondônia de forma emergencial, enquanto que professores de brancos eram concursados”, relatou Zacarias. “Conseguimos criar e aprovar a lei depois de várias lutas e várias ideias, com planejamento feito junto com um grande número de parceiros governamentais e não governamentais, entre os quais o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o COMIN, a Fundação Nacional do Índio (Funai), a Secretaria de Estado de Educação (Seduc), o Tribunal de Contas do Estado, o Ministério Público Federal e universidades”. A atuação da Organização dos Professores Indígenas de Rondônia e Noroeste do Mato Grosso (Opiron) e do Núcleo de Educação Escolar Indígena de Rondônia (Neiro), espaços de discussão e de articulação, também sobre terra, saúde e política, foi decisiva para o processo.
 
Zacarias Kapiaar Gavião foi o primeiro professor contratado via concurso público, para lecionar na sua aldeia. A lei determina o concurso público em três níveis: nível A, para professores indígenas com titulação no nível médio, com formação em magistério, para atuar na educação infantil e do 1o ao 5oano; nível B, integrado por professores e professoras indígenas com titulação em licenciatura plena, para atuar do 6o ao 9o ano e ensino médio; e nível Especial, para professores indígenas sem necessidade de comprovação de titulação, para atuar da educação infantil ao ensino médio, nas disciplinas relacionadas à organização social, usos, costumes, tradições, crenças e língua da comunidade. Todas as pessoas concursadas são indicadas para lecionar nas suas próprias aldeias.
 
Outro ponto importante é que prevê a estabilidade do professor, mas também a possibilidade de ele ser exonerado em caso de perda de confiança da comunidade, em razão do seu trabalho.
 
A luta agora é pela implementação. O professor Sebastião Kara'yã Péw Gavião lembra que: “o que a gente conquistou, não foi dado pelo governo. Não foi o governo que decidiu, nós conquistamos. Precisamos acreditar na nossa força e no nosso conhecimento, mesmo com o grande preconceito que sofremos”.
 
Sapopema
 
A experiência da Trilha da Sapopema, do povo Laklaño Xokleng, na serra do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, foi apresentada pelos jovens Jesaías Vaipon Patté, Ewerton Crendô e Eliton Weitschá. A professora Ingrid Lindner, da Escola Barão do Rio Branco, de Blumenau (SC), relatou sobre as visitas de grupos de estudantes à TI e os resultados da sua participação na Trilha.
 
Localizada na Aldeia Bugio, a Trilha da Sapopema surgiu como iniciativa dos e das jovens, em parceria com o COMIN, na busca de geração de renda, relacionada a sua cultura e dentro da sua aldeia.
 
Com 1.800 metros de extensão e a 950 metros de altitude, permite às e aos visitantes conhecer e caminhar pela Mata Atlântica e sua imensa biodiversidade. Durante a caminhada, há momentos de interação com a cultura indígena e, no final do percurso, uma parada em uma cabana tradicional, para degustar o Kapug, comida assada na taquara.
 
Nesta mesma cabana, anciãos contam histórias em seu idioma e a traduzem. Há também a visita ao Memorial Laklãnõ Xokleng, onde estão expostos utensílios e fotos, que contam a história e a atualidade do povo. Vivencia-se, ainda, um momento de canto de músicas e exposição e venda de artesanato tradicional, como brincos, colares, prendedores de cabelo, potes de barro e miniaturas de arco e flecha.
 
A inauguração da Trilha se deu em 2013, como resultado de um processo. “Jesaías, Ewerton e Eliton já são a quarta geração que participa da iniciativa”, disse o assessor do COMIN, Jasom de Oliveira. “Antes deles, muito trabalho foi feito.”
 
“A maioria dos jovens saía da aldeia, pois não tinha nenhuma perspectiva de trabalho. Hoje, a Trilha está trazendo os jovens de volta”, disse Jesaias. Para Ewerton, a Trilha está sendo incrível. “Com essa perspectiva, já não sinto vontade de sair da aldeia. É a minha casa, apesar de todas as dificuldades. Agradeço a parceria do COMIN, desde sempre, que também nos ajudou a fechar parceria com uma empresa de turismo, que está trazendo mais gente”. O mesmo depoimento foi dado por Eliton: “a Trilha faz toda a diferença e, com o apoio do COMIN, a ideia saiu do papel e está dando certo”.
 
A perspectiva de vivenciar uma cultura diferente foi o que motivou a professora Ingrid Lindner a promover viagens pedagógicas à Aldeia Bugio, com estudantes, professoras e professores. “Sabendo da Trilha, pensei no trabalho que se poderia fazer com as crianças, estimulando um pensamento reflexivo, um comprometimento social, conhecer outra cultura, outro modo de vida, aprender principalmente a respeitar e aceitar, sem preconceitos”. Desde 2013, Ingrid vem organizando, junto com a escola, as visitas de alunas e alunos dos quartos anos do Ensino Fundamental. Em um vídeo, depoimentos das crianças que estiveram na aldeia mostram que, para entender, sem dúvida, a palavra chave é “conhecer”:
 
– Eu achei que a aldeia indígena era que nem quando os portugueses chegaram no Brasil. Andavam de tanguinha, usavam lanças, arco e flecha. Mas quando cheguei lá, vi que não era assim. Eles têm internet, têm telefone. Eles têm a cultura deles, nós temos a nossa, é a cultura deles.
 
– Eu achava que eles moravam em ocas e que não se vestiam, e que se fôssemos lá, iam nos ameaçar, sei lá. Mas vi que era diferente. Vi que eles são como nós, e que são boa gente.
 
– Achei que eles usavam roupas de penas e de folhas e cocares, e que eles não iam para a escola. Lá eu vi que eles são que nem nós, só que tem uma cultura diferente.
 
Celebração
 
Na terça-feira, dia 03 de outubro, a noite foi de festa. Dois espaços foram organizados: uma tenda, para a celebração, que reuniu participantes do seminário e pessoas convidadas. O pastor João Artur Müller da Silva, integrante do COMIN na sua criação em 1982, foi homenageado, em nome dos outros componentes da primeira composição da organização: Sighard Hermany, Normélio Krampe, pastor Friedrich Gierus, pastor Arnildo Wilbert e pastor Edson Streck.
 
A celebração continuou no lado de fora da tenda, junto a uma fogueira, com alimentos preparados pelas mulheres e homens indígenas. Um momento diferente, de confraternização, conversa e de interculturalidade, como foi o espírito de todo o encontro.
 
Criação do COMIN
 
O COMIN foi criado em setembro de 1982 e, portanto, neste ano de 2017, celebra 35 anos de existência. Este Conselho foi criado pela Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), com o objetivo de assessorá-la e tratar das questões indígenas em seu âmbito.
 
Abaixo segue trecho do Boletim Informativo do Conselho Diretor, nº 79, de 14 de outubro de 1982, no qual foi publicada a criação do COMIN, em Reunião do Conselho Diretor da IECLB, ocorrido nos dias 23-25 de setembro de 1982, em Porto Alegre (RS).
 
“c.9) Conselho de Missão entre Índios – Considerando que o envolvimento da IECLB na questão indígena requer um grêmio que tenha a tarefa de acompanhar os obreiros na área indígena, bem como de providenciar a comunicação para dentro das comunidades, sendo ao mesmo tempo órgão assessor do CD em questões indígenas, o Conselho Diretor, atendendo a solicitação dos obreiros que atuam entre índios, criou o Conselho de Missão entre Índios e nomeou o Sr. Sighard Hermany, sr. Normélio Krampe, P. Friedrich Gierus, P. João A. Müller da Silva, P. Arnildo Wilbert e P. Edson Streck para comporem o referido Conselho.”
 
Fonte: FLD
Foto: Arquivo COMIN
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Contrariando as expectativas do governo Michel Temer, a CPI da Previdência Social no Senado conclui, nesta segunda-feira (23), que não existe déficit. A data de votação do relatório do senador Hélio José (Pros-DF) ainda será definida, mas a previsão é que a comissão parlamentar de inquérito se encerre até o dia 6 de novembro.
 
O texto de 253 páginas aponta erros na proposta de reforma apresentada pelo governo; sugere emendas à Constituição e projetos de lei; além de indicar uma série de providências a serem tomadas para o equilíbrio do sistema previdenciário brasileiro, como mecanismos de combate às fraudes, mais rigor na cobrança dos grandes devedores e o fim do desvio de recursos para outros setores.
 
O relatório alega haver inconsistência de dados e de informações anunciadas pelo Poder Executivo, que "desenham um futuro aterrorizante e totalmente inverossímil”, com o intuito de acabar com a previdência pública e criar um campo para atuação das empresas privadas.
 
“É importante destacar que a previdência social brasileira não é deficitária. Ela sofre com a conjunção de uma renitente má gestão por parte do governo, que, durante décadas: retirou dinheiro do sistema para utilização em projetos e interesses próprios e alheios ao escopo da previdência; protegeu empresas devedoras, aplicando uma série de programas de perdão de dívidas e mesmo ignorando a lei para que empresas devedoras continuassem a participar de programas de empréstimos e benefícios fiscais e creditícios; buscou a retirada de direitos dos trabalhadores vinculados à previdência unicamente na perspectiva de redução dos gastos públicos; entre outros”, resume Hélio José em seu relatório.
 
Segundo o presidente da CPI, senador Paulo Paim (PT-RS), uma das propostas do relatório é aumentar para R$ 9.370,00 o teto dos benefícios do Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que atualmente é de R$ 5.531,31.
 
Sonegação
 
Na visão do relator, não é admissível qualquer discussão sobre a ocorrência de déficit sem a prévia correção das distorções relativas ao financiamento do sistema.
 
"Os casos emblemáticos de sonegação que recorrentemente são negligenciados por ausência de fiscalização e meios eficientes para sua efetivação são estarrecedores e representam um sumidouro de recursos de quase impossível recuperação em face da legislação vigente", argumentou.
 
Segundo o relatório da CPI, as empresas privadas devem R$ 450 bilhões à previdência e, para piorar a situação, conforme a Procuradoria da Fazenda Nacional, somente R$ 175 bilhões correspondem a débitos recuperáveis.
 
"Esse débito decorre do não repasse das contribuições dos empregadores, mas também da prática empresarial de reter a parcela contributiva dos trabalhadores, o que configura um duplo malogro; pois, além de não repassar o dinheiro à previdência esses empresários embolsam recursos que não lhes pertencem", alegou.
 
Desinteresse da mídia
 
A CPI foi instalada no final de abril e, desde então, promoveu 26 audiências públicas. O presidente Paulo Paim (PT-RS) disse que a comissão está cumprindo seu papel, apesar de ter sido ignorada pelos meios de comunicação:
 
"Os grandes devedores da Previdência também são clientes da  mídia. Sabíamos que uma CPI deste vulto não teria cobertura da grande imprensa. Mas o importante é o trabalho e vamos concluir até 6 de novembro", afirmou.
 
Paim lembrou que 62 senadores assinaram a proposta de criação do colegiado - seriam necessárias apenas 27 assinaturas -, o que demonstra insegurança dos parlamentares em relação aos argumentos do governo em relação ao setor.
 
O senador ainda classificou a proposta da CPI de séria, principalmente em relação aos maiores devedores do sistema. E aproveitou para mandar um recado: "Não pensem os grandes devedores que vai ficar como está. Vamos pra cima deles", advertiu.
 
JB com Agência Senado
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Os fiéis da Igreja greco-melquita experimentaram o drama que “há muitos anos aflige a Síria e outras áreas do Oriente Médio” por causa do sofrimento “infligido também, ou em certos casos, somente por causa do nome de Jesus”.
 
Foi o que sublinhou em Haifa o Prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, Cardeal Leonardo Sandri, durante o encontro com os sacerdotes da Arquieparquia de Akka dos greco-melquitas.
 
Êxodo dos inocentes
 
Na segunda e terceira etapa da viagem que está realizando à Terra Santa, o purpurado quis recordar o êxodo de milhares de pessoas obrigadas a fugir e a deixar o que tinham, porque, como a Santa Sagrada Família em Belém, não havia lugar para eles. Mas “esta vez não na hospedaria, mas naquela que até poucas horas antes era a própria casa”.
 
O sofrimento inocente do povo cristão – comentou o Cardeal –  que “em certos casos chegou até mesmo a um verdadeiro martírio, por meio de sequestros ou até mesmo a tortura e a morte”, pela graça do Senhor “torna-se um tesouro de graça para a Igreja inteira, que lava as próprias vestes – às vezes cheias de pó – no sangue do Cordeiro Imolado”.
 
O Prefeito, depois, observou como existe uma “participação cotidiana e consciente possível para cada um de nós na obra de edificação e santificação da Igreja”, que passa pelos “nossos “sim” cotidianos, ao Senhor antes de tudo, por meio da oração, a celebração dos Sacramentos”,  e pelos “nossos “sim” aos irmãos, graças ao ministério da caridade”.
 
Uma solidariedade concreta pelos mais pobres no sentido material, mas também “pela pobreza interior com que se pode entra em contato”.
 
Nos países do Ocidente, esta é representada por um estilo de vida “como se Deus não existisse”, enquanto no Oriente poderia existir “o risco de uma pertença confessional forte – “sou cristão, sou católico, sou melquita, armênio, latino, caldeu” – que em alguns casos leva “a viver com um coração e um estilo não exatamente desejoso de um sincero estilo evangélico nas relações internas às comunidades ou com as outras comunidades, entre nós padres, entre nós e o bispo”.
 
Monte Carmelo
 
Sucessivamente, o Cardeal visitou a Igreja do Monte Carmelo, onde rezou na gruta do Profeta Elias e encontrou a comunidade das Carmelitas Descalças, provenientes da Terra Santa, da Itália, do Peru, de Madagascar e de outros países.
 
O purpurado deteve-se por um momento em partilha com as religiosas, confiando às suas orações as intenções do Papa Francisco, pela Igreja, e especialmente pelo Oriente Médio.
 
Nazaré
 
Após, deslocou-se até Nazaré, junto à Basílica da Anunciação, onde foi acolhido Reitor e Guardião da Basílica da Anunciação, Bruno Varriano e pela comunidade.
 
O purpurado celebrou Missa em uma capela próxima à gruta da Anunciação, onde recordou o Fiat de Maria e o grande mistério que naquele local é contemplado, detendo-se, em particular, na recordação do Beato Paulo VI.
 
“Em Nazaré – disse o Cardeal – o sim de Maria foi preparado no silêncio, e no silencio foi guardado o mistério da encarnação, do crescimento de Jesus no escondimento”.
 
Disto, o convite à sociedade e à Igreja, em meio ao “barulho da comunicação que invade os nossos dias”, a encontrar “o silêncio como lugar fecundo do qual nasce a vida verdadeira e autêntica”.
 
Por Rádio Vaticano
Foto: terresante.org
 
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No lado arborizado da rua na capital da Indonésia há uma antiga igreja protestante da época colonial com bancos de madeira rústicos, vitrais e um órgão de tubos antigo, encostado em uma grande parede atrás do altar.
 
Do outro lado da rua, existe uma moderna mesquita com 9.290 metros quadrados. Seus imponentes arcos nas entradas abrem para o espaço de oração cavernoso com as paredes cobertas com tapetes vermelhos.
 
 
Apesar das crenças diferentes, as duas casas de culto são vizinhas amigáveis, solícitas e um exemplo de pluralismo na nação com a maior população muçulmana do mundo, em uma época de medos intensificados em relação à intolerância religiosa.
 
"Nós nos respeitamos. Se não ofendermos outras pessoas, então também seremos respeitados", declarou Nur Alam, imã na Mesquita Sunda Kelapa, que foi inaugurada em 1971.
 
Atravessando a rua, Adriaan Pitoy é pastor na Igreja de São Paulo, que foi construída em 1936, quando o país ainda estava sob a administração colonial holandesa. "Nossa relação é apenas uma das atitudes positiva que tomamos. Também vamos a outras mesquitas para promover o diálogo. Nossa relação com os amigos ao lado é normal", afirmou, referindo-se aos vizinhos na mesquita.
 
 
Para as duas casas, o “normal” significa a partilha de vagas de estacionamento durante os respectivos cultos que mais lotam: a oração de sexta-feira na mesquita, a missa dominical na igreja. Eles também realizam sessões de diálogo inter-religioso e até mesmo torneios de vôlei. Durante o Ramadã, o mês de jejum sagrado dos muçulmanos, a equipe da Igreja de São Paulo, alguns dos quais são muçulmanos, transportam caixas de alimentos para a mesquita para que os praticantes possam interromper o jejum.
 
Este tipo de harmonia religiosa entre vizinhos com crenças distintas é evidente não apenas em Jacarta, mas em todo o arquipélago indonésio. Cerca de 90 por cento das 260 milhões de habitantes da Indonésia se identificam como muçulmanos, mas o país também tem populações cristãs, hindus, budistas e confucionistas; são pequenas, mas influentes.
 
Contudo, essas relações amistosas são ofuscadas com regularidade por notícias internacionais e meios de comunicação que abordam a intolerância racial e os medos em relação à "islamização" da Indonésia.
 
Nos últimos anos, houve centenas de casos de grupos islâmicos radicais que assediaram, atacaram e em alguns casos até mesmo mataram pessoas de minorias religiosas, incluindo cristãos, muçulmanos xiitas e membros do movimento islâmico Ahmadis, além de forçar o fechamento de centenas de igrejas e outras casas de culto em todo o país.
 
Ainda há o terrorismo doméstico na Indonésia, que remonta ao ano de 2000 e inclui vários atentados e ataques em Jacarta e na ilha resort de Bali por células terroristas que prometeram lealdade à al-Qaeda ou ao Estado Islâmico (EI).
 
"As ações desses grupos radicais e as ameaças do EI, ou de indonésios militantes voltando da Síria, são uma ameaça à cooperação inter-religiosa na Indonésia", disse Theophilus Bela, ex-presidente do fórum de comunicação cristã em Jacarta, que por anos documentou todos os ataques e ações discriminatórias contra as igrejas do país.
 
Um desafio recente para a harmonia religiosa pode ser encontrado em uma esquina não muito longe da Igreja de São Paulo e da Mesquita Sunda Kelapa: em uma avenida, ao lado de um parque público, encontra-se a residência oficial do governador de Jacarta.
 
Basuki Tjahaja Purnama teoricamente viveria ali. Mas no momento ele está na prisão, cumprindo pena de dois anos por blasfemar contra o Islã em um caso que gerou violentas marchas nas ruas de Jacarta por parte de grupos radicais islâmicos. Eles exigiam que Basuki fosse processado ou linchado por citar um verso do Alcorão que avisa aos muçulmanos para se colocarem contra a aliança com cristãos e judeus.
 
O governador, um cristão, posteriormente sofreu uma derrota de virada nas últimas eleições, em abril deste ano. Algumas semanas mais tarde, foi condenado por um tribunal em Jacarta e imediatamente transferido para uma prisão de segurança-máxima, para o deleite dos grupos radicais islâmicos que se reuniram em frente ao tribunal.
 
O julgamento e a prisão de Basuki chocaram grande parte do país, em particular as comunidades religiosas minoritárias.
 
Apesar do caso e da retroalimentação de tensões entre muçulmanos e cristãos, tanto Nur quanto Pitoy dizem que o episódio envolvendo Basuki foi mais político do que religioso. Afirmam também que não se preocupam com um possível fim da longa tradição pluralista da Indonésia.
 
"Os indonésios sabem que os conflitos entre grupos religiosos têm ocorrido, mas na verdade sabemos que não é só por causa da fé religiosa, mas talvez também por motivos políticos, econômicos ou algo assim. Às vezes é difícil diferenciar a política da religião – especialmente na Indonésia”, contou Pitoy.
 
Em agosto, a Christian Solidarity Worldwide, organização de direitos humanos fundada no Reino Unido, divulgou um relatório dizendo que a tradição secular da Indonésia quanto ao pluralismo religioso está "sob grave ameaça". A reputação do país de possuir uma maioria muçulmana moderada e democrática, que protege a liberdade de religião, está prejudicada.
 
O relatório também pontuou que algumas comunidades cristãs temem por sua segurança.
 
"Há uma sensação generalizada de que são cidadãos de segunda classe em seu próprio país", contou Benedict Rogers, líder da equipe da organização na seção do sudeste asiático.
 
Em resposta à queda de Basuki, que costumava assistir às missa de domingo na Igreja de São Paulo, o Presidente da Indonésia, Joko Widodo, um dos seus principais aliados políticos, estabeleceu uma força tarefa especial para reforçar a ideologia do país, conhecida como Pancasila, que consagra o pluralismo.
 
Apesar do caso Basuki, ataques violentos contra minorias religiosas têm diminuído substancialmente nos últimos cinco anos. O Instituto Setara da Democracia e Paz, uma organização não governamental em Jacarta, registrou apenas 93 ataques neste ano, até agosto, se comparado aos 264 ataques no ano de 2012.
 
"Mas o número de casos de blasfêmia relatados à polícia por causa das mídias sociais, por causa do que as pessoas comentam no Facebook têm ocorrido com maior frequência agora", disse Bonar Tigor Naipospos, vice-presidente do Conselho Executivo do Instituto Setara.
 
Nur e Pitoy disseram que o problema central da Indonésia em relação à religião não é a intolerância, mas a falta de educação e compreensão entre a população. Menos da metade de todos os indonésios completou o ensino fundamental, de acordo com o Departamento de Estatística do governo.
 
"A Indonésia tem uma maioria muçulmana, temos que aceitar isso. Mas a classe baixa tem um conhecimento muito parco sobre o Islã. É por isso que, se você quer saber sobre a essência do Islã, que é paz e tolerância, você precisa estudar o Alcorão", pontuou Nur.
 
Quando questionado se achava que a intolerância religiosa está crescendo na Indonésia, Pitoy, o pastor da Igreja de São Paulo, disse: "Acho que não".
 
"Os problemas são a pobreza e a concretização da justiça social", disse ele sobre os desafios da igreja. "Também, é muito importante ter uma base comum, e nós temos nossa Constituição e a Pancasila”.
 
Texto: Joe Cochrane/The New York Times
Foto: Reprodução
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Os partisans foram grupos de resistência ao nazismo que se refugiavam em bosques, montanhas e pântanos, por toda a Europa. Junto com eles, Marian Burstein dinamitou trens, destruiu pontes, fez prisioneiros de guerra e enfrentou tropas nazistas.
 
Ele era o sogro de Miguel Krigsner, fundador do Museu do Holocausto e da rede de lojas de cosméticos O Boticário. A história de Burstein motivou a criação do único museu sobre o holocausto existente no Brasil, localizado em Curitiba e inaugurado em 2011.
 
O ex-guerrilheiro faleceu em 2004, mas não sem antes gravar um depoimento sobre suas experiências para um projeto da Fundação Soah, do cineasta americano Steven Spielberg - também judeu e vencedor do Oscar de melhor diretor em 1994 com o filme A Lista de Schindler, sobre o horrores do Holocausto.
 
Nascido em Blinow (Polônia), em 1922, Burstein era o mais velho de quatro irmãos. Nesse pequeno vilarejo, que fica a aproximadamente 200 quilômetros da capital polonesa, Varsóvia, sua família tinha um armazém que servia agricultores da região.
 
Em 1940, seis meses depois do início da Segunda Guerra Mundial, tropas alemãs cercaram Blinow e aprisionaram os homens para trabalho forçados. Burstein teve a chance de presenciar a frieza dos nazistas.
 
De acordo com seu relato, havia uma piscina usada para a higienização dos prisioneiros. Bem em frente a um alojamento de soldados. "Ali, bebiam café, pegavam revólveres e, apoiados na janela, atiravam nos prisioneiros como patos em um jogo de tiro ao alvo. Eram sádicos - tínhamos ainda que tirar as pessoas mortas da água".
 
Burstein conseguiu escapar durante um troca de prisioneiros e foi ao encontro de sua família, que imediatamente abandonou Blinow e passou a viver uma rotina de fugitiva - graças à clientela do armazém, iam de um casa para outra, escondido em sótãos ou debaixo do piso.
 
Durante o ano de 1941, a família Burstein mudou de refúgio diversas vezes. Era necessário sair quando a vizinhança desconfiava da movimentação na casa de quem dava abrigo.
 
As fugas eram sempre feitas à noite. Durante o inverno, para não deixar rastro na neve, formavam uma fila em que cada um tentava encaixar o pé na marca deixada pelo outro. Em um desses abrigos, um conhecido convidou Burstein para se juntar aos partisans, o que ele fez em 1942, junto à irmã mais velha.
 
O grupo, chamado de Armia Ludowa, tinha poloneses judeus e não judeus, assim como russos e outras nacionalidades.
 
De acordo com Dennison de Oliveira, professor de história da Universidade Federal do Paraná e autor do livro Os Soldados Brasileiros de Hitler, a resistência ocorreu tardiamente.
 
"O Holocausto sempre foi um projeto secreto; as vítimas eram mantidas na ignorância de seu destino até o último momento e levavam o segredo consigo ao serem mortas".
 
Os partisans eram organizados. A cada 20 pessoas, havia um líder que impunha regras rígidas. Quem não as seguia, tinha como punição, muitas vezes, o fuzilamento.
 
Burstein, por exemplo, testemunhou um episódio em que um dos partisans foi fuzilado quando, além de apanhar comida na casa de uma polonesa, resolveu furtar um par de meias, que seria levado para a namorada.
 
Para prover as necessidades básicas, os combatentes cobravam um pedágio do comércio nas cidades.
 
Por uma questão de sobrevivência, casais eram proibidos de ter filhos. As mulheres, por exemplo, ao mesmo tempo que costuravam roupas com o tecido de paraquedas, também aprendiam a manusear o armamento.
 
O filme Um ato de liberdade (2008) ajuda a entender como viveram os partisans. "Quando assisto ao filme, parece que vejo meu sogro nele", conta Krigsner. Ao todo 14 pessoas da família de Burstein conseguiram sobreviver.
 
"Eles tiveram muita sorte, pois normalmente alguém acabava morrendo", afirma Miguel Krigsner, cuja família é um exemplo disso - de 20 pessoas, apenas o pai dele e três irmãos sobreviveram.
 
No fim da guerra, o pai de Krigsner saiu de seu esconderijo com apenas 39 quilos. "O que salvou a família do meu sogro foi a ligação com os partisans", afirma Krigsner.
 
Da Polônia para a América do Sul
 
Após a guerra, muitos judeus ficaram sem teto - no caso da família Burstein, a casa estava intacta, porém habitada por ucranianos que lá permaneceram. Por isso, muitos deles não ficaram no país natal. No caso de Marian Burstein, o destino foi a Bolívia.
 
 
"Era um dos países que aceitava a entrada de judeus. O país era basicamente indígena e procurava trazer europeus para trabalharem", conta Krigsner, que nasceu na Bolívia, pois seu pai também migrou para lá depois da guerra.
 
Passados alguns anos, um dos cunhados de Burstein, que tinha contatos em Curitiba, resolveu se mudar para o Brasil com parte da família.
 
Burstein estava casado e trabalhando com a venda de automóveis na Bolívia, mas foi convencido pela mãe a acompanhar a família. Chegou em 1957 para trabalhar como comerciante.
 
Teve três filhos e viveu até o fim em Curitiba. Morreu aos 82 anos.
 
O museu
 
No Museu do Holocausto brasileiro, é possível ver o depoimento de diversos sobreviventes da 2ª Guerra Mundial. Fotografias e objetos pessoais buscam contar histórias singulares dos horrores.
 
 
"A memória tem que ser preservada. Eu queria que fosse um museu extremamente educativo, não de velharia; algo moderno para atrair jovens e adultos", afirma Miguel Krigsner.
 
Ele lembra que a proximidade com Marian despertou seu interesse pelo tema, até mesmo por que as histórias da família muitas vezes remetiam à guerra.
 
"Isso não é problema. Problema é fugir dos alemães", esse era um comentário recorrente que ouvia do sogro.
 
Para Dennison Oliveira, o museu fornece "um claro exemplo histórico de como o preconceito pode ser politicamente instrumentalizado e quais as consequências disso".
 
"Ele conseguiu reverter uma lembrança tão triste em um bem viver, acredito que ele é símbolo de todos aqueles judeus que não se entregaram e lutaram pelo nosso povo", finaliza Krigsner.
 
Fonte: BBC
Imagens: Reprodução
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A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio do seu Setor de Mobilidade Humana, foi parceira na realização do XIII Encontro Nacional da Rede Solidária para Migrantes e Refugiados (RedeMir), que aconteceu de 17 até 19 de outubro, no Centro Cultural de Brasília.
 
O tema do encontro “Por uma migração que acolha, proteja, promova as pessoas migrantes e refugiadas e suas famílias” foi inspirado nas preocupações do papa Francisco que tem insistido para que a Igreja assuma o compromisso com as pessoas que estão vivendo estas situações.
 
No último dia 27 de setembro, o papa lançou a campanha “Compartilhe a viagem”, um chamado para que todos “compartilhem sem medo o caminho dos migrantes e dos refugiados”, conforme postou em um de seus twítes. A campanha lançada pelo papa será um dos temas de reflexão do encontro.
 
O encontro, além de outras pautas, também situou o debate sobre o atual contexto das migrações internacionais, com enfoque para o Brasil e América Latina. As regulamentações brasileiras e as inovações e possibilidades da Lei 13.445/2017 também foram abordadas.
 
Segundo o bispo de Pesqueira (PE), dom José Luiz Ferreira Salles, bispo referencial do Setor de Mobilidade Humana da CNBB, este evento foi uma oportunidade para dizer à sociedade, às autoridades e também à Rede como um todo, que a Igreja quer estar de um modo solidário do lado destes irmãos e irmãs.
 
O religioso afirmou ser necessário pensar atuações em duas frentes de trabalho. “Nos preocupa muito o enfrentamento da consequência da migração e do refúgio e o tratamento das causas”, disse. Ao mesmo tempo, para dom José Luiz, é necessário acolher os estrangeiros e possibilitar formas de sua integração e buscar soluções para as causas dos processos migratórios pelos quais passam países e povos: conflitos, miséria, regimes totalitários, violações de direitos humanos.
 
O bispo referencial do Setor de Mobilidade Humana da CNBB defendeu que os grandes movimentos migratórios são provocados pelo grande desequilíbrio econômico entre as nações, pela instabilidade política e social e por problemas ambientais. “O trabalho em rede dá força e criatividade para entramos nestes problemas, até de ponto de vistas diferentes, e nas profundidades escuras desta nossa época. Nas contradições deste modelo de desenvolvimento que leva à desigualdade e à miséria”, disse.
 
Trabalho em rede
 
Frente a tamanho desafio, o bispo afirmou que neste encontro o desejo foi de aprofundar um pouco mais a ação em rede de articulação. “Os problemas que temos hoje ninguém consegue resolver sozinho. Precisamos nos unir com todos o que sonham construir um mundo novo e estar mais próximos os que sofrem”, concluiu.
 
Esse encontro é realizado anualmente por Instituto de Migrações e Direitos Humanos (IMDH), Agência da ONU para refugiados (ACNUR) e Setor Pastoral da Mobilidade Humana da CNBB. O evento tem ainda o apoio do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), do Ministério da Justiça, Conselho Nacional de Imigração (CNIg), Organização Internacional para o Trabalho (OIT) e Organização Internacional para as Migrações (OIM), reunindo entidades que integram a RedeMir.
 
Articulada pelo IMDH, a RedeMiR existe há treze anos e conta atualmente com cerca de 60 entidades espalhadas por todas as regiões do Brasil. Este ano, foram aproximadamente 40 instituições presentes no evento. A rede promove o intercâmbio de práticas e informações e busca favorecer o apoio mútuo entre entidades, assim como de comunicação e capacitação de seus membros.
 
Fonte: CNBB
Foto: Louisa Gouliamaki/AFP
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"Neste momento difícil da sua história, em que tantas pessoas parecem ter perdido a esperança num futuro melhor diante dos enormes problemas sociais e da escandalosa corrupção, o Brasil precisa que os seus padres sejam um sinal de esperança. Os brasileiros precisam ver um clero unido, fraterno e solidário, em que os padres enfrentam juntos os obstáculos, sem deixar-se levar pela tentação do protagonismo ou do carreirismo. Tenho a certeza de que o Brasil vai superar a sua crise, e confio que vocês serão protagonistas desta superação", afirmou o Papa Francisco, na manhã do último sábado, 21 de outubro, no Vaticano, ao receber em audiência a Comunidade do Pontifício Colégio Pio Brasileiro de Roma, por ocasião dos 300 anos do encontro da imagem de Nossa Senhora Aparecida.
 
O Papa chamou a atenção para a 'doença' do 'academicismo' e a tentação de fazer dos estudos um mero meio de engrandecimento pessoal e alertou para que os padres não se deixem "levar pela tentação do protagonismo ou do carreirismo". "Por favor, pediu Francisco, não se esqueçam que antes de serem mestres e doutores, vocês são e devem permanecer padres, pastores do povo de Deus!"
 
Eis o texto.
 
Queridos irmãos e irmãs,
 
Recebo-lhes hoje, por ocasião dos trezentos anos do achado da veneranda Imagem de Nossa Senhora Aparecida. Agradeço o Cardeal Sérgio da Rocha, Presidente da CNBB, pelas palavras amáveis que me dirigiu, em nome de toda a Comunidade presbiteral do Pontifício Colégio Pio Brasileiro, juntamente com as religiosas e funcionários que colaboram para fazer dessa casa “um pedacinho do Brasil em Roma”.
 
Como é importante sentir-se num ambiente acolhedor, quando estamos longe e com saudades da nossa terra! Isso ajuda a superar as dificuldades para adaptar-se a uma realidade onde a atividade pastoral não é mais o centro do dia-a-dia. Vocês já não são mais párocos ou vigários, mas padres estudantes. E, essa nova condição pode trazer o perigo de gerar um desequilíbrio entre os quatro pilares que sustentam a vida de um presbítero: a dimensão espiritual, a dimensão acadêmica, a dimensão humana e a dimensão pastoral. Evidentemente, neste período concreto da vida de vocês, a dimensão acadêmica vem acentuada. Contudo, isso não pode significar um descuido das outras dimensões.
 
É preciso cuidar da vida espiritual: a Missa diária, a oração quotidiana, a lectio divina, a oração pessoal com o Senhor, a recitação do terço. Também a dimensão pastoral deve ser cuidada: na medida do possível, é saudável e recomendável desenvolver algum tipo de atividade apostólica.
 
E, pensando na dimensão humana, é preciso, acima de tudo, evitar que, diante de um certo vazio ligado à solidão, por não ter mais a consolação do povo de Deus, como quando estavam nas suas dioceses, acabe-se perdendo a perspectiva eclesial e missionária dos estudos. Isso abre a porta para algumas “doenças” que podem afetar o padre estudante, como por exemplo o “academicismo” e a tentação de fazer dos estudos um mero meio de engrandecimento pessoal. Em ambos os casos acaba-se por sufocar a fé que temos a missão de guardar, como pedia São Paulo à Timóteo: «Guarda o depósito que te foi confiado. Evita as conversas frívolas de coisas vãs e as contradições da falsa ciência. Alguns por segui-las, se transviaram da fé» (1Tm 6, 20-21). Por favor, não se esqueçam que antes de serem mestres e doutores, vocês são e devem permanecer padres, pastores do povo de Deus!
 
Mas como então manter o equilíbrio entre esses quatro pilares fundamentais da vida sacerdotal? Eu diria que o remédio mais eficaz contra esse perigo é a fraternidade sacerdotal. Na verdade, a nova Ratio Fundamentalis para a formação sacerdotal, ao tratar do tema da formação permanente, afirma que «primeiro âmbito em que se desenvolve a formação permanente é a fraternidade presbiteral» (n. 82). Essa é, portanto, como que o eixo da formação permanente. Isso se fundamenta no fato de que, pela Ordenação sacerdotal, participamos do único sacerdócio de Cristo e formamos uma verdadeira família. A graça do sacramento assume e eleva as nossas relações humanas, psicológicas e afetivas e «se revela e concretiza nas mais variadas formas de ajuda recíproca, não só espirituais mas também materiais» (João Paulo II, Pastores dabo vobis, 74).
 
Na prática, isso significa saber que o primeiro objeto da nossa caridade pastoral deve ser o nosso irmão no sacerdócio: «carregai – nos exorta o Apóstolo – os fardos, uns dos outros; assim cumprireis a Lei de Cristo» (Gal 6,2). Rezar juntos, compartilhar as alegrias e desafios da vida acadêmica. Ajudar àqueles que sofrem mais com as saudades. Sair juntos para passear. Viver como família, como irmãos, sem deixar ninguém de lado, sobretudo aqueles que passam por alguma crise ou, quem sabe, têm comportamentos repreensíveis, pois «a fraternidade presbiteral não exclui ninguém» (Pastores dabo vobis, 74).
 
Queridos sacerdotes, o povo de Deus gosta e precisa de ver que seus padres se amam e vivem como irmãos, ainda mais pensando no Brasil e nos desafios tanto de âmbito religioso como no social que lhes esperam ao retorno. De fato, neste momento difícil da sua história, em que tantas pessoas parecem ter perdido a esperança num futuro melhor diante dos enormes problemas sociais e da escandalosa corrupção, o Brasil precisa que os seus padres sejam um sinal de esperança. Os brasileiros precisam ver um clero unido, fraterno e solidário, em que os padres enfrentam juntos os obstáculos, sem deixar-se levar pela tentação do protagonismo ou do carreirismo. Tenho a certeza de que o Brasil vai superar a sua crise, e confio que vocês serão protagonistas desta superação.
 
Para isso, contem sempre com uma ajuda particular: a ajuda da Nossa Mãe do Céu, a quem vocês brasileiros chamam de Nossa Senhora Aparecida. Vem a minha mente as palavras daquele canto com o qual vocês a saúdam: «Virgem santa, Virgem bela; Mãe amável, mãe querida; Amparai-nos, socorrei-nos; Ó Senhora Aparecida». Que essas palavras se confirmem na vida de cada um de vocês. Possa a Virgem Maria, amparando e socorrendo, ajudá-los a viver a fraternidade presbiteral, fazendo com que o período de estudos em Roma tenha muitos frutos, para além do título acadêmico.
 
Que Ela, Rainha do Colégio Pio Brasileiro, ajude a fazer desta comunidade uma escola de fraternidade, transformando cada um de vocês em um fermento de unidade para as suas Dioceses, pois a “diocesanidade” do sacerdote secular se alimenta diretamente da experiência da fraternidade entre os presbíteros. E, para confirmar esses votos, concedo de coração à direção, alunos, religiosas e aos funcionários juntamente com suas famílias, a Bênção Apostólica, pedindo também que, por favor, não deixem de rezar por mim. Obrigado.
 
Fonte: IHU Unisinos
Obs.: o título foi adaptado
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Entre os dias 16 e 18 de outubro, o Instituto São Boaventura de Brasília (ISB) recebeu a primeira Jornada Teológica com o tema "500 anos da Reforma Protestante de Martin Lutero".
 
A finalidade era realizar um tempo de reflexão e ecumenismo. Dentre os temas e conferencistas estavam a pastora Romi Bencke, que no primeiro dia refletiu “A liberdade cristã em Martin Lutero”. Já no segundo dia da Jornada, o pastor Leônidas Guelli refletiu o tem dos “Fundamentos da Reforma Radical” e, por fim, no último dia realizou-se a celebração ecumênica no templo da Igreja Evangélica de Confissão Luterana de Brasília (IECLB).
 
Segundo o Reitor do ISB, frei Rafael Normando, esse foi um momento de reflexão e comunhão entre os católicos, de modo especial a comunidade franciscana do ISB, e os luteranos por terem realizado passos concretos de comunhão e oração acerca dos 500 anos da Reforma.
 
Na celebração, católicos e luteranos, além de celebrarem a palavra de Deus em comum, trocaram presentes simbólicos de comunhão. Da parte dos franciscanos, um TAU foi presenteado à comunidade luterana. Os luteranos entregaram aos frades um símbolo da Reforma.
 
Com informações do ISB
Foto: Reprodução
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